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terça-feira, 11 de abril de 2023

Rol de fatalidades

Experimente preencher o que falta nos seguintes ditos.

A manobra não surtiu ______.

Envidámos todos os ______.

Para o apanhar tive de estugar o ______.

Fizemos tudo o que estava ao nosso ______.

Cadáver encontrado em ______ estado de decomposição.

O fogo não deu ______ aos bombeiros.

Morreu de cancro no pulmão, era um ______ inveterado.

Foi apanhado em ______ delito.

Magríssimo, parecia uma ______  paralítica.

Não ganhou, apesar da enorme falange de ______.

Tive um rebate de ______.

Passo o tempo a ler, sou um leitor ______.

Luís Filipe Vieira foi ______ arguido.

Vou já, dá-me só um compasso de ______.

No cômputo ______, pode dizer-se que esteve bem.

Falhou uma oportunidade ______ de golo.

Sabes que nutro ______ admiração por ti.

Morreram no mesmo dia, ironia do ______.

Fui acusado mas durmo de ______ tranquila.

Deixa-te de ______ esfarrapadas.

Aproximou-se do elefante com a ______ cautela.

Todos erraram, com a ______ excepção do Eduardo.

Veio a Portugal para ______ saudades da família.

Aposto em como adivinho pelo menos 100% das respostas que você deu.
Isto raramente falha; fatal como o destino, ... cá está!  
Vai para 25 anos que colijo, de ouvido e por diversão, este género de fatalidades.
Merecem-me apreço crescente os profissionais da comunicação — raros como trufa branca — que se exprimem, na fala e na escrita, evitando-as.
A preguiça vocabular decepciona-me, que posso fazer? Mau feitio, bem sei.

Escrutínio acuradíssimo permite-me eleger, neste momento civilizacional, as três fatalidades mais fatais, tão fatalmente fatais que, não fossem os 'esforços', o 'passo' e o 'efeito', os verbos 'envidar', 'estugar' e 'surtir' estariam banidos há muito do Português europeu.  

Noto que o inventário atingiu um tamanho jeitoso. Não sei mesmo se não será o melhor e mais exaustivo "Rol de fatalidades1) algum dia elaborado na Bobadela.
Hoje sinto-me pródigo, não é tarde nem cedo: aqui o tem! Para uso e proveito irrestrito, incluindo o de limpar o cu com ele quando voltar a pandemia e o papel higiénico escassear.

1) Em actualização constante. Sugestões e reparos serão bem-vindos, o que não significa que os acolha — o Chove não é propriamente um foro de democracia.

______________________________________________

«[…]
Glossário de lugares-comuns
Bardadrac organiza-se de A a Z como um dicionário, ao longo de 463 páginas. A meio do volume, na letra M, surge o pequeno glossário intitulado "Medialecto", que preenche 54 páginas, entendendo-se por este neologismo o dialecto próprio dos meios de comunicação social em sentido alargado (jornais, rádio, televisão, Internet...). Estão em causa frases feitas, "bordões" ou lapsos que decorrem de tentativas de substituir palavras ou enunciados correntes por outros que soam moderno, fino e, porventura, tecnocrático aos ouvidos do profissional (apresentador ou jornalista) ou de diversos "actores" do palco da comunicação : políticos, escritores, juristas, entre outros.
O 'medialecto' impõe-se, de certa maneira, como espelho e modelo da nossa subcultura dominante. "Amnistia. Sempre ampla"; "Banalidade. Sempre aflitiva"; "Carreira. Dizer sempre "Eu não gosto desta palavra" (...)"; "Calor. Sempre comunicativo"; "Carismático. Equivalente mediático de fotogénico"; "Despotismo. Sempre esclarecido (no início)"; "Figura. Sempre emblemática"; "Geometria. Sempre variável"; "Imagem. Sempre de marca"; "Isolamento. Sempre esplêndido"; "Jovens. São de dois tipos: os jovens propriamente ditos, e os "menos jovens", que antigamente eram velhos": "Lapso. Sempre revelador; sublinhá-lo com tanto mais força quanto se desconhece o que revela"; "Necessidade. Sempre imperiosa"; "Oposição. Sempre estéril"; "Perdão. Equivalente mediático do "acto de pedir perdão": "O perdão do Papa às vítimas da Inquisição" (...). Essas vítimas já não estão infelizmente em estado de lhe conceder o perdão"; "Pragmático. Equivalente mediático de oportunista"; "Sedutor. Antigamente era sempre vil, hoje é sempre grande"; "Tema. Sempre recorrente"; "Vindicta. Sempre popular"...
Esta pequena perspectiva do glossário dos lugares-comuns da comunicação social, identificados por Genette, destina-se apenas a interessar o leitor. Com uma pequena ressalva: não tentem aplicá-lo aos meus próprios artigos. Corro o risco de encontrarem exemplos válidos para corroborá-lo. Afinal, quem escapa à tal "subcultura dominante", em que, a gosto ou contragosto, participamos?
[…]»

//
«[...]
Se chove muito, chove torrencialmente*. Se aconselhamos ou recomendamos com ênfase, aconselhamos e recomendamos vivamente. Se rejeitamos ou recusamos, rejeitamos e recusamos liminarmente. Mas se afirmamos, afirmamos categoricamente ou peremptoriamente. Quando acreditamos, acreditamos piamente; mas quando confiamos, já confiamos cegamente. Se nos enganamos, enganamo-nos redondamente; mas se falhamos, já falhamos rotundamente. E quando alguém mente, não raro, há uma rima: mente descaradamente. Sendo preciso reduzir algo, é preciso reduzi-lo drasticamente e trabalhar arduamente ou afincadamente para o conseguir. Aquilo que lamentamos… lamentamos profundamente… a ponto de, em algumas circunstâncias, chorarmos convulsivamente. Com fome e sede, comemos avidamente e sofregamente. E quando alguém pede… pede encarecidamente.
[...]»

