[j-m.nobre-correia@ulb.ac.be]
Ter um nome simples é bênção; facilita a assinatura, o trato e o contacto.
Por isso, nada como ser "-" por parte da mãe e "-" por parte do pai.
segunda-feira, 29 de Junho de 2009
J.-M. Nobre-Correia
Pluvicado pelo Plúvio
Só agora pude assistir à entrevista da Dra. Manuela Ferreira Leite
No despejo inchado e balofo de evidentementes, efectivamentes, exactamentes, obviamentes e portantos, foi preciso esperar 38 minutos e 40 segundos para que da pavorosa, ridente, e bem penteada sexagenária se soltasse uma ideia - sem qualquer outra a montante ou a jusante - de remédio para os males do país:
porque exactamente tudo aquilo que sejam investimentos chamados investimentos de proximidade que tenham efeitos imediatos, que sejam bons para a criação de emprego, que tenham efeitos imediatos no país, são bons; e eu não ficaria só pelo parque escolar, passaria também pela recuperação do património, pela reabilitação urbana, por recuperação de hospitais, portanto, tudo o que sejam investimentos de proximidade. E já viu se os dinheiros por exemplo que está alocado para o TGV, por exemplo, fosse para recuperação, isso aí defenderia, da linha férrea nacional, provavelmente tinha muito mais impacto dentro do país do que qualquer outro tipo de
Proximidade, pois. Ah, e sempre com as pequenas e médias empresas.
E ao minuto 26, aquele pestanejar de colibri enrascado, a propósito do Dr. Dias Loureiro?...
Vá lá, caríssimo leitor, recue 15 segundos e atente bem na pestanuda e nervosa vertigem.
Ademais, juro que a senhora disse estas coisas:
- entendo que os resultados das eleições depende efectivamente daquilo que os eleitores querem
- e não é pelo facto de nós pedirmos maioria absoluta ou deixar de pedir maioria absoluta que ela se é adquirida ou não é adquirida
- aquilo que eu acho que os eleitores têm de ter consciência não é que querem ou não querem substituir o engenheiro Sócrates
- chamar à atenção das pessoas que ou querem o governo socialista ou não querem
- ponderem naquilo que querem pó país
- e se há coisas que desacreditou os políticos foi
- e para esse contribuição eu penso trabalhar
- acho que o PSD deu exactamente a imagem daquilo que eu tracei o caminho para o partido
- as [preocupações] fulcrais para mim é ganhar as eleições
- como é que foi possível que um primeiro-ministro ao falar do país e ao falar do futuro do país não pronunciou uma única vez
- aquilo que o engenheiro Sócratas herdou
- há um ponto que eu não tenho nenhuma dúvida
- linhas de crédito normalmente como foram apresentadas em primeiro lugar conduz a que as empresas
- portanto, estou em desacordo total contra isso
- entendiam que havia outras fórmulas de resolver os problemas
- portanto mas havia outros processos, outras fórmulas de poder ter resolvido esse processo
- olhe, de uma coisa lhe posso garantir: é que nunca teria estado oito meses calada
- esse problema é um problema que não pode um governo cruzar os braços e ficar indiferente
- e não fazer coisas que levam ao empobrecimento do país que é aquilo que conduz estes grandes investimentos públicos
- não tenho nada contra os comboios, não tenho nada contra os TêVêGês [TGV]
- não existe um único - um só! - economista credível que não diga aquilo que eu estou a dizer [Ah faneca]
- portanto, a única coisa que eu penso, espero, é que ele não venha a tomar uma decisão
- e portanto eu não tenho dúvidas nenhumas que é uma política completamente oposta à do engenheiro Sócrates
- é necessário criar fórmulas de as empresas se desenvolverem
- nós temos é que levar as pessoas a ter esperança de que efectivamente é possível fazer melhor … de resto, nem é muito difícil fazer melhor, porque estamos exactamente a ir no caminho contrário àquilo a que devemos. Eu considero - e digo isto sentidamente e convictamente - de que se nós continuarmos com esta política que tem estado a ser seguida que tem-nos levado a empobrecer, vamos continuar a empobrecer e podemos ficar irremediavelmente pobres.
