domingo, 20 de agosto de 2017

Patrícia certa no lugar errado, enquanto Portugal arde

Que faz esta mulher no estúdio?
Ponham-na na frente activa e verão como o lume recua.
Só com homens no terreno e meios aéreos não vão lá. Disso é que os lavradores gostam. 

Por que espera, ministra Constança, arre!?
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Patrícia Gaspar

sábado, 19 de agosto de 2017

Graduação da sinceridade

Cardápio:
condolências insinceras, condolências pouco sinceras, condolências assim-assim, condolências sinceras, condolências muito sinceras, condolências mais sinceras ainda, condolências retóricas, condolências cínicas, condolências fingidas, condolências festivas, condolências sentidas, condolências hiperbólicas, condolências sem sentido, condolências profundas, condolências minhas, condolências da minha mulher, condolências nossas, condolências da família, condolências à família, condolências de sua majestade, condolências do país, condolências do governo, condolências de coveiro, condolências de palhaço, condolências de papas franciscos, condolências do coração, condolências expressas, condolências apresentadas, condolências enviadas, condolências no livro, condolensias mal escritas, condolências.

«Relativamente à vítima portuguesa eu queria* exprimir, antes do mais, as minhas mais sinceras condolências à sua família.»


E assim sucessivamente.
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* Inesperado imperfeito pretérito indicativo de delicadeza, já que do professor se espera sempre o canónico condicional presente de cartilagineidade: quereria, pois. 

** lo lo al cil le

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

José Sócrates tragicómico*

Em desagravo da peça de 12 páginas, incluindo a primeira e o editorial, no Público de ontem, "Justiça suspeita de gestão danosa na velha PT", o antigo primeiro-ministro José Sócrates preenche a página 47 do Público de hoje com 11 comentários subordinados ao mote "Não vem ao caso", da autoria do juiz brasileiro Sérgio Moro, e termina assim, negrito meu:
«toda a notícia, o editorial e a primeira página não passam de um serviço aos interesses económicos do proprietário, envergonhando o jornalismo decente e honesto.»

Sabido o fadário da convivência de José Sócrates e seus presuntivos capangas com a história, de 2005 para cá, designadammente da RTP, da TVI, da LUSA, do DN e do JN, e tendo por exemplo em atenção o artigo na Visão de 27.Jul.2017, "Como Sócrates quis comprar o Público", não consigo deixar de sentir na coda «envergonhando o jornalismo decente e honesto»** a ressonância de um dos momentos mais arrebatadores nos guiões de tragicomédia escritos desde o século II antes de Cristo.

Sílvia Caneco, "Como Sócrates quis comprar o Público" | Visão, 27.Jul.2017 [5 páginas]



Mentira, infâmia, perseguição, cabala, injúria, esgoto, difamação maldosa, ignomínia!

Em tempo - 18.Ago.2017
Depois de fechado o verbete "José Sócrates tragicómico" dei com o testemunho de Henrique Monteiro no 'Expresso diário' de 17.Ago.2017, "Sócrates: para que não se esqueça". Não consigo deixar de citar:
«[...] Nunca conheci alguém que fosse simultaneamente tão malcriado, no sentido de ordinário, exigente no sentido de embirrento e censório. Não podia, em consciência, deixar passar, como se viesse de alguém, digamos, normal, aquela referência ao jornalismo decente e honesto.
Eu vi e sei que decência e honestidade não são conceitos muito aprofundados na consciência de José Sócrates.»

Repito-me, para esconjuro de dúvidas: votei no PS de José Sócrates nas legislativas de 2005 e, crédulo de mim!, nas de 2009. Não tendo nunca morrido idiossincraticamente de amores pela criatura, talvez andasse distraído ou, mais certo, não dispusesse então de conhecimento bastante para enxergar o lastimável farsante que José Sócrates hoje se me afigura.  
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* Espécie de sequela de "O engenheiro e os filósofos

** Sobre jornalismo decente e honesto Fernanda Câncio não diria melhor.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Rebranding* do incêndio

Patrícia Gaspar, da Autoridade Nacional de Protecção Civil [ANPC], é incapaz de abandalhar a conversa. Conforme anotei, esmera-se no rigor neurocirúrgico das quantidades. Assim, não espanta que, seguidora das melhores doutrinas, também contabilize feridos em vez de simplesmente os contar. Ainda ontem de manhã, dada a «dimensão mais expressiva das ocorrências, a contabilidade estava a ser feita».
Não se bastando na alta precisão aritmética, a façanhuda Adjunta de Operações Nacional da ANPC emprega tal sofisticação na linguagem que, de um tiro, pôs o país de António Costa, que não quer bombeiros a confundir o povo, nos píncaros do progresso comunicacional. Cada ponto da situação — briefing, diria Sá de Miranda — costurado pela doutora Patrícia é um banho de elegância estilística. Por exemplo, e é só um exemplo, atente-se no lavrador de Louriçal do Campo que «ao final da tarde ganhou contornos de maior complexidade» e «onde temos não só combate mas também as defesas perimétricas dos aglomerados populacionais».
Eia! Que vai ser de nós quando os lavradores chegarem à vizinhança das casas?

