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domingo, 2 de abril de 2023

Todos e os outros, independentemente


A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:
Capítulo I - Objecto, âmbito e princípios gerais
Artigo 1.º - Objecto
A presente lei estabelece as bases do direito à habitação e as incumbências e tarefas fundamentais do Estado na efetiva garantia desse direito a todos os cidadãos, nos termos da Constituição.

Artigo 2.º - Âmbito
1- Todos têm direito à habitação, para si e para a sua família, independentemente da ascendência ou origem étnica, sexo, língua, território de origem, nacionalidade, religião, crença, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, género, orientação sexual, idade, deficiência ou condição de saúde. *
2- A presente lei aplica-se a todo o território nacional.

Artigo 3.º - Princípios gerais
[...]»
__________________________________________
* Caracterizemos, pela mesma ordem tipológica, um exemplo de indivíduo abrangido inequivocamente por tal formulação:
ascendência e etnia berbere, dotado de próstata, pila e testículos, esperantofalante originário da Transnístria, de nacionalidade portuguesa e de credo copta, seguidor de dona Dolores Aveiro e crente nos benefícios dos banhos de luar no aumento da longevidade, anarco-iluminista doutorado em exobiologia, economicamente solvente, multigénero orientado sexualmente para anões, 48 anos, diabético manco. 

Mas, e os outros, que impediu de indiscriminá-los explicitamente? Porque não também independentemente do clube, das preferências musicais, da cor dos olhos, do regime alimentar, das convicções animalistas, competências profissionais ou do tamanho que calce?
Caso para recear que a um sportinguista, fanático de "hip hop", olhos verdes, vegetariano, amante de tourada, sem carta de condução, que calça 53, se depare alguma restrição no direito à habitação, nos termos e ao abrigo do artigo 2.º supra...

Enfim, «1- Todos têm direito à habitação.» não bastava?

Já agora e complementarmente, muito estranho que numa lei destas, confeccionada em legislatura geringôncica, não se tenha desdobrado o quantificador universal «todos», como manda Isabel Moreira e exige o código inclusivo.
Não espantará, pois, que em revisão próxima fique «Todos, todas, todes, todxs e tod@s têm direito à habitação [...]»

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Dicionário e catecismo

Idiossincrasia linguística menos preocupada com o dicionário do que com o catecismo?
Nada de novo.

«Por último, deixar a) ficar uma mensagem de pedido de responsabilidade a todas e a todos b). Nas próximas horas são expectáveis condições climatéricas c) equivalentes e é por isso muito importante que todas as cidadãs e que todos os cidadãos b) cumpram as recomendações das autoridades procurando também constituírem elementos activos da protecção civil que somos todos nós.»
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c) Helder Guégués não é tão fundamentalista como o Plúvio, que dirá sempre «climáticas», parece ser.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Reino da sabedoria

Territorialmente, a Rússia é, de longe, o maior país do mundo.
O 2.º maior, com pouco mais de metade da área da Rússia, é o Canadá.

Às 23h34 de anteontem, quinta-feira, testemunhei em directo a conversa televisiva que se segue.
Merceeiro- A Rússia não é uma economia, é uma economia pequena, só tem território, e a outra coisa importante… mas também há outros países com território muito grande. Por exemplo, o Canadá que é maior que a Rússia. Tem um bocadinho mais de gelo…
Aurélio Gomes- Maior do que a Rússia?
Cauteleiro- Sim, é maior que a Rússia. É o maior país. É maior que a Rússia.
Daniel Oliveira- Não, não é.
Gasolineiro- Ah, mas é.
Daniel Oliveira- Não, não é!
Perigo grande, como venho repetindo, é que pode haver crianças por perto.  

Merceeiro- Eu já tou aqui há uns anos, o bastante para as pessoas, enfim, terem a ideia de que eu não defendo nem deixo de defender partido nenhum, por princípio.
Camaleão vígaro.

//

É o momento de actualizar e acrescentar ao rabiscado aqui em 14.Jan.2022, 21.Mai.2021, 01.Mar.2021 e 09.Jan.2021, dia de Posaconazol Metenamitoso Latanoprostático.

Não há uma alma caridosa que ensine ao posaconazol ignaro a palavra apparatchik?
«houve uma relvização do PSD; há muito apartechic»
«coisa típica de apartechic ou de terrorista de teclado»
Mete dó.

E «Hélas!», que o cauteleiro escreve invariavelmente «Helas», sem acento? Por que espera o «querido» Ferreira Fernandes, sage como poucos, para resgatá-lo da vergonha de persistir no uso da interjeição francesa que significa o contrário do que o ínscio quer dizer, isto é, «Voilà!"?

«Helas»- 16.Jun.2021, graxa em Mafalda Anjos, sua nova patroa.*
«Helas»- 03.Ago.2021, graxa em Fernanda Câncio, madrinha de todas as horas.*
«Helas»- 29.Jun.2021, revendo-se numa citação de Abraham Lincoln. 
«Helas, helas». Arrisco que terá sido assim; na pronúncia não se percebe se é com ou sem acento.
Confrange.

O merceeiro estólido não faz a mínima ideia da diferença entre sob e sobre.
«nós não vivemos sobre o império de burocratas ou de epidemiologistas»- 17.Jun.2021
«este país vive sobre o manto completo da corrupção»
17.Jun.2021
Dói.