* Então não chove!?...

domingo, 30 de janeiro de 2022

domingo, 4 de abril de 2021

Aleluia



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* Quem não assistiu ontem à noite a isto não sabe o que perdeu. Estive lá.
Ou anteontem, a isto. Aquele "Insouciance", céus!, seguido do alvoroço da "Herança russa"...
Se calhar Deus existe.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Cruz contra o vírus corona

ÚLTIMA  HORA

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sexta-feira, 5 de março de 2021

«Eu não sou comunista.»

O que o comunista Daniel Oliveira [02.Jul.1969] talvez nos quisesse dizer, no centenário do PCP [06.Mar.1921], é que não é, já não é, militante do Partido Comunista Português.
Ripostará DO que aquilo que ele é ou deixa de ser saberá dizê-lo ele e não eu. Ao que Plúvio redarguirá:
- Decerto, meu caro senhor, mas o que você é é o que você parece.
E não se fala mais nisso.

«Os meus parabéns e o meu agradecimento ao Partido Comunista Português.»
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Declaração de interesses
Para o poder autárquico, voto regularmente na CDU.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Rescaldo dum serão eleitoral

um lustro certo depois deste.

Domingo, 24.Jan.2021 - Eleições presidenciais 

«Agradeço, do coração, a militantes do Volt e a tantos e tantos cidadãos e cidadãs independentes que trabalharam para eu estar hoje aqui. A minha candidatura fez-se, desde a primeira hora, do empenhamento de milhares de socialistashomens e mulheres, mais velhos e jovens, que de norte a sul, da beira às regiões autónomas dos Açores e da Madeira me apoiaram e ajudaram decisivamente a aqui chegar hoje. A todas e todos, eles e elas, o meu fraternal reconhecimento, com especial destaque para os membros do governo, os deputados e deputadas, os autarcas que deram a cara e estiveram ao meu lado.»
Mandariam a congruência linguística e as melhores práticas que tivesse dito «tantas e tantos», «socialistas e socialistos»,  «membras e membros», «as autarcas e os autarcos», «a cara e o focinho».

A glória inoxidável da derrota
«Estou convencido de que Ana Gomes fica 2% à frente de André Ventura quando encerrarmos as votações.»

«O resultado não é o que eu desejava. Não é o que mereciam as pessoas que me acompanharam, que me deram força e que estiveram comigo. Este resultado não é também uma falta de comparência. Hoje como ontem, amanhã como hoje cá estarei para todas as lutas, para ganhar e para perder como fiz sempre e como faz toda a minha gente.»

«A Marisa Matias foi a candidata que fez o discurso claro contra o racismo e a xenofobia. Foi a candidata que fez o discurso claro em nome da igualdade e contra a violência contra as mulheres num país onde tristemente as mulheres são assassinadas quase uma por semana em tantos dos anos*. Essa coragem da Marisa Matias inspira muita gente, inspira-me a mim seguramente e estou-lhe muito grata. As noites eleitorais, umas são melhores, outras são piores, mas há uma coisa que nós sabemos: é a firmeza daquilo em que acreditamos e a justeza daquilo em que acreditamos que abre caminhos para o dia seguinte. E é isso que faz a Marisa, abrir caminhos, fazer pontes** muito para lá de qualquer resultado. A Marisa estava cá antes do dia antes das eleições a fazer a luta dos cuidadores informais, a fazer a luta do Serviço Nacional de Saúde, a fazer a luta pelos direitos de quem trabalha, a fazer a luta pelo bem-estar animal***, a fazer a luta pela igualdade por inteiro sem pôr nenhuma luta em lista de espera. A Marisa é essa força grande pela dignidade e por um país melhor e eu tenho o enorme privilégio de saber que vamos continuar a lutar as duas juntas já amanhã.»
[Olh'o Luís Oriola! Pensava que só trabalhasse para o Estado. Afinal, é geringôncico.]
Aqui chegado, convido o paciente freguês do Chove a deter-se por segundos nestes dois instantâneos da ágape coimbrã do Bloco de Esquerda festejando e agradecendo à pastorinha do bonzo de Coimbra a vantagem heróica de 1,01% sobre os 2,94% obtidos pelo probo calceteiro de Rans em quem repeti o meu voto de 2016. É da minha vista, perdão, é do meu ouvido ou vai por ali  uma desavença insanável entre os intérpretes de língua gestual? Quando uma aponta para cima a outra aponta para baixo, quando o Oriola ergue a mão ela baixa-a... Em que ficamos? Que dizem, afinal, Marisa e Catarina? Não nos baralhem a surdez, porra, entendam-se!  

