quarta-feira, 26 de maio de 2021

Mexer na tropa

Continuo a achar que a farda militar não é a roupa mais bonita com que o homo sapiens sapiens se pode apresentar; continuo a repudiar exércitos; continuo a encarar a necessidade de tropa entre os factos menos nobilitantes da civilização

Na inviabilidade de, por ora, se extinguirem as Forças Armadas, não tenho nada contra a reforma por que João Gomes Cravinho está a dar a cara. Venho acompanhando a controvérsia.
Não dou para o peditório da canonização de Ramalho Eanes nem de militar nenhum.
Detesto Cavaco Silva.  
Pese os interesses político-partidários que protagoniza e serve há muitos anos, confesso admiração bissexta por Ângelo Correia. Assim é que, salvo na parte em que enaltece o bronco de Boliqueime e sobretudo na parte boçal do onteontem*, aprecio a razoabilidade do que, contra as hostes instaladas castrenses, AC disse a Ana Sofia Cardoso, fez ontem uma semana, a respeito da reforma em causa.  
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* «[...]
Eu tenho muito respeito por Cavaco Silva. Grande primeiro-ministro, presidente da República. Nós todos temos o dever** de lhe dar respeito e prestar respeito. Olhe, numa entrevista que dei ao Público, onteontem, disse o melhor possível dele. Mas assim como nós temos a obrigação de respeitar o professor Cavaco e de o estimar, ele também tem de fazer um pequeno esforço para se ajudar a ele próprio, que é estar calado quando não sabe do que está a falar. E portanto, neste caso, não tem qualquer sentido táctico, nem técnico, nem político; palavras de uma pessoa que nesta área não sabe nada.
[...]»

** A propósito, ó Amílcar, já cumpriste ...?

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Mistérios do organismo?

Aurélio Gomes- «Pedro Marques Lopes*, voltamos a  Rui Moreira*...»
PML- «[...] O caso parece-me absurdo, sempre me pareceu. Estou perfeitamente convicto de que isto — pronunciamento, há três dias, de RM pelo Tribunal de Instrução Criminal do Porto — não tem ponta por onde se pegue [...] Eu gostaria de saber se estas pessoas querem que o Ministério Público, o Ministério Público seja quem define quem deve concorrer a eleições ou não concorrer a eleições. [...]»

Subsistem para mim dois mistérios densos.
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* Amigos dilectos, parceiros no Conselho Superior do Futebol Clube do Porto.

Foi em tal entendimento que fiquei na expectativa de ouvir no Eixo do Mal de quinta-feira, 29.Abr.2021, uma qualquer observação, nota simples que fosse, alusiva à agressão em Moreira de Cónegos — nos quatro dias anteriores não se falava de outra coisa —, tanto mais que PML estivera no cenário e, pelo menos ele, alguma explicação teria para dar.
O silêncio estrondoso com que ignoraram o assunto doía nos tímpanos; o serão abeirava-se do fim e já me era impossível evitar a metáfora napolitana em torno do sujeito que na segunda-feira do jogo, 26.Abr.2021, dera boleia a Pedro Pinho:  omertà.
A solidariedade entre cinco membros dum painel televisivo pode ser isso. A humanidade é assim. Mas... «venha quem vier»?, «doa a quem doer»? Por favor, não nos insultem.
   
*** De resto, nos últimos tempos parece ter-se tornado entretenimento do Eixo do Mal vituperar, semana sim, semana sim, o maquiavélico Ministério Público. Lá terão suas razões.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Bem-vindos ao país cristino [9]

Quando a protagonista é a morte, acho a pornografia uma coisa especialmente indecorosa, repugnante.
Estes 45 minutos de ontem, em Portugal, souberam-me a pornografia da pior.
Que leva um pai enlutado a tal exibição?
Bem sei, ou julgo saber: share, um milhão e setecentos mil espectadores. Incluo-me; ainda tenho bom estômago.

Mas nada como socorrer-me de quem sabe mesmo disto:
«Eu conheço o jogo ... sei o que é preciso fazer, isto é um negócio.»

E não, aquele não foi o momento mais decente na carreira do oficiante comovido, de resto um dos melhores profissionais na indústria televisiva do entretenimento.
Quanto ao Carreira-artista nacional propriamente dito — não, como é evidente, o pai Carreira —, a minha admiração é nenhuma. Ratoneiro de cantigas.

Chamem-me insensível.

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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Es bloquistes são muito engraçades

«17- Segunda-feira  S. Pascoal Bailão, Religioso    Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação  Dia Mundial  da Hipertensão Dia do Iogurte.»

