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domingo, 17 de abril de 2022

O galo* do Anselmo

16.Abr.2022, 22h55
Tem que ser rápido, meu!
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Edite Estrela? Oh, não! [1/2]

«Esta perseguição à Edite, feita por João Miguel Tavares, é das coisas mais absolutamente repugnantes que já vi. Não quererá pô-la a ela e à família toda na roda?»

Quero entrar na roda.
Mas, antes de mais, um discleima para que se não julgue que venho movido por ímpeto malsão ad feminam: detesto Edite Estrela, desde que, finais do decénio de '80 do século XX, lhe acompanho o protagonismo público. Voz desagradável, dicção horrível, gramática coxa, pese a fama granjeada na matéria. Jamais lhe perdoarei a mancebia oportunista e irresponsável com o nefando Acordo Ortográfico de 1990. 

Nasceu em Carrazeda de Ansiães há 72 anos, vive no Partido Socialista há 40.
De 1973 a 1986- Professora de Português
De 1987 a 1995- Deputada nas V e VI Legislaturas
De 1993 a 2001- Presidente da Câmara Municipal de Sintra
De 2002 a 2005- Deputada na IX Legislatura
De 2004 a 2014- Deputada no Parlamento Europeu
De 2015 a 2022- Deputada nas XIII e XIV Legislaturas
De 2022 [a 2026?]- Deputada na XV Legislatura 

Acho divertido quando na Wikipédia de pessoas com a densidade biográfica de Edite Estrela não consta qualquer apontamento de família. Parecem ectoplasmas. Faz-me lembrar Assunção Esteves, antiga Presidente da Assembleia da República: «[...] colocou um membro do gabinete a alterar constantemente a sua página na Wikipédia de modo a eliminar dados que ela não gosta que sejam públicos [...]»
Lá com elas, estão no seu direito.

10.Dez.2003- «Ministério Público pede apenas multa para Edite Estrela»

12.Fev.2005- «Ministério Público aceita reduzir pena a Edite Estrela»

2007- Edite Estrela, eurodeputada, contrata enteada e genro. 

25.Set.2009- «[...]  No almoço do PS, Sócrates voltou a ter o apoio da família socialista. Ao seu lado, na mesa de honra, estiveram ... Edite Estrela, António Costa e Luís Filipe Vieira, presidente do Sport Lisboa e Benfica, que quis ir dar o seu apoio a “um amigo”. [...]»

14.Nov.2010- Não sabendo que estava a ser escutada, Edite Estrela, em conversa telefónica com o seu dilecto Armando Vara, insulta camaradas socialistas: Ana Gomes, Elisa Ferreira, Vital Moreira... 

03.Jan.2013- Edite Estrela arrepende-se e apaga o 'tuíte' em que anunciava um almoço e convidava pessoas, sob sugestão e aval do afilhado, para mais um ágape socratólatra.

06.Jan.2015- Na companhia de Mário Lino, ex-ministro de José Sócrates, e de Carlos Martins, vice-presidente da Câmara da Covilhã, Edite Estrela cumpre a sua jornada na romaria a Évora. Mário Soares cumpriu por sete vezes... *

05.Mai.2018- «Edite Estrela» ocorre por oito vezes nesta história de dominação contada por duas Ritas.

20.Jul.2021-  Como conseguiu uma abécula destas chegar onde chegou? Edite Estrela não presta.
Parabéns, Ascenso Simões; parabéns, Jorge Lacão; parabéns, Sérgio Sousa Pinto; parabéns, Marcos Perestrello. 

18.Dez.2021 - «[...] Edite Estrela não tem quaisquer condições para ser eleita segunda figura do Estado português. [...]»
- João Miguel Tavares.
Concordo.

16.Jan.2022- Nem por não achar ponta de graça a este saloio deixo de comungar da sua rejeição de Edite Estrela.  

07.Fev.2022- «O problema é Edite Estrela»

08.Fev.2022- «[...] Edite Estrela foi madrinha de Sócrates no PS e na vida real. O seu marido fundou empresas com Sócrates nos anos 80. Passaram férias juntos. Foram unha com carne ao longo de 30 anos. Edite Estrela conhecia a sua vida política e pessoal de trás para a frente. Foi uma das vozes mais activas do PS a defender Sócrates após a sua detenção. E certo dia, quando as suspeitas e os indícios começaram a acumular-se muito para lá do razoável, calou-se sobre o tema Sócrates, como todos se calaram. [...]
Sócrates é hoje tratado como um ET caído das estrelas que assaltou o país de forma solitária e com um plano unipessoal. Espantoso, de facto. Só que esse silenciamento, essa suspensão da capacidade crítica, essa denegação das responsabilidades políticas, foi terrível para o país, e continua a ser terrível – como se vê pela ideia abstrusa de ter Edite Estrela como segunda figura do Estado, ou Pedro Silva Pereira, cuja esposa andou a receber dinheiro do universo de Carlos Santos Silva, como vice-presidente do Parlamento Europeu. [...]»
- João Miguel Tavares

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14.Mar.2021Rui do Nascimento Rabaça Vieira, marido de Edite Estrela.

Brasil, Dez.2006- Rui Vieira, o primeiro a contar da esquerda. Já agora e a despropósito, o segundo a contar da direita, entre Carlos Santos Silva e José Sócrates, Jaime Silva, sogro de Fernando Medina. Mundo, um penico.