* Catarina a esticar-se, fervor em manobras. A própria Marisa não vai tão longe:
«[...] A eurodeputada lembrou os números: a cada semana uma mulher é assassinada ou vítima de tentativa de homicídio [...] Um a um, Marisa Matias leu o nome das mulheres assassinadas em Portugal em 2020. Leu 27 nomes [...]»
Ora bem. Nos últimos 17 anos, de 2004 a 2020, foram assassinadas 561 mulheres em Portugal, em contexto familiar violento. Como recomendava o outro, é fazer a conta.
Esta gente não poupa esforços, raiando a manipulação e a mentira, para ajustar os factos ao seu evangelho.
Não precisaria de o dizer: um assassínio que fosse seria demais. 

** E consertar autoclismos? Estou a precisar. 

*** Estava a ver que não, béu-béu, miau.

Minhas adoradas filhas, que tencionavam votar em Marisa Matias — quem sai aos seus... — e à última hora se inclinaram para Ana Gomes, não fosse o «fascista-racista-xenófobo» ficar em 2.º:
- Pai, porque dizes tão mal do Bloco de Esquerda?
Porque o Bloco de Esquerda não presta, filhas. E ai de nós quando prestar ou precisarmos de que preste antes de, como determina a ordem natural das coisas, se extinguir. O BE dá-me ares de confraria religiosa de meninos-bem, arrogante, perigosa e meio tonta.
Senão, vejam:

Quinta-feira, 29.Out.2015
No quadro, citando Eduardo Cabrita, da derrota de António Costa nas legislativas de 04.Out.2015 e da urdidura, por esses dias em curso, do entendimento PS-PCP-BE que Paulo Portas, adaptando metáfora de Vasco Pulido Valente no Público de 31.Ago.2014, crismaria de «geringonça», Mariana Mortágua, a deputada-estrela que deve a BEatificação a Ricardo Salgado, veio à Bobadela para «falar das nossas vidas» pós-PàF e do paraíso celeste [não é redundante, Plúvio?] que se adivinhava.
Fui assistir para tomar o pulso à coisa.  
MM chegou num carro velho conduzido por uma rapariga que se pôs tão perto de mim que me foi impossível não reparar no "wallpaper" da ardósia que ia consultando e manteve aberta durante toda a sessão: o carão intimidante deste teólogo prussiano. Mulher de muita fé, a chofer de Mariana.
MM entrou e disse «Boa noite a todas e a todos» num momento em que ainda só havia uma mulher na audiência. Se o ridículo matasse...
No meio da conversa, um camarada, decerto dos ingénuos e puros que há sempre nestes núcleos locais, sensível ao inchaço populoso do parlamento, interpelou:
- Ó Mariana, o Bloco tem alguma proposta no sentido de reduzir o número de deputados na Assembleia da República, como prevê a Constituição 
Mariana Mortágua ia fuzilando o rapaz com o olhar:
- De todo, não! Há estudos acerca da eficiência dos parlamentos europeus que mostram que... 
Como a entendo, parva é que esta Mortágua não é. À saída troquei com ela um aceno. Tem um sorriso bonito. 
Por mim, fiquei faladoconversado.    

BEm-vinda, BEm-vindo, BEm-vindas, BEm-vindos
Se esta gente, a minha gente de Marisa, um dia mandasse — por enquanto não manda em nada, felizmente; nem uma, uminha, das 3092 freguesias do país se deixa governar por esta gente; **** sim, sei de Salvaterra de Magos —, imagine-se a desgraça nas tesourarias e a perturbação da paz social de todos estes rudes e retrógrados sítios e entidades, a remodelar placas e a reconformar a linguagem para os pôr consonantes com o asseio da "ideologia de género".  
Lembro-me sempre da solução picaresca e ridícula que o PS engendrou — et voilà, «género» — para sossego canónico das Isabéis Moreiras,  Catarinas Marcelinos, Tiagos Barbosas Ribeiros, Elzas Pais, Joões Galambas, Edites Estrelas, Pedros Nunos Santos, Sónias Fertuzinhos,  Pedros Delgados Alves, Marias Antónias de Almeidas Santos, Marias Begonhas e Duartes Cordeiros desta vida, no XXI Congresso, em Junho de 2016: Bem-Vindo por uma porta, Bem-Vinda por outra.


Não desgostei do discurso do presidente
No da eleição, em 24.Jan.2016, Marcelo falou durante 16 minutos. Começou por «Portuguesas e portugueses ...» e foi por aí fora, cedendo sempre ao código ridículo do politicamente correcto. Terminou com palmas e hino nacional.
No da reeleição, em 24.Jan.2021, falou durante 17 minutos. Começou por escorreito «Portugueses ...», cedendo aqui e ali, mas pouco, à novilíngua dos devotos. Esteve sério. Terminou sem aplauso nem hino. Muito bem.
«[...] Portugal que, como escrevia o saudoso Eduardo Lourençoé uma nação piquena que foi maior do que os deuses em geral permitem. Tenho a exacta consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco. [...]»
foi onde borrou a escrita. Mas alguém tem exacta consciência? Como pode ser exacta a coisa menos exacta do mundo? Forte, firme, convicta, enraizada, vá que não vá. Mas exacta? Livrem-nos os deuses de consciências que tais, sem esquecer nunca as consciências tranquilas.
Já o «piquena», nada de muito grave, é da filogénese de Cascais, cercado das tias e dondocas de que nunca se livrará.

