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domingo, 17 de abril de 2022

Pedro Mexia

é sempre bom. Muitas vezes, o melhor.

«[...]
porque é que um trabalhador há-de ser tratado por "colaborador", promovendo-o verbalmente e fragilizando-o em termos de vínculo?
[...]»
____________________________________

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Alberto Manguel no Expresso e em Lisboa

Alberto Manguel [AM] é bom? Talvez.
Alberto Manguel é muito bom? Sei cá.
Alberto Manguel é honesto? Desconfio.
E Madalena Alfaia [MA], que assina as traduções de Manguel para o Expresso, é boa? É.
Muito boa? Decerto.
E quanto a honestidade? Diga-mo no fim o paciente leitor.

Ao longo de 2020 o Expresso tem publicado na sua revista, E, crónicas e ensaios de Alberto Manguel, apresentado como «colaborador regular» do jornal. As principais línguas de escrita de AM são o inglês, o espanhol e o francês. Daí a tradução, invariavelmente assegurada por Madalena Alfaia.

Para não maçar, deter-me-ei em apenas três peças.
Deste artigo não haverá grande coisa a dizer, salvo o Expresso e Madalena Alfaia terem escondido do leitor que se trata de tradução do original "Reach Out and Touch (Somebody's Hand)", publicado no n.º 112 da revista canadiana GEIST / Primavera de 2019.
Ainda assim, não deixei de ficar estupefacto com a asneira grossa, num autor como Manguel — que a acutilante MA trasladou do original sem emenda —, de ter posto S. Tomé, no lugar de Maria Madalena, a protagonizar o celebérrimo momento bíblico do Noli me tangere. [João, 20: 16-18]
Gostei de descobrir, no rasto da crónica, que AM [Argentina, 1948] casou e vive com um psicólogo canadiano ricaço, Craig E. Stephenson [Canadá, 1955], depois de, de 1975 a 1986, ter sido casado com Pauline Ann Brewer com quem teve três filhos. O tempora, o mores!  
Aqui fia mais fino.
É certo que a tradutora MA cuida de informar que se trata de uma versão (?!) «publicada originalmente no La Nación», diário centenário, conservador, o de maior tiragem e circulação na Argentina. Confirmei: "La era de la venganza", 25.Jul.2020.
«Uma versão», mas que versão, senhores!
Quem pode não ficar espantado com o interesse e domínio caseiro do omnímodo argentino-canadiano-francês AM em torno do Portugalzinho confinado do Verão de 2020?
«[...] Como escreveu Pessoa nos seus ‘Mandamentos’, sê tolerante, porque não tens a certeza de nada. [...]
Recentemente, em entrevista ao “Público”, Pedro Mexia declarou: “Uma pessoa que leia a ficção da Flannery O’Connor e que abstraia dali uma mensagem racista é maluca da cabeça.” [...]
Aqueles “negros selvagens” constituem ainda a imagem percebida pela maioria dos nossos vizinhos, por tribunais de júri brancos pelo mundo fora, por agentes da polícia da América do Norte, por lobistas anti-imigração na Austrália, por cidadãos honestos da província em França, pelo homicida de Bruno Candé. [...]
tal como se podem vandalizar estátuas de figuras históricas controversas — nos Estados Unidos, os militares do Exército da Confederação; em Praga e Bengala, Winston Churchill; em Lisboa, o padre António Vieira. [...]»
Fora de tudo o que está no original do La Nación de um mês antes, já de si traduzido do inglês para espanhol, Alberto Manguel cita Pessoa, mas isso é o menos, Pessoa é do cânone; AM cita Pedro Mexia de uma entrevista no Público de dias antes; AM fala do assassínio de Bruno Candé, ocorrido 4 semanas antes da publicação no Expresso, num registo de quase "tu cá, tu lá" com o malogrado actor; o intelectual planetário AM, atentíssimo ao burgo lusitano, ele que mora no outro lado do Atlântico, conseguiu alinhar Lisboa na correnteza dos EUA, de Bengala e de Praga, a pretexto da vandalização, dois meses antes, da estátua do Padre António Vieira. De resto, apetece perguntar de onde MA trouxe para "A era da vingança" a parte que vai de «reescrevendo a história» até «estátuas erigidas».
Isto é que foi enxertar, hã, Madalena?! Neste ponto é deveras interessante saber que, por exemplo, só um exemplo, esta fotografia com Bruno Candé foi tirada pela corujinha Madalena Alfaia...*
Por fim — «O mote inscrito no brasão de armas do Chile é uma instrução clara para o suicídio coletivo: Por la razón o por la fuerza.» —, mal se perdoa que a meticulosíssima MA tenha feito AM asneirar no lema nacional da república chilena. Nem parece dela, Madalena.