- e portanto aquilo que eu farei é com certeza aquilo que é dito que se faz é para ser feito e tem que ter uma transparência e as pessoas saberem donde é que está a vir esse dinheiro
- claro que não é e ninguém acredita que não é [ahahahah]
- o primeiro-ministro disse duas coisas que são muitíssimo preocupantes: a primeira foi que não falou verdade quando disse claramente à comunicação social que não sabia de nada
- foi uma frase que eu acho que lhe fugiu a boca para a verdade
Confrange-me imaginar isto a primeiro-ministro. Mas vendo melhor, onde estaria o espanto? Não está já a presidente uma crispada, rígida, agastadiça, algo bronca e atarantada figura? Posto que séria, vá lá. E enfim, o riso da Manuela sempre é mais bonito.
PeSaDelo
domingo, 28 de Junho de 2009
O Diário de Notícias não larga o lince
Pluvicado pelo Plúvio
Etiquetas: dn
sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Quem nos livra da praga da proximidade?
«[...] Volvidos mais de 10 anos sobre a publicação de tais diplomas*, assistimos a uma proliferação de grandes superfícies comerciais em todo o território nacional. Dada a possibilidade de estas prosseguirem uma política de preços com os fornecedores** assaz agressiva, proporcionada pela dimensão dos grupos económicos onde normalmente se integram, impossibilitam a competição do pequeno comércio de proximidade, muitas vezes de cariz familiar, levando ao inexorável decréscimo de clientes e ao consequente encerramento de muitas pequenas empresas de comércio a retalho. [...]»
* Decreto-Lei n.º 48/96, de 15 Maio; Portaria n.º 153/96, de 15 de Maio
** Não deveria ser "as fornecedoras e os fornecedores"? Ai, ai, senhoras e senhores, respectivamente, deputadas e deputados...
Pluvicado pelo Plúvio
Etiquetas: proximidade
quinta-feira, 25 de Junho de 2009
28, noves fora, Manuela
Ora bem, sem prejuízo do economês bárbaro, eivado de rentabilidade e de rentabilização, de sustentação e de sustentabilidade, de potencial e de competitividade, sempre por forma a, comum às duas versões, seria de supor que a versão sintetizada [VS] do "Apelo" constituísse uma versão sintetizada da versão alargada [VA] do "Apelo", com salvaguarda de que o que se afirmasse numa não resultasse sensivelmente modificado na outra. Vejamos, no cotejo de algumas perícopes, se é assim, para lá de um ou outro ocioso considerando como, por exemplo, o de que o Dr. Medina Carreira não passa, afinal, de um cordeirinho. Já agora, agradeço do coração a quem, sabendo de explicação não esotérica do lugar que o querubim Dr. Alexandre Patrício Gouveia ocupa na lista, ma faça chegar ao algeroz.
Na última década a economia portuguesa teve o pior desempenho relativo dos últimos oitenta anos. [VA e VS]
O novo contexto despoletado pela crise internacional representa o fim da era do endividamento fácil
O novo contexto iniciado pela crise internacional representa o fim da era do endividamento fácil
Da VA para a VS alguém se lembrou, e bem, de que 'despoletar' não é sinónimo de 'iniciar' ['espoletar']; é praticamente o contrário.
impactos previsíveis no rendimento nacional (e não apenas no PIB), no défice externo e na dívida pública directa e indirecta
impactos previsíveis no rendimento nacional, na dívida externa e na dívida pública directa e indirecta
Não esquecer: 'dívida' é um 'défice' sintetizado.
melhoria da competitividade das empresas, em especial das micro, pequenas e médias empresas, que representam a maior parcela do tecido produtivo;
melhoria da competitividade das empresas, em especial das pequenas e médias empresas, que representam a maior parcela do tecido produtivo do País e do emprego;
Demonstração de como o pensamento sintetizado pode conduzir ao extermínio de algumas empresas e ao acréscimo de algumas palavras.
