quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Explosão demográfica

«Dois filhos, um irmão e dois sobrinhos

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Rui Nunes - palavras, língua, Deus e o mais

«[...]
A língua não é um dom de Deus; a língua é um instrumento. E quando eu ouço dizer “A língua é sagrada”, ou ouço falar do “respeito pela língua”, tenho medo. A língua não tem nada de sagrado, como uma enxada não tem nada de sagrado. Serve, a enxada, para eu cavar a terra; a língua serve para eu falar, para eu escrever, para eu comunicar. É um meio, um meio que às vezes surge quase como um fim; mas todas as vezes que a língua surge como um fim, é preciso suspeitar. Ela, realmente, é um meio, e é preciso reconduzi-la à condição de meio que ela é, não sacralizá-la. Portanto, todos os processos de contaminação da língua me fascinam. Quanto mais contaminada a língua for, mais plástica se torna, e menor poder tem. Realmente, parece que usam a língua como um meio, um meio para contar histórias, mas não: estão a ser utilizados pela língua. A língua é que sabe as histórias que quer que se conte. Porque a língua tem lá todas as histórias; foram estabelecidas ao longo dos séculos.
[...]
a palavra “Deus”. Nós nascemos com essa palavra, ela está por todo o lado. Na arte, na literatura, na filosofia, na educação, por todo o lado. É uma ideia com um significado fortíssimo, um enorme peso. Como a ideia de justiça, a ideia de bem e de mal. É um conceito. Mas é um conceito de uma importância extrema. Porque, possivelmente, a primeira palavra que eu ouvi foi “Deus”. Como não era muito bem comportado, diziam-me: “Olha que Deus castiga-te.” Mas, como digo num livro, acrescentavam “sem pau nem pedra”. Isso aliviou-me um bocado. Assim, esse castigo não interessa nada. Penso que a minha relação com Deus nasceu aí. O pau e a pedra é que interessam, esses é que magoam; o resto não me afecta. Ou não afectava a criança que eu era. [...] Não sou crente. Infelizmente, digo às vezes. O meu olhar não me permite que eu seja crente. Tudo me diz que Deus não existe. Não é mais do que um conceito. Aliás, seria, para mim, aterrorizador que alguma vez se pusesse sequer a possibilidade de Deus existir.
[...]»
A propósito de "Suíte e fúria"

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Eduardo Lourenço, sejamos justos, não está só

A palavra a João Pedro George:
«[...] Nos últimos anos, sempre que vem à baila a obra de Eduardo Lourenço, parece que toda a gente, tanto à direita como à esquerda, mergulhou numa panela de clorofórmio. Porque, em boa verdade, Eduardo Lourenço pode ser reivindicado por ambos os lados do espectro político. Tanto assim que o mestre de Vence se tornou, hoje, numa espécie de porta-voz do status quo e num senador das letras, investido das funções cardinalícias de administrador não executivo da Gulbenkian.
O pensamento de Lourenço organiza-se em torno de duas ideias. A primeira não é verdadeira e a segunda não é original. [...]»

A palavra a Eduardo Lourenço:
«Por mais maníacos que sejemos, ou megalómanos, nós não somos o centro do universo.» *
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* O professor Eduardo Lourenço não só não é o centro do universo como não está sozinho nele.
A palavra a Bruno de Carvalho:
«já estão a contar que nós sejemos destituídos.»

E nem o doutor Bruno de Carvalho, apesar de ser o centro do universo, está sozinho.
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sejamos, porra!

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terça-feira, 6 de novembro de 2018

Fernanda, Tânia, Felícia

«CMTV vai a julgamento por divulgar vídeos de interrogatórios de Miguel Macedo
Três funcionárias da estação vão a julgamento por divulgação das inquirições do ex-ministro, em 2015. [...]»
«O pudor e o respeito
Cara Fernanda, funcionária de Proença de Carvalho e subalterna dos dois jornalistas* que o namorado queria ver à frente de um dos grupos que manda na comunicação social. Escrevias tu, há dias, que eu, funcionária da Cofina, com carteira profissional de jornalista, iria ser julgada por violação de segredo de justiça por divulgar os interrogatórios no processo Vistos Gold. Insurgias-te com a CMTV pelo trabalho no caso da viúva Rosa para terminares, onde querias começar, no processo Marquês e na divulgação do que o teu ex-namorado disse à Justiça. Li-te também quando destilavas ódio no Twitter contra os PSP que divulgaram as fotos dos assaltantes. Dizias que não diferiam dos assassinos da Arábia Saudita. Sabes... Pedir uma casa de três milhões a um namorado também não te deixa muito distante de algumas actividades que eu conheço. Pior: o que vos separa nem sequer é o pudor. É mesmo a falta de respeito pela inteligência alheia.»