Antes de abordar a terceira peça, onde tudo tresanda muito mais, é o momento de, do quarteirão de «Testemunhos sobre o meu trabalho editorial» no "Em destaque" da página profissional de MA, realçar os contributos de Alberto Manguel [quem houvera de ser?] e de Pedro Mexia [et pour cause].
Alberto Manguel turibulando MA:
«Writers are solitary birds that build their nests with whatever stuff they can find. But after the nest is built, these birds need wise owls to tell them what is missing, what twig is misplaced, where there's a gap that weakens the whole structure, how to make it hold in whatever critical winds might blow. For the past few years, Madalena Alfaia has been my owl. With keen eyes, impeccable taste, refined technical knowledge, and an overriding aesthetic sense, she has helped me present my books to my Portuguese readers.
Alberto Manguel (escritor)»

Pedro Mexia enaltecendo MA:
«Editar um livro não consiste apenas em apenas [sic] publicá-lo. É, antes disso, um trabalho de revisão, questionação, rasura, substituição. Tenho tido a sorte de publicar numa editora onde esse processo é fundamental. E de ter contado diversas vezes com a edição da Madalena Alfaia. Qualquer pessoa competente na matéria deve ter boas noções de ortografia e sintaxe, amplitude de vocabulário, atenção aos clichés e às repetições desnecessárias, e assim por diante; mas a Madalena, além dessas competências, tem outras a que sou muito sensível, porque invariavelmente melhoram os textos: o sentido da ironia e da eufonia, a capacidade de entender ou de esclarecer alusões a outros textos, o interesse por géneros 'menores' como a poesia e o teatro, e até o 'gosto' (não sabemos o que é o gosto, se nos perguntam, mas quando não nos perguntam, sabemos). Não sou juiz em causa própria, mas posso dizer isto dos meus livros: são melhores do que eram por terem sido bem editados. E vários deles devem muito à Madalena.
Pedro Mexia (escritor, editor e crítico literário)» 

Vamos lá:
Ao chamar a atenção para o texto de AM no Expresso de sexta-feira passada, escrevia ontem MA no seu LinkedIn: «Em defesa da blasfémia. Um ensaio exclusivo de Alberto Manguel», sufragando a classificação com que o semanário o apresenta.
Exclusivo?

Vejamos.

Choca-me a arte de AM em vir vendendo, vai para 15 anos, o mesmo guião em países diferentes, em datas diversas, limitando-se a adaptá-lo, talvez a pedir ou consentir que lho adaptem, ao atentado islâmico do momento e aos tiranos de turno.
Quanto à peça de 11.Dez.2020, a manobra no Expresso assume dimensão himalaica.
É preciso lata descomunal para informar que é um «exclusivo». Não se admite que o jornal e MA omitam de que fonte/data traduziram.
Mais espantoso, no entanto, são os nacos abundantes de elementos da história e da literatura portuguesas entretecidos com tal familiaridade e com tão especioso pormenor [Manguel sabe de Afonso V, ele sabe de multas estipuladas por D. Sebastião em 1571, ele sabe de Aníbal Cavaco Silva em 1992, ele sabe de Ary dos Santos e até de António José Forte, ele domina o Código Penal português...] que nem sedado ou seviciado me conseguirão persuadir de que são da lavra corrente do fabuloso escritor, bibliófilo, professor.
Assevero que vale a pena o cotejo das quatro versões do ensaio. Na do Expresso marquei todas as "portugalidades".

Você, meu caro leitor, que intui destas coisas?
Por mim, sinto que Madalena Alfaia deveria explicar-nos melhor, a nós que pagámos para ler um «exclusivo» de Manguel no Expresso, a real quota das suas intervenções editoriais, e agora traduzo eu Alberto Manguel:
* «[...] depois de o ninho estar construído, esses pássaros precisam de corujas sábias para lhes dizer o que falta, que galho está fora do lugar, onde é que há uma lacuna que debilita toda a estrutura, como fazê-la manter-se contra qualquer vento adversário. Nos últimos anos, Madalena Alfaia tem sido a minha coruja. [...]»
Nota-se.
Blasfemo consumado me confesso. 

Apontamento à margem.
Neste ensaio, em mais uma incúria pouco tolerável, MA põe na boca de AM: «O famoso décimo sutra do “Alcorão” (10:100) diz assim: Nenhuma alma pode ser crente com a permissão de Deus.»
Fez-me a voltar ao meu Alcorão e confirmar a passagem nas três versões anteriores do «exclusivo». É claro que teria de ser «sem a permissão». Não bastando, não é sutra mas sura e, já agora, género feminino, em português e em espanhol. Curiosamente, este sutra é disparate original do facundo Manguel, que vem do La Nación, resiste na Geist e só parcialmente é corrigido no El País. Como haveria de não escapar à diligente Alfaia? Por isso, «A famosa décima sura», se não se importam. 
Mas nada de trágico ou surpreendente; estou habituado à revisão desleixada do Expresso.

