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sábado, 11 de dezembro de 2021

Nada como uma garantia garantida

«A DGS garante que a vacina é segura para os mais novos e que os riscos superam os benefícios.»

Ficamos mais descansados.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Maravilhoso glossário da toponímia

«Os dados epidemiológicos fazem com que o conceito de Arganil e o conceito de Lamego, por terem níveis de incidência elevados, regridam para as regras definidas a 19 de Abril.»

Pesco pouco, para ser pretensioso, de língua gestual, mas pareceu-me que o indestronável Luís Oriola vi que no momento levou a mão direita ao bestunto — se desenrascou bem perante inovações conceptuais tão abracadAbrantes*

A doutora Mariana não explicou, explico eu:

Fiquei a saber que o ordenamento administrativo português é, afinal, constituído por 306 concelhos e 2 conceitos, um no distrito de Coimbra, o outro no de Viseu. Deverá ter sido da regressão a 19 de Abril...
Nunca é tarde para aprender.
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* abracadArronches fica cerca de 115 Km a sudeste.

domingo, 4 de abril de 2021

Aleluia



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* Quem não assistiu ontem à noite a isto não sabe o que perdeu. Estive lá.
Ou anteontem, a isto. Aquele "Insouciance", céus!, seguido do alvoroço da "Herança russa"...
Se calhar Deus existe.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Cruz contra o vírus corona

ÚLTIMA  HORA

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domingo, 14 de fevereiro de 2021

Parlamento dividido e um ministro no quadro

«O avanço na vacinação é, aliás, um dos elementos mais relevantes para que os portugueses possam encarar o futuro com maior confiança. O que vai o governo fazer face à falta de vacinas por incapacidade de produção e recusa de suspensão de patentes por parte das farmacêuticas com quem a União Europeia fez os contratos que neste momento amarram o nosso país? Vai ou não o governo avançar com medidas para a diversificação da aquisição de vacinas garantindo a sua disponibilidade em condições de segurança e eficácia de forma a que se cumpram os objectivos definidos no plano de vacinação?»

«A confiança dos portugueses por causa da vahcinação aumentou. Mas as doses já pagas teimam em não chegar. Aumentou a confiança dos portugueses na vahcina, mas para o cumprimento exemplar do plano de vahcinação é necessário que todas as doses de vahcinas já pagas cheguem ao país. Que as condições para a aplicação da vahcina aos portugueses sejam planeadas região a região envolvendo se preciso for as autarquias para o contacto com as populações. E é preciso ainda mais que Portugal avalie a possibilidade de comprar mais vahcinas e a outros fornecedores e deixe de estar dependente apenas das decisões e das opções políticas de Bruxelas.»

Não me lembro de ter ouvido o PEV, organização de representatividade democrática artificial — veríamos o que vale se alguma vez fosse sozinho a votos... —, demarcar-se tão audivelmente da barriga de aluguer, PCP, em que sobrevive.
Quem sabe se para, uma vez sem exemplo, fazer jus à causa ecológica em que alicerça o nome, o PEV profira «vahcina» e «vahcinação» com respeito prístino pela proveniência vacum das ditas cujas. 

Entretanto, oiça-se como demarco, Plúvio por antonomásia, leiriense não comunista nascido 240 km a sul da vimaranense Mariana, diz «vacina» e diz «vacinação» à maneira do PCP.

Nisto da vaca, ia-me esquecendo do Cabrita: 
«E temos vindo aqui desde o início de Novembro a apreciar sucessivas declarações do estado de emergência que têm vindo a ser prorrogadas no quadro daquilo que é* a maior pandemia global, no quadro daquilo que é* uma epidemia que marca hoje no quadro europeu já mais de 20 milhões de pessoas, já cerca de meio milhão de cidadãos só dos países da União Europeia e dos estados associados. É por isso que neste momento, quando verificamos a adequação das medidas tomadas no quadro da resposta ao mês mais difícil desta pandemia em Portugal ...»

