quarta-feira, 28 de junho de 2017

Quiosque do Ó

«Entre os que dizem que pouco ou nada falhou e os que dizem que falhou quase tudo há 64 mortos contabilizados.»
Ó Paulo Baldaia, director do DN, pelo amor de Deus, não bondou contá-los?
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«É estranhíssimo que esta fruta esteja em toda a parte excepto nos restaurantes que só retêm as cerejas e os morangos em tristes tacinhas com as mesmas sovinas miligramas.»
Ó doutor escritor Miguel Esteves Cardoso, pelo amor de Deus, miligramas é masculino! Masculino Como os gramas, os decigramas, os centigramas; masculino como o pitão, o tesão, o epítome, o matiz, o abracadabra, o gâmeta e o cerúmen.
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«A evolução da comédia americana tem sido dominada por aquilo que eu chamaria o síndrome American Pie, ou seja, confunde-se não apenas o humor mas também a ousadia com a acumulação de piadas mais ou menos obscenas carregadas de referências sexuais.»
Ó magnífico João Lopes, pelo amor de Deus, síndrome é feminino! Feminino como a entorse, a aluvião, a ênfase, a dinamite, a cataplasma, a enzima e a dracma.
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«despedimento colectivo de 40 pessoas [...] o número de colaboradores dispensados [...] foram 40 os funcionários incluídos no processo»
Ó inefável Ana Marcela, pelo amor de Deus, deixe-se de nojo à palavra trabalhador! Quem impede de usá-la? Que mestres lhe formataram a cabecinha na Universidade Nova de Lisboa
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«Não tem razão ao promover o diálogo inter-religioso de todas as religiões, mais concretamente com o islão moderado? [...] Mas Francisco não tem igualmente razão quando denuncia como blasfema a violência em nome de Deus? [...] Francisco é hoje um líder político-moral global, dos mais amados, senão o mais amado, dos mais influentes, senão o mais influente.» 
Ó senhor padre Anselmo Borges, filósofo e professor, pelo amor de Deus, não abuse da nossa paciência e da crendice dos seus seguidores! O senhor padre sabe muito bem que «islão moderado» é uma falácia; o senhor padre tem obrigação de conhecer melhor do que ninguém a violência que jorra das três religiões do livro, a instigação à porrada e à aniquilação de pessoas e o crudelíssimo Deus, esse seu Deus de amor infinito, que repassa os textos sagrados. E poupe-nos, por favor, ao sentido figurado da diegese.
O que o senhor padre filósofo professor — que muito estimo e acompanho há uns 30 anos com atenção — aparenta não dominar tão bem é o uso de "senão"/"se não". De tal modo que se espalha naqueles dois. [«dos mais amados, se não o mais amado, dos mais influentes, se não o mais influente.»]

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* «Enquanto houver amor parecerá sempre a primeira vez. É a primeira vez. Comecei a amar-te agora. E agora estou a recomeçar.»
Mais um bonito bilhete para Maria João Pinheiro, sua mulher