//

«Alberto Manguel é um romancista de escassa importância e um ensaísta que satisfaz e conforta plenamente os amantes das fantasias humanistas e das utopias dos livros e da cultura. Mas a grande obra deste famoso leitor nómada, nascido na Argentina, naturalizado canadiano, para o qual a pátria é o lugar onde instala a sua biblioteca, não é constituída pelos livros que escreveu, mas pelo mito que conseguiu criar em torno da sua colecção de 40.000 volumes. Uma parte considerável da sua obra escrita serviu para produzir e alimentar esse mito triunfante. [...]
Se não fosse o mito, tão ao gosto dos poderes políticos e mediáticos que se querem dotar de capital simbólico, Alberto Manguel não estaria prestes a desempacotar a sua biblioteca, vinda de Montréal, para a instalar no Palacete dos Marqueses de Pombal, na Rua das Janelas Verdes, a mesma onde morou Madonna, graças a um acordo já assinado entre o proprietário dos livros e a Câmara Municipal de Lisboa. [...]»


Fernando Medina, socialista rutilante, edil de Lisboa, é, estamos fartos de saber, versado em pirotecnia. E a Tinta da China/Bárbara Bulhosa não dorme no serviço. 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Clara Ferreira Alves, petulante; Pedro Mexia, não.

«[...] A sida, a crise de saúde mais grave que a minha geração conheceu, e que decretou a morte dolorosa e a violência do estigma das primeiras gerações de infectados, acabou por ser controlada, mas a vacina não chegou. Apenas a transformação da doença como metáfora, nas palavras de Susan Sontag, em doença crónica. A colaboração planetária foi essencial. [...]»

Que sentido faz no contexto o título da nova-iorquina? Nenhum.
Ficasse-se a plumitiva pela «transformação da sida em doença crónica», e bastaria. Mas CFA não desperdiça nenhuma oportunidade, ainda que desconchavada, de relembrar aos leitores que é a pessoa mais letrada do universo. 
///
«[...] Lembrei-me por isso de “A Doença como Metáfora” (1978), um breve ensaio de Susan Sontag que nunca me pareceu tão útil, porque perdi a conta aos artigos de jornal que usam o coronavírus como metáfora do capitalismo, do ateísmo, do consumismo, da “natureza zangada connosco”. É que se uma rosa é uma rosa é uma rosa, então um vírus é um vírus é um vírus. Sontag, que enfrentava à época um cancro, embora nunca mencione a sua condição, escreveu “A Doença como Metáfora” para atacar esse uso da doença como metáfora disto e daquilo. O seu estudo é cultural, linguístico e clínico (na óptica do paciente). Do ponto de vista cultural, trata-se de um pequeno historial das metáforas associadas a duas doenças, a tuberculose e o cancro, sobretudo na literatura euro-americana; em termos linguísticos, é uma crítica ao uso de terminologia médica fora do campo da medicina, em especial no combate político; de uma perspectiva oncológica, é um apelo a que se encare a doença como questão científica e terapêutica, não como alegoria ou moralidade. [...]»

É por isto, certo de que não combinaram falar da metáfora de Susan Sontag na mesma edição do Expresso, que confio em Pedro Mexia, que leu o livro, e desconfio de que a e portanto dito isto devo dizer etc. Clara Ferreira Alves do livro só sabe ou só se lembra do título com que se vem pavonear.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Ó Pedro Mexia, tento nessa língua...

ÚLTIMA  HORA
Pedro Mexia diz «items». [Como se dissesse «origems».]

«quais são os items dessa acusação que lhe é feita?»

«são aliás todos os items da minha ementa»
os itens

«O punk, nesse sentido, para mim é a epítome desse lado de energia» 
o epítome 

«sensação que basta ser verosímel — não é preciso ser verdadeira —, basta ser verosímel para ser bastante grave.»

«está aberto a qualquer solução possível e imaginária para continuar no poder»

«atenção, eu não sou daquelas pessoas que acha que»
daquelas pessoas que acham

«não faço parte das pessoas que diz "não aconteceu nada"»
das pessoas que dizem

«Uma das coisas que acontece, uma das coisas que acontece muito foi aquilo que o Germano disse.»
uma das coisas que acontecem

Pedro Mexia é dos portugueses que por aí escrevem e falam que mais admiro.
Mas, lá está*, há sempre o perigo de crianças por perto
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* Tique incontinente e relapso do comparsa Ricardo Araújo Pereira, por sinal ultracuidadoso no manejo da gramática.

domingo, 1 de setembro de 2019

E a Estónia?

