quinta-feira, 31 de março de 2022

Sem colete


Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO: Aqui o Joe estava a dizer-me que morando a Kaja tão perto de Moscovo se não seria prudente vestir colete à prova de bala...
Kaja Kalas: Não tenho medo do Putin. Basta-me o sutiã.   
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E que merda de gracinha é essa, Plúvio?

Está bem, tentarei outra.

Fernando Santos: Eu quero é ganhar mesmo. ... Eu quero é ganhar. Ganhar, ganhar, ganhar!*

quarta-feira, 30 de março de 2022

Doutor Manuel Alegre

«A ficha curricular de Manuel Alegre, guardada no Arquivo do Departamento Académico da Universidade de Coimbra, indica que o poeta concluiu o 1.º e o 2.º ano de Direito, mas quanto ao 3.º ano apenas regista aproveitamento na disciplina semestral de Direito Fiscal. Esteve inscrito também em Economia Política, a cujo exame faltou, e nas cadeiras anuais de Administração e Direito Colonial, Finanças e Direito Civil – mas não as concluiu.»

Manuel Alegre, que nem bacharel logrou ser*, não corrige quem o trata por doutor. Já aqui falara disso a propósito de um serão eleitoral de 2016

José Gonçalez- O Manuel licenciou-se em Direito em Coimbra, não é?
Manuel Alegre- Em Coimbra, em Coimbra.

Que consideração pode merecer um senador da "ética republicana" que municia o seu pedigree escolar numa impostura perpétua?

Conto que a eventual justeza destas observações não fique diminuída pela simpatia escassa que dedico ao consagrado cagão de Águeda... 
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* «[...]
2. O grau de bacharel em Direito é inerente à aprovação em todas as disciplinas dos três primeiros anos do curso.
3. O grau de licenciado em Direito é inerente à aprovação em todas as disciplinas dos cinco anos do curso.
[...]»

A memória prodigiosa de Ângela

«É evidente que Fernando Medina aqui não é comparável, na sua formação académica e até em experiência, com o Carlos Gaspar ou com o Mário Centeno ou mesmo com o Fernando Leão. (...) Ricardo, ajuda-me. (...)»

terça-feira, 29 de março de 2022

Bem-vindos ao país cristino [12]

«Aproveite. Faça valer os seus direitos.»

grátis, GRÁTIS, GRÁTIS, os tomatis! Esta gente não dá nada a ninguém. Vende tudo, vende-se toda. Mercantilismo apurado; o doutor Google nunca é inocente — e a Deco Proteste pagará para que o não seja —  na ordem e quantidade em que devolve os resultados da pesquisa...

Fraldas  -  colchões... Como é possível permitirem-se este uso?

Com decepção profunda, a exemplo de Mário Frota, hoje em dia vejo na DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, em cujos alicerces participei e a que me mantive ligado até 2008, uma organização umbilicalmente enredada nas regras e na semântica do mercado, promovendo, com beneplácito da comunicação social acrítica e serventuária, mais do que tudo o seu próprio e conspícuo sucesso. Diz que vai em 400.000 associados... 
«Há mais de 30 anos, sempre do seu lado, a Deco Proteste faz diariamente sua missão a protecção dos seus direitos e de todos os portugueses.»
Ouvir este palavreado numa telepromoção (sic) de Cristina Ferreira só pode soar-me a excrescência promíscua. Tenho de 'defesa e direitos do consumidor' uma noção antagónica da que a Deco Proteste reclama em pleno Big Brother.
'Direitos de todos os portugueses' a minha imaginação não consegue alcançar, mas aposto em que é coisa que muito preocupa e ocupa diariamente o pensamento dos marqueteiros da Deco Proteste. 

Má língua de parte e reflectindo um pouco mais, se calhar o melhor é aproveitar mesmo da generosa e desinteressada missão da Deco Proteste: envie uma sms para 4310, digite DECO e boa sorte.
Ainda assim, previno: se depois não lhe largarem a labita, o telemóvel e a caixa do correio, a culpa não é do Plúvio.

segunda-feira, 14 de março de 2022

Palavras do Artur

«Comigo tenho Artur, um taxista da cidade do Porto [...]

