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sábado, 13 de junho de 2020

«A alegria da pobreza»

«[...]
Para terminar, e porque o fado é tão da nossa terra, lembro as palavras que não sei cantar: a alegria da pobreza / está nesta grande riqueza / de dar e ficar contente.
Caros irmãos e irmãs, esta é a nossa maior riqueza: dar e ficar contente. Este é o segredo do mandamento do amor, o sinal da nossa identidade. Este é o pedido do Senhor Jesus. 
Esta é a grande sabedoria que aprendemos nesta escola do amor, que o colo de Nossa Senhora de Fátima tão bem nos ensina!»

Versos: Reinaldo Ferreira
Voz: Amália Rodrigues

Por que esperam as Brigadas do Pensamento Adequado?
Toca a vandalizar a campa do Reinaldo em Lourenço Marques, ups!, Maputo — ups!, melhor não, que o Reinaldo era guei, e isso torna-o correcto e adequado a todos os séculos —, espatifar a Amália no panteão!
Toca a rasgar os saiotes alvos do bispo Américo, entusiasta da pobreza, e a grafitar-lhe a fuça rubicunda!

Por muito menos esborratam o padre António, príncipe dos príncipes da Língua Portuguesa, já agora.

Em tempo
«Para mim António Vieira é o melhor escritor de prosa portuguesa que alguma vez existiu.»
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Acerca de "Uma casa portuguesa"

domingo, 3 de maio de 2020

Gonçalo M. Tavares e outros

Reconheço-me leve e acentuadamente louco, obstinada e moderadamente compulsivo.
Da primeira, 06.Jan.1973, à mais recente, 01.Mai.2020, comprei e li todas as 2479 edições do Expresso. Por maior discordância ou desapontamento que ao longo destes 47 anos o semanário de Francisco Pinto Balsemão frequentemente me suscitou, julgo ter conseguido recolher de cada número proveito equivalente, no mínimo, ao dispêndio. Às vezes por uma única página, um determinado artigo. 
Não fosse por mais, e desta vez, como felizmente quase sempre, é por mais [basta não faltar, por exemplo, o "In memoriam", obituário semanal pela pena prodigiosa de José Cutileiro*], as duas páginas do  "Diário da peste - Dois séculos tem este século**" que Gonçalo M. Tavares vem assinando na E, revista do Expresso, desde 04.Abr.2020, resgatam com rendimento milionário, tornando quase simbólicos, os 4,00 € do jornal. Na edição de anteontem:
«[...]
Dois humanos não podem olhar para o céu ao mesmo tempo. Em alguns momentos, o céu é demasiado pequeno para dois, quanto mais para muitos...
[...]
Alguém leva uma pedra para espancar o mar porque a filha se afogou ali.
[...]
A Europa está mudada.
Em pouco tempo o medo põe o humano a aceitar a pergunta: para onde vai?
Temos todos de novo 5 anos.
A até alguém com mais de 90 anos está na rua como se perdido do pai.
Pode ser mais tarde ou mais cedo.
Mas toda a gente se perde do pai.
Pelo menos uma vez.
[...]»

E daí, Plúvio?
Nada. Compre e leia.
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Também li. Concordo incondicionalmente com Miguel Esteves Cardoso.

** «[...]
O segundo século XXI começou em Wuhan.
O primeiro, nas Torres Gémeas, 2001.
[...]»
Crónica de 25.Abr.2020

quinta-feira, 7 de março de 2019

Marcelo Rebelo de Sousa, entre a tonteira e o solecismo gárrulos

«Arnaldo Matos ficará na memória de todos como um defensor ardente da liberdade».

«Senhoras e senhores deputados, estamos condenados a sermos irmãos.»*

Um presidente-arlequim é capaz da eloquência do silêncio? Cuido que não.
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* O professor Marcelo não está sozinho na atrapalhação infinitiva.
«Saíam das mangueiras à noite a tropeçarem no vento»
«tu estás sempre a ires-te embora»
«Levámos muito tempo a aproximarmo-nos um do outro»
«são os únicos capazes de as resolverem»