Observe-se como o cauteleiro lerdo confunde e baralha em sucessão o "Mapa cor-de-rosa" com os "Os 12 de Inglaterra", que ao princípio eram 11, e com os "Magriços", futebolistas de 1966
«mentalidade mapa cor-de-rosa ... mandamos 11 pessoas pra lá, 11 combatentes»- 03.Jun.2021
«os 12 de que eu estava a falar há bocado eram os "Magriços"; foram resgatar a honra de 12 damas inglesas»- 03.Jun.2021
Bebedeira de asneiredo.

O posaconazol obducto não esconde a ojeriza à perseguição penal do enriquecimento não explicado e, sobretudo, à inversão do ónus da prova. É a parte, tenho isso bem presente, em que Vasco M. Barreto, que muito admiro, sugere que roço a calúnia; mas é a parte em que sou tentado a enquadrar a interrogação indignada de 10 meses atrás:
«Por que diabo eu hei-de dizer do meu património?»

Não é novidade que o gasolineiro aproveita todas as oportunidades mediáticas para se hispersusceptibilizar sempre que o lóbi LGBT+ é importunado.
Por exemplo, eu acredito que na nomeação do estimável paneleiro Penim pela declarada fufa Fonseca o factor homo- contou que fartou e porventura terá sido o argumento que mais sobrelevou na escolha. Mas isso sou eu que pouco ou nada faço por me escapulir ao rótulo "homofóbico".
O gasolineiro tem outra perspectiva:
«Pedro Penim é das maiores figuras do nosso teatro [É!? Ena!]. Fiquei muito contente que ele fosse para director do Teatro Nacional D. Maria II.»- 23.Set.2021

Pedro Faro, figura proeminente do activismo queer lisboeta:
«Há dias quase quase perfeitos. Hoje pude almoçar, no intervalo do trabalho, com muito Sol, com amigxs lindxs com quem posso conversar e partilhar quase tudo: A Yara Monteiro, o @pedroml e o meu bff @andreeteodosio** 💕 Ainda reencontrei outras pessoas lindas que por ali passavam. 🌈»- 02.Fev.2022
Cabemos cá todos. Bom proveito e bem haja.

//
«O Pedro Marques Lopes é asqueroso
Admito. JQ conhece-o bem.
Eu nem o cauteleiro conheço.

Mistério insondável é como insistem a TSF, a SIC e a Visão em pagar o palco opinativo de um mendicante destes, fraude gigantesca no comentariado nacional.
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* Lambe-botas bíblico, o gasolineiro não desperdiça oportunidades de bajular em conjunto a madrinha e a patroa.- 24.Jun.2021

** Refulgente vulto do pensamento contemporâneo que exigiu Panteão Nacional, nada menos, na morte do Manel.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Maioria absoluta. Suponhamos

que, por insano alinhamento dos astros, os BEatos de Trótski obtinham maioria absoluta nas legislativas...

Serão alto, de domingo para segunda, lá teríamos de levar em todas as televisões com a indignada e belicosa Catarina, de prolação à beira de apneia, com o incansável Oriola ao lado:
O Bloco de Esquerda não pode deixar de, nesta noite de pesadelo, denunciar e repudiar o escandaloso cambalacho eleitoral que acaba de ser consumado nas costas de todas as portuguesas e de todos os portugueses, ludibriadas e ludibriados, e exigir a anulação imediata dos resultados que rejeitamos com veemência!

Quem pariu esta gente?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Palram pega e papagaio... *, nomeadamente

Diferentemente do seu ex-comparsa de governação, o crespo Eduardo Cabrita que não consegue dizer nada fora do quadro,  a mui competente Ana Mendes Godinho é uma falante sofisticada, nomeadamente:

«Por outro lado também aqui uma dimensão de foco nomeadamente em adopção de mecanismos de combate aos estereótipos de género no mercado de trabalho, nomeadamente nas áreas tecnológicas e também aqui uma dimensão de programas direccionados à inclusão de públicos vulneráveis nomeadamente através do mercado social de emprego ou também de programas direccionados a alguns públicos específicos como por exemplo os jovens reclusos.»

À margem, intrigar-me-ão sempre o à-vontade e a fluência com que os tradutores para língua gestual, como Luís Oriola, garantem o verbatim destes discursos junto do auditório surdo, nomeadamente na parte da dimensão de foco.

Chega-lhes, Francisca!
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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Es bloquistes são muito engraçades

«17- Segunda-feira  S. Pascoal Bailão, Religioso    Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação  Dia Mundial  da Hipertensão Dia do Iogurte.»

«Dia 17 de Maio é o dia nacional e internacional de luta contra a homofobia, a bi, a trans, a inter (espaço) fobia. [...] Continuamos juntes, visíveis e em luta. Temos de resistir, apoiar e superar!»

Face a tão escandalosa omissão do Borda d' Água, não sei se exija de volta os 2,30 €.
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Juntos somos fracos, juntes seremos mais fortes..., porque eu sou fufa e o mundo eu vou mudar! 

PS
Vieram perguntar se o propósito deste verbete era zurzir algum defeito de pronúncia da senhora BEputada.
Não, não era esse o propósito; a ortoépia da doutora Fabíola não suscita qualquer reparo.
Pedindo desculpa por não me ter feito entender, conto que as seguintes ajudas remedeiem a confusão: 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Inês Sousa Real, metralhadora daquilo que é *

ÚLTIMA  HORA
A líder parlamentar do PAN diz «congamos».