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Chispas

Melhores textos * 
«[…]
A economia daquilo a que chamam tragédias é favorável à comunicação social. Enquanto nos períodos normais a televisão e a imprensa vivem de luzes, música, plumas, comentadores e lantejoulas, que têm de ser pagos e custam muito dinheiro, um acontecimento imprevisto fornece grandes cenários naturais e humanos a baixo custo. A consequência evidente para quem presta atenção a esses acontecimentos é a atenção extraordinariamente demorada a tudo aquilo que sai de graça. Num barranco em chamas, e entre blocos de publicidade, o mesmo jornalista improvisa infinitamente sobre o barranco em chamas; e quando escasseiam imagens variadas de barrancos em chamas, o mesmo jornalista improvisa infinitamente sobre as mesmas imagens. O seu género é a stand-up tragedy.
[…]
são eles que mobilam com conteúdos o que de qualquer maneira os jornalistas nunca conseguiriam por si só imaginar: um cão, um filho, um tractor, uma mala de roupa. Visto o que se tem visto, os acontecimentos recentes sugerem que nem sempre será boa ideia não matar o mensageiro.»
- x - 
«[…]
A nauseabunda estetização da catástrofe servida ao espectador — o “belo” cenário trágico resultante das montagens e encenações feitas nos estúdios das televisões — também mostra que alguém, certamente uma equipa, rejubilou com os seus belos alvos que lhes fornecem matéria para uma grande produção a baixo preço, para um filme-catástrofe que não precisa de efeitos especiais, só precisa de uma montagem bem ornamentada e música a condizer. Tudo devidamente sublinhado por textos, legendas e designações (por exemplo, “a estrada da morte”) que remetem para as grandes ficções de Hollywood. Às vezes, sobre essas imagens sobrepõe-se uma voz-off que lê um texto a imitar qualquer coisa de literário, a sublinhar a operação que reduz a tragédia real a uma opereta obscena. A estetização é uma violência exercida sobre as vítimas da catástrofe e, paradoxalmente, tem o efeito de uma anestesia aplicada ao espectador.
[…]»
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Nota
Espanta-me como tanta e tão bem informada gente caiu na esparrela do Canadair.
Nessa não caí eu, que mantenho permanentemente ligado [há uma moda tinhosa nos canais de notícias a dizer «em permanência»] desde há um ano e picos o detector "presidente-arlequim". Raramente falha.
Nas quase duas horas em que o avião esteve despenhado, com Miguel Sousa Tavares em zapping frenético à cata dos destroços, desconfiei serenamente: não havendo sinal ou notícia de que Marcelo estivesse a caminho, de que Marcelo já estivesse junto da carcaça fumegante ou até de que Marcelo tivesse chegado instantes antes do despenhamento — sim, antes; é preciso não saber nada da idiossincrasia presidencial-arlequineira para julgar Marcelo incapaz de estar nos sítios e nas coisas antes de haver sítios ou de as coisas acontecerem… —,  a probabilidade de nova desgraça era altamente remota. 
Certo é que na tarde de terça-feira passada, 20 de Junho, não houve sinal ou notícia de Marcelo em trânsito. Por isso, não acreditei no desastre e tinha razão.
Senhores jornalistas da LUSA, e outros, e Miguel Sousa Tavares, aprendam de vez para não tornarem a espalhar-se ou a embarcar em boatos: detector "presidente-arlequim" sempre ligado!

Nem Plúvio resiste a molhar o bico no fogo
Não pára de medrar, em mim que não sei de labareda grande que não comece por lume pequeno, o convencimento teimoso de que a detecção precoce de um incêndio — vigias, guardas — não é coisa que interesse por aí além ao negócio e à propaganda do combate, mormente à coreografia estapafúrdia, jactante e ultracara dos famigerados «meios aéreos» contratados pelo Estado.
Quanto vale no mercado pornográfico da emoção ou na mobilização de massas uma imagem destas? Nada.
Quatro meses de kamovs disponíveis para aspergir árvores, apenas em horário diurno e desde que os meteocaprichos consintam, pagariam quantas torres de vigilância com 24 horas diárias de salário o ano todo? Expliquem-me.  **
Não sejamos ingénuos: o combate é que rende. Chego a ter vergonha de ser humano [algum outro bicho se envergonha?] ao pensar na floresta de negócios perdidos por cada fogueira na floresta apagada à nascença. Não falando das mortes evitadas. 
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* Sem surpresa, o pior texto é d' o comunitário, "Uma culpa antiga", no DN de ontem, 25.Jun.2017, que passo a resumir, ipsis verbis e na ordem por que está redigido:
Não sei / Sei / Julgo saber / Estou mesmo convencido / Não sou capaz de saber /
o que fazer para que, no mínimo, se remedei. [sic] /
Sei bem / Julgo saber / Estou mesmo convencido / comunidade / comunidade / Não sou capaz de saber / Sei / Suspeito / Não ignoro / Sei o mesmo que o leitor sabe / Sei de forma bem mais informada / comunidade / não desconheço /
Concelhos que há quarenta ou cinquenta anos tinham o dobro ou o triplo das pessoas que agora têm e que os que ainda lá estão são na sua esmagadora maioria velhos, muito velhos. [sic] /
Era capaz de apostar / comunidade /
Existe uma cultura de desprezo por o mundo rural. [sic]

