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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Coisas espantosas

Raquel Varela- Por acaso até fui à Gulbenkian ver o Solokov. Tenho de dizer isto porque foi das coisas mais espantosas da minha vida ...
RV- Hã?
JV- Sokolov.
RV- Sokolov, eu agora tava a dizer, tou com dislexia... É o mais conhecido pintor russo da actualidade...
JV- Pianista.
RV- Pianista, meu Deus! Tou completamente... Obrigada, Joaquim! Vou começar.

Os doutores que quadriplicam têm destas coisas.
//
Em tempo [29.Abr.2021]
Soube esta manhã do retrato de Raquel Varela feito ontem, na Rádio Renascença, por Joana Marques:
Nos últimos tempos venho reponderando se não devo promover Joana Marques, por quem tenho admiração crescente, ao 3.º lugar do humor perspicaz, passe a redundância, por troca com Ricardo Araújo Pereira.
__________________________________________
* Já agora e como ninguém ma pediu, aqui vai uma selecção, provisória e volante, ad hoc, de inchaços narcísicos:  
Clara Ferreira Alves .  José Sócrates . Lili Caneças  .  António Lobo Antunes .  Maria João Rodrigues (ex-eurodeputada do PS)  .  José Cid . Cristina Ferreira . Boaventura Sousa Santos . Júlio Isidro . Marco Paulo . José Rodrigues dos Santos . Raquel Varela  .  Cristiano Ronaldo . Manuel José (treinador de futebol)  . Simone de Oliveira  .  Rui Rangel . Eurico Reis (juiz)  . Eduardo Barroso . Bruno de Carvalho . Jorge Jesus .  João Soares .  José Perdigão (cantor) .  José António Pinto Ribeiro (ministro da Cultura num governo de J. Sócrates) . Margarida Rebelo Pinto  .    Alberto João Jardim . Tomás Taveira . José Mourinho . David Fonseca (músico) . Fernando Tordo . Manuel Alegre .  Paulo de Carvalho . Sebastião Bugalho  .  Sandra Felgueiras

sábado, 6 de fevereiro de 2021

O efeito «jovem» no jornalismo de manipulação e engodo

Sem negar malfeitorias, abusos ou crimes praticados por polícias — sim, infelizmente acontece —, sujeitos a devido julgamento, nem ignorar o direito a ressarcimento das agressões e ofensas várias sofridas às mãos daqueles por cidadãos da Cova da Moura, não consigo deixar de me enojar e sentir insultado como cliente de notícias com o fanatismo ideológico de certo jornalismo de agenda, designadamente o praticado por Joana Gorjão Henriques, Fernanda Câncio e Valentina Marcelino, em torno dos incidentes de Fevereiro de 2015 na esquadra de Alfragide/Amadora. Em cada peça que assinam não escondem, ou escondem muito mal, o que manifestamente as anima: desde logo e sempre, atacar a Polícia, diabolizando-a, ocultando ou branqueando em paralelo idiossincrasias e eventual conduta violenta ou delituosa das vítimas, angelificando-as; tratá-las maternal e sistematicamente por «jovens» faz parte da táctica de atracção do leitor, indignado ou comovido, para a causa.
Volvidos seis anos sobre os factos, transitados em julgado os veredictos, lá veio Valentina Marcelino, jamais saciada na fome de punição da Polícia, prenhe do ódio descabelado que devota a "agentes da autoridade", tomar no Diário de Notícias de ontem as dores dos eternos «seis jovens da Cova da Moura» que agora «[...] apresentaram uma queixa à Provedora de Justiça contra a inspectora-geral da Administração Interna e o director nacional da PSP, por não agirem disciplinarmente contra os oito polícias condenados, que continuam em funções. [...]»

Recordemos os «seis jovens»:  
Flávio [rapper LBC Soldjah], 38 anos; Celso [rapper Kromo di Gheto], 38 anos; Bruno [rapper Timor Young Smoke], 30 anos; Rui, 29 anos; Paulo, 26 anos; Miguel, 25 anos. 


