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sexta-feira, 26 de maio de 2023

Nada como políticos sinceros

Sinceramente, acho que  [0:01]  
Sinceramente, do meu ponto de vista  [0:36]  
Sinceramente, eu não vejo  [1:08]
Sinceramente, eu julgo  [1:45]  
Sinceramente, se há um escândalo  [2:21]   

Quando um sujeito como Paulo Rangel fala sinceramente a cada 28 segundos, é de ficarmos a pensar no grau de confiabilidade das suas afirmações não sinceramente certificadas.

____________________________

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Legislativas de 30.Jan.2022 - Resultado

Aviso
42 links.
Favor clicar sem luvas.

Portugal, domingo, 30.Jan.2022
11h00
Hábitos apalhaçados e cidadãmente pouco recomendáveis do arlequim.
Por falar nele, ou me engano muito ou, na nova conjuntura, Marcelo Rebelo de Sousa tenderá nos próximos quatro anos para uma espécie de corta-fitas, diferenciando-se do Cabeça de Abóbora em pouco mais do que no talento e no frenesim. Não acrescentei na natação por me lembrar de que o outro era almirante. Mas vendo bem, Marcelo é seguramente melhor nadador já que o outro, homem da Marinha, nem precisava de saber nadar. Afinal, para que servem os barcos?

19h54
Fico a saber que o biólogo sportinguista Vasco M. Barreto, por quem nutro antiga admiração e com quem tenho afinidades avulsas, desde logo na música, possui uma presumível cadela Olívia. Confessando certo e inesperado desapontamento, aposto em que nenhuma sua amiga próxima, parente até ao 4.º grau da linha recta ou 3.º da colateral, ou nenhuma pessoa que ele verdadeiramente estime, se chama Olívia. Olívia na minha terra é nome de mulher, por sinal, bem bonito.
Amigo dos animais tem as suas lérias...
Bem sei, sou um humanista radical. Vá, ria.   

20h00

//
Resultado
22h10
Jerónimo de Sousa, titubeante, lendo: «O resultado obtido nas eleições de 30 de Janeiro de 2022 traduz uma queda eleitoral com significativa perda de deputados, incluindo a representação institucional do PEV. Um resultado que, ficando aquém do trabalho realizado e do notável contributo ..., representa um elemento negativo no plano da vida nacional.»
Caras trágicas do serão: Jerónimo e José, não eleito, inquilino de S. Bento desde a idade média.

22h30
Catarina Martins, sob jubiloso aplauso: «O resultado do Bloco de Esquerda é um mau resultado, é uma derrota, e neste partido encaramos as dificuldades tal como elas são. ... É por isso um dia difícil e um mau resultado com que saberemos viver ... Este é também um mau resultado por causa do resultado que teve a extrema-direita e o Chega, e devemos abordar isso também com clareza. É verdade que o Chega fica aquém do que teve André Ventura nas eleições presidenciais.*»
Catarina não aprendeu nada com o resultado radiante de Marisa Matias em 24.Jan.2021.
Na configuração anterior no hemiciclo, duas Mortáguas entre 19 BEatos ainda vá que não vá; a sororidade passava diluída. Doravante, com duas gémeas entre cinco BEatos, 40% da bancada, convenhamos que aquilo fica um bocado deprimente, consaguinidade excessiva. 
* Que desplante, que desonestidade, doutora Catarina Martins! Avalie bem as suas e as perdas de AV e, por favor, não compare o incomparável. Ou quer que volte às presidenciais de Marisa? Fixe-se nas legislativas, seja asseada.

23h15
Rui Rio: «Toda a gente que me conhece sabe que é importante isto que eu vou dizer. Nós ficámos com um resultado eleitoral substancialmente abaixo daquilo que pensávamos que íamos ter.»

Rente à meia noite
Rui Tavares, 'esquerda verde europeia no parlamento português', em abaritonado Lá bemol maior: «Bem unidos façamos esta luta final, uma terra sem amos, A Internacional!»
RT, insisto, não engana. Mais bem dito, engana e não é pouco. Vejamos:
Que credibilidade pode inspirar este doutor bem-falante, sabedor e muito articulado — como os devotos urbanos usam referir-se-lhe — se, até no próprio hino em que se lhe subsume a alma, troca o correcto «nesta» pelo disparatado e sem  sentido «esta»?...

00h35, 31.Jan.2022
Francisco Rodrigues dos Santos: «Sobre o resultado eleitoral desta noite, ele é mau em dois sentidos, é mau porque confirma o caminho do socialismo para Portugal»

01h00, 31.Jan.2022
Inês Sousa Real, metralhadora daquilo que é, sob aplauso estentóreo de 20 segundos: «Este resultado, que é um mau resultado não só para o PAN mas para a democracia ... a direcção terá que fazer a sua reflexão interna em relação àquilo que é a estratégia ... É um mau resultado que assumimos ... mas também é um resultado mau para a democracia.»

