sábado, 14 de dezembro de 2019

4 x

ora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última h

A doutora Raquel Varela também quadriplica.
«Por exemplo, eu tive a ver o número de artigos do "Figaro" sobre corrupção, acho que quadriplicou nos últimos vinte anos, não é exclusivamente em Portugal. Esta ideia..., há aqui até um autor francês que eu tive a ler..

Bem-vinda à tabuada do 4.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O doutor Eduardo Ferro Rodrigues não tem categoria

Cinco anos volvidos, insisto, Eduardo Ferro Rodrigues não presta.
Veja-se a cara de desdém nauseado e prepotente do presidente da Assembleia da República, dirigindo-se a um deputado, quando diz
«Defesa da honra?! Tão fachvor, diga lá o que tem a dizer.»
[...]
Tem a palavra a senhora deputada Joceline, Joceline Katar Moreira ... E vamos continuar o debate, tem a palavra a senhora deputada Joacir Katar Moreira.»*
O aplauso longo e vibrante da bancada do PS diz muito da miséria moral daquela gente.** 
A propósito desta bravata, concordo com José Pacheco Pereira. Como, aliás, já com ele concordara em assunto semelhante

Falta ao insolente Eduardo Ferro Rodrigues, além de cultura democrática e educação cívica, aquilo que os portugueses designam por 'categoria'. [Tou-me cagando para o segredo de justiça  ...  Há que salientar uma pessoa, um nome: José Sócrates!]
Aproveito para reconhecer que em Junho de 2015 me enganei nas contas. A repulsa mantém-se. Aumentada.

Ainda na sessão de ontem, deu-se o incidente entre Telmo Correia e Joacine Katar Moreira, por causa dos tratos de polé infligidos, com a bandeira do arco-íris em fundo, à bandeira portuguesa — pela qual, confessei-o aqui, não morro de amores —, na manifestação de solidariedade para com a deputada do Livre, em 21.Out.2019 junto ao Palácio de S. Bento.
Fui espreitar. Teve um orador que em 15 minutos de microfone em punho vociferou «na verdade» por 255 vezes, ou perto disso.
A coisa ia ponderada e serena — na parte da bandeira consegui perceber: linda, linda, linda de morrer, e internacionalista, é esta — até que pelo 13.º minuto o meu entendimento analítico dos sortilégios do destino aleatório da problemática claudicou: «Na verdade, o Código do Trabalho tem que ser mudado ... porque tem consequências ainda mais nefastas para nós!»
Desculpem-me, mas o que é que este alucinado quer mesmo mudar na lei laboral?
Na verdade, a jornalista Fernanda Câncio denota adorar esta malta.
___________________________________________
* Ó doutor Ferro Rodrigues, aprenda o hino, porra!

** A miséria moral desce-se a galope.
João Bénard da Costa, "Fechar a casa", última das crónicas publicadas em 1989-1990 no semanário O Independente, reunidas em "Muito lá de casa" | Assírio & Alvim, 1993.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Sopa de heras*

«Através da trajectória de alguns indivíduos, como António Mega Ferreira, João Barroso Soares ou João Paulo Cotrim, entre outros, os leitores encontrarão aqui muito com que se entreterem e esclarecerem, nomeadamente sobre o clima e os constrangimentos em que se desenrola a vida cultural portuguesa.»
12.Dez.2019

O que por aí vai, senhoras e senhores!
Força nisso, João Pedro, que a pena lhe não faleça.
________________________________
* Plantas trepadeiras araliáceas

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Morte tira-nódoas?

Sou dos que, nos decénios de 70, 80 e 90 do século passado seguíamos com emoção as transmissões dominicais na RTP das corridas de automóveis de Fórmula 1. Pelo que eu mais aguava, como qualquer espírito bondoso que se preze, eram as ultrapassagens, os encostos, os despistes e as broncas. E, claro, também tinha os meus preferidos: Carlos Reutman, Emerson Fittipaldi, Ronnie Peterson, Jochen Rindt, Niki Lauda, Jody Schekter, Gilles Villeneuve, Keke Rosberg, Alain Prost [quase toda a gente dizia Álan Prost com Álan paroxítono em vez de Alã agudo, coisa que me encanitava substancialmente], Michael Schumacher... E não, nunca gostei de Ayrton Senna e simpatizava menos ainda com Nelson Piquet; que se há-de fazer?, é das hormonas.
Os comentadores titulares eram Adriano Cerqueira [1938-2005], que sabia pouco e José Pinto [1947-2018], que sabia mais, mas quem sabia tudo, tratava os pilotos e os carros por tu, morava no mundo e falava alemão era Domingos Piedade que nasceu em 1944 e morreu, faz uma semana e meia, em 30 de Novembro de 2019, pessoa que muito admirava e fui admirando até admirar menos ao saber disto e ao saber disto.
Li o que disse a imprensa na morte de Domingos Piedade. Afigurando-se pacífico que ninguém esperaria, nem se justificariam, títulos como, sei lá, "Morreu um benfiquista vígaro", de resto soez, certo é que quem não saiba do falecido senão o que Diário de Notícias, Jornal de Notícias, i, Correio da Manhã, Jornal de Negócios, A Bola, Sol, Observador, Sábado e Visão [no caso desta, pela mão do editor Manuel Barros Moura, com uma ligeira e quase envergonhada nota menos radiosa: «... acabando por se ver envolvido em vários processos judiciais.»] escreveram agora sobre ele, há-de ter pensado que Portugal perdeu um santo. Mas quem deveras se alambazou na unção de DP foi a jornalista Rita Bertrand que assinou na Sábado de 05.Dez.2019 um obituário que mais parece memorando de beatificação. Desta vez os deuses deverão ter enlouquecido já que até o Correio da Manhã, que viceja no escândalo, deixou imaculada a biografia do morto.
É em tal contexto de consenso jornalístico acocorado que não posso deixar de aplaudir a jornalista Filipa Almeida Mendes que no Público de 01.Dez.2019 "Morreu um dos rostos da F1 em Portugal" — contou o que tinha de ser contado. Ninguém mais o fez.
Muito estranhamente, ou talvez não, o Expresso ignorou a morte de Domingos Piedade

