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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Urbinorbinos, quinta-feira de ascensão

«[…]
Vivemos, afinal, um tempo de muitas formas ilusórias de partilha, a começar pelo “gosto” (de polegar levantado) que alguns parecem confundir com a nova crítica da razão pura.
[…]»
 
Quando, na “Decisão Final” de quinta-feira passada, pelas 22:00, na RTP 1, o Malato perguntou ao concorrente se os irmãos também se dedicavam à política, Paulo Teixeira,  licenciado em medicina veterinária na UTAD, saxofonista no conservatório, acordeonista na tuna e vereador do PPD/PSD em Arouca, começou a resposta assim:
- Eu não sou político na verdadeira ascensão da palavra...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Facebook

«[…]
Se entendo a utilidade daquilo, e se calhar não entendo, o Facebook serve para:
1) coleccionar "amigos" que não conhecemos ou de que nos esquecemos há muito por óptimas razões;
2) mostrar aos "amigos" interessantíssimos projectos próprios, retratos dos filhos/cônjuges/cães ou, em desespero de causa, coisas giras encontradas no YouTube;
3) esperar que os "amigos" aplaudam os nossos desabafos;
4) demonstrar entusiasmo idêntico pelos desabafos dos "amigos";
5) nos casos irrecuperáveis, convocar manifestações, vigílias, protestos e acções colectivas em geral em volta dos mais alucinados assuntos.
A única acção colectiva a que me submeto é jantar fora, por acaso com amigos de carne e osso.
[…]»

sábado, 24 de dezembro de 2011

«Um Natal triste»

«[…]
Os votos de boas festas por email ou SMS são feitos a listas e não a pessoas, listas aliás nem sempre bem mantidas, com endereços repetidos e antigos, mandados como se fosse um robô a mandar, sem qualquer pessoalidade. É como os "amigos" do Facebook, listas e enumerações sem significado afectivo, apenas com valor social, mostrando como o "eu" electrónico que os manda é tão popular que colecciona centenas e mesmo milhares de relações *.
[…]
dizer que os portugueses são um povo especialmente solidário não corresponde à verdade. Não somos, nem fomos, nem provavelmente vamos ser.
[…]
Entre o Natal e o ano novo muitas decisões vão ser tomadas por pessoas e famílias. Não são decisões daquelas a que associamos o ano novo: ano novo, vida nova. É mesmo vida nova, mas não é uma vida escolhida, é uma vida nova forçada. Tirar o filho do infantário. Dizer à filha que já não vai poder ir para a universidade ou o politécnico, porque não há dinheiro para a manter em Santarém, Covilhã ou Aveiro. Aguentar mais um ano com o mesmo carro a cair, por muito que custe perder a oportunidade de comprar outro antes dos impostos aumentarem. Despedir um velho empregado, fechar a mercearia que já era do pai, e entregar tudo ao fisco que já de há muito tem uma execução em curso. Entregar a casa ao banco e vê-la numa lista de leilões do fisco no Correio da Manhã por menos dinheiro do que o valor do empréstimo. Voltar para casa dos pais. Penhorar a jóia que era da avó ou vender a volta da filha numa loja que compra ouro. Aceitar o mesmo trabalho com metade do salário. Dizer que sim aos expedientes do patrão que despede e depois reemprega de seis em seis meses para não pagar obrigações de segurança social. Engolir a consciência sindical, e portar-se bem no emprego, não vá o chefe notar. Deixar de ter ajuda no trabalho doméstico. Fazer qualquer coisa, colares, artesanato, compotas, para ir vender na feira que agora a autarquia organiza na rua uma vez por semana. Desistir de fazer qualquer coisa, colares, artesanato, compotas, porque não se vende nada e fica caro comprar os materiais e as compotas estragam-se. Ver que remédio se pode cortar para diminuir a conta da farmácia. Deixar de pagar a renda, deixar de pagar a electricidade, o gás, a creche. Deixar de pagar aos fornecedores. Deixar de pagar o condomínio, que deixou de ter dinheiro para pagar a manutenção dos elevadores. Subir três, quatro, cinco, seis andares da escada com as compras porque o elevador está avariado. Deixar ficar o vidro partido na janela. Matar-se. Emigrar. Desistir. Resistir.
São estas as decisões deste Natal, de um Natal triste. Há uns imbecis nos blogues que acham que falar dos problemas concretos das pessoas que não são fils a papa, publicitários, gente de glamour, neoliteratos, assessores de várias eminências, yuppies sem mercados, consultores, advogados de sucesso, é neo-realismo. A única coisa que se lhes pode perdoar é não saberem o que a palavra significa, mas tudo o resto não é perdoável nem mesmo com muito "espírito de Natal".
[…]»

* Os urbinorbinos; ei-los.
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Acompanho o José Pacheco Pereira há 35 anos. Ia para dizer que tanto me decepciona quanto o admiro, mas seria injusto e pedante. Gosto muito mais do que desgosto do Pacheco Pereira.
Por isso, muito obrigado, José Pacheco Pereira, por este texto inquietante; e muito obrigado pelo que me tem ensinado, pelo que me tem ajudado a pensar, a sentir ... e a discordar de si.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Facebook, twitter,

frívolas manifestações de uma generalizada ânsia de protagonismo às vezes verdadeiramente patética.

«O que nos diz Fischer [Luís Augusto Fischer]? Que parou no correio electrónico e não encontra graça ou interesse algum no facebook, no twitter ou no blogue. Ressalvando este último (que, creio eu, é já um espaço de comunicação influente, com tendência para melhorar muito), revejo-me no que diz o cronista. E vou mais longe: para além de serem, a meu ver, uma abdicação ligeira e um pouco tonta de uma privacidade que deveria ser inegociável, twitter e facebook parecem-me, na esmagadora maioria das utilizações (há excepções, claro), frívolas manifestações de uma generalizada ânsia de protagonismo às vezes verdadeiramente patética. A quem interessam as fotos das férias e os comentários (em 140 caracteres!) de cidadãos vulgares de Lineu, que se acham o centro do mundo? * É assim que se chega à notoriedade que todos parecem desejar, indo além dos tais 15 minutos de glória? Estamos conversados.»
Carlos Reis | JL, 14.Dez.2011

* Qualquer dia hei-de falar aqui dos urbinorbinos.