Confesso, no entanto, um estranho fenómeno psicossensorial, um aflitivo receio recorrente sempre que, duas vezes ao dia, Patrícia Gaspar vem brifar os fogos: a qualquer momento vão irromper detrás dos estandartes, dos logótipos, das siglas e de todo aquele intimidante aparato heráldico o bigode de Pinochet num canto, o bigode de Estaline noutro, o bigode de Kadhafi noutro e o bigode de Maduro noutro. O que, convenhamos, com crianças ou humanos mais sensíveis na sala assumiria proporção suficientemente avassaladora para, sei lá, obrigar o presidente-arlequim a montar-se de novo no falcão.

Patrícia Gaspar, ontem, no justo instante em que um acto terrorista na SIC lhe dava cabo da protecção.
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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Festas e procissões

ora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última h


Ficção, quase.
Corria o presidente-arlequim a toda a brida para Vilar do Torno e Alentém a ver se ajudava a amparar o andor em queda, eis que o chamam por causa de tombo muito maior na pérola do Atlântico. Qual bumerangue alucinado, retorna ao Algarve, saca da primeira gravata preta que encontrou e do primeiro Falcon disponível e toca a voar para o afectuoso abraço a Miguel Albuquerque que, fosse japonês de honra pública, talvez o encontrasse de haraquiri consumado, nisto já o andor do Torno se espatifara e o carvalho do Monte matara 13, com Rui Ochôa sem saber para que ângulo apontar o codaque:
- Ó Presidente, e que fotografo eu agora, o andor ou o carvalho?
- Tudo, Rui, fotografe tudo, tudo! Quero o álbum dos "Dois anos depois" ainda mais vistoso.

Com toda a compreensão pelas perspectivas em presença e independentemente delas, prometo investigar melhor a esotérica correlação do verbo tombar com a susceptibilidade das Senhoras, a da Aparecida e a do Monte, quando lhes fazem festas.

E sempre queria ver, tocasse-lhe a desgraça pela porta ou na pele das suas lindas filhas, se o Plúvio vinha para aqui fazer humor barato a propósito...

Valha-nos Deus na sua infinita bondade e Nossa Senhora no seu desvelo maternal. Amém.
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* Ver Nota 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Idiossincrasia da combustão

Por razões de segurança esta chamada vai ser gravada.
- Boa noite. É dos fogos?
Florestal, fátuo e de santelmo, marque zero; pirotécnico e de artifício, marque umjeitomanso; circo, marque marcelo; outros, markzuckerberg
- Boa noite, o meu nome é hipocorístico mas pode tratar-me por Elisabete Vil de Moinhos sem acento. Em que posso ser-lhe útil?
- Boa noite, Betty, desculpe, por acaso tem uma frente activa que me dispense?
- Vem buscar ou quer que leve a casa?
- Pode ser, obrigado. Já agora, desculpe, quantos operacionais no terreno têm?
- Cerca de 344. Mas se precisar de meios aéreos, podemos fazer uma atençãozinha...
- E lavra bem?
- Desculpe. Lavra quem, o quê?
- O fogo. Pergunto que tal lavra ele.
- Meu caro senhor,
do melhor que há no mercado,
quais charruas, qual tractor,
quais bois, qual arado!?
- Então pode trazer-me um com a frente activa.
- Juntos ou em separado?
- Se, parando, não vier a polícia, pode ser juntos.
- Bombeiras e bombeiros, se quiser, temos uma promoção...
- Foda-se, Betty, não me dilga que também é da iga.
- Quer-me parecer que quis dizer diga que também é da ilga. Em qualquer caso, desculpe, sou apenas simplesmente correcta.
- Politicamente correcta, terá querido dizer.
- Ou isso.
A1 cortada na Mealhada, teatro de operações em curso.


- Sim, quem fala? 
- Betty. Desculpe, desde há bocadinho. Fiquei a pensar... Você por acaso não é o Plúvio?
- Ai o caralho. Como descobriu?
- Pela pronúncia e por como virgula

Psitacismo semântico, propaganda, pornografia, negócio

Fogo em Abrantes, 09/10.Ago.2017

«É verdade, foi um incêndio que começou por volta das seis e um quarto e rapidamente tomou proporções avassaladoras.»

«É verdade, quatrocentos e setenta e oito operacionais que estão no teatro de operações; cento e cinquenta viaturas; tiveram durante o final da tarde três meios aéreos; estão neste momento seis máquinas de rastos»

E a detecção precoce? Que é da guarda florestal? Que é da vigilância?
A gente sabe: filhos de um deus menor. 

Insisto: não sei de labareda grande que não comece por lume pequeno.
Não sejamos ingénuos: o combate é que rende.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Meninas da baixa, jornalismo paroquial

Vivem ambas neste quadradinho de Lisboa, uma há 21 anos, a outra há 12.

Fernanda Câncio não esconde. Di-lo em duas peças:
«O meu bairro foi sempre a Baixa, desde que, miúda, a minha mãe me levava às compras e a lanchar na Brasileira (a da Rua Augusta, não a do Chiado; essa foi minha muito mais tarde). Nos mais de 40 anos que passaram desde esse amor à primeira vista muito mudou nas ruas do meu bairro - onde vivo desde 1996 - nem tudo para melhor.» - DN, 20.Fev.2017
«Na minha rua, um prédio de três andares esteve em 2013 à venda por 400 mil euros» - DN, 31.Jul.2017
Ainda assim, recomendável à prática jornalística o mais honesta possível seria que, sempre que viesse ao tema, informasse o leitor, em rodapé: «Isto interessa-me, moro aqui.»