Quem, como sempre, não ficou mudo foi o frenético professor Marcelo, ainda o cadáver estava morno. 
Surpreendente seria se não tivesse exarado qualquer coisa. Por isso é que me espanta muito, e mal compreendo, que nem um pio do presidente-arlequim tenha soado pela morte de figura tão unânime e universalmente apreciada como a de Mahfuzur Rahman Khan [19.Mai.1949-06.Dez.2019]. Incompreensível e inaceitável silêncio!
Pois bem, para vexame do inquilino de Belém, até o Correio da Manhã, tablóide proscrito pelas mentes asseadas [é por isso que também o assino], não deixou de dar, não obstante o erro duplicado na data de nascimento, devido e tempestivo destaque à morte do senhor Mahfuzur, perda irreparável para a humanidade.
Ora, como sabemos e convém não esquecer, o Bangladesh sempre que o dólar sobe.
_______________________________________
Já que estou com a mão na massa, pergunto se conhecem na língua portuguesa melhores obituários do que os urdidos pelo magnífico José Cutileiro. Eu não conheço.
Assim, por que esperam os prelos para parir ppppp uma colectânea das fantásticas peças literárias que JC vem publicando, "In Memoriam", no Expresso desde 2004?
Se temos crónicas em livro de José Tolentino Mendonça, se as temos de Pedro Mexia, de Clara Ferreira Alves, de José Gameiro, de Luís Pedro Nunes [com um dos títulos mais pretensiosos, pífios e desconchavados algum dia vistos, que apetece equiparar ao pernóstico "Joan Miró: Materialidade e Metamorfose" com que crismaram pomposamente por cá uma exposição de 80 e tal obras, que visitei, de qualidade e coerência muito discutíveis, do catalão de que só em Barcelona há 14 mil para ver..., e os pategos tugas vaidosíssimos de também termos mirós], todos colunistas do Expresso, por que quebranto, com tanta merda à venda nos escaparates deste país [12 mil títulos por ano], ainda não houve lugar para um livro de obituários — como este, por exemplo, sobre o mirabolante Scotty Bowers [1923-2019], no Expresso de 09.Nov.2019 — escolhidos entre os cerca de 800 que José Cutileiro redigiu até hoje? Escrita magistral, informação copiosa, ironia jorrante.
Que objecto mais guloso tal livro seria... 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Clima - oportunismo, gritaria e hipocrisia

«[...]
Há uma dissonância entre a retórica política e os factos. As cimeiras sucedem-se, os gritos são muitos, mas na prática faz-se pouco. E quando se faz algo que pode ser decisivo ninguém liga porque toda a gente está mais preocupada em gritar.
[...]
as cimeiras e declarações políticas mostram hipocrisia. É fácil gritar. Mais difícil é pensar, trabalhar as soluções, sentar os decisores à mesa e urdir compromissos sérios e consistentes.
[...]
Finalmente, a geologia pode salvar o planeta. Há dois locais no mundo, os Montes Apalaches nos EUA e Omã, onde as rochas do manto afloram à superfície da terra. O manto está por baixo da litosfera, a camada superficial da Terra. Quando as rochas do manto, como os peridotitos, afloram à superfície, elas mineralizam o carbono a uma escala e ritmo sem paralelo. É o processo mais barato de todos porque utiliza a energia química das rochas. O futuro não será a repetição do passado mas nesse futuro o papel da geologia pode, como sempre, surpreender.»

Consola escutar quem fala com conhecimento e serenidade.

Leák e os órfãos e veterodevotos de Francisco Sá Carneiro

Já que me pedem, informo que ninguém em Portugal escreve com tanta graça e tanto talento engrenados como Rogério Casanova. Deixa a anos-luz a prosa piadética de Ricardo Araújo Pereira que, por sua vez e no que à escrita com graça concerne respeita*, fica notoriamente aquém de José Diogo Quintela, seu amigo de banzé.
Em quarto lugar, talvez Joana Marques.
- Sou da patafísica, Eremita, lamento decepcionar.