Se formos a ver, na moeda antiga as pessoas esqueceram a moeda antiga representa quatrocentos e sessenta escudos.a) É muuuuito dinheiro!
[...]

Muito obrigada. Ficam aqui as palavras do Artur.»

a) E eu à espera de que o Artur fosse explicar a quantos morabitinos correspondem «2 € e tal».
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Não é por nada, mas duvido muito de que este Artur, ao contrário do Amílcar, seja português de cumprir o dever de todos os dias...

domingo, 13 de março de 2022

Adenda ao Abrunhosa

Minutos atrás, uma leitora indignada, fã confessa do crooner do Porto, veio ao correio do Plúvio puxar-me as orelhas pela publicação hostil a Pedro Abrunhosa. Acha ela que só por vileza e espírito mesquinho pude apoucar o nome de PA, como se não fosse possível reconhecer «na sua longa intervenção pública inúmeras provas de grande talento e qualidades humanas assinaláveis».

Deixou-me a pensar e fez-me rever toda a memória que tenho de PA.
É pois o momento de ser justo e projectar alguma luz — luz, sempre ... — menos antipática na figura do consagrado artista que há um bom punhado de anos declarara com louvável desassombro:
«Os valores humanos e os princípios não são proporcionais ao meu valor de mercado. São o seu alicerce.»

Valores humanos e princípios antes e acima de tudo. O resto ... é música.

E renegado seja quem achar ensombrada a integridade franciscana do Abrunhosa só porque este arcanjo, fundador e dono do BPP-Banco Privado Português, lhe financiou com 1500,00€ tal proclamação.

A maledicência tem limites, menino Plúvio!

Ucrânia - Abrunhosa em combate

Embirro desde sempre com o sujeito, o que facilita não dizer bem dele.

Na conversa longa publicada em 10 páginas da defunta NS' de 18.Dez.2010, fazia Pedro Abrunhosa [Porto,  20.Dez.1960] 50 anos, a jornalista extasiada, Sónia Morais Santos, apresentava-o assim:
«Pedro Abrunhosa é culto, cultíssimo. Tão depressa cita Borges ou Faulkner, como recorda Rembrandt ou Leonardo da Vinci. Tão depressa compara o panorama político actual com outros períodos da História, que conhece bem e com rigor, como indica as teorias de sociólogos, antropólogos, escritores ou músicos que estudou com minúcia e que lhe enriquecem o discurso. Fá-lo naturalmente, sem pretensiosismos bacocos.» a)
Quanto a «bacocos», concedo; já quanto a «pretensiosismos», duvido. Mas que é «cultíssimo», se calhar é:
Há um epifenómeno sociológico de consentaneidade da identidade nacional política com a identidade sociológica. - id., ibid.

Industrial pró$p€ro do entretenimento, continuo a achar PA um cabotino esperto, pretensioso, exibicionista; compositor e executante medíocre.
A criador com este arcaboiço curricular exigir-se-ia criação mais rica e variada do que a linha isoeléctrica de coração parado donde parecem brotar, com raríssimos fogachos de estro, os sucessivos sucessos dos últimos 30 anos — sucessivos sucessos, Plúvio?!    
É certo que António Carlos Jobim fez "Samba de uma nota só"  ou "Águas de Março", mas só é linear como Jobim quem pode. ACJ podia, PA não.

a) Se Abrunhosa já era tudo isto em 2010, imagine-se 12 anos depois. A cada intervenção sua o firmamento rutila.
Não? Ora vejam.
Guerra na Ucrânia. Pega-se num verso de São João da Cruz, noutro de Dylan Thomas; embrulham-se numa capa de António Lobo Antunes, e vai disto.

"Que O Amor Te Salve Nesta Noite Escura"
Que o amor te salve nesta noite escura,
E que a luz* te abrace na hora marcada,
Amor que se acende na manhã mais dura, 
Quem há-de chorar quando a voz se apaga?