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Manifestações públicas de ternura e cumplicidade derretem-me sempre a obtusidade córnea.
Vamos a elas:

02.Mai.2012
    - Depois da boa análise da Fernanda Câncio, desejo-lhes uma boa noite 😊
    - Beijos, Edite. Obrigada.
27.Mai.2012
    - Bom dia, Edite, está boa?
02.Jun.2012
    - Beijos, Edite. Aqui já se trabalha (eheh)
13.Jun.2012
    - Estou um bocadinho derreada pela noite de Sto. António. E a Edite?
24.Ago.2012
    - Boa noite, vou dormir. A temperatura baixou e a lua cresceu.
    - Boa noite, Edite, beijos.
26.Nov.2012
    - Estou óptima. E a Edite, muito trabalho?
11.Dez.2012
    - Olá, Edite. Gostava de saber a sua opinião sobre uma coisa. Pode ser?
    - Claro que sim. Quer tratar por email?
24.Dez.2012
    - Um feliz Natal para todos.
    - E para si, Edite. Beijos.
02.Jan.2013
    - Já jantaram?
    - Ahahahahahah. Muito bem, Edite.
22.Jan.2013
    - Que bom, Edite. Parabéns.
13.Fev.2013
    - Boa noite, Edite. Beijos e boa viagem.
09.Abr.2013
    - Edite, é ‘lembro-me que’ ou ‘lembro-me de que’? (Acabei de ver o anúncio de uma reportagem, ‘lembro-me que morri’) e fiquei na dúvida.
    - Lembro-me de que... Lembro-me de alguém ou de alguma coisa.
    - Bem me parecia que aquilo não estava bem. Obrigada.
10.Jul.2013
    - Vou dormir. Hoje já não há mais desenvolvimentos. Boa noite.
    - Beijos, Edite. Bons sonhos.
08.Set.2013
    - Muito bom, Fernanda.
    - Obrigada, querida Edite.
30.Set.2013
    - Boa noite, vou dormir e ter bons sonhos. Eheheh.
    - Boa noite, querida Edite. O Rui foi eleito?
    - Olá, Fernanda. Não ganhámos Foz Côa, mas ganhámos a junta de Cedovim, com uma mulher. Pela primeira vez.
    - Ah, que pena.
12.Out.2013
    - Obrigada, Edite, Beijo.
20.Abr.2014
    - Quem és tu e que fizeste com a Edite? Campeões. Campeões. Campeões. Somos campeões. Benfica!!!!!!!
15.Mai.2015
    - Ora, não tem de quê, Edite. Beijos.
    - É a perspectiva de muita gente. Mas muito bem escrito. O inigualável estilo da “Câncio” :)
20.Mar.2020
    - Durma bem, querida Edite.
05.Abr.2021
    - Obrigada, Edite. Beijo.
    - Outro, Fernanda.
19.Jun.2021
    - Muito obrigada, Edite. Mas ainda falta muito para acabar, certo?
06.Ago.2021
    - Que bom, Edite querida. saudades.💗
    - Imensas, Fernanda.

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Dos 14 Presidentes da Assembleia da República, desde 1976, começando por Vasco da Gama Fernandes — ambos assinávamos A Batalha —,  Eduardo Ferro Rodrigues foi o pior.

10.Fev.2022- «Ferro, solidário com Edite Estrela»
Um pesadelo caucionado por outro.
Qualquer coisa me diz, perdão, muitas coisas me dizem que a eventual indigitação de Edite Estrela para PAR comprometerá seriamente a posição de FR na minha tabela.

Agora, que tem Augusto Santos Silva confirmado no parlamento, menos ainda se perdoará a António Costa a afronta ao asseio da República se escolher para segunda figura dela uma videirinha rasca que parafraseia com o maior desplante um Fernando Pessoa inventado na candonga fajuta das citações apócrifas.**
Haja decoro, caralho!
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* A propósito de «Mário Soares cumpriu»,
- Não me digas, Amílcar..., não me diga, dona Teresa, que ainda não cumpriu hoje... Olhem que chamo o doutor Costa!
 
** Tudo o que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível - Fernando Pessoa, céus?! 
Faça-nos, doutora Edite, a bondade de informar  quando e em que página escreveu Fernando Pessoa tão merdíflua coisa. Se não encontrar no arquivo, peça ajuda à «querida Fernanda», graduada em afectos e em repugnâncias [absolutamente repugnantes, proclama a jornalista isenta...], sumidade em citações fidedignas de Pessoa: Rodeia-te de rosas, ama, bebe, dança e cala...  E de Lenine.
A obtusidade córnea lá atrás aprendi-a aos 17 anos, tenho a certeza, com Eça de Queiroz, aqui.

domingo, 10 de janeiro de 2021

Canções de Lisboa

«Lisboa, menina e moça vai passar a ser a canção oficial da capital portuguesa. É a homenagem da cidade ao fadista Carlos do Carmo, que morreu na sexta-feira, aos 81 anos.
Foi uma decisão unânime dos vereadores da autarquia, de todos os partidos, num gesto inédito, revelou esta manhã o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina. No fundo, é tornar oficial aquilo que o povo há muito já fez.»

Não sei a quem, e quando*, ocorreu o inspirado trocadilho "Lisboa, Medina e ma" com que acabo de me deparar num tuíte de Rodrigo Moita de Deus, de 04.Jan.2021. Na circunstância da notícia supra, não poderia ser mais oportuno e apropriado. Parabéns, Rodrigo.

Desta vez, não é para importunar Fernando Medina que aqui venho, muito menos contrariar — ai de mim! — o povo.
É de supor a trabalheira de pesquisa e cotejo por parte dos denodados vereadores, até chegar à decisão, ponderando democrática e igualitariamente, sem preconceito estético ou ideológico, sobre o acervo imenso de cantigas com Lisboa por tema ou fundo — de que aqui, por exemplo, vai sumária mas significativa amostra — , não fosse escapar-lhes algum título porventura mais adequado a hino da capital.

