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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Edite Estrela? Oh, não! [2/2]

Na abalada de Eduardo Ferro Rodrigues, pai de uma das mais fraternas amigas da jornalista Fernanda Câncio,  Posaconazol transfigurou-se em vidente heterodoxo: 
«Vai fazer muita falta porque é um grande senhor, é um grande senhor da política. […] Quem me conhece mais intimamente sabe que o meu modelo de político é o Eduardo Ferro Rodrigues* […] Nunca votei nele nem em listas onde ele estivesse e no entanto é o meu modelo político. A minha admiração vem da postura, da maneira como ele vê a política, da sua falta de azedume, da maneira como olha para adversários, não como inimigos mas como adversários. Um tipo tolerante, intransigente com populismos e outra coisa que às vezes está esquecida, é intransigente com popularichices [...] E é um homem, como eu, como nós, que gosta da vida e dos prazeres que a vida dá. […] Um grande muito obrigado ao doutor Ferro Rodrigues, e é uma pena que ele abandone os cargos políticos.»

À anunciada eventual ascensão a Presidente da Assembleia da República de Edite Estrela, por quem a jornalista Fernanda Câncio nutre admiração vistosa e amizade pública exuberante,  Posaconazol veio-se de indignação:
«Subitamente esta semana apareceu, parecia, um ataque concertado a Edite Estrela. [...] Qual era o problema? Porque é que Edite Estrela não podia ser Presidente da Assembleia da República? [...]   Eu acho que isto é de uma vilania, de uma falta de carácter, repito, falta de carácter, este tipo de ataque que está a ser feito a Edite Estrela, uma pessoa que eu não conheço, que enfim…  — respeitável, que não tem problema nenhum**. Verdadeiramente chocante!»

«Esta perseguição à Edite, feita por João Miguel Tavares, é das coisas mais absolutamente repugnantes que já vi.»

Pedro Marques Lopes, «o meu gorducho» da jornalista Fernanda Câncio, uma plenitude patética.
«concertado», o quê?

Na minha terra usa dizer-se putedo de coisas que tais.
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* Ou seja, nos 15 anos de palco mediático em que enalteceu sucessivamente como seus modelos políticos Diogo Freitas do Amaral, Francisco Sá Carneiro, Pedro Passos Coelho, Mário Soares, José Sócrates, Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio..., Pedro Marques Lopes enganou-nos e escondeu sempre o seu modelo. Ficamos a saber que era, talvez, preciso perceber como Pedro Marques Lopes desabotoa a braguilha — «mais intimamente» não andará longe... — para se descobrir que o seu verdadeiro modelo de político é, afinal, Eduardo Ferro Rodrigues

** Nenhum mesmo, doutor PML? Não prestar para a função não chega?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Edite Estrela? Oh, não! [1/2]

«Esta perseguição à Edite, feita por João Miguel Tavares, é das coisas mais absolutamente repugnantes que já vi. Não quererá pô-la a ela e à família toda na roda?»

Quero entrar na roda.
Mas, antes de mais, um discleima para que se não julgue que venho movido por ímpeto malsão ad feminam: detesto Edite Estrela, desde que, finais do decénio de '80 do século XX, lhe acompanho o protagonismo público. Voz desagradável, dicção horrível, gramática coxa, pese a fama granjeada na matéria. Jamais lhe perdoarei a mancebia oportunista e irresponsável com o nefando Acordo Ortográfico de 1990. 

Nasceu em Carrazeda de Ansiães há 72 anos, vive no Partido Socialista há 40.
De 1973 a 1986- Professora de Português
De 1987 a 1995- Deputada nas V e VI Legislaturas
De 1993 a 2001- Presidente da Câmara Municipal de Sintra
De 2002 a 2005- Deputada na IX Legislatura
De 2004 a 2014- Deputada no Parlamento Europeu
De 2015 a 2022- Deputada nas XIII e XIV Legislaturas
De 2022 [a 2026?]- Deputada na XV Legislatura 

Acho divertido quando na Wikipédia de pessoas com a densidade biográfica de Edite Estrela não consta qualquer apontamento de família. Parecem ectoplasmas. Faz-me lembrar Assunção Esteves, antiga Presidente da Assembleia da República: «[...] colocou um membro do gabinete a alterar constantemente a sua página na Wikipédia de modo a eliminar dados que ela não gosta que sejam públicos [...]»
Lá com elas, estão no seu direito.

10.Dez.2003- «Ministério Público pede apenas multa para Edite Estrela»

12.Fev.2005- «Ministério Público aceita reduzir pena a Edite Estrela»

2007- Edite Estrela, eurodeputada, contrata enteada e genro. 

25.Set.2009- «[...]  No almoço do PS, Sócrates voltou a ter o apoio da família socialista. Ao seu lado, na mesa de honra, estiveram ... Edite Estrela, António Costa e Luís Filipe Vieira, presidente do Sport Lisboa e Benfica, que quis ir dar o seu apoio a “um amigo”. [...]»

14.Nov.2010- Não sabendo que estava a ser escutada, Edite Estrela, em conversa telefónica com o seu dilecto Armando Vara, insulta camaradas socialistas: Ana Gomes, Elisa Ferreira, Vital Moreira... 

03.Jan.2013- Edite Estrela arrepende-se e apaga o 'tuíte' em que anunciava um almoço e convidava pessoas, sob sugestão e aval do afilhado, para mais um ágape socratólatra.

