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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Uma pessoa que existe

Apaniguada do Bloco de Esquerda, devota do leninismo-trotskismo da IV Internacional, causídica da religião Lux-Frágil e guardiã de seus ofícios, viúva perene do Manel, iniciou ontem no Público, com fanfarra e êxtase da seita salivante de bajuladores e seguidores, na caixa de comentários do jornal e no Twitter, a sua 'sementeira de alfarroba'.
Loira, consta que bonita. Ela concordará.
Formada em Direito ... na Universidade Católica? Não surpreende. Muitos licenciados ateus de renome, como Ricardo Araújo Pereira ou o próprio Posaconazol, vêm de lá. Mistérios da educação, talvez.

Dera pela sua existência em 2016, mas foi em 2021, com o assento no comentariado da TVI e no 'online' do Expresso, que emergiu com protagonismo regular no palco mediático nacional.
Daí para cá, existe que farta:
- logo a abrir, no Público, em "A esquerda radical", 7 'existências' gárrulas contra 1 tímido 'haver'.
Depois, incapaz de uma beliscadela, uma que seja, na medula responsabilizável do Bloco de Esquerda, que perdeu 74% dos deputados que elegera em 2019, ou na estratégia responsabilizável do PCP, que perdeu 50% do grupo parlamentar eleito em 2019, tem o desplante de se lhes referir como «partidos que aparentemente perderam as eleições». Perderam lá agora!

- na despedida do Expresso, "Sunday Bloody Sunday", 6 'existências' contra 4 'haveres'; e um solecismo sintáctico, «A música costuma ser boa companhia mesmo que seja uma que não se goste muito».
«uma de que não se goste muito», s.f.f.
«é altura de felicitar o novo governo, de desejar e exigir que faça um bom trabalho e que dialogue de facto com os partidos à sua esquerda. A geringonça nasceu da sua vontade, a maioria absoluta do seu sacrifício. O domingo foi sangrento.»
É preciso lata! Suspeito de que até a sensibilidade dos calhaus impediria a comparação de uma contenda eleitoral pacífica e as adivinháveis perdas das candidaturas comunistas com a chacina de 22.Jan.1905 em São Petersburgo e o morticínio de 30.Jan.1972 em Derry, legendada com a canção alusiva dos U2.
Domingo sangrento, senhora doutora? Pelo amor de Deus, haja respeito pelo sangue derramado e asseio nas equivalências!
Mas tenho de admitir que uma esquerdófila e BEata alucinada, existindo em demasia, possa ser acometida de dor em tal excruciante grau por causa de uma tareia galáctica do eleitorado no Bloco da sua afeição...
- n' "O regresso dos Talibãs" só pode ter-se distraído - 6 parcas 'existências' contra 10 honrosos 'haveres'. Mas o pior foi isto:
«Existe um consenso público relativamente à maldade dos Talibãs e é transversal da esquerda à direita, das mulheres aos homens. Esse consenso só conhece dissonâncias quando alguma esquerda se refere aos Talibãs como sendo extrema-direita ou quando surge a questão do acolhimento a refugiados ou a da análise da oportunidade e do mérito da intervenção dos Estados Unidos. Várias razões impedem-me de participar no consenso.»*
//
No serão de 25 para 26.Jul.2021, segunda-feira, esquadrinhei a intervenção na TVI24 desta pessoa que existe no debate acerca de Otelo Saraiva de Carvalho, falecido nesse domingo. **
Defendeu acerrimamente OSC, não lhe reconhecendo a menor mácula. O fascínio vem de longe. Apreciem-se os dois beijos repenicados — Tribunal da Boa Hora, 06.Abr.2001 —  da loirinha estagiária no rosto de um instigador moral de homicídios avulsos...

Disse ela:
- «É assim, as pessoas são humanas e ainda bem que o são»
As pessoas são humanas, ena! Finalmente alguém nos abre os olhos. Com a antropomorfização em curso da bicheza a gente já duvida de tudo, incluindo de os humanos serem pessoas... 

- «Ramalho Eanes … pessoa que interviu tão fortemente nos destinos de Portugal»
Repare-se na categoria da dupla chicuelina subtil com que Rogério Alves lhe templou a barbaridade linguística.
interveio, advogada burra!

E como ela existiu, senhores! ...
- «exista uma análise muito mais aprofundada ... as vítimas existiram, existiram em Portugal ... as conversas que existiram hoje nas televisões sobre o Otelo ... não tinha existido prova gravada ... a extrema direita que continua a existir ... talvez exista aqui alguma confusão ... quando existe a condecoração, eu diria que ...» 
//
Chamei-lhe lá atrás «viúva perene do Manel». Juro que não invento:
«Eu faço parte de um grupo que pensa no Manel todos os dias. [...]
Tem existido um silêncioTem existido um silêncio à volta de tudo o que tem a ver com o Manel…»

«Há ali uns acòrdos tácitos»
Convenhamos que não fica bem a uma jurista desconhecer a pronúncia de acordos.

Recheio completo:
“Da advocacia à Serra do Caldeirão, com ..." Uma pessoa que existe.
- Ó doutor Plúvio, garanta-nos cá que toda essa embirração com Uma pessoa que existe não advém da simpatia que começou por devotar ao marido...
__________________________________________
* «É claro que existia um objectivo que tinha a ver com os Estados Unidos assegurarem a segurança do seu território e acho que mais do que isso existia também uma obrigação de os Estados Unidos passarem uma mensagem mundial de força depois do ataque do 11 de Setembro que foi o ataque no coração onde morreram milhares — três mil são milhares sempre — de mártires e foi uma, mais do que  um ataque bélico, foi também uma ofensa e um ataque a que os estadunidenses tiveram que reagir da maneira que reagiram. E depois, vamos lá ver, havia o objectivo, esse que foi anunciado e estabelecido, de acabar com as bases da Al-Kaeda e com o Bin Laden, claro que sim. Agora, esse era o objectivo. Qualquer generosidade que nós queiramos trazer àquela intervenção militar... Aliás, se nos depararmos um bocadinho como é que ela é feita, ela é feita inicialmente com bombardeios aéreos. Isto significa, foi o que aconteceu de facto, foi a morte de milhares de civis. Quando estavam em Janeiro de 2002, já existia uma contagem de cinco mil baixas civis, no mínimo, no primeiro relatório oficial que foi feito. E vamos lá ver, qual é a diferença? Eu não estou a falar de talibãs, não estou a falar de lutadores, estou a falar de quem estava nas suas vidas no Afeganistão, um país totalmente destruído, totalmente massacrado por guerras sucessivas. Qual é a diferença entre aqueles civis, aqueles mártires, e os que estavam no 11 de Setembro? Estas pessoas morreram ao longo de anos e eu não vejo que alguém se tenha preocupado com a sua vida. Em relação a direitos humanos queria dizer-lhe o seguinte... [bebe, mulher, bebe!...]»
Note-se como a comentadora sorri na 'morte dos mártires americanos' e se compunge na 'morte dos mártires afegãos'. Esta gente não engana: odeia os EUA e compara o incomparável. 
Se Uma pessoa que existe tão intensamente acha que não há, perdão, existe diferença entre as mortes do 11 de Setembro e as mortes colaterais na expurga territorial do terrorismo islâmico, perdoe-me que lho diga mas não passará de consumada idiota.

