segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Só agora pude assistir à entrevista da Dra. Manuela Ferreira Leite

à SIC, faz 5 dias. Sim, que eu não tenho vida para isto.

No despejo inchado e balofo de evidentementes, efectivamentes, exactamentes, obviamentes e portantos, foi preciso esperar 38 minutos e 40 segundos para que da pavorosa, ridente, e bem penteada sexagenária se soltasse uma ideia - sem qualquer outra a montante ou a jusante - de remédio para os males do país:
porque exactamente tudo aquilo que sejam investimentos chamados investimentos de proximidade que tenham efeitos imediatos, que sejam bons para a criação de emprego, que tenham efeitos imediatos no país, são bons; e eu não ficaria só pelo parque escolar, passaria também pela recuperação do património, pela reabilitação urbana, por recuperação de hospitais, portanto, tudo o que sejam investimentos de proximidade. E já viu se os dinheiros por exemplo que está alocado para o TGV, por exemplo, fosse para recuperação, isso aí defenderia, da linha férrea nacional, provavelmente tinha muito mais impacto dentro do país do que qualquer outro tipo de
Proximidade, pois. Ah, e sempre com as pequenas e médias empresas.

E ao minuto 26, aquele pestanejar de colibri enrascado, a propósito do Dr. Dias Loureiro?...
mas oiça, eu não me manifesto, não faço juízos de valor sobre as pessoas.
Vá lá, caríssimo leitor, recue 15 segundos e atente bem na pestanuda e nervosa vertigem.

Ademais, juro que a senhora disse estas coisas:

- entendo que os resultados das eleições depende efectivamente daquilo que os eleitores querem

- e não é pelo facto de nós pedirmos maioria absoluta ou deixar de pedir maioria absoluta que ela se é adquirida ou não é adquirida

- aquilo que eu acho que os eleitores têm de ter consciência não é que querem ou não querem substituir o engenheiro Sócrates

- chamar à atenção das pessoas que ou querem o governo socialista ou não querem

- ponderem naquilo que querem país

- e se há coisas que desacreditou os políticos foi

- e para esse contribuição eu penso trabalhar

- acho que o PSD deu exactamente a imagem daquilo que eu tracei o caminho para o partido

- as [preocupações] fulcrais para mim é ganhar as eleições

- como é que foi possível que um primeiro-ministro ao falar do país e ao falar do futuro do país não pronunciou uma única vez

- aquilo que o engenheiro Sócratas herdou

- há um ponto que eu não tenho nenhuma dúvida

- linhas de crédito normalmente como foram apresentadas em primeiro lugar conduz a que as empresas

- portanto, estou em desacordo total contra isso

- entendiam que havia outras fórmulas de resolver os problemas

- portanto mas havia outros processos, outras fórmulas de poder ter resolvido esse processo

- olhe, de uma coisa lhe posso garantir: é que nunca teria estado oito meses calada

- esse problema é um problema que não pode um governo cruzar os braços e ficar indiferente

- e não fazer coisas que levam ao empobrecimento do país que é aquilo que conduz estes grandes investimentos públicos

- não tenho nada contra os comboios, não tenho nada contra os TêVêGês [TGV]

- não existe um único - um só! - economista credível que não diga aquilo que eu estou a dizer [Ah faneca]

- portanto, a única coisa que eu penso, espero, é que ele não venha a tomar uma decisão

- e portanto eu não tenho dúvidas nenhumas que é uma política completamente oposta à do engenheiro Sócrates

- é necessário criar fórmulas de as empresas se desenvolverem

- nós temos é que levar as pessoas a ter esperança de que efectivamente é possível fazer melhor … de resto, nem é muito difícil fazer melhor, porque estamos exactamente a ir no caminho contrário àquilo a que devemos. Eu considero - e digo isto sentidamente e convictamente - de que se nós continuarmos com esta política que tem estado a ser seguida que tem-nos levado a empobrecer, vamos continuar a empobrecer e podemos ficar irremediavelmente pobres.

- e portanto aquilo que eu farei é com certeza aquilo que é dito que se faz é para ser feito e tem que ter uma transparência e as pessoas saberem donde é que está a vir esse dinheiro

- claro que não é e ninguém acredita que não é [ahahahah]

- o primeiro-ministro disse duas coisas que são muitíssimo preocupantes: a primeira foi que não falou verdade quando disse claramente à comunicação social que não sabia de nada

- foi uma frase que eu acho que lhe fugiu a boca para a verdade

Confrange-me imaginar isto a primeiro-ministro. Mas vendo melhor, onde estaria o espanto? Não está já a presidente uma crispada, rígida, agastadiça, algo bronca e atarantada figura? Posto que séria, vá lá. E enfim, o riso da Manuela sempre é mais bonito.

PeSaDelo