Nas oito vezes em que se refere ao interior do país, Pedro Marques Lopes escreve com maiúscula, vá lá saber-se porquê, «o Interior». Bacoco. 
"À Procura", coluna d' o comunitário, é um penoso repositório semanal de ortografia deficiente, dislexia sintáctica, discordâncias grosseiras [estou em condições de mostrá-lo com abundância], a carpinteirar a pasmada obviedade de ideias que Pedro Marques Lopes vende habitualmente, as mesmas, em duplicado na SIC e no DN. Atente-se, por exemplo, em como no Eixo do Mal de anteontem, do minuto 07:45 ao minuto 13:35o comunitário replicava antecipando-a, parágrafo a parágrafo, a crónica de ontem, "Uma culpa antiga".
Chamem-lhe parvo.
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«DIRETIVA OPERACIONAL NACIONAL N.º 2 – DECIF ***
DESPACHO
No âmbito das competências que me foram delegadas pela Senhora Ministra da Administração Interna pelo Despacho n.º 181/2016, publicado na 2.ª série do Diário da República n.º4, de 7 janeiro, alterado pelo Despacho n.º 8477/2016, publicado na 2.ª série do Diário da República n.º 124, de 30 de junho homologo a Diretiva Operacional Nacional, que visa estabelecer, para o ano de 2017, o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF), conforme proposta da Autoridade Nacional de Proteção Civil.
Lisboa, 30 março de 2017.
O Secretário de Estado da Administração Interna,
Jorge Gomes****»

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130 páginas, incluindo 41 anexos.
Compêndio abrasivo das causas e das finalidades com abordagem teleológica do "porquê?" e etiológica do "para quê?"; ou talvez ao contrário, o que vem dar no mesmo:
- a expressão «postos de vigia» ocorre 10 vezes,
- a expressão «meios aéreos» ocorre 66 vezes.

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Jorge Gomes que o presidente-arlequim abraçou ... «O que se fez foi o máximo que se podia fazer. Não era possível fazer mais».

sábado, 17 de junho de 2017

Lascívia com detergente

Bobadela, 17h30, 42º C.
O facto merece celebração.
Empanzino-me de melancia fresca com a cumplicidade gelada, até ao epílogo, deste maná. Depois, se o mito não me tiver encortiçado o metabolismo, obrarei tudo o que for devido, tendo presente que quem caga mais do que come corre risco sério de extinção. Se encortiçar, que se foda, rolho-me, paro de fazer disparates.
E de dizê-los.
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Fui à feira

Sou pouco tolerante a pichagens e aos diversos modos e géneros de vandalização dos equipamentos públicos, disfarçada amiúde de arte. Quando dou com painéis de horários grafitados fico possesso.
Ontem, no cais do metro de Entrecampos senti-me interpelado por um «te amo» escrito estrategicamente ao lado da flor-logótipo da Linha Amarela.
Confesso: rendi-me, achei graça e fiquei um pouco mais receptivo à bondade — neste caso servida pela mestria que apagou todas as letras de «Entrecampos» estranhas à mensagem, com a mutilação cirúrgica do "p" até ficar "o" — por vezes implícita em actos censuráveis, prejudiciais ao interesse primordial público.

Duas mulheres a precisarem de ser vistas, cada qual com sua razão:
- Clara Ferreira Alves, vendas;
- Teresa Leal Coelho, votos.
Talvez, arrisco eu.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Feriado

Deus ri?
Deus bebe?
Deus peida-se?
Deus caga?
Deus espirra?
Deus tem cócegas?
Deus espreguiça-se?
Deus dorme?
Deus coça-se?
Deus arrota?
Deus funga?
Deus fode?
Deus vem-se?
Deus chora?
Deus salta ao pé-coxinho?
Deus cria macacos do nariz?
Se não for assim, o corpo de Deus não é grande coisa.
Deus me perdoe.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Exactamente ao contrário

«[…]
"Há quem queira sair em poucos segundos e quem comece por se sentir tranquilo, mas toda a gente fica perturbada", acrescentou o engenheiro da Microsoft responsável pela construção desta câmara ecóica – onde todos os sons são absorvidos e não há qualquer eco (exactamente ao contrário da forma como ouvimos o mundo).
[…]»

Este é, por conseguinte, o dia em que Ana Taborda, competente, simpática e bonita editora da Sábado, se espalhou com estardalhaço. 