Recupero de 25.Ago.2019 "Os pretinhos bons, os polícias maus e a palavra jovem":
«[...]
Fernanda Câncio [6 peças aqui - ou isto aqui], irmanada com Valentina Marcelino [14 peças aqui], ambas no Diário de Notícias, e Joana Gorjão Henriques no Público [18 peças aqui], a reboque do Bloco de Esquerda/SOS Racismo/Mamadou Ba e com inevitável unção do bonzo de Coimbra [minuto 01:45, eis São Boaventura imprecando São Bento em 12.Fev.2015] lá foram urdindo e fazendo vingar desde 2015, com persistente e manipulada rotulagem etária propícia à comoção das almas sensíveis, a saga dos sempre, sempre, mas sempre tratados por "seis jovens da Cova da Moura"; jamais "indivíduos", "pessoas", "cidadãos", "moradores", ou simplesmente "homens". Para que conste: Flávio, nascido em 1983; Celso, em 1983; Bruno, em 1991; Rui, em 1992; Paulo, em 1995; Miguel, em 1996. Referindo-se a Flávio Almada, senhor de 36 anos, comenta Fernanda Câncio com desvelo pedomaternal: «A brutalidade deste relato de um dos miúdos do caso Cova da Moura é impressionante» - Twitter, 22.Set.2018. Repare-se na candura antropológica [mães, grávidas, crianças a brincar...; de homens ou rapazolas façanhudos, nem uma sombra. Afinal, Cova da Moura é um idílio de inocência, remanso e doçura feminil] das sete ilustrações, escolhidas adrede para enfeitiçar leitores incautos, com que a jornalista Câncio documenta a reportagem de quatro páginas no DN de 15.Jul.2017Sabidona.
De resto, em nenhuma passagem dos quilómetros de prosa jornalística das três inefáveis plumitivas — Fernanda, Valentina, Joana — me lembro de ter encontrado qualquer alusão ao facto, que dou por adquirido, de o jovem Bruno Lopes, o que desencadeou o caso da esquadra de Alfragide, levar no currículo sete condenações transitadas em julgado de 2008 a 2016 e ter a correr, em Setembro de 2017, 36 inquéritos-crime  [a partir do minuto 23:00]; vendo bem, um anjinho. Também "gostei" da cena, narrada por Joana Gorjão Henriques  no Público de 14.Jul.2017, em que três jovens foram detidos por agentes quando estavam a fazer música num estúdio. «Um dos jovens contou que tinha vindo à porta e depois de um curto diálogo foi agredido com uma bastonada, algemado e atirado para o chão e colocado na carrinha.» Deixem-me imaginar o "curto diálogo":
JovemBoa tarde, senhor agente. Como vai a vida? Muito trabalho?
Agente- Faz-se o que se deve e se pode. Uns dias mais tranquilos, outros nem tanto.
JovemOssos do ofício, senhor agente. Temos de enfrentar as coisas com optimismo e calma.
Nisto e sem dúvida por isto, o agente saca do bastão, pumba no jovem
etc., etc.
Escreve Fernanda Câncio no lide da tal reportagem, sem aspas nem atribuição de autoria (Sérgio Godinho): «A sede de uma espera só se estanca na torrente.» Anoto a coincidência de, quando necessita de exibir alguma erudição literária, ser ao mesmo mantra  conhecerá outro?  que recorre António Costa, secretário-geral do Partido Socialista, primeiro-ministro. Já aqui falei disso.
Sem favor, considero Fernanda Câncio entre os jornalistas que mais bem redigem em Portugal, pese não saber como se escreve retaguarda [ela pensa que é rectaguarda, coisa que nem antes do teratológico AO1990 era]. Mas, depois da extensa e — santa ingenuidade minha! — tardia compreensão do conúbio com José Sócrates numa altura (2001-2011) em que eu apesar de tudo admirava Sócrates e votava no PS, partido que hoje tomo por caldeirão de incestuosa imundície, e acreditava na isenção/desinteresse pessoal do que a jornalista escrevia no DN, não posso deixar de achá-la, também, uma das personagens mais desonestas que conheço e sigo na comunicação social portuguesa. Não lhe perdoo aquilo com que me fez amiúde concordar e vez por outra entusiasmar [e não, não falo de figos]. A esta distância, torna-se-me até desafiante especular acerca da muito presumível influência desta codiciosa e esperta paladina das "causas fracturantes" no ideário e na materialização de políticas por parte da criatura horrenda e mendaz — repartiam o coração sem que isso lhe toldasse a deontologia ao defender-lhe o nome (veja-se, entre múltiplos exemplos, este desavergonhado "J'accuse") e a gabar-lhe dia sim, dia sim, a governação — que certo dia recomendou aos portugueses que não deixassem de ir ver «o filme que se chama Milkpresumo, e fala da biografia de um dos primeiros políticos assumidamente homossexuais».
Câncio, desonesta ... e nem sempre fiável. ****

**** Fernanda Câncio: «Tenho a mania do rigor. Não me passa.» - Twitter, 16.Dez.2017
«foi criada, em 1996, na sequência do horrível caso da decapitação no posto da GNR de Sacavém, a Inspecção-Geral da Administração Interna, para investigar casos de ilegalidade e de violência nas forças de segurança» - Fernanda Câncio, DN, 22.Jul.2018
Já agora,
Inês Pedrosa: «Houve um caso em 95 de um polícia que decapitou um cidadão numa esquadra, em Sacavém» - "O último apaga a luz", RTP 3, 25.Jan.2019
Há, portanto, que agregar as amiguinhas Fernanda e Inês [CCB, Lisboa, 08.Jun.2010], na contrafacção fervorosa da realidade, à desonestidade insigne de José Saramago Clara Ferreira Alves.
Já em 31.Mar.2018 Ricardo Araújo Pereira molhara na fantasia o bico desonesto, trocando dessa vez Sacavém por Santarém: «Lembro-me de uma vez, numa esquadra em Santarém... Uma vez, numa esquadra de Santarém, eles serraram a cabeça de um desgraçado.» Lembra-se mesmo?  ***** 

«Comecemos por exemplo, já que falamos da esquerda, com uma frase célebre atribuída a Lenine: 'Proletários de todo o mundo, uni-vos.' Ser proletário, parece, é uma identidade, certo? E uma identidade que deve levar, de acordo com o apelo de Lenine, a que todos os que assim se identificam se unam para, claro, lutar pelos seus direitos.» - Fernanda Câncio, DN, 27.Jul.2019
Azar, doutora. A frase é do Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, e nem é bem assim. «Proletários de todos os países, uni-vos!» CertoClaro.

***** Sacavém, terça-feira, 07.Mai.1996 - «[...] Carlos Rosa, 25 anos, roubava para alimentar o vício da droga. Acabou apanhado pela GNR e levado ao comandante que lhe encostou o cano da arma à cabeça e lhe berrou mais uma vez ao ouvido para o intimidar. A pistola de José Santos fez fogo no calor do interrogatório e, enquanto Samuel omitiu o crime, Castelo Branco ajudou a esconder o cadáver – embrulhado num cobertor e levado de carro para um descampado na Quinta da Apelação. O sargento Santos usou uma faca de mato para cortar o magro pescoço de Carlos Rosa, até o decapitar. Deixou o cadáver coberto com ramos e levou a cabeça de volta para o posto onde, com uma chave de fendas, tentou tirar a bala comprometedora. Não reparou que a munição atravessou o crânio da vítima e se foi alojar numa porta de madeira. Horas depois, o sargento abandonou a cabeça em Chelas, Lisboa, atirou a faca ao rio Trancão e deitou o cobertor ao Tejo. O esforço foi em vão: a 16 de Maio, dez dias depois, um pastor encontrou o cadáver. [...]».
Insista-se, para desencanto do contrabando noticioso activista: ninguém decapitou um cidadão dentro da esquadra.
Apre!
[...]»