Portugal tem hoje uma rede viária eficiente e competitiva, pelo que não tem sentido estratégico o programa projectado (ou em curso) de pesados investimentos
Portugal tem hoje uma rede viária eficiente e competitiva, pelo que são justificadas dúvidas sobre o sentido estratégico do programa projectado (ou em curso) de pesados investimentos
Como é, afinal? Não tem sentido ou talvez não tenha sentido? Novo caso de síntese alargada.
as SCUTs e as novas sub-concessões rodoviárias, originarão encargos para as Estradas de Portugal
Que faz ali a merda da vírgula? E é 'subconcessões', mas enfim.
existem melhorias de infra-estruturas rodoviárias com efeitos positivos na produtividade, como as acessibilidades “last mile” e as estradas municipais de apoio ao desenvolvimento local
têm elevados custos de oportunidade, no que toca aos fundos públicos, aos apoios da UE e aos financiamentos
têm elevados custos de oportunidade no que toca aos fundos públicos, aos apoios da EU e aos financiamentos
Ou de como EU é o modo sintetizado de UE.
É evidente que as flutuações conjunturais da procura não podem, por si só, fundamentar uma decisão de adiamento futuro do aumento da capacidade aeroportuária da região de Lisboa. No entanto, permite, pelo menos, um ganho de três ou quatro anos em termos de previsão da saturação da capacidade instalada.
É evidente que as flutuações conjunturais da procura não podem, por si só, fundamentar uma decisão de adiamento futuro do aumento da capacidade aeroportuária da região de Lisboa. No entanto permite, pelo menos, um ganho de quatro ou cinco anos em termos de previsão da saturação da capacidade instalada.
A síntese alarga o que o alargamento encolhe, e quem não alcançar que quatro ou cinco é menos do que três ou quatro só pode ser pitosga. Já agora, quem é ou que é que permite?
o programa de investimentos públicos deve ser globalmente avaliado, atendendo ao seu elevado montante e à sua concentração temporal para uma década crítica para a economia portuguesa.
o programa de investimentos públicos deve ser globalmente avaliado, o que não foi ainda efectuado, atendendo ao seu elevado montante e à sua concentração temporal numa década crítica para a economia portuguesa.
Outra vez a síntese a esticar mais do que o alargamento. Uma vez mais, e bem, quem sintetizou apurou a gramática. Mas espera pela demora...
Para tanto, justifica-se recorrer ao apoio consultivo de um painel de economistas, engenheiros e gestores, nacionais e estrangeiros, de reconhecida competência e independência do poder político e dos interesses económicos em discussão.
Para tanto justifica-se recorrer ao apoio consultivo de um painel de economistas, gestores e engenheiros, portugueses e estrangeiros, de reconhecida competência e independência do poder político e dos interesses económicos em discussão.
Não confundir engenheiros e gestores com gestores e engenheiros; nem nacionais e estrangeiros com portugueses e estrangeiros. Gestores e engenheiros é a versão sintetizada de engenheiros e gestores; nacionais [9 letras], a versão alargada de portugueses [11 letras].
Já para tanto justifica-se não passa de síntese apressada de para tanto, justifica-se.
poder-se-ia aproveitar o “interregno político” dos próximos meses para realizar tal trabalho, por forma a que o novo Governo, a sair das eleições de Outubro, pudesse dispor de um conjunto de recomendações
poder-se-ia aproveitar o “interregno político” dos próximos meses para iniciar tal trabalho, por forma a que o novo Governo, pudesse dispor de um conjunto de recomendações
A vírgula estapafúrdia a seguir ao novo Governo da VS* é o que se pode tomar, com propriedade, por rabo de fora de um gato escondido. Por outro lado, espera-se que nenhum português, designadamente alentejano, desconheça que realizar é uma versão alargada de iniciar.
