Mostrar mensagens com a etiqueta Igreja. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Igreja. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Três trincos de truz*

Tolentino - Mourinho - Francisco
___________________________________
* Nas coordenadas geográficas em que me calhou nascer e habitar, quem consegue compreender Humanidade sem Futebol?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Rússia vs. Ucrânia e altíssima diplomacia

«As notícias que chegam da Ucrânia são muito preocupantes. Confio na intercessão da Virgem Maria e na consciência dos responsáveis políticos.»

«Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia converter-se-á e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições...»

Só respeito fontes fidedignas, literalmente, dignas de , de preferência com manuscritos à vista
Pelo que, e tudo ponderado, estou mais em apostar na intercessão da virgem do que na consciência dos responsáveis políticos, António Guterres incluído.
Assim como assim, a senhora domina o assunto desde há pelo menos 105 anos, ainda o Sr. Virgílio andava de bibe.

domingo, 9 de janeiro de 2022

António Costa e os sacramentos da Santa Madre Igreja

No frente-a-frente eleitoral com Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS, António Costa, secretário-geral do PS e primeiro-ministro incumbente, procurou enaltecer como grande passo em frente civilizacional o acolhimento na ordem jurídica portuguesa [Código Civil] do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Exprimiu-se assim:
«Fez ontem 12 anos que passou a ser possível que pessoas do mesmo sexo pudessem contrair o matrimónio.»

Alguém explique ao trapalhão que Matrimónio é um sacramento da Igreja e que o Código de Direito Canónico não aceita outro que não seja o matrimónio entre um homem e uma mulher.

Acho lamentável e decepcionante que um primeiro-ministro tripudie o credo de 81% do povo que governa, ignorando ou confundindo alarvemente elementos basilares do catolicismo.

Mas tratando-se de um «eminente jurista», é muito possível que o trapalhão seja eu.

sábado, 8 de janeiro de 2022

Socorro!

«Eu sei que a extrema direita não gosta nada do Papa Francisco, mas o Papa Francisco tem uma frase muito sensata a que podemos estar atentos, que é que Não podemos ignorar que esta economia mata.»

«Vai-me perdoar que volte ao Papa Francisco ... o Papa Francisco dizia Se fosses um migrante e um refugiado e te travassem com arame farpado o que é que pensavas?»

Quando a timoneira de uma religião protocomunista estribada na Quarta Internacional — odeia a América, abomina Israel, odeia a União Europeia, abomina o Euro, odeia a NATO, abomina a Igreja Católica — cauciona dois itens do seu programa com palavras de Sua Santidade, o Chefe de Estado do Vaticano, uma de duas,
- desespero de náufraga;
- populismo vil e demagogia eleiçoeira.
Como a segunda explicação é reserva exclusiva do opositor que enfrentava, Catarina Martins só poderá ter recorrido a tais citações em aflição extrema.
Tudo indicia que não lhe faltam motivos.

Mal imagina o Papa Francisco como se tornou fofinho em Portugal, desde Mário Soares*, no eixo lisboeta cosmopolita ateu Lux Frágil-Fernanda Câncio-Inês Pedrosa-Pedro Marques Lopes-Chapitô-Campo de Ourique-Pedro Filipe Soares...
_________________________________
* A propósito, Ó Amílcar, cumpriste hoje...?
O Sr. Almerindo vota PS, nunca se esquece...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Francisco, canivete suíço

Não deixemos que o 'mare nostrum' se transforme num desolador 'mare mortuum'. Por favor, paremos este naufrágio de civilização. - Lesbos, 05.Dez.2021

«O Mediterrâneo continua a ser o cadafalso de muitas vidas e, dizia até o Papa Francisco nos últimos dias, o exemplo do fim da humanidade, uma frase que eu subscrevo em absoluto*» - Assembleia da República, 09.Dez.2021

Quando um BEato como Pedro Filipe Soares, o líder parlamentar mais fraquinho de que me lembro nos últimos 150 anos, cita com aquele enlevo um pontífice de Roma, fico aberto à possibilidade de as unhas dos meus hálux terem pensamento próprio.
______________________________
* ... com absoluta falta de rigor.

sábado, 8 de maio de 2021

Como diz que disse?

«O trabalho digno e com direitos não tem APENAS a ver com a dignidade da pessoa humana, como repetidas vezes tem sublinhado o Papa Francisco. O trabalho digno e com direitos é TAMBÉM uma questão de resiliência e de sustentabilidade das nossas sociedades. Uma sociedade precária não é uma sociedade resiliente.»
Vam-lá-ver: onde, quando, disse o Papa Francisco, repetidas vezes, que o trabalho digno e com direitos não tem apenas a ver com a dignidade da pessoa humana? Como pode o representante de Cristo na Terra ter proferido semelhante republicanice?
Será António Costa a complementar o Papa, acrescentando ao discurso pontifício o mantra da resiliência e a praga da sustentabilidade?
Mas se calhar o que António Costa quis mesmo dizer foi que o Papa Francisco tem dito repetidas vezes que o trabalho digno e com direitos não tem apenas a ver com a dignidade da pessoa humana — como se não bastasse — mas também com a resiliência e a sustentabilidade das nossas sociedades.
Gastei um tempão a mondar proclamações do Papa Francisco em italiano, em espanhol, em inglês, em francês e em português e não achei, nem esperava achar, nada a jusante da dignidade da pessoa humana.
A menos que o Papa tenha falado da resiliência e da sustentabilidade em sânscrito ou em volapük. Nunca se sabe.
O que sei é que a invocação de qualquer dito ou de qualquer bufa do Papa argentino é uma espécie de canivete-suíço para uso ornamental dos jacobinos deste tempo. Lembremo-nos de Mário Soares.*
________________________________
* A propósito, confesso envergonhado que, quase meia-noite, ainda não cumpri o meu dever diário de hoje.
Deus me perdoe.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Fernanda Câncio em manobras