Conclusão do resultado
Pelo que se ouviu, ninguém teve pior do que um mau resultado.
Só posso admitir que os dicionários de Catarina Martins, Francisco Rodrigues dos Santos, Inês Sousa Real, Rui Rio e Jerónimo de Sousa foram adquiridos na mesma livraria. Em todos falta este superlativo absoluto sintético que, em o havendo e se o empregassem, com maior verdade teriam falado aos portugueses daquilo que todos os portugueses viram. E se calhar falta este substantivo e também falta este
Dêem-se ao respeito, bolas! As palavras contam.

//

Não gosto da Iniciativa Liberal.
- ... do Iniciativa Liberal,  Plúvio.
Ai é? Não gosto na mesma. E decidam-se, foda-se: o ou a?

//
Subvenção
Vá lá saber-se porquê, fala-se pouco dela. Por exemplo, e é só um exemplo que não traduz qualquer obsessão pessoal pelo sujeito — ai de mim! :) —, alguém acredita que o fervor de Rui Tavares em campanha fosse o mesmo sem o apetecível comburente da subvenção?
Sem prejuízo da comparticipação específica legal nas despesas de campanha, e de outros financiamentos, o partido que no conjunto dos círculos eleitorais tiver obtido um mínimo de 50.000 votos receberá anualmente uma subvenção de 2,95€ por cada voto, independentemente de eleger deputados, neste caso desde que a requeira ao Presidente da Assembleia da República. Assim, no total dos 4 anos da XV legislatura [2022-2026] a organização partidária contemplada sacará do Orçamento do Estado 11,80€ por cada voto
Ante os resultados nesta altura sabidos [magnífico 'site', diga-se, que o Plúvio não chove só vitupérios...], os mealheiros ficarão arredondada e aproximadamente assim:

PS- 26.550.000€
PPD-PSD- 17.700.000€
CHEGA- 4.555.000€
IL- 3.174.000€
BE- 2.832.000€
PCP- 2.797.000€
CDS-PP- 1.030.000€ 
PAN- 968.000€
LIVRE- 814.000€
É cacau e viva o pluralismo democrático! Muito mais caro nos ficaria se não vivêssemos nele.

//

Meus pequenos desgostos
- não eleição de João Oliveira. Faz falta. Excelente operário parlamentar;
- eleição de Inês Sousa Real. Medíocre e medonha.

Meus pequenos contentamentos
- lição do país ao BE, seita de 'meninos de família', arrogantes, trotskistas disfarçados, perigosos. Discípulos de Boaventura Sousa Santos, o bonzo de Coimbra. Sempre prestaram para pouco. Nem uma aldeia de Portugal se lhes confia para a governar. O povo às vezes tem intuições acertadas;
- derrota de Rui Rio, um tiranete vingativo, pouco culto e mal educado, que estava a deixar os habituais inimigos do Ministério Público, com Pedro Marques Lopes a timoneiro, salivantes de esperança em que RR, uma vez primeiro-ministro, haveria de frenar de vez a sanha justiceira dos senhores procuradores da República; derrota deste PSD, uma confraria de lambe-botas de RR, toscos em geral;
- PCP ter ficado com um grupo parlamentar maior do que o do BE. Por mim, contribuí para que na minha freguesia ficasse em 3.º lugar, à frente do CHEGA, da IL e do BE;
- maioria absoluta do PS, por tornar dispensável o PAN e por reduzir o LIVRE a uma inutilidade redundante e balofa. Faço de Rui Tavares — e eu chame-me Deniz Costa se me anima alguma embirração particular por RT :) —, outro trotskista encoberto, em registo suave cosmopolita, que defende a independência da Catalunha e o Acordo Ortográfico de 1990, a ideia de um narcisista pesporrente eleito no Twitter e pelo eixo Lux Frágil-Bairro Alto-Campo de Ourique-Telheiras.

Espanto do dia
Nem pequeno desgosto nem pequeno contentamento; talvez Uma coisa em forma de assim, valendo-me de Alexandre O'Neill:
- 12 deputados do CHEGA.
Pelo menos garantem uma coisa à melancolia lusitana: circo em S. Bento. Sem a Joacine, o João Oliveira, a Cecília Meireles e o Ascenso Simões, aquilo vai precisar de animação.

//

Cá vamos de pesadelo em pesadelo.

Foi assim.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Bom dia. O Pedro Marques Lopes é um indigente *

No tópico "Justiça" do confronto de ontem à noite com Rui Rio, António Costa, primeiro-ministro incumbente, disse:
«É entendimento em todas as instâncias internacionais, desde o Conselho da Europa à Comissão Europeia, todos, de que não controlar os órgãos de gestão da magistratura é fundamental garantia da sua independência para garantir a independência dos magistrados [...] A magistratura do Ministério Público é uma magistratura hierarquizada [...] O que não existe no Conselho Superior do Ministério Público é uma maioria de representantes do poder político. E porque é que é perigoso que exista? Porque a autonomia do Ministério Público é a melhor garantia que os cidadãos têm de que, se houver alguma suspeita sobre mim, sobre o doutor Rui Rio, sobre quem quer que seja, o Ministério Público usa de toda a sua autonomia, ninguém está acima da lei, é assim que os cidadãos podem ter a garantia de que a lei é igual para todos e também é assim que eu posso andar de cabeça levantada na rua porque os portugueses sabem que se eu não estou a ser investigado não é porque eu controlo a magistratura, é porque a magistratura independente não tem nenhum facto que leve à investigação.»
«O programa do PSD, se me permitem, é um programa muito perigoso, relativamente à justiça. E eu escolho bem a palavra quando digo 'perigoso'. Porque a maior garantia que nós podemos ter de que a justiça é igual para todos é a garantia de que a justiça não é sujeita ao controlo do poder político. [...] Dar força à Polícia Judiciária e respeitar a autonomia do Ministério Público são duas condições fundamentais para fortalecer o Estado de direito, designadamente no combate à corrupção.»