«Dia 17 de Maio é o dia nacional e internacional de luta contra a homofobia, a bi, a trans, a inter (espaço) fobia. [...] Continuamos juntes, visíveis e em luta. Temos de resistir, apoiar e superar!»

Ante tão escandalosa omissão do Borda d' Água, não sei se exija de volta os 2,30 €.
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Juntos somos fracos, juntes seremos mais fortes..., porque eu sou fufa e o mundo eu vou mudar! 

PS
Vieram perguntar se o propósito deste verbete era zurzir algum defeito de pronúncia da senhora BEputada.
Não, não era esse o propósito; a ortoépia da doutora Fabíola não suscita qualquer reparo.
Pedindo desculpa por não me ter feito entender, conto que as seguintes ajudas remedeiem a confusão: 

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Maravilhoso glossário da toponímia

«Os dados epidemiológicos fazem com que o conceito de Arganil e o conceito de Lamego, por terem níveis de incidência elevados, regridam para as regras definidas a 19 de Abril.»

Pesco pouco, para ser pretensioso, de língua gestual, mas pareceu-me que o indestronável Luís Oriola vi que no momento levou a mão direita ao bestunto — se desenrascou bem perante inovações conceptuais tão abracadAbrantes*

A doutora Mariana não explicou, explico eu:

Fiquei a saber que o ordenamento administrativo português é, afinal, constituído por 306 concelhos e 2 conceitos, um no distrito de Coimbra, o outro no de Viseu. Deverá ter sido da regressão a 19 de Abril...
Nunca é tarde para aprender.
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* abracadArronches fica cerca de 115 Km a sudeste.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Só para dizer à senhora deputada Catarina Martins,

licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, que chicos é disparate. 

«dizem respeito às carteiras de activos 'tóchicos' [...] e não apenas os activos 'tóchicos'

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Elogio

«Eu devia trocar de roupa cada vez que te dirijo uma frase, lavar as mãos e lavar tudo por dentro.»
Conheço poucos elogios tão bonitos e merecidos como o de Samuel Úria a Daniel Jonas, a que assisti ontem.
Afinal, duas das mais admiráveis personalidades da cultura portuguesa hodierna.
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domingo, 9 de maio de 2021

Cínico? Nanja eu.


Sérgio Sousa Pinto, TVI, 24.Abr.2021
Nuno Rogeiro, SIC, 02.Mai.2021
Pedro Mexia, SIC, 08.Mai.2021
LER, Primavera/2021, 08.Mai.2021

sábado, 8 de maio de 2021

Como diz que disse?

«O trabalho digno e com direitos não tem APENAS a ver com a dignidade da pessoa humana, como repetidas vezes tem sublinhado o Papa Francisco. O trabalho digno e com direitos é TAMBÉM uma questão de resiliência e de sustentabilidade das nossas sociedades. Uma sociedade precária não é uma sociedade resiliente.»
Vam-lá-ver: onde, quando, disse o Papa Francisco, repetidas vezes, que o trabalho digno e com direitos não tem apenas a ver com a dignidade da pessoa humana? Como pode o representante de Cristo na Terra ter proferido semelhante republicanice?
Será António Costa a complementar o Papa, acrescentando ao discurso pontifício o mantra da resiliência e a praga da sustentabilidade?
Mas se calhar o que António Costa quis mesmo dizer foi que o Papa Francisco tem dito repetidas vezes que o trabalho digno e com direitos não tem apenas a ver com a dignidade da pessoa humana — como se não bastasse — mas também com a resiliência e a sustentabilidade das nossas sociedades.
Gastei um tempão a mondar proclamações do Papa Francisco em italiano, em espanhol, em inglês, em francês e em português e não achei, nem esperava achar, nada a jusante da dignidade da pessoa humana.
A menos que o Papa tenha falado da resiliência e da sustentabilidade em sânscrito ou em volapük. Nunca se sabe.
O que sei é que a invocação de qualquer dito ou de qualquer bufa do Papa argentino é uma espécie de canivete-suíço para uso ornamental dos jacobinos deste tempo. Lembremo-nos de Mário Soares.*
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* A propósito, confesso envergonhado que, quase meia-noite, ainda não cumpri o meu dever diário de hoje.
Deus me perdoe.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Choque, nojo, repulsa