A dado ponto do seu "Fraco consolo" de ontem, ilustrado por "Le Ballon" (1899), de Félix Vallotton (1865-1925), escreve o excelente Pedro Mexia:
«[...] Em "Le Ballon", uma menina (mas pode ser um rapaz, vestido à filho-família de 1899) corre atrás de uma bola ou de um balão, à beira-rio, como se estivesse a fugir da sombra ominosa de uma árvore gigantesca que não vemos, enquanto ao fundo duas figuras adultas, de pé, parecem alheadas do que possa acontecer à criança. [...]»

Queira, leitor paciente, observar a seguinte passagem de "As Crianças na Arte", belo filme-documentário realizado por Jérome-Cécil Auffret, 2016, a que ontem à tarde assisti na RTP 2. 

Ele há ou não coincidências do camandro?
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Na mesma peça, diz o jornalista Tiago Soares — bebeu aqui — que em 2017 «92 pessoas em Portugal morreram prematuramente devido ao barulho». Com o próprio Bergoglio a exigir «Quiero lío!», a Filomena Cautela e todos os beócios da diversão neste país a urrarem a toda a hora «Façam barulho!», não admira tanta morte. Ainda assim, gostava de perceber na certidão de óbito de cada um dos referidos 92 desgraçados por que relevante motivo e com que idade a ceifeira os levou. Barulho? Cheira-me a fervor estatístico-sanitário embrionado nas modernas universidades do conhecimento ultra-especializado.
É c'mós 16 mortos das trotinetas

Mas não resta dúvida: morre-se muito.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Les beaux esprits se rencontrent.*

«[...] Reparo agora que não foi ontem e — como diziam os invencíveis gauleses — amanhã também não será a véspera desse dia. [...]»
- Henrique Monteiro

«[...] Por todas as razões e mais uma, era o pintor favorito do meu pai, juntamente com Rouault (não vais deixar de escrever sobre o teu pai?; ** talvez, mas amanhã ainda não é a véspera desse dia). [...]»
- Pedro Mexia

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Mau sinal

«sinal de que chegaste», se não se importam, ó vocês do Mini na rua e do Mini no jornal.
É que, pró caso * de não saberem, também há sinais que chegam. E ainda assim não me livro da puta da ambiguidade já que há sinais que vêm e sinais que bastam e assim sucessivamente, uf!

PS
Chuva équa
Agradeço e encaixo com deferência o raspanete do Eremita.
Espero que não me repreenda por me meter com a Porto Editora
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* prò caso prò caso prò caso prò caso prò caso prò caso prò caso prò caso prò caso prò caso
Muito obrigado, amigo Helder.
18.Fev.2017

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Luzes e sombras

"Governo Sombra" de anteontem, TVI 24.

Pedro Mexia inesperadamente tosco: «Estes dados são positivos e vão de encontro ao argumentário do sim.»
«Vão ao encontro do argumentário» é que deveria ter dito.

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* «[…]
3. Aponta a figura de estilo presente na expressão: Tua ausência em mim, verso 33. Destaca a sua expressividade.
[…]»
Já agora e continuando em letras de José Niza, o meu otoverme mais recorrente — se calhar tenho de dizer «otoverme no bom sentido» — de Paulo de Carvalho é "Maria, vida fria", isto é,  "Antes que seja tarde".
Nosso querido e saudoso Pedro Osório, que músico magnífico ele era. E que voz grande, a de Paulo de Carvalho.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Arlequim, arlequim aos molhos

Não oferecia dúvida a nenhum olhar minimamente atento que a conversa de 10 minutos e picos com que o Presidente da República veio, pelas 17h00 de anteontem, explicar na TV a promulgação do Orçamento do Estado consistia de texto meticulosamente estudado e previamente escrito. Dissimulando uma espontaneidade de gato escondido com rabo de fora, Marcelo lá foi seguindo, certinho, o teleponto até que ao minuto 08:55 se entaramelou na leitura:
«Nós sabemos que como orçamento-compromisso houve reservas de parte a parte e que porventura não este o governo, não é o orçamento que o governo teria preferido.»

.  Constança Cunha e Sá- Há aqui um registo completamente diferente. O passeio pelos jardins, o facto de estar sentado, o facto de não ser uma comunicação escrita. Que me lembre deve ser a primeira comunicação ao país de um Presidente … 
José Alberto Carvalho- Não escrita! 
Constança- … não escrita. Portanto, tudo isto é de certa forma surpreendente. 
.  o Presidente, que falou de improviso num pouco comum horário das 17h00, diferente das 20h00 que tantos governantes utilizam para fazerem as aberturas dos noticiários.

.  Sentado, de improviso — mas que Presidente é que faz uma comunicação ao país de improviso? —, este foi mais um comentário que podia ter continuado com um “Judite, ainda temos tempo para ir aos livros?”

.  o Presidente da República falou de improviso e elencou as razões pelas quais deu luz verde ao OE.

.  E Marcelo marcou a diferença com discurso de improviso

Etc.

Que porcaria de jornalismo é este?