E nem por num momento de discernimento diminuído, em 03.Fev.2018, ter chamado «excelentíssimo» a este estaminé, pouparei o grande Miguel Esteves Cardoso à exibição de [mais] três corpos de delito no "Ainda ontem" do Público. A morigeração dos usos impõe-mo, ahahah:
«podemos divertirmo-nossermos ternos … sermos ajudados … brincarmos» 
«Mas logo começámos a preocuparmo-nos»
«sermos nós a encomendarmos»

estamos condenados a ser irmãos
saíam das mangueiras à noite a tropeçar no vento
estás sempre a ir-te embora
levámos muito tempo a aproximar-nos
são os únicos capazes de as resolver
podemos divertir-nos … [podemos] ser ternos … [podemos] ser ajudados … [podemos] brincar 
começámos a preocupar-nos
sermos nós a encomendar
Ufa!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Miguel Esteves Cardoso

volta vez por outra [v esporou tramóia pimenta moída está] ao seu melhor.
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Miguel Esteves Cardoso fez ontem anos. Já 62, quem diria!?
Cá se vai aguentando, como todos, suspenso à direita do hífen.]

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Quiosque do Ó

«Entre os que dizem que pouco ou nada falhou e os que dizem que falhou quase tudo há 64 mortos contabilizados.»
Ó Paulo Baldaia, director do DN, pelo amor de Deus, não bondou contá-los?
- x -
«É estranhíssimo que esta fruta esteja em toda a parte excepto nos restaurantes que só retêm as cerejas e os morangos em tristes tacinhas com as mesmas sovinas miligramas.»
Ó doutor escritor Miguel Esteves Cardoso, pelo amor de Deus, miligramas é masculino! Masculino Como os gramas, os decigramas, os centigramas; masculino como o pitão, o tesão, o epítome, o matiz, o abracadabra, o gâmeta e o cerúmen.
- x -
«A evolução da comédia americana tem sido dominada por aquilo que eu chamaria o síndrome American Pie, ou seja, confunde-se não apenas o humor mas também a ousadia com a acumulação de piadas mais ou menos obscenas carregadas de referências sexuais.»
Ó magnífico João Lopes, pelo amor de Deus, síndrome é feminino! Feminino como a entorse, a aluvião, a ênfase, a dinamite, a cataplasma, a enzima e a dracma.
- x -
«despedimento colectivo de 40 pessoas [...] o número de colaboradores dispensados [...] foram 40 os funcionários incluídos no processo»
Ó inefável Ana Marcela, pelo amor de Deus, deixe-se de nojo à palavra trabalhador! Quem impede de usá-la? Que mestres lhe formataram a cabecinha na Universidade Nova de Lisboa
- x -
«Não tem razão ao promover o diálogo inter-religioso de todas as religiões, mais concretamente com o islão moderado? [...] Mas Francisco não tem igualmente razão quando denuncia como blasfema a violência em nome de Deus? [...] Francisco é hoje um líder político-moral global, dos mais amados, senão o mais amado, dos mais influentes, senão o mais influente.» 
Ó senhor padre Anselmo Borges, filósofo e professor, pelo amor de Deus, não abuse da nossa paciência e da crendice dos seus seguidores! O senhor padre sabe muito bem que «islão moderado» é uma falácia; o senhor padre tem obrigação de conhecer melhor do que ninguém a violência que jorra das três religiões do livro, a instigação à porrada e à aniquilação de pessoas e o crudelíssimo Deus, esse seu Deus de amor infinito, que repassa os textos sagrados. E poupe-nos, por favor, ao sentido figurado da diegese.
O que o senhor padre filósofo professor — que muito estimo e acompanho há uns 30 anos com atenção — aparenta não dominar tão bem é o uso de "senão"/"se não". De tal modo que se espalha naqueles dois [«dos mais amados, se não o mais amado, dos mais influentes, se não o mais influente.»].

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* «Enquanto houver amor parecerá sempre a primeira vez. É a primeira vez. Comecei a amar-te agora. E agora estou a recomeçar.»
Mais um bonito bilhete para Maria João Pinheiro, sua mulher