O povo oficializou, a vereação decidiu, Medina promulgou, proceda-se em conformidade.
Mas sempre direi que se, por loucura ou descuido dos deuses, tivesse voto na matéria, a minha escolha iria para uma deslumbrante, falo a sério, e obscura** composição de José Cid, de 1971, com arranjo magnífico de José Calvário, que nasce em «Lisboa ...» e desagua num proceloso «... autoclismo»:  
«Lisboa tem um Tejo de ilusões
[...]
Reparem no pregão desta varina,
no fado em dó menor mas incompleto,
na ponte, no castelo, no deserto,
neste tremor de terra, cataclismo,
quiçá um maremoto de autoclismo.»

Repare-se na subida às alturas, de Ré menor para Mi menor, ao fim de três segundos de silêncio. A voz de José Cid fresca como nunca.
Que tal, ãi?
Só oponho uma pequenina reserva à pronúncia pouco canónica de José Cid da palavra «maremoto». Mas isso remediar-se-ia na gravação do hino oficial de Lisboa por um intéprete de melhor dicção. No impedimento de Carlos do Carmo, ausente em parte incerta, estava capaz de sugerir o Frei Hermano da Câmara, se bem que Medina preferisse sempre o Camané que fez parte da célebre comissão dos arquitetos, e coisas dessas retribuem-se.

Outras versões de "Lisboa perto e longe" que não troco, qualquer delas, pela original de 1971:
Tonicha [1972]Curiosa e estranhamente, Tonicha, a terminar, também canta «maremoto» com o 'e' aberto de «maré»;
José Cid, com Waldemar Bastos [2001]. Cedendo, apetece dizer Cidendo, à conveniência comercial de uma putativa maior suavidade metafórica, José Cid substituiu — estragou lastimavelmente —, nesta versão,  o fantástico último verso «quiçá um maremoto de autoclismo» por um anódino «e ao longe o mar e mais ao longe o abismo». Contrafacção imperdoável. Já vi chamar a ASAE por menos.
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* Vejo que é usado desde pelo menos 2018.

** Quando revia o verbete, ao passar pela «obscura composição» lembrei-me deste «Disco obscuro editado em 1974 ...».
Está à venda na net por 24,99 €. Embora reconheça a pechincha jamais o compraria. Abomino preços em 9 ... e peço humildemente perdão pela invasão na minha gloriosa biografia.
Ahahah.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Vinhos de mil prémios. Mil tretas?

E se obrigassem os capatazes destas adegas — Ermelinda Freitas*Pegões — a informar o consumidor acerca do contexto pormenorizado de cada prémio, um a um?
Tudo bem explicadinho: que concreto prémio?, quem atribuiu?, quando?, onde? 
Isso é que seria serviço público.

* Em tempo
Às vezes sucede: vou por lã, venho tosquiado.
Foi o caso do verbete que publiquei, com a redacção que precede, ao início da madrugada de hoje. 
«De: [...]@yahoo.com
Data: domingo, 3/01/2021 à(s) 08:10
Assunto: A respeito dos prémios dos vinhos Ermelinda Freitas
Para: <pluviochove@gmail.com>
Está no sítio deles, ó Plúvio!
Cumprimentos, 
Muja»

Aprecio e agradeço que me corrijam. O descrédito e a falta de rigor desassossegam-me.
Precipitei-me, leviano e preguiçoso. Peço desculpa.
Confirmei «no sítio deles»:
2013- 123
2014- 135
2015- 167
2016- 184
2017- 247
2018- 192
Em seis anos, 1048 prémios, mas tenho de prevenir para possível erro de contagem, dado o denso e estonteante vapor etílico que manava do ecrã. 
Mais de mil prémios, pois. E que terão de extraordinário 175 prémios por ano?
Algo de ridículo, um prémio de dois em dois dias, pompa enjoativa, "marketing" competente e esdrúxulo para impressionar papalvos, muita poeira para os olhos da turbamulta narcotizada num país cristino de «estimados clientes» onde imperam o Tony Carreira e o Toy, os preços em 9 e o Preço Certo, Cristina Ferreira e um presidente arlequim; o clã Dolores Aveiro, futebol e a indústria de propaganda do PS.
De resto, prémios, preços e promoções de vinhospr pr pr** —  têm muito que se lhes diga, a merecer pós-doutoramento.
Para singela ilustração, só mesmo um cheirinho, leia-se este escrito de Edgardo Pacheco.

Talvez a propósito, uma historieta da Primavera de 2018.
De 14 a 18 de Maio decorrera em Santarém o concurso "Vinhos de Portugal" de 2018, em que se atribuiriam 369 medalhas, nas seguintes quantidades:
Grande Ouro, 36
Ouro, 126
Prata, 207
Seriam ainda eleitos os nove "Melhores do ano"
Participaram 1307 vinhos de 307 empresas de todas as regiões do país.
Preceituava o Regulamento:
«[...] 3.5. Por cada vinho a Concurso, o concorrente deve liquidar no acto da inscrição, 75 euros acrescidos de IVA, independentemente do número de vinhos inscritos. [...]», o preço que custou à Casa Santos Lima a inscrição do seu vinho branco "Corvos de Lisboa", da casta arinto, de 2017, produzido em parceria com o município lisboeta nuns terrenos próximos do aeroporto.
Este modestíssimo "Corvos de Lisboa" acabaria por ganhar uma das 73 medalhas da categoria "Ouro" que contemplaram 21 vinhos brancos e 52 tintos.
Nada de especial a não ser o plantio de "terroir" um pouco excêntrico.