«Já que perguntam: vários folclores locais do Sudeste Asiático incluem uma figura mitológica que é uma espécie de mistura entre bruxa, vampira e monstro, associada à magia negra e ao canibalismo. 
[...]
Por outras palavras, as eleições directas para escolher o próximo líder do PSD vão realizar-se daqui a um mês e a RTP1 transmitiu nesta semana um debate entre os três candidatos: o doutor Rui Rio, o doutor Luís Montenegro e o Miguel (por mim, podem tratar-me por Miguel).
[...]
preocupado com o facto de a sua namorada ocidental ser agora uma cabeça canibal, Lionel Richie consulta um tio perito em magia branca. "É possível resolver isto?", pergunta, no mesmo tom de voz com que perguntaria a um colega de trabalho se o pode ajudar a fazer uma macro no Excel. O tio acede e reúne um grupo de trabalho. A feiticeira, já que perguntam, é derrotada, num duelo de bolas de fogo, a cabeça da antropóloga regressa ao seu lugar devido e toda a gente aprende uma lição valiosa: nem sempre é boa ideia aprender aquilo que os mortos têm para ensinar.»

Genial, desconcertante. Muito obrigado, Rogério Casanova.
______________________________________
* Hoje, 11.Dez.2019, concerne lido em voz alta também me causou desagrado: não tanto o argg do risco na ardósia mas mais, no céu da boca, a sensação de uma mistura de açúcar com água que se deixa cozer lentamente até formar uma calda espessa e dourada.
Já agora, amigo caramelo, por favor!, não amalgame [e esta que efeito lhe provoca?] a maestria do Quintela na escrita, que é bastante, com a do «Outro Gato» do Observador que, está na cara, não nasceu para a prosa; uma dor de alma.

José Sócrates

«[...] Quem vive à custa de outras pessoas é suposto fazer uma vida modesta, sem luxos, para não sobrecarregar quem o ajuda — não vive à grande e à francesa, não vai várias vezes de férias durante o ano, não viaja em executiva, não frequenta restaurantes caros.
Repito: moralmente, a sua conduta era menos condenável se o dinheiro fosse mesmo dele, ainda que vindo da corrupção.»

Pobre e tonto de mim, ingénuo e crédulo quando, entretido a exorcizar o pesadelo cavaquista e a piniculagem, me deixava ir no engodo do lausperene a José Sócrates nos pagodes do Miguel Abrantes e do do Valupi  — e noutras capelas —, e nas prosas encomiásticas de Ferreira Fernandes e de Fernanda Câncio [DN e jugular] da governação do namorado desta, sem me sobrar discernimento para vislumbrar o ogre.

A propósito, mantém-se para mim mistério dos maiores, a par da partenogénese da Virgem e da genialidade de Pedro Cabrita Reis, a dedicação persistente e fervorosa de Valupi a José Sócrates, ano após ano, diariamente, sem a mínima quebra, contra a infestação, generalizada em toda a comunicação social menos no condomínio honrado de Daniel Proença de Carvalho, Afonso Camões, ... Ferreira Fernandes, Fernanda Câncio e Pedro Marques Lopes, dos pulhas e dos canalhas, da indústria da calúnia, do esgoto a céu aberto, da desonestidade intelectual, do assassinato de carácter — sim, Valupi diz assassinato mas ninguém é perfeito.
Não é de crime que falo mas de asseio puro e simples, de carácter.* Como consegue Valupi, um dos blogadores que melhor gramática praticam no burgo, estrénuo defensor da virtude e da nobreza da cidade, espadeirar com tais energia, perseverança e sanha em prol de um profuso trafulha como José Sócrates?

Por falar em crime, lidas as 3908 páginas do despacho de acusação no processo da "Operação Marquês", em que José Sócrates é o primeiro arguido, estranhei e decepcionou-me a omissão do, a meu ver, mais grave de quantos delitos ele possa ter cometido: o crime contra a Língua Portuguesa consumado na Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, em co-autoria com a trupe de delinquentes que o assistiam e convalidando a delinquência impune dos estarolas que o precederam, e esse, sim — não é difamação de pulhas avençados na indústria da calúnia —, cabal e publicamente admitido por extenso, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, aos 9 de Dezembro de 2010. Crime de lesa-pátria.
_________________________________________
* No Aspirina B sabe-se pouco e não se aprende nada sobre lei penal. Já do Porta da Loja, um dos blogues de melhor serviço público em Portugal [arquivo, recortes de imprensa, audiofilia, música, justiça...] não digo o mesmo. Por exemplo, "A prova indirecta no processo Marquês". 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Fina flor - pressão, interferência

Ontem, 03.Dez.2019, acompanhei com atenção miudinha as audições de gente da RTP, na Comissão Parlamentar de Cultura e Comunicação, acerca do adiamento forçado, de antes para depois das eleições legislativas de 06.Out.2019, do programa "Sexta às 9", transmitido em 18.Out.2019, em que se apuravam umas merdas com governantes e compinchas de governantes em torno do negócio do lítio transmontano.