«[...] Fernanda Câncio. Conheço-a desde que ela se introduziu nesta área com um grupo de anarquistas que tentaram dar algumas luzes àquela cabeça [...]»

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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A crise leonina

Qual Bruno, qual Jesus, qual Varandas, qual Peseiro, qual Keizer, qual quê...
Enquanto não limparem a vírgula do felídeo — À LEÃO, É TER ORGULHO EM MOSTRAR O CARTÃO. — o Sporting não irá a lado nenhum.

domingo, 4 de novembro de 2018

De que se morre?

A Maria Guinot*, por exemplo, foi «de infecção respiratória na Parede».
E se o Diário de Notícias o diz é porque foi.
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* Maria Adelaide Fernandes Guinote Moreno, 20.Jun.1945 -** 03.Nov.2018. Guinote, sim; nada como uma apócope artística para aditivar o pedigree...

sábado, 3 de novembro de 2018

Contraponto

«[...]
Agosto de 2018, pico da silly season. Numa daquelas entrevistas curtas e superficiais, questionários de Proust com farinha Maizena para encorpar, e sem que se esperasse, eis uma nova coroação, desta feita não às mãos de um outro editor, veterano medalhado e ferido de perdidas batalhas, mas da própria jornalista que orientava a entrevista. Por esta ficámos a saber que o novo imperador a ostentar a incómoda coroa da linhagem de quase falidos editores nacionais é um jovem “coordenador cultural da Porto Editora”, que, além do atributo real, herdou também a casa-mãe da dinastia: a Contraponto, essa mesma fundada por Luiz Pacheco, de que ele é agora apresentado como “relançador”, e na qual lançará, porventura à laia de justificar a unção da sua jovem cabeça, umas biografias de gente que conheceu o fundador da Contraponto e nela foi publicada (Natália, Herberto). Num mesmo corpo, um novo imperador e uma reencarnação. Em suma, um acto messiânico, um verdadeiro milagre oferecido ao distraído leitor comum, entre um mergulho e outro.
[...]»

Quem será a «própria jornalista»? Quem é o «novo imperador»? Onde foi publicada a «entrevista»?
Gostei da peça, nutro admiração antiga pelos galimares em apreço, concordo muito com o autor, mas ponho-me no lugar do desprevenido e indocumentado freguês do Público e pergunto: que razões estranhas impedem o excelente Pedro Piedade Marques de "chamar os bois pelos nomes" [Inês Maria Meneses, Rui Couceiro]?; era preciso envolver esta página do Expresso de 11 de Agosto de 2018 em tão críptica névoa?
Coisas que me encanitam.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Crónica do caralho

«[...]
o "bicho", o "coiso", o "careca", o "ceguinho", o "surdo", o "sacana", o "membro", o "amigo", o "pai de todos", a "felicidade das mulheres"
[...]
não é de admirar a sintomática insistência na fisionomia bélica, mortífera ou aniquiladora do pénis, como uma máquina de guerra que avança semeando caos e sofrimento, e que coisa alguma faz vergar. *
[...]»
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* Há-de tomar-se por distracção desculpável que o magnífico cronista não tenha acrescentado, a este vergar, «ou não fosse ele próprio também "verga"»...

sábado, 22 de setembro de 2018

Boaventura e os lepismas

«[...]
- Como é que encontrou Lula?
- Foi uma experiência muito intensa. Primeiro porque estou num edifício há 11 anos inaugurado por ele como Presidente do Brasil, e agora está lá preso. Depois, sou conduzido por dois polícias federais até ao terceiro andar — eles têm todos formação superior — e um deles diz-me: "Professor, nós somos devoradores dos seus livros." * Penso que o que ele me quis dizer é que a polícia federal não está toda de acordo com o que se está a passar, mas têm de cumprir ordens.
[...]»
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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Bem-vindos ao país cristino [2] *

Acerca destes 24 minutos com uma mulher possessa de si, a melhor reflexão, das que conheço, fá-la Marco Alves na Sábado em linha: "Cristina Ferreira precisa de um amigo (que não o Goucha)", 18.Set.2018.
Bravo, Marco! Apesar do solecismo: «Cristina, quanto muito, está a começar com vários zeros à direita.»