Entretanto, atente-se na propaganda — presidente Medina, vereador Sá Fernandes, presidente arlequim e famulagem do PS, na abertura da Feira do Livro de Lisboa — em torno do magno sucesso vinhateiro.
João Gobern- Sempre vos digo que fiquei a rejubilar, é mesmo o termo, com a notícia de que o vinho "Corvos de Lisboa", que resulta de vinhas plantadas há apenas 36 meses, e que tem por base a casta arinto, ganhou o prémio [Mentira. «uma das 73 medalhas de ouro na sua categoria», sim.] da Vini Portugal ....
Margarida Pinto Correia- Uau!
JG- ... entre 1307 vinhos a concurso. E porque é que eu vibro com esta coisa do vinho "Corvos de Lisboa" e do prémio? Por uma razão simples: as vinhas onde este vinho nasce resultam de terrenos desocupados ao lado do aeroporto Humberto Delgado em Lisboa, o que significa que qualquer cantinho é bom para produzir seja o que for e que se calhar uma das maiores asneiras da nossa história foi mesmo decidirmos virar as costas à agricultura e ao resto [remoque, pela certa, a Aníbal Cavaco Silva]. "Corvos de Lisboa", chama-se o vinho. ... Três anos apenas chegaram ...
MPC- Extraordinário!
JG- ... para fazer dali um vinho premiado. É uma iniciativa conjunta da câmara e de uma casa de vinhos comercial, e pelos vistos já está a dar frutos.

«[...] foram precisos apenas três anos para que o “Corvos de Lisboa” conquistasse a medalha de Ouro [...]». 
Mentira. «uma das 73 medalhas de ouro na sua categoria», sim.

«Vinho "Corvos de Lisboa" recebeu o primeiro prémio do concurso da ViniPortugal» 
Mentira absoluta.

«O Vinho "Corvos de Lisboa" branco, produzido no Parque Vitivinícola de Lisboa, junto ao Parque da Bela Vista, ganhou em Maio a Medalha de Ouro no concurso de Vinhos de Portugal 2018 da ViniPortugal.»
Mentira. «uma das 73 medalhas de ouro na sua categoria», sim.

No Público de 19.Mai.2018, em notícia sobre os resultados do certame vinícola assinada por Manuel de Carvalho, hoje director do jornal, não há corvos nem noticiosamente seria caso disso.
Do mesmo modo, na notícia da "Vini Portugal", de 21.Mai.2018porque haveriam os corvos socialistas, a meio da tabela entre 369 medalhados, de ter destaque?

Propaganda, propaganda, fervor em manobras...

Em suma, cumprimentos retribuídos ao atento Muja a quem agradeço o reparo.
Despachados os da Ermelinda, venham daí agora os mil prémios das pingas de Pegões. 
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Alberto Manguel no Expresso e em Lisboa

Alberto Manguel [AM] é bom? Talvez.
Alberto Manguel é muito bom? Sei cá.
Alberto Manguel é honesto? Desconfio.
E Madalena Alfaia [MA], que assina as traduções de Manguel para o Expresso, é boa? É.
Muito boa? Decerto.
E quanto a honestidade? Diga-mo no fim o paciente leitor.

Ao longo de 2020 o Expresso tem publicado na sua revista, E, crónicas e ensaios de Alberto Manguel, apresentado como «colaborador regular» do jornal. As principais línguas de escrita de AM são o inglês, o espanhol e o francês. Daí a tradução, invariavelmente assegurada por Madalena Alfaia.

Para não maçar, deter-me-ei em apenas três peças.
Deste artigo não haverá grande coisa a dizer, salvo o Expresso e Madalena Alfaia terem escondido do leitor que se trata de tradução do original "Reach Out and Touch (Somebody's Hand)", publicado no n.º 112 da revista canadiana GEIST / Primavera de 2019.
Ainda assim, não deixei de ficar estupefacto com a asneira grossa, num autor como Manguel — que a acutilante MA trasladou do original sem emenda —, de ter posto S. Tomé, no lugar de Maria Madalena, a protagonizar o celebérrimo momento bíblico do Noli me tangere. [João, 20: 16-18]
Gostei de descobrir, no rasto da crónica, que AM [Argentina, 1948] casou e vive com um psicólogo canadiano ricaço, Craig E. Stephenson [Canadá, 1955], depois de, de 1975 a 1986, ter sido casado com Pauline Ann Brewer com quem teve três filhos. O tempora, o mores!  
Aqui fia mais fino.
É certo que a tradutora MA cuida de informar que se trata de uma versão (?!) «publicada originalmente no La Nación», diário centenário, conservador, o de maior tiragem e circulação na Argentina. Confirmei: "La era de la venganza", 25.Jul.2020.
«Uma versão», mas que versão, senhores!
Quem pode não ficar espantado com o interesse e domínio caseiro do omnímodo argentino-canadiano-francês AM em torno do Portugalzinho confinado do Verão de 2020?
«[...] Como escreveu Pessoa nos seus ‘Mandamentos’, sê tolerante, porque não tens a certeza de nada. [...]
Recentemente, em entrevista ao “Público”, Pedro Mexia declarou: “Uma pessoa que leia a ficção da Flannery O’Connor e que abstraia dali uma mensagem racista é maluca da cabeça.” [...]
Aqueles “negros selvagens” constituem ainda a imagem percebida pela maioria dos nossos vizinhos, por tribunais de júri brancos pelo mundo fora, por agentes da polícia da América do Norte, por lobistas anti-imigração na Austrália, por cidadãos honestos da província em França, pelo homicida de Bruno Candé. [...]
tal como se podem vandalizar estátuas de figuras históricas controversas — nos Estados Unidos, os militares do Exército da Confederação; em Praga e Bengala, Winston Churchill; em Lisboa, o padre António Vieira. [...]»
Fora de tudo o que está no original do La Nación de um mês antes, já de si traduzido do inglês para espanhol, Alberto Manguel cita Pessoa, mas isso é o menos, Pessoa é do cânone; AM cita Pedro Mexia de uma entrevista no Público de dias antes; AM fala do assassínio de Bruno Candé, ocorrido 4 semanas antes da publicação no Expresso, num registo de quase "tu cá, tu lá" com o malogrado actor; o intelectual planetário AM, atentíssimo ao burgo lusitano, ele que mora no outro lado do Atlântico, conseguiu alinhar Lisboa na correnteza dos EUA, de Bengala e de Praga, a pretexto da vandalização, dois meses antes, da estátua do Padre António Vieira. De resto, apetece perguntar de onde MA trouxe para "A era da vingança" a parte que vai de «reescrevendo a história» até «estátuas erigidas».
Isto é que foi enxertar, hã, Madalena?! Neste ponto é deveras interessante saber que, por exemplo, só um exemplo, esta fotografia com Bruno Candé foi tirada pela corujinha Madalena Alfaia...*
Por fim — «O mote inscrito no brasão de armas do Chile é uma instrução clara para o suicídio coletivo: Por la razón o por la fuerza.» —, mal se perdoa que a meticulosíssima MA tenha feito AM asneirar no lema nacional da república chilena. Nem parece dela, Madalena.