Se o fizermos, não só os portugueses ficarão mais informados sobre os projectos em questão, como o interesse nacional será mais facilmente salvaguardado.
Se o fizermos, não só os portugueses ficarão mais informados sobre os projectos em questão, como o interesse nacional será melhor salvaguardado.
Ámen.
Em resumo, doidas, doidas, doidas, andam as galinhas … - é isso.
PeSaDelo
E não há quem meta o Patrício Gouveia na ordem, que nervos!
sábado, 20 de Junho de 2009
«É o amor que dá sentido.»
- Anselmo Borges, Que nos espera? / DN, 20.Jun.2009
Pluvicado pelo Plúvio
sexta-feira, 19 de Junho de 2009
quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Vou ser o sexagécimo terceiro treinador da história do Benfica
Jorge Jesus [JJ] é português e - valha pelo menos isso, por agora, aos benfiquistas - fala em português, na mesma língua dos que mandam nele.
Mas antes, "duas palavras muito curtas" do senhor presidente e umas palavrinhas do senhor director desportivo, o maestro:
01:00, Luís Filipe Vieira- ... a certeza com ele iremos ambicionar aquilo que todos nós pretendemos.
02:35, JJ- Vim pó Benfica não por razões económicas* … vim pó Benfica porque aquerdito nesse projecto desportivo … e tou a partir de agora disponível a todas as vossas perguntas que me queiram colocar.
Paulo Filipa [PF], jornalista da RTP, presumivelmente licenciado por uma universidade portuguesa, não desperdiçou a oportunidade:
03:15, PF- Jorge Jesus, em directo para a RTP, para o telejornal da RTP, a questão que lhe faço é a seguinte ...
Entretanto, 03:25, dizia no rodapé do televisor que a Amélia vai mugir no Teatro Aveirense a 21 de Junho.
04:28, PF- Alguma confusão agora nas questões das perguntas.
Por mim, fiquei elucidado.
___________________________________
* Amor à camisola é sempre uma coisa comovente.
Pluvicado pelo Plúvio
Obamata-moscas
Googlei, não encontrei; vim aqui, num instante, só para patentear.
_____________
Lembra-se desta?
Pluvicado pelo Plúvio
segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Diz no preâmbulo do Decreto-Lei n.º 139/2009, de 15 de Junho,
__________________________________________________________
Pluvicado pelo Plúvio
Etiquetas: proximidade
domingo, 14 de Junho de 2009
quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Javardice, ainda
O competentíssimo norte-americano Mike Davis [urbanista marxista, geógrafo marxista, historiador marxista, romancista marxista, divulgador marxista, autodidacta marxista, uf marxista] escreveu no Guardian de 27.Abr.2009 um artigo sobre a gripe A, suína na altura, com o título “The swine flu crisis lays bare the meat industry's monstrous power”, traduzido e publicado por Luís Leiria no esquerda.net em 28.Abr.2009, tradução que o Nuno Ramos de Almeida postou no 5dias.net em 29.Abr.2009, com indicação de fontes e autorias.
Em 28.Abr.2009, o portal do proto e tardocomunista sin permiso [... un proyecto político de crítica de la cultura, material e intelectual, del capitalismo contrarreformado, desregulado, remundializado y reliberalizado del siglo XXI. …
Convergemos también en un pronóstico común sobre los peligros del aparente rejuvenecimiento experimentado por el capitalismo contrarreformado en las últimas décadas, que ha multiplicado visiblemente por doquier el poder opresor, destructor y descivilizador de los ricos, esa minoría de eternos insatisfechos, descreadores de la Tierra. Y convergemos finalmente en la común convicción - que nos mantiene a todos en la tradición socialista - de que es urgentemente necesaria una reforma de la civilización que supere a la economía tiránica del capitalismo. …
El nombre de sinpermiso es un pequeño homenaje a un cierto Marx, que, precisamente por enlazar conscientemente con lo más viejo - la milenaria tradición revolucionaria republicano-democrática-, nos parece también el más actual …], a cujo conselho editorial o marxista Mike Davis, por coincidência e estranho acaso, pertence, publicara igualmente o artigo, com tradução de Marta Domènech e de María Julia Bertomeu, sob o título “La gripe porcina y el monstruoso poder de la gran industria pecuaria”.
