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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Tosquices*

A doutora Sara Belo Luís, subdirectora da Visão, põe na boca do doutor António Mega Ferreira, entrevistado na edição de 29.Ago.2019, a seguinte afirmação:
«Lucca, uma pequena cidade da Toscânia, com a sua torre, é absolutamente deslumbrante.»
Toscana, doutora Sara, cidade da Toscana!
De resto, custa-me crer em que o rato Mega, italianófilo de primeira, tenha pronunciado calinada tão tosca.

A despropósito, está a apetecer-me meter com o sportinguista socialista acordita Francisco Seixas da Costa, papa-poleiros apessoado e bem-falante, escriba de múltiplos poisos, bom garfo, que acompanho com regularidade e com quem por vezes concordo. O emérito embaixador termina assim o verbete de ontem no seu "duas ou três coisas": «[...] É esta afabilidade, esta forma aberta de estar com as pessoas, que me agrada em Fernando Mendes. É isso também que me leva a congratular-me que o “Preço Certo” possa continuar a ser o lugar geométrico onde, ao final da tarde, um certo Portugal se junte para passar uma hora divertida, fora das preocupações da vida, unido por alegrias simples e inócuas. Fazer as pessoas felizes é também serviço público. [...]».
1- Como se pode defender assim um dos mais notórios, antigos e persistentes programas de cloroformização da inteligência colectiva?
2- Não digo que Seixas da Costa devesse realçar, entre os inquestionáveis atributos de simpatia do apresentador, a consabida lagartice de ambos, mas parece-me feio que não tenha refrescado junto dos leitores do blogue a sua condição, nada desinteressada neste caso, de membro do Conselho Geral Independente da RTP. Curial, não?
3- Que merda de português é aquele de se levar a congratular-se? Um de duas: que me leva a congratular ou que leva a congratular-me.
A despeito do prestígio paroquial e da consideração em que se tem na escrita, a gramática de Seixas da Costa deixa a desejar. Exemplos ao acaso: escreve com acento gráfico espúrio palavras como raínha ou ladaínha; acentua sempre e indevidamente o juíz; grafa as formas do verbo desfrutar com calamitoso disdisfruta, disfrutam, disfrute; trata impropriamente Israel no feminino e entorse no masculinoinoquidade?; enebriado?; «um dos nóveis governantes»; «talvez nos devêssemos perguntar-se por que razão» [doutor Seixas da Costa, por amor da santa!]; inventou e abusa do infringimento sob caução de um dicionário brasileiro, chegando por tal ousadia a travar-se de razões com o irritado doutor António Borges de Carvalho.

Já agora e por fim, negrito meu,
«A meio da tarde de ontem, num livraria em Vila Real, comprei o livro “O Negociador”, uma longa entrevista da jornalista Bárbara Reis ao embaixador Fernando Neves. Agora, pela madrugada, lidas atentamente as suas 430 páginas, em cerca de quatro horas, dou comigo em “balanços”. [...]»
Não quererá o prodigioso diplomata explicar-nos, à plebe inepta, como conseguiu ele ler atentamente este cartapácio de 432 páginas em cerca de não mais do que 240 minutos?
Como se não bastassem as provas de que o Criador foi pouco equânime na distribuição das faculdades. 
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* Não está nos dicionários, mas dá-me jeito à prosa. Se o doutor Francisco Seixas da Costa pôde no infringimento, porque não hei-de poder na tosquice?

Caro freguês, se não clicou lá em cima n' «o rato Mega» não sabe o que perdeu... Obrigado, João Pedro George. Grande trabalho.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CCB - António Mega Ferreira | Vasco Graça Moura [2]

«Na sua coluna "Ao pé da letra" num suplemento do Expresso, António Guerreiro tem publicado alguns micro-ensaios notáveis, pela condensação arguta de uma múltipla convocação de saberes e pela oportunidade da intervenção.
Da última vez, fala de António Mega Ferreira (AMF) e de mim mesmo (VGM), a propósito da presidência da Fundação Centro Cultural de Belém, de onde um acaba de sair e onde o outro acaba de entrar. Na irónica bonomia com que traça um retrato condescendente de ambos os visados, António Guerreiro caracteriza-os como uma espécie de dupla personagem, ou de heterónimos que [...]»

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CCB - António Mega Ferreira | Vasco Graça Moura [1]

«A mais cómica fotografia publicada na imprensa, em tempos recentes, é a da passagem de testemunho, de António Mega Ferreira para Vasco Graça Moura, à porta do Centro Cultural de Belém. A coreografia é elementar – o primeiro sai e o segundo entra – e admite imaginariamente a reversibilidade: o que entra podia estar no lugar do que sai e o que sai podia estar no lugar do que entra. Os dois estão ligados por uma função gramatical, a conjunção copulativa e, tal como Bouvard e Pécuchet.
[…]
Eles são ur-fenómenos, fenómenos originários, morfologias goethianas, quase arquétipos, perante os quais não há história a desenvolver-se no horizonte. Este bloqueio de toda a possibilidade do novo e a submissão ao irreparável, o eterno retorno do mesmo, é a regra em que vivemos em todos os domínios.»

domingo, 27 de novembro de 2011

Liberdade, coisa não tutelável

O doutor Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura, diz assim, não nessa qualidade, sobre “MACEDO – Uma biografia da infâmia”, que o doutor António Mega Ferreira, Presidente do Conselho de Administração do Centro Cultural de Belém*, escreveu, não nessa qualidade:
«O retrato é brilhante, servido pelo talento de um narrador inteligente e felino, generoso, tolerante, compreensivo diante da amoralidade, da ambição e da cólera do frade. Ler ‘Macedo. Uma Biografia da Infâmia’ é participar de uma narrativa monumental: a que nos devolve um talento raro e tão sinuoso quanto inaceitável à luz dos preconceitos dos modernos. António Mega Ferreira tenta compreendê-lo, deixando-nos sem respostas a preto e branco, mas indicando a luz desse talento incontornável e vulcânico. Uma obra-prima da biografia.»
Ainda bem.