«Percebo os sinais [...] Leio tudo. As pessoas às vezes podem pensar Como é que ela tem capacidade de, nas milhares de mensagens, estar atenta a tudo? Eu leio realmente tudo [...] e devo-te confessar ** que me preparei para isso. [...] Tenho uma amiga minha que me dizia Eu não te sei explicar nem queria muito utilizar aqui esta palavra nesta situação, mas o facto de tu deixares as manhãs e a TVI e o Manel é quase semelhante à morte da princesa Diana.»
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Impressiona como lendo tudo, realmente tudo, a jactante criatura seja tão bronca. 
nos milhares de mensagens

Quanto a Marco Alves, que admiro,

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Precedência da sucessão

ora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última h
«Quando o ataque agressivo mais forte ocorre, ele depois é precedido logo a seguir por um momento de desculpas...»
Psicólogo clínico da APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
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- Olá! Sou o Daniel Cotrim. *

sábado, 1 de setembro de 2018

Ciganada, escarumbas, monhés, paneleiragem, fufedo

«[...]
é perigoso instituir, como cada vez mais acontece, formas de policiamento da linguagem. Usar, como se diz nos EUA, a n-word, nigger, chamar “macacos” aos jogadores negros, acompanhando os insultos por gestos simiescos, chamar “monhé” ao primeiro-ministro, chamar “paneleiros” aos homossexuais e “fufas” às lésbicas, e por aí adiante, por muitas fúrias verbais que suscite, cabe no meu entendimento da liberdade de expressão. Nada tenho contra as tempestades de resposta - quem não se sente não é filho de boa gente - mas sou completamente contra a censura do Estado, do Facebook, do Google e do Twitter, que pretende criar um muro sanitário para as ofensas e, ao fazê-lo, entram num processo censório que sabemos como começa, mas não sabemos como acaba.
[...]»
José Pacheco Pereira, "O admirável mundo novo e a sua companheira, a censura"
Público, 01.Set.2018

Onde está, ó morte, a tua vitória? *

Talvez não.

Talvez.
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segunda-feira, 23 de julho de 2018

O anticiclone Alguém e a lata dos prosélitos

Segundo o IPMA - Instituto Português do Mar e da Atmosfera, nenhum dos últimos 30 Julhos foi tão frio como este, diz que por culpa de conduta desviante do anticiclone dos Açores.

Como explica, digamos, Jorge Coelho do Partido Socialista?
«Os fogos estão, digamos, também ao contrário das previsões mais complicadas que havia, que ia outra vez arder tudo, ia morrer tudo... Estão as coisas a correr bem, é sinal de que alguém andou a trabalhar bem... Temos que reconhecer que houve um grande esforço.»

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Baixa e furibunda,

alta e serena.
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PUB.

Tempo instável

- Então, Plúvio, essa meteorologia não tem andado grande espingarda...
- Pois não, amigo, muda tanto que me desoriento e esvaio. Por exemplo, o doutor Rui Duarte, tradutor e legendador da RTP  — a  culta e adulta  —  escreve metereológicas; "do mar e da atmosfera" foi como o governo de Passos/Portas mandou dizer em 2012; a Rodoviária de Lisboa, em que passo parte da biografia agarrado ao cipó, insiste em meteorogia. Como raio pode um pobre elfo...
- Podum pobrelfo, amigo Plúvio?
- ... podum humildelfo chover decentemente?
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terça-feira, 17 de julho de 2018

Assembleia de Deus

França, 4 - Croácia, 2

Dois flagrantes * da reacção antropológica:
à esquerda, quando aos 28' Peričić fez 1-1;
à direita, quando aos 65' Mbappé fez 4-1.
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* Apenas dois porque humanidade a mais torna-se cansativo.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Medicina chinesa

2 litros de água em jejum.
Comecei hoje o tratamento.
Efeitos comprovados. Mijo mais.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Dostoiévski completo

José Cabrita Saraiva comprou os 17 volumes por um bom preço.*

Eremita vende os 10 volumes por 70 euros.
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«Não se tratam de livros excepcionalmente valiosos no mercado»!?
Não se trata de livros, chiça!

