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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Frinçasco Loucim

ÚLTIMA  HORA

O arcebispo Louçã diz «dignatário».

«a ditadura portuguesa recebe o dignatário da ditadura espanhola»

O colega conselheiro de Estado solidariza-se na indignidade linguística.
«ameaças de decapitação a grandes dignatários» 

«era o primeiro dignatário do reino»

«filhos de dignatários do regime»
Eduardo Paz Ferreira, marido da Francisca, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa. 

E como sou um animal proléptico, antecipo com fortíssima probabilidade de acerto que dentro de quatro dias o ilustre advogado José Miguel Júdice irá dizer na televisão
«chefes de Estado e outros dignatários», sem que o levem preso.

dignitário, foda-se!
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Está bem, sei, há dicionários que não sei quê, não sei que mais. Fodam-se.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Francisco e Marisa

Resultados eleitorais presidenciais da pastorinha do bonzo de Coimbra:
Ou seja, perdeu 304.843 votos, 65% da votação obtida em 2016.

Na homilia semanal que assina no Expresso — "Estado da Noção" —, o arcebispo Louçã tece na edição de hoje 70 linhas de considerações acerca dos resultados das presidenciais de domingo passado. Eis as únicas palavras, 10 palavras em 70 linhas de texto(!), dedicadas a Marisa Matias, em cuja campanha se envolveu empenhadamente:
«Marisa, apesar da brilhante última semana* de campanha, perdeu votos.»
Como podem estes zelotas, esta gente, dar-se ao respeito?
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* Imagine-se se não fosse brilhante...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Rescaldo dum serão eleitoral

um lustro certo depois deste.

Domingo, 24.Jan.2021 - Eleições presidenciais 

«Agradeço, do coração, a militantes do Volt e a tantos e tantos cidadãos e cidadãs independentes que trabalharam para eu estar hoje aqui. A minha candidatura fez-se, desde a primeira hora, do empenhamento de milhares de socialistashomens e mulheres, mais velhos e jovens, que de norte a sul, da beira às regiões autónomas dos Açores e da Madeira me apoiaram e ajudaram decisivamente a aqui chegar hoje. A todas e todos, eles e elas, o meu fraternal reconhecimento, com especial destaque para os membros do governo, os deputados e deputadas, os autarcas que deram a cara e estiveram ao meu lado.»
Mandariam a congruência linguística e as melhores práticas que tivesse dito «tantas e tantos», «socialistas e socialistos»,  «membras e membros», «as autarcas e os autarcos», «a cara e o focinho».

A glória inoxidável da derrota
«Estou convencido de que Ana Gomes fica 2% à frente de André Ventura quando encerrarmos as votações.»

«O resultado não é o que eu desejava. Não é o que mereciam as pessoas que me acompanharam, que me deram força e que estiveram comigo. Este resultado não é também uma falta de comparência. Hoje como ontem, amanhã como hoje cá estarei para todas as lutas, para ganhar e para perder como fiz sempre e como faz toda a minha gente.»

«A Marisa Matias foi a candidata que fez o discurso claro contra o racismo e a xenofobia. Foi a candidata que fez o discurso claro em nome da igualdade e contra a violência contra as mulheres num país onde tristemente as mulheres são assassinadas quase uma por semana em tantos dos anos*. Essa coragem da Marisa Matias inspira muita gente, inspira-me a mim seguramente e estou-lhe muito grata. As noites eleitorais, umas são melhores, outras são piores, mas há uma coisa que nós sabemos: é a firmeza daquilo em que acreditamos e a justeza daquilo em que acreditamos que abre caminhos para o dia seguinte. E é isso que faz a Marisa, abrir caminhos, fazer pontes** muito para lá de qualquer resultado. A Marisa estava cá antes do dia antes das eleições a fazer a luta dos cuidadores informais, a fazer a luta do Serviço Nacional de Saúde, a fazer a luta pelos direitos de quem trabalha, a fazer a luta pelo bem-estar animal***, a fazer a luta pela igualdade por inteiro sem pôr nenhuma luta em lista de espera. A Marisa é essa força grande pela dignidade e por um país melhor e eu tenho o enorme privilégio de saber que vamos continuar a lutar as duas juntas já amanhã.»
[Olh'o Luís Oriola! Pensava que só trabalhasse para o Estado. Afinal, é geringôncico.]
Aqui chegado, convido o paciente freguês do Chove a deter-se por segundos nestes dois instantâneos da ágape coimbrã do Bloco de Esquerda festejando e agradecendo à pastorinha do bonzo de Coimbra a vantagem heróica de 1,01% sobre os 2,94% obtidos pelo probo calceteiro de Rans em quem repeti o meu voto de 2016. É da minha vista, perdão, é do meu ouvido ou vai por ali  uma desavença insanável entre os intérpretes de língua gestual? Quando uma aponta para cima a outra aponta para baixo, quando o Oriola ergue a mão ela baixa-a... Em que ficamos? Que dizem, afinal, Marisa e Catarina? Não nos baralhem a surdez, porra, entendam-se!  