Ainda há fogo dentro!
Ainda há frutos sem veneno!
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
E há uma luz* que chama,
Outra luz* que cala,
E uma luz* que é nossa.

Que a manhã levante a rosa dos ventos
E um cerco apertado à palavra guerra, 
Ninguém nesta terra é dono do tempo,
Não é deste tempo o chão que te espera.

Ainda há fogo dentro!
Ainda há frutos sem veneno!
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo, 
Que o amor nos salve.
E há uma luz* que chama
E outra luz* que cala
E há uma luz* que é nossa.
 
O princípio do mundo começou agora,
A semente será fruto pela vida fora.
Esta porta aberta nunca foi selada
Para deixar entrar a última hora.

Ainda há fogo dentro! 
Ainda há frutos sem veneno! 
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
Porque há uma luz* que chama
E outra luz* que é nossa
E há uma luz* que cala.

Ainda há fogo dentro! 
Ainda há frutos sem veneno! 
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
Porque há uma luz* que chama
E outra luz* que é nossa
E há uma luz* que se acende.
PA só sabe fazer assim, clone múltiplo de si mesmo, embora aqui levemente menos genial.
«[...] a forma que encontrei para me salvar, porque me sinto incapaz para ir agir no terreno, é escrevendo canções [...] canção despida para tempos difíceis [...] foi escrita em apenas duas horas [...]»

Não sei se os amáveis leitores conseguem imaginar um sexagenário tripeiro, de óculos escuros e fisga assestada a desbastar russos na noite escura duma pradaria ucraniana...
Eu consigo. Não só consigo como garanto que sou capaz de em menos de duas horas fazer uma cagada com maior qualidade e menor pretensão.

Morte a Putin!

Meu rico Jorge Palma!
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* A propósito, quem mais senão um comerciante talentosíssimo como PA conseguiria com tão esplendoroso brilho pôr à venda de olhos vendados — venda de olhos vendados, Plúvio?! —  a própria Luz?
Até o arlequim compareceu. Isto anda tudo ligado.

Já agora, salvo nos casos de explicação fotossensível e de outra índole sanitária, ou por circunstanciais e estimáveis caprichos de imagem [imagem de marca®  é outra coisa], acho o uso de óculos escuros não só pindérico como má educação não se tirarem quando falamos com interlocutores próximos.
É por isso que me apetece concordar com a proclamação de Joel Neto, sportinguista excelente, em 23.Abr.2011: «Declaro que os óculos escuros são a maior pinderiquice dos séculos XX e XXI

domingo, 6 de março de 2022

Sem tino

«Eles só falam nesta pessoa que eles consideram que é maluca, que não tem tino.*»

* Verdade. Falta-lhe uma letra.
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«Vou-te mostrar aqui algumas multinacionais americanas que abandonaram o mercado russo nos últimos dias [...] não encontras ali uma empresa que era considerada no marxismo-leninismo a água suja do capitalismo, que é a Coca-Cola. A Coca-Cola continua a vender aos russos. Sem comentários.**»

** Comentário:
Em que ficamos, dr. Nuno?
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Não é intrigante que Volodymyr Zelensky, presto no agradecimento a Marcelo, continue sem pedir ajuda a quem sabe derrotar a Rússia?
Bora lá, dr. Jorge?
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Deus me perdoe.

quarta-feira, 2 de março de 2022

Sérgio Sousa Pinto

Tenho Sérgio Sousa Pinto — colono permanente da placenta socialista, versão soarólatra*, desde os 23 anos**, um dos deputados mais cultos e bem articulados no parlamento português, autor de livros, colunista do Expresso, comentador residente na TVI/CNN Portugal, que acompanho com admiração e reserva em proporção homeopática; no Expresso é onde mais o aprecio — por mais credível quando explana a partir de lucubração própria do que quando cita Churchill.