António Costa, factualmente correcto e bastante razoável, não sendo de excluir algum fariseísmo de oportunidade eleitoral — o povo vai gostar de me ouvir falar contra a corrupção... — com que atacou Rui Rio num dos seus desideratos governamentais mais arreigados e tenebrosos, com aroma a vindicta pessoal: a subjugação dos procuradores da República.   

Constituição da República Portuguesa
«[...]
Ministério Público - Funções e Estatuto
[...]
2. O Ministério Público goza de estatuto próprio e de autonomia, nos termos da lei.
[...]
4. Os agentes do Ministério Público são magistrados responsáveis, hierarquicamente subordinados, e não podem ser transferidos, suspensos, aposentados ou demitidos senão nos casos previstos na lei.
[...]»

Estatuto do Ministério Público
«[...]
Artigo 3.º - Autonomia
1 - O Ministério Público goza de autonomia em relação aos demais órgãos do poder central, regional e local, nos termos da presente lei.
2 - A autonomia do Ministério Público caracteriza-se pela sua vinculação a critérios de legalidade e objetividade e pela exclusiva sujeição dos magistrados do Ministério Público às diretivas, ordens e instruções previstas na presente lei.
[...]
Artigo 97.º - Estatuto
1 - Com respeito pelo princípio da autonomia do Ministério Público, os seus magistrados são responsáveis e hierarquicamente subordinados, nos termos da Constituição e do presente Estatuto.
2 - A responsabilidade consiste em responderem, nos termos da lei, pelo cumprimento dos seus deveres e pela observância das diretivas, ordens e instruções que receberem.
3 - A hierarquia é de natureza funcional e consiste na subordinação dos magistrados aos seus superiores hierárquicos, nos termos definidos no presente Estatuto, e na consequente obrigação de acatamento por aqueles das diretivas, ordens e instruções recebidas [...]
[...]»

Hora e meia depois, Pedro Marques Lopes este fabuloso e ubíquo sujeito [11 páginas de biografia], sim, este escuteirinho sempre em boas companhias, Pedro Marques Lopes, um pândego mentiroso, como, fez agora um ano, aqui procurei provar ["Posaconazol...", ver parágrafo "Vamos a coisas doutra densidade"], que em todos os "25 de Abril", desde 1976, desce a Avenida da Liberdade — comentou o debate:
«Algo que me incomoda,
António Costa disse coisas muito graves em relação à justiça. Muito graves. Fez lembrar o Chega, aliás. Mentiu, ou enganou-se, vou dizer, enganou-se. Disse que o Ministério Público tinha uma estrutura hierarquizada. É falso. Tem que ler melhor a Constituição. Isso não é verdade. E depois pintou uma manta incrível sobre a maioria de políticos no Conselho Superior do Ministério Público. Aquilo é para enganar, porque há imensos conselhos superiores do Ministério Público por esta Europa fora, em democracias em que os designados pelo poder político estão em maioria. [...]
Isso é grave, porque a justiça é um tema muito importante para a nossa comunidade e um primeiro-ministro dizer este tipo de coisas e fazer um apelo demagogo e populista à questão da justiça, eu acho perigoso. Acho isto insustentável.»

Nada de surpreendente em Pedro Marques Lopes. Ainda assim, terá atingido ontem o limite da indigência. Na TSF, na Visão e sobretudo na SIC ainda acharão Pedro Marques Lopes um opinador respeitável? Insistindo em PML, Domingos Andrade, Mafalda Anjos e Ricardo Costa continuam a vender uma fraude aos seus clientes.
Quanto não tem valido a Pedro Marques Lopes o matrocínio de Fernanda Câncio e a protecção salvífica de Nuno Artur...