«Muito bom dia a todos e a todas **. Nós tivemos hoje oportunidade de ouvir os especialistas no rescaldo daquele que foi um período de levantamento, também, de algumas medidas de confinamento ainda que com diferentes graus de restrição. Os dados são bastante claros e a nós parece-nos que estamos perante aquilo que é um tsunami sanitário» 

«E não se torna perceptível as medidas que têm continuado a ser tomadas, até que possamos ter um plano de vacinação plenamente aplicado ao nosso país a par das medidas evidentemente sanitárias que têm continuado a persistir e que congamos debelar esta crise. Agora efectivamente estamos a atravessar um momento complexo. O PAN não deixará por isso de acompanhar aquela que é a renovação do estado de emergência por esta razão, mas exige-nos a todos enquanto eleitas e eleitos **, e também aos nossos governantes **, respostas mais cabais à crise sócio-económica para garantir que ninguém fica de facto para trás»
Lisboa, Infarmed, 12.Jan.2021 

Tal chefe, tal escudeira, o psitacismo gárrulo do costume. Mas o que deveria preocupar a nação é que uma licenciada em Direito, mestrada e pós-graduada, com toda esta afirmação institucional, não consiga conjugar o verbo conseguir. Nem o correcto «possamos» a redimirá da indigência gramatical.
Restava que Luís Oriola, mártir português da era covídea, fosse a tempo de retirar o acento do 'i' para poupar a parte menos barulhenta da audiência a tão tosco solecismo. Não percebi se o fez, mas duvido de que tenha conseguido, dada a velocidade vertiginosa a que a deputada Sousa Real metralha.   
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* Não sei porquê, sempre senti qualquer coisa de terrorista no discurso do PAN.

Ai Inês, ai Paula Inês, que nem o código de linguagem da seita sabes praticar com um mínimo de coerência! Então não deveria ser a todas e a todos enquanto eleitas e eleitos, e também às nossas governantasaos nossos governantes? Ai isso é que deveria. 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Para surdas e para surdos de ambos os sexos

«Você esforça-se para ouvir as conversas nos seus encontros e festas? [...] Compre magniEar por apenas 4 euros e 99. Os adaptadores ajustam-se a ambos os ouvidos, para homens e mulheres.[...]»

Nos últimos dois segundos [leu bem, caro visitante: dois segundos cronometrados] do reclamo, depois de o pregoeiro se calar, depara-se-nos um texto de 90 palavras, entre as quais amplificador x 4, dispositivo, discernir, conversação, diagnosticada e reembolso; dois números, um de 9 e outro de 2 dígitos; um endereço de internet.
Quem senão surdas e surdos de ambos os ouvidos e de ambos os sexos alcançaria tão prodigiosa velocidade de leitura e assimilação?

Pois é, não é surdo — ou surda, claro! — quem quer...

Ditoso e magnífico país este, de preços em 9.
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* A despropósito, já cumpriu o seu dever diário de hoje?
Aiaiaiai, temos a burra nas couves.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Dizer*

Olá a todas e a todos.**
Dizerem primeiro lugar que os legumes e a fruta que o senhor Serafim Garcia — toda a gente o conhece aqui por "o Garcia da horta" — vende na praça é ele quem os cultiva na sua courela. Mas em tempo de pandemia isso será pouco relevante.
Dizer* ainda que a um licenciado em Medicina, com prática clínica pública e privada em Leiria, deputado da nação, hoje em altas funções governativas,  deveriam exigir-se, no mínimo, conhecimentos básicos da história da medicina caseira
- «dizer* que ... nenhum doente que entre ou esteja no hospital Garcia da Horta ficará sem lugar para onde ir»
- «lembro-me da transferência de doentes do Garcia da Horta para o médio Tejo.»

Dizer* em suma: por um secretário de Estado da Saúde que além da sintaxe tosca ignora e trata desleixadamente o epónimo do maior hospital da margem sul do Tejo, sem prejuízo de ser bom ortopedista, só pode ter-se consideração diminuída.

Lembremo-nos de Abel Salazar...
Pois bem, o médico Lacerda Sales nem das próprias coisas médicas parece saber assim tanto.
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terça-feira, 11 de agosto de 2020

Surto de psitacismo na SIC com mortes a lamentar

Em notícias de mortes costuma-se dizer, sem qualquer declinação sentimental do jornalista, o que me parece bem,
Naufrágio com três mortes... Sete mortos na explosão... Um morto em combate... Nove mortos no tiroteio...  Vinte e cinco mortos no descarrilamento...  Três mil mortos de gripe... Várias mortes com causas desconhecidas... Outras tantas por falência múltipla de órgãos..., etc.,
já que, como informou Jorge de Sena, directamente de Itália em 01.Abr.1961, «de morte natural nunca ninguém morreu».
Era assim até à vinda da pandemia, governava há quatro anos e meio a propaganda mais assanhada de que na democracia há memória, rebocada pelo brâmane do tempo novo.
Sucede que a retórica do ministério determinou que todas as mortes por covid-19 fossem institucional e invariavelmente lamentadas, e a moléstia pegou-se de tal maneira que nem os pivôs da SIC escaparam, desatando todos a lamentá-las também.