Por exemplo, gostei de SSP, e achei-lhe graça, no confronto com Maria de Lurdes Rodrigues, a falar das virtudes e desvarios da época geringôncica.

Ou no confronto de há dias com o comunista António Filipe, em que gostei ainda mais:
«Não estou habituado a que me chamem mentiroso. [...] O Partido Comunista Português, durante a Guerra Fria, era vassalo, era um abjecto vassalo da União Soviética e hoje é um vassalo do senhor Putin, esta é que é a verdade! [...] o Partido Comunista Português converteu-se num vassalo do senhor Putin.»

Mau é quando SSP cita:
«O Churchill dizia com muita graça que leis e salsichas é melhor que não saibamos como são feitas.»

Sucede que, azar de SSP, Winston Churchill [1874-1965] nunca disse tal coisa. Se SSP atribuísse o gracejo a Otto von Bismarck [1815-1898] ainda vá que não vá, já que a creditação ao prussiano vigorou, e vigora, com populoso consenso, até à investigação de Fred Shapiro, publicada no New York Times em Março de 2009, que deslindou o pai do dito [bela ambiguidade, Plúvio]: John Godfrey Saxe [1816-1887], poeta-jurista norte-americano.     

É sempre a mesma merda. 
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* A propósito..., não me diga, dona Teresa, que não cumpriu hoje?! E não me venha cá com a desculpa da quarta-feira de cinzas... Mire-se no Amílcar, nunca falha.  

** Lisboeta de berço [19.Jul.1972] e circunscrição, eleito deputado pelo Porto para na VII legislatura [1995>1999]; eurodeputado [1999>2009]; deputado por Aveiro nas XI e XII legislaturas [2009>2015]; eleito por Lisboa para as XIII, XIV e XV [2015>2026?].
Faz-se pela vida, nada contra.

Carmo Afonso, um desastre no Público

Pago e leio o Público desde o primeiro dia, 05.Mar.1990.
Apesar da urticária que me causa a capelania militante-bloquista-wokista instalada no jornal, continuo a não prescindir do Público. É o melhor diário português. E não ter encarneirado na ortografia do acordês não é virtude menor. 
Não senti grande perda na oxigenação das minhas leituras com a saída de Rui Tavares, faz três semanas, da última página do Público, mas pressenti o pior ao saber que a inquilina daquele espaço, às segundas, quartas e sextas, passaria a ser a advogada Carmo Afonso, de resto amiga e compincha, de matiné e cabaré, de RT.
O pior nem seria o catecismo; o pior mesmo é que a colunista activista Carmo Afonso — pessoa que existe, existe, existe..., adorada no eixo bajulador salivante Lux Frágil-Campo de Ourique, faixa da esquerda — não vale um traque furado.

Todo o gorduroso intróito para uma confissão que não adivinhava vir a fazer tão cedo: à 2.a semana de ocupação da última página do Público pela viuvinha perpétua do Manel, tenho saudades de Rui Tavares. Pelo menos não é burro e sabe escrever.
O que passou pela cabeça de Manuel de Carvalho ao contratar uma encomenda destas que, ainda agora começou, já denota não saber bem do que falar e cresce em disparate de crónica para crónica?
Calculo que a Ucrânia ajude pouco ao discernimento de tão luminoso bestunto, mas há limites para a ignorância atrevida, chiça!

Queira o leitor paciente dar uma olhada na peça de hoje, "Às armas, às armas nucleares", a que agreguei cinco comentários, ainda o dia vai a meio, representativos da reacção à indigência da colunista, um dos quais — de Francisco Assis, que não é propriamente asno — valorizo especialmente:

«Uma redacção da quarta-classe onde não falta nada: desconhecimento da matéria, erros ortográficos, pobreza linguística, representação infantil da realidade, desconhecimento das regras mais elementares do pensamento lógico. O Público anda a brincar com os seus leitores.»
Francisco José Assis Miranda, 02.Mar.2022, 08h38.

A colunista Carmo Afonso não prestigia os pergaminhos do Público.
Quem paga mereceria muito melhor.