«[...]
Sobre o desempenho da jornalista Fernanda Câncio, os antigos directores são unânimes: é uma profissional de excepção. Miguel Sousa Tavares, que a dirigiu na "Grande Reportagem", afirma que sempre teve "a melhor impressão de Fernanda como jornalista"
[...]
Miguel Coutinho, director do "Diário de Notícias" entre 2004 e 2005, revela que os trabalhos que fez com a redactora são "intocáveis".
António José Teixeira, director do mesmo jornal entre 2005 e 2007, diz que Fernanda é dedicada ao trabalho. João Morgado Fernandes, membro da mesma direcção e director interino antes da chegada de António José Teixeira, descreve-a como uma jornalista minuciosa, que "fala com 500 pessoas antes de escrever".
[...]
No Twitter, na blogoesfera (onde escreve sem letras maiúsculas), ou no Diário de Notícias, Fernanda Câncio tem-se dedicado a escrever sobre o processo Freeport.
[...]»

Até por alturas de 2012/2013, quando comecei a dar mais atenção, menos preconceituosa, a todas as torneiras de informação em vez de apenas ao jornalismo dito "de referência", tinha boa impressão genérica da veterana jornalista Fernanda Câncio [16.Fev.1964], grande repórter no Diário de Notícias, de Lisboa. Além do mais, FC sempre redigiu bem, tirando o modismo afectado, ridículo, do "tudo em minúsculas" que pratica nas redes.
Hoje em dia, tenho da jornalista Fernanda Câncio a pior impressão possível. Considero-a jornalista de agenda, sectária e tendencialmente desonesta — já o era, porventura mais no tempo de José Sócrates, em que eu, enfeitiçado por entusiasmos político-partidários pueris, andava de olhos meio fechados — e, quem diria?, nem sempre devidamente informada.
Dois apontamentos.
//
A gravata ...
«É uma mania minha, de tantas: aversão não negociável às gravatas.[...] pedaço de seda garrida que passa por certificado de respeitabilidade e masculinidade. [...] naquele nó ridículo, debatendo-se para todo o sempre com as particularidades da combinação entre riscas, bolinhas, cornucópias ou cores lisas com a camisa e “o fato” [...] Encontrei muito pouca gente que assumisse gostar de gravatas; não vislumbrei um único que achasse fantástico “ter de” as usar. [...] Reparem: nada existe no vestuário feminino ocidental que se equipare, em simbolismo e carácter compulsivo, à gravata. E nada, como a gravata, transporta a ideia de “reduto masculino”. Uma mulher vestida de calça, casaco e camisa não está “vestida de homem”; mas acrescente-lhe uma gravata e ei-la travestida. O que é tanto mais estranho quanto a ideia de adereço inútil e de enfeite está muito mais associada ao vestuário feminino e ao universo das mulheres que dos homens, geralmente descritos como seres de elevado sentido prático que não se interessam por futilidades nem sequer se preocupam com a imagem – a não ser, bem entendido, que tenham uma orientação sexual não maioritária. [...] a gravata viria a transformar-se num dogma de “seriedade e masculinidade” [...]»

Kamala Harris, vice-presidente dos Estados Unidos da América empossada ontem, tem uma enteada, Ella Emhoff, filha do marido, Doug Emhoff, e da antiga mulher deste, Kerstin Emhoff. Nasceu em 29.Mai.1999, estuda design. Horas antes da cerimónia da investidura presidencial, Ella Emhoff surgiu nalgumas fotografias na companhia do irmão, Cole, e da mãe, junto ao Lincoln Memorial, em Washington, D.C. Esta, em particular, pôs a fricalhada em êxtase e suscitou a Fernanda Câncio o seguinte comentário no Twitter, destaque meu:
«uau. só acho a carteira hedionda ali mas se calhar não tinha nada apropriado. adoro a gravata» 

//
... e a religião
Correm nas redes religiosas de esquerda falsos pronunciamentos, ilustrados, dos mais altos dignitários do corpo eclesiástico português, como José Tolentino Mendonça, Manuel Clemente ou António Marto, prevenindo fiéis e cidadãos incautos contra o que a pandilha e a retórica de André Ventura representam de ofensa e desvio do "verdadeiro" cristianismo e da doutrina social da Igreja. Até pode ser que representem. Sucede que nenhum dos ilustres prelados disse o que quer que fosse daquilo que os crédulos de Marisa Matias, Ana Gomes e afins, incluindo naturalmente Mamadou Ba e Fernanda Câncio, espalham que eles disseram. Leia-se o desmentido da Conferência Episcopal Portuguesa. Daí não me surpreender que MB e FC, falsários como nunca, se agarrem e invoquem contra André Ventura, demónio que os atormenta, o testemunho apócrifo do bispo de Leiria.