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Apesar do deslize estrídulo hei-de dizer, com dorido conhecimento de causa, melhor, com convicção de saber do que falo, talvez melhor, com percepção escrutinada em leitura comparativa abundante, isto é, com atrevimento sustentado nos factos e com a mais subjectiva das objectividades e vice-versa — sem com isto querer, nanja eu, dar graxa a Manuela Gonzaga, personalidade que aliás não me arrebata e cuja «consultoria linguística», aqui, de resto, muito me decepciona. Como pôde a doutora Manuela avalizar a feia consultoria que o bom gosto da Porto Editora recambia, por tão desgraciosa ser, para a decente consultadoria? —   que a revista Sábado evidencia habitualmente revisão de textos
melhor do que a da Visão;
melhor do que a do Expresso;
muito melhor do que a do Jornal de Letras, que tem uma revisão desgraçada;
melhor do que a da LER;
equiparável à do Correio da Manhã, à do i ou à do Observador;
melhor do que a do SOL e a do Público;
incomparavelmente melhor do que a do Diário de Notícias, que é uma calamidade diária;
não tão boa como a do Chove, porque ninguém é perfeito.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Ó João Céu e Silva, pelo amor da santa!

«Esteve em vários jornais até chegar ao Expresso, onde também assinou a coluna Pluma Caprichosa.» *
...
«Foi directora da Casa Fernando Pessoa e é júri do prémio Pessoa.» **

- João Céu e Silva, acerca da «marca/estrela» de Balsemão,  antiga «santanete», Clara Ferreira Alves, perdão, e portanto Clara Ferreira Alves, opinadora mutante e mui variada, com quem conversa no DN de hoje a propósito do seu sexto livro.
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* Continua a assinar, desde 1995, se não se importa.
"A pluma caprichosa", já agora,  título de um poema de Alexandre O'Neill, de 1962, que a autora da coluna assumidamente homenageia. [Excerto, ... mas não alimente os pombos, foda-se!]

** «é júri», João Céu e Silva?

Chiça penico, chapéus de coco, bordas de alguidar, borrões de candeia!

domingo, 11 de junho de 2017

Eleit@s e autor@s

Nunca acreditei em que José Rodrigues dos Santos tivesse dito intencionalmente o que disse, no telejornal de 07.Out.2015, acerca da eleição de Alexandre Quintanilha, por acaso marido de Richard Zimler.  

Muito menos me passa pela cabeça que a Porto Editora trate deliberadamente Frederico Lourenço, por acaso marido de André Nassife, como o trata na página 14, de 16, do bem feito, bonito e útil opúsculo "Autores que nos unem", distribuído aos visitantes da 87.ª Feira do Livro de Lisboa.

Mas acho graça a estas coisas.

Superlativo absoluto simples de Manuel Alegre: 100 000,00 €

Em três edições do Expresso do ano de 2005, o socialista emérito Manuel Alegre, deputado na altura, escrevia e assinava "Um par de Purdeys", pregão pornográfico ao Banco Privado Português, de nefanda memória:
«Fui às compras com o Dinheiro, porque esse, ao menos, sabe fazer contas. Passei por uma espingardaria, vi um par de Purdeys muito bonitas, essas armas que há muito são o meu sonho. Outros querem carros e jipes de grandes marcas, casas de campo e de praia, mais isto e mais aquilo, eu só queria um par de espingardas Purdey. Olhámos o preço, o Dinheiro torceu o nariz.
- O vencimento de deputado é uma pelintrice, se não dava para os charutos do outro, como é que queres que dê para as Purdeys?
E fazendo contas de cabeça, acrescentou: Nem sequer com os direitos de autor.
[…]
fiquei na dúvida se o Dinheiro não estaria ele próprio contaminado, quer pela doutrina social da Igreja, quer por algumas reminiscências de Marx, se não do "Capital", que só o Louçã deve ter lido até ao fim, talvez, quem sabe, dos "Manuscritos de 1844", que falam também da alienação do capitalista.
Tretas. O velho enganou-se. Qual alienação qual carapuça. Abre os olhos, rapaz, olha para o mundo à tua volta, o capitalismo ganhou, quem é e quem pode é quem tem.
[…]
- … a poesia não dá para o que tu sabes.
E apontou, o filho da mãe, as duas Purdeys, que mais uma vez ficaram no tinteiro.
Manuel Alegre»


Informação circunstanciada. - Público online, 07.Jan.2011.

Com voto favorável dos quatro jurados não portugueses do "Prémio Camões 2017", Paula Morão, presidente do júri, e Maria João Reynaud atribuíram a Manuel Alegre os 50 mil euros correspondentes à contribuição de Portugal.