Pelo lastimoso e inacreditável comentário acima reproduzido, Pedro Marques Lopes nunca deverá ter aberto a Constituição, muito menos a legislação enquadradora da natureza e funcionamento do Ministério Público. Como tenho reiteradamente tentado mostrar, PML é um falante pesporrente que sabe pouco e não lê muito.  
Já o incómodo vem-lhe de longe. Um pouco ao acaso, ataques e ofensas descabeladas [sim, falo de couro cabeludo] de PML ao Ministério Público, a propósito de arcanjos de bondade e escrúpulo como José Sócrates, Ricardo Salgado, Joe Berardo, António Mexia, Manuel Pinho, Luís Filipe Vieira ou Rui Moreira:







quarta-feira, 26 de maio de 2021

Mexer na tropa

Continuo a achar que a farda militar não é a roupa mais bonita com que o homo sapiens sapiens se pode apresentar; continuo a repudiar exércitos; continuo a encarar a necessidade de tropa entre os factos menos nobilitantes da civilização

Na inviabilidade de, por ora, se extinguirem as Forças Armadas, não tenho nada contra a reforma por que João Gomes Cravinho está a dar a cara. Venho acompanhando a controvérsia.
Não dou para o peditório da canonização de Ramalho Eanes nem de militar nenhum.
Detesto Cavaco Silva.  
Pese os interesses político-partidários que protagoniza e serve há muitos anos, confesso admiração bissexta por Ângelo Correia. Assim é que, salvo na parte em que enaltece o bronco de Boliqueime e sobretudo na parte boçal do onteontem*, aprecio a razoabilidade do que, contra as hostes instaladas castrenses, AC disse a Ana Sofia Cardoso, fez ontem uma semana, a respeito da reforma em causa.  
________________________________
* «[...]
Eu tenho muito respeito por Cavaco Silva. Grande primeiro-ministro, presidente da República. Nós todos temos o dever** de lhe dar respeito e prestar respeito. Olhe, numa entrevista que dei ao Público, onteontem, disse o melhor possível dele. Mas assim como nós temos a obrigação de respeitar o professor Cavaco e de o estimar, ele também tem de fazer um pequeno esforço para se ajudar a ele próprio, que é estar calado quando não sabe do que está a falar. E portanto, neste caso, não tem qualquer sentido táctico, nem técnico, nem político; palavras de uma pessoa que nesta área não sabe nada.
[...]»

** A propósito, ó Amílcar, já cumpriste ...?

sábado, 5 de dezembro de 2020

Desminto e esclareço Pedro Santana Lopes

Bernardo Ferrão [SIC/Expresso]:
Pedro, como é que ouviu estas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa? 
Pedro Santana Lopes:
É um assunto muito melindroso. Pessoalmente — obviamente que quem decide são os tribunais, quem investiga é a polícia —, nunca tive dúvida, pessoalmente, de que tenha sido atentado. Foi um atentado. Só quero sublinhar isto, que não é um dado de sabedoria popular mas básica: até hoje, no aeroporto da Portela*, graças a Deus** não caiu nenhum outro, nem antes nem depois. A questão se era dirigido a Sá Carneiro ou a Amaro da Costa é outra matéria.

Repare nesta campa, doutor Pedro Santana Lopes. 
Pelas 11h10 de terça-feira, 12 de Julho de 1988, Pelagia Teresa Majewska, cidadã polaca de 55 anos, piloto de aeronaves, morria em Lisboa ao comando de um Dromader, monomotor de fabrico polaco, que se despenhou instantes depois da descolagem, a exemplo do que no mesmo local sucedera sete anos e meio antes ao Cessna da fábula camaratiana.


Nada consta quanto a possível sabotagem ou atentado, mas nunca é de fiar: o papa polaco da altura, Karol Józef Wojtyla, também tinha os seus inimigos...
Ainda assim, para sossego da Polónia e do planeta, nem Augusto Cid se empenhou na busca da verdade nem Ricardo Sá Fernandes foi procurado por nenhum familiar da vítima.

Enfim, Pedro Santana Lopes nunca primou por credibilidade evidente. Por manifesta credulidade, lá isso, decerto.
__________________________________
** Os desígnios de Deus são insondáveis.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

4 de Dezembro, defuntos e fiéis

«O tempo foge. Passaram já quatro décadas sobre a morte de Sá Carneiro, naquela viela escura e fria de Camarate. O então primeiro-ministro teria hoje 86 anos. Isto é o que sabemos. Mas este texto é sobre incógnitas.
Noite cerrada, Dezembro frio. Tinha chegado da Faculdade de Direito. O telefone toca.
Francisco Brás de Oliveira, na altura accionista maioritário do jornal O Dia, que privava bastante com as cúpulas da área da AD, com voz cava: Nuno, aconteceu uma tragédia. O Francisco e o Adelino acabam de morrer num desastre de avião, aqui na Portela. Foi há minutos.
"Nacionalista revolucionário", eu não era nem um jovem de partidos, nem militava na área doutrinal de Sá Carneiro.
Mas tinha lá muitos amigos, muitas discussões, muitas noites à procura da luz.
[...]
Não tenho nenhuma certeza absoluta sobre o assunto, depois de ter visto e revisto tudo, publicado e por publicar. O Cessna parece não ter caído nem por falta de combustível, nem por problemas de motor, nem por excesso de peso, nem por qualquer falha dos seus sistemas, devido à idade do aparelho, ou à sua manutenção. Tudo indica que um qualquer engenho (ou série de engenhos) tenha eclodido a bordo.
[...]»