* Catarina a esticar-se, fervor em manobras. A própria Marisa não vai tão longe:
«[...] A eurodeputada lembrou os números: a cada semana uma mulher é assassinada ou vítima de tentativa de homicídio [...] Um a um, Marisa Matias leu o nome das mulheres assassinadas em Portugal em 2020. Leu 27 nomes [...]»
Ora bem. Nos últimos 17 anos, de 2004 a 2020, foram assassinadas 561 mulheres em Portugal, em contexto familiar violento. Como recomendava o outro, é fazer a conta.
Esta gente não poupa esforços, raiando a manipulação e a mentira, para ajustar os factos ao seu evangelho.
Não precisaria de o dizer: um assassínio que fosse seria demais. 

** E consertar autoclismos? Estou a precisar. 

*** Estava a ver que não, béu-béu, miau.

Minhas adoradas filhas, que tencionavam votar em Marisa Matias — quem sai aos seus... — e à última hora se inclinaram para Ana Gomes, não fosse o «fascista-racista-xenófobo» ficar em 2.º:
- Pai, porque dizes tão mal do Bloco de Esquerda?
Porque o Bloco de Esquerda não presta, filhas. E ai de nós quando prestar ou precisarmos de que preste antes de, como determina a ordem natural das coisas, se extinguir. O BE dá-me ares de confraria religiosa de meninos-bem, arrogante, perigosa e meio tonta.
Senão, vejam:

Quinta-feira, 29.Out.2015
No quadro, citando Eduardo Cabrita, da derrota de António Costa nas legislativas de 04.Out.2015 e da urdidura, por esses dias em curso, do entendimento PS-PCP-BE que Paulo Portas, adaptando metáfora de Vasco Pulido Valente no Público de 31.Ago.2014, crismaria de «geringonça», Mariana Mortágua, a deputada-estrela que deve a BEatificação a Ricardo Salgado, veio à Bobadela para «falar das nossas vidas» pós-PàF e do paraíso celeste [não é redundante, Plúvio?] que se adivinhava.
Fui assistir para tomar o pulso à coisa.  
MM chegou num carro velho conduzido por uma rapariga que se pôs tão perto de mim que me foi impossível não reparar no "wallpaper" da ardósia que ia consultando e manteve aberta durante toda a sessão: o carão intimidante deste teólogo prussiano. Mulher de muita fé, a chofer de Mariana.
MM entrou e disse «Boa noite a todas e a todos» num momento em que ainda só havia uma mulher na audiência. Se o ridículo matasse...
No meio da conversa, um camarada, decerto dos ingénuos e puros que há sempre nestes núcleos locais, sensível ao inchaço populoso do parlamento, interpelou:
- Ó Mariana, o Bloco tem alguma proposta no sentido de reduzir o número de deputados na Assembleia da República, como prevê a Constituição 
Mariana Mortágua ia fuzilando o rapaz com o olhar:
- De todo, não! Há estudos acerca da eficiência dos parlamentos europeus que mostram que... 
Como a entendo, parva é que esta Mortágua não é. À saída troquei com ela um aceno. Tem um sorriso bonito. 
Por mim, fiquei faladoconversado.    

BEm-vinda, BEm-vindo, BEm-vindas, BEm-vindos
Se esta gente, a minha gente de Marisa, um dia mandasse — por enquanto não manda em nada, felizmente; nem uma, uminha, das 3092 freguesias do país se deixa governar por esta gente; **** sim, sei de Salvaterra de Magos —, imagine-se a desgraça nas tesourarias e a perturbação da paz social de todos estes rudes e retrógrados sítios e entidades, a remodelar placas e a reconformar a linguagem para os pôr consonantes com o asseio da "ideologia de género".  
Lembro-me sempre da solução picaresca e ridícula que o PS engendrou — et voilà, «género» — para sossego canónico das Isabéis Moreiras,  Catarinas Marcelinos, Tiagos Barbosas Ribeiros, Elzas Pais, Joões Galambas, Edites Estrelas, Pedros Nunos Santos, Sónias Fertuzinhos,  Pedros Delgados Alves, Marias Antónias de Almeidas Santos, Marias Begonhas e Duartes Cordeiros desta vida, no XXI Congresso, em Junho de 2016: Bem-Vindo por uma porta, Bem-Vinda por outra.