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Caronte

O senhor Matos que me perdoe, mas ri-me.

sábado, 7 de abril de 2018

Na morte de um taberneiro bem sucedido

Regressado de duas semanas no país profundo, encontrei um insólito e estranhíssimo ar de desconsolo na praceta. 
Cruzei-me com o Júlio Sancho, segundo pandeireta do rancho, que não ousei cumprimentar, tão macambúzio e ensimesmado ele vinha. No talho do Ataíde, facalhões flébeis fendiam a mudez triste dos clientes. À porta da retrosaria, a dona Rute pesarosa. Na paragem para Pirescoxe, gente derrotada e cabisbaixa. O Quirino Merencório varria de queixo caído a sargeta com um lúgubre basculho camarário… Até que no Elias, aonde fui por azeitonas e cebolas, perguntei à Lídia do cabeleireiro, que de cenho carregado pegava num garrafão de água de Monchique, a de melhor pH para os rins: 
- Que aconteceu, ó Lídia, que vejo tudo com cara de enterro? 
- Então não sabe? Morreu o Manel, diz que de coisa má. 
- Estou a sabê-lo, cheguei esta manhã de sítios onde não há SIRESP. 

Mas que Manel? Morrem tantos… 
Fui-me inteirar do noticiário urbano. 
Ainda não estou em mim. Deparou-se-me tal enxurrada elegíaca e um tão demencial tsunami hagiográfico que só por milagre da Páscoa os arruamentos da capital continuam transitáveis. Coisa nunca vista. 


«A Assembleia da República aprovou esta quinta-feira um voto de pesar pela morte do empresário Manuel Reis, fundador do Lux-Frágil. 
O voto de pesar foi apresentado pelo PS e foi aprovado pelos restantes deputados. […]»
O Diário de Notícias passou-se. 
DN, 26.Mar.2018, papel, página inteira — Lina Santos, "Morreu Manuel Reis, o homem que mudou a noite de Lisboa"
DN, 26.Mar.2018, online — "Obrigada Manel, por todas as Danças"
[E se aprendessem a virgular? Obrigada, Manel, s.f.f.]
Fernanda Câncio, suma sacerdotisa da campanha manélica, lançou o mote a três semanas de distância:
DN, 05.Mar.2018 — "Trabalhar pela liberdade"
DN, 27.Mar.2018, chamada na capa primeira página * mais duas páginas inteiras — "O soldado da luz**
DN, 02.Abr.2018 — "Ficar à porta da história

O Público passou-se.
Capa Primeira página  * — "O homem que inventou a Lisboa cosmopolita"  
Vítor Belanciano —  "O homem com quem o país se tornou moderno
Augusto M. Seabra — "E no início houve o Manuel Reis
Miguel Esteves Cardoso — "E agora, Manuel, o que é que vai ser de nós?"

Correio da Manhã, 27.Mar.2018, Leonardo Ralha – Nota necrológica.
Correio da Manhã, 27.Mar.2018, Francisco José Viegas — Apontamento. 

Sábado online, 25.Mar.2018, Margarida Martins — «Quem eu sou hoje devo-o ao Manel.»
Sábado, 29.Mar.2018 — "Obituário", por Rita Bertrand. 

Visão, 29.Mar.2018, Rosa Ruela — "Mas apetece tanto fazer rewind

O Observador passou-se.
Em 26.Mar.2016, os jornalistas Diogo Lopes, Gonçalo Correia e Mauro Gonçalves assinaram um lençol sem fim — "O homem sem medo de pensar em grande: 22 histórias sobre Manuel Reis
Testemunhos de Joaquim Albergaria, Pedro Ramos, Joana Vasconcelos, Pedro Mendes, Pedro Faro, Kaspar (João Pires), Alexandra Moura, Luísa Ferreira, Ana Salazar, André e. Teodósio, João Cepeda, Vasco Araújo, Inês Maria Meneses, João Pedro Vale, Ana Louro, José Teófilo Duarte, Mário Matos Ribeiro, Susana Pomba, Marinela Girão, Filipe Faísca, Pedro Cabrita Reis e Dino Alves. 