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Desejo-lhe votos sinceros

«[...]
A RTP exibiu o tuíte em que António Costa diz «desejo-lhe votos sinceros de rápida e completa recuperação».
«desejo»/«votos»/«sinceros», todo um mundo semiológico que, além de pura gamártica, remete directamente para a "retórica dos melros" de que falei em tempos.
[...]».

«[...]
Além disso, António Costa também deixou votos sinceros de rápida e completa recuperação. O único desejo que se apresenta é o do primeiro-ministro, o que acaba por ser contraproducente. Quando temos necessidade de dizer que estamos a ser sinceros, parece que poderia haver suspeitas de que a nossa sinceridade fosse, de algum modo, falsa. No que respeita às melhoras quase todos desejam que sejam rápidas mas quanto à recuperação há divergências ideológicas importantes, que se reflectem no adjectivo escolhido.
[...]»

terça-feira, 19 de maio de 2020

Comunitário e justo

O comunitário Pedro Marques Lopes, ateu licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, viciado em golfe, maluquinho do Futebol Clube do Porto, devoto incondicional do meu presidente, o impoluto Jorge Nuno Pinto da Costa, e adepto gaiteiro de Marcelo, o nosso presidente-arlequim, cidadão abastado que pôde por exemplo despender em 1999 436.450,00 € numa moradia unifamiliar na Quinta do Peru, com púlpito permanente na TSF, no Diário de Notícias, no Jornal de Notícias e nas Produções Fictícias/SIC, psitacídeo contumaz do «Estado de direito democrático liberal», antigo apaniguado de José Sócrates, aparenta nos últimos 10 anos viver atormentado com a questão da justiça em Portugal. Recorrentemente enfurecido com procuradores da República indistintos e dois ou três juízes, mancomunados com o Correio da Manhã, e com o atropelo dos, quanto a ele, quatro inamovíveis e sacrossantos pilares dos tribunais — preservação absoluta do segredo de justiçaabsoluta presunção de inocência, inversão do ónus da prova no enriquecimento sem causa e delação premiada absolutamente repudiáveis —, PML mostra-se na sua peleja solidariamente ao lado de Rui Rio, que disfarça mal o rancor antigo que devota ao Ministério Público, alinhado com Daniel Proença de Carvalho [presidente do Conselho de Administração da Global Media Group a quem PML vende opinião no DN (rigorosamente a mesma, com o exacto mesmo guião, que dois dias antes vendeu à SIC de Pinto Balsemão — estúpido é que ele não é, há que saber facturar), no JN e na TSF, advogado pretérito de José Sócrates, pai de Francisco Proença de Carvalho, advogado de Ricardo Salgado e de quem o próprio PML é constituinte] e de menstruação opinativa invariavelmente sincronizada, do que guardo registos profusos, com os seus amigos do peito no DN, Ferreira Fernandes, ex-recente director e Fernanda Câncio, grande repórter.*
Eis como no Eixo do Mal de quinta-feira, 14.Mai.2020, quando se conversava sobre a morte da menina Valentina às mãos do pai-ogre Sandro Bernardo, conforme copiosamente noticiado desde três dias antes, para sua decepção não apenas pelos pregoeiros da Cofina, o trauliteiro comunitário opinou, com solenidade e seriedade inusitadas, secundando Daniel de Oliveira:
«Faço minhas, se ele [Daniel Oliveira] me permite, as palavras dele, e acrescento uma coisa que é importante. Até nestes casos, até nestes casos, é fundamental a presunção de inocência. É particularmente nestes casos que é preciso a presunção de inocência.
DO- Quanto piores os casos...
PML- ... Quanto piores os crimes mais necessários são (?!). Porque só quando nós tivermos, a comunidade tiver — eu acho que tem e perdeu-a (?), não sei agora, é análise para outra altura — , quando nós perdermos esse valor essencial, é aí que abrimos as portas a juízas que não sabem ser juízas  [...] Já sei que vou ter uns tipos no Facebook, mas é nestes que é fundamental a presunção de inocência.»
Pedro Marques Lopes, arcanjo da decência penal, para sossego cívico da comunidade.

Pedro Marques Lopes insiste com frequência em advertir a comunidade com um argumento que tem tanto de aparente mérito como de descarado sofisma: Sim, porque hoje são os outros mas amanhã podemos ser nós as vítimas destas iniquidades da justiça.
Cada qual sabe da suspeita ou sarilhos em que pode incorrer, cada qual sabe das linhas com que se cose, cada qual sabe de quem é compincha ou com quem se deita.**
Sem prejuízo da razão que pontualmente assista à sua incontinente diatribe judiciária, que teme Pedro Marques Lopes? Que concreta vileza da justiça o amedronta tanto e tão pessoalmente

Considerações gerais de PML sobre a justiça e sobre o caso de Sócrates em particular, 05.Mar.2017

PML e o colapso da justiça, 09.Jul.2017

PML: «Não tenho medo nenhum de exagerar. O maior problema da nossa democracia chama-se sistema de justiça.», 28.Out.2017 [Eixo do mal]

PML: «Se, há décadas, toda a gente olha para o lado enquanto a nossa Justiça se vai degradando, porque diabo o conselheiro Gaspar faria diferente? […] O estado da Justiça é o maior problema estrutural do nosso regime. Aliás, a única instituição que regrediu em Portugal desde o 25 de Abril foi a Justiça. [...] É que convém não esquecer: não há assunto mais político do que a Justiça.», 29.Out.2017 [Diário de Notícias]

PML, Rui Rio e o nosso sistema de justiça, 14.Jan.2018

PML e o segredo de justiça, 13.Out.2018

Já agora, ó doutor Pedro Marques Lopes, leu-a toda? Morro de curiosidade por saber que «erros gravíssimos» encontrou. 