terça-feira, 21 de março de 2017

Astranomalias de Miguel Esteves Cardoso

«Até os automóveis estão cheios de pólen. As plantas estão com o cio. Ao canto do olho um louva-deus* está a comer outro como um guindaste canibal especado diante do televisor da primavera.
A primavera propriamente dita só chega hoje** mas os insectos e os passarinhos e as nespereiras já há semanas que estão em festa. Que é que se passou? Não receberam o lembrete para dia 21 de Março** pedindo que guardassem a data nas agendas? Pelos vistos, não.
O termo técnico para o estado do tempo é "reles". Está frio e está vento. A diferença é que já nos podemos queixar: "já não estamos no inverno!" Estas temperaturas já não se "justificam". Onde se viu, num país dito temperado, uma primavera tão casaqueira e de golas tão levantadas?
No domingo obrigar-nos-ão a adiantar os relógios e a oferecer uma hora inteira da nossa existência, que só Deus sabe a falta que nos faz. Nesse dia o sol deitar-se-á, por pura batota, uma hora mais tarde do que na véspera. Mas todos nós sabemos que o sol não recebe ordens de ninguém.***
Há novas libelinhas no ar. O tráfego aéreo começa a complicar-se, sendo cada vez mais difícil distinguir as naves inimigas das amigas. Os besouros andam aluados, batendo contra as nossas orelhas, fazendo directas. Há melgas do tamanho de girafas que não picam mas assustam.
Como será a primavera de 2017? Como impedi-la de tornar-se, mais uma vez, na mera ante-estação do verão de 2017? Dando-lhe valor, mantendo as narinas, os olhos, os dedos, os lábios e os ouvidos bem abertos.»

Sabemos que o Público não segue o Acordo Ortográfico de 1990, sabemos que Miguel Esteves Cardoso o repudia. Veja-se Março, vejam-se os insectos e as directas. Assim, pergunto-me: com que atarantado desleixo, se não parvoíce encartada, a malta do "online" correu a minúsculas a Primavera e o Verão de Miguel Esteves Cardoso? Falo do "online" pois verifico que na edição em papel as estações vêm tratadas com decência.
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** A Primavera chegou a Portugal continental às 10h29 de ontem, 20 de Março.
*** Ao astro que não acata ordens não sei se o não trataria, sobretudo na 2.ª ocorrência, por Sol; não sei, não... 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Mas não é só o escritor Miguel Sousa Tavares que tem problemas com o infinitivo flexionado*

Por exemplo, o bom Miguel Esteves Cardoso:
«Foi como se almoçássemos lautamente para tirar a imensa fome, para podermos dedicarmo-nos, com objectividade, ao trabalho de lembrar refeições ainda melhores.» [podermos dedicar-nos

«O mínimo que podemos fazer é envergonharmo-nos de sermos cúmplices de tanta crueldade [envergonhar-nos de ser cúmplices

«Pensamos que estamos a actualizarmo-nos ou a mantermo-nos informados mas o que estamos a fazer é a participar em passatempos.» [estamos a actualizar-nos ou a manter-nos

«Porque estamos a divertirmo-nos.» [estamos a divertir-nos

E o melhor, como se proclama, insuperável escritor, António Lobo Antunes, que tal é ele de gramática?
«Por favor, leiam-no [ao José Cardoso Pires]: é uma imensa prenda que darão a vós mesmos.» [leiam-no ... darão a vocês mesmos   /   lede-o ... dareis a vós mesmos

«Não sei porque carga de água» [por que carga de água]

«não são capazes de saírem à nossa frente» [capazes de sair]

«A casa cresce, o número de degraus da escada do jardim para o primeiro andar aumentam.» [o número ... aumenta]

«Também não entendia porque motivo o Mundo era meu inimigo.» [por que motivo]

Que porcaria de professores de Português teve esta gente?
Para piorar as coisas nem revisores há já para acudir.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Todos e todas

«Cada vez que alguém, prestes a dirigir-se à população, arranca com "portuguesas e portugueses" dou comigo a gritar um grito fininho que me dá cabo dos ouvidos.
[…]
"Portuguesas e portugueses" não é apenas um erro e um pleonasmo: é uma estupidez, uma piroseira e uma redundância que fede a um machismo ignorante e desconfortavelmente satisfeitinho.
[…]»

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Errado, certo, confuso, o azar latino de Maria Filomena Mónica, um engano cósmico de Virgílio Azevedo e o sempre inefável Sampaio da Nóvoa


Miguel Sousa Tavares escreve mal:
«A grande notícia destas presidenciais é a de que vamos finalmente vermo-nos livres do casal Aníbal/Maria Cavaco Silva.» *vamos finalmente ver-nos livres

Margarida Davim, ultraconfusa: 
«[...] 
Não há quem não acredite que não haverá uma segunda volta.» — Não falta quem acredite que haverá uma segunda volta. [Por exemplo] 
"Os não-comícios de Marcelo" | Sol, 09.Jan.2016