Amostra fresca. 
Governo do PS
Jamília Madeira, secretária de Estado Adjunta e da Saúde- Infelizmente, cabe-nos também lamentar a perda de mais uma vida [ela diz pèrda*] para esta doença...**  05.Ago.2020
António Sales, secretário de Estado da Saúde, que começa sempre pelo canónico peçonhento «Boa tarde a todas e a todos»- Temos ainda um total de 1746 óbitos que muito lamentamos.**  07.Ago.2020
António Sales, secretário de Estado da Saúde [mudou de gravata]- Temos ainda um acumulado de 1759 óbitos que muito lamentamos.**  10.Ago.2020
Veremos como amanhã irá falar Marta Temido, ministra [Em tempo]: Adicionalmente, importa referir que se verificaram três óbitos que se lamentam.**  12.Ago.2020

SIC do Balsemão
Ana Patrícia Carvalho- No entanto, há a lamentar mais uma vítima mortal...  05.Ago.2020
Miguel Ribeiro- Há, como disse, a lamentar quatro mortes...  08.Ago.2020
Ana Freitas- A lamentar, mortes há duas, hoje...  11.Ago.2020
Ana Freitas, não fosse termo-nos esquecido- E há, então, mais duas mortes a lamentar.  11.Ago.2020
Rosa Oliveira Pinto- Há também a lamentar duas vítimas mortais.  11.Ago.2020
Rodrigo Guedes de Carvalho- Há a lamentar mais duas mortes...  11.Ago.2020

Por que estranha e selectiva discriminação não se lamentam na SIC as mortes de todas as etiologias?
Ridículos.
Jornalismo servil, mimético, lamentável.
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**  Importa referir adicionalmente que o senhor secretário de Estado é o único que lamenta «muito». A Jamília e a própria Marta apenas lamentam, assim se comprovando — sempre desconfiei disso — que os homens são muito mais sensíveis do que as mulheres.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

«Melhor ministro das Finanças de sempre»?

Com o semblante ortorrômbico e o sorriso trapezoidal que a distinguem, a doutora Ana Catarina Mendes, diligente turiferária de António Costa e presidente de turno do grupo parlamentar do Partido Socialista, resumindo a História e reduzindo a incorpóreas insignificâncias os nomes de, sei lá, Fontes Pereira de Melo, António de Oliveira Salazar, Hernâni Lopes ou António Sousa Franco, proclamou ontem, urbi et orbi, Mário Centeno como «o melhor ministro das Finanças de sempre».

Tendo presente que Centeno não nos informou de uma única razão para se demitir, tendo presente que será mesmo o melhor e está de boa saúde, tendo presente que é no contexto excepcionalmente crítico e difícil que vivemos que tão superior capacidade mais falta fará na governação do erário, mas não tendo presente a cenoura obscena de que toda a gente sabe*, pelos vistos menos ele, trago a etimologia da palavra «ministro» para achar que o doutor Mário Centeno, presuntivo e abnegado servidor da República, vale um peido. Cínico e hipócrita como os demais ... benfiquistas pasmados, algarvios** e outros.
Cumpridos cinco anos e meio de «contas certas» de que repetidamente se ufana, e nós agradecemos, ainda não afasto a possibilidade de o cagão Mário Centeno configurar de facto «um brilhante bluff»... 

«Obrigada, professor Mário Centeno, por todo o trabalho que fez, em nome de Portugal, pelos portugueses e pelas portuguesas.***»
Esta gente não presta.

Adenda
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Concordo com Luís Aguiar-Conraria.

** Por via de dúvidas preconceituosas, informo que sou pai de duas maravilhosas meninas que muito amo, Carolina e Júlia, netas de algarvios. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Fina flor - pressão, interferência

Ontem, 03.Dez.2019, acompanhei com atenção miudinha as audições de gente da RTP, na Comissão Parlamentar de Cultura e Comunicação, acerca do adiamento forçado, de antes para depois das eleições legislativas de 06.Out.2019, do programa "Sexta às 9", transmitido em 18.Out.2019, em que se apuravam umas merdas com governantes e compinchas de governantes em torno do negócio do lítio transmontano.

As explicações desassombradas de Sandra Felgueiras, autora do programa, cimentaram a minha convicção de que
- quem ditou o adiamento sem razão expressa plausível foi a direcção de Maria Flor Pedroso, de resto no uso inquestionável do seu poder;
- o que ditou o adiamento foi a inconveniência política, com adivinháveis estragos nas ambições eleitorais do PS se o programa fosse transmitido em altura pré-eleitoral.

Depois de Sandra Felgueiras foi a vez de Maria Flor Pedroso:
«[...] Eu trabalho no jornalismo político há 26 anos. [...] O jornalismo político é um jornalismo em que nós somos pressionados constantemente por fontes várias. Interferência?! Seria coisa que eu jamais toleraria. [...] Interferência? acho que é quase insultuoso para mim ouvir essa pergunta.* [...]»

Nos últimos 25 anos, em que venho seguindo na rádio e na televisão o trabalho jornalístico de Maria Flor Pedroso, mantive apreço por ela. Até ontem, em que insultou a inteligência de quem a escutava. Vá ver se chove. Aqui é sempre.