PML e os megaprocessos: «Os megaprocessos são na esmagadoríssima maioria das vezes processos que acabam por ter um cariz político, na perspectiva em que o poder judicial pretende aparecer como combatente contra enormes conspirações com origem no poder político. A justiça, no fundo, coloca a aplicação do direito em segundo lugar e quer surgir como uma espécie de salvadora do sistema. Ou seja, não cumpre o seu papel.» - 02.Fev.2019

PML e a inocência de José Sócrates, 25.Abr.2019
[Ali, de cravo na lapela. Em Janeiro de 1986, ia PML fazer 20 anos,
era mais de chapelinho
Prá Frente Portugal!
contra Mário Soares
A propósito da comemoração do 25 de Abril, o impenitente e progressista democrata de sempre informa-nos, ufano, de que desce a Avenida da Liberdade desde 1976. Aí, tinha PML, filho de família reaccionária do Minho, nove anos. Sobre isso há uma história interessante que hei-de contar.] 

PML e o Ministério Público, 27.Jun.2019

PML e o Ministério Público, 29.Jun.2019

PML: «o estado da justiça é, sem dúvida rigorosamente nenhuma***, o maior problema institucional do nosso país.», 21.Set.2019

PML: «As soluções para o lodaçal e roubalheira generalizada em que supostamente vivemos já são conhecidas: inverte-se o ónus da prova, instaura-se a delação premiada, limita-se a presunção de inocência», 23.Nov.2019

PML, o problema da justiça e a democracia em risco, 05.Mar.2020

Não sei de textos ou discursos de Pedro Marques Lopes, que fala amiúde de cobardia e de coragem****, acerca da integridade e do escrúpulo.
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* Não ignorando a crise geral no ramo, tudo me sugere que, dos accionistas à administração e da administração à direcção e à redacção, a atracção tóxica por Sócrates [até eu, Plúvio, até eu fui enrolado...] nos 13 anos anteriores a 2018 não é alheia à deserção de compradores e aceleração do definhamento, agonia e adivinhável extinção em papel do meu Diário de Notícias de sempre e de que continuo assinante.

** E daí, talvez não, nem sempre sabemos. A Câncio, por exemplo, diz que foi enganada.

*** Sem dúvida rigorosamente nenhuma é como usam pronunciar-se os idiotas.

**** PML, "A tabloidização da Justiça e os cobardes", 09.Abr.2017

PML, acerca das reacções de Cavaco Silva e de Pedro Passos Coelho à não recondução de Joana Marques Vidal como PGR: 
«A estratégia é esta: Vamos fazer crer as pessoas que Marcelo é mais um membro da geringonça. […] Daí vêm o texto de Passos e estas declarações de Marcelo. O problema é que são cobardes e a cobardia nota-se logo. E qual é a cobardia disto? É que eles não têm mesmo coragem de dizer claramente que Marcelo Rebelo de Sousa é da geringonça.» -  30.Set.2018, de 01:00 a 05:00 

PML, acerca de «cobardes» e «colaboracionistas» no Correio da Manhã: 
«Clara [...], sabes do que é que tu precisas? Precisas que não haja colaboracionistas e cobardes. E eu digo quem são os colaboracionistas e os cobardes. Os cobardes são as pessoas que são atacadas e não dizem uma palavra contra o Correio da Manhã. […] Os colaboracionistas são pessoas como Santana Lopes, Assunção Cristas, que escrevem naquele jornal.» - 04.Fev.2018 
Pena a coragem e o fôlego de PML não terem dado senão para dois «colaboracionistas». Gostaria de ouvi-lo a chamar com idêntico vigor nomes feios, por exemplo, a Adolfo Luxúria Canibal, Alexandre Pais, Ana Gomes, Carlos Moedas, Eduardo Cintra Torres, Fernando Ilharco, Francisco José Viegas,  Francisco Moita Flores, José Rentes de Carvalho [fez 90 anos há três dias e está aí para as curvas], Joana Amaral Dias, João Pereira Coutinho, José Jorge Letria, Leonor Pinhão, Luís Menezes Leitão, Manuel S. Fonseca, Marcos Perestrello, Maria Filomena Mónica, Rui Pereira ou Rui Zink, colunistas regulares do CM, qualquer deles incomparavelmente melhor a analisar ou a prosar do que PML.

«Felizmente não faço as figuras — por uma questão de higiene —, não faço as figuras de certos comentadores que vivem à conta do facto de alguém lhe [sic] pôr processos.» - 20.Mai.2018 
Aposto em que PML estava a pensar no João Miguel Tavares, processado em tempos por José Sócrates. A apregoada coragem de PML não lhe permitiu nomeá-lo... Definitivamente, o comentador higienizado — que enaltece e se revê na coragem com que Rui Rio «chama os bois pelos nomes» —  desconhece a figura que faz. 