Diz ele que viu e reviu tudo.
Ó Nuno Rogeiro, por favor, respeite os leitores, não engode os incautos! Ao que o proselitismo, a devoção e a orfandade podem levar um homem geralmente bem informado e culturalmente bem apetrechado...
Leia e releia devagarinho, Nuno Rogeiro. Deixe-se de delírios. Ou então, nenhum acidente é acidente; proscreva-se o vocábulo e o conceito dos dicionários.
//
«O pesar, que não me abandona enquanto cidadão, de a nossa democracia nunca ter podido, no plano jurisdicional, carrear dados probatórios bastantes para se provar se camarote, se Camarate foi acidente ou foi crime. Em Camarate pereceram, além de Francisco Sá Carneiro, Snu Abecassis, Adelino Amaro da Costa, Maria Manuela Amaro da Costa, António Patrício Gouveia, Alfredo de Sousa e Jorge Albuquerque. A derradeira decisão judicial elenca razões para não poder ser provado que tenha havido crime, mas também considera não haver prova bastante para concluir que tenha havido acidente
Para quem acompanhou sucessivas comissões parlamentares de inquérito como representante da família de António Patrício Gouveia, lembrando sempre o corajoso Augusto Cid, e nessa qualidade concordou [ele, MRS] com as conclusões das últimas comissões no sentido de ter havido atentado, mesmo se não dirigido especificamente contra Francisco Sá Carneiro, é muito frustrante ter de admitir que o tempo acabou por não facilitar uma decisão jurisdicional com mais sedimentada base probatória. Qualquer que ela fosse, ter-me-ia aquietado mais como cidadão.»
«Uma última nota, sobre a sua morte. Acompanhei, representando a família de António Patrício Gouveia, várias comissões parlamentares de inquérito a Camarate. Formei uma convicção como cidadão, que mantenho, de que não se tratou de um acidente mas sim de um atentado, embora não dirigido necessariamente a Francisco Sá Carneiro. Tenho pena, como cidadão, de que a última decisão da justiça não tenha podido contar, por causa do tempo, com mais dados probatórios e, assim, essa última decisão tenha dito que não havia provas suficientes para apontar para o atentado mas não havia provas suficientes, também, para apontar para o acidente. Ficou por definir a verdade em termos jurisdicionais acerca da morte de Francisco Sá Carneiro e de todos aqueles que o acompanhavam.»

Por outras e mais directas palavras: Bem desejava, bem tentei, fizemos e inventámos ao longo de mais de 30 anos o que era ideológica, política e religiosamente possível para que Sá Carneiro e comitiva não tivessem simplesmente morrido por causa da obstinação, inconsciência e neglicência temerária dos pilotos, mas os factos e o caralho do Cessna [MRS chama-lhes «o tempo»], mancomunados com os tribunais, não facilitaram.
// 
Três páginas de fezada delirante, sem uma linha acerca da saúde prévia da aeronave despenhada.
José Manuel Barata-Feyoautor de "O grande embuste | Camarate - Factos e Conveniências" [2013], que rotula de «dogma político» a tese de atentado, agora provedor do leitor do Público bem que ajudaria à sanidade da história se persuadisse o seu jornal a contrapor a devaneios tão estapafúrdios, como o de que hoje dá conta, um trabalho jornalístico sério acerca de aviação e sinistralidade aeronáutica.

Aquilo de Camarate
[1]   [2]
Etc.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Três retratos tipo-passe de Rui Rio

O de Salvador Malheiro, caudatário peralvilho de RR, na entrevista radiodifundida pela TSF e publicada no DN [tenho o DN por jornal oficioso do presidente do PSD eleito em 13.Jan.2018] de 11.Mar.2018, na qual trata todos os nomes pelo nome, excepto o do seu chefe a quem se refere invariável e reverenciosamente por «Dr. Rui Rio».

O do escritor Manuel Jorge Marmelo na revista Notícias Magazine de 18.Mar.2018: 
«[...] fiquei elucidado quanto ao carácter do indivíduo que tem sempre a boca cheia de ética.»

O do senhor que aplaude à esquerda de quem olha, na Convenção do Conselho Estratégico Nacional do PSD, em Santa Maria da Feira, 16.Fev.2019 .

Quem não o conhecer que o compre.
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«Quando não se tem grande estofo, procura-se fazer uma política de casos — compreende? —, de casos. E isso, se leva o adversário, neste caso sou eu, a responder caso a caso, onde é que cai o debate? Cai em baixo na lama, fica aqui muito rasteiro.»
Então não, doutor? Se a política não é de casos, de que é ela? É mesmo isso que se exige: que o presidente do PSD responda pelos casos. De que foge, afinal?
E estou a marimbar-me no estofo do Montenegro.

«Na corrida à liderança interna do PSD...»

Esperamos ansiosamente por notícias da liderança externa do PSD.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

55055

Curiosidade frívola, não mais.
A edição n.º 44044 saiu há 11 anos; 11 anos antes, a n.º 33033; etc. Em papel.
Só daqui a outros 11, se o defunto ressuscitasse, haveria de sair* a edição n.º 66066.
O Diário de Notícias morreu em Julho de 2018.**  Desde aí é semanário, por sinal muito bom.
Entretanto, para manter a correnteza dos números, vão forjando diariamente uma mentira incorpórea.
Ainda assim, não deixou de mexer comigo a primeira página da edição n.º 55055, de ontem.
DN online é outra coisa. 
Conforme entre outras ocasiões contei nesta, o Diário de Notícias é há 50 anos parte dos meus dias. Por isso me emociono e encanito. 
Tudo triste.
__________________________________________
* Hesito nestes tempos verbais.