As explicações desassombradas de Sandra Felgueiras, autora do programa, cimentaram a minha convicção de que
- quem ditou o adiamento sem razão expressa plausível foi a direcção de Maria Flor Pedroso, de resto no uso inquestionável do seu poder;
- o que ditou o adiamento foi a inconveniência política, com adivinháveis estragos nas ambições eleitorais do PS se o programa fosse transmitido em altura pré-eleitoral.

Depois de Sandra Felgueiras foi a vez de Maria Flor Pedroso:
«[...] Eu trabalho no jornalismo político há 26 anos. [...] O jornalismo político é um jornalismo em que nós somos pressionados constantemente por fontes várias. Interferência?! Seria coisa que eu jamais toleraria. [...] Interferência? acho que é quase insultuoso para mim ouvir essa pergunta.* [...]»

Nos últimos 25 anos, em que venho seguindo na rádio e na televisão o trabalho jornalístico de Maria Flor Pedroso, mantive apreço por ela. Até ontem, em que insultou a inteligência de quem a escutava. Vá ver se chove. Aqui é sempre.

Maria Antónia Palla, mãe de António Costa, nascido em 1961, casou em 1974, em terceiras núpcias, com o coronel do Exército Manuel Pedroso Marques, irmão do tenente da Marinha Victor Marques Pedroso — temos os nomes trocados —, falecido em 1969, pai de Maria Flor Pedroso. Não faltam motivos para que a sobrinha do padrasto de António Costa, nascida em 1964, directora de Informação da RTP desde Outubro de 2018, se dê afectuosamente com o primeiro-ministro; e não é pecado.
Já São José Almeida, redactora principal no Público, contara em 24.Nov.2014, na ramalhuda "Árvore de António Costa", que foi Maria Flor Pedroso quem chamou a atenção de António Costa para o repelente Pedro Silva Pereira que haveria de ser apresentado por AC ao grão-trafulha José Sócrates.
Nada de mal, tudo natural, o mundo é uma ervilha. Todavia, confesso que quando as audições de ontem terminaram tive de pôr as janelas em corrente de ar tais eram os eflúvios do «caldeirão de incestuosa imundície» de que aqui falei.  **

Entretanto, o Eremita lança-me repto jocoso: "Deus, Ventura e a gramática".
Caro Eremita, eu é mais gamártica. De qualquer modo, a prosa soa indigesta, com maiúsculas a mais e uma exclamação estapafúrdia. Quanto à concordância nas enumerações de géneros diferenciados — acho piada e cabimento aos 201 gatos incluindo o cão, de Edite Prada —, pedisse o doutor Ventura ajuda à doutora Joacine e ela, mulher de amor, decerto o livraria do embaraço: «o discernimento, a lucidez e a força necessári@s» e não se falava mais nisso. No mais, quero que o Chega se foda.
Abraço retribuído.
___________________________________________
* Afinal, até no papel de singelo e eterno aprendiz que o acaso me atribuiu também eu vivo sujeito a pressão permanente, desde logo a arterial, e, sendo certo que não tomo nenhuma decisão sem que o meu pensamento e o meu sangue interfiram, jamais toleraria que, por exemplo, o querido primo Franquelim interferisse de fora no presente que lhe vou dar no Natal. Nem ele precisa de interferir nem eu preciso de que ele interfira: sei do que ele gosta, sei o que o pode desgostar, o coração não se engana e o pensamento ... concorda.

**
Amigo Plúvio, como é que sabe tantas coisas da vida das pessoas?
Passo o tempo a revolver ecopontos e homo sum, humani nihil a me alienum puto. Mas não fui eu, não pense, que encontrei o filho da Sara. Não quero complicações com o Marcelo e até se me arrepiava o timo se me pusessem um microfone da CMTV à frente...
Cuscar sobre a vida das pessoas tem algum interesse?
Depende. Por exemplo, estive para contar que Maria Flor Pedroso é casada com o grandíssimo artista Henrique Cayatte — tenho falado dele —, mas isso não interessava nada.
Concordo.
Concorda com quê?
Com Henrique Cayatte ser um dos melhores designers portugueses e com pouco interessar que viva com Maria Flor Pedroso. Mas já agora, amigo Plúvio, porque se esconde tanto, porque conta tão pouco de si?
Começo a ficar careca de me contar.
Fogo, amigo Plúvio, também não era preciso tanto.
Falta o telemóvel. Para isso vá ao 1820.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