- Mas ó Plúvio, a figura pública de Pedro Marques Lopes é assim tão má?
- É pior. Acho que Ricardo Araújo Pereira, aqui e aqui [sonsinho..., parvinho..., patético ... Ninguém percebe a projecção pública que tem ... Porque é que o Pedro Marques Lopes é o cronista mais bem sucedido do país? ... Não escreve bem, não tem graça...***** ], foi demasiado benévolo.
Fica para próximo verbete a minha demonstração de que PML é pior.
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***** Amigos para ocasiões:
«Reagir a uma crítica com bullying e ataques ao carácter revela dificuldade em estar no espaço público sem ser tratado como uma santinha. O que ouvi do RAP sobre PML esteve ao nível das redes sociais. Pequeno, despropositado, rancoroso e dispensável. O Ricardo tem talento para mais.»

«foi uma enorme surpresa, nunca tínhamos visto nada assim vindo dali. ataques de carácter? ir buscar cenas q não têm nada a ver? optar pela facilidade da piada boateira e pla rasquice da calúnia? considerar-s intocável e acima d crítica? mandar bocas ordinárias? nem pensar.»

domingo, 19 de janeiro de 2020

Ó Pedro Mexia, tento nessa língua...

ÚLTIMA  HORA
Pedro Mexia diz «items». [Como se dissesse «origems».]

«quais são os items dessa acusação que lhe é feita?»

«são aliás todos os items da minha ementa»
os itens

«O punk, nesse sentido, para mim é a epítome desse lado de energia» 
o epítome 

«sensação que basta ser verosímel — não é preciso ser verdadeira —, basta ser verosímel para ser bastante grave.»

«está aberto a qualquer solução possível e imaginária para continuar no poder»

«atenção, eu não sou daquelas pessoas que acha que»
daquelas pessoas que acham

«não faço parte das pessoas que diz "não aconteceu nada"»
das pessoas que dizem

«Uma das coisas que acontece, uma das coisas que acontece muito foi aquilo que o Germano disse.»
uma das coisas que acontecem

Pedro Mexia é dos portugueses que por aí escrevem e falam que mais admiro.
Mas, lá está*, há sempre o perigo de crianças por perto
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* Tique incontinente e relapso do comparsa Ricardo Araújo Pereira, por sinal ultracuidadoso no manejo da gramática.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Leák e os órfãos e veterodevotos de Francisco Sá Carneiro

Já que me pedem, informo que ninguém em Portugal escreve com tanta graça e tanto talento engrenados como Rogério Casanova. Deixa a anos-luz a prosa piadética de Ricardo Araújo Pereira que, por sua vez e no que à escrita com graça concerne respeita*, fica notoriamente aquém de José Diogo Quintela, seu amigo de banzé.
Em quarto lugar, talvez Joana Marques.
- Sou da patafísica, Eremita, lamento decepcionar.

«Já que perguntam: vários folclores locais do Sudeste Asiático incluem uma figura mitológica que é uma espécie de mistura entre bruxa, vampira e monstro, associada à magia negra e ao canibalismo. 
[...]
Por outras palavras, as eleições directas para escolher o próximo líder do PSD vão realizar-se daqui a um mês e a RTP1 transmitiu nesta semana um debate entre os três candidatos: o doutor Rui Rio, o doutor Luís Montenegro e o Miguel (por mim, podem tratar-me por Miguel).
[...]
preocupado com o facto de a sua namorada ocidental ser agora uma cabeça canibal, Lionel Richie consulta um tio perito em magia branca. "É possível resolver isto?", pergunta, no mesmo tom de voz com que perguntaria a um colega de trabalho se o pode ajudar a fazer uma macro no Excel. O tio acede e reúne um grupo de trabalho. A feiticeira, já que perguntam, é derrotada, num duelo de bolas de fogo, a cabeça da antropóloga regressa ao seu lugar devido e toda a gente aprende uma lição valiosa: nem sempre é boa ideia aprender aquilo que os mortos têm para ensinar.»

Genial, desconcertante. Muito obrigado, Rogério Casanova.
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* Hoje, 11.Dez.2019, concerne lido em voz alta também me causou desagrado: não tanto o argg do risco na ardósia mas mais, no céu da boca, a sensação de uma mistura de açúcar com água que se deixa cozer lentamente até formar uma calda espessa e dourada.
Já agora, amigo caramelo, por favor!, não amalgame [e esta que efeito lhe provoca?] a maestria do Quintela na escrita, que é bastante, com a do «Outro Gato» do Observador que, está na cara, não nasceu para a prosa; uma dor de alma.

domingo, 25 de agosto de 2019

Revista de imprensa ...

... antes de que azede, que nos tempos que correm — et pour cause — ontem já é pré-história.

«Embora não hajam evidências científicas que corroborem a afirmativa, o facto é que os dislates somam e seguem [...] hoje em dia há que ter muito cuidado com o que se escreve.»
Quod erat demonstrandum

Afonso de Melo, cronista prolífico entre os melhores prosadores nos jornais portugueses, na linha de Ferreira Fernandes:
«Kappkadavu é um lugar desinteressante, quanto muito um ponto de passagem para quem demanda Mahé»

«Edward Kennedy, um dos senadores que mais tempo teve na câmara alta norte-americana»
Palavras não eram tidas, perdão, ditas,
«Tive quase para lhe dizer que era piloto»

O quase sempre magnífico Álvaro Domingues, no Público de 04.Ago.2019, volta à "Rotunda dos Trabalhadores do Campo", na EN10 em Samora Correia, onde estivera em 03.Ago.2016 no Correio do Porto, e autoplagia-se. Resta escolher a melhor versão.
Se, caro leitor, acha que exagero no apreço por Álvaro Domingues, experimente estas 34 "Metamorfoses". E não diga que vai daqui. Irrita-me um bocadinho que AD nunca diga onde tira as fotografias, mas não se pode ter tudo.