Maria Antónia Palla, mãe de António Costa, nascido em 1961, casou em 1974, em terceiras núpcias, com o coronel do Exército Manuel Pedroso Marques, irmão do tenente da Marinha Victor Marques Pedroso — temos os nomes trocados —, falecido em 1969, pai de Maria Flor Pedroso. Não faltam motivos para que a sobrinha do padrasto de António Costa, nascida em 1964, directora de Informação da RTP desde Outubro de 2018, se dê afectuosamente com o primeiro-ministro; e não é pecado.
Já São José Almeida, redactora principal no Público, contara em 24.Nov.2014, na ramalhuda "Árvore de António Costa", que foi Maria Flor Pedroso quem chamou a atenção de António Costa para o repelente Pedro Silva Pereira que haveria de ser apresentado por AC ao grão-trafulha José Sócrates.
Nada de mal, tudo natural, o mundo é uma ervilha. Todavia, confesso que quando as audições de ontem terminaram tive de pôr as janelas em corrente de ar tais eram os eflúvios do «caldeirão de incestuosa imundície» de que aqui falei.  **

Entretanto, o Eremita lança-me repto jocoso: "Deus, Ventura e a gramática".
Caro Eremita, eu é mais gamártica. De qualquer modo, a prosa soa indigesta, com maiúsculas a mais e uma exclamação estapafúrdia. Quanto à concordância nas enumerações de géneros diferenciados — acho piada e cabimento aos 201 gatos incluindo o cão, de Edite Prada —, pedisse o doutor Ventura ajuda à doutora Joacine e ela, mulher de amor, decerto o livraria do embaraço: «o discernimento, a lucidez e a força necessári@s» e não se falava mais nisso. No mais, quero que o Chega se foda.
Abraço retribuído.
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* Afinal, até no papel de singelo e eterno aprendiz que o acaso me atribuiu também eu vivo sujeito a pressão permanente, desde logo a arterial, e, sendo certo que não tomo nenhuma decisão sem que o meu pensamento e o meu sangue interfiram, jamais toleraria que, por exemplo, o querido primo Franquelim interferisse de fora no presente que lhe vou dar no Natal. Nem ele precisa de interferir nem eu preciso de que ele interfira: sei do que ele gosta, sei o que o pode desgostar, o coração não se engana e o pensamento ... concorda.

**
Amigo Plúvio, como é que sabe tantas coisas da vida das pessoas?
Passo o tempo a revolver ecopontos e homo sum, humani nihil a me alienum puto. Mas não fui eu, não pense, que encontrei o filho da Sara. Não quero complicações com o Marcelo e até se me arrepiava o timo se me pusessem um microfone da CMTV à frente...
Cuscar sobre a vida das pessoas tem algum interesse?
Depende. Por exemplo, estive para contar que Maria Flor Pedroso é casada com o grandíssimo artista Henrique Cayatte — tenho falado dele —, mas isso não interessava nada.
Concordo.
Concorda com quê?
Com Henrique Cayatte ser um dos melhores designers portugueses e com pouco interessar que viva com Maria Flor Pedroso. Mas já agora, amigo Plúvio, porque se esconde tanto, porque conta tão pouco de si?
Começo a ficar careca de me contar.
Fogo, amigo Plúvio, também não era preciso tanto.
Falta o telemóvel. Para isso vá ao 1820.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Sara atirou o filho ao lixo

Até ao momento li cerca de 48 artigos acerca do crime em epígrafe; mais bem dito, acerca do crime em título li até ao momento cerca de 48 artigos.
É munido de tal autoridade que assevero aos meus amáveis leitores, isto é, a@s m@s amáveis leitor@s, perdão!, ax mx amáveis leitorx, ou seja, ax@s m@xs amáveis leitorx@s, por outras palavras, x@x@ @xx@@x amáveis @@x@x@xx@x e os tomates a 7, que o melhor texto é este:

Subscrevo inteiramente, o que inclui a parte triste do presidente-arlequim e a patética parte da ministra preta.

sábado, 16 de novembro de 2019

Incluindo o casamento pela Igreja e o rezar escorreito, tudo em Joacine soa a contrabando ideológico recauchutado

Declaração prévia
Eu, Plúvio, incapaz de me pensar, bem como à sociedade a que pertenço, fora do paternalismo colonialista em que o Estado Novo me formatou a história, o quotidiano, a imaginação e o desejo, declaro-me farto até ao vómito de tanta «responsabilidade cidadã» e de tanta «linguagem do ódio».
Vamos a isto.

Um dos textos em que nos últimos tempos me pareceu, linha a linha, exemplo a exemplo, ressumar maior e mais objectiva desonestidade foi o da prosélita professora Susana Peralta,  "A gaguez de Joacine e a pequenez do nosso espaço público", no Público de 08.Nov.2019.
No Público de ontem, 15.Nov.2019, Bárbara Reis, não deixando de me surpreender, vem estribar com argumentação poderosa a minha repulsa de uma semana atrás: "Churchill e Joe Biden são gagos? A ideologia pode cegar".
Ai cega, cega!

Não separe o homem o que Deus uniu... Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco... 
«[...] Joacine é divorciada e tem uma filha de três anos, Anaís Leonor. Primeiro, casou-se na conservatória com o ex-marido. Depois casou pela Igreja. 'Para irritação das minhas amigas feministas, digo que preciso de alguma incoerência na minha vida' [...] Ainda hoje, se rezar uma ave-maria, como fez à nossa frente, as palavras saem-lhe escorreitas sem qualquer tipo de hesitações. Não sabe explicar porquê mas não gagueja quando reza.»
- Octávio Lousada Oliveira/Sílvia Caneco, "A mulher que até os colegas de partido irrita" | Visão, 14.Nov.2019
Caso para sugerir que, em vez de falar, ó mulher, reze no hemiciclo! 