Bárbara Reis, ex-directora do Público, 2009-2016,  admite-o de raspão:
«Há anos que fotografo e filmo os “autocarros ocasionais”, os open-top e os tuk tuk que sobem e descem a minha rua em Lisboa, entupindo a vida a tudo e todos.» - Público, 09.Jun.2017
Mal o saberíamos não fosse a Câncio ter posto a boca no trombone numa reportagem do DN de 01.Ago.2015, "As crianças no coração de Lisboa":
«Caso dos três filhos da jornalista e directora do Público, Bárbara Reis, 45 anos, desde 2005 a viver na antiga freguesia da Madalena, nome, et pour cause, da filha do meio (10 anos), que tinha meses quando se mudaram. "Na parede da Sé há um reforço inclinado, muito polido. Os meus filhos descobriram aquilo e vão lá escorregar. Uma vez vi uma senhora velhota parada a olhar, com um sorriso. Disse que fazia aquilo quando era criança." O perigo certificado da brincadeira não esmorece o embevecimento. "Os meus filhos têm sorte em crescer no bairro mais bonito de Lisboa. Quando a vemos nos rankings mundiais das cidades mais belas é por causa desta zona. Pelas ruas — ir ao talho é uma experiência bonita, ir à lavandaria, à mercearia, podem-se tornar as coisas simples do dia-a-dia em momentos de grande prazer — e pelas casas, que são magníficas, de espaços abertos, amplos, pés-direitos muito altos. Acredito que viver numa casa bonita potencia a felicidade. E tem-se vida de bairro — tenho amigos novos que têm que ver com morar aqui, fazem-se amizades por gostar de viver aqui — e ao mesmo tempo cosmopolita: vai-se ao teatro a pé, à ópera a pé, à FNAC e também ao cinema, e de qualidade, agora que abriu o Ideal, no Calhariz." Pode-se até ir a pé para o trabalho — caso do marido de Bárbara, o arquitecto Pedro Reis, que tem ateliê no Chiado. E as duas filhas mais velhas, porque os pais fizeram questão de que frequentassem "uma escola do bairro", andaram numa pré-primária IPSS a 200 metros de casa. "A partir de certa altura passaram a ir sozinhas. O Sebastião [agora com 5 anos] já não andou lá porque a escola estava com muitos problemas e fechou." Também há uma escola primária na mesma rua, mas, lamenta Bárbara, "não tem pátio. As crianças têm de brincar no corredor. Há essa falha: é preciso investir numa boa escola primária e pré-primária. Porque há imensas pessoas com crianças aqui. Só num raio de cem metros temos dez amigos com filhos destas idades. E os miúdos gostam muito do bairro, que é óptimo para dar os primeiros passos. Se querem comer um gelado, vão os três sozinhos."»
Dum modo ou doutro, recomendável à prática jornalística o mais honesta possível seria que, sempre que viesse ao tema, a jornalista Bárbara Reis informasse o leitor, em rodapé: «Isto interessa-me, moro aqui.»

É em tais circunstâncias que leio o que uma e outra vêm opinando urbi et orbi, em campanha crescente, sobre gentrificação, alojamento local ou turismo na cidade [de Lisboa, claro!] e não pára de me acudir à camada sub-reptícia do pensamento a seguinte lucubração:
Está bem, abelhinha, nota-se nitidamente que não te move qualquer interesse pessoal no assunto...     


Bárbara Reis no Público

«Medina está a tirar os autocarros gigantes do centro da cidade e começou pelo centro histórico. Eleitoralismo? Não. É respeito pela cidade. O mínimo que se pede a um autarca.»

-na!, Me-di-na!, Me-di-na!, Me-di-na!, Me-di-na!, Me-di-na!, Me-di

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro

«Cristiano Ronaldo é um homem simples e que parece bem formado.»

«Ponho as mãos no fogo pelo carácter e pela idoneidade do senhor Cristiano, quer enquanto homem quer enquanto atleta. [...] Portanto, aqui fica o meu registo claro e inequívoco: ponho as mãos no fogo pelo seu carácter e pela sua idoniedade, quer enquanto atleta quer enquanto homem.»*

quer enquanto homem quer enquanto atleta
quer enquanto atleta quer enquanto homem

O que é «homem simples»? O que é «bem formado»?
O que é «carácter»? O que é «idoneidade»?
O que parece que não seja? O que é que não pareça?
Aguardam-se notícias do engenheiro Fernando Santos na unidade de queimados?
«quer ... quer ...» leva vírgula? 

E tu, Plúvio, quem és? Que fazes aqui? Que sabes?

Elevador encravado na subcave do discernimento?
Talvez.

Ia tão bem na idoneidade... Porque se espalhou na idoniedade? Deslumbramento?
Deixe lá, ó engenheiro, que não fica só. Aqui lhe trago a companhia de um gabado jornalista escritor.
«O Luís Pedro Nunes é dos jornalistas que eu conheço que melhor escreve.»
Daniel Oliveira — "Eixo do Mal", 04.Jun.2017 [minuto 49:20] — que, falasse ele bem, teria dito «que mais bem escrevem». 
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É quase sempre assim: só dou o verbete por próximo de pronto quatro dias depois, no mínimo; no máximo, nunca.
Livro de estilo

Gusón Benítez, investigador da reprodução do touro bravo por partenogénese e da cravagem de bandarilhas sem mãos


Deparou-se-me no Público de anteontem, 31.Jul.2017, a cara risonha de uma luso-palestina em que nunca antes reparara.
Julgo tratar-se da primeira página de opinião que Shahd Wadi assina no diário de Belmiro de Azevedo, de David Dinis (medíocre), do Bloco de Esquerda e do "fervor em manobras" em geral; de há muito a esta parte o melhor diário português, que compro e leio, sem falhas, desde o começo em 05.Mar.1990, e vai para 15 anos assino. Deus guarde e conserve, muito mais do que ao Amorim, o senhor engenheiro Belmiro.