«'O ócio é o trabalho do poeta', dizia Sophia»
A propósito,
«O ócio é o trabalho do poeta. A frase é de Sophia de Mello Breyner e Nuno Artur Silva concorda em absoluto com ela.»
«A Sophia de Mello Breyner dizia que o ócio é o trabalho do poeta»
Nuno Artur Silva em entrevista ao Expresso/Economia de 24.Fev.2018 [extracto]
Escaldado de citações apócrifas, deixa cá ver se Sophia dizia aquilo.
«O Goethe dizia “O ócio é o trabalho do poeta”. Também é preciso dizer que a maior parte dos escritores têm uma mulher que lhes trata de tudo – da comida, dos filhos, da casa, das compras, das limpezas.»
Sophia de Mello Breyner Andresen, em entrevista à revista Vida Mundial de 31.Mai.1989
Nunca fiando, toca a confirmar se o alemão disse mesmo aquilo, quando e onde. Cá está: no 4.º acto de "O cavaleiro da mão de ferro" ("Goetz von Berlichingen" ), versão definitiva, 1773:
- Ai de mim! Escrever é um ócio trabalhoso, e isso enfurece-me. [Ach! Schreiben ist geschäftiger Müßiggang, es kommt mir sauer an.]
Ou seja, Sophia o que dizia era que Goethe dizia uma coisa que afinal não era bem como Sophia reproduzia; e o doutor Nuno não passa de um citador trambiqueiro relapso *.

Rogério Casanova, fabuloso, diz que viu e ouviu o cantor Toy a dizer:
«nada substitui aquilo que somos enquanto âmago de essência.»
Despertou-se-me logo o auge da culminância.
E não é que o próprio e fabuloso Rogério «caíu na esparrela» d' "Os índices dos níveis da cadência da normalidade"?

«Sendo que entre os cristãos/católicos não praticantes a esmagadora maioria (67% e 64%) se dizem favoráveis a essas duas ditas "fracturas"»
Ciente de como fcancio se excita em público nos seus assuntos — o seu contrato com a MEO, cãezinhos e gatos, José Sócrates, polícias, jovens da Cova da Moura**, Ministério Público, paneleiragem, fufedo e coisas do género, canábis, hagiografia dos sacrossantos defuntos Paulo Cunha e Silva"Manel" Reis, Igreja Católica e o Dom de Dom Manuel Clemente, habitação na baixa lisboeta... —, quero supor com que adjectivo ajaezaria ela maiorias na casa dos 90%, se na casa dos 60% as reputa de esmagadoras. Mastodônticas? Ultragalácticas? Como diria o seu muito apreciado — «Conanzinho, és óptimo, vai por mim» —  e excelso músico, esmaga, Fernanda!

«Hoje, já com um só jogo, a supertaça será entregue amanhã»
«Jaime Martins, residente em Cheira, localidade de Penacova, queixa-se há vários anos do cheiro nauseabundo da Estação de Tratamento de Águas Residuais do concelho»

«A galeria encontra-se instalada na casa Andresen, "onde Sophia passou uma parte muito importante da sua criancice e juventude"»
Infância, doutor Nuno, infância e juventude. Ou meninice, vá.

«A realidade hoje é que se tratam de parceiros de negócios»

Bernardo Mendonça- Continuamos a ouvir frases como "Não sou racista, mas..."?
Francisca van Dunen- A disjuntiva dá sempre asneira.
Asneira, e da grossa, é a doutora Francisca, ministra da Justiça, tratar por disjuntiva uma adversativa.

Eportantodevodizernãotenhoamenordúvidaetc doutora Clara Ferreira Alves:
«Nas tênebras malcheirosas de um restaurante do Soho»
«Depois disto tudo, este senhor, Tomás Correia cujo perfil de ténebras aparece neste excelente texto jornalístico de investigação»
«E portanto, devo dizer — agora perdi-me com esta coisa das ténebras»
Trevas, doutora eportantodevodizernãotenhoamenordúvidaetc Clara Ferreira Alves, trevas***

«Talvez o PS e as outras forças democráticas quando lutaram nos dias lá atrás contra a unidade sindical nunca imaginassem que hoje teriam de lidar com sindicatos que encaram a luta do trabalhador como uma coisa de curto prazo.»

«Assim de repente, estou a ver demasiados entorses à lógica para ficar repousado. »

Faz-me pena António Guerreiro, o melhor, abandonado à sua sorte. Por exemplo, no Ípsilon de 09.Ago.2019. Que andam a fazer os revisores do Público?

«No seu curriculum consta que fundou a Green Project Awards em 2008 e em 2012 foi júri do Festival de Cannes Lion.»

«retrato retrógado»

«uma das razões porque gosto tanto dele»
«Não sei por que contar a verdade às pessoas se tornou utopia»
Porque, porque contar, nabos! Eu, Plúvio gabarola, que não perdi nenhuma e conservo todas as 1275 edições do JL, desde Março de 1981, estou em condições de afirmar que a revisão do jornal está mais desgraçada do que nunca, se é que alguém ainda ali trata disso.
Mas quem mais disparata é João Lisboa na frase: «ao aceitar registar em disco as sonoridades aleatórias, found, ambientais, mais públicas ou mais privadas, porque optaram é tão só o exacto oposto do que Cage não se cansou de explicar» - Expresso/E, 24.Ago.2019
Por que optaram, professor João, sonoridades por que optaram. 