A propósito de Cascais, onde Marcelo Rebelo de Sousa mora há séculos, sempre me pareceu palhaçada e afronta grosseira da morigeração cívica que continue recenseado numa vilória minhota aonde se desloca para votar, sob pretexto de ali ter sido autarca [autarca volante e volátil...] e dali serem naturais familiares antigos que muito prezava e quer homenagear. Olha se o exemplo pega... Até eu tenho ancestrais na Etiópia a quem devo muitíssimo.
Li isto no Nascer do Sol, li isto e depois isto no blogue do professor Vital Moreira, mas continuo a achar que faz falta um jornalista de voz grossa, testículos negros ou ovários valentes, que frente às câmaras em horário nobre convoque nos olhos o nosso arlequim
- Senhor presidente, não lhe parece insolência ou insulto aos cidadãos, que fazemos por cumprir as regras, essa farsa de, residindo em Cascais, votar em Celorico de Basto?

A despropósito, mas apetece-me,
«A resposta certa é Marcelo Rebelo de Sousa. [...] O Marcelo é em geral uma boa fonte [...] Eu não estava à espera, no caso de Marcelo Rebelo de Sousa, de uma espécie qualquer de lealdade porque não é o forte dele. Eu costumo dizer que ele é filho de Deus e do Diabo. Deus deu-lhe a inteligência, o Diabo deu-lhe a maldade. [...]»

Coda
De eleição para eleição recorre o mito de que, por falta de limpeza nos cadernos de recenseamento, há mortos que votam. Se calhar há.
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**** «[...] Sabemos que temos muito a aprender ainda no trabalho autárquico, e muito a fazer. [...]
Mais eleitos e eleitas em todo o país [...] O Bloco de Esquerda tem acrescidas responsabilidades depois destas eleições autárquicas. [...] Há alguns indicadores dessa crescente responsabilidade. Aproveito para vos dizer — soube mesmo antes de vir para aqui — que o Bloco de Esquerda ganhou uma freguesia em Braga e portanto as responsabilidades do Bloco de Esquerda vão sendo crescentes em mais sítios do país.» - Catarina Martins, 01.Out.2017
Ejaculação precoce, não ganhou freguesia nenhuma. Como digo e redigo, fervor em manobras.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

«Determinar», «determinações» e outras covidências


Dulcínio é dono de uma pequena confeitaria e patrão de Dulce, única empregada.
- A sua sogra costuma gabá-la muito pelo caldo verde maravilhoso que faz em casa... 
- Mas isso a que vem agora, senhor Dulcínio? Deixa-me envergonhada.
- Não se ponha a pensar coisas, veja se entende. Enquanto durar a maldição do novo confinamento, a Dulce, já que tem jeito, fica incumbida de fazer diariamente, aqui no estabelecimento, um panelão de 20 litros de caldo verde. 
- Mas o senhor Dulcínio quando me contratou foi para vender bolos, cafés, bebidas e assim, não foi para cozinhar; ah, e manter a confeitaia limpa e arrumada.
- Certo, mas isto é uma situação muito excepcional. Se volto a fechar, em três tempos vou à falência e a Dulce vai para o desemprego. Além disso, está no decreto da emergência que eu posso determinar-lhe outras funções não contempladas no seu contrato de trabalho. Quero pôr na vitrina um letreiro a dizer «Vendemos SOPA take away".
- O senhor Dulcínio desculpe-me, não é que eu não entenda a situação, mas por acaso o meu marido esteve ontem à noite a ler esse decreto, ou lá que é, e diz que o senhor Dulcínio me pode determinar que faça outras coisas mas também diz que só se eu der o meu consentimento. * 
- Muito me conta, Dulce! Não sabia que o Donato ...
- Donute, o nome oficial dele é Donute. O homem da conservatória enganou-se no registo.
- ... não sabia que o Donute também gostava de leis. Pensei que fosse mais doçaria.
- O senhor Dulcínio nunca ouviu dizer que nem só de pão-de-ló vive o homem?...
//
Inventariei por curiosidade as ocorrências de «determinar», e suas variações, no Decreto n.º 3-A/2021, o do novo confinamento**, publicado ontem no Diário da República:
«restringir determinados direitos»
«suspensão de determinados tipos de instalações»
«determina-se que os estabelecimentos de restauração e similares passam a funcionar exclusivamente para efeitos de actividade de confecção destinada ao consumo fora do estabelecimento»
«aos serviços públicos determina-se que os mesmos mantêm o seu funcionamento»
«profissionais de saúde tenham determinado a vigilância activa»
«partilha de responsabilidades parentais, conforme determinada por acordo entre os titulares das mesmas ou pelo tribunal competente»
«ordens determinadas pelas autoridades de saúde»
«assim seja determinado pelos membros do Governo responsáveis pelos respectivos serviços»
«o disposto na alínea b) do número anterior determine a impossibilidade de acesso de um trabalhador ao respectivo local de trabalho»
«aceder a locais determinados para este efeito pela DGS»
«o membro do Governo responsável pela área da economia pode, mediante despacho, determinar que os estabelecimentos de comércio a retalho»
«o preço regulado do GPL ...é determinado em (euro)/kg, de acordo com a seguinte fórmula»
«o preço regulado para o mês M é determinado no primeiro dia do mês»
«o membro do Governo responsável pela área da energia pode ... determinar novos preços regulados»
«determinados serviços públicos especialmente carecidos de suporte»
«prioridade ao encaminhamento de determinadas categorias de tráfego»
«limitar ou inibir determinadas funcionalidades»
«fixação de um limite máximo de presenças, a determinar pela autarquia local»
«pessoas em isolamento profiláctico ou em situação de infecção confirmada da doença COVID-19 que, face à avaliação clínica, não determine a necessidade de internamento hospitalar»
«o membro do Governo responsável pela área da administração interna ... determina o encerramento da circulação rodoviária e ferroviária»
«restrição à circulação de determinados tipos de veículos»
«restringir determinados direitos para salvar o bem maior que é a saúde pública e a vida de todos os portugueses»
«códigos de conduta aprovados para determinados sectores de atividade»
«podem encerrar em determinados períodos do dia»
«a realização de testes de diagnóstico de SARS-CoV-2 referidos no número anterior é determinada pelo responsável máximo do respectivo estabelecimento ou serviço»
«nos termos determinados por orientação da DGS»
«o membro do Governo responsável pela área da saúde ... determina as medidas de excepção»
«o membro do Governo responsável pela área da saúde ... determina as medidas de excepção necessárias»
«as determinações referidas nos números anteriores são estabelecidas preferencialmente por acordo»
«pode ser determinada a mobilização de recursos humanos para realização de inquéritos epidemiológicos»
«a suspensão determinada nos termos do número anterior»