Entre os 29 ungidos, desde 1989, não consigo lobrigar nenhum, incluindo Hélia Correia, tão fraco e desmerecedor como o tonitruante poeta sofrível e intratável cagão de Águeda que, a despeito de não ter mais do que 11 anos oficiais de escolaridade — nenhuma desonra ou menoscabo nisso, porém! —, a doutora Clara Ferreira Alves, reverencial e embevecida, tratava por doutor Manuel Alegre no Falatório da RTP 2, em 1996. Não era nem é a única; e ele não desgosta nem corrige.  

Não gosto de Manuel Alegre. Conheço-lhe os escritos quase todos; acompanho-lhe desde 1974 o trajecto público, caprichoso, errático, truculento, mas permanentemente amesendado, com a família*, à República. Não sei de que coisa assim tão extraordinária cultural e civicamente Portugal lhe deva, mas consigo especular sem vesânia nem má-fé sobre quanto, no seu rol doméstico privado, ele "deve" aos contribuintes portugueses. Desde quinta-feira passada, mais 50 000,00 €.

«É natural que me atribuam este prémio. Até podia ter sido mais cedo.» – Manuel Alegre, DN, 09.Jun.2017.

Pode, finalmente, tirar as Purdeys do tinteiro. 

Professora Paula Morão: vitória justíssima.
Presidente-arlequim: homenagem justíssima.

Siga o baile.
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* Manuel Alegre de Melo Duarte,
- casado com Mafalda Maria de Campos Durão Ferreira, antiga subdirectora dos Assuntos Consulares;
- pai de Francisco Durão Ferreira Alegre Duarte, diplomata, e de Joana Durão Ferreira Alegre Duarte, assessora da vereação PS no município de Lisboa;
- irmão de Maria Teresa Alegre de Melo Duarte Portugal, ex-deputada do PS, viúva do célebre guitarrista e antigo deputado do PS António Jorge Moreira Portugal [1931–1994], mãe de Manuel Alegre Portugal, jornalista da RTP, e de João Raul Henriques Sousa Moura Portugal, recente ex-deputado do PS e actual vereador pelo PS na Câmara Municipal da Figueira da Foz, o que me remeteria inevitavelmente para "Tavares & Tavares e o incenso dos Joões", pois, como avisa Ana Cristina Leonardo, «Isto anda tudo ligado», mas estou sem tempo e sem pachorra e ai de mim se quero sugerir seja o que for.
Etc.

«dominar perfeitamente o português»

Sob o título alternativo "Queres trabalhar no i e no Sol?" / "Queres trabalhar no Sol e no i?", o i "online" e em papel de 09.Jun.2017 e a edição em papel do Sol de 10.Jun.2017 trazem o seguinte convite a licenciados com entre 21 e 30 anos: 
«O i e o Sol vão abrir um concurso de estagiários. Ponto prévio: quem não ler jornais e não for uma pessoa profundamente informada sobre o que se passa no país e no mundo, não vale a pena candidatar-se. Segundo ponto prévio: quem não dominar perfeitamente o português – falado e escrito – também não deve continuar a ler isto.»
[...]
E acaba:
«Se pensas que podes ser candidato a estagiário no i e no Sol, envia um texto de 3000 caracteres sobre as eleições no Reino Unido, que decorreram na quinta-feira; uma notícia de 2500 caracteres sobre o discurso do Presidente da República que vai acontecer amanhã, no 10 de junho, e ainda uma carta com as razões porque queres ser jornalista. Além do CV, claro.
Os candidatos devem enviar os textos até terça-feira, dia 13 de junho para o mail opinião@newsplex.pt. Quem for selecionado será depois convidado a prestar provas já no jornal. O estágio será, obviamente, remunerado.»

Em tão pouca prosa e não desconsiderando a redacção acordistada do convite,
- vírgula indevida a seguir a «no mundo»;
- incumprimento da alínea e) do n.º 2 da Base XIX do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 [Plúvio a fazer de advogado do diabo] em «no 10 de junho». Bem, «no 10 de Junho»;
- erro grosso «em as razões porque». Bem, «as razões por que»;
- vírgula em falta a seguir a «13 de junho». 