** Sei da crise geral na imprensa, mas muito me sugere que a menstruação sincronizada de Daniel Proença de Carvalho-Fernanda Câncio-Ferreira Fernandes-Pedro Marques Lopes, que acarinham desde sempre Rui Rio na direcção do PSD*** [os indícios são copiosos; se pedirem, mostro. A Justiça, ai a Justiça!, o medonho e velhaco Ministério Público, a violação do segredo, a inversão do ónus, o direito premial..., esta gente parece atormentada. O ectoplasma de José Sócrates leva a sair daquela casa.****] e decerto o preferirão agora a Montenegro, ajudou a rejeição dos leitores e apressou o enterro do meu velho DN. 

*** «[...] O PSD estava sem mensagem de esperança e colado a um período que todos queremos esquecer. Rui Rio pode não gozar de um estado de graça no seu partido, mas tem condições para renovar a ligação do PSD aos portugueses e recuperar os eleitores que o abandonaram.
E mostrou uma qualidade que começa a ser rara na classe política: a coragem de dizer o que muitos pensam mas não se atrevem a dizer.
O seu discurso foi, nesse aspecto, inovador. É com coragem e determinação que se afirma uma liderança.»

**** «03.Dez.2019 - A solução para a crise do jornalismo é simples
É dar dinheiro a quem o faz – What else? No caso da imprensa escrita, face à actual oferta, jamais daria dinheiro à Cofina, à Impresa, à Sonae e quejandos, exemplos de pasquinagem que degradam e infectam o espaço público. Dou dinheiro pelo DN, sete euros e tal por mês, e assim continuarei a fazer enquanto o produto me continuar a respeitar como cidadão. É simples.
[...]»

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Leák e os órfãos e veterodevotos de Francisco Sá Carneiro

Já que me pedem, informo que ninguém em Portugal escreve com tanta graça e tanto talento engrenados como Rogério Casanova. Deixa a anos-luz a prosa piadética de Ricardo Araújo Pereira que, por sua vez e no que à escrita com graça concerne respeita*, fica notoriamente aquém de José Diogo Quintela, seu amigo de banzé.
Em quarto lugar, talvez Joana Marques.
- Sou da patafísica, Eremita, lamento decepcionar.

«Já que perguntam: vários folclores locais do Sudeste Asiático incluem uma figura mitológica que é uma espécie de mistura entre bruxa, vampira e monstro, associada à magia negra e ao canibalismo. 
[...]
Por outras palavras, as eleições directas para escolher o próximo líder do PSD vão realizar-se daqui a um mês e a RTP1 transmitiu nesta semana um debate entre os três candidatos: o doutor Rui Rio, o doutor Luís Montenegro e o Miguel (por mim, podem tratar-me por Miguel).
[...]
preocupado com o facto de a sua namorada ocidental ser agora uma cabeça canibal, Lionel Richie consulta um tio perito em magia branca. "É possível resolver isto?", pergunta, no mesmo tom de voz com que perguntaria a um colega de trabalho se o pode ajudar a fazer uma macro no Excel. O tio acede e reúne um grupo de trabalho. A feiticeira, já que perguntam, é derrotada, num duelo de bolas de fogo, a cabeça da antropóloga regressa ao seu lugar devido e toda a gente aprende uma lição valiosa: nem sempre é boa ideia aprender aquilo que os mortos têm para ensinar.»

Genial, desconcertante. Muito obrigado, Rogério Casanova.
______________________________________
* Hoje, 11.Dez.2019, concerne lido em voz alta também me causou desagrado: não tanto o argg do risco na ardósia mas mais, no céu da boca, a sensação de uma mistura de açúcar com água que se deixa cozer lentamente até formar uma calda espessa e dourada.
Já agora, amigo caramelo, por favor!, não amalgame [e esta que efeito lhe provoca?] a maestria do Quintela na escrita, que é bastante, com a do «Outro Gato» do Observador que, está na cara, não nasceu para a prosa; uma dor de alma.

domingo, 23 de junho de 2019

Sol na eira, Príamo na feira

Em 16.Abr.2014, o Blogtailors de Paulo Ferreira publicou uma reportagem com José Pinho, fundador e dono da livraria Ler Devagar que comemorava 15 anos, em que se escrevia, negrito e itálico meus:
«[...] Como disse Príamo, tudo o que é bom é feito devagar ou com vagar. Apesar das dificuldades iniciais, por onde a livraria tem passado é isto que tem acontecido: devagar, vai criando um público fiel. Hoje, a Ler Devagar recebe "incomparavelmente mais gente. [...] O nome da livraria vai precisamente beber àquela frase e à revista literária e de crítica social Devagar, que José Pinho editou nos anos 90, juntamente com um amigo, António Ferreira. [...]»