** Pedro Adão e Silva filmou no velório. Comovente.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Legislativas de 30.Jan.2022 - Resultado

Aviso
42 links.
Favor clicar sem luvas.

Portugal, domingo, 30.Jan.2022
11h00
Hábitos apalhaçados e cidadãmente pouco recomendáveis do arlequim.
Por falar nele, ou me engano muito ou, na nova conjuntura, Marcelo Rebelo de Sousa tenderá nos próximos quatro anos para uma espécie de corta-fitas, diferenciando-se do Cabeça de Abóbora em pouco mais do que no talento e no frenesim. Não acrescentei na natação por me lembrar de que o outro era almirante. Mas vendo bem, Marcelo é seguramente melhor nadador já que o outro, homem da Marinha, nem precisava de saber nadar. Afinal, para que servem os barcos?

19h54
Fico a saber que o biólogo sportinguista Vasco M. Barreto, por quem nutro antiga admiração e com quem tenho afinidades avulsas, desde logo na música, possui uma presumível cadela Olívia. Confessando certo e inesperado desapontamento, aposto em que nenhuma sua amiga próxima, parente até ao 4.º grau da linha recta ou 3.º da colateral, ou nenhuma pessoa que ele verdadeiramente estime, se chama Olívia. Olívia na minha terra é nome de mulher, por sinal, bem bonito.
Amigo dos animais tem as suas lérias...
Bem sei, sou um humanista radical. Vá, ria.   

20h00

//
Resultado
22h10
Jerónimo de Sousa, titubeante, lendo: «O resultado obtido nas eleições de 30 de Janeiro de 2022 traduz uma queda eleitoral com significativa perda de deputados, incluindo a representação institucional do PEV. Um resultado que, ficando aquém do trabalho realizado e do notável contributo ..., representa um elemento negativo no plano da vida nacional.»
Caras trágicas do serão: Jerónimo e José, não eleito, inquilino de S. Bento desde a idade média.

22h30
Catarina Martins, sob jubiloso aplauso: «O resultado do Bloco de Esquerda é um mau resultado, é uma derrota, e neste partido encaramos as dificuldades tal como elas são. ... É por isso um dia difícil e um mau resultado com que saberemos viver ... Este é também um mau resultado por causa do resultado que teve a extrema-direita e o Chega, e devemos abordar isso também com clareza. É verdade que o Chega fica aquém do que teve André Ventura nas eleições presidenciais.*»
Catarina não aprendeu nada com o resultado radiante de Marisa Matias em 24.Jan.2021.
Na configuração anterior no hemiciclo, duas Mortáguas entre 19 BEatos ainda vá que não vá; a sororidade passava diluída. Doravante, com duas gémeas entre cinco BEatos, 40% da bancada, convenhamos que aquilo fica um bocado deprimente, consaguinidade excessiva. 
* Que desplante, que desonestidade, doutora Catarina Martins! Avalie bem as suas e as perdas de AV e, por favor, não compare o incomparável. Ou quer que volte às presidenciais de Marisa? Fixe-se nas legislativas, seja asseada.

23h15
Rui Rio: «Toda a gente que me conhece sabe que é importante isto que eu vou dizer. Nós ficámos com um resultado eleitoral substancialmente abaixo daquilo que pensávamos que íamos ter.»

Rente à meia noite
Rui Tavares, 'esquerda verde europeia no parlamento português', em abaritonado Lá bemol maior: «Bem unidos façamos esta luta final, uma terra sem amos, A Internacional!»
RT, insisto, não engana. Mais bem dito, engana e não é pouco. Vejamos:
Que credibilidade pode inspirar este doutor bem-falante, sabedor e muito articulado — como os devotos urbanos usam referir-se-lhe — se, até no próprio hino em que se lhe subsume a alma, troca o correcto «nesta» pelo disparatado e sem  sentido «esta»?...

00h35, 31.Jan.2022
Francisco Rodrigues dos Santos: «Sobre o resultado eleitoral desta noite, ele é mau em dois sentidos, é mau porque confirma o caminho do socialismo para Portugal»

01h00, 31.Jan.2022
Inês Sousa Real, metralhadora daquilo que é, sob aplauso estentóreo de 20 segundos: «Este resultado, que é um mau resultado não só para o PAN mas para a democracia ... a direcção terá que fazer a sua reflexão interna em relação àquilo que é a estratégia ... É um mau resultado que assumimos ... mas também é um resultado mau para a democracia.»

Conclusão do resultado
Pelo que se ouviu, ninguém teve pior do que um mau resultado.
Só posso admitir que os dicionários de Catarina Martins, Francisco Rodrigues dos Santos, Inês Sousa Real, Rui Rio e Jerónimo de Sousa foram adquiridos na mesma livraria. Em todos falta este superlativo absoluto sintético que, em o havendo e se o empregassem, com maior verdade teriam falado aos portugueses daquilo que todos os portugueses viram. E se calhar falta este substantivo e também falta este
Dêem-se ao respeito, bolas! As palavras contam.