// 

Aproveito para meia dúzia de impressões requentadas que conservo daquela estapafúrdia quarta-feira, 9 de Março de 2016, dia da posse de Marcelo, o mais cartilagíneo dos políticos, a mais azougada das criaturas, até agora uma espécie de presidente-arlequim.

10h11- Marcelo jura e torna-se PR.

10h12- Canta-se «contra os canhões marchar, marchar» enquanto o canhão canta 21 estrondos contra a Trafaria.

10h18 – Ferro Rodrigues discursa.
«Eleito “de forma clara”, discursou ainda o Ferro Rodrigues, “a partir de hoje, vossa excelência” — virando-se para Marcelo Rebelo de Sousa — “é o nosso Presidente, o Presidente de todos os portugueses. Desejo-lhe as maiores felicidades”.»
Contesto. O que ouvi e vi:
«A partir de hoje, Vossa Excelência, Marcelo Rebelo de Sousa — Ferro Rodrigues vira-se para Aníbal Cavaco Silva, à sua esquerda, minuto 01:25 —, é o nosso presidente, é o presidente de todos nós, o presidente de todos os portugueses.»
Era.

Que tal? 
.  Paulo Portas- literariamente bem escrito 
.  Nuno Rogeiro- literariamente exemplar
.  Diogo Ramada Curto- o que nele mostrou foi um somatório de referências obsoletas, para não lhes chamar bacocas.
.  João Miguel Tavares- Em resumo, foi uma chatice.
. Plúvio, valendo-me de Alexandre O'Neill- Uma coisa em forma de assim, redonda, limpinha, demagógica qb, patrioteira, exaltante, optimista, para agradar a todos, com citações de Mouzinho de Albuquerque, Adam Smith, António Lobo Antunes e Miguel Torga. Atenhamo-nos à parte final:
«Mas a resposta vem de um dos nossos maiores, Miguel Torga. Que escreveu em 1987, vai para trinta anos: 
"O difícil para cada português não é sê-lo; é compreender-se. Nunca soubemos olhar-nos a frio no espelho da vida. A paixão tolda-nos a vista. Daí a espécie de obscura inocência com que actuamos na História. A poder e a valer, nem sempre temos consciência do que podemos e valemos. Hipertrofiamos provincianamente as capacidades alheias e minimizamos maceradamente as nossas, sem nos lembrarmos sequer que [Torga escreveu, e bem, lembrarmos sequer de que] uma criatura só não presta quando deixou de ser inquieta. E nós somos a própria inquietação encarnada. Foi ela que nos fez transpor todos os limites espaciais e conhecer todas as longitudes humanas…
... Não somos um povo morto, nem sequer esgotado. Temos ainda um grande papel a desempenhar no seio das nações, como a mais ecuménica de todas. O mundo não precisa hoje da nossa insuficiente técnica, nem da nossa precária indústria, nem das nossas escassas matérias-primas. Necessita da nossa cultura e da nossa vocação para o abraçar cordialmente, como se ele fosse o património natural de todos os homens." 
Pode soar a muito distante este retrato, quando se multiplicam, na ciência, na técnica, na criação da riqueza, tantos exemplos da inventiva portuguesa, entre nós ou nos confins do universo. [Levemente exagerado. Ou será que a NASA conseguiu identificar num cantinho da A1689-zD1 gases de um tuga que ali se peidou?]
E, no entanto, Torga viu o essencial. 
O essencial, é que continuamos a minimizar o que valemos. 
E, no entanto, valemos muito mais do que pensamos ou dizemos. 
O essencial, é que o nosso génio – o que nos distingue dos demais – é a indomável inquietação criadora que preside à nossa vocação ecuménica. Abraçando o mundo todo.
[Mas que merda de vírgulas são estas, senhor Presidente? Ou esta — "O essencial, é" —, repetida aqui.]
Ela nos fez como somos. 
Grandes no passado. 
Grandes no futuro. 
Por isso, aqui estamos. 
Por isso, aqui estou. 
Pelo Portugal de sempre!»
[Anoto que Marcelo, bailarino, inverteu a ordem por que Torga escreveu os parágrafos: o que começa por "O difícil" pertence à página 216 e o que começa por "Não somos" à página 215 do livro "miguel torga – diário, volumes XIII a XVI"]

11h02- António Costa aperta a mão de Marcelo durante sete segundos à velocidade convulsiva de seis sacudidelas por segundo. Não quero imaginar a entorse de que Sampaio da Nóvoa se livrou...

11h24- Maria Manuel, lady in red, simplex 

Paulo Magalhães, da TVI, agora chefe do gabinete de comunicação da Presidência, realça a presença de «vários dignatários de confissões religiosas».


«É uma encenação de espontaniedade que Marcelo sabe muito bem fazer.»

Foi isto.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Livre-arbítrio dos matrecos

«[...]
Por definição, um parlamentar comunista possui tanta independência quanto os centro-campistas dos matraquilhos.
[...]»