Miguel Esteves Cardoso escreve mal: 
«[…] 
acolhem e servem toda a gente que por ali passa como se se tratassem de velhos amigos.
[…]» — como se se tratasse de velhos amigos 
"Um branquinho perfeito, o Corvus 2014, para a praia da Adraga" | Público/Fugas, 09.Jan.2016

Carlos Bessa escreve bem:
«[…] 
Há, em todo o livro, uma voz quase sinfónica, com diferentes entoações, como se se tratasse de diferentes instrumentos que dialogam
[…]» 
Recensão de "Porto do Mistério do Norte", de Dimas Simas Lopes | Expresso/E, 09.Jan.2016

David Teles Pereira escreve mal:
«[…] 
o que justifica em grande parte a circunstância da sua obra se ter tornado (…) uma obra de referência do pensamento político
[…]» — a circunstância de a sua obra se ter tornado 
Recensão de "O conceito do político", de Carl Schmitt | Sol/b.i., 09.Jan.2016

Paulo Portas frusta? Jamais em tempo algum.
«[...] 
O futuro ex-líder do PP não frusta a sua agente
[...]» — frustra 
"O livro que é um bom investimento" | Sol, 09.Jan.2016

Maria Filomena Mónica não sabe latim:
«[…] 
O jantar tinha de estar terminado antes da meia-noite, quando partíamos para a capelinha em São Pedro de Alcântara onde, durante a Missa do Galo, se cantava o Adestis Fidelis.
[…]» — Adestes Fideles 
"O avental" | Expresso, 09.Jan.2016

Engano cósmico de Virgílio Azevedo:
«[...] 
a idade do Universo é de 13,82 mil milhões de anos-luz.
[…]» — Ai isso é que não é, que eu fui contar. Tem 13,82 mil milhões de anosAno-luz é distância.
"Os segredos de Einstein" | Expresso, 09.Jan.2016
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* Já agora, um dos outros contra quem Marcelo concorre e de quem Miguel Sousa Tavares diz:
«[…]
Sampaio da Nóvoa, inventado por Mário Soares após um célebre discurso numa das sessões soaristas da Aula Magna, vem do absoluto vazio sideral: ninguém sabe onde ele esteve, o que fez, o que pensou, o que disse, nestes 40 anos de democracia. Mas o pior é o que diz e pensa hoje, uma névoa discursiva que ninguém entende e que faz dele o cantautor destas presidenciais, uma fusão entre o MDP/CDE e o Festival da Canção, versão Ary dos Santos. Frases como "a República também é vida, tem de ser sentida todos os dias na vida das pessoas" (já sentiu a República hoje?), dizem-nos tanto sobre o que seria uma Presidência sua como o facto de ter jogado futebol na Académica. Apenas podemos ter como certo que os seus discursos levariam semanas a ser digeridos e interpretados, fazendo de alguns dicursos de Jorge Sampaio textos de uma clareza fulgurante.
[…]»
Rio-me e aplaudo.
PUB.
A partir daqui, que é quando o sapo Cocas vai pisar a embraiagem e engrenar as mudanças, o presente verbete tem o patrocínio de Cá Vai Sintra

Entre as 10h15 e as 10h45 de ontem, 13.Jan.2016, Sampaio da Nóvoa deu uma entrevista na Antena 1.
Maria Flor Pedroso para o candidato [minuto 29:50]- A sua escolha musical tem a ver com a morte de David Bowie [08.Jan.1947-10.Jan.2016]. Só lhe pergunto se ele por acaso faz parte da sua banda sonora, não fora o facto de ele ter morrido; mas se ele faz parte da sua banda sonora.
Sampaio da Nóvoa- Faz, fez durante muito tempo, durante muitos anos. Foi uma referência muito constante nas minhas músicas e nos meus silêncios também, que é sempre a coisa mais importante da música, é o silêncio; é a nota mais difícil de escrever, é o silêncio. E também porque representa, esta música de mudança, de apelo à mudança, uma homenagem também a um homem que desapareceu agora, que é uma marca forte para mim, para muitas gerações em Portugal e que traz essa ideia de mudanças que nós precisamos para este país, para termos um país diferente, um país em que as mudanças sejam promovidas também pelo Presidente da República. É em nome da mudança e não em nome da estagnação que eu venho a estas eleições presidenciais.
Maria Flor Pedroso- "Changes", de David Bowie, é a escolha de António Sampaio da Nóvoa para fechar esta conversa.