Aqui vai parte dessa tradução castelhana, com o contraste cromático [o Luís Rainha foi o primeio a fazê-lo] que convém ao meu presente propósito - depois, é só comparar [A] com [A] e [B] com [B]:
[A] Hace mucho que los virólogos están convencidos de que el sistema de agricultura intensiva de la China meridional es el principal vector de la mutación gripal: tanto de la "deriva" estacional como del episódico "intercambio" genómico. Pero la industrialización granempresarial de la producción pecuaria ha roto el monopolio natural de China en la evolución de la gripe. El sector pecuario se ha visto transformado en estas últimas décadas en algo que se parece más a la industria petroquímica que a la feliz granja familiar que pintan los libros de texto en la escuela.
En 1965, por ejemplo, había en los EEUU 53 millones de cerdos repartidos entre más de un millón de granjas; hoy, 65 millones de cerdos se concentran en 65.000 instalaciones. Eso ha significado pasar de las anticuadas pocilgas a ciclópeos infiernos fecales en los que, entre estiércol y bajo un calor sofocante, prestos a intercambiar agentes patógenos a la velocidad del rayo, se hacinan decenas de millares de animales con más que debilitados sistemas inmunitarios.
[B] El año pasado, una comisión convocada por el Pew Research Center publicó un informe sobre la "producción animal en granjas industriales", en donde se destacaba el agudo peligro de que "la continua circulación de virus (…) característica de enormes piaras, rebaños o hatos incremente las oportunidades de aparición de nuevos virus por episodios de mutación o de recombinación que podrían generar virus más eficientes en la transmisión entre humanos". La comisión alertó también de que el promiscuo uso de antibióticos en las factorías porcinas - más barato que en ambientes humanos - estaba propiciando el auge de infecciones estafílocóquicas resistentes, mientras que los vertidos residuales generaban brotes de escherichia coli y de pfiesteria (el protozoo que mató a mil millones de peces en los estuarios de Carolina y contagió a docenas de pescadores).
Cualquier mejora en la ecología de este nuevo agente patógeno tendría que enfrentarse con el monstruoso poder de los grandes conglomerados empresariales avícolas y ganaderos, como Smithfield Farms (porcino y vacuno) y Tyson (pollos). La comisión habló de una obstrucción sistemática de sus investigaciones por parte de las grandes empresas, incluidas unas nada recatadas amenazas de suprimir la financiación de los investigadores que cooperaran con la comisión.
Se trata de una industria muy globalizada y con influencias políticas. Así como el gigante avícola Charoen Pokphand, radicado en Bangkok, fue capaz de desbaratar las investigaciones sobre su papel en la propagación de la gripe aviar en el sureste asiático, es lo más probable que la epidemiología forense del brote de gripe porcina se dé de bruces contra la pétrea muralla de la industria del cerdo.
Eso no quiere decir que no vaya a encontrarse nunca una acusadora pistola humeante: ya corre el rumor en la prensa mexicana de un epicentro de la gripe situado en torno a una gigantesca filial de Smithfield en el estado de Veracruz. Pero lo más importante - sobre todo por la persistente amenaza del virus H5N1 - es el bosque, no los árboles: la fracasada estrategia antipandémica de la OMS, el progresivo deterioro de la salud pública mundial, la mordaza aplicada por las grandes transnacionales farmacéuticas a medicamentos vitales y la catástrofe planetaria que es una producción pecuaria industrializada y ecológicamente desquiciada.