Não desgostei do discurso do presidente
No da eleição, em 24.Jan.2016, Marcelo falou durante 16 minutos. Começou por «Portuguesas e portugueses ...» e foi por aí fora, cedendo sempre ao código ridículo do politicamente correcto. Terminou com palmas e hino nacional.
No da reeleição, em 24.Jan.2021, falou durante 17 minutos. Começou por escorreito «Portugueses ...», cedendo aqui e ali, mas pouco, à novilíngua dos devotos. Esteve sério. Terminou sem aplauso nem hino. Muito bem.
«[...] Portugal que, como escrevia o saudoso Eduardo Lourençoé uma nação piquena que foi maior do que os deuses em geral permitem. Tenho a exacta consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco. [...]»
foi onde borrou a escrita. Mas alguém tem exacta consciência? Como pode ser exacta a coisa menos exacta do mundo? Forte, firme, convicta, enraizada, vá que não vá. Mas exacta? Livrem-nos os deuses de consciências que tais, sem esquecer nunca as consciências tranquilas.
Já o «piquena», nada de muito grave, é da filogénese de Cascais, cercado das tias e dondocas de que nunca se livrará.

A propósito de Cascais, onde Marcelo Rebelo de Sousa mora há séculos, sempre me pareceu palhaçada e afronta grosseira da morigeração cívica que continue recenseado numa vilória minhota aonde se desloca para votar, sob pretexto de ali ter sido autarca [autarca volante e volátil...] e dali serem naturais familiares antigos que muito prezava e quer homenagear. Olha se o exemplo pega... Até eu tenho ancestrais na Etiópia a quem devo muitíssimo.
Li isto no Nascer do Sol, li isto e depois isto no blogue do professor Vital Moreira, mas continuo a achar que faz falta um jornalista de voz grossa, testículos negros ou ovários valentes, que frente às câmaras em horário nobre convoque nos olhos o nosso arlequim
- Senhor presidente, não lhe parece insolência ou insulto aos cidadãos, que fazemos por cumprir as regras, essa farsa de, residindo em Cascais, votar em Celorico de Basto?

A despropósito, mas apetece-me,
«A resposta certa é Marcelo Rebelo de Sousa. [...] O Marcelo é em geral uma boa fonte [...] Eu não estava à espera, no caso de Marcelo Rebelo de Sousa, de uma espécie qualquer de lealdade porque não é o forte dele. Eu costumo dizer que ele é filho de Deus e do Diabo. Deus deu-lhe a inteligência, o Diabo deu-lhe a maldade. [...]»

Coda
De eleição para eleição recorre o mito de que, por falta de limpeza nos cadernos de recenseamento, há mortos que votam. Se calhar há.
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**** «[...] Sabemos que temos muito a aprender ainda no trabalho autárquico, e muito a fazer. [...]
Mais eleitos e eleitas em todo o país [...] O Bloco de Esquerda tem acrescidas responsabilidades depois destas eleições autárquicas. [...] Há alguns indicadores dessa crescente responsabilidade. Aproveito para vos dizer — soube mesmo antes de vir para aqui — que o Bloco de Esquerda ganhou uma freguesia em Braga e portanto as responsabilidades do Bloco de Esquerda vão sendo crescentes em mais sítios do país.» - Catarina Martins, 01.Out.2017
Ejaculação precoce, não ganhou freguesia nenhuma. Como digo e redigo, fervor em manobras.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Com que cara | Canavilhas

«Já viram a triste situação em que eu estaria se fosse líder do PSD e estivesse no concelho de Loures a apoiar um candidato que desonra qualquer partido democrático que o possa apresentar às eleições? Com que cara é que eu estava aqui a apoiar um candidato em Cascais com a mesma cara com que tinha tado ontem a apoiar um candidato como aquele candidato que têm em Loures?»

António Costa anatematizava a candidatura pelo PSD de um alienado do Benfica [como ele, AC, de resto] — demagogo e populista, como tantos — que na véspera, em entrevista a Sebastião Bugalho*, no i em papel e no Sol em linha, proferira umas quantas frases pertinentes e incómodas acerca de determinada etnia.

Com que cara, doutor António Costa?
Ora, com a mesma com que estava a animar a candidatura de uma tontinha por José Sócrates [à CMtv em 21.Fev.2015: «Acredito piamente na inocência de José Sócrates.»], a tal que sugeriu há um ano o despedimento da jornalista Clara Viana. **
Com que cara, doutor António Costa? 
Ora, com a mesma com que apoia para Loures uma jeitosa e fraca Paixão. Espremida, ver-se-á quão medíocre é esta Sónia do PS.

- Grandessíssimo cigano me tem saído este secretário-geral do PS...
- Mas ó pai, ele não é monhé?
- Não, filha. Isso é racismo xenófobo.

Em Loures, já decidi: votarei na CDU. Sem hesitar; ninguém os bate nas arrumações.

A propósito de racismo:
Clara Ferreira Alves, sobranceira como sempre, preocupada- Eu devo dizer que o racismo está presente até no humor português. As anedotas que circulam desde a revolução, e já antes da revolução, são anedotas típicas de sociedades não pós-coloniais mas coloniais. Não há casamentos inter-raciais em Portugal
Daniel Oliveira- Começa a haver, começa a haver.
Clara Ferreira Alves- … cada um sabe onde está o seu lugar.