//

Não gosto da Iniciativa Liberal.
- ... do Iniciativa Liberal,  Plúvio.
Ai é? Não gosto na mesma. E decidam-se, foda-se: o ou a?

//
Subvenção
Vá lá saber-se porquê, fala-se pouco dela. Por exemplo, e é só um exemplo que não traduz qualquer obsessão pessoal pelo sujeito — ai de mim! :) —, alguém acredita que o fervor de Rui Tavares em campanha fosse o mesmo sem o apetecível comburente da subvenção?
Sem prejuízo da comparticipação específica legal nas despesas de campanha, e de outros financiamentos, o partido que no conjunto dos círculos eleitorais tiver obtido um mínimo de 50.000 votos receberá anualmente uma subvenção de 2,95€ por cada voto, independentemente de eleger deputados, neste caso desde que a requeira ao Presidente da Assembleia da República. Assim, no total dos 4 anos da XV legislatura [2022-2026] a organização partidária contemplada sacará do Orçamento do Estado 11,80€ por cada voto
Ante os resultados nesta altura sabidos [magnífico 'site', diga-se, que o Plúvio não chove só vitupérios...], os mealheiros ficarão arredondada e aproximadamente assim:

PS- 26.550.000€
PPD-PSD- 17.700.000€
CHEGA- 4.555.000€
IL- 3.174.000€
BE- 2.832.000€
PCP- 2.797.000€
CDS-PP- 1.030.000€ 
PAN- 968.000€
LIVRE- 814.000€
É cacau e viva o pluralismo democrático! Muito mais caro nos ficaria se não vivêssemos nele.

//

Meus pequenos desgostos
- não eleição de João Oliveira. Faz falta. Excelente operário parlamentar;
- eleição de Inês Sousa Real. Medíocre e medonha.

Meus pequenos contentamentos
- lição do país ao BE, seita de 'meninos de família', arrogantes, trotskistas disfarçados, perigosos. Discípulos de Boaventura Sousa Santos, o bonzo de Coimbra. Sempre prestaram para pouco. Nem uma aldeia de Portugal se lhes confia para a governar. O povo às vezes tem intuições acertadas;
- derrota de Rui Rio, um tiranete vingativo, pouco culto e mal educado, que estava a deixar os habituais inimigos do Ministério Público, com Pedro Marques Lopes a timoneiro, salivantes de esperança em que RR, uma vez primeiro-ministro, haveria de frenar de vez a sanha justiceira dos senhores procuradores da República; derrota deste PSD, uma confraria de lambe-botas de RR, toscos em geral;
- PCP ter ficado com um grupo parlamentar maior do que o do BE. Por mim, contribuí para que na minha freguesia ficasse em 3.º lugar, à frente do CHEGA, da IL e do BE;
- maioria absoluta do PS, por tornar dispensável o PAN e por reduzir o LIVRE a uma inutilidade redundante e balofa. Faço de Rui Tavares — e eu chame-me Deniz Costa se me anima alguma embirração particular por RT :) —, outro trotskista encoberto, em registo suave cosmopolita, que defende a independência da Catalunha e o Acordo Ortográfico de 1990, a ideia de um narcisista pesporrente eleito no Twitter e pelo eixo Lux Frágil-Bairro Alto-Campo de Ourique-Telheiras.

Espanto do dia
Nem pequeno desgosto nem pequeno contentamento; talvez Uma coisa em forma de assim, valendo-me de Alexandre O'Neill:
- 12 deputados do CHEGA.
Pelo menos garantem uma coisa à melancolia lusitana: circo em S. Bento. Sem a Joacine, o João Oliveira, a Cecília Meireles e o Ascenso Simões, aquilo vai precisar de animação.

//

Cá vamos de pesadelo em pesadelo.

Foi assim.

sábado, 29 de janeiro de 2022

Acordo Ortográfico - Catarina Martins inventa e aldraba

Para que conste.

A fechar o "Debate da Rádio", de 20.Jan.2022, Judith Menezes e Sousa, da TSF, inquiriu os sete líderes partidários intervenientes — PSD e CHEGA não compareceram — acerca do AO1990, para uma resposta simples, "sim" ou "não" [protesto e acho mal que havendo simples não haja nãoples]. 

Judith- Revisão do Acordo Ortográfico, sim ou não?

Inês Sousa Real, PAN- Sim. Ou seja, acho que tem havido um grande desacordo em relação ao Acordo. E portanto, sim, acho que esse debate deve ser reaberto.

Francisco Rodrigues dos Santos, CDS-PP- Sim, está no nosso compromisso eleitoral rever o Acordo, claro.
Verdade.
«Compromisso Eleitoral do CDS-PP - Legislativas/2022
[...]
COMPROMISSO CULTURA E PATRIMÓNIO
[...]
MEDIDAS:
Reverter o Acordo Ortográfico de 1990;
[...]»

João Cotrim Figueiredo, Iniciativa Liberal- Sim, rever o Acordo.

Rui Tavares, LIVRE- Bem, é um tratado internacional. Pode sempre ser revisto, pode ser melhorado, mas acho que Portugal e o Brasil, e os outros países de língua portuguesa devem preocupar-se com a promoção da nossa língua no estrangeiro e o facto de por exemplo nos leitorados poder haver..., não haver professores que ensinem uma ortografia e outra ortografia é importante para a divulgação da língua portuguesa no exterior.
Rui Tavares raramente desperdiça uma oportunidade de pesporrência. Apreciem-se os quilómetros de lixo que usou para dizer «Não». 

João Oliveira, PCP: Por nós, há 16 anos que estava revisto, não só o tratado mas o conteúdo do Acordo que é sobretudo isso que interessa.

Catarina Martins, BE- Há questões de sim ou não que na verdade…, a resposta de sim ou não pode enganar. O Acordo prevê ele próprio que haja estudos e revisões ao longo do tempo e, portanto, se algum de nós estiver a dizer que não quer essa revisão está a dizer que não quer o próprio Acordo [!?!?!?]. Ou seja, se calhar estamos a enganar-nos uns aos outros. O Acordo prevê que se perceba como é que ele foi implementado, que seja estudado e que seja melhorado.
O caso da BEata Catarina é mais sério. A coordenadora do Bloco de Esquerda não sabe o que diz. Inventa e aldraba.
Explique-nos por favor em que passagem do mostrengo se prevêem estudos e revisões; explique-nos sobretudo em que ponto da aberração criminosa se prevê que se perceba como foi implementada, que se estude ou que se melhore.
Fico à espera.
Não se admire se Deus — sim, esse, o do Papa Francisco — lhe der amanhã uma valente coça...  