Às 16h19 de sexta-feira, 30.Abr.2021, a jornalista, crítica literária e escritora Joana Emídio Marques [1974] narrou no seu Facebook — em texto aberto — as circunstâncias, para mim totalmente credíveis, de um jantar com o na altura poderoso editor da Porto Editora, tradutor e poeta Manuel Alberto Valente [1945], num restaurante finório de sushi, em Lisboa [apetece adivinhar que foi aqui], marcado por MAV para o fim-de-semana, finais de Novembro de 2012, em que a sua mulher, a editora, escriba e poetisa Maria do Rosário Pedreira [1959] se achava em serviço na Feira Internacional do Livro de Guadalajara, México. O encontro interessava a JEM por causa da "cacha" que se propunha publicar no Diário de Notícias acerca da aflição económica por que passava a Assírio & Alvim. Até aqui, nada de especial.
Sucede que, segundo JEM, Manuel Alberto Valente desatou a investir contra a jornalista com inesperados e importunantes propósitos sexuais, culminando o encontro entre ambos com uma tentativa forçada de MAV de beijar na boca JEM no momento em que esta se despedia de MAV, que lhe dera boleia da Rua do Alecrim até à Rua Rodrigues Sampaio, a 3 km dali, onde a jornalista deixara o carro.
[...] Em silêncio chamei-o de velho porco, em silêncio humilhado chorei até Setúbal. [...] 

Na manhã de domingo, 02.Mai.2021, Joana Emídio Marques publicou na revista Sábado online um texto em que consolida o episódio daquela noite e acentua, com outras idiossincrasias de Manuel Alberto Valente, o retrato de um javardo, para dizer o mínimo:
«[...]
festival literário da Póvoa de Varzim, onde MAV é conhecido pela sua encenação de macho alfa, circulando entre jornalistas e escritoras oferecendo-se para lhes fazer companhia nessa noite, propondo encontros sexuais ou, simplesmente, contando como conquistou a sua mulher, ali mesmo naquele festival; "telefonando-lhe várias vezes para o quarto perguntando se podia subir, até ao dia em que ela disse que sim".
Na época comentei este caso com outras jornalistas e todas já tinham passado pelo assédio supostamente "engraçado" da mesma pessoa. Também me queixei a Rui Couceiro, na altura assessor de imprensa da Porto Editora. Este reconheceu que "havia esse problema", como quem reconhece que o sol nasce todos os dias.
[...]»

Às 17h32 de domingo, 02.Mai.2021, Manuel Alberto Valente reagiu no seu Facebook a Joana Emídio Marques, sem a nomear: 
«Na passada sexta-feira, uma determinada Senhora fez-me acusações extremamente graves e, acima de tudo, FALSAS.
Comentá-las, em concreto, nas redes sociais, ou mesmo perante os OCS que reproduziram tal publicação, seria incendiar ainda mais um justicialismo de praça pública.
Neste sentido, informo que já contactei os meus advogados e lhes dei indicações expressas para agir judicialmente contra a autora da publicação, por ser a mesma atentatória da minha honra e consideração.»

Mesmo admitindo que Manuel Alberto Valente obtenha ganho de causa nos tribunais, não consegui deixar de assistir na caixa de comentários ao desmentido do honrado e considerado antigo editor [entrevista de vida — «até hoje tenho votado sempre no Partido Socialista» —, Observador, 18.Out.2020] à consumação de um dos espectáculos sociais mais grotescos de que me lembro nos últimos anos em Portugal: o fervor e o à-vontade com que uma matilha de, no momento em que escrevo, 135 amigos ou devedores de MAV, instalados ou consagrados no meio literário, cultural e político [tudo à esquerda, como três dias atrás deixei induzido] deste país, tomou partido e veio em lesta procissão/profissão de fé lamber os colhões de MAV oferecendo-lhe solidariedade que aqui e ali raia o ridículo, quando não o patético — vários confessam mesmo não saber do que se trata, não conhecer a denunciante ou nem sequer tê-la lido, veja-se o topete! —, sem a menor dúvida, sombra de dúvida que seja, de que Joana Emídio Marques mente e calunia.
Anoto, estupefacto, que cerca de metade dos 135 comentários vem de mulheres, incluindo uma auto-proclamada feminista.

Aprecie-se, para ilustração e para que mais visivelmente conste, uma amostra de comoventes e, como se torna fácil intuir, bem argumentados* pronunciamentos  de desagravo cúmplice por parte de mui indignada, virtuosa e justíssima gente sem vergonha nem prudência.**