A Clara Ferreira Alves, e portanto, devo dizer, dito isto, não tenho a menor dúvida,  passou-se:  

Mas o  Sol é que se passou mesmo.
30.Mar.2018, capa mais oito nove páginas incluindo a primeira — "Um país mais frágil sem Manuel Reis"

Notícias Magazine, 30.Mar.2018, Catarina Carvalho — "Gente que tratamos pelo nome"

Carmo Afonso, 26.Mar.2018 — "Carta ao Manel", 26.Mar.2018 

José Couto Nogueira, 28.Mar.2015, uma espécie de biografia — "Manuel Reis, o flautista encantador

O padre Anselmo — "Sexta-Feira Santa", DN, 30.Mar.2018  — não diz nada do Manel mas acredito piedosamente que Jesus Cristo, fosse nosso contemporâneo, havia de figurar numa destas 93 fotos com fregueses do Lux Frágil e claro que não teria faltado no teatro Thalia; imagino que de braço dado com a consabida e autoproclamada cristã Clara Ferreira Alves.

António Costa — Fernando Medina — João Soares — Daniel Oliveira — Pedro Marques Lopes — Inês Maria Meneses — Rita Ferro Rodrigues — Eduardo Pitta. 

O engenheiro técnico José Manuel dos Santos, talvez o socialista que mais bem escreve em Portugal [co-redigiu recentemente com o doutor António Soares um editorial podre de bonito no n.º 1 da Electra, "E nos corredores ressoam as palavras" - verso de Sophia de Mello Breyner Andresen. Vai um cheirinho?], não se acanha: 
«No momento da sua morte, a homenagem que a democracia lhe deve dever é a atribuição da Ordem da Liberdade.» —  Sol/bi, 30.Mar.2018

Clara Ferreira Alves sonha com o Manel na toponímia:
«Mereces o nome num empedrado de Lisboa e do Bairro Alto mas não sei se uma rua de Lisboa e do Bairro Alto merece o teu nome.» — Expresso/E, 30.Mar.2018 
[A propósito, "o morto por tu".]

O actor André e. Teodósio, paneleiro estimável:
«Digamos que todas as matérias sociais, políticas, artísticas, etc. que ainda hoje são debatidas e se tornam realidade passam por conquistas históricas, posicionamentos identitários e disponibilidades afectivas que sem ele não teriam acontecido. O seu desaparecimento só pode ser honrado com o seu lugar no Panteão Nacional. Quem duvida disto vive em negação!»

Nem todos ensandeceram, porém.
João Miguel Tavares veio no Público de 31.Mar.2018 pôr água na fervura —  "Nós, os que esperávamos à porta do Lux". 
Finalmente, António Guerreiro — "A ideia de geração", Público/Ípsilon, 06.Abr.2018 — traz sobriedade à perspectiva do "efeito Manuel Reis" como "fenómeno superficial". 

Quanto ao presidente-arlequim, admoestado no Sol, aprecie-se-lhe por uma vez o comedimento.

Parada do orgulho alternativo: 
Fernando Medina, Fernanda Câncio/Rita Ferro Rodrigues, Gabriela Sobral, Margarida Pinto Correia, Joana Mortágua, Clara Ferreira Alves/Nuno Artur Silva, João Botelho, Paulo Portas/Catarina Portas, Eládio Clímaco, João Soares, Margarida Martins, Luís Borges, Joana Vasconcelos, Lili Caneças, Teresa Ricou, Rita Blanco, Catarina Vaz Pinto, Manuel Maria Carrilho...

Em suma,
Manuel Reis
[Albufeira, segunda-feira, 29.Jul.1946 – Lisboa, domingo, 25.Mar.2018] 
Sem prejuízo da Ordem da Liberdade, da toponímia e do panteão, cada coisa na sua vez e na sua sede, proponho que se transmute de imediato o Lux Frágil em IPSS. Sem o que Portugal mal honrará os seus melhores. 
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Recebi de Manuel Matos Monteiro o seguinte reparo que agradeço: «Os jornais não têm capa, mas primeira página.» [Corrigido em 08.Mai.2018]

** A jornalista Fernanda Câncio, grande repórter que no DN grafa deus com minúscula e Manel com maiúscula, abastece-se manifestamente em fontes espúrias. 
Escreve ela: 
«[…] 
Rodeia-te de rosas, ama, bebe, dança e cala. O mais é nada. Álvaro de Campos, o Pessoa estóico, escreveu a frase que podia ser o mote de Manuel Reis - só faltava esta palavra, dança. Adeus a um revolucionário para quem Lenine, como para Godard, se citava ao contrário: a estética como ética do futuro. De agora.
[…] Tudo tão pouco, para continuar a citar Álvaro de Campos
[…]»
em 08.Out.2008, no jugular, cometera o mesmo atropelo na citação [«Rodeia-te de rosas» em vez do lídimo pessoano «Circunda-te de rosas»].
E, azar da suma sacerdotisa manélica, não é Álvaro de Campos: 
«Tão cedo passa tudo quanto passa!
[...]
Circunda-te de rosas, ama, bebe
[...]»

sábado, 10 de março de 2018

Bem-vindos ao país cristino [1]


Junte-se uns pozinhos de honestidade intelectual, ou de seriedade intelectual, e uma boa poeirada de consciência totalmente, completamente, perfeitamente e absolutamente tranquila, quanto mais adverbiada melhor, e temos um Portugal perfeito.