06.Jan.2015- Na companhia de Mário Lino, ex-ministro de José Sócrates, e de Carlos Martins, vice-presidente da Câmara da Covilhã, Edite Estrela cumpre a sua jornada na romaria a Évora. Mário Soares cumpriu por sete vezes... *

05.Mai.2018- «Edite Estrela» ocorre por oito vezes nesta história de dominação contada por duas Ritas.

20.Jul.2021-  Como conseguiu uma abécula destas chegar onde chegou? Edite Estrela não presta.
Parabéns, Ascenso Simões; parabéns, Jorge Lacão; parabéns, Sérgio Sousa Pinto; parabéns, Marcos Perestrello. 

18.Dez.2021 - «[...] Edite Estrela não tem quaisquer condições para ser eleita segunda figura do Estado português. [...]»
- João Miguel Tavares.
Concordo.

16.Jan.2022- Nem por não achar ponta de graça a este saloio deixo de comungar da sua rejeição de Edite Estrela.  

07.Fev.2022- «O problema é Edite Estrela»

08.Fev.2022- «[...] Edite Estrela foi madrinha de Sócrates no PS e na vida real. O seu marido fundou empresas com Sócrates nos anos 80. Passaram férias juntos. Foram unha com carne ao longo de 30 anos. Edite Estrela conhecia a sua vida política e pessoal de trás para a frente. Foi uma das vozes mais activas do PS a defender Sócrates após a sua detenção. E certo dia, quando as suspeitas e os indícios começaram a acumular-se muito para lá do razoável, calou-se sobre o tema Sócrates, como todos se calaram. [...]
Sócrates é hoje tratado como um ET caído das estrelas que assaltou o país de forma solitária e com um plano unipessoal. Espantoso, de facto. Só que esse silenciamento, essa suspensão da capacidade crítica, essa denegação das responsabilidades políticas, foi terrível para o país, e continua a ser terrível – como se vê pela ideia abstrusa de ter Edite Estrela como segunda figura do Estado, ou Pedro Silva Pereira, cuja esposa andou a receber dinheiro do universo de Carlos Santos Silva, como vice-presidente do Parlamento Europeu. [...]»
- João Miguel Tavares

//

14.Mar.2021Rui do Nascimento Rabaça Vieira, marido de Edite Estrela.

Brasil, Dez.2006- Rui Vieira, o primeiro a contar da esquerda. Já agora e a despropósito, o segundo a contar da direita, entre Carlos Santos Silva e José Sócrates, Jaime Silva, sogro de Fernando Medina. Mundo, um penico.

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Manifestações públicas de ternura e cumplicidade derretem-me sempre a obtusidade córnea.
Vamos a elas:

02.Mai.2012
    - Depois da boa análise da Fernanda Câncio, desejo-lhes uma boa noite 😊
    - Beijos, Edite. Obrigada.
27.Mai.2012
    - Bom dia, Edite, está boa?
02.Jun.2012
    - Beijos, Edite. Aqui já se trabalha (eheh)
13.Jun.2012
    - Estou um bocadinho derreada pela noite de Sto. António. E a Edite?
24.Ago.2012
    - Boa noite, vou dormir. A temperatura baixou e a lua cresceu.
    - Boa noite, Edite, beijos.
26.Nov.2012
    - Estou óptima. E a Edite, muito trabalho?
11.Dez.2012
    - Olá, Edite. Gostava de saber a sua opinião sobre uma coisa. Pode ser?
    - Claro que sim. Quer tratar por email?
24.Dez.2012
    - Um feliz Natal para todos.
    - E para si, Edite. Beijos.
02.Jan.2013
    - Já jantaram?
    - Ahahahahahah. Muito bem, Edite.
22.Jan.2013
    - Que bom, Edite. Parabéns.
13.Fev.2013
    - Boa noite, Edite. Beijos e boa viagem.
09.Abr.2013
    - Edite, é ‘lembro-me que’ ou ‘lembro-me de que’? (Acabei de ver o anúncio de uma reportagem, ‘lembro-me que morri’) e fiquei na dúvida.
    - Lembro-me de que... Lembro-me de alguém ou de alguma coisa.
    - Bem me parecia que aquilo não estava bem. Obrigada.
10.Jul.2013
    - Vou dormir. Hoje já não há mais desenvolvimentos. Boa noite.
    - Beijos, Edite. Bons sonhos.
08.Set.2013
    - Muito bom, Fernanda.
    - Obrigada, querida Edite.
30.Set.2013
    - Boa noite, vou dormir e ter bons sonhos. Eheheh.
    - Boa noite, querida Edite. O Rui foi eleito?
    - Olá, Fernanda. Não ganhámos Foz Côa, mas ganhámos a junta de Cedovim, com uma mulher. Pela primeira vez.
    - Ah, que pena.
12.Out.2013
    - Obrigada, Edite, Beijo.
20.Abr.2014
    - Quem és tu e que fizeste com a Edite? Campeões. Campeões. Campeões. Somos campeões. Benfica!!!!!!!
15.Mai.2015
    - Ora, não tem de quê, Edite. Beijos.
    - É a perspectiva de muita gente. Mas muito bem escrito. O inigualável estilo da “Câncio” :)
20.Mar.2020
    - Durma bem, querida Edite.
05.Abr.2021
    - Obrigada, Edite. Beijo.
    - Outro, Fernanda.
19.Jun.2021
    - Muito obrigada, Edite. Mas ainda falta muito para acabar, certo?
06.Ago.2021
    - Que bom, Edite querida. saudades.💗
    - Imensas, Fernanda.

