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quarta-feira, 26 de julho de 2017

A imprecisão do que escrevo

Acerca do cerca de, António Bagão Félix vem explicar-me a diferença entre exactidão e precisão.

Obrigado, doutor.

sábado, 3 de junho de 2017

O «assassinato» de António Bagão Félix

Bom de contas e botânico amador, proclamando-se com convicção, orgulho e garbo, benfiquista católico — não lhe basta uma religião —, António Bagão Félix, por quem mantenho antiga admiração crítica, parece homem de refinada sensibilidade visual e olfactiva, como se infere, por exemplo, destas sinestésicas e extasiantes "Cores e fragrâncias…" no Público de 19.Mai.2017.

Revejo-me genericamente e gosto muito da crónica de Bagão Félix, "Tempos e silêncios", no Público de ontem:
«Há uns tempos, tive a oportunidade de ler um interessante texto de um editorialista italiano do Corriere della Sera, Beppe Severgnini sobre a crise – que eu diria estrutural – do modo verbal conjuntivo. Escreveu ele que o conjuntivo está moribundo. Não se trata, porém, de nenhum assassinato linguístico, de um suicídio premeditado ou induzido, ou de uma eutanásia idiomática. Trata-se, sobretudo, da desconsideração das ideias de dúvida, de incerteza ou de humildade (ou de todas em conjunto). 
[…]
Estamos vivendo uma avalanche de pseudo-hegemonia dos factos (mesmo que não o sejam…). É a primazia crescente sobre a filosofia, a hermenêutica e sobre a necessidade de compreender as coisas. Mas é, de igual modo, uma expressão deste tempo onde quase tudo é efémero, virtual, rápido, descartável, ligeiro, superficial, inútil, supérfluo.
Pouca gente julga, considera, crê ou pensa. Muita gente sabe, transmite, comunica, tem a certeza. 
[…]
Hoje quem se arrisca a usar o conjuntivo ou o condicional, corre o sério risco de ser visto como uma pessoa insegura. “Creio que seja deste modo”, “quem seria aquela pessoa?” cansam os mais convencidos que retorquirão “oh homem, deixa-te de creio e parece. As coisas são ou não são, ponto final”. […]»

Só não gosto mais do texto por causa do horrendo «assassinato»; linguístico, pois. Não que os dicionários o não acolham, mas caramba!, tendo ao dispor a incomparável eufonia de «assassínio», para não falar do apuro etimológico,  por que estranho e inesperado desfalecimento do gosto este devoto activo da língua portuguesa — terceira religião? — resvala para tamanha e escusável feiura?
Ó Plúvio, frena-me essa disenteria adjectivante, porra!
Pensando melhor, acho que sei. Muito recomendável de olhos e de nariz, Bagão Félix não é a primeira vez, afinal, que indicia percepção defeituosa nos tímpanos. Lembremo-nos do Pedro Barroso
Será por isso: diz «assassinato» e soa-lhe bem.

sábado, 13 de maio de 2017

Música

«[…]
Pedro Barroso não é autor de concessões ao fácil, ao “light”, à fama fútil e efémera. Soube criar, com mestria, a sua forma ímpar de estar no mundo da interpretação e da criação musical e literária. A sua música tem um especial sabor épico, que a sua forma de a transmitir acentua sublimemente. Os seus temas cruzam tempos numa simbiose natural de vivências e memórias, anseios e esperança, sonhos e utopias, de “passado contido no futuro” e de futuro prenhe de pretérito. Nele, a portugalidade é enaltecida e jamais olvidada (“a nação ternura”), sem, porém, esquecer o que não nos enobreceu ao longo da (nossa) descoberta.
[…]»

Bagão Félix passou-se. Bagão Félix precisa de otorrino urgentemente. Que literatura ou poesia tem lido Bagão Félix? Que música ouve, que compositores aprecia? Que estranhas coisas dirá o dicionário de Bagão Félix do verbo «criar» e do adjectivo «sublime»?
Ora bem. Sucede que «PB não é autor de concessões ao fácil» ... nem ao difícil, simplesmente porque não consegue, não pode, falta-lhe o duende, não nasceu para aquilo.
«mestria» ... «criação musical e literária»? Ó Bagão, tento na língua.

Literariamente, Pedro Barroso não alcança sequer a carpintaria de Quim Barreiros.
O engenho e a criatividade do músico Pedro Barroso variam, empolgam e enfeitiçam como a névoa do lusco-fusco.
Homenzarrão, vozeirão, talento minguado. O pior é que se leva a sério e levam-no a sério — caso do bom do Bagão Félix — como grande artista.

Comparados com Pedro Barroso, os irmãos Sobral são puro Bach.
Se o Salvador não ganhar logo à noite em Kiev, confirma-se aquilo de que se suspeita: a Europa anda surda.
O arranjo de Luís Figueiredo, céus, aquele arranjo!… Magia.  
Bravo, João Dias! A humanidade ainda não está inteiramente perdida.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A síndrome e a ênfase, pelo tesão e pela sms

De uma vez por todas até que o Papa Francisco me desdiga e o Donald Trump me contradiga:
Entendidos? Espero bem que sim, senão deixo de lhes falar.
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* Ó doutora Ana Sá Lopes — "Vanessa e Centeno odeiam SMS" | Sol, 18.Fev.2017 —, decida-se, chiça! Feminino ou masculino?
Quanto ao canivete suíço «erro de percepção mútuo»**Mário Centeno, 13.Fev.2017 —, de que igualmente versa Vanessa, três abordagens valiosas:
** Sei cá porquê, lembro-me de outra diáfana criatura, menos licenciada porém: «Norteio a minha vida pela simplicidade na procura do conhecimento permanente.» [Miguel Relvas, 12.Jul.2012]

quinta-feira, 2 de maio de 2013

«Recursos humanos»

Também* sempre engalinhei com a expressão.
De «colaborador», então, nem é bom falar.
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* "O dolicocéfalo", blogue de J. L. Cirne de Castro

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Acordo Ortográfico [74]

«Não me pelo pelo pelo de quem para para desistir.»

