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domingo, 28 de março de 2021

Hebdomadário frívolo

Segunda-feira, 22  ᐅ  Domingo, 28.Mar.2021

•  A abrir, a morte de Adam Zagajewski [21.Jun.1945-21.Mar.2021].
Foi confrangedor como os meios de comunicação social portugueses, com honrosa e assinalável excepção do Público*, se limitaram a replicar, sem vigilância ou brio editorial, o despacho mal amanhado da Lusa que por sua vez assimilava às três pancadas a informação original da Associated Press.
Por exemplo, todos reproduziram, verbatim, este aleijão:
«a poetisa norte-americana Jorie Graham, vencedora de um Prémio Pulitzer, escreveu na sua conta na rede social "Twitter": Caro viajante e voz de sempre. Não vamos parar de o ouvir você. Está para sempre connosco.»**
Ainda assim, destaco o arrojo criativo com que o Observador, em 23.Mar.2021, embora, e igualmente, sem intervenção na prosa da Lusa, se empenhou em ilustrar o óbito do escritor polaco, inserindo uma fotografia originalíssima que legendou, a condizer: «As obras de Zagajewski foram proibidas em 1975 pelas autoridades comunistas de Varsóvia - NurPhoto via Getty Images».
Ei-la, lá continua. Parabéns, Observador, a malta agradece.
Que trampa de jornalismo vem a ser este?

Nesta semana continuou a falar-se da tradução — pura, imprópria, adequada, contaminada, genuína, espúria, autêntica... — das coisas escritas ou recitadas por Amanda Gorman, novo ícone cósmico do "fervor em manobras" no segmento literário, cujo "The Hill We Climb" o insigne e desbocado Plúvio se atrevera a qualificar de sofrível. Vendo mais acuradamente, o poema pouco passa de um cacharolete de clichés.
Como sou amigo dos meus fregueses, deixo caminho para as, de longe, quatro melhores peças das cerca de 43 publicadas por cá sobre o assunto.



O melhor dossiê da querela. Grande trabalho. Obrigado, Isabel.

Inteligência, cultura, graça, escrita esmerada.

Foi, finalmente, a semana em que li em todo lado, incluindo jornais e televisões, "Azerbaijão" bem escrito; e em que ouvi em todo o lado, incluindo televisões e telefonias, "Azerbeijão" mal dito. Para não cansar o ouvido, apenas duas amostras: na RTP;  na SIC
Mistérios do organismo?
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domingo, 11 de junho de 2017

Superlativo absoluto simples* de Manuel Alegre: 100 000,00 €

Em três edições do Expresso do ano de 2005, o socialista emérito Manuel Alegre, deputado na altura, escrevia e assinava "Um par de Purdeys", pregão pornográfico ao Banco Privado Português, de nefanda memória:
«Fui às compras com o Dinheiro, porque esse, ao menos, sabe fazer contas. Passei por uma espingardaria, vi um par de Purdeys muito bonitas, essas armas que há muito são o meu sonho. Outros querem carros e jipes de grandes marcas, casas de campo e de praia, mais isto e mais aquilo, eu só queria um par de espingardas Purdey. Olhámos o preço, o Dinheiro torceu o nariz.
- O vencimento de deputado é uma pelintrice, se não dava para os charutos do outro, como é que queres que dê para as Purdeys?
E fazendo contas de cabeça, acrescentou: Nem sequer com os direitos de autor.
[…]
fiquei na dúvida se o Dinheiro não estaria ele próprio contaminado, quer pela doutrina social da Igreja, quer por algumas reminiscências de Marx, se não do "Capital", que só o Louçã deve ter lido até ao fim, talvez, quem sabe, dos "Manuscritos de 1844", que falam também da alienação do capitalista.
Tretas. O velho enganou-se. Qual alienação qual carapuça. Abre os olhos, rapaz, olha para o mundo à tua volta, o capitalismo ganhou, quem é e quem pode é quem tem.
[…]
- … a poesia não dá para o que tu sabes.
E apontou, o filho da mãe, as duas Purdeys, que mais uma vez ficaram no tinteiro.
Manuel Alegre»


Informação circunstanciada. - Público online, 07.Jan.2011.