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Dos 14 Presidentes da Assembleia da República, desde 1976, começando por Vasco da Gama Fernandes — ambos assinávamos A Batalha —,  Eduardo Ferro Rodrigues foi o pior.

10.Fev.2022- «Ferro, solidário com Edite Estrela»
Um pesadelo caucionado por outro.
Qualquer coisa me diz, perdão, muitas coisas me dizem que a eventual indigitação de Edite Estrela para PAR comprometerá seriamente a posição de FR na minha tabela.

Agora, que tem Augusto Santos Silva confirmado no parlamento, menos ainda se perdoará a António Costa a afronta ao asseio da República se escolher para segunda figura dela uma videirinha rasca que parafraseia com o maior desplante um Fernando Pessoa inventado na candonga fajuta das citações apócrifas.**
Haja decoro, caralho!
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* A propósito de «Mário Soares cumpriu»,
- Não me digas, Amílcar..., não me diga, dona Teresa, que ainda não cumpriu hoje... Olhem que chamo o doutor Costa!
 
** Tudo o que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível - Fernando Pessoa, céus?! 
Faça-nos, doutora Edite, a bondade de informar  quando e em que página escreveu Fernando Pessoa tão merdíflua coisa. Se não encontrar no arquivo, peça ajuda à «querida Fernanda», graduada em afectos e em repugnâncias [absolutamente repugnantes, proclama a jornalista isenta...], sumidade em citações fidedignas de Pessoa: Rodeia-te de rosas, ama, bebe, dança e cala...  E de Lenine.
A obtusidade córnea lá atrás aprendi-a aos 17 anos, tenho a certeza, com Eça de Queiroz, aqui.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Xária ó *


«(...) Eu me encarregarei de lançar o terror no coração dos infiéis e vós batei-lhes nas nucas e nas juntas dos dedos.» - Sura VIII,12
«Ó Profeta, excita os crentes ao combate. Vinte homens firmes dos seus esmagarão duzentos infiéis. Cem porão mil em fuga, porque os infiéis nada compreendem.» - Sura VIII, 66
«(...) matai os idólatras onde os encontrardes, aprisionai-os, cercai-os e armai-lhes emboscadas para os prender. (...)» - Sura IX, 5
«Matai os que não crêem em Deus [Alá], nem no Dia derradeiro, que não considerem proibido o que Deus e o seu Profeta proibiram (...)» - Sura IX, 29
«Deus não dirigiria os que não crêem nos seus versículos. Esses terão um tormento cruel.» - Sura XVI,106    
«Na verdade os que ofendem Deus e o Seu Profeta serão amaldiçoados por Deus neste mundo. Ele preparou-lhes um suplício ignominioso.» - Sura XXXIII,57
«E quando vós encontrardes os que não crêem, devereis bater-lhes nas nucas, até chaciná-los, e apertai fortemente os laços!» - Sura XLVII, 4
«Na verdade, os que não crêem, de entre o povo do Livro, e os idólatras ficarão no fogo do Inferno; lá viverão para sempre. Esses são os piores dos seres criados!» - Sura XCVIII, 5
«Tais são os preceitos de Deus. Os que obedecem a Deus e ao seu Profeta irão para os jardins por onde os regatos correm. Aí morrerão eternamente e isto será a maior felicidade.» - Sura IV,17 
«O que desobedecer a Deus e ao seu Profeta e transgredir os preceitos de Deus será precipitado no fogo, onde viverá eternamente, entregue a castigo ignominioso.» - Sura IV, 18

Acordei hoje com a telefonia a falar de mais umas manobras do «radicalismo islâmico» [sic], desta vez em Viena.**
É sempre assim, obrigatoriamente assim: «radicalismo islâmico», «fundamentalismo islâmico», «extremismo islâmico», «terrorismo islâmico» ..., como se o Islão não fosse, per se, radicalismo, fundamentalismo, extremismo, terrorismo. Até quando continuaremos no ocidente de matriz intercultural educada, bondosa, igualitária, convivial, inclusiva, ecuménica, a edulcorar com um qualificativo pleonástico, açaimados pela inquisição do pensamento autorizado, a essência do mal para explicar os factos?
Ai de nós, pobres de nós!

Como se não bastasse, vem o Papa Francisco tentar persuadir a gentinha ignara de que «o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência. […]» - "Evangelii gaudium
Ainda agora, na "Fratelli tutti", Carta encíclica de 03.Out.2020 que fez vir-se de entusiasmo — orgasmo 1,  orgasmo 2 — o insigne hermeneuta Pedro Marques Lopes, aprecie-se o tom ternurento e reverencial com que Francisco refere o Grande Imã que visitou em Fevereiro de 2019, nos pontos 5, 29, 136, 192 e 285. Ponto 285: «Naquele encontro fraterno, que recordo jubilosamente, com o Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb, declaramos – firmemente – que as religiões nunca incitam à guerra e não solicitam sentimentos de ódio, hostilidade, extremismo nem convidam à violência ou ao derramamento de sangue.(...)»
Interrogo-me se estes santíssimos cavalheiros não estão mesmo a tomar-nos por imbecis distraídos.

Entretanto e cumprindo o guião da bovinidade política universal, presidente-arlequim, António Costa e Ferro Rodrigues não poderiam deixar de vir, lestos, repudiar e condenar veementemente o ataque*** 

Islamófobo me confesso. 
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** Altura em que o Boavista dava 3 secos ao Benfica, o que me fez quase crer, Alá me perdoe, que Deus é (mesmo) grande!...