117 meses depois, António Guerreiro volta a Veneza

«[...]
1. Tratava-se então de arranjar uma solução para a fragilidade desta construção humana plantada sobre as águas e sobre pântanos, onde cada obra de arquitectura foi sempre, ao mesmo tempo, obra de conquista de território, de superfície. Aqui, nunca houve terra firme: nenhum edifício pôde ser construído sem se construir também o solo.
[...]
2. Em oposição a este vazio cultural (apesar do presidente da Câmara ser um eminente filósofo: Massimo Cacciari), Mastinu lembra que nos anos 80 o arquitecto Vittorio Gregotti lançou a ideia de Veneza como a cidade da "nova modernidade". Pouco mais de uma década depois, em 1993, já outro nome importante da Escola de Arquitectura de Veneza, Manfredo Tafuri, substituía a visão utópica por um diagnóstico cruel: Veneza apresentava-se-lhe como um "cadáver em liquefacção diante dos nossos olhos". Citando esse texto, um dos mais ilustres habitantes actuais da cidade, o filósofo Giorgio Agamben, escreveu há dois anos que Veneza tinha passado à fase seguinte: já não a do cadáver, mas a do espectro, isto é, "a de um morto que surge inesperadamente, de preferência a horas nocturnas".
[...]
3. Caminha-se assim para uma cidade em que tudo é falso. Nem sequer já os gondolieri são de Veneza. O que não deixa de ser uma situação cómica, se pensarmos que há uns anos Cacciari queria exigir direitos, em nome da 'marca Veneza', pelas réplicas venezianas construídas em Las Vegas. Eis a ironia máxima da reversibilidade: Las Vegas que imita Veneza que imita Las Vegas.
[...]
4. Em meados de Janeiro, Veneza tinha vivido quase um mês seguido de acqua alta, situação inédita que pôs à prova a proverbial camona dos venezianos, isto é, aquela calma e lentidão que exaspera os que vêm de fora.
[...]» 

//
«[...]
1. esta cidade é uma prodigiosa construção humana plantada sobre as águas e sobre pântanos, onde cada obra de arquitectura foi sempre, ao mesmo tempo, obra de conquista de território, de superfície. Aqui, nunca houve terra firme: nenhum edifício pôde ser construído sem se construir também o solo.
[...]
4. Quando a cidade não ficava inundada com tanta frequência, por tanto tempo e a água não chegava a níveis tão elevados, o fenómeno da acqua alta não conseguia perturbar a proverbial camona dos venezianos, isto é, aquela calma e lentidão que exaspera os que vêm de fora.
[...]
3. Uma variante igualmente catastrófica de “Veneza está a afundar-se!” é “Veneza está a morrer!”. E este alerta já não se refere à acqua alta, mas ao excesso de turistas e à monocultura do turismo, que esvazia a cidade de habitantes e vida autêntica e a enche de fancaria e de falsidade. Nem sequer já os gondolieri são de Veneza. O que não deixa de ser uma situação cómica, se pensarmos que há uns anos o filósofo Massimo Cacciari, por duas vezes presidente da Câmara de Veneza, queria exigir direitos pelas réplicas venezianas construídas em Las Vegas. Ironia da reversibilidade: Las Vegas imitou Veneza que agora imita Las Vegas.
[...]
2. A obra grandiosa e veneranda é hoje o lugar por excelência da melancolia. Nos anos 80, o arquitecto Vittorio Gregotti quis que a cidade superasse a Stimmung mortal e melancólica de todas as mortes em Veneza (não apenas a de Thomas Mann e Visconti) e lançou a ideia de Veneza como a cidade da “nova modernidade”. Não teve grande sucesso: meia dúzia de anos depois, já outro nome importante da Escola de Arquitectura de Veneza, Manfredo Tafuri, renunciava às visões utópicas e entendia que a cidade, doente, tinha antes que ser diagnosticada. E o seu diagnóstico era sem remédio: os sintomas indicavam-lhe que a cidade era um “cadáver em liquefacção diante dos nossos olhos”. Diagnóstico acertado, confirmou o filósofo Giorgio Agamben alguns anos depois, quando habitava nela* e sentia que vivia “entre os espectros”. O espectro é um cadáver que passou a ter uma vida póstuma e fantasmática.»
__________________________________________
* Não sei se perdoe a António Guerreiro ter-nos deixado sem saber onde vive actualmente Giorgio Agamben.

Sara atirou o filho ao lixo

Até ao momento li cerca de 48 artigos acerca do crime em epígrafe; mais bem dito, acerca do crime em título li até ao momento cerca de 48 artigos.
É munido de tal autoridade que assevero aos meus amáveis leitores, isto é, a@s m@s amáveis leitor@s, perdão!, ax mx amáveis leitorx, ou seja, ax@s m@xs amáveis leitorx@s, por outras palavras, x@x@ @xx@@x amáveis @@x@x@xx@x e os tomates a 7, que o melhor texto é este:

Subscrevo inteiramente, o que inclui a parte triste do presidente-arlequim e a patética parte da ministra preta.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

José Mário Branco [Porto, 25.Mai.1942 - Lisboa, 19.Nov.2019], talentoso filho dum seminarista

Nem sempre estou de acordo comigo. Mas hoje quero reiterar com ênfase o que o Plúvio aqui escreveu em 2011:

«[...]
O meu pai fez o seminário todo. Até há uma história engraçada. A do meu avô paterno que não conheci por essa razão. A minha avó era uma beata do caraças, ele era republicano e ateu militante, daqueles "bigodaças" da viragem do século. A senhora tanto sarrazinou o homem que o obrigou a pôr o meu pai, que era o filho mais velho, no seminário de Tui, nos Franciscanos da Galiza. O meu avô, às tantas, perdeu a paciência e disse: Queres o teu filho no seminário? Está bem. Foi levá-lo e, na viagem de regresso, matou-se com um tiro na cabeça. O meu pai soube disso — estamos a falar de um puto de oito anos —, mas fez o curso todo porque na altura havia essa coisa medieval de o seminário dar acesso a um curso superior à borla.
[...]»