Ante isto veio-me inevitavelmente à lembrança o requerimento de estágio de uma moça licenciada em "Gestão de Recursos Humanos" — designação que, se me concentro nela mais do que os dois segundos de um hausto, me causa necessidade urgente de um anti-histamínico — que me passou pelas mãos em finais dos anos '90 do século passado, trabalhava eu na melhor companhia aérea do mundoNo item "Conhecimento de línguas", a jovem cursada em tretas afirmava deter «domíneo oral e escrito da lingua portuguêsa». Três erros, uma mentira. 

Quem acode?

sábado, 10 de junho de 2017

O rigor de Luís Nobre Guedes

«A mulher dele, a Cláudia, que escreve no Expresso, dizia...»
Luís Nobre Guedes — pseudónimo de Luís José de Mello e Castro Guedes — na RTP 3, em 08.Jun.2017, incitando à compra de "E Deus criou o mundo", de Carlos Quevedo

Acontece que a mulher do Carlos não se chama Cláudia nem escreve no Expresso.

Este Nobre Guedes sempre me soou a jactante mediocridade.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Menina Elsa e menina Ângela*, não se faz isso ao senhor Ferreira Fernandes!

«[...]
Ao mesmo tempo, o czar tirava as medidas à suntuosidade do edifício e à harmonia dos jardins para os reproduzir em São Petersburgo.
[...]»

Lá que por obediência ao patrão obediente à estupidez tenham de mudar o esmerado peremptório para o medonho perentório, vá que não vá. Agora, suntuoso por sumptuoso não é só medonho; é, em Portugal, erro medonho.
________________________________________
...
Copy desk**: Elsa Rocha (coord.), Ângela Pereira
...

** «Copy desk» era, se bem me recordo, como em português antigo se denominava o copista-revisor, aquele que conferia e corrigia a cópia efectuada pelo copista revisável,  e assim sucessivamente.

sábado, 3 de junho de 2017

Alberto Gonçalves, mal, muito mal,

e talvez pior o Observador ao puxar para lide da crónica um excerto recolhido neste parágrafo, negritos meus: 
«[...]
A quarta diferença é o comentário sobre Pedro Passos Coelho. Dada a doença da mulher deste, o estadista sisudo de um país convencional evitaria alusões desagradáveis. O dr. Costa, rosto da felicidade que nos caiu em cima, não evitou – ou por distracção, o que atesta o seu discernimento, ou de propósito, o que demonstra o seu repugn…, perdão, impecável carácter. A alegria não quer saber de maleitas.
[...]»

Repórter da SIC- Senhor Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho dizia ontem que o governo se estava a aproveitar das obras do anterior governo para...
António Costa- É um homem menos alegre. Adeus.

A interpretação do comentário de António Costa extrapolada para a doença de Laura Ferreira soa-me a delírio oportunista e, indo até ao fim do adjectivo inacabado de Alberto Gonçalves, repugnante.
Não, não é este Alberto Gonçalves que aprecio. De todo!

Já agora, parece-me, a mim que levo 35 anos de assembleias de condóminos, leviana, redutora e infeliz, se não gratuita, a jocosa "Nota de rodapé" do colunista acerca da governação democrática da "casa comum" dos milhões de portugueses que, citando-o e ao contrário dele, «por isto ou por aquilo» habitam em apartamentos contíguos sob o mesmo telhado. O envolvimento activo e cúmplice na harmonia e na saúde do condomínio sempre me pareceu coisa necessária, importante e digna, um indicador de civilização. Mas, claro, e finalizando desta vez com palavras sábias do doutor António Vitorino, «não é um processo fácil nem isento de dificuldades.»  
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* Obviamente na parte inteligível do "catrapilo" prosódico que António Costa costuma ser.

O «assassinato» de António Bagão Félix

Bom de contas e botânico amador, proclamando-se com convicção, orgulho e garbo, benfiquista católico — não lhe basta uma religião —, António Bagão Félix, por quem mantenho antiga admiração crítica, parece homem de refinada sensibilidade visual e olfactiva, como se infere, por exemplo, destas sinestésicas e extasiantes "Cores e fragrâncias…" no Público de 19.Mai.2017.