António Costa, PS: Acho que o Acordo deve fazer o seu caminho.
Judith- Portanto, quando for altura de o rever, deve ser revisto…
António Costa: Como todos os acòrdos.
Pronúncia correcta de «acordos».
Mimetizando o narcisista messiânico do LIVRE, o Primeiro-Ministro aproveita todos os ensejos de falar ao país para reforçar o prestígio, aliás robustamente consolidado, de torcionário da língua portuguesa. António Costa não desilude.
__________________________________________________
Já que estou com a mão na massa,
«Programa Eleitoral do PSD - Legislativas/2022 [redigido em acordês] 
[...]
A língua
O Português é a expressão da nossa identidade coletiva e da presença de Portugal à escala global, sendo que as diferenças no uso da língua portuguesa não a empobrecem, mas antes revelam as diferentes dinâmicas culturais de cada país na sua apropriação. A tentativa da uniformização ortográfica não constituiu qualquer vantagem face ao mundo globalizado, pelo que o PSD defende a avaliação do real impacto do novo Acordo Ortográfico.
[...]»

Nos outros programas eleitorais, incluindo o de João Cotrim Figueiredo [redigido em acordês], nem uma linha acerca de ortografia.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Miau béu-béu, pozinhos de Inês, declaração de voto

Tenho igual respeito bíblico e o mesmo olhar de maravilhamento, (in)compreensão e espanto por todos os bichos, dos que mato para comer aos de que fujo para não me matarem, dos que me divertem ou com que me divirto, dos que me proporcionam sensação de bem-estar aos que aspirjo diligentemente

Dito o que, me encanita — olha o étimo, Plúvio... — o uso de repertório antroponímico para o chamamento de animais e sou preconceituoso o bastante para não votar num candidato pela razão singela de chamar Camões ao gato. 
É o caso de Rui Tavares. Cumpre acrescentar que, para piorar o apreço pela humanidade, RT tem ainda um Leôncio e um Emílio e que um vate felídeo está longe de ser o único motivo da minha embirração pelo pai do LIVRE, esquerda verde europeia, cruzes canhoto. 
Mas Camões tira-me do sério. Acho um insulto de lesa-pátria.
Sabendo nós que o mais próximo que Camões está de miar n' Os Lusíadas é na estrofe n.º 153 do canto X,  
«[...]
De Formião, filósofo elegante,
Vereis como Aníbal escarnecia,
[...]», 
apetece-me dizer a Rui Tavares: Vá chatear o Cam..., perdão, o camandro!

Recapitulando,
Rui Rio tem um Zé Albino
André Ventura, uma Acácia,
Luís Pedro Nunes, um Rufino, além de uma Melancolie, belo nome, 
Daniel Oliveira, um Tobias e um Simão, além de uma Bica, nome aceitável para cadela, 
Ricardo Araújo Pereira, uma dona Custódia, entre outras humanizadas criaturas,  não constando que, ao baptizar de Custódia a cadela, RAP pretendesse homenagear a mãe, alguma avó ou parente próxima. 
De resto, não conheço ninguém que ponha nomes da sua família ou de amigos a bichos seus e que dando aos animais nomes de gente queira com isso homenagear pessoas que estima. Porque será?...
Assim, hei-de reconhecer critério asseado a António Costa, que tem uma Naná e um Docas, ou a João Cotrim Figueiredo que tem uma Bala.

No entanto, o que me encanita — olha o étimo, Plúvio... — ainda mais, muito mais, é, no seguimento dos nomes próprios, a alucinante antropomorfização da bicheza pela aplicação à dita cuja, nos usos e costumes dos "amigos dos animais", do preceituário consignado na Subsecção V ("Lei reguladora das relações de família", artigos 49.º-61.º) da Secção II do Capítulo III do Título I do Livro I do Código Civil português.

Observo na rua uma exemplar de "homo sapiens" falando com o cão: Venha cá à mãe!  
Estremeço.

Estupefacto, acompanho numa rede social planetária a conversa pública de uma das mais graduadas jornalistas portuguesas em actividade com uma deputada municipal do Bloco de Esquerda [ex-militante do CDS-PP] de que a jornalista se intitula chocarreiramente «mãe», falando dos dois gatos da «filha» bloquista:
Que lindos os meus netinhos ... Quem é que lhes explica que não sou mãe deles? ... Ai estão tão lindos os meus netinhos. Que pena ir deserdar a mãe deles ... Gosto que lhes preserves as carinhas do olhar do público. Privacidade para as crianças, sempre. ... Não quero expor os meus filhos tão novos. Quando crescerem, logo decidem. ... As crianças estão saudáveis, a crescer bem ... É a menina ou o menino? ... O menino.
Sei que brincam. Mas se não há por ali evidência de degradação civilizacional, digam-me o que há.

Enquanto isso, Marco Paulo foi avô. Com muito orgulho.

//

Agora, Inês, metralhadora daquilo que é, a quem, se pudesse, atribuiria desde já o óscar da melhor máscara do mundo no sub-ramo "Prosa ensaística".   

Na existência longa que levo de espectador de congressos, não me lembro de nenhum com tantas interrupções para aplausos. Como se a cada 30 segundos ISR emitisse uma ideia nobelizável. 
Ouvi bem; leu bem, caro(a) leitor(a) - Inês disse «dignidade». 

«protecção de todos os animais* e não apenas de alguns»
* Confio em que Inês não se estava a esquecer da vespa asiática.

«pelo menos uma pequena vila canadense foi inteiramente consumida pelas chamas»
No que dá um copipeiste de notícia brasileira...

Enfim, admirável mundo novo...