Antes de abordar a terceira peça, onde tudo tresanda muito mais, é o momento de, do quarteirão de «Testemunhos sobre o meu trabalho editorial» no "Em destaque" da página profissional de MA, realçar os contributos de Alberto Manguel [quem houvera de ser?] e de Pedro Mexia [et pour cause].
Alberto Manguel turibulando MA:
«Writers are solitary birds that build their nests with whatever stuff they can find. But after the nest is built, these birds need wise owls to tell them what is missing, what twig is misplaced, where there's a gap that weakens the whole structure, how to make it hold in whatever critical winds might blow. For the past few years, Madalena Alfaia has been my owl. With keen eyes, impeccable taste, refined technical knowledge, and an overriding aesthetic sense, she has helped me present my books to my Portuguese readers.
Alberto Manguel (escritor)»

Pedro Mexia enaltecendo MA:
«Editar um livro não consiste apenas em apenas [sic] publicá-lo. É, antes disso, um trabalho de revisão, questionação, rasura, substituição. Tenho tido a sorte de publicar numa editora onde esse processo é fundamental. E de ter contado diversas vezes com a edição da Madalena Alfaia. Qualquer pessoa competente na matéria deve ter boas noções de ortografia e sintaxe, amplitude de vocabulário, atenção aos clichés e às repetições desnecessárias, e assim por diante; mas a Madalena, além dessas competências, tem outras a que sou muito sensível, porque invariavelmente melhoram os textos: o sentido da ironia e da eufonia, a capacidade de entender ou de esclarecer alusões a outros textos, o interesse por géneros 'menores' como a poesia e o teatro, e até o 'gosto' (não sabemos o que é o gosto, se nos perguntam, mas quando não nos perguntam, sabemos). Não sou juiz em causa própria, mas posso dizer isto dos meus livros: são melhores do que eram por terem sido bem editados. E vários deles devem muito à Madalena.
Pedro Mexia (escritor, editor e crítico literário)» 

Vamos lá:
Ao chamar a atenção para o texto de AM no Expresso de sexta-feira passada, escrevia ontem MA no seu LinkedIn: «Em defesa da blasfémia. Um ensaio exclusivo de Alberto Manguel», sufragando a classificação com que o semanário o apresenta.
Exclusivo?

Vejamos.

Choca-me a arte de AM em vir vendendo, vai para 15 anos, o mesmo guião em países diferentes, em datas diversas, limitando-se a adaptá-lo, talvez a pedir ou consentir que lho adaptem, ao atentado islâmico do momento e aos tiranos de turno.
Quanto à peça de 11.Dez.2020, a manobra no Expresso assume dimensão himalaica.
É preciso lata descomunal para informar que é um «exclusivo». Não se admite que o jornal e MA omitam de que fonte/data traduziram.
Mais espantoso, no entanto, são os nacos abundantes de elementos da história e da literatura portuguesas entretecidos com tal familiaridade e com tão especioso pormenor [Manguel sabe de Afonso V, ele sabe de multas estipuladas por D. Sebastião em 1571, ele sabe de Aníbal Cavaco Silva em 1992, ele sabe de Ary dos Santos e até de António José Forte, ele domina o Código Penal português...] que nem sedado ou seviciado me conseguirão persuadir de que são da lavra corrente do fabuloso escritor, bibliófilo, professor.
Assevero que vale a pena o cotejo das quatro versões do ensaio. Na do Expresso marquei todas as "portugalidades".

Você, meu caro leitor, que intui destas coisas?
Por mim, sinto que Madalena Alfaia deveria explicar-nos melhor, a nós que pagámos para ler um «exclusivo» de Manguel no Expresso, a real quota das suas intervenções editoriais, e agora traduzo eu Alberto Manguel:
* «[...] depois de o ninho estar construído, esses pássaros precisam de corujas sábias para lhes dizer o que falta, que galho está fora do lugar, onde é que há uma lacuna que debilita toda a estrutura, como fazê-la manter-se contra qualquer vento adversário. Nos últimos anos, Madalena Alfaia tem sido a minha coruja. [...]»
Nota-se.
Blasfemo consumado me confesso. 