Em 29.Abr.2009, José Saramago, marxista português, Nobel da Literatura, assinou, n’ O Caderno de Saramago e no Diário de Notícias, a 1.ª de duas crónicas intituladas “Gripe suína”, sem qualquer menção ao nome de Mike Davis ou uso de aspas que dessem a entender frases, períodos ou parágrafos de urdidura alheia, sem prejuízo da prevenção aos leitores de que a sua compreensão do caso - e, naturalmente, o condensado do seu texto - resultava de observação atenta do que os meios de comunicação social vinham informando sobre o assunto:
«Gripe Suína (1)
Não sei nada do assunto e a experiência directa de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor.
[A] Há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vector da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico “intercâmbio” genómico. Há já seis anos que a revista Science publicava um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe. Nas últimas décadas, o sector pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à [1] bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever…
Em 1966 [1965, enfim...], por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Actualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agente patogénicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários.
Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada. Voltarei ao assunto.»
Em 30.Abr.2009, n’ O Caderno de Saramago e no Diário de Notícias, a 2.ª crónica, nada de Mike Davis, nada de aspas:
«Gripe suína (2)
Continuemos.
[B] No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um relatório sobre a “produção animal em granjas industriais, onde se chamava a atenção para o grave perigo de que a contínua circulação de vírus, característica das enormes varas ou rebanhos, aumentasse as possibilidades de aparecimento de novos vírus por processos de mutação ou de recombinação que poderiam gerar vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”. A comissão alertou também para o facto de que o uso promíscuo de antibióticos nas fábricas porcinas – mais barato que em ambientes humanos – estava proporcionando o auge de infecções estafilocócicas resistentes, ao mesmo tempo que as descargas residuais geravam manifestações de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou milhares de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).
Qualquer melhoria na ecologia deste novo agente patogénico teria que enfrentar-se ao monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e ganadeiros, como Smithfield Farms (suíno e vacum) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática das suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas umas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento dos investigadores que cooperaram com a comissão. Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como o gigante avícola Charoen Pokphand, radicado em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre o seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do surto da gripe suína esbarre contra a pétrea muralha da indústria do porco. Isso não quer dizer que não venha a encontrar-se nunca um dedo acusador: já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz. Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandémica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industralizada e ecologicamente sem discernimento.
Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?»
Em 07.Mai.2009, na Sábado/Blogue de Esquerda, Luís Rainha dá conta, com pertinente e acurada profusão de prova, de que “Algo de estranho se passou no DN”. [Desenvolvimento]
No mesmo 07.Mai.2009 e em sequência, “Gripe suína (1)” d’ O Caderno recebe esta virginal, malcontrita e soberba apostila:
«07/05/09 - Nota: Na semana passada José Saramago escreveu sobre a gripe, então chamada suína. O seu texto, baseado em “alguma leitura providencial” [2], segundo se diz logo ao princípio, deveria ter levado aspas nas transcrições feitas [3] e a citação concreta da fonte donde procediam. Igualmente, a fotografia que acompanhava o texto deveria ter uma legenda que tão-pouco apareceu. Estas faltas, devidas a um problema de conversão [4], em nada atribuíveis a José Saramago [5], tiveram lugar no processo de divisão e reenvío [1] do texto. Fique agora claro que Saramago citava um artigo de Mike Davis (cujo link deveria ter aparecido [3]), publicado na revista digital “Sin permiso” e intitulado “La gripe porcina y el monstruoso poder de la gran industria pecuaria” no qual se informa que a industria pecuária poderia estar criando bases para possíveis pandemias. Mike Davis é autor do livro”El monstruo llama a nuestra puerta” publicado em Espanha por Ediciones El Viejo Topo e traduzido por María Julia Bertomeu, em que se alertava para a gripe aviar [1]. Quanto à fotografia do grupo escultórico com máscara na boca, e publicada pelo portal Yahoo México, mencionava-se que recorda uma cena de “Ensaio sobre a cegueira” quando a mulher do médico entra numa igreja e vê que as imagens têm os olhos tapados. Fernando Meirelles, no seu filme, recolhe essa imagem. Lamentamos que este problema técnico [4] tenha dado lugar a mal-entendidos e, sobretudo, que não tivesse ficado convenientemente reconhecido o trabalho de Mike Davis. Como quer que seja, José Saramago está consciente de que deve desculpas a Mike Davis [6]. Espera que elas lhe sejam aceites [1].»