Nada que não se resolva com o REPANUI – Regime da Paridade Núbil Interétnica, a propor, com carácter de emergência social, pelas BEatas.
Assim, o Governo deverá promover e assegurar a realização em território português de casamentos entre indivíduos em idade núbil aqui residentes, nas seguintes exactas quantidades mínimas em cada ano civil:
- cabo-verdianos com ciganos calé, cerca de 103;
- lusocaucasianos com ameríndios, cerca de 37;
- afrodescendentes pretos com chineses amarelos, cerca de 62;
- islamoárabes com judeus de qualquer proveniência, cerca de 211;
- louros nórdicos com toureiros bengalis, cerca de 96;
- indianos com algarvios, cerca de 23;
- esquimós com maoris, cerca de 8.
E assim sucessivamente, mantendo presente que amor é coisa que ocorre não por acaso uma única vez na Constituição da República Portuguesa: na alínea b) do n.º 1 do artigo 293.º.
A título absolutamente excepcional e transitório, admitem-se Casamentos de Santo António.

Henrique Raposo, "Loures" | Expresso, 22.Jul.2017

Quanto a Louçã — "Eu já tive namoradas de todas as cores" | Público, 26.Jul.2017  —, ele que zele por que em casa toda a gente respeite o ordenamento jurídico português e os preceitos consuetudinários locais. De resto, pergunto-me quantas voltas à chave dará o arcediago BEato na porta de entrada quando vai dormir e quando sai…
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** Gabriela Canavilhas — não falo da pianista — merece rodapé.
Falo da inefável e levitante socialista no seu desvelado afã em torno da língua portuguesa
Defensora ultramontana do AO1990, ei-la, em 07.Fev.2017, Palácio de São Bento, na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, presidida por Edite Estrela, inenarrável e histórica videirinha do PS, na audição do Presidente da Academia das Ciências de Lisboa sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa:
A partir do minuto 01:30:57. Que bem fala, senhores! Como persuade a inteligência dos calhaus antiacordistas! Como nos hipnotiza de clarividência! A razão esvoaça!   

Finalmente, pequenina amostra de como escreve Canavilhas.
Nunca deverá ter ouvido falar no vocativo nem faz ideia do uso da vírgula. Escapa-lhe redigir bem coisas como "Obrigada, Mário Soares", "Parabéns, António", "Um abraço, José Lello". 
Do famigerado Acordo Ortográfico, de que é prosélita zonza, nem as regras elementares domina: ainda escreve «acção» e «retractação».
Não consegue escrever sem erro «distinto», «com certeza», «voo», «juízes».
Aprecie-se o chorrilho
Até dói saber que esta senhora pôde ter sido ministra da Cultura [2005-2009, governo de José Sócrates].
Olhem-m' ela no Paradoxo...

sábado, 27 de maio de 2017

Marisa foi ao cabeleireiro

Ontem ao serão, a pastorinha do bonzo de Coimbra esteve, amiúde de mãos postas, na "21.ª hora" da TVI 24.
Gosta menos de cristãos do que de muçulmanos, não usou a palavra "Alcorão", muito menos "Maomé", e nos quase 19 minutos de cavaqueira com José Alberto Carvalho ajeitou o cabelo por 48 vezes numa infrene e libidinosa compulsão tricomaníaca que acabou por ser ao que dei mais atenção. De resto, pareceu-me ouvir-lhe coisas acertadas sobre a hipocrisia no negócio das armas e sobre os 20% de contributo dos EUA para o orçamento da NATO, de que Trump se lamuria, até serem «pouco para quem define a política toda».

No canal ao lado, eram 22h12 quando o bispo Louçã disse, juro, que «foi publicada uma carta de órfãos, filhos dos mortos e das mortas, há 40 anos atrás, naquele 27 de Maio de 1977».
- "O tabu de Francisco Louçã", SIC Notícias,  minuto 10:25 
«há 40 anos atrás» ainda é o menos. Inadmissível é que se tenha esquecido das órfãs e das filhas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Duas por todos

«[…] O nosso lema — UMA POR TODOS — diz-nos da esperança de levarmos até Belém uma política que não exclua, uma política que não se coloque ao serviço das minorias privilegiadas de sempre. […]»
"Manifesto" da candidatura da doutora Marisa Matias à Presidência da República/2016.

Por conhecer bem a novilíngua do Bloco de Esquerda, quando vi o cartaz desenvolveu-se-me no bestunto a seguinte lucubração que transcrevo, pedindo desde já desculpa por alguma infidelidade ao alinhamento dos lexemas com que lucubrei: Belo tiro de propaganda, sim, senhora! Mas faltam ali três palavras. O genoma destes modernos e perfumados comunistas determinaria "UMA POR TODOS E POR TODAS". Uma vez sem exemplo, o Bloco [como elas e eles se auto-referem, com o mesmo enlevo, simplificado mas sempre respeitoso, com que dizem, por exemplo, «o Zeca» para falar do antigo cantor e notável criador de canções, José Afonso] deixa de ser ridículo na fala para que não se perca o efeito mosqueteiro da mensagem. São BEatos mas não são parvos.