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sábado, 6 de fevereiro de 2021

Dar cara aos números

Gostei de como falou anteontem o virologista camaronês John Nkengasong, director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana [Africa CDC]:

«Às 9 da manhã, hora de África ocidental, o mundo tinha registado 103 milhões de casos de Covid-19, tendo 2,2 milhões de pessoas morrido infelizmente. [...] Quando esta pandemia começou no ano passado, dizer que mil pessoas tinham morrido era muito perturbador. Hoje temo que com o grande número de mortes que está a ocorrer, isto comece a tratar-se de números e não de pessoas. Temos de continuar a recordar que se trata de indivíduos, entes queridos, irmãos, mães, irmãs, tios. Há que dar cara a estes números para que não sejam apenas estatísticas. Seria uma tragédia começarmos a normalizar estas mortes.*»

Não gostei do «recordar que se tratam de indivíduos» perpetrado na RTP pelos apedeutas do costume.

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* «Uma única morte é uma tragédia, um milhão de mortes é uma estatística.»
Muito provavelmente apócrifa, a afirmação atribuída ao Zé dos bigodes ilustra bem a vileza do nosso estado civilizacional. Estamos ainda muito assim.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Angela Merkel, de novo

- A que político daria sempre o seu voto?
Pedro Bidarra responde na edição n.º 158 da LER, à venda desde a semana passada:

Reavivo inevitavelmente o escrito de 13.Dez.2020
e, já agora,

Não me diga, senhor Almerindo, nem parece seu! Estas lindas horas e ainda não cumpriu o seu dever diário de hoje?
Olhe que assim não sei se o vão chamar para a vacina, não sei, não...

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Bons e maus

Neste início de semana sondei uma dúzia de familiares e amigos acerca de dois atentados sanitários recentes, apetece-me dizer crimes, perpetrados por cá em plena pandemia:
Todos os meus inquiridos, criaturas medianamente informadas, sabiam, mais ou menos horripilados, do banquete ventúrico; apenas um estava ao corrente do protesto «antifascista», sem reparo sanitário digno de apreço.

Acabo de guglar: o arraial da Praça de Luís de Camões devolveu-me 920 resultados, sem nenhuma ou com residual indignação anticovidiana à mistura; a comezaina no "Solar do Paço", 9850 resultados recheados de imprecação e censura veemente.  

A comunicação noticiosa portuguesa merece-me, em geral, pouco respeito.  Fede a selectividade tácita; da isenção faz não mais do que ideia vaga; rege-se por cartilha e agenda doutrinárias; presta favores aos governos de turno; induz no indivíduo necessitado de informação a percepção dos factos à luz da trend ideologicamente correcta ou da conveniência circunstancial do patrão. Enfim, fervor em manobras.

Levemente a despropósito, ocorre-me, não é?, voltar a Mamadou Ba, igualmente presente na Praça de Luís de Camões
Referindo-se a André Ventura e citando apocrifamente o bispo de Leiria, o pesporrente e amabilíssimo doutor tuitou no passado dia 15,
'Será que o charlatão vai enxergar. Noutro dia foi o Marcelo a tirar-lhe Sá Carneiro e João Paulo II, agora é o bispo de Leiria a tirar-lhe a máscara. Mas como não tem vergonha na cara vai seguramente continuar a borregar berros de ódio!',
provando de uma assentada que desconhece o ponto de interrogação [não sei se na gramática senegalesa há, mas admira pouco em falantes que afirmam muito e raramente perguntam] e, sobretudo, que se está borrifando para a autenticidade das fontes, desde que lhe forneçam ladainha ajustada à causa, já que o cardeal António Marto nunca proferiu as palavras, sequer semelhantes, que Mamadou Ba lhe atribui.
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* Assista-se, no quarteirão de vídeos do acontecimento disponibilizados pelo Arquivo Ephemera, de José Pacheco Pereira, à inanidade inflamada de que aquela gente é capaz e à incapacidade liminar daqueles tontos de entoarem razoavelmente afinados o "Grândola, Vila Morena". Metem dó quando tentam a polifonia e tornam-se assustadores na vociferação de putatitvos aerossóis de SARS-CoV-2 na parte em que 'o povo é quem mais ordena'. Bem sei que o "parabéns a você" é muito mais fácilmas o hino nacional é bem mais complicado.