Por fim, André Ventura em campanha eleitoral passou na terça-feira, 19, por Coimbra onde, com a trupe chegada, representou a sua pantomima: entrou na Igreja de Santa Cruz pela missa das 17h30 adentro, rezou, comungou, prostrou-se perante o Fundador e cá fora ouviu das boas, conforme aqui bem narrado.  
Fernanda Câncio ficou indignadíssima — vejam lá, logo a Câncio iconoclasta ateia belicosa, suma-sacerdotisa da igreja Lux Frágil — com o desrespeitoso topete do candidato católico. Mal sabia ela que estava tudo acertado com o senhor prior.

domingo, 13 de dezembro de 2020

Costa e Merkel, e Soares

«Temos aqui dois resultados históricos que há a assinalar, a fechar com chave de ouro a presidência alemã a quem quero aqui agradecer, e em particular à chanceler Merkel
Foi uma coincidência feliz todos termos podido contar com a sua experiência, o seu talento, a sua capacidade política, a sua autoridade no momento mais difícil que a Europa enfrenta desde o final da segunda guerra mundial.» 
António Costa, primeiro-ministro | Bruxelas, 12.Dez.2020

Tem-me comovido o desvelo com que nos tempos recentes os próceres progressistas do eixo Lux Frágil-Campo de Ourique, passando pelo Pap'Açorda, pela redacção do Público, pelo twitter de Fernanda Câncio e pela generalidade dos areópagos socialistas, vêm reabilitando a figura da mulher que dirige há 15 anos a governação da Alemanha.
Os mesmos que antes a vilipendiavam devotadamente como demónio da civilização ocidental, hoje em dia, sem a mais leve brotoeja de vergonha, incensam Angela Merkel como anjo redentor da decência política.

Perante o encómio e o agradecimento de António Costa acodem-me à lembrança o desdém e a exprobração que com mal disfarçado machismo* Mário Soares — mais ícone do referido eixo lisboeta de militância do que propriamente freguês dele — bolçava, semana sim, semana sim, mormente no Diário de Notícias, sobre a chanceler democrata-cristã nos últimos anos de emissão pública do seu pensamento, numa altura [2012-2015] em que se vinha rendendo à clarividência paraleninista do Papa Francisco enquanto, nas sete sortidas à prisão de Évora** de 26.Nov.2014 a 10.Jul.2015, praticava com diligência vistosa a 6.ª corporal e a 4.ª espiritual das 14 "obras de misericórdia"

Se o que António Costa disse ontem em Bruxelas acerca de Merkel ressoou na actual assoalhada de Soares nos Prazeres, só posso ouvir ossos a estralejar...

Por falar nestas coisas,
Dona Emília, dona Emília, não tarda o sol põe-se e não me diga que ainda não cumpriu o seu dever diário de hoje?!...
_____________________________________

sábado, 14 de novembro de 2020

Bem-vindos ao país cristino [5] *

Missa pelas vítimas da pandemia na Basílica da Santíssima Trindade.
 
Envolvido no esplendor do cantochãosenti qualquer coisa de irónico, paradoxal e burlesco em ir lendo que Cristina Ferreira** dirige o entertenimento e a ficção num grande canal televisivo português, no meio de uma calamidade ortográfica.
Pobre país de pão e circo de rebotalho...


«Abençoe-vos, ilumine-vos e conduza-vos sempre o Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia*** ...
Vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe...»

Convenhamos que o preto, incluindo o da máscara, assenta lindamente na doutora Fernanda.
______________________________________

** Protegido pelo adiantado da hora, um naco de pornografia pesada.
Dúvida metafísica: putéfia é para baixo ou pra cima de puta?

*** Nota-se.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Xária ó *


«(...) Eu me encarregarei de lançar o terror no coração dos infiéis e vós batei-lhes nas nucas e nas juntas dos dedos.» - Sura VIII,12
«Ó Profeta, excita os crentes ao combate. Vinte homens firmes dos seus esmagarão duzentos infiéis. Cem porão mil em fuga, porque os infiéis nada compreendem.» - Sura VIII, 66
«(...) matai os idólatras onde os encontrardes, aprisionai-os, cercai-os e armai-lhes emboscadas para os prender. (...)» - Sura IX, 5
«Matai os que não crêem em Deus [Alá], nem no Dia derradeiro, que não considerem proibido o que Deus e o seu Profeta proibiram (...)» - Sura IX, 29
«Deus não dirigiria os que não crêem nos seus versículos. Esses terão um tormento cruel.» - Sura XVI,106    
«Na verdade os que ofendem Deus e o Seu Profeta serão amaldiçoados por Deus neste mundo. Ele preparou-lhes um suplício ignominioso.» - Sura XXXIII,57
«E quando vós encontrardes os que não crêem, devereis bater-lhes nas nucas, até chaciná-los, e apertai fortemente os laços!» - Sura XLVII, 4
«Na verdade, os que não crêem, de entre o povo do Livro, e os idólatras ficarão no fogo do Inferno; lá viverão para sempre. Esses são os piores dos seres criados!» - Sura XCVIII, 5
«Tais são os preceitos de Deus. Os que obedecem a Deus e ao seu Profeta irão para os jardins por onde os regatos correm. Aí morrerão eternamente e isto será a maior felicidade.» - Sura IV,17 
«O que desobedecer a Deus e ao seu Profeta e transgredir os preceitos de Deus será precipitado no fogo, onde viverá eternamente, entregue a castigo ignominioso.» - Sura IV, 18

Acordei hoje com a telefonia a falar de mais umas manobras do «radicalismo islâmico» [sic], desta vez em Viena.**
É sempre assim, obrigatoriamente assim: «radicalismo islâmico», «fundamentalismo islâmico», «extremismo islâmico», «terrorismo islâmico» ..., como se o Islão não fosse, per se, radicalismo, fundamentalismo, extremismo, terrorismo. Até quando continuaremos no ocidente de matriz intercultural educada, bondosa, igualitária, convivial, inclusiva, ecuménica, a edulcorar com um qualificativo pleonástico, açaimados pela inquisição do pensamento autorizado, a essência do mal para explicar os factos?
Ai de nós, pobres de nós!