«[...]
O talento é uma forma de competência das condições adversas da ignorância. O talento normalmente é uma forma inata... não foi estudado nem construído, e essa forma de incompetência é uma vantagem incrível. Tem de haver um pathos, uma densidade emocional...
[...]»

«[...]
Nunca fui político, fui para a política por ser um criador artístico para quem a liberdade é fundamental na criação. O acto criativo é um acto de liberdade. A folha está em branco e o microfone está à espera de ouvir alguma coisa. A ausência de canção é a página em branco. Então, eu ponho lá o que quiser. Ora, isto implica ser livre. Estar descondicionado. O Courbet tem aquele quadro espantoso que se chama “A Origem do Mundo com uma mulher deitada, de pernas abertas e o sexo em grande plano. Há uma carta dele ao Ministro da Cultura francês da época que lhe deu a Legião de Honra, a condecoração mais alta. Na carta, ele diz que não quer receber de uma maneira muito simples e educada, separando a sua relação do poder.
[...]» 

«[...]
Tudo o que consta do arquivo está disponível de forma gratuita*. Há muito tempo que eu tenho esta convicção — com a reacção das pessoas às canções e aos discos, comecei a dar conta de que eu não sou dono. Pensando mais filosoficamente, sou contra a própria noção de direito de autor. Claro que eu recebo direitos de autor, actualmente é a parte mais importante do meu ganha-pão, mas eu aceito isso como uma forma defeituosa, um mal menor, de a comunidade a que eu pertenço me dizer: Eh, pá, porreiro, é giro tu trabalhares nisso e nós queremos que tu continues. Recebo todas as semanas dezenas de pedidos de utilização da minha obra para espectáculos, para publicações, para todo o género de coisas. E a minha resposta é sempre a mesma: Façam o que quiserem, não tenho nada a ver com isso. Nunca usei nem usarei o direito de autor para condicionar a criatividade e a criação alheia. Nunca.
[...]»

Maravilha em Dó maior.
Feminismo do bom em 1972.
[Atente-se no fabuloso e despojado arranjo das cordas. Curiosidade da 'ficha técnica': lá estava Manuel Jorge Veloso, despenhado há seis dias do maldito hífen** como hoje José Mário Branco. ***]

Nota
Nunca me encantou o lado missionário-prosélito-comunistóide de JMB, que não era pouco nele. Os deuses lhe perdoem, e a mim.
Isto, por exemplo, em defesa e louvor do facínora Cesare Battisti, autor confesso de quatro assassínios recondenado agora pela justiça italiana a prisão perpétua, é um inenarrável horror coral. Esta gente — Aldina Duarte, Camané, João Gil, Paulo de Carvalho, Amélia Muge, Tim... — não tem vergonha? O adjectivo «solidário» na boca destes tropas das causas faz-me erisipela.

«Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários. Compositor popular, artista de variedades, aprendiz de feiticeiro. Sou José Mário Branco, 76 anos, do Porto; muito mais vivo que morto. [...]
Em 1958, eu tinha 16 anos, era profundamente crente. ... Saltei directo de uma igreja para a outra.»
JMB, no documentário "Inquietação" (54 minutos) | RTP Memória, 07.Dez.2018
__________________________________________

sábado, 16 de novembro de 2019

Incluindo o casamento pela Igreja e o rezar escorreito, tudo em Joacine soa a contrabando ideológico recauchutado

Declaração prévia
Eu, Plúvio, incapaz de me pensar, bem como à sociedade a que pertenço, fora do paternalismo colonialista em que o Estado Novo me formatou a história, o quotidiano, a imaginação e o desejo, declaro-me farto até ao vómito de tanta «responsabilidade cidadã» e de tanta «linguagem do ódio».
Vamos a isto.

Um dos textos em que nos últimos tempos me pareceu, linha a linha, exemplo a exemplo, ressumar maior e mais objectiva desonestidade foi o da prosélita professora Susana Peralta,  "A gaguez de Joacine e a pequenez do nosso espaço público", no Público de 08.Nov.2019.
No Público de ontem, 15.Nov.2019, Bárbara Reis, não deixando de me surpreender, vem estribar com argumentação poderosa a minha repulsa de uma semana atrás: "Churchill e Joe Biden são gagos? A ideologia pode cegar".
Ai cega, cega!

Não separe o homem o que Deus uniu... Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco... 
«[...] Joacine é divorciada e tem uma filha de três anos, Anaís Leonor. Primeiro, casou-se na conservatória com o ex-marido. Depois casou pela Igreja. 'Para irritação das minhas amigas feministas, digo que preciso de alguma incoerência na minha vida' [...] Ainda hoje, se rezar uma ave-maria, como fez à nossa frente, as palavras saem-lhe escorreitas sem qualquer tipo de hesitações. Não sabe explicar porquê mas não gagueja quando reza.»
- Octávio Lousada Oliveira/Sílvia Caneco, "A mulher que até os colegas de partido irrita" | Visão, 14.Nov.2019
Caso para sugerir que, em vez de falar, ó mulher, reze no hemiciclo! 