Seria parcial e injusto se fechasse o verbete sem um considerando às práticas artístico-musicais entre as hostes tenebrosas de André Ventura: horror sem nome nem comiseração.

domingo, 17 de janeiro de 2021

Portugal no topo do mundo | Estamos cá para as curvas*

«Esta subida galopante dos números coloca agora Portugal no topo de uma lista onde ninguém quer estar. Somos o país do mundo com mais novos casos de infecção por cada milhão de habitantes e também o país com maior registo diário de mortes. Há uma semana e meia que Portugal passou para o topo da lista. [...] Os dados da universidade norte-americana de Johns Hopkins provam que por cá ainda há muito a fazer para achatar as curvas.» - TV do Balsemão, esta tarde

Ante tal evidência é-me impossível não reavivar — "Nós e os outros" — a proclamação fanfarrona do arlequim de 10 meses atrás: 
«Na nossa história vencemos sempre os desafios cruciais. Por isso temos quase 900 anos de vida. Nascemos antes de muitos outros, existiremos ainda quando eles já tiverem deixado de ser o que eram e como eram.»
Quem pode levar a sério um gabarola destes?
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

«Determinar», «determinações» e outras covidências


Dulcínio é dono de uma pequena confeitaria e patrão de Dulce, única empregada.
- A sua sogra costuma gabá-la muito pelo caldo verde maravilhoso que faz em casa... 
- Mas isso a que vem agora, senhor Dulcínio? Deixa-me envergonhada.
- Não se ponha a pensar coisas, veja se entende. Enquanto durar a maldição do novo confinamento, a Dulce, já que tem jeito, fica incumbida de fazer diariamente, aqui no estabelecimento, um panelão de 20 litros de caldo verde. 
- Mas o senhor Dulcínio quando me contratou foi para vender bolos, cafés, bebidas e assim, não foi para cozinhar; ah, e manter a confeitaia limpa e arrumada.
- Certo, mas isto é uma situação muito excepcional. Se volto a fechar, em três tempos vou à falência e a Dulce vai para o desemprego. Além disso, está no decreto da emergência que eu posso determinar-lhe outras funções não contempladas no seu contrato de trabalho. Quero pôr na vitrina um letreiro a dizer «Vendemos SOPA take away".
- O senhor Dulcínio desculpe-me, não é que eu não entenda a situação, mas por acaso o meu marido esteve ontem à noite a ler esse decreto, ou lá que é, e diz que o senhor Dulcínio me pode determinar que faça outras coisas mas também diz que só se eu der o meu consentimento. * 
- Muito me conta, Dulce! Não sabia que o Donato ...
- Donute, o nome oficial dele é Donute. O homem da conservatória enganou-se no registo.
- ... não sabia que o Donute também gostava de leis. Pensei que fosse mais doçaria.
- O senhor Dulcínio nunca ouviu dizer que nem só de pão-de-ló vive o homem?...
//
Inventariei por curiosidade as ocorrências de «determinar», e suas variações, no Decreto n.º 3-A/2021, o do novo confinamento**, publicado ontem no Diário da República:
«restringir determinados direitos»
«suspensão de determinados tipos de instalações»
«determina-se que os estabelecimentos de restauração e similares passam a funcionar exclusivamente para efeitos de actividade de confecção destinada ao consumo fora do estabelecimento»
«aos serviços públicos determina-se que os mesmos mantêm o seu funcionamento»
«profissionais de saúde tenham determinado a vigilância activa»
«partilha de responsabilidades parentais, conforme determinada por acordo entre os titulares das mesmas ou pelo tribunal competente»
«ordens determinadas pelas autoridades de saúde»
«assim seja determinado pelos membros do Governo responsáveis pelos respectivos serviços»
«o disposto na alínea b) do número anterior determine a impossibilidade de acesso de um trabalhador ao respectivo local de trabalho»
«aceder a locais determinados para este efeito pela DGS»
«o membro do Governo responsável pela área da economia pode, mediante despacho, determinar que os estabelecimentos de comércio a retalho»
«o preço regulado do GPL ...é determinado em (euro)/kg, de acordo com a seguinte fórmula»
«o preço regulado para o mês M é determinado no primeiro dia do mês»
«o membro do Governo responsável pela área da energia pode ... determinar novos preços regulados»
«determinados serviços públicos especialmente carecidos de suporte»
«prioridade ao encaminhamento de determinadas categorias de tráfego»
«limitar ou inibir determinadas funcionalidades»
«fixação de um limite máximo de presenças, a determinar pela autarquia local»
«pessoas em isolamento profiláctico ou em situação de infecção confirmada da doença COVID-19 que, face à avaliação clínica, não determine a necessidade de internamento hospitalar»
«o membro do Governo responsável pela área da administração interna ... determina o encerramento da circulação rodoviária e ferroviária»
«restrição à circulação de determinados tipos de veículos»
«restringir determinados direitos para salvar o bem maior que é a saúde pública e a vida de todos os portugueses»
«códigos de conduta aprovados para determinados sectores de atividade»
«podem encerrar em determinados períodos do dia»
«a realização de testes de diagnóstico de SARS-CoV-2 referidos no número anterior é determinada pelo responsável máximo do respectivo estabelecimento ou serviço»
«nos termos determinados por orientação da DGS»
«o membro do Governo responsável pela área da saúde ... determina as medidas de excepção»
«o membro do Governo responsável pela área da saúde ... determina as medidas de excepção necessárias»
«as determinações referidas nos números anteriores são estabelecidas preferencialmente por acordo»
«pode ser determinada a mobilização de recursos humanos para realização de inquéritos epidemiológicos»
«a suspensão determinada nos termos do número anterior»