Com voto favorável dos quatro jurados não portugueses do "Prémio Camões 2017", Paula Morão, presidente do júri, e Maria João Reynaud atribuíram a Manuel Alegre os 50 mil euros correspondentes à contribuição de Portugal.

Entre os 29 ungidos, desde 1989, não consigo lobrigar nenhum, incluindo Hélia Correia, tão fraco e desmerecedor como o tonitruante poeta sofrível e intratável cagão de Águeda que, a despeito de não ter mais do que 11 anos oficiais de escolaridade — nenhuma desonra ou menoscabo nisso, porém! —, a doutora Clara Ferreira Alves, reverencial e embevecida, tratava por doutor Manuel Alegre no Falatório da RTP 2, em 1996. Não era nem é a única; e ele não desgosta nem corrige.

Não gosto de Manuel Alegre. Conheço-lhe os escritos quase todos; acompanho-lhe desde 1974 o trajecto público, caprichoso, errático, truculento, mas permanentemente amesendado, com a família**, à República. Não sei de que coisa assim tão extraordinária cultural e civicamente Portugal lhe deva, mas consigo especular sem vesânia nem má-fé sobre quanto, no seu rol doméstico privado, ele "deve" aos contribuintes portugueses. Desde quinta-feira passada, mais 50 000,00 €.

«É natural que me atribuam este prémio. Até podia ter sido mais cedo.» – Manuel Alegre, DN, 09.Jun.2017.

Pode, finalmente, tirar as Purdeys do tinteiro. 

Professora Paula Morão: vitória justíssima.*
Presidente-arlequim: homenagem justíssima.*

Siga o baile.
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** Manuel Alegre de Melo Duarte,
- casado com Mafalda Maria de Campos Durão Ferreira, antiga subdirectora dos Assuntos Consulares;
- pai de Francisco Durão Ferreira Alegre Duarte, diplomata, e de Joana Durão Ferreira Alegre Duarte, assessora da vereação PS no município de Lisboa;
- irmão de Maria Teresa Alegre de Melo Duarte Portugal, ex-deputada do PS, viúva do célebre guitarrista e antigo deputado do PS António Jorge Moreira Portugal [1931–1994], mãe de Manuel Alegre Portugal, jornalista da RTP, e de João Raul Henriques Sousa Moura Portugal, recente ex-deputado do PS e actual vereador pelo PS na Câmara Municipal da Figueira da Foz, o que me remeteria inevitavelmente para "Tavares & Tavares e o incenso dos Joões", pois, como avisa Ana Cristina Leonardo, «Isto anda tudo ligado», mas estou sem tempo e sem pachorra e ai de mim se quero sugerir seja o que for.
Etc.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Acordo Ortográfico [110]

«[…]
o debate sobre o AO90 nunca foi aberto, por isso é um erro mencionar-se uma reabertura. Aquilo que houve foi uma imposição. Aliás, a consequência imediata da escassez de sessões de esclarecimento e da abundância de propaganda é uma maior permeabilidade de leitores de português europeu em relação a opiniões, digamos, peculiares.
[…]
Como é sabido, a Assembleia da República não tem percebido — ou não tem querido perceber: nesta matéria, como noutras, a doutrina diverge — as provas apresentadas sobre a supremacia dos defeitos do AO90 em relação às suas hipotéticas virtudes e as gritantes diferenças entre a quimera de um acordo ortográfico em abstracto e o desastre AO90 em concreto. Aliás, os actos e omissões deste órgão de soberania em relação a esta matéria podem ser apresentados como um excelente exemplo de assimetria entre a vontade do eleitor e a atitude do eleito.
[…]»

- x -

«[…]
tudo isto em nome de quê? De uma alegada unidade internacional do português — que não existe, não passou a existir e, naturalmente, nunca existirá com o rigor burocrático que alguns lhe querem emprestar à força.
[…]
Chegados aqui, ao ridículo de Portugal ter tornado obrigatória uma ortografia que mais ninguém desse continente imaginário chamado Lusofonia aplica ou leva a sério, com um Presidente da República a ter o bom-senso de prever a "reabertura" de um debate que não houve, os defensores do AO, enretanto mais afónicos, jogam outra cartada: as criancinhas. Depois de tudo, que não se lhes perdoe agora invocarem o nome das criancinhas em vão.» 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Acordo Ortográfico [92]