Apontamento à margem.
Neste ensaio, em mais uma incúria pouco tolerável, MA põe na boca de AM: «O famoso décimo sutra do “Alcorão” (10:100) diz assim: Nenhuma alma pode ser crente com a permissão de Deus.»
Fez-me a voltar ao meu Alcorão e confirmar a passagem nas três versões anteriores do «exclusivo». É claro que teria de ser «sem a permissão». Não bastando, não é sutra mas sura e, já agora, género feminino, em português e em espanhol. Curiosamente, este sutra é disparate original do facundo Manguel, que vem do La Nación, resiste na Geist e só parcialmente é corrigido no El País. Como haveria de não escapar à diligente Alfaia? Por isso, «A famosa décima sura», se não se importam. 
Mas nada de trágico ou surpreendente; estou habituado à revisão desleixada do Expresso.

//

«Alberto Manguel é um romancista de escassa importância e um ensaísta que satisfaz e conforta plenamente os amantes das fantasias humanistas e das utopias dos livros e da cultura. Mas a grande obra deste famoso leitor nómada, nascido na Argentina, naturalizado canadiano, para o qual a pátria é o lugar onde instala a sua biblioteca, não é constituída pelos livros que escreveu, mas pelo mito que conseguiu criar em torno da sua colecção de 40.000 volumes. Uma parte considerável da sua obra escrita serviu para produzir e alimentar esse mito triunfante. [...]
Se não fosse o mito, tão ao gosto dos poderes políticos e mediáticos que se querem dotar de capital simbólico, Alberto Manguel não estaria prestes a desempacotar a sua biblioteca, vinda de Montréal, para a instalar no Palacete dos Marqueses de Pombal, na Rua das Janelas Verdes, a mesma onde morou Madonna, graças a um acordo já assinado entre o proprietário dos livros e a Câmara Municipal de Lisboa. [...]»


Fernando Medina, socialista rutilante, edil de Lisboa, é, estamos fartos de saber, versado em pirotecnia. E a Tinta da China/Bárbara Bulhosa não dorme no serviço. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A comissão dos arquitetos e o clarinete

Entre os 1060 comissários de honra de Medina2017, de que conheço 360, avultam com maior representação por mester
72 arquitetos, nenhum arquitecto,
55 empresários,
45 advogados,
33 jornalistas,
28 atrizes, nenhuma actriz,
26 actores e um ator [Hélder Gamboa],
26 músicos, dos propriamente ditos,
19 fadistas,
18 deputados e ex-deputados, nenhum ministro,
12 cozinheiros.

Ademais,
nenhum padre ou bispo, mas dois abades [Agostinho e Tiago],
um enrabador notório, no T,   
um ladrão rasca, sim, rasca, no T,
nenhum jovem da Cova da Moura, talvez para desgosto de Joana Gorjão Henriques, Valentina Marcelino e Fernanda Câncio [tenho quase aprontado um exaustivo e explosivo estudo, ahahah, que logo publicarei].

Vai para 40 anos que me entretenho a perscrutar listas de "comissões de honra" nos processos eleitorais.
Por exemplo, é todo um tratado de hermenêutica antropológica adivinhar e distinguir os que apoiam Fernando Medina para que ganhe dos que apoiam Fernando Medina porque vai ganhar. Alguns destes, parasitas e oportunistas de turno, fedem que tresandam.

Exercício divertido, salutar e edificante é igualmente o de, mais um exemplo, reconhecer os comissários de honra comuns à presente campanha de Medina e, seis anos atrás, à campanha de recandidatura de Cavaco Silva, a começar, significativamente, pelo primeiro nome da ordem alfabética...

Por exemplo ainda, sendo óbvio que não causa nem poderá causar a menor estranheza a não comparência de Alberto Gonçalves entre os apoiantes de Medina, confesso que ainda hoje me desconcerta revisitar o seu nome na Comissão de Honra de um bronco de Boliqueime.

Nenhum dos candidatos a Lisboa me suscita a menor simpatia e detesto especialmente o esfíngico e videirinho alMedina.
É também por isso que no próximo domingo vou votar com redobrado gosto na projecção do concelho em que resido «como Capital do Clarinete». Na CDU, pois então.

sábado, 16 de setembro de 2017

Sobremesa caramelizada

caramelo acha que «um bocadinho de bom senso dá para concluir que se tratou de um mero lapso» a obliteração de no mínimo 13 cláusulas e número indeterminado de páginas no anexo "Escritura" da "TRANSPARÊNCIA" de Fernando Medina.
Apetece-me imaginar caramelo na hora da sobremesa, com o seu bondoso e relaxado critério de transparência [ninguém exigiu de Medina a exibição do contrato, mas já que o fez, com a denominação de "Escritura" e não de "E..r.t..a", conviria que não nos desse por lebre uma amostra de gato], em diálogo com o constrangido empregado do restaurante, face aos filamentos de esfregão de arame no arroz doce:
- Deixe lá, amigo, são coisas que acontecem, decerto um mero lapso. Traga-me uma maçã assada e não se fala mais no assunto.
O fervor das causas costuma acelerar a miopia. Eu, por exemplo, que em Lisboa votei sempre no PS, vou votar na CDU em Loures.
O proselitismo piora as coisas. Por exemplo eu, olivófilo infrene e míope, não consigo encontrar defeito nas azeitonas alentejanas que compro ao senhor Elias. 