Dadas a aritmética do tempo e a prosperidade no negócio, a Ler Devagar faz agora 20 anos. Nada como voltar a ouvir o industrial dos livros, desta feita para o bloco de notas de Hugo Geada, negrito e itálico de novo meus:
«[...] “O nome foi-me introduzido pelo autor da revista, o António Ferreira, e vinha de uma frase do Príamo: ‘Tudo o que é bom é feito devagar ou com vagar. Quando abrimos a loja decidi seguir a mesma linha de pensamento.” [...]»

Com o Blogtailors fechado desde 20.Set.2015 e passados mais de cinco anos sobre a primeira ocorrência de Príamo, sumida nos arcanos do ciberespaço, mais certo é que Feliciano Barreiras Duarte, trafulha notório do PSD, tenha bebido num título do Público de há uma semana a citação com que encima o artigo "O poder da diabolização dos privados", no Sol de 22.Jun.2019:
«Tudo o que é bom é feito devagar ou com vagar   Príamo»

Afinal, quem é Príamo? Que gaseiforme ou criatura incorpórea, pensador ou poeta é ele?

«[...]
Aprendi como é devagar — comer devagar, sorrir, dormir devagar, cagar e foder — aprendi devagar.
[...]»
Incluído em "Poesia toda - II", Plátano, 1973, o extracto a que pertence aquela passagem pode ler-se aqui  ... ou escutar-se aqui na voz de Diogo Costa Leal.

A propósito,
«[...] desde cedo aprendi que tudo o que é bom deve ser feito devagar, sentido devagar, gozado devagar. [...]»

Volto ao Sol de ontem. Intempestivo, sem pressas, cinco dias depois de encerrar a 89.ª Feira do Livro de Lisboa:
«[...] E porque para mim não há nada mais influenciador que um livro, convido todos e todas [ó doutora Ana, não invente, porra!] a um passeio atento pela Feira do Livro*, em busca da imaginação que tantas vezes escasseia e do que nos pode ajudar a fazer diferente, melhor e de forma mais eficaz. [...]»
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* Por mim, convite aceite. Lá comparecerei na 90.ª, na Primavera de 2020**. Quem sabe ali surja o Príamo vagaroso, para sessão de autógrafos na barraca do José Pinho. Assim como assim, deuses e reis são capazes de tudo. À cautela, levarei o meu exemplar do "Livro de Citações Autênticas de Príamo". Com rabisco mítico na primeira página há-de render-me uma pipa de massa no OLX.

** Nascido em 1953, meço a vida em Papas [vou no 7.º], Olimpíadas de Verão [tenho 16], Eurofestivais da Canção [já cá cantam 64] e em Feiras do Livro de Lisboa [não falho uma desde 1971; vou para 50 e estou a ficar antigo c'mó caralho].

Quanto à doutora Helena Sacadura Cabral, ela que se precate, não vá ser acusada de plágio. Pelos herdeiros de Herberto Helder, se não for pelo próprio façanhudo e belicoso Príamo.

sábado, 10 de março de 2018

Bem-vindos ao país cristino [1]


Junte-se uns pozinhos de honestidade intelectual, ou de seriedade intelectual, e uma boa poeirada de consciência totalmente, completamente, perfeitamente e absolutamente tranquila, quanto mais adverbiada melhor, e temos um Portugal perfeito.



Luís Filipe Vieira, sobre isto

Fernando Tavares, sobre o mesmo assunto,




Entretanto, aguardo ansioso pelos 100 anos do arministício.  Há-se ser uma coisa em grande. Já só faltam oito meses.
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* «Afirmo, de forma peremptória, que estou de consciência totalmente tranquila. Não pratiquei qualquer ilícito que me possa ser imputado.»
Desculpem lá, mas a frase, por tão fabulosa, merece vitrina, visibilidade oficial. É um tratado de enxúndia, redundância e até de suprema ratice. De facto, o presidente do Benfica não afirma, peremptório, que não tenha praticado qualquer ilícito imputável a outrem...
Mete dó e faz-me rir.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Maior justiça social

«Diminuir o fosso entre os mais ricos e os menos pobres.»
Pedro Santana Lopes, 13.Jan.2018

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Festas e procissões

ora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última h


Ficção, quase.
Corria o presidente-arlequim a toda a brida para Vilar do Torno e Alentém a ver se ajudava a amparar o andor em queda, eis que o chamam por causa de tombo muito maior na pérola do Atlântico. Qual bumerangue alucinado, retorna ao Algarve, saca da primeira gravata preta que encontrou e do primeiro Falcon disponível e toca a voar para o afectuoso abraço a Miguel Albuquerque que, fosse japonês de honra pública, talvez o encontrasse de haraquiri consumado, nisto já o andor do Torno se espatifara e o carvalho do Monte matara 13, com Rui Ochôa sem saber para que ângulo apontar o codaque:
- Ó Presidente, e que fotografo eu agora, o andor ou o carvalho?
- Tudo, Rui, fotografe tudo, tudo! Quero o álbum dos "Dois anos depois" ainda mais vistoso.

Com toda a compreensão pelas perspectivas em presença e independentemente delas, prometo investigar melhor a esotérica correlação do verbo tombar com a susceptibilidade das Senhoras, a da Aparecida e a do Monte, quando lhes fazem festas.