Joacine e o ódio
«[...] Nunca respondi com ódio a comentários de ódio, nem com ansiedade, nem com raiva, às vezes até sou irónica. O que verdadeiramente me incomoda são estes artigos mascarados de análises. Houve um ordinário que até meteu a minha gaguez no artigo, e era um indivíduo que eu respeitava*. Isto é incitamento ao ódio. É abrir a torneira da intolerância, do racismo, da xenofobia, da discriminação. A ironia é que muitas destas pessoas são antifascistas. [...]»
- Joacine Katar Moreira entrevistada por Carolina Reis, "Há intelectuais a legitimar o ódio" | Expresso, 09.Nov.2019 
Sorte a de Ferreira Fernandes em não ser mimoseado com «um fascista ordinário». Esteve por um triz.

Joacine e o amor
«[...] Eu iniciaria** ... Eu iria iniciar** ...  Política sem amor é comércio. [...]»
Apetece informar a amorosa doutora Joacine de que «O amor é de outras leis». Desde logo, na lei fundamental da República Portuguesa não ocorre senão uma muito sumida vez, a quatro artigos do fim [alínea b) do n.º 1 do artigo 293.º], na «amortização da dívida pública».  

«[...] os insultos que se sucedem, desde então, mostram que muitos são incapazes de se pensar e à sua sociedade fora do paternalismo colonialista em que o Estado Novo formatou história e quotidiano, imaginação e desejo. [...]
Xs signatárixs***, de vários quadrantes da vida cultural, social, académica e política, declaram solidariedade com a deputada Joacine Katar Moreira e apelam ao sentido de responsabilidade cidadã dos portugueses e das instituições públicas, para que não deixem impor-se a linguagem do ódio e da desconfiança onde deve apenas haver lugar para a vigilância crítica, o debate aberto e a vontade de ir mais longe na construção de um futuro melhor para todxs***
No momento desta publicação, ia em 314 signatários, arcanjos do costume mobilizados contra o Mal, entre os quais, mais do que previsivelmente, "Susana Peralta - professora de economia" e, obrigatoriamente, Boaventura de Sousa Santos, Mamadou Ba e Flávio Almada, um dos seis gentis «jovens da Cova da Moura»

Quase a despropósito,
«[...] O que acontece é que se tornou uma obrigação comercial, e de marketing, que todos os cantores, escritores, misses, influencers e demais figuras públicas, tenham de fazer uma declaração sobre o apocalipse e a maneira de nos salvarmos todos e sermos boas pessoas.
Daqui a um ano não há cantor, actriz, ou parvinho, que não seja vegetariano, devoto de Santa Greta, apaixonado pela "sustentabilidade", a favor da mudança de género, especialista em ozono, devorador de tofu, praticante de biodança e amigo das iguanas.
A banalização do mal é um dos horrores da nossa história – mas a "banalização do bem" desvaloriza-nos a todos.»
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* Ferreira Fernandes, "À espera de Joacine, a deputada" | DN, 02.Nov.2019

** Apesar de novato nestas lides, o duende político de Joacine Katar Moreira pede meças à retórica gelatinosa, como a de Marcelo Rebelo de Sousa ou de Luís Marques Mendes. Imbatíveis no modo condicional, enunciam como quem pega de cernelha: nunca dizem, diriam; nunca vão, iriam. [A propósito, Victor Bandarra, "A epidemia dos narizes de cera" | CM, 10.Nov.2019] No mais — e tenho procurado escalpelizar as intervenções públicas (textos, entrevistas, discursos) da lusoguineense —, Joacine Katar Moreira não passa de uma actriz política de pacotilha, não menos demagoga nem mais respeitável do que o doutor André Ventura, replicadora de bovinidades ultragastas e, pior, gárgula escorrente de repertório autoritário, arrogante e moralista. Por exemplo, reparo que nunca gagueja em «obviamente», advérbio que lhe é muito caro.

*** Sic. Se o ridículo matasse...

domingo, 3 de novembro de 2019

Novilíngua assustada

Vejamos:
  • "Grupo de 20 maoris, em excursão pela Europa, esgotou as pastilhas de mebocaína nas farmácias de Aveiro"
  • "Grupo de 20 vândalos britânicos embriagados entornou 100 caixotes do lixo em Albufeira"
  • "Grupo de 20 índios incendiou a embaixada de Portugal"
  • "Grupo de 20 maometanos radicalizados escavacou os crucifixos da Sé de Lisboa"*
  • "Grupo de 20 mamadubás, infiltrado por uma maviosa joacine, passou a noite em vigília de oração e louvor aos pés da estátua do Padre António Vieira"
  • "Bombeiros de Borba** Agredidos - Grupo de 20 pessoas partiu o vidro das instalações e forçou entrada"
  • "Grupo de 20 paralíticos berberes esvoaçou esta manhã nos céus do Gerês"
  • "Grupo de 20 rosamotas enfurecidas atacou com gás mostarda o dono e o gerente de uma cervejaria"*** 
Dos oito títulos noticiosos supra só não se entende inteiramente o de Borba, recorrente ao longo do dia de ontem nos oráculos da TVI24. Ouvi com atenção o testemunho de três dos quatro voluntários que estavam de serviço na madrugada do ataque; escutei atentamente o ministro Cabrita; acompanhei vigilante a vó zofe da jornalista da TVI. Fui dormir sem que no discurso de ninguém surgisse a palavra indispensável à compreensão cabal da refrega alentejana. 
Esta manhã, depois de pôr em dia António GuerreiroÁlvaro Domingues, Pedro Mexia,  Ana Cristina Leonardo, Jorge Calado, Afonso de MeloAntónio Araújo, João Lopes, Maria do Rosário Pedreira e Rogério Casanova, **** fui à procura no infecto Correio da Manhã — onde escrevem, entre outros, José Rentes de Carvalho, Rui Zink, Rui Pereira, Francisco José Viegas, José Jorge Letria, Fernando Ilharco, Maria Filomena Mónica, Marcos Perestrello, Mário Nogueira, António Rego, Adolfo Luxúria Canibal, João Pereira Coutinho, Joana Amaral Dias, Eduardo Cintra Torres..., mas jamais os imaculados impolutos assépticos Daniel Oliveira, Valupi, Inês Pedrosa ou Pedro Marques Lopes —, a ver se relatava o sucedido de maneira verosímil e entendível. Mas tá quieto, ó preto. Quando nem o CM elucida a notícia, qualquer coisa séria se passa. A mim cheira-me a proibição dos médicos.
Não conformado, prossegui na demanda. Nada difícil, de resto: ao primeiro toque no Campanário, fez-se-me a luz de que suspeitava.