«Dispensa-se tanto o exercício de grafologia do Plúvio como o caricato ar de quem decifrou a pedra da roseta no documento.»
Concordo com caramelo. Admito, de resto, que segundos antes de publicar o verbete sobre a transparência e a vaidade de Fernando Medina ainda hesitava: Plúvio, Plúvio caricato, quando paras de esbanjar o tempo em «exercícios estúpidos e ridículos»?

Quanto à convocação do genial, imenso e, virtude não menor, divertidíssimo Umberto Eco, atrevo-me a adivinhar que caramelo e o Plúvio comungam de apreciáveis afinidades literárias.

- Pode ser ananás caramelizado com pêssego, um café e a continha, por favor.

Sagradas escrituras e grafologia

«Para que cada pessoa possa aferir por si própria, sem retórica ou argumentação», o doutor Fernando Medina, genro deste antigo ministro de Sócrateso maior incompetente do mundo», Marcelus dixit], presidente da Câmara de Lisboa e candidato a continuar a presidi-la, vem, num exercício patético com o seu quê de ridículo — «Tive como motivo ter residência próxima da família, para bem-estar de todos.» — de "TRANSPARÊNCIA" aparente, sem data, em 12 pontos e com sete anexos, contrariar esta notícia alegadamente malévola sobre rendosos negócios seus.
Íntegro e probo, alheio e imune a compadrios, cambalachos e favores, o edil alMedina  aspira aos altares.
Confesso-me comovido.
Mas o que mais me tocou, a mim que me pauto por estritos critérios de ciência e objectividade, foi a portentosa assinatura que nos é revelada no "CONTRATO DE COMPRA E VENDA E MÚTUO COM HIPOTECA" [com hiatos a dar com um pau: entre a página 1 e a página 2 salta do "TERCEIRO" para a "Quarta"; entre a página 3 e a página 4 salta da "Cláusula Terceira" para a "Cláusula Quinta"; entre a página 4 e a página 5 salta da "Cláusula Quinta" para a "Cláusula Oitava"; entre a página 5 e a página 6 salta da "Cláusula Nona" para a "Cláusula Décima Segunda"; entre a página 6 e a página 7 salta da "Cláusula Décima Segunda" para a "Cláusula Décima Quarta"; entre a página 7 e a página 8 salta da "Cláusula Décima Quarta" para a "Cláusula Décima Sétima"; e culmina com um "TERMO DE AUTENTICAÇÃO" coxo e amputado entre a página 9 e a página 10; mas toda a gente sabe que a transparência é uma saltitona endiabrada...], na página 8, a fechar a "Cláusula Décima Sétima":
Repare-se na assinatura de Fernando Medina Maciel Almeida Correia. Que projecção, céus!, que animal determinado, que ambição, que cagança!       

A propósito,
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É delicioso perceber a participação de Luís Vargas na "TRANSPARÊNCIA" - Anexo B / "Propriedades do documento".
A tratar-se de Luís Vargas do "Geringonça" é porque se vai cumprindo a ordem natural das coisas. Afinal, Medina não «precisa de todos»?

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A prosa manca da doutora Isabel Moreira

A náufraga Visão de hoje traz uma página de propaganda a Fernando Medina assinada por Isabel Moreira. Entre outras coisas a articulista diz as seguintes, previsíveis nela mas tontas sempre:

«Lisboa pode provar que a inclusão de todas e de todos beneficia a cidade»

«Um candidato ou uma candidata à CML não pode ser desligado* da sua filiação partidária»

«Há quatro anos, os lisboetas e as lisboetas eram mais pobres»

«todas e todos assistimos à aposta na reabilitação urbana»

Revelando, porém, uma incongruência estilística assustadora, a azougada parlamentar do PS, jurista, Mestre em Direito Constitucional, ex-professora universitária, profere no mesmo reclame ao alMedina da mesquita as seguintes inesperadas atrocidades:

«os pagamentos aos fornecedores»,  no lugar de «pagamentos às fornecedoras e aos fornecedores»

«temos mais de 300 mil idosos», no lugar de «temos mais de 300 mil idosas e idosos»

«escolas dos nossos filhos», no lugar de «escolas das nossas filhas e dos nossos filhos»

«Ganham os senhorios», no lugar de «Ganham as senhorias e os senhorios»


Tenham paciência mas não posso deixar de denunciar publicamente estes desvarios de lesa-antropologia e de vil atropelo ao asseio gramatical por parte de representantes do povo eleitos num Estado de direito democrático.
De resto, Isabel Moreira não é virgem. Nestas patifarias na Visão, digo.
Para que conste.

Se o ridículo matasse...
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* «não podem ser desligados», s.f.f.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Meninas da baixa, jornalismo paroquial

Vivem ambas neste quadradinho de Lisboa, uma há 21 anos, a outra há 12.

Fernanda Câncio não esconde. Di-lo em duas peças:
«O meu bairro foi sempre a Baixa, desde que, miúda, a minha mãe me levava às compras e a lanchar na Brasileira (a da Rua Augusta, não a do Chiado; essa foi minha muito mais tarde). Nos mais de 40 anos que passaram desde esse amor à primeira vista muito mudou nas ruas do meu bairro - onde vivo desde 1996 - nem tudo para melhor.» - DN, 20.Fev.2017
«Na minha rua, um prédio de três andares esteve em 2013 à venda por 400 mil euros» - DN, 31.Jul.2017
Ainda assim, recomendável à prática jornalística o mais honesta possível seria que, sempre que viesse ao tema, informasse o leitor, em rodapé: «Isto interessa-me, moro aqui.»