Mais se compromete a pastorinha do venerando Boaventura no supradito "Manifesto":
«[...] Serei uma Presidente de todos e todas as portuguesas [...]»*
Estranho é que diga «Presidente» em vez de «Presidenta». Ó doutora, há que orientar a gramática pela do bispo Francisco Louçã que já estabeleceu o cânone [antepenúltimo parágrafo].

Mudemos de doutora, que três verbetes seguidos — este, este e este — com a marxista Matias são canseira a mais até para um catedrático do pluviotariado. 

«[…]
Inês Maria Meneses- Nunca foste uma 'troca-tintos'?
Maria João de Almeida- Várias vezes! O caso mais flagrante foi no Concours Mondial de Bruxelles, do qual sou júri há vários anos.
[…]»

À Maria João, sim, é que assentaria que nem luva inconsútil o lema da outra, "Uma por todos". Mais jurados para quê? Ela avalia por todos, ela é júri. **

Acho deliciosa — inebriante, para dizer com justeza — a parte em que a doutora Maria João de Almeida informa que «Leccionou na pós-graduação de Marketing do Enoturismo, na Universidade Lusófona.». Uma cadeira do tipo 'Alc. 14,5% Vol. mais uns pozinhos'...
Caro leitor, cara leitora; cara seguidora, caro seguidor; caro fão, cara fã, ainda está a ver os enograus ou já está d'olhos em bica?
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* Sempre que oiço «portugueses e portuguesas» ou «todos os portugueses e todas as portuguesas», gera-se-me a ideia de que a população de Portugal duplicou. Se calhar tenho o periscópio avariado.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Homo constructor

«A esquerda tem de se bater por ideias que sejam construidoras de acção social.»

domingo, 25 de outubro de 2015

Beirões e autoridade moral

«É por isso que estamos aqui hoje a honrar o ADN de todos os beirões.»

José Sócrates pegou na palavra e, mal pôde, pôs-se a honrar um, comparando-se-lhe com o mais repulsivo e descarado oportunismo que a desvergonha alcança [A partir do minuto 30:20]
«E quero neste ponto relembrar, ou melhor, evocar aquilo que tem sido muito discutido recentemente. Têm certamente reparado numa campanha pública em Portugal que me é muito simpática, à qual adiro imediatamente. Trata-se da campanha para defender um cidadão luso-angolano que está preso há quatro meses em Angola com acusação e à espera de julgamento [palmas da sala]. Como digo, essa causa é-me muito simpática porque há um princípio também nos estados de direito democrático: é que os cidadãos devem esperar em liberdade o seu julgamento. E a prisão preventiva deve ser a todos os títulos excepcional porque põe em causa desde logo a presunção da inocência. Mas passando por cima disso, o que tenho anotado – não sei se têm reparado – é que as autoridades angolanas parece que respondem a esta campanha da mesma forma que as autoridades portuguesas, parece que dizem "à justiça o que é da justiça, à política o que é da política" [risos e palmas da sala]. Eu quero dizer um pouco mais porque quero afirmar também que não é apenas esperar em liberdade pelo seu julgamento. O que está em causa nesse cidadão luso-angolano não é apenas esperar em liberdade o seu julgamento. O que está em causa é uma outra coisa. O que está em causa é que a conduta pela qual ele é acusado nunca devia ser criminalmente punida [palmas da sala].
[…]
Pude observar que algumas pessoas falaram destes assuntos com desassombro e com coragem, nomeadamente o eurodeputado Marinho e Pinto, nomeadamente o antigo deputado Francisco Louçã que se referiu à prisão como forma de investigar. E alguns, na política. Esses, sim, têm autoridade moral para fazer esta campanha a favor do nosso compatriota luso-angolano que está preso em Angola. Esses, sim, tinham autoridade para falar do nosso compatriota que estava preso preventivamente há cinco meses, sem acusação, em Timor-Leste. Lamento, mas os outros falta-lhes uma certa autoridade moral porque não se pode julgar a mesma situação com critérios diferentes [palmas da sala].»

Mais disse o ex-primeiro ministro [votei nele em 2005 e em 2009 por achá-lo o indivíduo com mais pinta para governar Portugal], indiciado judicialmente de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, eram 18:11, na palestra em que pronunciou 1946 vezes «quero» e, como é seu hábito, citou 322 filósofos sem identificar nenhum:
«Eu quero instituições que ajam em nome do Estado e que nós possamos respeitar e esse respeito vem da obrigação e do respeito pela lei, da decência nos procedimentos e do escrupuloso cumprimento dos formalismos, porque a democracia é também o reino dos formalismos, o reino dos procedimentos decentes, o reino do respeito pela lei.»**
Escrúpulo escrupuloso e decente decência, nos procedimentos procedimentais e nos formalismos formais. Pois. 