Nesta série de entrevistas radiofónicas todos os candidatos trazem, para fim de conversa, uma música de sua eleição. Por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa, esta manhã, trouxe o António Zambujo, "Pica do 7"
Julgando eu que o cantochão gregoriano fosse a banda sonora mais conforme ao perfil incorpóreo deste candidato, eis que ele nos surpreende — serei o último a pensar em oportunismo** — com o azougado do Bowie fazendo-nos crer que tem passado os últimos 50 anos a assobiar-lhe as modas.

** Ainda assim, estou capaz de suspeitar que Sampaio da Nóvoa viria com o "Acordai", «... homenagem também a um homem que desapareceu agora, que é uma marca forte para mim, para muitas gerações em Portugal e que traz essa ideia de mudanças que nós precisamos para este país, para termos um país diferente, um país em que as mudanças sejam promovidas também pelo Presidente da República ...», tivesse Fernando Lopes-Graça morrido na véspera, o que só pode ser delírio meu, já que os comunistas são imortais.
Admito, finalmente, que o nosso ex-magnífico reitor tenha ponderado trazer 4'33", em tributo da coisa mais importante da música e da nota mais difícil de escrever. Mas o cadáver de John Cage nunca renderia tantos votos como um cadáver ainda morno, além de que a Maria Flor Pedroso era capaz de não achar graça.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Paciência e curiosidade

«Entre os poucos consolos do avançar da idade há um prazer que é inacessível à mocidade: a paciência.
[…]
A paciência, longe de ser uma estucha, é a modalidade veterana da curiosidade. "Sempre quero ver a que horas chega hoje o padeiro" corresponde à interrogação juvenil acerca do sentido da existência.
A preparação é a pornografia da paciência.
[…]»

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Na morte do pai


«Chove dentro do Aeroporto Viracopos, em Campinas. Chove muito. Não há maneira de isto parar. Por muito que os olhos se fechem, a torneira continua aberta
— como a ferida do golpe. Só me vem à cabeça a terceira cena do "Cinema Paraíso", a da chegada do Totó a casa, em Roma. A namorada já está embrulhada nos braços de Morfeu, mas ainda consegue transmitir o recado da mãe: Alfredo [o projeccionista] è morto."
Inicia-se um flash-back. [...]
Há pais comprometidos, ausentes, realistas, desnaturados, airosos, perigosos, tranquilos, inconsequentes. O meu é amigo. Cúmplice. Verdadeiro.
[...]»

Ao acaso, lembro-me de também me ter comovido com o que Rita Ferro escreveu — "Este português que eu conheci...", no Semanário de 03.Abr.1993 — na morte de António Quadros [14.Jul.1923-21.Mar.1993], seu pai, e de como o malandro do Miguel Esteves Cardoso me comoveu — "Pai", n' O Independente de 29.Jul.1994 — na morte do seu, Joaquim Carlos Esteves Cardoso [?1920-04.Jul.1994].

Não sei porquê? Claro que sei.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

«A Gaiola Dourada

nem sequer uma boa merda é: é uma merda má. Não tem graça: nem uma desgraça consegue ser.»
Miguel Esteves Cardoso, “Um filme que não é| Público, 08.Set.2013

sábado, 11 de maio de 2013

... comer a paisagem ...

Bill Bryson, Miguel Esteves Cardoso, Fátima Campos Ferreira, Maria João Pinheiro, Miguel Esteves Cardoso, Bill Bryson, Léo Ferré. O sino de Colares e não sei quê.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Maria João Pinheiro - Miguel Esteves Cardoso

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No Público diz-se fodido, na Sábado f...; em ambos se diz puta, em nenhum caralho. E como sempre, quem disputa contende.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Foda-se, que é um bocadinho demais.