Concluindo, moro num país onde os mastins da irreplegível Censura Moral Pretoriana do Politicamente Correcto são prontamente açulados contra quem ouse pensar, dizer ou escrever em público coisa tão simples, compreensível e objectiva como, por exemplo, «Grupo de 20 ciganos partiu o vidro das instalações e forçou a entrada».
Estamos fodidos. Não que os ciganos não sejam pessoas antes do mais, que são; mas também são nobre e garbosamente ciganos, e isso às vezes pode contar muito num jornal, nas declarações dum ministro, na boca dum bombeiro ou num rodapé da televisão.

Tentarei no verbete seguinte mostrar que, apesar de tudo, a humanidade não está irremediavelmente perdida. 
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* Soam-me bem os bês de bombeiros de borba.
** Esta até a activista ateia anticonfessional, salvo quanto a São Manel, Fernanda Câncio publicaria, com prazer e sem espinhas, tanto mais que mora perto.
*** Para que aprendam a não vender apenas Super Bock.
**** Se isto não é Plúvio a gabar-se, que xaropada de neimedroping é esta?

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A prosa manca da doutora Isabel Moreira

A náufraga Visão de hoje traz uma página de propaganda a Fernando Medina assinada por Isabel Moreira. Entre outras coisas a articulista diz as seguintes, previsíveis nela mas tontas sempre:

«Lisboa pode provar que a inclusão de todas e de todos beneficia a cidade»

«Um candidato ou uma candidata à CML não pode ser desligado* da sua filiação partidária»

«Há quatro anos, os lisboetas e as lisboetas eram mais pobres»

«todas e todos assistimos à aposta na reabilitação urbana»

Revelando, porém, uma incongruência estilística assustadora, a azougada parlamentar do PS, jurista, Mestre em Direito Constitucional, ex-professora universitária, profere no mesmo reclame ao alMedina da mesquita as seguintes inesperadas atrocidades:

«os pagamentos aos fornecedores»,  no lugar de «pagamentos às fornecedoras e aos fornecedores»

«temos mais de 300 mil idosos», no lugar de «temos mais de 300 mil idosas e idosos»

«escolas dos nossos filhos», no lugar de «escolas das nossas filhas e dos nossos filhos»

«Ganham os senhorios», no lugar de «Ganham as senhorias e os senhorios»


Tenham paciência mas não posso deixar de denunciar publicamente estes desvarios de lesa-antropologia e de vil atropelo ao asseio gramatical por parte de representantes do povo eleitos num Estado de direito democrático.
De resto, Isabel Moreira não é virgem. Nestas patifarias na Visão, digo.
Para que conste.

Se o ridículo matasse...
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* «não podem ser desligados», s.f.f.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Idiossincrasia da combustão

Por razões de segurança esta chamada vai ser gravada.
- Boa noite. É dos fogos?
Florestal, fátuo e de santelmo, marque zero; pirotécnico e de artifício, marque umjeitomanso; circo, marque marcelo; outros, markzuckerberg
- Boa noite, o meu nome é hipocorístico mas pode tratar-me por Elisabete Vil de Moinhos sem acento. Em que posso ser-lhe útil?
- Boa noite, Betty, desculpe, por acaso tem uma frente activa que me dispense?
- Vem buscar ou quer que leve a casa?
- Pode ser, obrigado. Já agora, desculpe, quantos operacionais no terreno têm?
- Cerca de 344. Mas se precisar de meios aéreos, podemos fazer uma atençãozinha...
- E lavra bem?
- Desculpe. Lavra quem, o quê?
- O fogo. Pergunto que tal lavra ele.
- Meu caro senhor,
do melhor que há no mercado,
quais charruas, qual tractor,
quais bois, qual arado!?
- Então pode trazer-me um com a frente activa.
- Juntos ou em separado?
- Se, parando, não vier a polícia, pode ser juntos.
- Bombeiras e bombeiros, se quiser, temos uma promoção...
- Foda-se, Betty, não me dilga que também é da iga.
- Quer-me parecer que quis dizer diga que também é da ilga. Em qualquer caso, desculpe, sou apenas simplesmente correcta.
- Politicamente correcta, terá querido dizer.
- Ou isso.
A1 cortada na Mealhada, teatro de operações em curso.