Revejo-me genericamente e gosto muito da crónica de Bagão Félix, "Tempos e silêncios", no Público de ontem:
«Há uns tempos, tive a oportunidade de ler um interessante texto de um editorialista italiano do Corriere della Sera, Beppe Severgnini sobre a crise – que eu diria estrutural – do modo verbal conjuntivo. Escreveu ele que o conjuntivo está moribundo. Não se trata, porém, de nenhum assassinato linguístico, de um suicídio premeditado ou induzido, ou de uma eutanásia idiomática. Trata-se, sobretudo, da desconsideração das ideias de dúvida, de incerteza ou de humildade (ou de todas em conjunto). 
[…]
Estamos vivendo uma avalanche de pseudo-hegemonia dos factos (mesmo que não o sejam…). É a primazia crescente sobre a filosofia, a hermenêutica e sobre a necessidade de compreender as coisas. Mas é, de igual modo, uma expressão deste tempo onde quase tudo é efémero, virtual, rápido, descartável, ligeiro, superficial, inútil, supérfluo.
Pouca gente julga, considera, crê ou pensa. Muita gente sabe, transmite, comunica, tem a certeza. 
[…]
Hoje quem se arrisca a usar o conjuntivo ou o condicional, corre o sério risco de ser visto como uma pessoa insegura. “Creio que seja deste modo”, “quem seria aquela pessoa?” cansam os mais convencidos que retorquirão “oh homem, deixa-te de creio e parece. As coisas são ou não são, ponto final”. […]»

Só não gosto mais do texto por causa do horrendo «assassinato»; linguístico, pois. Não que os dicionários o não acolham, mas caramba!, tendo ao dispor a incomparável eufonia de «assassínio», para não falar do apuro etimológico,  por que estranho e inesperado desfalecimento do gosto este devoto activo da língua portuguesa — terceira religião? — resvala para tamanha e escusável feiura?
Ó Plúvio, frena-me essa disenteria adjectivante, porra!
Pensando melhor, acho que sei. Muito recomendável de olhos e de nariz, Bagão Félix não é a primeira vez, afinal, que indicia percepção defeituosa nos tímpanos. Lembremo-nos do Pedro Barroso
Será por isso: diz «assassinato» e soa-lhe bem.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O papel triste do Diário de Notícias em papel

A notícia da morte de Armando Silva Carvalho começou a circular pelas 11h00 de ontem, 01.Jun.2017.
Nos jornais em papel de hoje:
i - "O homem que sabia a mar", por José Manuel de Vasconcelos [2 páginas inteiras com chamada na capa]
Público - "Um poeta ácido, lúcido, erótico, político", por Luís Miguel Queirós [página inteira]
Jornal de Notícias - "1938-2017, Armando Silva Carvalho", obituário [1/3 de página]

No Diário de Notícias nem uma palavra sobre Armando Silva Carvalho.
Conheço bem o DN, de que sou leitor indefectível desde 1970 e ultimamente assinante. Estava crente em que depois da direcção medíocre de Fernando Lima [Out.2003-Nov.2004] fosse impossível pior. Enganei-me. Aí está, com Paulo Baldaia ao leme, a direcção porventura mais rasca desde 29 de Dezembro de 1864.
Um desconsolo, este DN definhante de Proença de Carvalho, Luís Montez, genro de Cavaco Silva, Pedro Marques Lopes, "o comunitário" — não sei de colunista tão penosamente apedeuta de pena e de língua na comunicação social portuguesa —, Dias Loureiro e José Sócrates de cujo* "O dom profano" vem, por coincidência na mesma edição em que não houve lugar para a morte de um poeta, promoção da Porto Editora oferecendo um exemplar «a cada 8 chamadas» para o 760 ... ... O vexame a que um tenaz divulgador de filósofos se sujeita.
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* Deus me perdoe a ousadia deste determinante relativo.

Onde tem Deus os tomates?

Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e [principalmente] invisíveis, Ele que abarbatou a credibilidade perdida por Poseidon e Neptuno, tivesse-os Ele no sítio e veríamos se a América que votou no grunho não ia levar nos próximos três dias — moldura penal ajustada por defeito — um arraial de maremotos, tsunamis e furacões, ciclones e tornados; cheias, enxurradas e aluviões [lembrando sempre que aluvião, como cheia e enxurrada, seus sinónimos,  é substantivo feminino]; geadas, canículas, frieiras e insolações. Para aprender.
Ou talvez não e o grunho tenha razão. 
Confesso que Ferreira Fernandes me influenciou e admito que não devesse reagir tão a quente. É do clima.