Bárbara Reis, ex-directora do Público, 2009-2016,  admite-o de raspão:
«Há anos que fotografo e filmo os “autocarros ocasionais”, os open-top e os tuk tuk que sobem e descem a minha rua em Lisboa, entupindo a vida a tudo e todos.» - Público, 09.Jun.2017
Mal o saberíamos não fosse a Câncio ter posto a boca no trombone numa reportagem do DN de 01.Ago.2015, "As crianças no coração de Lisboa":
«Caso dos três filhos da jornalista e directora do Público, Bárbara Reis, 45 anos, desde 2005 a viver na antiga freguesia da Madalena, nome, et pour cause, da filha do meio (10 anos), que tinha meses quando se mudaram. "Na parede da Sé há um reforço inclinado, muito polido. Os meus filhos descobriram aquilo e vão lá escorregar. Uma vez vi uma senhora velhota parada a olhar, com um sorriso. Disse que fazia aquilo quando era criança." O perigo certificado da brincadeira não esmorece o embevecimento. "Os meus filhos têm sorte em crescer no bairro mais bonito de Lisboa. Quando a vemos nos rankings mundiais das cidades mais belas é por causa desta zona. Pelas ruas — ir ao talho é uma experiência bonita, ir à lavandaria, à mercearia, podem-se tornar as coisas simples do dia-a-dia em momentos de grande prazer — e pelas casas, que são magníficas, de espaços abertos, amplos, pés-direitos muito altos. Acredito que viver numa casa bonita potencia a felicidade. E tem-se vida de bairro — tenho amigos novos que têm que ver com morar aqui, fazem-se amizades por gostar de viver aqui — e ao mesmo tempo cosmopolita: vai-se ao teatro a pé, à ópera a pé, à FNAC e também ao cinema, e de qualidade, agora que abriu o Ideal, no Calhariz." Pode-se até ir a pé para o trabalho — caso do marido de Bárbara, o arquitecto Pedro Reis, que tem ateliê no Chiado. E as duas filhas mais velhas, porque os pais fizeram questão de que frequentassem "uma escola do bairro", andaram numa pré-primária IPSS a 200 metros de casa. "A partir de certa altura passaram a ir sozinhas. O Sebastião [agora com 5 anos] já não andou lá porque a escola estava com muitos problemas e fechou." Também há uma escola primária na mesma rua, mas, lamenta Bárbara, "não tem pátio. As crianças têm de brincar no corredor. Há essa falha: é preciso investir numa boa escola primária e pré-primária. Porque há imensas pessoas com crianças aqui. Só num raio de cem metros temos dez amigos com filhos destas idades. E os miúdos gostam muito do bairro, que é óptimo para dar os primeiros passos. Se querem comer um gelado, vão os três sozinhos."»
Dum modo ou doutro, recomendável à prática jornalística o mais honesta possível seria que, sempre que viesse ao tema, a jornalista Bárbara Reis informasse o leitor, em rodapé: «Isto interessa-me, moro aqui.»

É em tais circunstâncias que leio o que uma e outra vêm opinando urbi et orbi, em campanha crescente, sobre gentrificação, alojamento local ou turismo na cidade [de Lisboa, claro!] e não pára de me acudir à camada sub-reptícia do pensamento a seguinte lucubração:
Está bem, abelhinha, nota-se nitidamente que não te move qualquer interesse pessoal no assunto...     


Bárbara Reis no Público

«Medina está a tirar os autocarros gigantes do centro da cidade e começou pelo centro histórico. Eleitoralismo? Não. É respeito pela cidade. O mínimo que se pede a um autarca.»

-na!, Me-di-na!, Me-di-na!, Me-di-na!, Me-di-na!, Me-di-na!, Me-di

domingo, 8 de maio de 2016

Expresso / E


«[…]
sob o manto diáfano do jornalismo, a nudez forte da propaganda

quarta-feira, 13 de abril de 2016

1950 — Mais minuto, menos minuto

"La mala hora", romance de Gabriel García Márquez [06.Mar.1927-17.Abr.2014], foi publicado pela primeira vez em 1962, em Madrid, à revelia do autor. Só em 1966, no México, haveria de ser publicada a 1.ª edição "autorizada".

«[...]
El alcalde caminó hacia la puerta ajustándose la funda del revólver. Viéndolo alejarse, el juez Arcadio pensó que la vida no es más que una continua sucesión de oportunidades para sobrevivir.
[...]»

2016, em Lisboa, "cidade de acolhimento": 
«A vida é uma contínua
sucessão de oportunidades
para sobreviver.»
Gabriel Garcia Marquez
1950
PÓS SEGUNDA GUERRA MUNDIAL»

Espera-se que Lisboa trate os refugiados que acolhe com mais cuidado e atenção do que trata as pessoas que julgam aprender coisas certas na propaganda medínica que afixa nos passeios.
No mupi,
- faltam dois acentos no nome do autor da frase – desleixo desrespeitoso e feio; 
- em 1950 faltavam, no mínimo, 12 anos para a frase de Gabriel García Márquez ser citável.
Ou seja, pelas minhas contas o doutor Fernando Medina anda a pagar a burros.

Ainda assim, nem tudo está mal no cartaz: em 1950, a Segunda Guerra Mundial já tinha terminado — mas não a terceira e seguintes, havendo seguintes — e a tradução da frase afigura-se fiel.
Ah, e a iniciativa da câmara parece bonita e socialmente estimável.
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Então, Plúvio, e o corpo de delito?