*** Resta saber se, quanto a António Costa, o fez antes ou depois do dever diário de homenagear Mário Soares. Os despachos da Lusa são omissos quanto a isso. issozisso.
E você, visitante paciente, já cumpriu hoje o seu dever diário

PS
Como estou bem disposto, não me vou sem uns miminhos para certas feministas que conheço. Usam votar no BE, na Joacine, no PCP e na esquerda do PS, mas quanto à consideração em que o islamismo tem a mulher nem um pio. 
«Os homens são superiores às mulheres pelas qualidades com que Deus [Alá] os elevou acima delas (...)» - Sura IV, 38
«Dize às crentes que baixem os olhos e que observem a continência, que só deixem ver os ornamentos exteriores, que cubram os seus com véus, que só mostrem os ornamentos a seus maridos ou a seus pais, ou aos pais dos seus maridos, a seus filhos ou aos filhos de seus maridos, a seus irmãos ou aos escravos ou servos varões sem desejos carnais, ou às crianças que ainda não distingam os órgãos sexuais da mulher. Que elas não agitem os pés de maneira a revelarem os ornamentos que trazem ocultos. (...)» - Sura XXIV, 31
«Ó Profeta, dize às tuas esposas e às tuas filhas e às mulheres dos crentes que deixem cair até abaixo os véus exteriores. Será mais fácil assim não as reconhecer e não as ofender. (...)» - Sura XXXIII,59 
«As vossas mulheres são para vós campo cultivado; percorrei o vosso campo como quiserdes (...)» - Sura II, 223
«Aos que juram afastar-se das mulheres impõe-se um período de espera de quatro meses (...)» - Sura II, 226
«As repudiadas aguardarão que decorram três períodos de regras antes de voltarem a casar (...)» - Sura II, 228
«Conservareis a mulher com humanidade e repudiá-la-eis com generosidade. (...)» - Sura II, 229
«Se alguém repudia a sua esposa não a poderá retomar depois sem que ela tenha casado com outro marido, e este por sua vez a tenha também repudiado (...)» - Sura II, 230
«Quando repudiardes mulheres e chegar o momento de as mandar embora, devereis tratá-las com humanidade e com humanidade as despedir. (...)» -  Sura II, 231

Finalmente, um "Protocolo de higiene" para a 35.ª vaga da covid: 
«(...) lavai a cara e as mãos até aos cotovelos; esfregai as cabeças e os pés até aos calcanhares.» - Sura V, 8
«(...) se um de vós vier de lugar escuso ou se acabar de ter relações com mulheres, se não se encontrar água, tomareis areia fina e limpa e com ela esfregareis o rosto e as mãos. (...)» - Sura V, 9

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O doutor Eduardo Ferro Rodrigues não tem categoria

Cinco anos volvidos, insisto, Eduardo Ferro Rodrigues não presta.
Veja-se a cara de desdém nauseado e prepotente do presidente da Assembleia da República, dirigindo-se a um deputado, quando diz
«Defesa da honra?! Tão fachvor, diga lá o que tem a dizer.»
[...]
Tem a palavra a senhora deputada Joceline, Joceline Katar Moreira ... E vamos continuar o debate, tem a palavra a senhora deputada Joacir Katar Moreira.»*
O aplauso longo e vibrante da bancada do PS diz muito da miséria moral daquela gente.** 
A propósito desta bravata, concordo com José Pacheco Pereira. Como, aliás, já com ele concordara em assunto semelhante

Falta ao insolente Eduardo Ferro Rodrigues, além de cultura democrática e educação cívica, aquilo que os portugueses designam por categoria. [Tou-me cagando para o segredo de justiça  ...  Há que salientar uma pessoa, um nome: José Sócrates!]
Aproveito para reconhecer que em Junho de 2015 me enganei nas contas. A repulsa mantém-se. Aumentada.

Ainda na sessão de ontem, deu-se o incidente entre Telmo Correia e Joacine Katar Moreira, por causa dos tratos de polé infligidos, com a bandeira do arco-íris em fundo, à bandeira portuguesa — não morro de amores por ela, confessei-o aqui —, na manifestação de solidariedade para com a deputada do Livre, em 21.Out.2019 junto ao Palácio de S. Bento.
Fui espreitar. Teve um orador que em 15 minutos de microfone em punho vociferou «na verdade» por 255 vezes, ou perto disso.
A coisa ia ponderada e serena — na parte da bandeira consegui perceber: linda, linda, linda de morrer!, e internacionalista, é esta — até que pelo 13.º minuto o meu entendimento analítico dos sortilégios do destino aleatório da problemática claudicou: «Na verdade, o Código do Trabalho tem que ser mudado ... porque tem consequências ainda mais nefastas para nós!»
Desculpem-me, mas o que é que este alucinado quer mesmo mudar na lei laboral?
Na verdade, a jornalista Fernanda Câncio denota adorar esta malta.
___________________________________________
* Ó doutor Ferro Rodrigues, aprenda o hino, porra!