"O que aconteceu em Jerusalém?" abre assim: «Milhares de palestinianos e palestinianas* encheram as ruas de Jerusalém na sexta-feira passada».
Cheirou-me logo a esturro, mas resisti até ao fim. Na única ocorrência do adjectivo «extremista» e na única ocorrência do adjectivo «terrorista» era a dois judeus que a doutora Shahd se referia. Só depois de saber o que entretanto apurei, percebi que lhe estaria geneticamente vedado escrever «assassínio de dois agentes de polícia» em vez do que escreveu, «morte de dois agentes de polícia».
Enfim, sinais mais do que bastantes para não me resignar à etiqueta sumária, neutra, com que o Público introduzia a articulista — «Investigadora em Assuntos Palestinianos e Feministas» — e ter de ir googlar a criatura.
É certo que o Público não mente mas poderia ter ajudado o leitor a entender melhor o que iria ler, e ao que vinha a autora, ainda por cima sendo a primeira vez, se a tivesse apresentado assim, mais coisa menos coisa: «Feminista e activista da causa palestina, candidata pelo Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu em 2014».
É que "investigadora das causas" não tem de, necessariamente, ser "praticante das causas". A maioria das vezes, aliás, não será.
Por outras palavras, os "fervorosos" do Público sabem muito e não andam a pé... 

A propósito e antes de que me esqueça, Gusón Benítez não é campino nem toureiro. Trata-se de um simples cientista.

Pesquisando sobre Shahd Wadi, dá-se com ela, entre variadas paragens mais ou menos recomendáveis ao asseio mental, aqui e aqui
Incluo-me nos que intuem insanável, desde o início e pelos milénios fora enquanto esta merda não estoira de vez, a desavença entre os netos e os terabisnetos de Abraão. 
Na parte genealógica que me toca nauseia-me o bedum mas a ter de ser por um lado serei, sem alternativa, por Israel. Já os palestinos são, como se sabe, malta meiguinha, inofensiva, civilizada, democrata e fixe, sempre por Alá. Mas também há por cá. No Público, por coincidência — coincidência com quê, Plúvio? — o mais aguerrido bastião antitourada entre os grandes órgãos da imprensa nacional, adoram-nos.
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* Se o ridículo matasse … 

Por exemplo, Isabel Moreira. 

Concedendo à irrequieta colunista da Visão que frases como 
«Sendo evidente que todas e todos queremos cuidados paliativos de qualidade e abrangentes», 
«o seu compromisso não é com os valores da Constituição laica que dá a cada uma e a cada um a possibilidade de fazer as mais íntimas escolhas pessoais»
ou 
«ignorando a autonomia de cada uma e de cada um para encher de sentido o conceito de "valor da nossa própria vida"», 
constituem padrão aceitável de redacção — t'arrenego! —, então tem de se admitir que a senhora deputada do PS, jurista, Mestre em Direito Constitucionalex-professora universitária, é uma deficiente a escrever.

Assim, onde na crónica em apreço  escreveu …,  deveria ter escrito … :

sessão legislativa sobre os direitos dos doentes em fim de vida / 
sessão legislativa sobre os direitos das doentes e dos doentes em fim de vida

Transcreve para um diploma todos os direitos dos doentes em fim de vida que já se encontra consagrados / 
Transcreve para um diploma todos os direitos das doentes e dos doentes em fim de vida que já se encontram consagrados 

única alternativa do doente / 
única alternativa da doente e do doente 

impor um único modelo de cidadão / 
impor um único modelo de cidadã e de cidadão 

os democratas-cristãos sabem por todos o que é melhor para todos / 
as democratas-cristãs e os democratas-cristãos sabem por todas e por todos o que é melhor para todas e para todos 

dom de Deus à imagem do qual fomos criados / 
dom de Deus à imagem do qual fomos criadas e criados 

argumentos que têm a humanidade de descerem à terra / 
argumentos que têm a humanidade de descer à terra 
Uf!


Por exemplo, Sandra Cunha, deputada BEata.
«Um Estado democrático tem de garantir a igualdade de direitos a todos e a todas»

«Mais de 67% das pessoas não revelam a sua orientação sexual** no trabalho» 
Oh admirável e BEndita precisão

Se o ridículo matasse
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** Como se qualquer "orientação sexual" não fosse, per se, uma desorientação...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Nada

O Diário de Notícias de domingo, 30.Jul.2017, consagra a capa e 16 páginas da edição em papel à mais extensa e pomposa entrevista de sempre — vá lá, desde Mouzinho da Silveira — de um alto estadista português aos jornais.
- E, Plúvio, que retirastes vós dela?
- Nada.

Que mais, de resto, se poderia esperar de um jornalista banal à conversa com um presidente-arlequim, Cartilaginus rex, no seu reduto?