Como se não bastasse, vem o Papa Francisco tentar persuadir a gentinha ignara de que «o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência. […]» - "Evangelii gaudium
Ainda agora, na "Fratelli tutti", Carta encíclica de 03.Out.2020 que fez vir-se de entusiasmo — orgasmo 1,  orgasmo 2 — o insigne hermeneuta Pedro Marques Lopes, aprecie-se o tom ternurento e reverencial com que Francisco refere o Grande Imã que visitou em Fevereiro de 2019, nos pontos 5, 29, 136, 192 e 285. Ponto 285: «Naquele encontro fraterno, que recordo jubilosamente, com o Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb, declaramos – firmemente – que as religiões nunca incitam à guerra e não solicitam sentimentos de ódio, hostilidade, extremismo nem convidam à violência ou ao derramamento de sangue.(...)»
Interrogo-me se estes santíssimos cavalheiros não estão mesmo a tomar-nos por imbecis distraídos.

Entretanto e cumprindo o guião da bovinidade política universal, presidente-arlequim, António Costa e Ferro Rodrigues não poderiam deixar de vir, lestos, repudiar e condenar veementemente o ataque*** 

Islamófobo me confesso. 
________________________________________________
** Altura em que o Boavista dava 3 secos ao Benfica, o que me fez quase crer, Alá me perdoe, que Deus é (mesmo) grande!...

*** Resta saber se, quanto a António Costa, o fez antes ou depois do dever diário de homenagear Mário Soares. Os despachos da Lusa são omissos quanto a isso. issozisso.
E você, visitante paciente, já cumpriu hoje o seu dever diário

PS
Como estou bem disposto, não me vou sem uns miminhos para certas feministas que conheço. Usam votar no BE, na Joacine, no PCP e na esquerda do PS, mas quanto à consideração em que o islamismo tem a mulher nem um pio. 
«Os homens são superiores às mulheres pelas qualidades com que Deus [Alá] os elevou acima delas (...)» - Sura IV, 38
«Dize às crentes que baixem os olhos e que observem a continência, que só deixem ver os ornamentos exteriores, que cubram os seus com véus, que só mostrem os ornamentos a seus maridos ou a seus pais, ou aos pais dos seus maridos, a seus filhos ou aos filhos de seus maridos, a seus irmãos ou aos escravos ou servos varões sem desejos carnais, ou às crianças que ainda não distingam os órgãos sexuais da mulher. Que elas não agitem os pés de maneira a revelarem os ornamentos que trazem ocultos. (...)» - Sura XXIV, 31
«Ó Profeta, dize às tuas esposas e às tuas filhas e às mulheres dos crentes que deixem cair até abaixo os véus exteriores. Será mais fácil assim não as reconhecer e não as ofender. (...)» - Sura XXXIII,59 
«As vossas mulheres são para vós campo cultivado; percorrei o vosso campo como quiserdes (...)» - Sura II, 223
«Aos que juram afastar-se das mulheres impõe-se um período de espera de quatro meses (...)» - Sura II, 226
«As repudiadas aguardarão que decorram três períodos de regras antes de voltarem a casar (...)» - Sura II, 228
«Conservareis a mulher com humanidade e repudiá-la-eis com generosidade. (...)» - Sura II, 229
«Se alguém repudia a sua esposa não a poderá retomar depois sem que ela tenha casado com outro marido, e este por sua vez a tenha também repudiado (...)» - Sura II, 230
«Quando repudiardes mulheres e chegar o momento de as mandar embora, devereis tratá-las com humanidade e com humanidade as despedir. (...)» -  Sura II, 231

Finalmente, um "Protocolo de higiene" para a 35.ª vaga da covid: 
«(...) lavai a cara e as mãos até aos cotovelos; esfregai as cabeças e os pés até aos calcanhares.» - Sura V, 8
«(...) se um de vós vier de lugar escuso ou se acabar de ter relações com mulheres, se não se encontrar água, tomareis areia fina e limpa e com ela esfregareis o rosto e as mãos. (...)» - Sura V, 9

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Com a ajuda de Deus

Rezo para que com a ajuda de Deus...
//
Mãe- Só quero ir-me embora para um lugar em que não haja política, armas e religião.