** A miséria moral desce-se a galope.
João Bénard da Costa, "Fechar a casa", última das crónicas publicadas em 1989-1990 no semanário O Independente, reunidas em "Muito lá de casa" | Assírio & Alvim, 1993.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Arlequim, arlequim aos molhos

Não oferecia dúvida a nenhum olhar minimamente atento que a conversa de 10 minutos e picos com que o Presidente da República veio, pelas 17h00 de anteontem, explicar na TV a promulgação do Orçamento do Estado consistia de texto meticulosamente estudado e previamente escrito. Dissimulando uma espontaneidade de gato escondido com rabo de fora, Marcelo lá foi seguindo, certinho, o teleponto até que ao minuto 08:55 se entaramelou na leitura:
«Nós sabemos que como orçamento-compromisso houve reservas de parte a parte e que porventura não este o governo, não é o orçamento que o governo teria preferido.»

.  Constança Cunha e Sá- Há aqui um registo completamente diferente. O passeio pelos jardins, o facto de estar sentado, o facto de não ser uma comunicação escrita. Que me lembre deve ser a primeira comunicação ao país de um Presidente … 
José Alberto Carvalho- Não escrita! 
Constança- … não escrita. Portanto, tudo isto é de certa forma surpreendente. 
.  o Presidente, que falou de improviso num pouco comum horário das 17h00, diferente das 20h00 que tantos governantes utilizam para fazerem as aberturas dos noticiários.

.  Sentado, de improviso — mas que Presidente é que faz uma comunicação ao país de improviso? —, este foi mais um comentário que podia ter continuado com um “Judite, ainda temos tempo para ir aos livros?”

.  o Presidente da República falou de improviso e elencou as razões pelas quais deu luz verde ao OE.

.  E Marcelo marcou a diferença com discurso de improviso

Etc.

Que porcaria de jornalismo é este?

// 

Aproveito para meia dúzia de impressões requentadas que conservo daquela estapafúrdia quarta-feira, 9 de Março de 2016, dia da posse de Marcelo, o mais cartilagíneo dos políticos, a mais azougada das criaturas, até agora uma espécie de presidente-arlequim.

10h11- Marcelo jura e torna-se PR.

10h12- Canta-se «contra os canhões marchar, marchar» enquanto o canhão canta 21 estrondos contra a Trafaria.

10h18 – Ferro Rodrigues discursa.
«Eleito “de forma clara”, discursou ainda o Ferro Rodrigues, “a partir de hoje, vossa excelência” — virando-se para Marcelo Rebelo de Sousa — “é o nosso Presidente, o Presidente de todos os portugueses. Desejo-lhe as maiores felicidades”.»
Contesto. O que ouvi e vi:
«A partir de hoje, Vossa Excelência, Marcelo Rebelo de Sousa — Ferro Rodrigues vira-se para Aníbal Cavaco Silva, à sua esquerda, minuto 01:25 —, é o nosso presidente, é o presidente de todos nós, o presidente de todos os portugueses.»
Era.

Que tal? 
.  Paulo Portas- literariamente bem escrito 
.  Nuno Rogeiro- literariamente exemplar
.  Diogo Ramada Curto- o que nele mostrou foi um somatório de referências obsoletas, para não lhes chamar bacocas.
.  João Miguel Tavares- Em resumo, foi uma chatice.
. Plúvio, valendo-me de Alexandre O'Neill- Uma coisa em forma de assim, redonda, limpinha, demagógica qb, patrioteira, exaltante, optimista, para agradar a todos, com citações de Mouzinho de Albuquerque, Adam Smith, António Lobo Antunes e Miguel Torga. Atenhamo-nos à parte final:
«Mas a resposta vem de um dos nossos maiores, Miguel Torga. Que escreveu em 1987, vai para trinta anos: 
"O difícil para cada português não é sê-lo; é compreender-se. Nunca soubemos olhar-nos a frio no espelho da vida. A paixão tolda-nos a vista. Daí a espécie de obscura inocência com que actuamos na História. A poder e a valer, nem sempre temos consciência do que podemos e valemos. Hipertrofiamos provincianamente as capacidades alheias e minimizamos maceradamente as nossas, sem nos lembrarmos sequer que [Torga escreveu, e bem, lembrarmos sequer de que] uma criatura só não presta quando deixou de ser inquieta. E nós somos a própria inquietação encarnada. Foi ela que nos fez transpor todos os limites espaciais e conhecer todas as longitudes humanas…
... Não somos um povo morto, nem sequer esgotado. Temos ainda um grande papel a desempenhar no seio das nações, como a mais ecuménica de todas. O mundo não precisa hoje da nossa insuficiente técnica, nem da nossa precária indústria, nem das nossas escassas matérias-primas. Necessita da nossa cultura e da nossa vocação para o abraçar cordialmente, como se ele fosse o património natural de todos os homens." 
Pode soar a muito distante este retrato, quando se multiplicam, na ciência, na técnica, na criação da riqueza, tantos exemplos da inventiva portuguesa, entre nós ou nos confins do universo. [Levemente exagerado. Ou será que a NASA conseguiu identificar num cantinho da A1689-zD1 gases de um tuga que ali se peidou?]
E, no entanto, Torga viu o essencial. 
O essencial, é que continuamos a minimizar o que valemos. 
E, no entanto, valemos muito mais do que pensamos ou dizemos. 
O essencial, é que o nosso génio – o que nos distingue dos demais – é a indomável inquietação criadora que preside à nossa vocação ecuménica. Abraçando o mundo todo.
[Mas que merda de vírgulas são estas, senhor Presidente? Ou esta — "O essencial, é" —, repetida aqui.]
Ela nos fez como somos. 
Grandes no passado. 
Grandes no futuro. 
Por isso, aqui estamos. 
Por isso, aqui estou. 
Pelo Portugal de sempre!»
[Anoto que Marcelo, bailarino, inverteu a ordem por que Torga escreveu os parágrafos: o que começa por "O difícil" pertence à página 216 e o que começa por "Não somos" à página 215 do livro "miguel torga – diário, volumes XIII a XVI"]

11h02- António Costa aperta a mão de Marcelo durante sete segundos à velocidade convulsiva de seis sacudidelas por segundo. Não quero imaginar a entorse de que Sampaio da Nóvoa se livrou...