Achei especial graça ao n.º 3 do artigo 10.º,
«As determinações referidas nos números anteriores são estabelecidas preferencialmente por acordo ou, na falta deste, unilateralmente mediante justa compensação»,

e, obviamente, ao n.º 2 do artigo 21.º,
* «Restauração e similares
[...]
2 - Os estabelecimentos de restauração e similares que pretendam manter a respectiva atividade, total ou parcialmente, para efeitos de confecção destinada a consumo fora do estabelecimento ou entrega no domicílio, directamente ou através de intermediário, estão dispensados de licença para confecção destinada a consumo fora do estabelecimento ou entrega no domicílio e podem determinar aos seus trabalhadores, desde que com o seu consentimento, a participação nas respectivas actividades, ainda que as mesmas não integrem o objecto dos respectivos contratos de trabalho.»

Ou seja, «determinar» tem as suas lérias e, dentro do mesmo texto, determinadas «determinações» são mais determinantes do que outras.
Quanto a mim, se o legislador não fosse tão preguiçoso na escolha das palavras talvez a lei ficasse mais inequívoca.
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** Confinado no meu canto plebeu da Bobadela, tenho enorme dificuldade em entender a lógica sanitária deste novo confinamento numa altura em que morrem de covid-19 mais de 100 pessoas por dia e estão em cuidados intensivos mais de 600, bem menos restritivo do que o confinamento de Março/Abril de 2020 em que se atingiram, no máximo, 37 mortos num dia e 270 internados em cuidados intensivos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Vírus corona, Sol maior *

Decorreu pelas 13h00 de hoje a 6.ª descontaminação das ruas de Bobadela, por um amola-tesouras. [fase 1]   [fase 2]

5.ª, Senhora

4.ª, Resssuscitado  -  3.ª, Crucificado

2.ª, Senhora da limpeza  -  1.ª, José operário
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* É mesmo, garanto,
 a gaita do amolador
estava armada em Sol maior.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Dizer*

Olá a todas e a todos.**
Dizerem primeiro lugar que os legumes e a fruta que o senhor Serafim Garcia — toda a gente o conhece aqui por "o Garcia da horta" — vende na praça é ele quem os cultiva na sua courela. Mas em tempo de pandemia isso será pouco relevante.
Dizer* ainda que a um licenciado em Medicina, com prática clínica pública e privada em Leiria, deputado da nação, hoje em altas funções governativas,  deveriam exigir-se, no mínimo, conhecimentos básicos da história da medicina caseira
- «dizer* que ... nenhum doente que entre ou esteja no hospital Garcia da Horta ficará sem lugar para onde ir»
- «lembro-me da transferência de doentes do Garcia da Horta para o médio Tejo.»

Dizer* em suma: por um secretário de Estado da Saúde que além da sintaxe tosca ignora e trata desleixadamente o epónimo do maior hospital da margem sul do Tejo, sem prejuízo de ser bom ortopedista, só pode ter-se consideração diminuída.