Comentário do dia:
- Esta manhã, no Expresso em linha.
Aparentemente, uma fava já foi paga. E bem.
__________________________________________
* O tema anunciado era "Justiça e Política". Verifiquei: o tema foi outro. 
** Esta passagem não consta da gravação, de 53 minutos, disponibilizada no YouTube pelo Movimento Cívico "José Sócrates, sempre". José Sócrates falou durante 63 minutos, entre as 17:22 e as 18:25 de 24.Out.2015.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

05-CC-40 *

Tantas flores, tão comovente, lindo de ir às lágrimas!
E estavam todos, mesmo todos**, incluindo os expressamente ressuscitados para as importantes exéquias, do seguro António ao bandeira Paco, da del río Pilar ao silva Cavaco. Só bispos eram cinco***; com Francisco Louçã, seis.
Quero imaginar ao que ia quase toda esta gente: ser vista e capitalizar preciosos pontos de bondade e simpatia na consideração dos seus pares/rivais mas sobretudo, talvez, na das pessoas que lá em casa marcam afanosamente o 760… e irão votar em breve. Não é todos os dias que uma «figura tão sublime» [Maria de Belém**** dixit, DN-09.Jul.2015] se vai embora. Desaproveitar este evento, incomparavelmente propício à boa imagem, seria negligência, se não estultícia.
Quanto aos títulos da comunicação social, não bastaria um exacto e simples Clã Soares de luto?***** É evidente que não: esta gente é demasiado vistosa para tal secura.
Nada como certos e determinados funerais para palcos e passadeiras de cagança. Nada de novo.
Enfim, o país do costume desta vez em dó menor uníssono na morte de uma velhinha de 90 anos, por sinal boa declamadora.

Pela perda e pela dor, todo o respeito; de preferência com discrição. Pelo chinfrim, pela vaidade e hipocrisia assim, nenhum.
______________________________________ 
* Sic transit gloria mundi. Quem diz SIC, diz RTP; e quem diz Maria diz Eusébio, diz Sophia. A carroça não pára.

** Observando melhor, talvez nem todos. Não consegui ver por ali «Alexis Tsipras, que muito admiro e de quem sou amigo». Razões de força maior do que a amizade do viúvo terão impedido o primeiro-ministro grego de comparecer. Também não lobriguei o famoso antigo governante português, de nome igualmente grego, de quem o viúvo é grande amigo e admirador contumaz. Razões de força ainda maior?... 

*** Ao minuto 1:40, a jornalista da SIC informa em off que Isabel Soares «citou Sophia de Mello Breyner Andersen». Andresen, menina, Andresen! Tanta incúria, chiça!

**** Maria para Belém? Oh não!, esta videirinha sabidona, inane tagarela incontinente, não!

***** Clã, claro, em sentido lato, nele se compreendendo, claro, Clara Ferreira Alves.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

É bló, é bló, é bló, cu d'esquerda

Aquilo agora é uma espécie de Duponto e Duponta.
Catarina Martins, com um desagradável deslizezinho histérico na prosódia, diz militantemente sempre todos e todas.
Ao invés e do mesmo modo - a moda é a mesma -, João Semedo, com desgraçados deslizezinhos disléxicos, dirige-se mitilanmetente a todas e as todos.
Enfim, ridículas e ridículos; confrangedoras e dores.
Jamais previra que em tão pouco tempo começasse a ter saudades do bispo Louçã.
____________________________
* Catarina e João, et pour cause.

sábado, 8 de setembro de 2012

Profunda gratidão

Do fundo do coração, obrigado, camarada Jerónimo, muito obrigado, senhor bispo Louçã.
Desde que o PCP e o BE ajudaram a pôr na governação o pior PSD de sempre, já de si sempre funesto e, no mesmo passo, a recompor o PS com a direcção mais decepcionante de que há memória, desde então - Primavera de 2011 -,  a vida dos portugueses não tem parado de melhorar.
Nunca será demais clamá-lo: obrigado, bispo Louçã, muito obrigado, camarada Jerónimo! Do fundo do coração. O país ficar-lhes-á para sempre grato tal como - injustiça não o lembrar aqui - eternamente gratos ficaremos por quanto nos tem ajudado a prosperar o bronco de Boliqueime.
Abençoados todos os que nos livraram de Sócrates, o grande Satã. Por um triz, não viriam a tempo.
__________________________________ 
José Manuel Pureza, minutos antes de, pelas 19:55 de 23 de Março de 2011, se erguer contra Sócrates ao lado do CDS, do PCP, dos Verdes e dos outros, numa oração arrebatadora e profética contra o empobrecimento.
Ano e meio depois de, com a ajuda do seu voto, Portugal ter começado a inverter a trajectória de desgraça a que o grande Satã nos conduzia, o BEato Pureza  no DN de ontem, com rara clarividência e um advérbio certamente a mais:
[...] Disseram-nos para nos atirarmos a um poço e nós, com uma responsabilidade exemplar, atirámo-nos. E só porque nos atirámos exactamente como eles disseram - ou até com mais convicção - é que temos agora autoridade para lhes pedir que nos atirem uma corda. Pois. Desculpem, mas assim que mal pergunte, tirem-me só uma dúvida certamente irresponsável: atirarmo-nos a um poço é bom?
Convenhamos que é preciso descaramento para vir perguntar, num país mais rico e feliz do que nunca, se atirarmo-nos a um poço é bom.
Então o Zé Manel, que se atirou, a ponto de perder o lugar no parlamento, não sabe? Mas ca ganda lata!
Já agora, obrigadinho também a si, senhor doutor. Do fundo do coração.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Os evangelistas dr.Louçã e dr. Zorrinho