11h24- Maria Manuel, lady in red, simplex 

Paulo Magalhães, da TVI, agora chefe do gabinete de comunicação da Presidência, realça a presença de «vários dignatários de confissões religiosas».


«É uma encenação de espontaniedade que Marcelo sabe muito bem fazer.»

Foi isto.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Francisco Seixas da Costa | Alberto Gonçalves | Educação

«A ideia não será popular, mas não seria esta a ocasião para se introduzir uma transparência total nas redes sociais acabando com o anonimato?»

«[...]
A nova ordem está na fresquíssima secretária de Estado da Igualdade ou da Fraternidade, que em tempos explicou no Facebook: Como sabem eu [sic] não tenho por hábito fazer sensura [sic], mas não tulero [sic] insultos (...). E está no sensor, perdão, censor que saltitou da ERC para a tropa, com escala pedagógica a norte. E está na sugestão do Sr. Seixas da Costa, personalidade conhecida por zelar pela educação parisiense do Eng. Sócrates e por se indignar com a falta de "estrelas" Michelin em Portugal: A ideia não será popular, mas não seria a ocasião para se introduzir uma transparência total nas redes sociais acabando com o anonimato? E está no assombroso Dr. Ferro. E no nobilíssimo Dr. César dos Açores. E em sujeitos que passeiam títulos e pêlos nas orelhas em simultâneo. Quem é essa gente, Deus do céu?
[...]»

«[...]
ao ler na net um jornal lisboeta de hoje, verifico que, finalmente, um certo cromo, dos que me faltavana minha galeria de adversários políticos, finalmente me arremessa uma farpa, num seu artigo semanal. Já tinha quase todos na minha "colecção" particular (se o leitor detecta algum gozo no que ora escrevo, tem alguma razão para isso) mas este nunca mais aparecia. Pronto, quebrou-se hoje o enguiço, ufh!
Por que fui atacado? Aparentemente por eu ter lançado, noutro espaço informático, a ideia (pelos vistos tenebrosa e atentatória das liberdades) de que deveria acabar-se em absoluto com o anonimato na internet. Essa proposta "radical" de propor que quem faz uma afirmação ponha o seu nome real por baixo, sem refúgio em pseudónimos ou iniciais equívocas, é, pelos vistos, altamente sinistra. Cá para mim, quem não deve não teme - embora imagine que seja muito "corajoso" e cómodo insultar e caluniar os outros, sem mostrar a cara.
Vá lá que o cromo assina todos os artigos, o que só lhe fica bem.»

Sucede que...
Pontificando entre os três ou quatro melhores colunistas da comunicação social portuguesa, Alberto Gonçalves, sem que precisemos de aderir ao que defende ou alinhar no que zurze [não raro discordo dele], serve-nos ao domingo e à quinta-feira, no Diário de Notícias e na Sábado, prosa de urdidura gramatical irrepreensível, bênção nos tempos que correm,  impregnada de tal comicidade e ironia que nem Ricardo Araújo Pereira, o melhor dos sardónicos mais novos, nem Vasco Pulido Valente  (mansuetude dos 70?), o melhor dos senadores cáusticos — revejo "de ouvido", sem pensar muito, os ases do género — logram com tão abundante e depurado alcance. A escrita de Alberto Gonçalves é um requinte de gozo.
Já o nosso bem instalado e próspero antigo embaixador, de multímodos mesteres, escreve, ainda que escorreito, apenas sofrivelmente. Discurso atilado demais para o meu gosto, que lhe frequento regularmente os vários estaminés onde oficia. Neste concreto acto de desprezo por Alberto Gonçalves, soa sobranceiro e feio que Seixas da Costa, paladino da lisura e da transparência, não tenha identificado o "cromo" nem o "jornal lisboeta"; além de que * bom português é «dos que me faltavam» e não «dos que me faltava». O que só lhe fica mal.

Mas estou de acordo com o que, por exemplo, diz hoje Francisco Seixas da Costa do exame do quarto ano e da prova de avaliação dos professores.
Acompanhei, através da televisão da AR, o debate de 27 de Novembro sobre a matéria.
Que Partido Socialista é este, cujo secretário-geral, agora Primeiro-Ministro, empanturra a conversa de Ciência e Conhecimento, Ciência e Conhecimento, Ciência e Conhecimento, que sucumbe à chantagem trauliteira do pulmão leninista por que o Governo sobrevive no Parlamento, diabolizando pateticamente uma boa ideia sua consubstanciada na lei em 2007 e 2008 e participando sem um pingo de vergonha e com lastimoso masoquismo na opereta rasca dirigida pelo real e perene ministro da tutela, Mário Nogueira, cuja bigoduda batuta ali se pressentiu do primeiro ao último minuto da argumentação dos que não se incomodam com que os candidatos a ensinar os nossos filhos asneiem na aritmética rudimentar ou não consigam, no Português, distinguir "levastes" de "levaste", "levaste" de "levas-te"?
Algo me diz que a este cambrídgico moço, de quem não se conhece uma ideia sobre instrução pública, faltarão os tomates com que Maria de Lurdes Rodrigues, honra lhe seja, enfrentou o senhor professor Mário Nogueira durante quatro anos. Por isso, para acalmar a FENPROF e não perder tantos votos, Sócrates a rendeu em 2009 por uma alçada libelinha...
Com nem 24 horas de um tempo novo, a sessão parlamentar a que assisti na sexta-feira assemelhou-se a exéquias comiserativas da decência. A questão "técnica" da inconstitucionalidade não passa de poeira para olhos ingénuos.
O sindicato recrudesce, o ensino deliquesce.