//

Razões estritas de educação impedem-me, nesta altura, de votar no PS ou no CHEGA.
Ciente do arcaísmo político que representa o Partido Comunista Português que, em indetível declínio de representatividade deixou definitivamente de poder integrar qualquer comité governativo do país ou de influir nos destinos do mundo — e daí nenhum mal advirá —, votarei depois de amanhã, 30, na CDU | PCP-PEV.  Há causas pontuais avulsas em que me revejo no entendimento do PCP, designadamente na prudência com que encara a biosfera ou na perseverança com que defende — é a única organização partidária parlamentar a fazê-lo coesa e consistentemente desde o início — a sanidade da língua, contra o Acordo Ortográfico de 1990 - PCP!, PCP!, PCP! Além de que, detestando João Ferreira, simpatizo há muito com a pessoa de João Oliveira.
Voto hormonal, pois.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Maioria absoluta. Suponhamos

que, por insano alinhamento dos astros, os BEatos de Trótski obtinham maioria absoluta nas legislativas...

Serão alto, de domingo para segunda, lá teríamos de levar em todas as televisões com a indignada e belicosa Catarina, de prolação à beira de apneia, com o incansável Oriola ao lado:
O Bloco de Esquerda não pode deixar de, nesta noite de pesadelo, denunciar e repudiar o escandaloso cambalacho eleitoral que acaba de ser consumado nas costas de todas as portuguesas e de todos os portugueses, ludibriadas e ludibriados, e exigir a anulação imediata dos resultados que rejeitamos com veemência!

Quem pariu esta gente?

sábado, 8 de janeiro de 2022

Socorro!

«Eu sei que a extrema direita não gosta nada do Papa Francisco, mas o Papa Francisco tem uma frase muito sensata a que podemos estar atentos, que é que Não podemos ignorar que esta economia mata.»

«Vai-me perdoar que volte ao Papa Francisco ... o Papa Francisco dizia Se fosses um migrante e um refugiado e te travassem com arame farpado o que é que pensavas?»

Quando a timoneira de uma religião protocomunista estribada na Quarta Internacional — odeia a América, abomina Israel, odeia a União Europeia, abomina o Euro, odeia a NATO, abomina a Igreja Católica — cauciona dois itens do seu programa com palavras de Sua Santidade, o Chefe de Estado do Vaticano, uma de duas,
- desespero de náufraga;
- populismo vil e demagogia eleiçoeira.
Como a segunda explicação é reserva exclusiva do opositor que enfrentava, Catarina Martins só poderá ter recorrido a tais citações em aflição extrema.
Tudo indicia que não lhe faltam motivos.

Mal imagina o Papa Francisco como se tornou fofinho em Portugal, desde Mário Soares*, no eixo lisboeta cosmopolita ateu Lux Frágil-Fernanda Câncio-Inês Pedrosa-Pedro Marques Lopes-Chapitô-Campo de Ourique-Pedro Filipe Soares...
_________________________________
* A propósito, Ó Amílcar, cumpriste hoje...?
O Sr. Almerindo vota PS, nunca se esquece...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Bloco de Esquerda

Os deuses nos livrem de BEatos que tais.
Aplaudo Inês de Medeiros pelos 12 minutos de sova tremenda em Joana Mortágua.*

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Francisco, canivete suíço

Não deixemos que o 'mare nostrum' se transforme num desolador 'mare mortuum'. Por favor, paremos este naufrágio de civilização. - Lesbos, 05.Dez.2021

«O Mediterrâneo continua a ser o cadafalso de muitas vidas e, dizia até o Papa Francisco nos últimos dias, o exemplo do fim da humanidade, uma frase que eu subscrevo em absoluto*» - Assembleia da República, 09.Dez.2021

Quando um BEato como Pedro Filipe Soares, o líder parlamentar mais fraquinho de que me lembro nos últimos 150 anos, cita com aquele enlevo um pontífice de Roma, fico aberto à possibilidade de as unhas dos meus hálux terem pensamento próprio.
______________________________
* ... com absoluta falta de rigor.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Es bloquistes são muito engraçades

«17- Segunda-feira  S. Pascoal Bailão, Religioso    Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação  Dia Mundial  da Hipertensão Dia do Iogurte.»

«Dia 17 de Maio é o dia nacional e internacional de luta contra a homofobia, a bi, a trans, a inter (espaço) fobia. [...] Continuamos juntes, visíveis e em luta. Temos de resistir, apoiar e superar!»

Face a tão escandalosa omissão do Borda d' Água, não sei se exija de volta os 2,30 €.
______________________________
Juntos somos fracos, juntes seremos mais fortes..., porque eu sou fufa e o mundo eu vou mudar! 

PS
Vieram perguntar se o propósito deste verbete era zurzir algum defeito de pronúncia da senhora BEputada.
Não, não era esse o propósito; a ortoépia da doutora Fabíola não suscita qualquer reparo.
Pedindo desculpa por não me ter feito entender, conto que as seguintes ajudas remedeiem a confusão: 

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Só para dizer à senhora deputada Catarina Martins,

licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, que chicos é disparate. 

«dizem respeito às carteiras de activos 'tóchicos' [...] e não apenas os activos 'tóchicos'

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Cronologia breve da desonestidade suprema

"Anos de Guerra - Guiné 1963-1974" é um documentário produzido em 2000 por Pedro Efe, da Acetato, em associação com a RTP, realizado por José Barahona que o disponibilizou no YouTube em 14.Fev.2021. «[...] Recolha de depoimentos de ex-combatentes ainda vivos e de imagens de arquivo possíveis.»

Ao início da madrugada de 19.Fev.2021, o inefável Mamadou Ba tuitou um excerto de 22 segundos cirurgicamente delimitado, com o ex-combatente português Marcelino da Mata, falecido aos 80 anos em 11.Fev.2021, a contar:
«Íamos fazer uma operação, entrámos na mata, encontrámos o gajo. Estava lá com o camuflado do rapaz, o relógio do rapaz, a bússola que o rapaz tinha na mão, tudo, os sapatos do rapaz, tudo vestido conforme o rapaz estava. Apanhámos o gajo, despimos-lhe a farda e fizemos-lhe a mesma coisa que ele fez ao outro: cortámos-lhe a  piça e metemos-lha na boca.»
Comentário de Mamadou Ba:
É por este tipo de gente que há tanto chinfrim? Isto diz muito de nós, enquanto comunidade.