«[…] o dr. Louçã não é o primeiro catedrático de Economia que ganha a vida a passar atestados de inimputabilidade às vítimas de conspirações imaginárias. É apenas o primeiro político português a perceber que, quando as sondagens daqui não inspiram revoluções, há que carregar o evangelho do caos para onde o caos parece plausível. […]»
- “O indomável Francisco contra o novo reich

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«[…] Se dificilmente as recomendações do dr. Zorrinho em Gestão da Felicidade* ajudariam a melhorar a nossa situação, o livro propriamente dito possui a capacidade de nos alegrar ou, na pior das hipóteses, de nos poupar a uma depressão maior do que a actual: basta não o ler. Prevenidos, é isso que faremos.»
- “Um livro indispensável

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* ... quando temos uma grande narrativa ... - Carlos Zorrinho, ontem [minuto 3:55]
Fatal como o destino.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Loja dos 300

Com a mesma, se não mais, serena e inoxidável convicção com que afirmaria Os pássaros voam., o teólogo Octávio Teixeira, do PCP, abriu a sua arenga de hoje no Conselho Superior da Antena 1 a dizer:

Quando à CGTP e ao PCP, passe a redundância, sobe o paroxismo à pensadura, não há lei da Física que resista:
Mais de 300 mil … A maior manifestação das útimas décadas – Contra Sócrates, 29 de Maio de 2010

Mas os comunistas também aldrabam nos números, tal como as pessoas desonestas, para endrominar o pagode?
Infelizmente, também; felizmente, se calhar não tanto nem com tanta frequência, pelo menos os comunistas portugueses...

Pelo andar que o país leva – desde que o PCP e o BE ajudaram a correr com os socialistas, a vida dos portugueses não tem parado de melhorar… - e pelo jorrante e apressado entusiasmo com que o Arménio Carlos parece querer provar que existe,  a Intersindical irá, não tarda, ter de pedir emprestado o recinto de Fátima que, aposto, há-de transbordar com mais de 50 milhões de cidadãos trabalhadores na maior manifestação de sempre dos últimos 15 dias.
Pois bem, eu também estive no Terreiro do Paço, sábado que passou. E contei: éramos exactamente cerca de 63 457 até ao momento em que, tendo de sair dali aflito para mijar, ficaram exactamente cerca de 63 456, incluindo o senhor bispo Louçã.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

José Manuel Pureza reza

Às 23 jaculatórias — Passos Coelho diz que é pouco; o PS absteve-se. [DN, 02.Dez.2011] — da ladainha do BEato José Manuel Pureza falta, para inteira compreensão dos fiéis e da história, o enquadramento bíblico indispensável.

Passos Coelho espumava agónico de fome pelo poder, o bispo Louçã alucinava salivante na ânsia de aumentar a confraria, e foi-se a votos.   
O PS não se absteve e o doutor José Manuel Pureza também não: levantou-se para votar contra o PS e apressar a entronização de Passos Coelho.
O padre Louçã acabaria dizimado em metade da confraria, com o confrade Pureza devolvido a Coimbra para o exercício laico da cidadania. Ena tanto ia.
E assim é que desde aquela quarta-feira a vida dos portugueses não pára de melhorar.

domingo, 31 de julho de 2011

Concordo com a Fernanda Câncio

«Por que raio os homens de todas as idades, mas sobretudo os mais jovens e até os infantes, deram em andar na praia de calções largos até ao joelho, as mais das vezes com padrões e cores hipergritantes e saloios, fazendo dos areais uma parada de pintos calçudos incompreensivelmente orgulhosos da sua figura?»