«Anacleto estava radiante. Já lhe tinham dito lá na repartição mas ele não acreditava. No dia 13, o das aparições lá de Fátima, já podia escrever com menos letras, que alívio. Agora era lei, já não podiam gozar com ele quando escrevia “coação” e lhe perguntavam onde é que tinha comprado o coador. Só podia ser mesmo bênção dos pastorinhos. Ele tinha-se informado, sabia tudo. Até ao dia 13, havia na escrita portuguesa duas ortografias. Uma para Portugal e outra para o Brasil. Um excesso! Agora, a partir de dia 13, passa a haver só duas ortografias. Reparem bem na subtileza: duas e “só duas”.
[…]
Claro que nem toda a gente ia aceitar aquilo, havia muitos conspiradores, sediciosos, sempre prontos a pôr em causa os altos interesses da Pátria. Para isso, ele tinha um remédio: o capitão Windows.
[…]
O capitão Windows ri-se do matraquear no teclado e corrige as más vontades. Só dedos muito atentos e hábeis conseguem despistá-lo. Mas até esses hão-de cansar-se, vão ver!
[…]
o general Bertoldo Klinger (1884-1969), que assinava “jeneral Klinjer” e que, muito antes de apoiar o golpe que instaurou a ditadura em 1964, escreveu uma ousada obra intitulada Ortografia Simplificada Brazileira. Aí, dando largas à ortografia que ele próprio inventara, escreveu: “Etimolojia e Uso têm seu relevante papel, sine qua non, na constituisão, no recrutamento do vocabulário; feito isso, termina, porêm, seu papel: entra em asão a Ortografia, para ficsar fielmente para os olhos o ce a boca emitiu, o ouvido persebeu. Portanto, a Ortografia alfabética só póde ser pronunsiativa, fonética. Seu instrumento é o Ortoalfabéto, de símbolos nesesários e bastantes, sônicos, simples, diretos e imvariáveis. Direto, cér dizer ce o nome do símbolo é ezatamente o do próprio fonema ce ele representa.” 
Anacleto entrara em êxtase.
[…]»
Nuno Pacheco, "O capitão Windows e o general Klinger" | Público, P2, 17.Mai.2015

- x -

«[…]
o absurdo do zelo português num AO falhado e que nos isolará ainda mais. Onde os estragos serão mais significativos é em Portugal, para os portugueses, e para a sua língua. É que o Acordo Ortográfico não é matéria científica de linguistas nem, do meu ponto de vista, deve ser discutido nessa base, porque se trata de um acto cultural que não é técnico, e como acto cultural em que o Estado participa, é um acto político e as suas consequências são identitárias. Não me parece aliás que colha o historicismo habitual, como o daqueles que lembram que farmácia já se escreveu “pharmácia”, porque as circunstâncias políticas e nacionais da actualidade estão muito longe de ser comparáveis com as dos Acordos anteriores.
[…]
Esta comunicação entre uma língua e a cultura que transporta é posta em causa quando a engenharia burocrática da língua a afasta da sua marca de origem, mesmo que essas marcas sejam “mudas” na fala, mas estão visíveis nas palavras. As palavras têm imagem e não apenas som, são vistas por nós e pela nossa cabeça, e essa imagem “antiga” puxa culturalmente para cima e não para baixo.
O AO é mais um passo no ataque generalizado que se faz hoje contra as humanidades, contra o saber clássico e dos clássicos, contra o melhor das nossas tradições. Não é por caso que ele colhe em políticos modernaços e ignorantes, neste e nos governos anteriores, que naturalmente são indiferentes a esse património que eles consideram caduco, ultrapassado e dispensável.
[…]»
José Pacheco Pereira, "Os apátridas da língua que nos governam" | Público, 16.Mai.2015

- x -

«[…]
Milagre! Três vezes milagre! Glória aos deputados que com o seu voto permitiram o AO. Glória aos acordistas que nos salvaram da babel. Glória ao ministro que o decretou obrigatório nas escolas. Louvor e graça a todos os que tornaram as palavras irreconhecíveis. E um aplauso especial para aqueles que, em nome da sacrossanta unificação, onde havia duas grafias nos ofereceram de borla três ou quatro (ou mesmo cinco: deíctico/deítico/dêictico/dêítico/díctico). Salve!
[…]
Interrutor já temos e homologado.
Agora alguém que apague a luz.»
Ana Cristina Leonardo, "Orgulhosamente sós" | Expresso/E, 16.Mai.2015