Joacine e o ódio
«[...] Nunca respondi com ódio a comentários de ódio, nem com ansiedade, nem com raiva, às vezes até sou irónica. O que verdadeiramente me incomoda são estes artigos mascarados de análises. Houve um ordinário que até meteu a minha gaguez no artigo, e era um indivíduo que eu respeitava*. Isto é incitamento ao ódio. É abrir a torneira da intolerância, do racismo, da xenofobia, da discriminação. A ironia é que muitas destas pessoas são antifascistas. [...]»
- Joacine Katar Moreira entrevistada por Carolina Reis, "Há intelectuais a legitimar o ódio" | Expresso, 09.Nov.2019 
Sorte a de Ferreira Fernandes em não ser mimoseado com «um fascista ordinário». Esteve por um triz.

Joacine e o amor
«[...] Eu iniciaria** ... Eu iria iniciar** ...  Política sem amor é comércio. [...]»
Apetece informar a amorosa doutora Joacine de que «O amor é de outras leis». Desde logo, na lei fundamental da República Portuguesa não ocorre senão uma muito sumida vez, a quatro artigos do fim [alínea b) do n.º 1 do artigo 293.º], na «amortização da dívida pública».  

«[...] os insultos que se sucedem, desde então, mostram que muitos são incapazes de se pensar e à sua sociedade fora do paternalismo colonialista em que o Estado Novo formatou história e quotidiano, imaginação e desejo. [...]
Xs signatárixs***, de vários quadrantes da vida cultural, social, académica e política, declaram solidariedade com a deputada Joacine Katar Moreira e apelam ao sentido de responsabilidade cidadã dos portugueses e das instituições públicas, para que não deixem impor-se a linguagem do ódio e da desconfiança onde deve apenas haver lugar para a vigilância crítica, o debate aberto e a vontade de ir mais longe na construção de um futuro melhor para todxs***
No momento desta publicação, ia em 314 signatários, arcanjos do costume mobilizados contra o Mal, entre os quais, mais do que previsivelmente, "Susana Peralta - professora de economia" e, obrigatoriamente, Boaventura de Sousa Santos, Mamadou Ba e Flávio Almada, um dos seis gentis «jovens da Cova da Moura»

Quase a despropósito,
«[...] O que acontece é que se tornou uma obrigação comercial, e de marketing, que todos os cantores, escritores, misses, influencers e demais figuras públicas, tenham de fazer uma declaração sobre o apocalipse e a maneira de nos salvarmos todos e sermos boas pessoas.
Daqui a um ano não há cantor, actriz, ou parvinho, que não seja vegetariano, devoto de Santa Greta, apaixonado pela "sustentabilidade", a favor da mudança de género, especialista em ozono, devorador de tofu, praticante de biodança e amigo das iguanas.
A banalização do mal é um dos horrores da nossa história – mas a "banalização do bem" desvaloriza-nos a todos.»
_______________________________________
* Ferreira Fernandes, "À espera de Joacine, a deputada" | DN, 02.Nov.2019

** Apesar de novato nestas lides, o duende político de Joacine Katar Moreira pede meças à retórica gelatinosa, como a de Marcelo Rebelo de Sousa ou de Luís Marques Mendes. Imbatíveis no modo condicional, enunciam como quem pega de cernelha: nunca dizem, diriam; nunca vão, iriam. [A propósito, Victor Bandarra, "A epidemia dos narizes de cera" | CM, 10.Nov.2019] No mais — e tenho procurado escalpelizar as intervenções públicas (textos, entrevistas, discursos) da lusoguineense —, Joacine Katar Moreira não passa de uma actriz política de pacotilha, não menos demagoga nem mais respeitável do que o doutor André Ventura, replicadora de bovinidades ultragastas e, pior, gárgula escorrente de repertório autoritário, arrogante e moralista. Por exemplo, reparo que nunca gagueja em «obviamente», advérbio que lhe é muito caro.

*** Sic. Se o ridículo matasse...

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Música

Lua
Como é possível não nos comovermos ante estes nove minutos e picos de tão prodigiosa, imprevisível e delicada beleza?
Não sei descrever a minha experiência senão próxima do êxtase.
Até onde este favorito dos deuses vai reinventar os caminhos da harmonia?
Ou me engano muito ou Jacob Collier marcará o século XXI. Pelas melhores razões. Com imensa pena minha não estarei cá para o confirmar; mas podem sempre enviar-me um etéreo-mail...
____________________________________
Tão gratificante ver ali, entre os violinos (segunda, da esquerda para a direita), Susan Collier, a mãe; ditosa mãe que tal filho pôs no mundo em 02.Ago.1994.