Grande abraço, Manuel.
Manel, li e não acreditei.
A estima que tenho por ti decorre do conhecimento e amizade de décadas.
Forte abraço solidário.
Caro Manuel, não sei de que se trata, já te conheço há muitos anos. Um forte abraço.
MAV querido, um beijinho, é inacreditável!
mostraram-me hoje num telemóvel, ri-me, nem perdi tempo a ler. um abraço
Um abraço.
Não sei do que se trata, mas aqui deixo o meu abraço solidário.
Um grande abraço solidário, caro Manuel Valente!
Ele há gente mesmo tortinha, Manel... Um forte abraço!
Um abraço.
Nem posso dizer "não ligues", pois não se consegue ignorar um ataque difamatório como o que te atingiu (ainda bem que não conheço a autora) na praça pública que, para o pior ou para o melhor, é esta rede. A senhora (digamos assim, como o fazes) alude a um encontro profissional de maneira tão desastrada que torna o relato inverosímil mesmo para quem não te conheça. Infelizmente há logo, como se viu, o falatório dos que acreditam sempre na má língua. Que "vítima" aceitaria boleia depois de um comportamento tão inaceitável? Um abraço de velha estima e camaradagem.
Abraço amigo e solidário.
Um abraço,
 Manel. 
Um abraço. O ar está irrespirável, ainda bem que estou uns dias na Suíça com o fresco das montanhas.
abraço solidário e fraterno.
Caro Manuel Alberto, numa situação destas os teus amigos (muitos dos quais são meus amigos também) terão de escolher o lado da barricada em que se situam.
Não poderão ficar empoleirados, em equilíbrio instável, nas estacas.
Quem poderia fazer tal coisa, meu querido Manuel? Não sei do que se trata, mas o que quer que seja é inconcebível. Como sempre, estarei do teu lado. Sabes isso, não sabes? Beijos.
Forte abraço, Manuel!
Um abraço solidário, caro Manel.
Francisco Seixas da Costa
Manel. Recebe um forte Abraço
Mais um forte abraço
João Soares
Abraço solidário e fraterno.
Abraços Manel.
Um abraço muito grande e amigo.
Abraço forte, Manel. Tristes e perigosos tempos estes que vivemos.
Um abraço, Manuel. Força.
Irra! Um abraço forte, Manuel.
Caro Manuel, um abraço solidário.
Manuel, como muitos antes de mim, não sei de que se trata, mas conhecendo-te, sei que fosse o que fosse que a "senhora" disse, é pura invenção! Aqui fica o meu abraço fraterno!
Helena Sacadura Cabral
Manuel quem o conhece sabe muito bem a rectidão com que sempre se comportou. Um abraço da helena
Presente, Manel. Um forte abraço!
Um abraço, querido Manuel.
Não sei do que se trata (nem tenho que saber) mas tens o meu apoio, Manuel. Bj
Beijo, Manel.
Feminista sou, e estou revoltada. Acho que faz muito bem em agir. Abraço, Manuel.
A minha mãe pediu para te mandar outro abraço, este da parte dela.
Gostei da tua reacção! É assim mesmo!
Um grande abraço para ti e outro para a Rosário.
Um abraço, Manel.
***
A maioria dos comentários  ao post de JEM, "Mais um dia normal", que, no momento em que escrevo, montam a 588, é naturalmente de estímulo e solidariedade com a autora. Mas também há manifestos de reserva, dúvida ou objurgatória severa, uma vez que a trapaceira Joananão escolhe quem a comenta.
Já o imaculado Manuel, que exibe apenas comentários favoráveis e de unção ao autor, honra os critérios mais exigentes de asseio e verticalidade democrática*: «Manuel Alberto Valente limitou quem pode comentar nesta publicação», facto que, apesar de prerrogativa inquestionável sua, talvez diga bastante, ao povo, da criatura que é.    

Isso mesmo: choque, nojo, repulsa, é o que me causou a avalanche expedita de abracinhos solidários ao Manel contra uma mulher prévia e sumariamente desacreditada e banida pelos Joões Soares e Joões Gobernes, Edites Estrelas, Raquéis Varelas e Irenes Pimentéis deste mundo.

Em tempo [08.Mai.2021]
Ontem, na RTP, Inês Pedrosa e Raquel Varela defenderam MAV acaloradamente e atacaram desenfreadamente JEM. Inês Pedrosa foi assim, raivosa. Não levei muito tempo a começar a perceber... 
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* Ai de mim se não confiasse em que os fregueses do Chove sintonizam e entendem bem a ironia do senhor Plúvio...

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«há coisas em relação às quais não devemos ter opinião. porq simplesmente ñ sabemos. é isso o mais terrível: nunca conhecemos alguém assim tão bem, e mesmo nós podemos surpreender-nos (ou não) a fazer coisas terríveis.»
Aprendam, uma vez sem exemplo, com Fernanda Câncio, 06.Mai.2021, porra! Quero ter a certeza de que esta vossa companheira de ideais, pelo menos ela, sabe do que fala.

*** Conheço e acompanho, com grau de profundidade diferenciado, o trabalho e a intervenção pública destes 39 indivíduos. O apreço, nalguns casos robusto e antigo, que nutria por meia dúzia deles caiu a pique. Afinal e para minha decepção, são gente de escrúpulo duvidoso.