A meio da tarde do mesmo 19.Fev.2021, o sociólogo Fabian Figueiredo, dirigente do Bloco de Esquerda, apaniguado e idólatra de carniceiros vários com destaque para o sanguinário Che Guevara, que se comprazia em fuzilar pessoalmente os inimigos, postou o mesmo cirúrgico excerto de 22 segundos, aduzindo-lhe a seguinte legenda:
Marcelino da Mata foi um criminoso de guerra e orgulhava-se disso. No vídeo podem ouvi-lo da boca do próprio.

Ao início da madrugada de 20.Fev.2021, Fernanda Câncio, jornalista e suma-sacerdotisa da religião Lux Frágil, retuitou a poia de Fabian Figueiredo com o mesmo cirúrgico excerto de 22 segundos, acrescentando:
então era isto o militar mais condecorado e tal. estou certa de q quem o louvou estava a par de tamanha franqueza. qual convenção de genebra qual quê.

Sem perder embalagem e engrenada no entusiasmo usual das suas causas muito particulares, eis a grande repórter no Diário de Notícias de 23.Fev.2021:  
«[...]
Sim, o mau gosto não tem mesmo limites*: pôr, lado a lado, umas quantas notícias a dar conta de textos antigos do actual juiz conselheiro em que este dizia o acima exposto e uma petição** para expulsar uma pessoa pertencente a mais uma minoria historicamente perseguida e silenciada - a dos negros - por ter apelidado de criminoso de guerra um ex-comando muito condecorado pela ditadura que por exemplo se gabou de ter, nos seus feitos de combate, cortado o pénis de um inimigo, metendo-lho na boca.
[...]»
Atentei nos depoimentos militares de Marcelino da Mata. Como consegue alguém encontrar-lhe ponta de vanglória ou gabarolice?
Movido pela profunda repugnância que a suprema, arrogante e concertada desonestidade dos doutores Mamadou Ba, Fabian Figueiredo e Fernanda Câncio me causou, também eu não resisto a um excerto. Mas não consigo torná-lo honesto se não usar pelo menos o triplo de segundos, 65 ao todo.  
O ex-combatente português fala de dois portugueses aprisionados por guerrilheiros do PAIGC:
«E então, não sei como é que fizeram, raptaram-nos aqueles dois soldados da companhia quatro oitenta e sete. Levaram um homem para o mato. Despiram-no. Agarraram num pau, espetaram-lho no cu até sair pela boca e puseram-no de pé. O outro amarram-no a uma palmeira, cortaram-lhe a piça e meteram-lha na boca. [...] Um dia íamos fazer uma operação, entrámos na mata,  encontrámos o gajo. Estava lá com o camuflado do rapaz, o relógio do rapaz, a bússola que o rapaz tinha na mão, tudo, os sapatos do rapaz, tudo vestido conforme o rapaz estava. Apanhámos o gajo, despimos-lhe a farda e fizemos-lhe a mesma coisa que ele fez ao outro: cortámos-lhe a  piça e metemos-lha na boca. A mesma coisa que ele fez ao tal soldado branco fizemos-lhe a ele. E fomos embora.»
 
* Sim, dona Fernanda, e a manipulação também não tem mesmo limites.
Para Fernanda Câncio a «convenção de genebra» não se aplicaria a guerrilheiros guineenses. Decerto porque esses eram criminosos bonzinhos...

Por falar em guerra, apetece-me autobiografia.
Fui incorporado no serviço militar obrigatório em 02.Out.1972, passei à peluda em 07.Mar.1975. Vinte e nove meses na patente de soldado raso. Nos primeiros seis meses estive em infantaria, especialidade de atirador. Aprendi, com muita relutância e pouco jeito, a manusear a metralhadora HK21 e a espingarda G3 no campo de tiro da Serra da Carregueira e na Amadora.
Num bambúrrio de sorte, o maestro capitão Sílvio Pleno requisitou-me em Abril de 1973 para a Banda do Batalhão de Caçadores n.º 5. Por exemplo, no histórico Primeiro de Maio de 1974 — nunca tanta e tão alegre gente andou nas ruas de Lisboa —, eu estava aqui.
Destarte me livrei da guerra e de bater com os costados em África. Sem heroísmo nem glória, sou, literalmente, um antigo «soldado de Abril». Nada que me suscite especial orgulho; apenas um tudo-nada de vaidade.

Mas de guerra mesmo, da que dói e ensandece, e de criminalidade cometida nela, quem sabe a sério é o queque leninista-trotskista-guevarista Fabian.
______________________________________    
«Viemos de muito longe e iremos até ao fim no combate contra a opressão, custe o que custar.»

Deixem-me fantasiar.
MB nasceu no Senegal em 1974, veio para Portugal em 1997. Porque veio, para que veio, o que o prende cá, lá com ele.
África combateu-nos, aos europeus, colonizadores ou colonos, por anos e anos até à libertação e autodeterminação. Escorraçaram-nos de sítios que não eram nossos. África está e continuará, sabem os deuses com que esforço e a que custo, a erguer-se de séculos de usurpação de território, escravatura e exploração às mãos do cristão branco bem-falante e bem armado. Mas perguntar-me-ei sempre: O que atrai tantos africanos, coetâneos ou filhos da subjugação colonial que combateram heroicamente a preferirem vir viver em casa dos que os subjugaram?  
MB, por razões de absoluta liberdade que a República Portuguesa promove e respeita, achará que faz mais falta à nova terra que escolheu e o acolheu do que à sua antiga terra, à grei a que actualmente pertence do que ao povo de que provém. Aparentemente o Senegal não precisa tanto de MB como Portugal.
Imaginemos agora que aos portugueses brancos de cepa caucasiana, incluindo Joana Gorjão Henriques, Fernanda Câncio, Joana Cabral, Daniel Oliveira ou Pedro Marques Lopes, nos dava a todos em conjunto e de uma só vez, por qualquer veneta cósmica determinada pelo livre arbítrio da individualidade digna — quem sabe se impelidos pelo velho e inelutável instinto de mostrar novos mundos ao mundo — para desertarmos daqui e irmos montar residência e nacionalidade, sei lá, numa tundra siberiana ou numa planície tasmaniana...
Antevejo Mamadou Ba a correr atrás dos nove milhões de branquelas transumantes, deixando a despovoada lezíria lusitana ao cuidado do Comité Joacine; sim, porque sem a ajuda iluminada de Mamadou o homem branco jamais se livrará do vício de oprimir, aqui e em Marte.