Anteontem, sábado,
antes de sair para comprar os habituais 400 gramas ensacados de Expresso mais um quilo de papel avulso à mostra, escutava a Cristina Massena, esta mui prendada moçoila do norte que se leva basto a sério e escreve arrebatamentos poéticos como Na tertúlia do amanhecer fracos são os rostos, à conversa no hotel do Pedro Rolo Duarte e do João Gobern, bajulantes como pertence. Dizia às tantas a nossa licenciada em Arquitectura numa universidade portuguesa: «Depois tive um problema na apêndice e tive que ser operada…»; às tantas e picos, «Tratam-se muitas vezes de mundos solitários…»; às tantas e picos e mais um niquinho, «Eu costumo dizer uma coisa engraçada…».
Gramaticalmente deficiente vá que não vá; para pessoa-instituição é que não há estômago. Não aguentei mais. Mas que a Cristina tem um certo jeito para o piano, tem.
A seguir, Daniel Oliveira a escrever no Expresso o que decerto não tencionava: «Viver em democracia é viver em tenção. A tenção entre os representantes eleitos e os cidadãos que os elegem…». Atenção nisso, ó Daniel.

Ontem, domingo,
no Público, Miguel Esteves Cardoso a usar um octagenário que o dicionário não consente; no DN, o quase insuspeito de escrever mal Alberto Gonçalves a duplicar a inflacção: «O salário mínimo cubano ronda os 3 (três) euros sob uma inflacção de 4%. O salário mínimo venezuelano subiu recentemente para cerca de 300 euros, mesmo que fundamentado numa conversão fictícia para o dólar e sob uma inflacção de 8%.»

Não havia o papa de renunciar...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Nossas desculpas, os tomates.

«Na edição da semana passada, na coluna ‘Na ponta da língua’, escreveu-se erradamente que na receita de spaghetti deveriam ser usadas quatro cabeças de alho, quando na verdade são quatro dentes de alho. Aos leitores, as nossas desculpas.»

Afinal, estão a desculpar-nos ou a pedir-nos desculpa?
Pedimos desculpa aos nossos leitores. é que seria, mas eu sei que é pedir demais a quem acha desprestigiante pedir.
Estas merdas enervam-me.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Maria João Pinheiro - Miguel Esteves Cardoso

O amor é a vida: é mais. A vida é menos.
02.Mai.2012, "É hoje"
03.Mai.2012, "Carta a Deus"
05.Mai.2012, "A ajuda dos outros"
06.Mai.2012, "A alma em casa"
07.Mai.2012, "Deixa estar"

domingo, 29 de abril de 2012

Vai morrer o meu amor.

[...]
As coisas acontecem sem acontecer o pensamento nelas.
[...]

Foda-se.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O João Marcelino é imputável? É.

- Resolução do Conselho de Ministros n.º 13/2011, de 30 de Junho - Exonera os governadores civis, cometendo aos secretários dos governos civis a responsabilidade de assegurar as actuais funções até à sua redistribuição por outras entidades da administração central e da administração local.
- Decreto-Lei n.º 97/2011, de 20 de Setembro - Transfere a competência da concessão do passaporte comum dos governos civis para o director nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
- Lei Orgânica n.º 1/2011, de de 30 de Novembro - Transfere competências dos governos civis e dos governadores civis para outras entidades da Administração Pública em matérias de reserva de competência legislativa da Assembleia da República.
- Decreto-Lei n.º 114/2011, de 30 de Novembro - Transfere competências dos governos civis e dos governadores civis para outras entidades da Administração Pública, liquida o património dos governos civis e define o regime legal aplicável aos respectivos funcionários.

Posto o que, numa "parte integrante do Diário de Notícias" de hoje, "Poder Local - Quem é Quem", e com o verbo 'ser' invariavelmente conjugado no presente do indicativo, o João Marcelino vem dar-nos a saber algumas — as principais, presume-se — defuntas competências dos governos civis bem como os nomes e contactos dos seus, exonerados há nove meses, 18 titulares.

Em 31.Mar.2011, as competências e os senhores governadores eram exactamente os mesmos, salvo num pormenor histórico: o retrato do País era outro e outros os poderes.

Este descomunal disparate de edição, perpetrado pelo cópi-peiste [não confundir com o ciclista] da incompetência, quem sabe se bem remunerada, configura no mínimo uma qualificada traição, no máximo sabotagem, ao irrefragável fascínio que Pedro Passos Coelho exerce no Diário de Notícias, disso, no entanto, como aliás em quase tudo, sendo mais competente para discorrer o José Pacheco Pereira. E não venha o Marcelino com merdas, que por lamentável lapso de que apresentamos desculpas..., não sei quê não sei que mais, para citar Miguel Esteves Cardoso; o culpado é ele e aposto em como logo pela manhã o governo, com diligentes assessorias recrutadas no DN, telefonou para o jornal.