Não conheço nenhum colunista de esquerda [seja de esquerda o que for] — conheço e leio-os a todos até ao fim, incluindo Ferreira Fernandes, o melhor — que escreva tão bem e com tanta graça como Alberto Gonçalves.
Mesmo entre os de direita [seja de direita o que for] — conheço e leio-os a todos até ao fim, incluindo Vasco Pulido Valente, dos melhores — não me está neste momento a ocorrer nenhum tão bom como AG, e há-os excelentes, Miguel Tamen por exemplo.
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Então, Plúvio, e Pedro Mexia, hã?

sábado, 3 de maio de 2014

Os melhores 45 minutos na lembrança dos 40 anos daquele
dia inicial inteiro e limpo *

ofereceram-mos Carlos Vaz Marques, João Miguel Tavares, Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira, com Hélder Gonçalves e Manuela Azevedo dos Clã, no Governo Sombra de 25/26.Abr.2014, na TSF/TVI24.
00:55 "Liberdade", de Sérgio Godinho; 
08:05 "Somos livres" ["Uma gaivota voava, voava…"], de Ermelinda Duarte;
14:45 "Força, força, companheiro Vasco", de Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo;
26:05 "Fado de Alcoentre", de Fernando Tordo e Ary dos Santos;
35:35 "Portugal ressuscitado" ["Agora o povo unido nunca mais será vencido…"], de Pedro Osório e Ary dos Santos;
42:55 Finalmente irromperá num Lá maior apoteótico bem esgalhado por Hélder Gonçalves na guitarra, com Pedro Mexia nos ferrinhos em compasso irrepreensível, e façanhudo e bem timbrado coro, "A cantiga é uma arma", de José Mário Branco, o melhor músico de nós, nunca será excessivo dizê-lo.
Admiro esta gente e confesso: não paro de gostar de Manuela Azevedo.
Obrigado, amigos, e, por favor, mantenham-se mordazes e reinadios.
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terça-feira, 11 de março de 2014

Os tweets de Paulo Rangel e o poder de síntese de Pedro Mexia

Paulo Rangel é federalista; Pedro Mexia, abrenúncio.

federalismo*
«Esse tweet chega, não preciso dos outros 100. Essa palavrinha chega-me, como possível eleitor — neste caso, como não-eleitor —, para não votar na coligação, e essa é uma questão essencial.  …  São apenas nove caracteres, é um microtweet, mas a mim chega-me, não preciso de ler os outros 100.»

Vêm-me inevitavelmente à lembrança as famosas 'sete letras de Pascoaes e de Pasolini', contadas por António-Pedro Vasconcelos na apresentação de "São Paulo".
A-PV tê-las-á contado de ouvido, sendo de presumir que o revisor da Assírio & Alvim conferiu na calculadora.
__________________________________
* Palavra não explicitamente ladrada por nenhum dos 101 dálmatas de Rangel, nem por isso federalismo [11 caracteres, como Pedro Mexia bem contara segundos antes de chegar à síntese] deixa de ressoar por todo o manifesto da "Aliança Portugal" [muito engole o CDS…], maxime no tweet 19., anteriores e seguintes, não considerando os demais 
em português, ão-ão-ão,
au-au-au em alemão.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2013 e limítrofes, incluindo 1953, no balancé do meu capricho.

. Melhor post não escrito por Plúvio. 
. Melhor blogger– Táxi Pluvioso. 

Blogue estimável com o título mais pífio e o subtítulo mais fatela.