«ao contrário dos que me vilipendiam, o que me move é o amor» - MB, 22.Fev.2021
Ai Portugal, Portugal, que seria de nós se Mamadou Ba não te amasse tanto!?

** Esta Petição não passa de protérvia imbecil.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Francisco e Marisa

Resultados eleitorais presidenciais da pastorinha do bonzo de Coimbra:
Ou seja, perdeu 304.843 votos, 65% da votação obtida em 2016.

Na homilia semanal que assina no Expresso — "Estado da Noção" —, o arcebispo Louçã tece na edição de hoje 70 linhas de considerações acerca dos resultados das presidenciais de domingo passado. Eis as únicas palavras, 10 palavras em 70 linhas de texto(!), dedicadas a Marisa Matias, em cuja campanha se envolveu empenhadamente:
«Marisa, apesar da brilhante última semana* de campanha, perdeu votos.»
Como podem estes zelotas, esta gente, dar-se ao respeito?
___________________________________
* Imagine-se se não fosse brilhante...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Rescaldo dum serão eleitoral

um lustro certo depois deste.

Domingo, 24.Jan.2021 - Eleições presidenciais 

«Agradeço, do coração, a militantes do Volt e a tantos e tantos cidadãos e cidadãs independentes que trabalharam para eu estar hoje aqui. A minha candidatura fez-se, desde a primeira hora, do empenhamento de milhares de socialistashomens e mulheres, mais velhos e jovens, que de norte a sul, da beira às regiões autónomas dos Açores e da Madeira me apoiaram e ajudaram decisivamente a aqui chegar hoje. A todas e todos, eles e elas, o meu fraternal reconhecimento, com especial destaque para os membros do governo, os deputados e deputadas, os autarcas que deram a cara e estiveram ao meu lado.»
Mandariam a congruência linguística e as melhores práticas que tivesse dito «tantas e tantos», «socialistas e socialistos»,  «membras e membros», «as autarcas e os autarcos», «a cara e o focinho».

A glória inoxidável da derrota
«Estou convencido de que Ana Gomes fica 2% à frente de André Ventura quando encerrarmos as votações.»

«O resultado não é o que eu desejava. Não é o que mereciam as pessoas que me acompanharam, que me deram força e que estiveram comigo. Este resultado não é também uma falta de comparência. Hoje como ontem, amanhã como hoje cá estarei para todas as lutas, para ganhar e para perder como fiz sempre e como faz toda a minha gente.»

«A Marisa Matias foi a candidata que fez o discurso claro contra o racismo e a xenofobia. Foi a candidata que fez o discurso claro em nome da igualdade e contra a violência contra as mulheres num país onde tristemente as mulheres são assassinadas quase uma por semana em tantos dos anos*. Essa coragem da Marisa Matias inspira muita gente, inspira-me a mim seguramente e estou-lhe muito grata. As noites eleitorais, umas são melhores, outras são piores, mas há uma coisa que nós sabemos: é a firmeza daquilo em que acreditamos e a justeza daquilo em que acreditamos que abre caminhos para o dia seguinte. E é isso que faz a Marisa, abrir caminhos, fazer pontes** muito para lá de qualquer resultado. A Marisa estava cá antes do dia antes das eleições a fazer a luta dos cuidadores informais, a fazer a luta do Serviço Nacional de Saúde, a fazer a luta pelos direitos de quem trabalha, a fazer a luta pelo bem-estar animal***, a fazer a luta pela igualdade por inteiro sem pôr nenhuma luta em lista de espera. A Marisa é essa força grande pela dignidade e por um país melhor e eu tenho o enorme privilégio de saber que vamos continuar a lutar as duas juntas já amanhã.»
[Olh'o Luís Oriola! Pensava que só trabalhasse para o Estado. Afinal, é geringôncico.]
Aqui chegado, convido o paciente freguês do Chove a deter-se por segundos nestes dois instantâneos da ágape coimbrã do Bloco de Esquerda festejando e agradecendo à pastorinha do bonzo de Coimbra a vantagem heróica de 1,01% sobre os 2,94% obtidos pelo probo calceteiro de Rans em quem repeti o meu voto de 2016. É da minha vista, perdão, é do meu ouvido ou vai por ali  uma desavença insanável entre os intérpretes de língua gestual? Quando uma aponta para cima a outra aponta para baixo, quando o Oriola ergue a mão ela baixa-a... Em que ficamos? Que dizem, afinal, Marisa e Catarina? Não nos baralhem a surdez, porra, entendam-se!  

* Catarina a esticar-se, fervor em manobras. A própria Marisa não vai tão longe:
«[...] A eurodeputada lembrou os números: a cada semana uma mulher é assassinada ou vítima de tentativa de homicídio [...] Um a um, Marisa Matias leu o nome das mulheres assassinadas em Portugal em 2020. Leu 27 nomes [...]»
Ora bem. Nos últimos 17 anos, de 2004 a 2020, foram assassinadas 561 mulheres em Portugal, em contexto familiar violento. Como recomendava o outro, é fazer a conta.
Esta gente não poupa esforços, raiando a manipulação e a mentira, para ajustar os factos ao seu evangelho.
Não precisaria de o dizer: um assassínio que fosse seria demais. 