___________________________________________________________________
[1] que se parece à ... reenvío ... gripe aviar ... lhe sejam aceites ... Reitero a suspeita: o Saramago escreve em espanhol e a Pilar traduz para português.
[2] ... seu texto, baseado ..., que descaramento. No conjunto das 2 crónicas, o texto do Saramago ficaria, dando ao Davis o que é do Davis, isto:
«Gripe Suína
Não sei nada do assunto e a experiência directa de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor. Continuemos. Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?»
Denso, eloquente e instrutivo, como se observa.
[3] Ainda estão a tempo das aspas e de fazer aparecer o link, não? Pois, mas a parte de autoria visível do Saramago ia ficar tão mirrada que seria um deslustre para o Nobel.
[6] E aos leitores, designadamente d’ O Caderno e do DN, não deve nada?
quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Chavasquice e insulto,
Para vender, vale tudo, Dr. Pedro Tadeu?
Pluvicado pelo Plúvio
Casa dos Bicos
é onde a Pilar os faz ao Saramago?
Não sei, mas faz sentido.
Pluvicado pelo Plúvio
Etiquetas: saramago
«A coisa e o coiso
Não tenho simpatia pessoal pelo Cavaliere, capitão de indústria, media e futebol, nem atracção intelectual pela sua figura, palavra, feitos e tiques. Mas há um facto simples: em 1994, 2001 e 2008, milhões de italianos deram-lhe vitórias retumbantes, antes e depois de terem experimentado outras vias.
No ramo de críticas contundentes, e filosoficamente estimulantes, sobre o fundador do Força Itália, prefiro, sinceramente, O Caimão, de Nanni Moretti. O texto de Saramago, pelo contrário, está recheado de lugares-comuns e prosa bafienta. Quem diz, por exemplo, “o país de Verdi” deve certamente também escrever “a capital do móvel”, ou “a cidade dos arcebispos”, como nos relatos da bola.
Por outro lado, parece sugerir-se que o povo peninsular não só erra repetidamente como se suicida.
Mas a Itália sobreviverá a Berlusconi, assim como o rectângulo sobreviveu a Saramago.»
Una cosa peligrosamente parecida a un ser humano / Uma coisa perigosamente parecida a um ser humano
"parecida a"? ... "valores que liberdade e dignidade impregnaram"?
Querem ver que o Saramago escreve em espanhol e é a Pilar del Río que traduz para português?
Contacto de Paulo Rangel:
de proximidade. Na onda, pois claro.
Pluvicado pelo Plúvio
Etiquetas: proximidade, psd
segunda-feira, 8 de Junho de 2009
O arroto do faisão e as guelras dos mamíferos
Ontem, a revista publicou, a propósito, uma carta de "sublinhados descontentamento e indignação", e de generosas correcções, assinada por Mariana Azevedo da Cunha, Relações Públicas do Jardim.
Eu voto na Mariana.
E deixo-me de preâmbulos, que isto é delicioso e, não bastando, didáctico.
«amigos entre os animais», Tiago Salazar - 10.Mai.2009
[1] [2] [3] [4] [5] [6]
Mariana Azevedo da Cunha - 08.Jun.2009
Pluvicado pelo Plúvio
Estes do BE não é onde tá aquela rapariga de bom aspecto, ai, a Laurinda Alves?