Achei especial graça ao n.º 3 do artigo 10.º,
«As determinações referidas nos números anteriores são estabelecidas preferencialmente por acordo ou, na falta deste, unilateralmente mediante justa compensação»,

e, obviamente, ao n.º 2 do artigo 21.º,
* «Restauração e similares
[...]
2 - Os estabelecimentos de restauração e similares que pretendam manter a respectiva atividade, total ou parcialmente, para efeitos de confecção destinada a consumo fora do estabelecimento ou entrega no domicílio, directamente ou através de intermediário, estão dispensados de licença para confecção destinada a consumo fora do estabelecimento ou entrega no domicílio e podem determinar aos seus trabalhadores, desde que com o seu consentimento, a participação nas respectivas actividades, ainda que as mesmas não integrem o objecto dos respectivos contratos de trabalho.»

Ou seja, «determinar» tem as suas lérias e, dentro do mesmo texto, determinadas «determinações» são mais determinantes do que outras.
Quanto a mim, se o legislador não fosse tão preguiçoso na escolha das palavras talvez a lei ficasse mais inequívoca.
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** Confinado no meu canto plebeu da Bobadela, tenho enorme dificuldade em entender a lógica sanitária deste novo confinamento numa altura em que morrem de covid-19 mais de 100 pessoas por dia e estão em cuidados intensivos mais de 600, bem menos restritivo do que o confinamento de Março/Abril de 2020 em que se atingiram, no máximo, 37 mortos num dia e 270 internados em cuidados intensivos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Vírus corona, Sol maior *

Decorreu pelas 13h00 de hoje a 6.ª descontaminação das ruas de Bobadela, por um amola-tesouras. [fase 1]   [fase 2]

5.ª, Senhora

4.ª, Resssuscitado  -  3.ª, Crucificado

2.ª, Senhora da limpeza  -  1.ª, José operário
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* É mesmo, garanto,
 a gaita do amolador
estava armada em Sol maior.

A saúde do arlequim

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 1864.
Na primeira página da edição n.º 1 do Diário de Notícias informava-se:
Suas Magestades e Altezas passam sem novidade em suas importantes saudes.

Decorridos 156 anos, verifico que o apenas aparente ridículo daquela informação pede meças ao noticiário alucinante, realmente ridículo, em torno da saúde de um frenético arlequim hipocondríaco.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Inês Sousa Real, metralhadora daquilo que é *

ÚLTIMA  HORA
A líder parlamentar do PAN diz «congamos».