. Melhor jornalista de TV– Luís Gouveia Monteiro, apresentador, perdão, anfitrião no Canal Q do melhor título de informação, "O que fica do que passa", com um impagável e delicioso marginal ameno açoriano. 
Melhor entrevista. 
. Melhor humorista– Alberto Gonçalves. [Não? Experimente, só para lhe tomar o gosto, “Turismo macabro”, de 19.Dez.2013, entre as 11 crónicas publicadas na Sábado, de 24.Out. a 31.Dez.2013, acerca deste “Paralelo 38” na RTP.] Tirando o horror ao comunismo, ao socialismo, ao Estado e à Constituição, e o ódio cego e descabelado, beirando vez por outra o desconhecimento altivo, ao engenheiro Sócrates, o sociólogo Alberto Gonçalves, que também actua aqui e aqui, passa bem por um fabuloso cómico progressista à esquerda de quem vem, em sentido contrário. Insisto: poucos são os que escrevem por aí tão bem e com tanta graça.
. Pior cronista– Celeste Cardona, no DN.
. Melhor cronista-  Pedro Mexia, no Expresso, na Ler e onde quer que tenha escrito.
. Pior político– Catarina João Martins Semedo
. Segundo pior político ligeiramente mais indigesto do que João Catarina: Marisa Matias
Pior político, para nosso grande azar,  no sítio onde talvez devesse estar o melhor
Mais sabido e perigoso dos troca-tintas demagogos
Pior e mais ominoso dos políticos
. Melhor ex-primeiro ministro
. Pior primeiro-ministro, timoneiro dos pinículos
. Melhor comentador político- Augusto Santos Silva
. Momento político do ano- Pelas 18:00 de 12 de Setembro, a sempre aflita da respiração co-coordenadora do BE, veio ao Metro de Odivelas caucionar nada menos do que 130 propostas justas e sensatas para a governação do concelho que a multidão presente – era humanamente impossível arranjar assento para todos - haveria de acolher com entusiasmo efusivo. Duas semanas depois e embriagados de fé no partido que naquele heróico 23 de Março de 2011, dia de São Turíbio de Mongrovejo, mundial da Meteorologia e nacional da Cáritas, ajudou, para redenção de Portugal, a derrubar José Sócrates e a levar mais depressa ao pote Passos Coelho, os odivelenses – perdão, as odivelensas e os odivelensos - não se fizeram rogados: 5% dos votos, nenhum dos 11 vereadores eleitos.  
. Melhor livro [é preciso uma ganda lata para vir aqui falar de melhores livros quando nem duas dúzias se leu dos cinco mil publicados]– Atlas do Corpo e da Imaginação
. Melhor romance de que ninguém falou– O Reino.
. "Melhor livro de 2013" de Alberto Gonçalves
. Melhor programa televisivo que ainda dura– Ponto Contraponto.  
. Melhor programa televisivo que durou pouco– Odisseia
. Melhor programa televisivo razoável com o título mais piroso– Baseado numa História Verídica, Canal Q.

E rádio, pá? E teatro? E concertos? E bola, pá?

. Melhor guarda-roupa- O de Inês Meneses, sem nada por baixo.
. Terceiro melhor Papa. Frente a episódios de fundamentalismo violento que nos preocupam, o afecto pelos verdadeiros crentes do Islão deve levar-nos a evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência. - Exortação Apostólica "A Alegria do Evangelho", 253. Este Bergoglio é de uma bondade e ingenuidade desarmantes. Sorte dele é Alá ainda usar fisga.
. Segundo melhor Papa.
. Primeiro melhor papa, o único dos três que não se fia na virgem. 
. Palavra mais feia– ajustamento.
. Redundância mais insuportável– desonestidade intelectual. Como se houvesse outras.
. Eufemismo mais execrável- colaborador em vez de trabalhador.
. Tique mais irritante– Dito isto.
. Quem, dito isto, mais hemorrágica e irritantemente praticou o irritante tique “dito isto”: Pedro Rolo Duarte. Até o bom do Pedro Mexia já está contaminado. [minuto 15:25]
. Mais ubíquos– José Tolentino Mendonça* e Joana Vasconcelos, ex aequo com o Ademar Costa da Póvoa de Varzim, campeoníssimo da epistolografia em todos os jornais e revistas do país [“Cartas ao director”, “A carta da semana”…, via e-mail que é mais depressa e poupa selo], que conseguiu 711 publicações dos seus sábios considerandos. O Tomaz Albuquerque de Lisboa, vice-campeoníssimo, nem aos calcanhares do Ademar chegou, com apenas cerca de 403 publicações dos seus considerandos sábios. Eu acho que o azar do Tomaz é que o nome do outro começa por a logo seguido de d, e nisso os directores e editores de imprensa são muito criteriosos. 
Mistério mais misterioso- zona mista. [Como vês, pá, também se fala de bola neste balanço.]
. Segunda melhor frase– Sempre que mudamos uma pedra de um lado para outro, isso é arquitectura. – Farrokh Derakhshani, director do “Prémio Aga Khan para a Arquitectura 2013”, no Castelo de São Jorge.
. Melhor e mais comovente frase- Não me deito nunca sem dar banhinho à minha mãe.Arlete, empregada de refeitório.
. Melhor café– Delta.
. Melhor fruto, em 2013, desde sempre e para sempre- azeitona.
. Melhor morto- Impossível eleger. Todos eram pessoas excelentíssimas.
. Melhor obituário– o de António Ramos Rosa, apesar da maior audiência do de Manuel António Pina.
. Melhores dos melhores- as minhas filhas, os meus irmãos, outros queridos familiares e os meus amigos – pudera! -, Gonçalo M. Tavares, António Guerreiro, Bach, a Margarida e o senhor Moreira.
. A quem me compararam– Frank Zappa, aos 23 anos, a tocar bicicleta
. Melhor filme de sempre em 2013- Viagem a Tóquio [1953].

Etc.