Mandam o uso e a lei que o boletim de voto seja apresentado ao alto, para ser lido, linha a linha, da esquerda para a direita e de cima para baixo, pela ordem determinada em sorteio prévio.
Por acreditar piedosamente [não é sempre piedosamente?] em que estar na 1.ª linha conta e influi, sugiro daqui a quem de direito*, com vista à equanimidade dos concorrentes e ao reforço da convicção e da intencionalidade da cruzinha, que as agremiações passem a ser apresentadas em círculo, assim à roda. E pode continuar a ser numa página A4.
Por saber das dificuldades e da calanzice com que as portuguesas e os portugueses enfrentam a leitura, aposto em como as 382 mil cruzinhas no BE não resultaram todas de uma, digamos, leitura ponderada do boletim, hipótese que, não envaidecendo nenhum político sujeito a escrutínio, mais desgostará à hiperlucidez da esquerda culta.
É claro que de muito menos ponderação terão resultado as 5 mil cruzinhas no POUS [Para entrar clique no "punho"!...]. Aliás, se a agremiação da imorredoura Carmelinda Pereira calha de ter tido a sorte de vir na 1.ª linha, nem 500 votos talvez lograsse porque, aí, a malta, de tesão na esferográfica e com a vista ainda fresca, haveria de pensar POUS?, mas que vem a ser esta merda do POUS? e ainda gastava algum tempo pelo boletim abaixo à procura da santa da Laurinda Alves.
_________
Pluvicado pelo Plúvio
Etiquetas: louçã
domingo, 7 de Junho de 2009
Eleição para o Parlamento Europeu
Tudo contado, o MMS [Movimento Mérito e Sociedade] é o incontestável Nuno Álvares Per, perdão, vencedor, quer em acanhados quer em avantajados.
Em acanhados, a Dra. Nimet Guiga - 10 caracteres - bateu por larga margem o comunista Manuel Rodrigues, o 2.º mais acanhado - 15 caracteres.
Já em avantajados, o MMS houve de travar com o MPT [Partido da Terra] luta renhida. Não fora o apóstrofo da Dra. Maria do Rosário Guerreiro O'Neill Mendes Esquível Fernandes e tê-la-íamos empatada com a Dra. Bárbara Sofia Afonso Alberto de Bastos Viegas Andrade Campos, nos seus correspectivos 52 caracteres.
Lá está: por um apóstrofo se ganha, por um apóstrofo se perde; é a vida.
Parabéns aos vencedores e uma palavra de encorajamento aos derrotados.
Pluvicado pelo Plúvio
sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Onanotícia ou de como o David Carradine deu corda à coisa e bazou
A mulher é o máximo.
«Forensic scientist Porntip Rojanasunan is loved by the Thai public for her fearless exposing of corruption in high places - and also for her unconventional dress sense.»
Pluvicado pelo Plúvio
Amigo de longa data
Dezassete de Novembro de mil quatrocentos e quarenta e quatro depois de Cristo
Pluvicado pelo Plúvio
quarta-feira, 3 de Junho de 2009
«Teatro do Absurdo e isso»
«[...] Olho para trás e troco com o indivíduo um olhar jurado de sempiterno ódio. Finjo que tiro um macaco do nariz. Ele dá um pequeno salto para trás. E eu finjo que tiro outro macaco, desta feita do meu próprio nariz.»
O Bandeira é ou não um dos melhores, senão mesmo o melhor, hã?
Parabéns, ilustre senhor.
[Para quem não conheça, o d’óculos. Foto DN, 03.Jun.2009]
Pluvicado pelo Plúvio
Nos termos e para os efeitos da lei
Até que, nos termos e para os efeitos da mesma ou de outra puta de lei, hajamos de marar.
Pluvicado pelo Plúvio