«Muito bom dia a todos e a todas **. Nós tivemos hoje oportunidade de ouvir os especialistas no rescaldo daquele que foi um período de levantamento, também, de algumas medidas de confinamento ainda que com diferentes graus de restrição. Os dados são bastante claros e a nós parece-nos que estamos perante aquilo que é um tsunami sanitário» 

«E não se torna perceptível as medidas que têm continuado a ser tomadas, até que possamos ter um plano de vacinação plenamente aplicado ao nosso país a par das medidas evidentemente sanitárias que têm continuado a persistir e que congamos debelar esta crise. Agora efectivamente estamos a atravessar um momento complexo. O PAN não deixará por isso de acompanhar aquela que é a renovação do estado de emergência por esta razão, mas exige-nos a todos enquanto eleitas e eleitos **, e também aos nossos governantes **, respostas mais cabais à crise sócio-económica para garantir que ninguém fica de facto para trás»
Lisboa, Infarmed, 12.Jan.2021 

Tal chefe, tal escudeira, o psitacismo gárrulo do costume. Mas o que deveria preocupar a nação é que uma licenciada em Direito, mestrada e pós-graduada, com toda esta afirmação institucional, não consiga conjugar o verbo conseguir. Nem o correcto «possamos» a redimirá da indigência gramatical.
Restava que Luís Oriola, mártir português da era covídea, fosse a tempo de retirar o acento do 'i' para poupar a parte menos barulhenta da audiência a tão tosco solecismo. Não percebi se o fez, mas duvido de que tenha conseguido, dada a velocidade vertiginosa a que a deputada Sousa Real metralha.   
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* Não sei porquê, sempre senti qualquer coisa de terrorista no discurso do PAN.

Ai Inês, ai Paula Inês, que nem o código de linguagem da seita sabes praticar com um mínimo de coerência! Então não deveria ser a todas e a todos enquanto eleitas e eleitos, e também às nossas governantasaos nossos governantes? Ai isso é que deveria. 

«Última hora» quanto dura?

Pelas 10 da noite de ontem, segunda, recebi uma sms a informar que o arlequim tinha «testado positivo», formulação discursiva horrível; «positivou» não seria melhor.

Quando Portugal atingia 489.293 casos de infecção desde o início da contagem (em português hodierno, “contabilização”) em Março de 2020, o de Marcelo Rebelo de Sousa haveria de ser suficientemente extraordinário e singular — tudo à volta de um arlequim é "féerie" — para merecer uma irrupção de «Última hora» nas televisões; na CMTV chamam-lhe «Alerta CM!»
Fiquei curioso em avaliar qual das quatro grandes tê-vês teria sido a primeira a dar a notícia e durante quanto tempo a manteriam classificada como de «última hora». 

Fui à box e apurei.
A primeira foi a TVI, às 22h02. Manteve o oráculo de «última hora» até às 00h07 de hoje.
A segunda foi a RTP, às 22h04. Manteve o oráculo de «última hora» até às 00h03 de hoje.
A terceira e a quarta, ex aequo,  foram  a SIC e a CMTV, às 22h07. A SIC manteve o oráculo de «última hora» até às 00h47 de hoje.
A CMTV, que se gaba permanentemente de ser a «melhor» e a «primeira!»  desta vez chegou cinco minutos depois da primeira; em contrapartida, às 01h30 de hoje mantinha a notícia em «alerta» e sei lá por quantos séculos a manterá. Julgo até que só por falta de espaço na pantalha não estão a dar ainda como «Alerta CM!» a notícia do nascimento do primeiro tiranossauro.

O mais interessante para mim foi confirmar a porfia, em nome da fixação e cloroformização da audiência, com que as televisões esticam até ao limite da insensatez o tamanho de um contexto temporal — «última hora» — que uma hora que durasse já seria demais. A RTP, que costuma ser a mais sóbria das quatro, fez render o peixe durante duas horas (!); a SIC, duas horas e 40 (!).
Precisamos de que McLuhan volte cá.