«[…]
a estupidez a impor pela força o que não consegue impor pela razão.
[…]»
Miguel Sousa Tavares | SIC, 13.Mai.2014

- x -

«[…]
Agradeço a continuação das provisórias tréguas, permitindo-me continuar a escrever nessa língua luminosa que é o português herdado dos meus antepassados e não nessa língua de trapos, nessa caricatura de português, congeminada pelos sábios linguistas que se autodeclararam donos da língua e que, por facto consumado e demissão colectiva dos responsáveis políticos, a impuseram à força a todos nós. Um dia, espero bem, alguém fará a história desta congeminada traição ao nosso património, da arrogante incompetência que a promoveu e da estarrecedora inércia que a consentiu, por mera ignorância e terror de enfrentar os “mestres”.
[…]
sugiro ao candidato presidencial Sampaio da Nóvoa, que afanosamente procura um passado de ideias que não se conhecem e um presente de ideias que se entendam (qualquer mais concreta do que declarar-se, por exemplo, um transportador de desassossegos), que abrace esta causa, jurando-nos que, se eleito, tudo fará para pôr fim a este pesadelo. Já terá valido a pena a candidatura.
[…]»

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Acordo Ortográfico [90]

«[…]
Todo o processo de engendramento e implantação do Acordo Ortográfico de 1990 só tem paralelo nas experiências agrícolas de Lissenko: a ortografia, como o trigo duro, tem de se vergar às miragens de uma ideologia (que tem nome de “lusofonia”, mas é muito mais do que ela) e conformar-se aos desígnios de políticos e cientistas pioneiros, ditos linguistas, mas que são na verdade agentes de uma ciência politizada. Juntos, gritaram em coro, antes de perderem o pio: “A ortografia é a arte plástica do Estado”. Quem lê jornais, escritos públicos e documentos oficiais percebe que está instalada a anomalia ortográfica (em meia hora de televisão, no dia 25 de Abril, li dois “fatos” em vez de “factos”) e que a aplicação do AO90 é tão desastrosa e tão contrária aos efeitos pretendidos (temos agora três normas ortográficas no “espaço lusófono”) como a agricultura de Lissenko. E é já tão paródica como ela. O que é irritante é que toda a verdade de facto exige peremptoriamente ser reconhecida e recusa a discussão. Por isso é que os políticos com responsabilidade nesta matéria e o respectivo braço armado científico (os cientistas pioneiros do laboratório linguístico de onde saiu o AO90) recusam sair a público e discutir os resultados da sua bela obra: mostram-se às vezes irritados com o ruído da paródia. Mas apostam no silêncio, à espera que das intervenções genéticas no trigo duro nasça, se não cevada e centeio, pelo menos erva para forragens.»

Já agora...

«[...]
Como saltar do “órgão eréctil” para o AO? Fácil. Ao “órgão eréctil” foi-lhe capado o cê. Recordemos. As consoantes mudas são eliminadas quando não proferidas na pronúncia culta. No caso, o cê foi à vida, o que quer dizer que se alguém insistir em pronunciar “eréctil” isso significará que é um grandessíssimo bronco (a boa notícia é que, sendo bronco, não é necessariamente impotente). Estamos, pois, assim. Viva a fonética! Hipótese: em Portugal existe um grave problema de surdez. Ou isso, ou quem assinou o AO deve responder por crime de lesa-língua (as duas teses não se excluem entre si).
[…]
alguém, por amor de Deus, revogue o suicídio acelerado da língua. Sem esquecer que estamos a morrer orgulhosamente sós.»