Não sei imaginar que coisas mais horríveis aconteceriam — que seria de nós e do mundo? — sem a permanente ajuda de Deus e a obstinada persistência do Papa a pedir-Lha*.
_______________________________________
* Francisco reza pelo Líbano
Francisco reza pelo fim da pandemia
Francisco reza pelo Sudão do Sul
Francisco reza pelo Congo
Francisco reza pela Nigéria
Francisco reza pela Síria 
Francisco reza pelo Brasil
Francisco reza pela Nicarágua
Francisco reza pelo México
Francisco reza por Michael Schumacher 
Francisco reza pelo fim dos incêndios na Amazónia
Francisco reza pelos que sofrem com os incêndios na Austrália
Francisco reza pelas vítimas do incêndio de Pedrógão Grande
Francisco reza pelas vítimas dos incêndios na Grécia
Francisco reza pela catedral de Notre Dame ardida
Francisco reza pelas vítimas das inundações na Índia
Francisco reza pelas vítimas das inundações na Austrália
Francisco reza pelas vítimas das inundações no Irão
Francisco reza pelas vítimas do desabamento da ponte em Génova
Francisco reza pelas vítimas do terramoto em Zagreb
Francisco reza pelas vítimas do terramoto no México
Francisco reza pelas vítimas do terramoto na Itália
Francisco reza pelas vítimas do avião abatido no Sinai
Francisco reza pelas vítimas da queda do avião da Chapecoense
Francisco reza pelas vítimas da queda do avião no Egipto
Francisco reza pelas vítimas da queda do avião no Cazaquistão
Francisco reza pelas vítimas da queda do avião da Malaysian Airlines
Francisco reza pelas vítimas dos atentados na Nova Zelândia
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Mogadíscio
Francisco reza pelas vítimas do atentado ao Charlie Hebdo
Francisco reza pelas vítimas dos atentados de Paris
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Copenhaga
Francisco reza pelas vítimas do atentado de San Bernardino
Francisco reza pelas vítimas do atentado de Charleston
Francisco reza pelas vítimas dos atentados em Ancara
Francisco reza pelas vítimas do atentado de Berlim
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Nice
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Istambul
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Uagadugu
Francisco reza pelas vítimas dos atentados no Cairo
Francisco reza pelas vítimas dos atentados de Londres 
Francisco reza pelas vítimas dos atentados de Bruxelas
Francisco reza pelas vítimas dos atentados em Jacarta
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Orlando
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Cabul
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Teerão
Francisco reza pelas vítimas do atentado no Quebec
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Manchester
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Nova Iorque
Francisco reza pelas vítimas do atentado em São Petersburgo
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Estrasburgo
Francisco reza pelas vítimas do atentado em Christchurch
Francisco reza pelas vítimas do atentado no Sri Lanka
Francisco reza pelas vítimas dos atentados em Darfur
Etc., que estou sem fôlego.

Isto do papa o tempo todo a rezar pelas vítimas de merdas de que nem o Sócrates, o Salgado, o Berardo e o Rui Pinto juntos conseguiriam ter culpa já cansa e chateia um bocadinho. Porque não vai ele, em vez de rezar tanto, ralhar à séria com o Barbudo Caprichoso, Criador do zingarelho cósmico, Omnipotente, Omnisciente, Ubíquo e infinitamente Bom, e pedir-Lhe satisfações? Ele, Francisco, que é tu cá tu lá com Ele; chamá-Lo à razão, admoestá-Lo, aplicar-Lhe uns calduços, sei lá.

Perdoe-me ainda, leitor paciente, por repristinar o Plúvio de 2015:
«[...] compungida compunção pungente do costume com que o papa Francisco — que com siderante bondade [eufemismo de miopia comovedora?] não consegue achar violência no Alcorão* — virá à sua varanda de Roma pedir mais umas atençõezinhas a Deus, Nosso Senhor, Todo-Poderoso, Justo, Providencial e Infinitamente Bom, o mesmo Deus abraâmico sob cuja invocação com outras alcunhas, mais propriamente Alá-cunhas, se vai intensificando a matança ante a bovinidade atenciosa de um Ocidente bem-educado, compreensivo, multicultural e inclusor. [...]»

* Papa Francisco, 24.Nov.2013: «[…] Frente a episódios de fundamentalismo violento que nos preocupam, o afecto pelos verdadeiros crentes do Islão deve levar-nos a evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência. […]»
Exortação apostólica "Evangelii gaudium" ["A alegria do Evangelho"] 

domingo, 14 de junho de 2020

Prémio sem recheio? - Noticiário cultural

O "Prémio Europeu Helena Vaz da Silva" elege anualmente um cidadão da Europa que se tenha notabilizado na divulgação do património cultural. Foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura [CNC] em cooperação com a Europa Nostra e com o Clube Português de Imprensa.
Tem o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.
José Tolentino Mendonça, soube-se ontem, é o contemplado de 2020. Tratando-se de tão oleoso e conspícuo prelado, o cagarim festivo adivinhava-se intenso. E foi.

Numa momentânea perturbação racional do êxtase em que fiquei, acudiram-me as seguintes óbvias perguntas:
De que consta afinal o prémio? É só prestígio? Será que, com tantos cozinheiros e organizações a contribuir, não há por ali cacau? *
Fui ver, e comparar, como cada trombeteiro, dos sérios, de referência, noticiou:
CNC, pai do prémio.
Ecclesia, confraria de Tolentino.
Jornal da Madeira, donde Tolentino é.
Expresso  -  SIC, chafaricas de um dos jurados.
RTP  -  TVI
Etc.

Nada de nada, ninguém se deu ao cuidado de informar sobre o recheio do prémio.
Jornalismo psitacídeo [com excepções honrosas, as notícias que li seguem o guião da Lusa onde por sinal reina o, decerto sujeito simpático, molusco dos moluscos], desvertebrado, mandrião e incompetente, o que temos neste maravilhoso país.