Aqui ficam, para preservação do vazio, as 17 páginas.

domingo, 30 de julho de 2017

sexta-feira, 28 de julho de 2017

De profundis

Não é todos os dias que morrem de uma assentada tantos presidentes de conselhos de administração*.
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* Em Latim antigo, «CEO».
A garrafa vazia de Manuel Maria... 

Amorim*

Unanimidade, coisa horrível e, a maioria das vezes, enganosa.
O coro fúnebre piora tudo.

Para que não passe tão despercebida, aqui vai a carta de Manuel Luís Lomba, de Barcelos, publicada no Expresso de 22.Jul.2017 - "A propósito do descanso eterno para Américo Amorim".

Ética e mais-valias, etc.
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* Acrónimo de Américo Amorim.

Com que cara | Canavilhas

«Já viram a triste situação em que eu estaria se fosse líder do PSD e estivesse no concelho de Loures a apoiar um candidato que desonra qualquer partido democrático que o possa apresentar às eleições? Com que cara é que eu estava aqui a apoiar um candidato em Cascais com a mesma cara com que tinha tado ontem a apoiar um candidato como aquele candidato que têm em Loures?»

António Costa execrava a candidatura pelo PSD de um maluquinho do Benfica — demagogo e populista, como tantos — que na véspera, em entrevista a Sebastião Bugalho*, no i em papel e no Sol em linha, proferira umas quantas frases pertinentes e incómodas acerca de determinada etnia.

Com que cara, doutor António Costa?
Ora, com a mesma com que estava a animar a candidatura de uma tontinha por José Sócrates [à CMtv em 21.Fev.2015: «Acredito piamente na inocência de José Sócrates.»], a tal que sugeriu há um ano o despedimento da jornalista Clara Viana. **
Com que cara, doutor António Costa? 
Ora, com a mesma com que apoia para Loures uma jeitosa e fraca Paixão. Espremida, ver-se-á quão medíocre é esta Sónia do PS.

- Grandessíssimo cigano me tem saído este secretário-geral do PS...
- Mas ó pai, ele não é monhé?
- Não, filha. Isso é racismo xenófobo.

Em Loures, já decidi: votarei na CDU. Sem hesitar; ninguém os bate nas arrumações.

A propósito de racismo:
Clara Ferreira Alves, sobranceira como sempre, preocupada- Eu devo dizer que o racismo está presente até no humor português. As anedotas que circulam desde a revolução, e já antes da revolução, são anedotas típicas de sociedades não pós-coloniais mas coloniais. Não há casamentos inter-raciais em Portugal
Daniel Oliveira- Começa a haver, começa a haver.
Clara Ferreira Alves- … cada um sabe onde está o seu lugar.

Nada que não se resolva com o REPANUI – Regime da Paridade Núbil Interétnica, a propor, com carácter de emergência social, pelas BEatas.
Assim, o Governo deverá promover e assegurar a realização em território português de casamentos entre indivíduos em idade núbil aqui residentes, nas seguintes exactas quantidades mínimas em cada ano civil:
- cabo-verdianos com ciganos calé, cerca de 103;
- lusocaucasianos com ameríndios, cerca de 37;
- afrodescendentes pretos com chineses, cerca de 62;
- islamoárabes com judeus de qualquer proveniência, cerca de 211;
- louros nórdicos com toureiros bengalis, cerca de 96;
- indianos com algarvios, cerca de 23;
- esquimós com maoris, cerca de 8.
E assim sucessivamente, mantendo presente que amor é coisa que ocorre não por acaso uma única vez na Constituição da República Portuguesa: na alínea b) do n.º 1 do artigo 293.º.
A título absolutamente excepcional e transitório, admitem-se Casamentos de Santo António.

Henrique Raposo, "Loures" | Expresso, 22.Jul.2017

Quanto ao senhor bispo Louçã — "Eu já tive namoradas de todas as cores" | Público, 26.Jul.2017  —, ele que zele por que em casa toda a gente respeite o ordenamento jurídico português e os preceitos consuetudinários locais. De resto, pergunto-me quantas voltas à chave dará o bispo BEato na porta de entrada quando vai dormir e quando sai…
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** Gabriela Canavilhas — não falo da pianista — merece rodapé.
Falo da inefável e levitante socialista no seu desvelado afã em torno da língua portuguesa
Defensora ultramontana do AO1990, ei-la, em 07.Fev.2017, Palácio de São Bento, na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, presidida por Edite Estrela, inenarrável e histórica videirinha do PS, na audição do Presidente da Academia das Ciências de Lisboa sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa:
A partir do minuto 01:30:57. Que bem fala, senhores! Como persuade a inteligência dos calhaus antiacordistas! Como nos hipnotiza de clarividência! A razão esvoaça!   

Finalmente, pequenina amostra de como escreve Canavilhas.
Nunca deverá ter ouvido falar no vocativo nem faz ideia do uso da vírgula. Escapa-lhe redigir bem coisas como "Obrigada, Mário Soares", "Parabéns, António", "Um abraço, José Lello". 
Do famigerado Acordo Ortográfico, de que é prosélita zonza, nem as regras elementares domina: ainda escreve «acção» e «retractação».
Não consegue escrever sem erro «distinto», «com certeza», «voo», «juízes».
Aprecie-se o chorrilho
Até dói saber que esta senhora pôde ter sido ministra da Cultura [2005-2009, governo de José Sócrates].
Olhem-m' ela no Paradoxo...