A RTP exibiu o tuíte em que António Costa diz «desejo-lhe votos sinceros de rápida e completa recuperação».
«desejo»/«votos»/«sinceros», todo um mundo semiológico que, além de pura gamártica, remete directamente para a "retórica dos melros" de que falei em tempos.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Aliados do SARS-CoV-2, o dito cujo

Convocados
o douto virologista que há em mim,
o respeitabilíssimo pneumologista que há em mim, 
o insigne epidemiologista que há em mim,
o reconhecido infecciologista que há em mim,
o consagrado estatisticista que há em mim

declaro reunidas as condições mínimas para asseverar que os grandes aliados, se não mesmo catalisadores, do dito cujo são
a propaganda governamental, mais a do arlequim,
a cagança, a mentira e a prestidigitação dos protagonistas sobre a população ignara.

Informação, esclarecimento e pedagogia serão outra coisa. 

Dito.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Virulência



John McAfee. «Iconoclasta. Amante de mulher, aventura e mistério», diz-se.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Caso patético de cartilha corporativa?

«Já são conhecidos os últimos números da Covid-19 em Portugal. Há 4044 novos casos mais 74 mortos. Ou seja, lamentamos, lamentamos hoje mais 74 mortos.»

Quem lamenta, afinal? Lamenta ela, Teresa? Ela e o marido, Rodrigo? Teresa Dimas lamenta em nome de quem? Dos colegas, do Ricardo Costa, do Dr. Balsemão?... Em nome da Graça Freitas, da Temido, do governo inteiro, do presidente-arlequim, de Portugal, do Papa Francisco?... Por que capricho insondável a SIC lamenta apenas os mortos da pandemia? Hoje morreram em Portugal outras cerca de 300 pessoas. Não merecem lamento? Como explica Teresa Dimas e os demais pivôs tamanha discriminação? 


Bem que espingardo mas aparentemente só o Plúvio é que nota.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Dizer*

Olá a todas e a todos.**
Dizerem primeiro lugar que os legumes e a fruta que o senhor Serafim Garcia — toda a gente o conhece aqui por "o Garcia da horta" — vende na praça é ele quem os cultiva na sua courela. Mas em tempo de pandemia isso será pouco relevante.
Dizer* ainda que a um licenciado em Medicina, com prática clínica pública e privada em Leiria, deputado da nação, hoje em altas funções governativas,  deveriam exigir-se, no mínimo, conhecimentos básicos da história da medicina caseira
- «dizer* que ... nenhum doente que entre ou esteja no hospital Garcia da Horta ficará sem lugar para onde ir»
- «lembro-me da transferência de doentes do Garcia da Horta para o médio Tejo.»

Dizer* em suma: por um secretário de Estado da Saúde que além da sintaxe tosca ignora e trata desleixadamente o epónimo do maior hospital da margem sul do Tejo, sem prejuízo de ser bom ortopedista, só pode ter-se consideração diminuída.

Lembremo-nos de Abel Salazar...
Pois bem, o médico Lacerda Sales nem das próprias coisas médicas parece saber assim tanto.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Contre fectos não há ergumantos. Tá?

«todos os dias somos confrontados com esses númaros [...] Ou seja, o crescimento a ser mais lento [...] tempo em que esses númaros duplicam [...] númaro muito animador relativamente ao combate que se a fazer à covid-19.»

Não consegui perceber se Luís Oriola disse «número» ou «númaro», mas tenho a certeza de que disse «está».

sábado, 14 de novembro de 2020

Bem-vindos ao país cristino [5] *

Missa pelas vítimas da pandemia na Basílica da Santíssima Trindade.
 
Envolvido no esplendor do cantochãosenti qualquer coisa de irónico, paradoxal e burlesco em ir lendo que Cristina Ferreira** dirige o entertenimento e a ficção num grande canal televisivo português, no meio de uma calamidade ortográfica.
Pobre país de pão e circo de rebotalho...


«Abençoe-vos, ilumine-vos e conduza-vos sempre o Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia*** ...
Vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe...»

Convenhamos que o preto, incluindo o da máscara, assenta lindamente na doutora Fernanda.
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** Protegido pelo adiantado da hora, um naco de pornografia pesada.
Dúvida metafísica: putéfia é para baixo ou pra cima de puta?

*** Nota-se.