- Sim, quem fala? 
- Betty. Desculpe, desde há bocadinho. Fiquei a pensar... Você por acaso não é o Plúvio?
- Ai o caralho. Como descobriu?
- Pela pronúncia e por como virgula

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Gusón Benítez, investigador da reprodução do touro bravo por partenogénese e da cravagem de bandarilhas sem mãos


Deparou-se-me no Público de anteontem, 31.Jul.2017, a cara risonha de uma luso-palestina em que nunca antes reparara.
Julgo tratar-se da primeira página de opinião que Shahd Wadi assina no diário de Belmiro de Azevedo, de David Dinis (medíocre), do Bloco de Esquerda e do "fervor em manobras" em geral; de há muito a esta parte o melhor diário português, que compro e leio, sem falhas, desde o começo em 05.Mar.1990, e vai para 15 anos assino. Deus guarde e conserve, muito mais do que ao Amorim, o senhor engenheiro Belmiro.

"O que aconteceu em Jerusalém?" abre assim: «Milhares de palestinianos e palestinianas* encheram as ruas de Jerusalém na sexta-feira passada».
Cheirou-me logo a esturro, mas resisti até ao fim. Na única ocorrência do adjectivo «extremista» e na única ocorrência do adjectivo «terrorista» era a dois judeus que a doutora Shahd se referia. Só depois de saber o que entretanto apurei, percebi que lhe estaria geneticamente vedado escrever «assassínio de dois agentes de polícia» em vez do que escreveu, «morte de dois agentes de polícia».
Enfim, sinais mais do que bastantes para não me resignar à etiqueta sumária, neutra, com que o Público introduzia a articulista — «Investigadora em Assuntos Palestinianos e Feministas» — e ter de ir googlar a criatura.
É certo que o Público não mente mas poderia ter ajudado o leitor a entender melhor o que iria ler, e ao que vinha a autora, ainda por cima sendo a primeira vez, se a tivesse apresentado assim, mais coisa menos coisa: «Feminista e activista da causa palestina, candidata pelo Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu em 2014».
É que "investigadora das causas" não tem de, necessariamente, ser "praticante das causas". A maioria das vezes, aliás, não será.
Por outras palavras, os "fervorosos" do Público sabem muito e não andam a pé... 

A propósito e antes de que me esqueça, Gusón Benítez não é campino nem toureiro. Trata-se de um simples cientista.

Pesquisando sobre Shahd Wadi, dá-se com ela, entre variadas paragens mais ou menos recomendáveis ao asseio mental, aqui e aqui
Incluo-me nos que intuem insanável, desde o início e pelos milénios fora enquanto esta merda não estoira de vez, a desavença entre os netos e os terabisnetos de Abraão. 
Na parte genealógica que me toca nauseia-me o bedum mas a ter de ser por um lado serei, sem alternativa, por Israel. Já os palestinos são, como se sabe, malta meiguinha, inofensiva, civilizada, democrata e fixe, sempre por Alá. Mas também há por cá. No Público, por coincidência — coincidência com quê, Plúvio? — o mais aguerrido bastião antitourada entre os grandes órgãos da imprensa nacional, adoram-nos.
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* Se o ridículo matasse … 

Por exemplo, Isabel Moreira. 

Concedendo à irrequieta colunista da Visão que frases como 
«Sendo evidente que todas e todos queremos cuidados paliativos de qualidade e abrangentes», 
«o seu compromisso não é com os valores da Constituição laica que dá a cada uma e a cada um a possibilidade de fazer as mais íntimas escolhas pessoais»
ou 
«ignorando a autonomia de cada uma e de cada um para encher de sentido o conceito de "valor da nossa própria vida"», 
constituem padrão aceitável de redacção — t'arrenego! —, então tem de se admitir que a senhora deputada do PS, jurista, Mestre em Direito Constitucionalex-professora universitária, é uma deficiente a escrever.

Assim, onde na crónica em apreço  escreveu …,  deveria ter escrito … :

sessão legislativa sobre os direitos dos doentes em fim de vida / 
sessão legislativa sobre os direitos das doentes e dos doentes em fim de vida

Transcreve para um diploma todos os direitos dos doentes em fim de vida que já se encontra consagrados / 
Transcreve para um diploma todos os direitos das doentes e dos doentes em fim de vida que já se encontram consagrados 

única alternativa do doente / 
única alternativa da doente e do doente 

impor um único modelo de cidadão / 
impor um único modelo de cidadã e de cidadão 

os democratas-cristãos sabem por todos o que é melhor para todos / 
as democratas-cristãs e os democratas-cristãos sabem por todas e por todos o que é melhor para todas e para todos 

dom de Deus à imagem do qual fomos criados / 
dom de Deus à imagem do qual fomos criadas e criados 

argumentos que têm a humanidade de descerem à terra / 
argumentos que têm a humanidade de descer à terra 
Uf!


Por exemplo, Sandra Cunha, deputada BEata.
«Um Estado democrático tem de garantir a igualdade de direitos a todos e a todas»

«Mais de 67% das pessoas não revelam a sua orientação sexual** no trabalho» 
Oh admirável e BEndita precisão

Se o ridículo matasse
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** Como se qualquer "orientação sexual" não fosse, per se, uma desorientação...