José Sócrates, querubim na imundície

«[...] José Sócrates nega tudo. [...]»

Nada de novo.

Babai, capelas da socratolatria:
Mentira, infâmia, perseguição, cabala, injúria, esgoto, difamação maldosa, ignomínia!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Descoincidências

Rabisquei "Quando tudo arde na minha terra" ao início da madrugada de hoje, 27.
António Louro, a personagem do texto, interviera duas vezes no "Expresso da meia-noite" de 30.Jun.2017, na SIC Notícias.
Apetecia-me ilustrar o lado pesporrente e fanfarrão da criatura — paraninfo da melhor filosofia e do melhor sistema, da galáxia e arredores, de prevenção e combate de fogos, como com fulgor acabamos de comprovar —  face ao desastre que, nem um mês decorrido, haveria de lhe desabar à porta a foder-lhe a paisagem toda. Para tanto servi-me de coisas que ele dissera na segunda intervenção no programa, do minuto 29:30 ao 36:00.

Esta manhã, pequeno-almoço tomado, depararam-se-me no Observador o título e a extensa peça "O concelho-modelo no combate aos fogos ardeu. O que falhou?". Achei graça e deixou-me a pensar Rita Tavares, remetendo para a participação de António Louro, ter puxado, a abrir, pelo lado presciente e profético do autarca social-democrata de Mação. Para tanto serviu-se de coisas que ele dissera na primeira intervenção no programa, do minuto 07:45 ao 12:25.

Nada de surpreendente: o Plúvio segue uma agenda, o jornalismo do Observador segue outra. Francisco Seixas da Costa, que sabe muito e se move em meandros onde se sabe tudo, explicita-a muito bem no seu "Observemos, pois" de hoje. Afinal, parece que o Observador tremelica...
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Não é por isto se chamar Chove que qualquer fogueira deixará de vicejar aqui. Nem, apesar da chuva, se desrecomenda protector solar.

Enforcou-se

Perífrase da semana:
«Chester Bennington morreu por enforcamento auto-infligido»

Desconcerto?

Desconcerta-me como Valupi, que escreve muito bem, persiste em etiquetar de «Exactissimamente» arengas de quem escreve tão mal. Neste caso, "O PSD e o candidato CM", de Pedro Marques Lopes, no DN de domingo, 23.Jul.2017:
«Tenho a certeza de que nenhum ex-líder do PSD hesitaria um segundo em retirar o apoio ao candidato André Ventura mal lesse uma das suas entrevistas. Mais, estou absolutamente seguro de que jamais o PSD de sempre chegaria a propor um candidato com as posições e a postura pública desse indivíduo e muito menos o teria como membro do seu Conselho Nacional. O PSD sempre foi um partido popular, nunca um partido populista.»

Pedro Marques Lopes não sabe do que fala. Saliva consoante a conveniência de quem circunstancialmente lhe paga ou, citando-o, o alberga.
Revela desconhecimento olímpico dos 43 anos que o PPD/PSD leva de existência, de líderes, membros do Conselho Nacional e de candidatos, designadamente autárquicos, populistas.

«As sementes do diabo que o CM tão afanosamente rega têm criado o clima ideal para o aparecimento de um protagonista que carregue as suas miseráveis e perigosas bandeiras. Não será André Ventura o tal protagonista, mas ele é sem dúvida o primeiro candidato Correio da Manhã. Era evidente que mais cedo ou mais tarde iria surgir um candidato Correio da Manhã, o que choca e preocupa é que seja o PSD a albergá-lo.»

Pedro Marques Lopes sabe muito pouco dos 38 anos do Correio da Manhã, que ventos e orientação ideológica por ali têm soprado, que virtude, competência e jornalismo óptimo também por ali há [sim, ali, no "esgoto a céu aberto", como gosta de lhe chamar Valupi]; Pedro Marques Lopes não sabe nada das candidaturas que, desde o aparecimento em 1979 com Vítor Direito, o Correio da Manhã tem explícita ou implicitamente patrocinado.
Pedro Marques Lopes deveria ler mais um bocadinho. E, se não fosse demais, aprender o básico da gramática portuguesa.

Quando tudo arde na minha terra


«Para este programa convidámos António Louro ... vereador da protecção civil de Mação, um concelho que tem sido dado como exemplo, primeiro por ter sido, e de que forma, fustigado por grandes fogos florestais, mas que hoje tem aquele que é considerado um dos melhores sistemas de prevenção e de combate do país, para nos contar o que é que se faz em Mação que podia de alguma forma servir de exemplo, ou não, para o resto do país.» 

«Mação percebeu em 2003 que o problema é paisagem e paisagem só se resolve com gestão, gestão com escala. Para termos escala em minifúndio temos que agregar propriedades.
...
Nós desenvolvemos uma ferramenta informática que monitoriza o desenvolvimento do fogo transformando aquela complexa situação num desenho simples ... Qualquer pessoa olha p'rà'quilo e percebe quais são as decisões a tomar.
...
Outra coisa que fizemos ... Capacidade de autoprotecção.
Depois fizemos uma série de faixas de baixa densidade ... Melhorámos os pontos de água de grande dimensão. Temos uma política de utilização das "bulldozers" de combate aos fogos que é praticamente pioneira.
...
Com a ajuda do MacFire nós conseguimos maximizar a sua eficiência.
...
Em Mação trabalhamos ao contrário.
...
A nossa ideia foi usar a comunidade humana ...Vamos resolver o vosso problema. Já chega, já ardeu três vezes!
... 
Gerir paisagem e minifúndio, só agregando as pessoas.»