E sempre queria ver, tocasse-lhe a desgraça pela porta ou na pele das suas lindas filhas, se o Plúvio vinha para aqui fazer humor barato a propósito...

Valha-nos Deus na sua infinita bondade e Nossa Senhora no seu desvelo maternal. Amém.
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* Ver Nota 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Com que cara | Canavilhas

«Já viram a triste situação em que eu estaria se fosse líder do PSD e estivesse no concelho de Loures a apoiar um candidato que desonra qualquer partido democrático que o possa apresentar às eleições? Com que cara é que eu estava aqui a apoiar um candidato em Cascais com a mesma cara com que tinha tado ontem a apoiar um candidato como aquele candidato que têm em Loures?»

António Costa anatematizava a candidatura pelo PSD de um alienado do Benfica [como ele, AC, de resto] — demagogo e populista, como tantos — que na véspera, em entrevista a Sebastião Bugalho*, no i em papel e no Sol em linha, proferira umas quantas frases pertinentes e incómodas acerca de determinada etnia.

Com que cara, doutor António Costa?
Ora, com a mesma com que estava a animar a candidatura de uma tontinha por José Sócrates [à CMtv em 21.Fev.2015: «Acredito piamente na inocência de José Sócrates.»], a tal que sugeriu há um ano o despedimento da jornalista Clara Viana. **
Com que cara, doutor António Costa? 
Ora, com a mesma com que apoia para Loures uma jeitosa e fraca Paixão. Espremida, ver-se-á quão medíocre é esta Sónia do PS.

- Grandessíssimo cigano me tem saído este secretário-geral do PS...
- Mas ó pai, ele não é monhé?
- Não, filha. Isso é racismo xenófobo.

Em Loures, já decidi: votarei na CDU. Sem hesitar; ninguém os bate nas arrumações.

A propósito de racismo:
Clara Ferreira Alves, sobranceira como sempre, preocupada- Eu devo dizer que o racismo está presente até no humor português. As anedotas que circulam desde a revolução, e já antes da revolução, são anedotas típicas de sociedades não pós-coloniais mas coloniais. Não há casamentos inter-raciais em Portugal
Daniel Oliveira- Começa a haver, começa a haver.
Clara Ferreira Alves- … cada um sabe onde está o seu lugar.

Nada que não se resolva com o REPANUI – Regime da Paridade Núbil Interétnica, a propor, com carácter de emergência social, pelas BEatas.
Assim, o Governo deverá promover e assegurar a realização em território português de casamentos entre indivíduos em idade núbil aqui residentes, nas seguintes exactas quantidades mínimas em cada ano civil:
- cabo-verdianos com ciganos calé, cerca de 103;
- lusocaucasianos com ameríndios, cerca de 37;
- afrodescendentes pretos com chineses amarelos, cerca de 62;
- islamoárabes com judeus de qualquer proveniência, cerca de 211;
- louros nórdicos com toureiros bengalis, cerca de 96;
- indianos com algarvios, cerca de 23;
- esquimós com maoris, cerca de 8.
E assim sucessivamente, mantendo presente que amor é coisa que ocorre não por acaso uma única vez na Constituição da República Portuguesa: na alínea b) do n.º 1 do artigo 293.º.
A título absolutamente excepcional e transitório, admitem-se Casamentos de Santo António.

Henrique Raposo, "Loures" | Expresso, 22.Jul.2017

Quanto a Louçã — "Eu já tive namoradas de todas as cores" | Público, 26.Jul.2017  —, ele que zele por que em casa toda a gente respeite o ordenamento jurídico português e os preceitos consuetudinários locais. De resto, pergunto-me quantas voltas à chave dará o arcediago BEato na porta de entrada quando vai dormir e quando sai…
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** Gabriela Canavilhas — não falo da pianista — merece rodapé.
Falo da inefável e levitante socialista no seu desvelado afã em torno da língua portuguesa
Defensora ultramontana do AO1990, ei-la, em 07.Fev.2017, Palácio de São Bento, na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, presidida por Edite Estrela, inenarrável e histórica videirinha do PS, na audição do Presidente da Academia das Ciências de Lisboa sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa:
A partir do minuto 01:30:57. Que bem fala, senhores! Como persuade a inteligência dos calhaus antiacordistas! Como nos hipnotiza de clarividência! A razão esvoaça!   

Finalmente, pequenina amostra de como escreve Canavilhas.
Nunca deverá ter ouvido falar no vocativo nem faz ideia do uso da vírgula. Escapa-lhe redigir bem coisas como "Obrigada, Mário Soares", "Parabéns, António", "Um abraço, José Lello". 
Do famigerado Acordo Ortográfico, de que é prosélita zonza, nem as regras elementares domina: ainda escreve «acção» e «retractação».
Não consegue escrever sem erro «distinto», «com certeza», «voo», «juízes».
Aprecie-se o chorrilho
Até dói saber que esta senhora pôde ter sido ministra da Cultura [2005-2009, governo de José Sócrates].
Olhem-m' ela no Paradoxo...