«[…]
Obscuro é o Acordo. Nas motivações, no teor e nas consequências. As últimas são desastrosas! Nunca se viu tanta asneira junta. É “fato” para facto, “contato” para contacto, “impato” para impacto, “infecioso” para infeccioso, “batéria” para bactéria, “perfecionista” para perfeccionista... Seria fastidioso prosseguir. Dirão: isso são erros! Não constam do Acordo. Ah, pois é! Mas curioso mesmo é que ninguém os escrevesse antes do dito. Quanto ao teor, já os especialistas explicaram como a mítica unificação resultou num labirinto de variantes ao gosto do freguês e quão perverso é o critério da pronúncia culta (Coimbra? Porto? Funchal?). A parte fácil são as motivações: novos dicionários, prontuários, livros escolares e adaptações de clássicos dão dinheiro a muita gente (além dos instrumentos online).
[…]»

«[…]
A ideia de fazer um referendo sobre o Acordo Ortográfico é boa.
[…]
Votarei "não" com muito gosto e vontade de acabar com essa malfeitoria à comunidade dos portugueses e dos que falam português.»
José Pacheco Pereira, "Referendar o Acordo Ortográfico" | revista Sábado, 23.Abr.2015

«[…]
O presente título pode gerar certa ambiguidade que esclareço de imediato. Tivesse eu escrito "alto e pára o baile!" e o leitor perceberia logo que se tratava de uma ordem para desligar a música. Com o (des)Acordo Ortográfico, tanto lhe será permitido pensar isso como o oposto: bora pró baile!
[…]
uma reforma que decapita todas as consoantes mudas quer-me parecer coisa tão radical que nem no chamado 'período do terror' da Revolução Francesa, quando diariamente rolavam cabeças que era um disparate!
[…]
Ockham inventou um princípio que diz mais ou menos isto: havendo duas hipóteses igualmente válidas, escolhe-se a mais simples (na realidade, o que ele disse mesmo foi: pluralitas non est ponenda sine necessitate). Ora bem: se 'pára' se distinguia de 'para', simplificando a compreensão e a leitura, porquê complicar?
[…]
A falta que faz às vezes uma navalha de Ockham
Ana Cristina Leonardo, "Alto e para o baile!" | Expresso/E, 01.Mai.2015

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Acordo Ortográfico [82]

«[…] nesta matéria, o sonho imperial e saloio do cavaquismo linguístico deu as mãos ao deslumbramento modernaço e igualmente saloio do socratismo. Prova que les beaux esprits se rencontrent, mesmo em francês.»

Enquanto isso, Henrique Monteiro*, Le Petit Larousse  do Expresso, paladino do novortografês, escreve com graça de accordo com a antiga ortographia. Hermes Trismegisto lhe valha.
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domingo, 3 de fevereiro de 2013

A Ínclita Gafe

de Ana Cristina Leonardo.
«[...]
Não sei se é do Allgarve se do Europe's West Coast, da Encíclica Geração ou da Geração de 70.
[...]»
 
Delícia.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

J. M. Coetzee | Ana Cristina Leonardo

Esta manhã, no 329, cheguei à página 72 da desgraça:
Lucy, filha de David Lurie, o protagonista, disserta sobre os cachorros da Katy, uma buldogue abandonada: Eles dão-nos a honra de nos tratarem como deuses e nós respondemos-lhes tratando-os como coisas.
David Lurie redargúi: As Autoridades da Igreja tiveram um longo debate acerca deles e decidiram que eles não têm almas propriamente ditas […] As suas almas estão presas ao corpo e morrem com ele. […]
Vem ainda à baila a senhora Bev Shaw, uma espécie de agente desta coisa lá no sítio.

Lembrei-me logo da meditação, publicada no Expresso, que no sábado passado me entreteve no metro dos Anjos ao Cais do Sodré.

Dinis Janeiro, um menino de 18 meses, morreu faz hoje 15 dias e é por isso e por ele, acho, que a humanidade deveria arreliar-se e fazer luto. Dizer o pitbull responsável pela morte também me parece um ligeiro exagero semântico; mas tenham lá paciência: pôr a vida do menino e a vida do cão no mesmo plano, e a decretada morte do bicho em plano publicamente mais comovido, soa-me a gigantesco desconhavo sanitário.

Ou seja, isto anda tudo ligado* e assim sucessivamente.

Oh minh’ alma peregrina...
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* Os deuses sabem que só reparei no "marcador" com que a ACL etiquetou o seu post na Pastelaria ao relê-lo depois de ter afixado o meu. Enfim, alcatruzes da mesma nora, isto anda tudo ligado.