Problema resolvido. O resto é paisagem, ardida 27 dias depois [Mação, manhã de quinta-feira, 27.Jul.2017].

quarta-feira, 26 de julho de 2017

A imprecisão do que escrevo

Acerca do cerca de  António Bagão Félix vem explicar-me a diferença entre exactidão e precisão.

Obrigado, doutor.

Miguel Esteves Cardoso

volta vez por outra [v esporou tramóia pimenta moída está] ao seu melhor.
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Miguel Esteves Cardoso fez ontem anos. Já 62, quem diria!?
Cá se vai aguentando, como todos, suspenso à direita do hífen.]

terça-feira, 25 de julho de 2017

Cerca de 882

«Nós temos neste momento cerca de 882 operacionais no terreno distribuídos pelas três frentes.*»
Autoridade Nacional de Protecção Civil
25.Jul.2017

Entontecem-nos de exactidão.
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* Ou seja, cerca de 293 por frente; com maior rigor, aproximadamente 295. Uf!

PS
Falta resolver cerca de quantos mortos houve em Pedrógão Grande.
E não se pense que a  empresária Isabel Monteiro é a única a contabilizá-los.
Não faltam por aí craques na matéria.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Gentis cavalheiros

A propósito daquilo no Expresso/E, em papel, de 15.Jul.2017, o doutor Pedro Afonso publica no Observador de hoje uma coisa intitulada "Os donos ideológicos disto tudo", que recebeu pelas 14h00 este comentário de Jay Pi.

Já Fernanda Câncio — «prefiro não perder tempo com fanáticos»* —, escreve isto no DN também de hoje.
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* Belisquei-me todo e ainda não acredito em que a Câncio escreveu mesmo «fanáticos».

Anatomia

Recebi um e-mail indignado no algeroz:
«Cartilagíneo, o caralho!»

Caralho cartilagíneo?
Confirma-se: não é
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Nunca tinha recebido correspondência de pessoa tão importante.

domingo, 23 de julho de 2017

Como detectar um idiota

Idiota pode ser alguém que fala assim:

Eu não tenho dúvida, nunca tive dúvidas

- Tenho a certeza absoluta

Cerca de 547*

«[...]
Entre 1945 e 1992, cerca de 547 rapazes de um canto coral (?) eclesiástico foram vítimas de assédio físico e sexual em Regensburg, na Alemanha.
[...]»

Os deuses sabem quanto aprecio o rigor. **
Diogo Ramada Curto, Sebastião Bugalho ..., a mesma escola?
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* Ostinato rigore

** Com esperança quintiplicada, lanço daqui o repto ao doutor Eurico, agora que ao poder do brilho acrescentou o brilho do poder, para que ponha, de vez, ordem na aritmética...  

sábado, 22 de julho de 2017

Ah homem!


«Vamos ter este ano seguramente o maior crescimento económico de todo o século XXI.»
Esta tarde, em Gondomar.

Nem o faltarem 83 anos e meio para que se complete o século dissuade António Costa de se comprometer por ele todo.
Só lhe falta ressuscitar os mortos.*
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* Ressuscitar vivos qualquer despertador rasca faz.

Alberto Gonçalves, um regalo


Alberto Gonçalves — que Paulo Baldaia escorraçou no início do ano do definhante DN em papel de Proença de Carvalho, José Sócrates, Pedro Marques Lopes e do genro de Aníbal Cavaco Silva, entre outros e com salvaguarda de uma dúzia de jornalistas e colunistas recomendáveis — escreve muito bem, tem muita graça e, não raro, carradas de pertinência.
É decerto isso que faz inveja, acirra e exaspera a arrogância bacteriologicamente pura e imunizada contra a dúvida, a incerteza, o talvez e o ponto de interrogação, designadamente nas capelas da socratolatria.

Sem prejuízo do que aqui escrevi faz sete semanas,  aqui,  aqui,  aqui  ou  aqui, e do que tenho dito da piniculagem ou do PSD.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Cadáver-cidadão

José Saramago e Clara Ferreira Alves, a mesma desonestidade.
Desonestidade agravada, no caso de Clara Ferreira Alves. 

«há um ou dois anos, numa esquadra da polícia em Portugal, um sargento, ou cabo ou lá o que era, decapitou um homem […] Se a imprensa internacional fizesse eco desse caso, facilmente se daria de Portugal uma imagem terrível: "Aqui decapitam as pessoas!

Factos
«Cerca da 01h30 de 7 de Maio de 1996, o militar encostou uma arma ao pescoço de Carlos Rosa, suspeito de furto, para o intimidar e disparou, matando o jovem no interior do posto da GNR de Sacavém. Depois o corpo foi escondido e viria a ser encontrado decapitado. O Tribunal da Boa-Hora deu como provados os vários crimes de que estava acusado o sargento e condenou o militar a 17 anos de cadeia. O posto da GNR de Sacavém foi extinto e substituído por uma esquadra da PSP.»