Lembremo-nos de Abel Salazar...
Pois bem, o médico Lacerda Sales nem das próprias coisas médicas parece saber assim tanto.
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terça-feira, 12 de maio de 2020

Mal segundo Maria Filomena Mónica e pornografia num país cristino*

No Correio da Manhã de domingo passado, Maria Filomena Mónica surpreendeu-me e fez-me rir. Numa correnteza de grandes males, perdão, Males [agiotagem no preço dos artigos de protecção, assaltos aos velhos, egoísmo no desprezo pelas regras de confinamento social, teorias da conspiração...], e sem mudança de plano, inseriu o mal de ver filmes pornográficos na televisão durante a quarentena:
«[...]
Estou a pensar na médica Inês que não pode ir dormir a casa porque tem de cuidar de doentes atacados pela covid-19, da aluna Constança que, com umas amigas, se ofereceu para ir para um lar em Trás-os-Montes, na jovem Joana que transporta comida, como voluntária, a quem não se pode deslocar. Todavia, estes factos não nos devem fazer esquecer que, ao lado do Bem, existe o Mal.
Há quem especule com o preço das máscaras, do álcool e das luvas. Há quem assalte as casas dos velhos. Há quem aproveite a quarentena para ver filmes pornográficos na TV. Há quem, por egoísmo, despreze as regras sobre o confinamento social. Como se isto não bastasse, as teorias da conspiração multiplicaram-se.
[...]»

Não venho, ai de mim, resgatar e promover a grande bem, perdão, grande Bem social as fitas pornográficas no sentido em que MFM parece considerá-las. Não vou tão longe, mas terei sempre por socialmente mais tóxica do que a pornografia "convencional" a exibição [três exemplos ao acaso]
ou da garagem de Cristina Ferreira, para não falar da vassalagem obscena que Portugal, de Marcelo a Costa, lhe presta - «isto é um negócio.»,
tudo à vista das crianças e sem bolinha vermelha no canto superior direito.

No mais, respeito a pudicícia de Maria Filomena Mónica. Mas lá que me fez rir, fez.
___________________________________

ÚLTIMA  HORA
Terça-feira, 12.Mai.2020, 23h15 - 5.ª descontaminação das ruas de Bobadela, pela Senhora.**


sábado, 11 de abril de 2020

Contributo para um glossário quase imperfeito da coisa,

em verso  livre, com palavras difíceis, nomes e números vários.

novo corona
o (vírus) SARS-CoV-2
120 nm de diâmetro (nm=nanómetro=milésima parte do milímetro)
gotícula  aerossol
contágio a 2 metros
4 minutos a 8 dias em superfícies
incubação
surto
Rt
epidemia  pandemia
Tedros Adhanom Ghebreyesus
covidiota   pandemónio   pão de mia    spamdemia
crise sanitária
ai Jesus!

economia
papel higiénico  atum   farinha   fermento
especulação  açambarcamento

coronabonds  takeaway  lay-off
viva a língua portuguesa!
entregas ao domicílio
pelo senhor Virgílio
  telescola  teletrabalho
 e o caralho 

cenários  geometria
os cientistas   os especialistas
pneumologia  infecciologia  epidemiologia  virologia
estatística  casos
curva  pico  achatar  planalto

infecção   reinfecção
anticorpos   imunidade de grupo 70%
certificado de imunidade

mãos  água  sabão
20 segundos
cara  boca  olhos  nariz
que é como quem diz
álcool  gel
 máscara  luvas  viseira  
zaragatoa  teste  reagente

conter  recolher               distanciar afastar                confinar  cercar
varanda
isolamento horizontal  vs  isolamento vertical
quarentena  14 dias
etiqueta respiratória
estamos todos no mesmo barco    vai ficar tudo bem (brrrnhac!)
   
grupo de risco
velhos
lares
velhos  lares  lares  velhos  velhos  lares  lares  velhos
e assim sucessivamente

a (doença) covid-19
febre   tosse   cefaleia   fraqueza   dificuldade respiratória
sintomático  assintomático
comorbilidade
taxa de letalidade  vs  taxa de mortalidade
hidroxicloroquina   ibuprofeno   paracetamol
hospital de campanha 
quartos  pressão negativa
camas  ventiladores
cuidados intensivos  pneumonia
curados   mortos   caixões   funerais

Wuhan   Itália  Espanha   Equador   Ovar   República Checa  Nova Iorque
Holanda  repugnante  Costa
Trump   Bolsonaro  Boris

presidente-arlequim
emergência
[papelarias   tabacarias   raspadinhas
drogarias   padarias   farmácias
oculistas
concelho]

streaming   skype   zoom   houseparty
parabéns a você  (brrrnhac!)
808242424
profissionais de saúde
laboratório

3.ª vaga
guerra   novo normal   atípico
medo  miséria  fome  dor  desespero
apocalipse
ploc

Aleluia!

3.ª Descontaminação das ruas de Bobadela, pelo Crucificado. **

ÚLTIMA  HORA
Domingo, 12.Abr.2020, 17h15 - 4.ª Descontaminação das ruas de Bobadela, pelo Ressuscitado com ajuda do senhor padre Marcos. **  
__________________________________
* Vitório Rei também rimava assim. Lembram-se?

**  1.ª   e   2.ª

quarta-feira, 25 de março de 2020

Relatório da virose

Quarta, 18 de Março
Com um bom discurso de João Oliveira, o Partido Comunista Português abstém-se no estado de emergência; a "Festa do Avante!" (ainda) não foi cancelada. Faz sentido.

1.ª Descontaminação das ruas de Bobadela, por José operário.