Finalmente,  um arlequim a felicitar um pavão... É ou não é uma coisa linda?
Siga para bingo.
__________________________________
* Ao cabo de mais de uma hora de exaspero a vasculhar, lá encontrei num cantinho envergonhado da República Portuguesa, em informação não datada [Julho de 2013, apurei]: 10.000 euros. Cacau.
Mas não contem a ninguém, que o senhor cardeal é criatura de extremo pudor.

sábado, 13 de junho de 2020

«A alegria da pobreza»

«[...]
Para terminar, e porque o fado é tão da nossa terra, lembro as palavras que não sei cantar: a alegria da pobreza / está nesta grande riqueza / de dar e ficar contente.
Caros irmãos e irmãs, esta é a nossa maior riqueza: dar e ficar contente. Este é o segredo do mandamento do amor, o sinal da nossa identidade. Este é o pedido do Senhor Jesus. 
Esta é a grande sabedoria que aprendemos nesta escola do amor, que o colo de Nossa Senhora de Fátima tão bem nos ensina!»

Versos: Reinaldo Ferreira
Voz: Amália Rodrigues

Por que esperam as Brigadas do Pensamento Adequado?
Toca a vandalizar a campa do Reinaldo em Lourenço Marques, ups!, Maputo — ups!, melhor não, que o Reinaldo era guei, e isso torna-o correcto e adequado a todos os séculos —, espatifar a Amália no panteão!
Toca a rasgar os saiotes alvos do bispo Américo, entusiasta da pobreza, e a grafitar-lhe a fuça rubicunda!

Por muito menos esborratam o padre António, príncipe dos príncipes da Língua Portuguesa, já agora.

Em tempo
«Para mim António Vieira é o melhor escritor de prosa portuguesa que alguma vez existiu.»
____________________________________________
Acerca de "Uma casa portuguesa"

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Corpus Christi, 11 de Junho de 2020

Catarina Amaro, cenógrafa e decoradora de "Cá por casa", de Herman José, na RTP, lá saberá porque pendurou a reprodução de um dos mais esplêndidos quadros da pintura portuguesa na parede do programa.
A mim parece descoco monumental.
Então o menino da lágrima não faria ali muito mais sentido? Claro que faria. E até, quem sabe, a stôra Salomé não levasse muito pela cedência temporária do original... 

No Corpo de Deus de 2019 disse aqui da minha admiração por Amadeo de Souza-Cardoso.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Arlequim de todos os credos, na sé e na mesquita

Coisa jamais vista na capital sucedeu ontem, 31 de Maio, domingo em que «todos começaram a falar outras línguas».
Foi aí que a televisão oficial do reino proclamou o arlequim, sem mais, «presidente de todos os credos».
Foi aí que igualmente — oh espanto! — Gualdim Pais, na igreja de Santa Maria do Olival, junto ao Nabão, desembainhou pela derradeira vez a adaga e, num estranho gesto a que os do Sol Nascente chamam sepukku, harakiri ou lá que é, infligiu rasgo horrendo no próprio ventre, esvaído em tripas e finado de vez. Diz que de honra ferida e imensurável desgosto.
Jesus Cristo lhe perdoe, ao Marcelo. Francisco que se precate.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

A respeito do respeito de Daniel Oliveira pela Igreja Católica

Daniel Oliveira aos berros:
«[...] A Igreja não teve nenhum papel na construção da democracia portuguesa e teve um fortíssimo papel em 48 anos de ditadura! Não, não teve nenhum papel! A Igreja foi totalmente ausente na construção da democracia portuguesa! Zero! Não teve nenhum papel!
Eu respeito a Igreja Católica*, já várias vezes aqui o deixei claro, não respeito a reescrita da História. [...]»

Sou a última pessoa da galáxia a quem algum ministro da Igreja Católica viria encomendar desagravo das declarações deste façanhudo e autoritário preopinante avençado por Nuno Artur Silva**,  por Francisco Pinto Balsemão e por Daniel Proença de Carvalho. Ainda assim e, não vá acusarem-me de batota dialéctica, admitindo que o jornalista quisesse referir-se ao papel institucional da Igreja, não a individualizados membros dela, não resisto a contrapor estes apontamentos de Nuno Teotónio Pereira e de Joana Lopes que encontrei "Entre as brumas da memória", blogue onde, de resto, o filocomunista Daniel Oliveira, que diz pérda no lugar de pêrda, é estimado.
Para que conste.
_________________________________________
* Ahahahah.

Está bem, abelhinhas...

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

O inefável e escorregadio Tolentino

«[...] Lá vi então José Tolentino Calaça de Mendonça a desfilar pela internet, vestes cardinalícias, sorriso de orelha a orelha, recebendo o beija-mãos dos seus patrícios, rodeado de padrecas e de autarcas todos impantes de importância, sob o olhar embevecido da mãe e perante a velha espinha dobrada do povo miúdo, ele todo mesuras, ares de santidade e gestos de sábio em câmara lenta. [...]»

«[...] um alto representante da Igreja que arrebata almas e corações de crentes, intelectuais e gente que se arrebata nas coisas da poesia e da espiritualidade. [...]» 