Clara Ferreira Alves, desonesta
«[…]
Ali, nas esquadras, são simplesmente coisas que acontecem. Um tipo passa-se e bumba, dá uma tareia no preto. Ou decapita um tipo, como aconteceu há uns anos [...] A decapitação foi abafada e a coisa esquecida, para variar. Tudo coisas que acontecem. Nas esquadras. 
[…]»

«Há uns anos atrás [sic], eu lembro que houve uma decapitação numa esquadra. Estas coisas tendem a dissolver-se na nossa consciência colectiva e nós não ligamos muito a isso.»

Fique claro:
- ninguém foi decapitado;
- foi um cadáver e não foi na esquadra;
- a decapitação não foi abafada.  

Quando dispuser de pachorra e tempo, trarei mais exemplos, quantitativos e objectivos, da fraca fiabilidade desta bem-conceituada jornalista e portanto, dito isto, não tenho a menor dúvida que acompanho há mais de 30 anos com atenção e, amiúde, com admiração. Mas nem tudo vale, doutora Clara Ferreira Alves.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Salgadócrates e outro gado


"O primo, o sócio e o contabilista
- Exclusivo -
Os testemunhos que tramaram Salgado
O banqueiro era íntimo de Sócrates, dominava a Portugal Telecom, indicou o ministro das Finanças da Economia e chantageou Passos Coelho. Leia os depoimentos"

Salivai, babai, capelas da socratolatria:
Mentira, infâmia, perseguição, cabala, injúria, esgoto, difamação maldosa, ignomínia!

Domingo, 16.Jul.2017 - Almoço em Lisboa organizado pela associação JusLiber-Justiça e Liberdade*
«Isso é uma mentira! […] Vamos em quarenta e oito meses, quarenta e oito!** O máximo é dezoito!!» 
«O que há para dizer neste momento é o seguinte: quem está sob suspeita — sob suspeita! — é o Ministério Público. Não sou eu, é o Ministério Público.»

«Venho aqui também defender-me. Defender-me da campanha recente de insinuações e de suspeitas, campanha essa que é uma campanha de insinuações absolutamente delirante, absurda, falsa, injusta e mentirosa. Pretendem apresentar-me como se eu fosse próximo do doutor Ricardo Salgado, como se tivesse alguma coisa a ver com os seus interesses, com o interesse do BES ou com o interesse da administração da PT.»

Enfim, gente rica, gira, porreira, amiga.
Capa do extinto "24 horas" de 28.Set.2006, dirigido por Pedro Tadeu, hoje camarada de Fernanda Câncio no DN.
Festança-inauguração, em 24.Set.2006, domingo, da adega de Henrique Granadeiro na Herdade dos Perdigões. Câncio e o namorado almoçaram à mesa do arcebispo.

José Sócrates é mentiroso? Pelos vistos, sim; atestam-no Ferreira Fernandes  e  Clara Ferreira Alves.
José Sócrates é corrupto? Veremos.
Do que não parece sobrar dúvida é de José Sócrates, um príncipe de delicadeza.

** Ó senhor engenheiro, tenha calma, não se esvaia em pressas que a acusação vem aí, seguramente com um tempo de investigação proporcionado, por defeito, ao tempo e à complexa, ardilosa e sofisticada inteligência na perpetração da moscambilha.
Quatro anos de espera não são nada. Deixe-se vir a acusação e cá estarei, chegue eu aos 100 anos, para assistir à manobra, truques, incidentes e expediente dilatório, por parte da defesa***, a retardar acto a acto, de instância para instância, o trânsito em julgado até, como de costume, ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos se corte superior não for entretanto criada na galáxia. Venha a acusação e nunca mais ouviremos José Sócrates, João Araújo***, Pedro Marques Lopes ou o presidente-arlequim  a suplicar por celeridade no julgamento: de Sócrates, Salgado e de todos os outros — ricos, poderosos, influentes, prestigiados, amigos.

*** Clara Ferreira Alves, e portanto:
«O advogado dele que, eu devo dizer****, é bom, o advogado de José Sócrates é muito bom. Vê-se isso perfeitamente. Quem estudou Direito percebe imediatamente que é um belíssimo advogado de Direito Criminal. Não há muitos. É um bom advogado, é muito bom, é muito bom! Até nas declarações que faz e tudo. É um bom advogado.»

«Vão-se acumulando suspeitas mas é para intochicar a opinião pública. Tudo isto é uma intochicação. O Ministério Público não tem factos, não tem provas e nunca as terá.»
Quando souber dizer tóxico João Araújo tornar-se-á o melhor advogado do planeta.
José Sócrates, 14.Dez.2015:
«Depois de tudo o que se disse, depois de tudo o que se intochicou» [59:40]
«Gostaria de saber porque é que estes dados, depois de tudo o que se intochicou» [1:03:15]
Quando souber dizer tóxico José Sócrates tornar-se-á um constituinte mais respeitável.
Estão bem um para o outro.

«O Direito é matemática! O Direito é física quântica!»
Clara Ferreira Alves  |  Eixo do Mal, 11.Set.2016

«o Direito é uma ciência exacta»
Judite Sousa- O senhor doutor continua a acreditar na inocência de José Sócrates, pelo que se percebe. 
João Araújo- Como é evidente. Não é um problema de crença; é um problema de ciência. Saber ou não saber. Eu sei.

João Araújo, caloteiro?
DN, 16.Abr.2017
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**** «Devo dizer», tique intragável de despotismo opinativo. Daniel Oliveira e Clara Ferreira Alves, no Eixo do Mal, são dois paradigmáticos e intimidantes exemplos.