O defunto Alexandre Soares dos Santos talvez fizesse mais sentido nos DESAPARECIMENTOS do que na PUBlicidade. Mas o que me deixa a pensar é o «prevalecente».
Finalmente, uma querela literária. Das boas e picantes, negritos meus:
- «o recluso, de 40 anos, está actualmente detido em prisão preventiva por crimes de roubo e sequestro cometidos já este ano na zona de Santiago do Cacém. Mas há mais de 20 anos que é bem conhecido no sistema prisional. Já cumpriu duas penas por homicídio – foi condenado, em cúmulo jurídico, no início deste século, a mais de 20 anos de cadeia. A advogada, da zona de Lisboa e conhecida também pelas obras literárias já publicadas, foi obrigada a sair daquele espaço», ao ser apanhada dentro da cadeia de Setúbal a foder com o seu cliente.
- «fonte do Estabelecimento Prisional de Setúbal garante ao JN que se trata de uma solicitadora — e não de uma advogada, como noticiou um diário (porque não 'como noticiou o Correio da Manhã'? Obrigações da concorrência.) — contratada para tratar de assuntos familiares do recluso relacionados com uma herança. Além de solicitadora, a mulher também é autora de, pelo menos, um livro de poesia. E o recluso, com reputação de ser "bem-falante", tem alcunha de poeta: "Camões".»
Novo erro de arrumação. Então estas merdas não deveriam estar na secção de Cultura e Artes?
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* Nuno Artur Silva conversa com Eduardo Lourenço:
Eduardo Lourenço- O grande acontecimento da história de Espanha não foi feito por um espanhol. Foi feito pelo Colombo…
Nuno Artur Silva- O genovês…
EL- … o Colombo que está integrado muito nas aventuras começadas pelo Infante D. Henrique mas na verdade foi um golpe de acaso genial que inventou um novo mundo que criou um novo mundo…
NAS- O herói por acaso, como diz Fernando Pessoa.
EL- … herói por acaso...
Qual Fernando Pessoa qual carapuça, doutor Nuno!
«L'eroe vero è sempre eroe per sbaglio» («O verdadeiro herói é sempre herói por engano») - Umberto Eco, em "Perché ridono in quelle gabbie?" ("Porque riem nessas gaiolas?"), crónica publicada originalmente no jornal "la Reppublica" de 16.Abr.1982, integrada no livro "Sette anni di desiderio" ("Sete anos de desejo"), recolha de intervenções e artigos, de 1977 a 1983, na imprensa italiana. - Bompiani, 1983.

** Os pretinhos bons, os polícias maus e a palavra jovem
Fernanda Câncio [6 peças aqui - ou isto aqui], irmanada com Valentina Marcelino [14 peças aqui], ambas no Diário de Notícias, e Joana Gorjão Henriques no Público [18 peças aqui], a reboque do Bloco de Esquerda/SOS Racismo/Mamadou Ba e com inevitável unção do bonzo de Coimbra [minuto 01:45, eis São Boaventura imprecando São Bento em 12.Fev.2015] lá foram urdindo e fazendo vingar desde 2015, com persistente e manipulada rotulagem etária propícia à comoção das almas sensíveis, a saga dos sempre, sempre, mas sempre tratados por "seis jovens da Cova da Moura"; jamais "indivíduos", "pessoas", "cidadãos", "moradores", ou simplesmente "homens". Para que conste: Flávio, nascido em 1983; Celso, em 1983; Bruno, em 1991; Rui, em 1992; Paulo, em 1995; Miguel, em 1996. Referindo-se a Flávio Almada, senhor de 36 anos, comenta Fernanda Câncio com desvelo pedomaternal: «A brutalidade deste relato de um dos miúdos do caso Cova da Moura é impressionante» - Twitter, 22.Set.2018. Repare-se na candura antropológica [mães, grávidas, crianças a brincar...; de homens ou rapazolas façanhudos, nem uma sombra. Afinal, Cova da Moura é um idílio de inocência, remanso e doçura feminil] das sete ilustrações, escolhidas adrede para enfeitiçar leitores incautos, com que a jornalista Câncio documenta a reportagem de quatro páginas no DN de 15.Jul.2017. Sabidona.
De resto, em nenhuma passagem dos quilómetros de prosa jornalística das três inefáveis plumitivas — Fernanda, Valentina, Joana — me lembro de ter encontrado qualquer alusão ao facto, que dou por adquirido, de o jovem Bruno Lopes, o que desencadeou o caso da esquadra de Alfragide, levar no currículo sete condenações transitadas em julgado de 2008 a 2016 e ter a correr, em Setembro de 2017, 36 inquéritos-crime  [a partir do minuto 23:00]; vendo bem, um anjinho. Também "gostei" da cena, narrada por Joana Gorjão Henriques  no Público de 14.Jul.2017, em que três jovens foram detidos por agentes quando estavam a fazer música num estúdio. «Um dos jovens contou que tinha vindo à porta e depois de um curto diálogo foi agredido com uma bastonada, algemado e atirado para o chão e colocado na carrinha.» Deixem-me imaginar o "curto diálogo":
Jovem- Boa tarde, senhor agente. Como vai a vida? Muito trabalho?
Agente- Faz-se o que se deve e se pode. Uns dias mais tranquilos, outros nem tanto.
Jovem- Ossos do ofício, senhor agente. Temos de enfrentar as coisas com optimismo e calma.
Nisto e sem dúvida por isto, o agente saca do bastão, pumba no jovem, etc., etc.
Escreve Fernanda Câncio no lide da tal reportagem, sem aspas nem atribuição de autoria (Sérgio Godinho): «A sede de uma espera só se estanca na torrente.» Anoto a coincidência de, quando necessita de exibir alguma erudição literária, ser ao mesmo mantra conhecerá outro? que recorre António Costa, secretário-geral do Partido Socialista, primeiro-ministro. Já aqui falei disso.
Sem favor, considero Fernanda Câncio entre os jornalistas que mais bem redigem em Portugal, pese não saber como se escreve retaguarda [ela pensa que é rectaguarda, coisa que nem antes do teratológico AO1990 era]. Mas, depois da extensa e — santa ingenuidade minha! — tardia compreensão do conúbio com José Sócrates numa altura (2001-2011) em que eu apesar de tudo admirava Sócrates e votava no PS, partido que hoje tomo por caldeirão de incestuosa imundície, e acreditava na isenção/desinteresse pessoal do que a jornalista escrevia no DN, não posso deixar de achá-la, também, uma das personagens mais desonestas que conheço e sigo na comunicação social portuguesa. Não lhe perdoo aquilo com que me fez amiúde concordar e vez por outra entusiasmar [e não, não falo de figos]. A esta distância, torna-se-me até desafiante especular acerca da muito presumível influência desta codiciosa e esperta paladina das "causas fracturantes" no ideário e na materialização de políticas por parte da criatura horrenda e mendaz — repartiam o coração sem que isso lhe toldasse a deontologia ao defender-lhe o nome (veja-se, entre múltiplos exemplos, este desavergonhado "J'accuse") e a gabar-lhe dia sim, dia sim, a governação — que certo dia recomendou aos portugueses que não deixassem de ir ver «o filme que se chama Milk, presumo, e fala da biografia de um dos primeiros políticos assumidamente homossexuais».
Câncio, desonesta ... e nem sempre fiável. ****