** E consertar autoclismos? Estou a precisar. 

*** Estava a ver que não, béu-béu, miau.

Minhas adoradas filhas, que tencionavam votar em Marisa Matias — quem sai aos seus... — e à última hora se inclinaram para Ana Gomes, não fosse o «fascista-racista-xenófobo» ficar em 2.º:
- Pai, porque dizes tão mal do Bloco de Esquerda?
Porque o Bloco de Esquerda não presta, filhas. E ai de nós quando prestar ou precisarmos de que preste antes de, como determina a ordem natural das coisas, se extinguir. O BE dá-me ares de confraria religiosa de meninos-bem, arrogante, perigosa e meio tonta.
Senão, vejam:

Quinta-feira, 29.Out.2015
No quadro, citando Eduardo Cabrita, da derrota de António Costa nas legislativas de 04.Out.2015 e da urdidura, por esses dias em curso, do entendimento PS-PCP-BE que Paulo Portas, adaptando metáfora de Vasco Pulido Valente no Público de 31.Ago.2014, crismaria de «geringonça», Mariana Mortágua, a deputada-estrela que deve a BEatificação a Ricardo Salgado, veio à Bobadela para «falar das nossas vidas» pós-PàF e do paraíso celeste [não é redundante, Plúvio?] que se adivinhava.
Fui assistir para tomar o pulso à coisa.  
MM chegou num carro velho conduzido por uma rapariga que se pôs tão perto de mim que me foi impossível não reparar no "wallpaper" da ardósia que ia consultando e manteve aberta durante toda a sessão: o carão intimidante deste teólogo prussiano. Mulher de muita fé, a chofer de Mariana.
MM entrou e disse «Boa noite a todas e a todos» num momento em que ainda só havia uma mulher na audiência. Se o ridículo matasse...
No meio da conversa, um camarada, decerto dos ingénuos e puros que há sempre nestes núcleos locais, sensível ao inchaço populoso do parlamento, interpelou:
- Ó Mariana, o Bloco tem alguma proposta no sentido de reduzir o número de deputados na Assembleia da República, como prevê a Constituição 
Mariana Mortágua ia fuzilando o rapaz com o olhar:
- De todo, não! Há estudos acerca da eficiência dos parlamentos europeus que mostram que... 
Como a entendo, parva é que esta Mortágua não é. À saída troquei com ela um aceno. Tem um sorriso bonito. 
Por mim, fiquei faladoconversado.    

BEm-vinda, BEm-vindo, BEm-vindas, BEm-vindos
Se esta gente, a minha gente de Marisa, um dia mandasse — por enquanto não manda em nada, felizmente; nem uma, uminha, das 3092 freguesias do país se deixa governar por esta gente; **** sim, sei de Salvaterra de Magos —, imagine-se a desgraça nas tesourarias e a perturbação da paz social de todos estes rudes e retrógrados sítios e entidades, a remodelar placas e a reconformar a linguagem para os pôr consonantes com o asseio da "ideologia de género".  
Lembro-me sempre da solução picaresca e ridícula que o PS engendrou — et voilà, «género» — para sossego canónico das Isabéis Moreiras,  Catarinas Marcelinos, Tiagos Barbosas Ribeiros, Elzas Pais, Joões Galambas, Edites Estrelas, Pedros Nunos Santos, Sónias Fertuzinhos,  Pedros Delgados Alves, Marias Antónias de Almeidas Santos, Marias Begonhas e Duartes Cordeiros desta vida, no XXI Congresso, em Junho de 2016: Bem-Vindo por uma porta, Bem-Vinda por outra.


Não desgostei do discurso do presidente
No da eleição, em 24.Jan.2016, Marcelo falou durante 16 minutos. Começou por «Portuguesas e portugueses ...» e foi por aí fora, cedendo sempre ao código ridículo do politicamente correcto. Terminou com palmas e hino nacional.
No da reeleição, em 24.Jan.2021, falou durante 17 minutos. Começou por escorreito «Portugueses ...», cedendo aqui e ali, mas pouco, à novilíngua dos devotos. Esteve sério. Terminou sem aplauso nem hino. Muito bem.
«[...] Portugal que, como escrevia o saudoso Eduardo Lourençoé uma nação piquena que foi maior do que os deuses em geral permitem. Tenho a exacta consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco. [...]»
foi onde borrou a escrita. Mas alguém tem exacta consciência? Como pode ser exacta a coisa menos exacta do mundo? Forte, firme, convicta, enraizada, vá que não vá. Mas exacta? Livrem-nos os deuses de consciências que tais, sem esquecer nunca as consciências tranquilas.
Já o «piquena», nada de muito grave, é da filogénese de Cascais, cercado das tias e dondocas de que nunca se livrará.

A propósito de Cascais, onde Marcelo Rebelo de Sousa mora há séculos, sempre me pareceu palhaçada e afronta grosseira da morigeração cívica que continue recenseado numa vilória minhota aonde se desloca para votar, sob pretexto de ali ter sido autarca [autarca volante e volátil...] e dali serem naturais familiares antigos que muito prezava e quer homenagear. Olha se o exemplo pega... Até eu tenho ancestrais na Etiópia a quem devo muitíssimo.
Li isto no Nascer do Sol, li isto e depois isto no blogue do professor Vital Moreira, mas continuo a achar que faz falta um jornalista de voz grossa, testículos negros ou ovários valentes, que frente às câmaras em horário nobre convoque nos olhos o nosso arlequim
- Senhor presidente, não lhe parece insolência ou insulto aos cidadãos, que fazemos por cumprir as regras, essa farsa de, residindo em Cascais, votar em Celorico de Basto?

A despropósito, mas apetece-me,
«A resposta certa é Marcelo Rebelo de Sousa. [...] O Marcelo é em geral uma boa fonte [...] Eu não estava à espera, no caso de Marcelo Rebelo de Sousa, de uma espécie qualquer de lealdade porque não é o forte dele. Eu costumo dizer que ele é filho de Deus e do Diabo. Deus deu-lhe a inteligência, o Diabo deu-lhe a maldade. [...]»

Coda
De eleição para eleição recorre o mito de que, por falta de limpeza nos cadernos de recenseamento, há mortos que votam. Se calhar há.
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**** «[...] Sabemos que temos muito a aprender ainda no trabalho autárquico, e muito a fazer. [...]
Mais eleitos e eleitas em todo o país [...] O Bloco de Esquerda tem acrescidas responsabilidades depois destas eleições autárquicas. [...] Há alguns indicadores dessa crescente responsabilidade. Aproveito para vos dizer — soube mesmo antes de vir para aqui — que o Bloco de Esquerda ganhou uma freguesia em Braga e portanto as responsabilidades do Bloco de Esquerda vão sendo crescentes em mais sítios do país.» - Catarina Martins, 01.Out.2017
Ejaculação precoce, não ganhou freguesia nenhuma. Como digo e redigo, fervor em manobras.