domingo, 3 de novembro de 2019

Novilíngua assustada

Vejamos:
  • "Grupo de 20 maoris, em excursão pela Europa, esgotou as pastilhas de mebocaína nas farmácias de Aveiro"
  • "Grupo de 20 vândalos britânicos embriagados entornou 100 caixotes do lixo em Albufeira"
  • "Grupo de 20 índios incendiou a embaixada de Portugal"
  • "Grupo de 20 maometanos radicalizados escavacou os crucifixos da Sé de Lisboa"*
  • "Grupo de 20 mamadubás, infiltrado por uma maviosa joacine, passou a noite em vigília de oração e louvor aos pés da estátua do Padre António Vieira"
  • "Bombeiros de Borba** Agredidos - Grupo de 20 pessoas partiu o vidro das instalações e forçou entrada"
  • "Grupo de 20 paralíticos berberes esvoaçou esta manhã nos céus do Gerês"
  • "Grupo de 20 rosamotas enfurecidas atacou com gás mostarda o dono e o gerente de uma cervejaria"*** 
Dos oito títulos noticiosos supra só não se entende inteiramente o de Borba, recorrente ao longo do dia de ontem nos oráculos da TVI24. Ouvi com atenção o testemunho de três dos quatro voluntários que estavam de serviço na madrugada do ataque; escutei atentamente o ministro Cabrita; acompanhei vigilante a vó zofe da jornalista da TVI. Fui dormir sem que no discurso de ninguém surgisse a palavra indispensável à compreensão cabal da refrega alentejana. 
Esta manhã, depois de pôr em dia António GuerreiroÁlvaro Domingues, Pedro Mexia,  Ana Cristina Leonardo, Jorge Calado, Afonso de MeloAntónio Araújo, João Lopes, Maria do Rosário Pedreira e Rogério Casanova, **** fui à procura no infecto Correio da Manhã — onde escrevem, entre outros, José Rentes de Carvalho, Rui Zink, Rui Pereira, Francisco José Viegas, José Jorge Letria, Fernando Ilharco, Maria Filomena Mónica, Marcos Perestrello, Mário Nogueira, António Rego, Adolfo Luxúria Canibal, João Pereira Coutinho, Joana Amaral Dias, Eduardo Cintra Torres..., mas jamais os imaculados impolutos assépticos Daniel Oliveira, Valupi, Inês Pedrosa ou Pedro Marques Lopes —, a ver se relatava o sucedido de maneira verosímil e entendível. Mas tá quieto, ó preto. Quando nem o CM elucida a notícia, qualquer coisa séria se passa. A mim cheira-me a proibição dos médicos.
Não conformado, prossegui na demanda. Nada difícil, de resto: ao primeiro toque no Campanário, fez-se-me a luz de que suspeitava.

Concluindo, moro num país onde os mastins da irreplegível Censura Moral Pretoriana do Politicamente Correcto são prontamente açulados contra quem ouse pensar, dizer ou escrever em público coisa tão simples, compreensível e objectiva como, por exemplo, «Grupo de 20 ciganos partiu o vidro das instalações e forçou a entrada».
Estamos fodidos. Não que os ciganos não sejam pessoas antes do mais, que são; mas também são nobre e garbosamente ciganos, e isso às vezes pode contar muito num jornal, nas declarações dum ministro, na boca dum bombeiro ou num rodapé da televisão.

Tentarei no verbete seguinte mostrar que, apesar de tudo, a humanidade não está irremediavelmente perdida. 
_____________________________________________
* Soam-me bem os bês de bombeiros de borba.
** Esta até a activista ateia anticonfessional, salvo quanto a São Manel, Fernanda Câncio publicaria, com prazer e sem espinhas, tanto mais que mora perto.
*** Para que aprendam a não vender apenas Super Bock.
**** Se isto não é Plúvio a gabar-se, que xaropada de neimedroping é esta?

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Para lamentar

«Parlamento - Do francês parlement, de parler, falar, originário do latim parabolare, falar. Origem etimológica da expressão (dizia-se da conversa dos monges nos claustros depois das refeições principais; diz-se do discurso que se faz em público numa assembleia) [...]»
- "Repertório Português de Ciência Política", de José Adelino Maltez

Assim, se este modo de intervir no parlamento não é uma aberração, é o quê?
Como se não bastasse a sintaxe defeituosa; constando, no entanto, que a deputada se doutorou no ISCTE

Apetece pensar que ao Rui Tavares, que ultimamente se revelou, para minha já aqui admitida decepção, um político oportunista do piorio, é bem capaz de lhe morar lá no fundo um refinado e alternado sadomasoquista. Com efeito, RT e o seu partido parecem comprazer-se no espectáculo grotesco e penoso a que sujeitam a rapariga.
Afinal e como diria o insigne conceptualista português Toy, «nada substitui aquilo que somos enquanto âmago de essência.» 

Já agora, nada me inibe de achar que Joacine Katar Moreira está para a cidadania como Nelson Évora ou Pedro Pichardo estão para o triplo-salto lusitano.
Portugal (ainda) é uma terra de oportunidades. Bem hajam os forasteiros que com honradez as almejam e granjeiam.

E não, nada me anima contra a deficiência. Respeito-a. Eu mesmo sou filho de um deficiente, não garantindo sequer a minha sanidade.