*** A eportantodevodizernãotenhoamenordúvidaetc doutora Clara Ferreira Alves, cuja intervenção nos órgãos de comunicação social nos últimos 30 anos acompanho e conheço bem, e que tanto admiro na prosa como me encanita no geral, gorjeia invariavelmente disparates como demagògos / acòrdos / pâtético (com o a de acético) / pzeudo / obnóchios / falabilidade / pèrda (a rimar com merda) / èconoclastia / alèrgias (com o e de alertas) / um tòmo (referindo-se a volume impresso) / retrógado / ter morto / vão começar a haver movimentos ...
[demagôgos - acôrdos - pàtético - pçeudo - obnóksios - falibilidade - pêrda - iconoclastia - âlergias - um tômo - retrógrado - ter matado - vai começar a haver movimentos]
Por ser altiva e petulante, arrisca-se a cartas ao director como esta no Expresso de 03.Ago.2019.

**** Fernanda Câncio: «Tenho a mania do rigor. Não me passa.» - Twitter, 16.Dez.2017
«foi criada, em 1996, na sequência do horrível caso da decapitação no posto da GNR de Sacavém, a Inspecção-Geral da Administração Interna, para investigar casos de ilegalidade e de violência nas forças de segurança» - Fernanda Câncio, DN, 22.Jul.2018
Já agora,
Inês Pedrosa: «Houve um caso em 95 de um polícia que decapitou um cidadão numa esquadra, em Sacavém» - "O último apaga a luz", RTP 3, 25.Jan.2019
Há, portanto, que agregar as amiguinhas Fernanda e Inês [CCB, Lisboa, 08.Jun.2010], na contrafacção fervorosa da realidade, à desonestidade insigne de José Saramago e Clara Ferreira Alves.
Já em 31.Mar.2018 Ricardo Araújo Pereira molhara na fantasia o bico desonesto, trocando dessa vez Sacavém por Santarém: «Lembro-me de uma vez, numa esquadra em Santarém... Uma vez, numa esquadra de Santarém, eles serraram a cabeça de um desgraçado.» Lembra-se mesmo?  ***** 

«Comecemos por exemplo, já que falamos da esquerda, com uma frase célebre atribuída a Lenine: 'Proletários de todo o mundo, uni-vos.' Ser proletário, parece, é uma identidade, certo? E uma identidade que deve levar, de acordo com o apelo de Lenine, a que todos os que assim se identificam se unam para, claro, lutar pelos seus direitos.» - Fernanda Câncio, DN, 27.Jul.2019
Azar, doutora. A frase é do Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, e nem é bem assim. «Proletários de todos os países, uni-vos!» Certo? Claro.

***** Sacavém, terça-feira, 07.Mai.1996 - «[...] Carlos Rosa, 25 anos, roubava para alimentar o vício da droga. Acabou apanhado pela GNR e levado ao comandante que lhe encostou o cano da arma à cabeça e lhe berrou mais uma vez ao ouvido para o intimidar. A pistola de José Santos fez fogo no calor do interrogatório e, enquanto Samuel omitiu o crime, Castelo Branco ajudou a esconder o cadáver – embrulhado num cobertor e levado de carro para um descampado na Quinta da Apelação. O sargento Santos usou uma faca de mato para cortar o magro pescoço de Carlos Rosa, até o decapitar. Deixou o cadáver coberto com ramos e levou a cabeça de volta para o posto onde, com uma chave de fendas, tentou tirar a bala comprometedora. Não reparou que a munição atravessou o crânio da vítima e se foi alojar numa porta de madeira. Horas depois, o sargento abandonou a cabeça em Chelas, Lisboa, atirou a faca ao rio Trancão e deitou o cobertor ao Tejo. O esforço foi em vão: a 16 de Maio, dez dias depois, um pastor encontrou o cadáver. [...]».
Insista-se, para desencanto do contrabando noticioso activista: ninguém decapitou um cidadão dentro da esquadra.

Apre!