Com fala e ar seráficos característicos do clero católico que sabe tudo, e ensina, sobre amor e sexo,  pouco ou nada fornicando, o poeta, ensaísta, romancista, guionista, teólogo, biblista, conferencista, professor doutor e antigo vice-reitor da Universidade Católica, hoje cardeal, José Tolentino Mendonça é um dos cinco portugueses de que não consta, não se diz, não se ouve, não se vê, não se escreve o mais ínfimo defeito, a mais tímida reserva, o mais leve reparo. É um enaltecido e mui agraciado consenso nacional.*
Neste momento, não consigo lembrar-me dos nomes dos outros quatro.
Sigo-o e aprecio-lhe a lira vai para 20 anos.
Matricialmente forjado nas fundas e obscuras berças do vicariato madeirense retrógrado** [perdoe-me, leitor paciente, a saturação pleonástica], leu entretanto muito, frequentou e profissionalizou-se no sinédrio dos autores amados pelos crentes e não-crentes lisboetas aculturados na capela do Rato. Sem dúvida um homem sensível, esperto e espiritualmente vasto, artífice de escrita enfeitiçante, o padre Tolentino tornou-se cosmopolita e fez-se transversal, um intelectual de ampla notoriedade pública, mas sempre fujão, como o diabo da cruz, de qualquer concreta escolha política. Humanismo cristão? Como é particular amigo, lá de casa, de Assunção Cristas, André Ventura, Maria João Avillez, Laurinda Alves, Helena Sacadura Cabral..., se calhar é isso. Mas a gelatina lumbricóide é que não lhe sai do molde. 

* Tive de ir ao inferno, à Maria D'Aljubarrota, para encontrar um rumor desalinhado do uníssono bovino.
** «A celebração [graduação em bispo, Jerónimos, 28.Jul.2018] foi presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e teve como bispos co-ordenantes o cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, e D. Teodoro de Faria, bispo emérito do Funchal.»

Tolentino não é propriamente fiável. Às vezes disparata alarvemente, como, por exemplo, no texto ensaístico que co-assinou com Alfredo Teixeira no Expresso de 06.Mai.2017, "Fátima, um estado de arte", em que se discorre sobre a relevância de Fátima na "Viagem a Portugal"***, de José Saramago, fazendo errónea e recorrentemente crer que o livro é de 1995 e contextualizando socialmente o fenómeno desde 1995. Ora, de 1995 é a 23.ª edição da obra, primeira sob chancela da Caminho, que li em 1981 — 14 anos antes! —, ano em que saiu a 1.ª edição - Círculo de Leitores.
...
Da Batalha eu fui a Fátima
Onde a fé vive bem mais

Só a fé poderá salvar Fátima., escreveu José Saramago [página E|30], sim, mas em 1981, não em 1995.
Reconhecendo pertinência na decepção que a feiura evidente do recinto causou em Saramago, os autores do ensaio — padre Tolentino e teólogo Teixeira, docente na universidade de que o primeiro era vice-reitor — tecem loas ao incremento arquitectónico e estético, operado de 1995 para cá [muita e boa arte, uma moderníssima e bela nova basílica, concordo]. Já quanto ao imenso, obsceno e insaciável comércio de bugiganga, promessas e esmolas, praticado ou patrocinado pelo santuário, nem um pio. O móbil da Católica é dinheiro, o móbil de Fátima é dinheiro e nisso, manda a prudência do suc€$$o, não se toca que pode espantar os fiéis. A Educação e a Fé são os melhores escudos do negócio.
Cabe, assim, pôr aqui frases inteiras da passagem de Saramago, o viajante, pela Cova da Iria, em 1981, negrito meu, de que Tolentino e Teixeira fugiram a sete pés:
«[...] O viajante, que é impenitente racionalista, mas que nesta viagem já muitas vezes se emocionou por causa de crenças que não partilha, gostaria de poder comover-se também aqui. Retira-se sem culpas. E vai protestando um pouco de indignação, um pouco de mágoa, um pouco de enfado diante do estendal de comércio das inúmeras lojinhas que aos milhões, vendem medalhas, rosários, crucifixos, miniaturas do santuário, reproduções mínimas e máximas da Virgem. O viajante é, no final das contas, um homem religiosíssimo: já em Assis o escandalizara o negócio sacro e frio que os frades agenciam por trás dos balcões. [...]»
De resto, Saramago ainda foi bondoso com a reitoria do santuário ao deixar no tinteiro a proliferação pantagruélica dos sorvedouros de esmolas, o mercado de promessas e o mastodôntico negócio da queima de cera.
E a coisa — ainda há três dias lá estive; relembro que o Plúvio é devoto de Fátima — não pára de inchar, inchar, inchar.
Conte o leitor as vezes que a palavra «euro» entra nesta notícia recente, com percentagens várias e muitos milhões, caucionada pela directora de comunicação do Santuário de Fátima, Carmo Rodeia.
Ora bem: zero, Ave Maria, cheia de graça...
Enfim, letra de José Tolentino Mendonça, música de outro Gil, João.
//
E que tal a gramática de Tolentino?
Tem dias. Aí vai, por amostra, um punhado de merdas colhidas desde 2013 na página do insigne e purpurado colunista do Expresso, "Que coisa são as nuvens". 

Uma alma caridosa explique a sua excelsa e doutorada eminência que áurea por aura é erro grosso:
«foram despojados da sua áurea»
«com a áurea acrescida trazida pelo uso»
«esta mulher, sem áurea de letrada»
«Quando progressivamente as estradas se foram colonizando pelo tráfico automóvel»
tráfego automóvel, foda-se!

«com os seus sofrimentos, os seus revezes»
revezes é feminino e nada tem a ver com os reveses a que Tolentino alude.