Quinta, 19
Dia do pai
A minha filha mais velha deu-me "A Sociedade do Cansaço", de Byung-Chul Han, de 2010, editado em Portugal em 2014, que começa deste modo, negrito meu:
«Cada época tem as a suas doenças paradigmáticas. Podemos, assim, dizer que existe uma época bacteriana que só durou, porém, quando muito, até à descoberta dos antibióticos. Apesar do medo descomunal de uma pandemia gripal, não vivemos presentemente na época viral. Graças ao desenvolvimento da técnica imunológica, já a conseguimos ultrapassar. [...]» - Página 9 
Se calhar piou cedo demais. *

«Quando se tratam de casos isolados, obviamente tudo se torna mais complicado. Até agora já assegurámos o repatriamento de cerca de 408 portugueses vindos de mais de quatro continentes.» -António Costa
Nada como um primeiro-ministro rigoroso e exacto. Ficamos mais descansados.
Já agora, «se trata de casos isolados», s.f.f.

Sábado, 21
Dia Mundial da Poesia
Não me atrevo a dizer que José Jorge Letria é melhor poeta do que Manuel Alegre. Não nutrindo especial estima por qualquer deles — tenho-lhes a poesia por igualmente sofrível e a eles por diversamente videirinhos —, acho que os versos de JJL, "A vida triunfa em casa", dão uma cabazada de qualidade e de carpintaria aos do impante cagão de Águeda, "Lisboa ainda". Do poema do Letria ninguém falou; as redes emprenharam com o do Alegre. É do share.

«[...] Vivemos a céu aberto como garimpeiros depois dos aluviões [...]»
Alguém avise sua eminência reverendíssima de que aluvião é um substantivo feminino. 

Assisti na RTP 2 a "Linhas Tortas", financiado pelo ICA, produzido por Paulo Branco, escrito por Carmo Afonso, realizado por Rita Nunes, com cameo da guionista acompanhada de Fernanda Câncio na plateia, felizes. 
A advogada Carmo Afonso, autora da história, que até nem escreve mal, veste António Almeida, protagonista, de escritor e jornalista. É em tal conformidade e tendo em conta a porrada de gente culta envolvida na urdidura da fita que se torna indesculpável aquele «Tenho de ir Luísa» sem a obrigatória vírgula na Luísa. Cambada de disléxicos!
Nunca falha. O putedo é coeso e solidário, raramente deslassa. Comem e dançam nos mesmos sítios.**

Domingo, 22
«nossas desculpas», o caralho!

Terça, 24
«Sei que isto não é apenas geracional, é também “de grupo”, mas a mim, quando estou distraído e oiço “segundo a DGS”, toca-me ainda uma certa “campaínha” histórica.»
Com tantos e lustrosos leitores, espanta que ainda ninguém tenha alertado o doutor Francisco Seixas da Costa para o acento espúrio com que de há muito faz tinir as campainhas.

Entre as 15h11 e as 15h15, durante exactamente 3 minutos e 54 segundos, a CMTV, a propósito da Covid-19, manteve em oráculo «2362 mortos em Portugal».
Tratava-se, claro, do número de infectados - mortos eram 33, mas insistiram sem corrigir. Distracção e incompetência intoleráveis. Mesmo sem querer, a CMTV não engana: sangue e morte pecarão sempre por defeito.

Quarta, 25
2.ª Descontaminação das ruas de Bobadela, pela Senhora da limpeza.

Entretanto, o doutor André Gonçalves Pereira, falecido em 09.Set.2019, continua a pontificar no Conselho Consultivo do Público e o doutor Miguel Esteves Cardoso, casado com Maria João Pinheiro há 20 anos, continua a viver com a Maria João «há quase 13 anos».

É do corona.
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* Acompanhemos Byung-Chul Han:
«[...]
Na China e noutros Estados asiáticos como a Coreia do Sul, Hong Kong, Singapura, Taiwan e Japão, não existe uma consciência crítica diante da vigilância digital e do big data. A digitalização embriaga-os directamente. Isso obedece também a um motivo cultural. Na Ásia impera o colectivismo. Não há um individualismo acentuado. O individualismo não é a mesma coisa que o egoísmo, que evidentemente também está muito propagado na Ásia.
Ao que parece o big data é mais eficaz para combater o vírus do que os absurdos fechamentos de fronteiras que hoje estão a ser feitos na Europa. Graças à protecção de dados, entretanto, não é possível na Europa um combate digital do vírus comparável ao asiático. Os fornecedores chineses de telemóveis e de Internet compartilham os dados sensíveis de seus clientes com os serviços de segurança e com os ministérios de saúde. O Estado sabe, portanto, onde estou, com quem me encontro, o que faço, o que procuro, em que penso, o que como, o que compro, aonde me dirijo. É possível que no futuro o Estado controle também a temperatura corporal, o peso, o nível de açúcar no sangue, etc. Uma biopolítica digital que acompanha a psicopolítica digital que controla activamente as pessoas. [...]
Na verdade, vivemos durante muito tempo sem inimigos. A Guerra Fria terminou há muito tempo. Ultimamente até o terrorismo islâmico parecia ter-se deslocado para áreas distantes. Há exactamente dez anos sustentei no meu ensaio "Sociedade do Cansaço" a tese de que vivemos numa época em que o paradigma imunológico perdeu a sua vigência, baseada na negatividade do inimigo. Como nos tempos da Guerra Fria, a sociedade organizada imunologicamente caracteriza-se por viver cercada de fronteiras e de vedações que impedem a circulação acelerada de mercadorias e de capital. A globalização suprime todos esses limites imunitários para dar caminho livre ao capital. Até mesmo a promiscuidade e a permissividade generalizadas, que hoje se propagam por todos os âmbitos vitais, eliminam a negatividade do desconhecido e do inimigo. Os perigos não espreitam hoje da negatividade do inimigo, e sim do excesso de positividade, que se expressa como excesso de rendimento, excesso de produção e excesso de comunicação. A negatividade do inimigo não tem lugar na nossa sociedade ilimitadamente permissiva. A repressão a cargo de outros abre espaço à depressão, a exploração por outros abre espaço à auto-exploração voluntária e à auto-optimização. Na sociedade do rendimento guerreia-se sobretudo contra si mesmo. [...]
O vírus não vencerá o capitalismo. A revolução viral não chegará a ocorrer. Nenhum vírus é capaz de fazer a revolução. O vírus isola-nos e individualiza-nos. Não gera nenhum sentimento colectivo forte. De alguma maneira, cada um preocupa-se somente com a sua própria sobrevivência. A solidariedade que consiste em guardar distâncias mútuas não é uma solidariedade que permita sonhar com uma sociedade diferente, mais pacífica, mais justa. Não podemos deixar a revolução nas mãos do vírus. Precisamos de acreditar que após o vírus virá uma revolução humana. Somos NÓS, PESSOAS dotadas de RAZÃO, que precisamos de repensar e de restringir radicalmente o capitalismo destrutivo, e também a nossa ilimitada e destrutiva mobilidade, para nos salvarmos, para salvar o clima e o nosso belo planeta.»
"A emergência viral e o mundo de amanhã" | El País, 22.Mar.2020