Plúvio, e se fosses rimar para outro lado?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sejamos claros

Citando Clara Ferreira Alves apenas na parte em que não tenho qualquer dúvida, não tenho qualquer dúvida de que
dois! [idem]- Ferro Rodrigues deve a Cavaco Silva a eleição à primeira volta para a presidência da Assembleia da República.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Nojo* na Assembleia

Esta tarde, na investidura do Presidente da Assembleia da República — sujeito manifestamente desagradável —, todos os partidos falaram menos o Pessoas-Animais-Natureza. 
«A última a usar da palavra foi Heloísa Apolónia. André Silva [PAN] não falou por sua opção.» 
Opção, assim sem mais?... Pelo fim da tarde, o rodapé da SIC Notícias ajudava-me a entender o silêncio do novel deputado. Numa pesquisa simples, confirmei: Hoje, em Vila Nova da Barquinha, morreu o Hongo. Luto no PAN

A propósito de sentimentos, não deixo de apreciar o apreciável, impressivo, expressivo e recíproco apreço entre António Costa e Ferro Rodrigues. A amizade e a gratidão são coisas lindas.
Pelas minhas contas, a dívida do Costa ao Rodrigues há-de estar finalmente saldada. Depois de o ter promovido, em Outubro de 2014, a líder do seu grupo parlamentar, seria imaginável maior agradecimento do que, um ano depois, derrotado nas legislativas mas ainda assim, entregar a Assembleia da República nos "braços-de-Ferro"?   
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* Nojo

Por favor, doutor António Costa,

não ofenda mais o dicionário. O senhor classificou em público, por 60 vezes nos últimos cinco dias, como «inequívocos» vários factos que a semântica inequívoca dos factos não consente. Poupe-nos a essa inequivocidade disentérica!
E, favor maior, meta com urgência no seu horário — agora que está em vias de presidir à governação — umas horitas de terapia da fala e da dicção.
Aprenda pelo menos a dizer constitucional e institucional. Pare de envergonhar a gramática dos seus cargos públicos e a língua portuguesa!
Muito obrigado.
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António Costa, aos jornalistas, no Palácio de São Bento pelas 16:50 de sexta-feira, 23.Out.2015:
«Eu acho que esta primeira votação na Assembleia da República expressou de forma inequívoca que a vontade maioritária que os portugueses expressaram nas urnas...
[...]
Os portugueses nas urnas foram inequívocos ao dizerem que querem uma nova orientação política. 
[...]
A vontade que os portugueses depositaram na maioria dos seus representantes teve a possibilidade de se exprimir de uma forma inequívoca na eleição de um novo presidente da Assembleia da República*.
[...]
Nenhum partido político com representação nesta Assembleia da República tem os seus direitos conchtucionais diminuídos.
[...]
Vam-lá-ver: há pessoas que têm mau perder.
[...]
essa maioria tem de ser respeitada e deve poder ter a expressão inchtucional que a legitimidade democrática lhe confere.»

* Ferro Rodrigues, 120 - 52%; Fernando Negrão, 108; em branco, 2.
Tenho de dizer: a minha simpatia por Fernando Negrão é zero. 

sábado, 3 de outubro de 2015

Reflectindo …

... até que a fome torne as coisas mais nítidas.

Como poderia votar num partido cujo cabeça de lista pelo Porto, um velho paneleiro, cientista emérito, mandou logo dizer — DN, 09.Ago.2015 — que em primeiro lugar está o marido e, mal a vida no parlamento interfira na vida do casamento, a inovação e o conhecimento do Costa que se fodam? — Eu e o Richard decidimos: se a política começar a afectar a nossa relação, paro logo.
Como poderia votar num partido cujo jovem cabeça de lista por Viana do Castelo abandona pela política caseirinha a única ocupação em que continuaria a ter algum préstimo para a humanidade?
Como poderia votar num partido apontado a um futuro diferente que apresenta o medonho Ferro Rodrigues em segundo lugar por Lisboa seguido da alucinada Helena Roseta, numa lista, de resto, exemplar do mais bafiento déjà vu?