«Veja-se, por exemplo, o ênfase simbólico que tem sido dado»
a ênfase, raios!

«novos interfaces tecnológicos»

«Quanto muito, e por uma condescendência especial»
«Quanto muito tem crescido o voyeurismo que sobrevoa a existência alheia»
quando muito, se não se importa.

«As personagens do mundo homérico são, sem dúvida, melhor descritas.»

«Quem não sabe parar, não sabe viver»
«connosco mesmos e com os outros»
vírgula proibida / connosco e com os outros

«Jantava, lavava a louça e colocava-se a escrever
Abrenúncio!

«a morte iniciava a rondar-lhe os passos» 
Abstruso.

«Ao que parece, durante anos, o compositor John Cage sondou a possibilidade de elaborar uma obra completamente silenciosa, mas impedia-o duas coisas: [...] Contudo, encorajado pelas experiências que se realizavam já nas artes visuais, construiu a sua peça intitulada 4’33’’»
impediam-no duas coisas

«Saímos e regressamos de casa»
regressamos a casa

«À medida que fazemos a experiência deste lugar deixamos de saber se os longos trechos de caminho de floresta nos preparam para contemplar as obras artísticas ou se o encontro com estas inicia-nos, finalmente, num contacto verdadeiro com a natureza.»
ou se o encontro com estas nos inicia

«O mais provável é que tenham perecido a uma doença»
perecido de uma doença

«Aquilo que Durkheim chamava "as formas elementares" do fenómeno religioso podem encontrar-se, sem grandes contorcionismos simbólicos, no entusiasmo colectivo que o desporto-rei desperta.»
aquilo ... pode encontrar-se

«O pássaro domesticado vivia na gaiola e, o pássaro livre, na floresta […]
Meu amor voemos para o bosque»
Terá sido por esta tradução ou por esta, ambas brasileiras, que Tolentino se conduziu. Adaptou uma ou outra frase, como «Vem antes ter aqui comigo» ou «não podiam voar alinhando as suas asas», cumpliciando-se desleixadamente na pontuação desastrosa. Deixasse-se guiar por esta tradução, igualmente brasileira, e não se espalharia tanto. Ou então, o mais avisado, traduzisse ele.
Senão, veja-se a versão inglesa do próprio Rabindranath Tagore [07.Mai.1861-07.Ago.1941], Nobel da Literatura em 1913:
«[...]
The tame bird was in a cage, the free bird was in the forest.
They met when the time came, it was a decree of fate.
The free bird cries, "O my love, let us fly to wood."
[...]» 

Só mais uma, doutra monta. 
O hábito de o ler diz-me que Tolentino é artista na ocultação das gárgulas de que bebe.
«[…]
No pólo oposto, o poeta Rainer Maria Rilke ajuda-nos a pensar a ideia de aberto**** como projecto. E o aberto o que é? É a possibilidade de cada um viver em abertura fecunda ao real, resumida assim: "A nossa tarefa consiste em impregnar esta terra, provisória e perecível, tão profundamente em nosso espírito, com tanta paixão e paciência que a sua essência ressuscita em nós o invisível."
[…]»

**** «O termo “Aberto” foi criado por Rilke para exprimir essa abertura do ser para a vivência fecunda do real.»
- Nota de Alexandre Bonafim Felizardo, da USP (Universidade de São Paulo), no artigo "Dora Ferreira da Silva, leitora de Rainer Maria Rilke: aspectos intertextuais", publicado na revista "FronteiraZ"***** n.º 5, de Agosto de 2010, pp 156-165, isolado aqui. No mesmo artigo escreve ABF: 
«[…]
Esse trabalho transmuta as coisas, torna-as interiores a si mesmas e a nós, torna-as invisíveis. Conforme as palavras do próprio Rilke: “A nossa tarefa consiste em impregnar essa terra, provisória e perecível, tão profundamente em nosso espírito, com tanta paixão e paciência que a sua essência ressuscite em nós o invisível.” (Rilke apud Blanchot, 1987, p. 138). 
[…]»
***** Da PUC-SP [Pontifícia Universidade Católica de São Paulo]
Nota
Ao matreiro Tolentino, escondendo do leitor do Expresso que trasladou do brasileiro, escapou que em português europeu teria de ser «no nosso espírito».
E mesmo dando de barato que, no contexto da citação de Rilke, o conjuntivo «ressuscite em nós o invisível» do Felizardo faz mais sentido do que o indicativo do «ressuscita em nós o invisível» do Tolentino, ainda assim a ideia da ressurreição d' o invisível continuava a soar um tudo-nada aberrante. Como não sei alemão [«Unsere Aufgabe ist es, diese vorläufige, hinfällige Erde uns so tief, so leidend und leidenschaftlich einzuprägen, daß ihr Wesen in uns "unsichtbar" wieder aufersteht.» - Rainer Maria Rilke, 13.Nov.1925] e não tenho mais nada que fazer, guglei. E não é que no suplemento "Vida literária" do Diário de Lisboa de 06.Jul.1961 António Ramos Rosa, falando de Herberto Helder, citava a mesma passagem rilkeana, aqui, sim, com fraseado convincente?
«A nossa tarefa é impregnar esta terra provisória e perecível tão profundamente no nosso espírito, e com tanta paixão e paciência, que a sua essência ressuscite em nós invisível.»
Que lhe parece, senhor padre arcebispo cardeal, etc. e tal?