Luís Filipe Vieira, sobre isto

Fernando Tavares, sobre o mesmo assunto,



Entretanto, aguardo ansioso pelos 100 anos do arministício.  Há-se ser uma coisa em grande. Já só faltam oito meses.
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* «Afirmo, de forma peremptória, que estou de consciência totalmente tranquila. Não pratiquei qualquer ilícito que me possa ser imputado.»
Desculpem lá, mas a frase, por tão fabulosa, merece vitrina, visibilidade oficial. É um tratado de enxúndia, redundância e até de suprema ratice. De facto, o presidente do Benfica não afirma, peremptório, que não tenha praticado qualquer ilícito imputável a outrem...
Mete dó e faz-me rir.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Meninas e moças

Homens, parceiros, namorados, maridos.
Abusadores, violadores, criminosos, assassinos.
O demónio é macho, sabemo-lo.
Nenhum dos quatro países nominalmente referidos pela AMVC - Associação de Mulheres Contra a Violência, no Diário de Notícias de hoje, integra a galáxia islâmica. Vá lá saber-se porquê...
Malhar nos Estados Unidos é um afrodisíaco clássico na civilização inclusiva.

Nada de novo, mas lá que o feminismo de cartilha me fode os cornos, ai isso fode. Numa palavra, enerva-me.
Por isso, sugiro à AMCV que em próximo texto publicitário considere pelo menos mais dois itens sensibilizadores do povo em geral: um sobre o inebriante privilégio ontológico que é "Ser-se Mulher no Islão, em nome de Alá e de Maomé", outro sobre as delícias da mutilação genital feminina, em nome do multiculturalismo*.
Isto, claro, se o achincalhante risco de discurso islamofóbico ou xenófobo a não dissuadir.
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* Por exemplo,
Onze mil meninas e mulheres foram ou serão excisadas ou infibuladas, quase todas às mãos doutras mulheres**. Fonte»

** Na Guiné-Bissau chamam-se 'fanatecas'.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

"Reservado o direito de admissão"

é coisa que não se pratica na Igreja Católica Apostólica Romana, salvo decerto quanto à propina.

Ricardo Araújo Pereira, licenciado em Comunicação Social pela Universidade Católica:
«não sou católico» - 10.Fev.2018

Pedro Marques Lopes, licenciado em Direito pela Universidade Católica*
«não sou católico nem sou cristão» - 11.Fev.2018

«eu não invento nada (...) mas mesmo assim autodominam-se ** católicos»
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* Prova de que uma universidade excelente pode parir um patareco licenciado.
** autodenominam-se, senhor doutor.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Conta de cabeça

Realce = Cervídeo tetrachifrudo.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Egoísmo individual e outros planos


«No plano do egoísmo individual» torna-se insignificante a «aparência de clara ilegalidade na perpetuação por muito tempo» do José Manuel Mestre.

Da «experiência empírica» do Miguel Fernandes é melhor não falar.

Pleonasmo, truísmo, redundância, tautologia; sarcasmo, hipismo, distância, coisa da tia.
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Ai, Manuela!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Cerca de 26 entidades quantas entidades são?

Maria Teresa Bispo, do NPISA*, esclarece:

As saudades que eu tinha da exactidão... 
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* NPISA

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Quatro percas dum professor catedrático*

«Um sentimento quase apátrida exacerbado por uma tripla perca irreversível e irremediável: a perca de estatuto, a perca de património e a perca da memória.»

«Perca
A perca, nome feminino, é um tipo de peixe.
[…]
O resto é deformação popular que, lamentavelmente, certos dicionários abonam.
Diga-se e escreva-se "a perda de competitividade", "a perda de bola", "sem perda de tempo".»

Concordo.
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Maior justiça social

«Diminuir o fosso entre os mais ricos e os menos pobres.»
Pedro Santana Lopes, 13.Jan.2018

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

terça-feira, 9 de janeiro de 2018