É certo que até o pai de um veterano ministro do PSD vem apoiar o disléxico Costa [coCosta? Deus me perdoe.] que, claro, não deixa de se ufanar disso mas que, mais claro ainda, não poderá louvar-se no manifesto apreço do filho de Jaime Gama, seu totémico e respeitadíssimo camarada de partido, pela presente governação pinícula, e que veio ontem — "Aqueles gajos", João Taborda da Gama | DN, 02.Out.2015 — justificar assim o voto na coligação "Portugal à Frente":
«À minha volta é só gente de esquerda, não tanta como a minha mãe gostaria, é certo, mas claramente a maioria da família, colegas e amigos. E vivo muito bem com isso, boas companhias, mesmo nas campanhas.
[…]
Como é que consigo apoiar aqueles gajos? Assim de repente:
.  foram os gajos que fizeram a lei dos compromissos
.  reduziram os tempos de pagamento do Estado e dos municípios às empresas
.  criaram um mecanismo para evitar a falência de municípios
.  criaram as condições para que os municípios reduzissem a sua dívida
.  não se meteram no BES, não que eu concorde com todas as decisões, mas não se meteram e isso é uma escolha que os distingue de outros gajos
.  reformaram o arrendamento, depois de tantas falsas partidas
.  puseram ordem nas fundações privadas (para o que havia de dar a esses perigosos liberais...)
.  fomentaram o turismo, com campanhas inteligentes, que regularam o alojamento local
.  estimularam um bom empreendedorismo (que devia ser ainda menos dependente do Estado)
.  baixaram o preço do gás natural
.  modernizaram o regime eléctrico português com as regras do autoconsumo e da pequena produção, passos pouco visíveis mas que abrem o caminho à revolução que aí vem da produção distribuída.
Claro que aqueles gajos não fizeram tudo bem, das confusões na justiça ao empurrar com a barriga do problema da dívida do sector empresarial do Estado. Mas já alguns gajos fizeram tudo bem?
Ah, e já me esquecia,
.  foram aqueles gajos que cumpriram o programa da troika
.  não precisaram de segundo resgate nem de programa cautelar.
.  E foram aqueles gajos que, depois de tudo isto, puseram o país a crescer e a confiança das pessoas e das empresas a subir.
Como se diz no futebol, metade do trabalho está feito. Na segunda parte vai ser preciso fazer o dinheiro chegar ao bolso das famílias. A segunda parte vai ser menos dura, mas muito difícil. Que gajos queremos ver em campo, aqueles ou outros?»

Visto o que e depois de acurada reflexão até que o jantar se me soprepôs [21:00 de sábado, 03.Out.2015], votarei amanhã nulo. Nítido.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

António Costa vai eliminar o conjundajue

Votei no PS em quase todos os actos eleitorais desde 1975. Só não votei no partido de Mário Soares, criatura que não estimo, nas três eleições autárquicas em que pus a cruzinha na CDU. Os comunistas são imbatíveis e fascinantes na arrumação dos tarecos...
Confesso que desta vez andava indeciso. Padeço de incompatibilidade genética com a piniculagem e, caramba!, votar de novo em Ferro Rodrigues raiaria o pesadelo. Até que na manhã de quinta-feira passada, 17 de Setembro, pelo minuto 49:00 do debate na telefonia,  se me deu o eureka!:

António Costa- A informação que é necessária ter* para desenhar com correcção os escalões implica um grau de informação que só quem tem o domínio da máquina fiscal o pode ter. E eu não gostaria de ser atrevido agora a propor uma reposição de oito escalões, nove escalões, dez escalões, e depois ser apanhado daqui a uns anos na situação do doutor Pêd Passos Coelho que promete tudo na campanha eleitoral e depois tem que rever em baixa aquilo que faz na campanha eleitoral. 
Maria Flor Pedroso- Certo. Mas com que ideia geral? Pode comprometer-se com uma baixa de impostos para a classe média?
António Costa [minuto 49:50]- Com certeza!, é esse o objectivo. E é por isso que nós nos propomos:
- a eliminação da sobretaxa,
- a reposição do vencimento dos funcionários públicos
- e a eliminação do conjundajue. **

Decidi: desta vez, vou votar no TÊDFGO.
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* A informação que é necessário ter.
** Como é possível a comunicação social não ter falado disto?

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Repulsa

Quero crer em que por cada minuto de Ferro Rodrigues em antena, ou de exposição ao povo, o Partido Socialista perderá no mínimo mil eleitores.
Desgraçadamente, na primeira oportunidade de arejar a casa o doutor António Costa tornou-a mais fétida. Pelas minhas contas, está fodido.

domingo, 7 de junho de 2015

A convenção do Capucho*

Estive ontem no Coliseu.
17:37, António Costa- Minha cara Maria do Rosário Gama, muito obrigado pelo teu voto contra.
Reles, insultante.
17:38, António Costa- ... caras de sempre que são a marca identitária do PS da liberdade, como o Manuel Alegre, ou do PS da solidariedade, como o Ferro Rodrigues. Esse é o PS de sempre, esse é o PS que aqui esteve hoje.
17:44- Aplauso longo da convenção aos cafés do comendador Nabeiro. Também prefiro Delta.
17:53, António Costa- Vamos generalizar a construção de creches.
18:23- Aplauso emocionado e extenso do coliseu, de pé, à memória de José Mariano Gago.
18:23, António Costa- Valeu a pena termos estado cá há 20 anos [estados gerais do PS, "por uma nova maioria", com António Guterres — Coliseu dos Recreios, 11.Mar.1995] e vale a pena estarmos cá hoje outra vez. E vale a pena porque nós saímos daqui com uma visão estratégica, que é a agenda década.

Tamos conversados. Venham as creches.
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sábado, 11 de outubro de 2014

Eduardo Ferro Rodrigues não presta

O PS, em que voto quase sempre desde sempre, faz-me pena. Depois de três anos com um penoso e repulsivo António José Seguro, como é possível não terem arranjado melhor para líder parlamentar?
Desastre a seguir à calamidade.