Pena que - até a Câncio, habitualmente cuidadosa nestas coisas - tenha cedido ao despautério pestífero da narrativa* - um horror criado pelo meio social e pela narrativa circundante

* Repristinando...
[14.Mai.2011, sábado]
Henrique Raposo no Expresso: «Entre 1976 e 2011, o regime viveu agarrado à narrativa dos direitos adquiridos. Essa narrativa morreu na semana passada.»
O Luís Delgado, entre as 21:40 e as 21:45 de hoje, na SIC N, salivou narrativa por 9 vezes para comentar o debate Louçã/Passos Coelho.
Começa a ficar difícil ter respeito pelo que esta gente escreve ou diz.

[15.Mai.2011, domingo]
«Quase tão daninho quanto o estado das contas públicas é o uso, e brutal abuso, da "narrativa". De repente, no debate político nacional tudo é "narrativa". Candidatos, comentadores, repórteres e, se os deixarem, operadores de câmara, não tiram a "narrativa da boca". Ele é o partido X que carece de uma "narrativa". Ele é o partido Y que recuperou a "narrativa". Ele é a "narrativa" de Fulano que possui contradições. Ele é a "narrativa" de Sicrano que é convincente. Ele é a "narrativa" que Coisinho faz de Beltrano. Ele sou eu que já não aguento a palavra e, a fim de lhe narrar uma ou duas coisas, gostaria de descobrir o sujeito que assim a popularizou. 
Infelizmente, não só é difícil descobrir o primeiro responsável pela utilização destrambelhada da "narrativa" como, no meio de tamanha liberdade lexical, é impossível apurar a respectiva acepção. Significa estratégia? Discurso? Crítica? História? Falsidade? Do "Lorosae" dos timorenses à "Muqata" de Arafat, é conhecida a aptidão dos portugueses para, à imagem das crianças no infantário, repetirem até à exaustão a expressão "gira" que ouviram no dia anterior. Mas pelo menos sabia-se que "Lorosae" era o sol nascente e a "Muqata" um mamarracho de betão. Da "narrativa" sabe-se pouco, excepto o facto de que não se perceber o que alguém diz é um forte indício de que alguém não diz nada que mereça ser percebido.
Se adicionarmos a isto a recente tendência para começar as frases com verbos no infinitivo impessoal, confirma-se que o brilhantismo linguístico dos políticos e adjacências reflecte perigosamente o brilhantismo dos políticos e adjacências no resto. Acrescentar que a "narrativa", seja lá o que isso for, é um mero exemplo.»

[19.Mai.2011, quinta-feira]
Pacheco Pereira, ele próprio vigilante destas modas.

[21.Mai.2011, sábado]
Mário Crespo, Expresso:
«É assim que no País das Maravilhas “quem manda” domina as narrativas inventadas para justificar o passado, alterar o presente e disfarçar o futuro.»
Podia lá o patareco do Crespo escapar à pandémica narrativa? Claro que não podia. Honra lhe seja que não gosta do Aníbal Cavaco Silva, mas isso nem às anémonas está vedado um que outro epifenómeno de bom não-gosto.

[25.Mai.2011, quarta-feira]
«A narrativa, usada e abusada, que ensinava que a crise era resultado do chumbo do PEC IV já não convence ninguém e foi desamparada nos discursos socialistas.»

Concordo: “narrativa, usada e abusada".

[26.Mai.2011, quinta-feira]
A previsibilidade entedia-me. Daí, não ter de estranhar o enfado com que os meus leitores antevêem a razão do link para este pedacinho do Público de hoje.
Nem mais, doutora Teresa de Sousa, constante; uma imarcescível, como diria o outro, constante da vida.
O colunismo português está a ficar inenarrável.

[14.Jun.2011, terça-feira]
Eram exactamente cerca da 22:13 de hoje quando, confabulando sobre o governo que aí vem, o doutor Filipe Santos Costa, jornalista do Expresso, asseverou com ar sério para a lhaníssima doutora Ana Lourenço, na SIC Notícias: Porque há uma narrativa ... há essa narrativa.
Era o sinal. Atirei-me ao pequeno, obsoleto e tresloucado televisor da cozinha, desliguei-o, desumbiliquei-o das tomadas e de um fôlego transportei-o para a rua juntamente com o saco do lixo orgânico.
Chega de narrativa, foda-se!

[12.Jul.2011, terça-feira]
Nem a destravada nada parva da Ana Gomes escapa à contaminação.
Em telefonema dos E.U.A., assegurava ela esta manhã à Antena 1 e aos portugueses, num depoimento do maior interesse ajudando-nos a entender melhor como os américas estão a ver coisa [isto é mesmo «luta de classes», meus amigos]: 
Enquanto nós não percebermos que precisamos de facto de ter uma narrativa no plano europeu …  [minuto 08:05]
Agora, que sabemos finalmente do que de facto precisamos, não sobra desculpa: toca a narrar a todo o vapor nem que para isso, se ao Gonçalo M. Tavares acabar a bateria, o Alexandre Herculano - "Lendas e narrativas" - tenha de ser despertado daquela soneira que nunca mais se lhe acaba lá nos Jerónimos.