** A propósito e a despropósito, faz hoje dois anos...
Aqui se repristina o memorial.

sábado, 4 de janeiro de 2020

O efeito Bobadela*

Enquanto a Austrália arde, a Indonésia submerge e a guerra não começa, vivo no melhor lugar do mundo.

«Aquilo não é propriamente o bairro da Jamaica, não estamos a falar ali da Bobadela

«Esta classe média que era pobre antes de se tornar média, se mora na Bobadela não quer ir morar para os Olivais. Quer é instalar-se em Nova Iorque.»

«Este John Travolta da Bobadela está a coisa mais linda do mundo!»

«O arraial da Bobadela, do Algueirão e de Caxias. Os santos populares nos subúrbios.»

«Eu já comecei a aceitar a Bobadela na minha vida
//
Moro na Bobadela, concelho de Loures [não confundir com esta Bobadela, esta Bobadela ou esta Bobadela], desde 1981.
Vivem aqui sportinguistas, indianos, brancos, chineses, pretos, testemunhas de Jeová e alentejanos simpáticos, em proporção harmonizada.
A Bobadela é um sítio soalheiro e arranjado. Tem uma pastelaria óptima a que o meu amigo João chama "a Versailles da Bobadela" e dois restaurantes supimpas: este e este onde ainda hoje almocei umas belas lulas grelhadas. E, não menos importante, tem o Elias.

E portanto não tenho a menor dúvida devo dizer à dona Clara Ferreira Alves: «E se falasse ali do Caralho, que fica no enfiamento do Páteo Bagatela** de quem está de costas para a civilização»?
Fodam-se igualmente Ana Marques, Paulo Farinha e Xana Alves que nunca deverão ter posto cá os pés. Paulo Farinha, jornalista que prezo, teria obrigação de averiguar que arraiais de santos populares na Bobadela, azar seu, não são costume.
E não, caro e persistentemente formidável [como ainda ontem - "Às ordens do cliente"] António Guerreiro, confirmo que não me apetece nada «ir morar para os Olivais», mas muito menos para Nova Iorque.
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* Os kikos de Cascais dizem conceito.

** Eis a incomodada senhorita clamando no melhor semanário nacional contra a favela onde reside:
«[...] tudo, rigorosamente tudo, mudou para pior desde que lá comecei a morar. […] Recapitulando, nesta imundície não se consegue respirar. Não se consegue estacionar. Não se pode protestar. Não há um canto que não tenha buracos, pedras da calçada fora do sítio, desnivelamentos e armadilhas para os velhos. As baratas deslizam no Verão.
[...]»
Clara Ferreira Alves, "Tu és a revolução Expresso/E, 29.Set.2017
Ó doutora, saia da merda, a vila de Bobadela acolhê-la-á. Até rima com Bagatela e tudo...
Só para dar um cheirinho, veja-me a pinta desta sala de estar. Que tal? Por que espera? Venha, não se acanhe que eu apresento-a ao condomínio.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Natal seguro*

Diz que Portugal começa a ficar dos países mais seguros do mundo.
Estou em crer que seja verdade. Por exemplo, aqui na Bobadela em que na época natalícia era recorrente a onda de gatunagem por escalada, não é que neste Natal ainda não divisei senão um mísero assaltante? Foi ontem, mais concretamente no n.º 38 da Rua Mártires do Tarrafal. Caça neles!   
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Conforme em tempos notei, morre-se muito na operação. **
Todo o cuidado é pouco.

** Em tempo:
25.Dez.2019: Seis mortos.
30.Dez.2019: Nove mortos.
02.Jan.2020 (operação terminada): Dez mortos.
Eu não digo? Quem pára a GNR? ***

*** Mas não é só a GNR que gosta de operar.