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* Hei-de escrever, não tarda, uma carta aberta ao padre Tolentino, em meia dúzia de linhas, a dizer mais ou menos:

«Bobadela, tantos do tal

Reverendo padre, lídimo poeta, prosador fecundo, sensível e decerto justa pessoa,

Venho interpelá-lo na sua qualidade de vice-reitor da excelentíssima Universidade Católica que tantas fornadas de altos-quadros tem posto a gerir,  a governar e a aconselhar Portugal e parte importante das suas instituições e empresas, para que, por favor, nos elucide, nos informe, nos diga que merda de orientação se inculca, se é que alguma, nas cabecinhas dos seus alunos, designada e principalmente dos cursos de Gestão, Economia e Direito, acerca das duas seguintes singelas coisas: escrúpulo e ganância.

Grato e com os cumprimentos da praxe,

Plúvio.»
- x - 

[Texto reeditado em 05.Jan.2014. Como apodreço em aparente seriedade, céus!]

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Fintas do tempo

Mobutu Sese Seko, que foi presidente do Zaire, actual República Democrática do Congo, desde 1965 e durante ininterruptamente 32 anos, morreu em 1997. Só dois anos depois, em 1999, Vladimir Putin haveria de começar a exercer cargos na alta governação da Rússia - sucessiva e alternadamente primeiro-ministro, presidente, primeiro-ministro, presidente.

Assim, estranho o anacronismo de Pedro Mexia no “Governo Sombra” de 15/16.Nov.2013 [minuto 08:55], sem reparo de qualquer dos três argutos circunstantes:

«Nós sabemos que Mobutu diz que não pode sair porque senão o Putin saiu mas ficou ali ao lado para voltar depois…» *

Confio que o excelente Pedro Mexia, nascido em 1972, seja sempre mais fiável nos clássicos, como Santo Agostinho com cujas “Confissões”, pedaços delas, escritas há mil e seiscentos anos, costurou a sua esplêndida crónica, Em busca do tempo[Expresso/Atual, 09.Nov.2013].

Não há passado, mas lembrança; não há presente, mas atenção; não há futuro, mas espera.
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* Terá Pedro Mexia querido dizer Mugabe?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Rogério Casanova

na LER de Outubro de 2013 e a revista LER segundo Clara Ferreira Alves*:

Pastoral Portuguesa
- “Room 237 – O quarto escuro da interpretação” [Teorias estrambólicas  sobre “The Shining”, de Stanley Kubrick]
«[…]
Ver alguém partir de premissas erradas para aplicar as técnicas erradas ao objecto errado e assim chegar a conclusões tão distantes da realidade que nem sequer se podem classificar como “erradas” é quase sempre divertido, desde que não resulte em fatalidades.
[…]»
- ‘Consultório literário’
«[…] gostaria de o convidar a especular sobre uma possível correlação entre a evolução das práticas clínicas e as doenças de que personagens literárias foram padecendo ao longo dos tempos […]»

Lolita – Estado de graça”, sobre Lolita, de Vladimir Nabokov, Relógio d’Água/Julho de 2013Uma nota estupefacta para a presente tradução**, que representa um avanço estratosférico sobre a anterior versão portuguesa***, e que, no esforço que exerceu para verter uma prosa cuja eufonia funciona quase exclusivamente à base de aliterações, é um trabalho de quase inacreditável competência e criatividade.»]
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* «Subvalorização é coisa que não existe na “novíssima” literatura portuguesa. São todos sobrevalorizados: os que publicaram, os que publicarão, e mesmo os que nunca pensaram publicar e um destes dias, sem querer, ganham um prémio. A inexistência de massa crítica e de discórdia, o facto de a única revista literária portuguesa, “Ler”, ser um produto de lobby (o de Francisco José Viegas, com o seu índex de inimigos e desagrados), e um “meio” pequeníssimo inquinado pela recusa da polémica (toda a gente se conhece e todos dependem uns dos outros) faz com que os autores nunca sejam sujeitos a um juízo literário liberto de constrangimentos e cumplicidades. Que alguns mereciam. A “Ler” instituiu uma ditadura do gosto e do marketing e exerce um poder de canibalização  que ninguém ousa contrariar. No corredor, pratica-se o escárnio e maldizer. E lá vamos andando.»

Ao mesmo tempo que se aprecia o desassombro com que Clara Ferreira Alves, que não trabalha para a LER e a quem o Francisco que paga é o Pinto Balsemão, escreve estas coisas no Expresso sem precisar de tomates, espera-se que, apetrechados com dois pares deles, os canibais José Mário Silva e Pedro Mexia, plumitivos residentes na LER e com bancada crítica permanente no Expresso, não demorem a vir contrariar publicamente – no corredor não vale - a sua façanhuda e plumitiva colega. De preferência, libertos de constrangimentos e cumplicidades

** De Margarida Vale de Gato. Parabéns, Margarida!

*** Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues para as Publicações Europa-América, 1974; depois, para a Editorial Teorema, Círculo de Leitores, etc.