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

OE 2013 - O caso particular dos pensionistas

«[…]
Tudo o que mexe apanha.
[…]
Razão que deveria vir no Guinness Fiscal: acho que (Portugal) é o único país do mundo em que um pensionista – acima dos 1350 €, que não é um valor assim tão alto quanto isso – paga mais impostos para o mesmo rendimento do que um trabalhador no activo.
[…]
A 'contribuição especial de solidariedade' é uma mentira.
[…]
É fácil ser corajoso com quem não se pode defender.
[…]»
 
A grosseira inconstitucionalidade da tributação sobre pensões

sexta-feira, 8 de junho de 2012

António Bagão Félix

«Não há remédios técnicos para males éticos.»

Gosto quase sempre mais de ABF do que desgosto. Virtude dele.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Acordo Ortográfico [51]

«[...]
Para perceber o alcance, os efeitos, as contradições e até alguns absurdos do AO é preciso abandonar a discussão que se desenrola nos termos de uma querela caricata e prescinde tanto da argumentação técnico-linguística como dos aspectos pragmáticos e formais da implantação do Acordo.
[…]
O Acordo nasceu como uma opção política e como tal foi imposto.
[…]
Assim, em várias e competentes instâncias, o AO foi criticado, desautorizado enquanto documento técnico-científico, considerado inepto e nefasto.
Em sua defesa, porém, o mais que pudemos ler foram artigos em jornais, refugiados nas questões genéricas das supostas vantagens de um acordo, sem responderem aos argumentos dos críticos.
[…] um breve exame ao que se passa nas instituições que já adoptaram o Acordo mostra que ninguém o aplica correctamente e instituíram-se normas locais, casuísticas e decididas arbitrariamente, para impor normas que faltam, para suprir as incongruências e as contradições do AO (por exemplo, neste jornal em que escrevo, espectador começou por perder a consoante não articulada c, mas já a reconquistou). Como vai ser possível ensinar a ortografia nas escolas? Como reagirão os alunos quando um professor os ensinar a escrever uma palavra de uma determinada maneira e um outro professor os ensinar de maneira diferente? A inexistência de um Vocabulário Órtográfico Comum (prometido para Janeiro de 1992 e que era um dos requisitos da entrada em vigor do Acordo) torna tudo ainda mais complicado. Ou será que esse Vocabulário Ortográfico Comum não existe porque não pode existir e não passa de uma enorme falácia?
[…]»

Além do mais, uma boa retrospectiva. Toca a ler a peça toda.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Acordo Ortográfico [38]

«Sempre que houve pessoas, organizações, instituições ou grupos de pessoas que se atreveram a lançar críticas ou dúvidas – legítimos, naturalmente -, foram muitas vezes arrogantemente considerados ultrapassados, reaccionários ou incapazes de olhar o futuro.
[…]
O Acordo Ortográfico é de facto um produto de uma “coligação” entre os interesses do Brasil – é discutível – e um pequeno grupo de intelectuais, certamente com a melhor das intenções – intelectuais portugueses e brasileiros –, que produziram um resultado final em que, por exemplo, as palavras modificadas na ortografia portuguesa são mais do triplo das palavras modificadas na ortografia brasileira.
[…]
Não estamos resignados a viver com a Troika financeira, a China accionista, a Angola económica e o Brasil egoístico.
[…]
Eu acho que ainda estamos a tempo de impedir este empobrecimento da nossa língua.»

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Acordo Ortográfico [33]

«Este acordo ortográfico é o produto não de uma evolução natural, impregnada na prática do quotidiano mas uma imposição artificial a que o Estado de algum modo nos quer obrigar Este acordo também é, na minha opinião, uma expressão da submissão às maiorias populacionais, neste caso – sejamos directos – é a submissão ao Brasil.
Uma língua só se enriquece na diversidade, e empobrece na unicidade por via legal de artificialismos. ...
Não me pelo pelo pelo de quem para para desistir.
Esta situação parece-me absolutamente inusitada, despropositada.
Pela minha parte, resistirei quanto puder.»

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Obsessão fiscal - Fisco, confisco

Bagão Félix, esta manhã, na Antena 1:
«A pressão fiscal atingiu tais níveis, na minha opinião, que já entrámos no domínio quase fiscalmente totalitário de confisco.
[…]  
Lamento dizer isto, sou apoiante deste governo, mas de facto alguma coisa está mal e esta obsessão fiscal está a transformar-se num raciocínio quase totalizante se não mesmo totalitário.»
Se ele o diz, oiça-se-o.
- se tivesse de escolher um deles para governação do mundo, votaria, Deus me perdoe, no doutor Bagão Félix;
- para administrador do meu condomínio, sem hesitar, Octávio Teixeira;
- a doutora Ana Gomes daria com certeza uma excelente promotora de quermesses;
- ao doutor Luís Filipe Menezes ficaria a matar o alto comissariado permanente para a glorificação perene do doutor Alberto João Jardim;
- o doutor Miguel Portas, não votaria nele para nada que é, de resto, para que serve o seu Bloco de Esquerda.
Opinado o que, está uma bela tarde de Outono enquanto o mundo entristece e o José Cid ainda se aguenta nos agudos altos numa idade daquelas.