domingo, 29 de novembro de 2020

Bem-vindos ao país cristino [6] - 15 minutos de esterco

A doutora Cristina Ferreira [CF], industrial de entretenimento, que o presidente da República apadrinha e o primeiro-ministro apaparica,  protagonizou ontem à noite, pelas 21h14, os 25 segundos mais abjectos de que me recordo na televisão portuguesa. Lá irei, mas antes dêmos-lhe a palavra enquanto conversa com o jornalista José Alberto Carvalho [JAC] em defesa do seu beliscado estatuto e na promoção descarada deste livreco.

CF:
«Deixa-me já te dizer» [sic]
...
«Deixa-me usar uma frase do Valter Hugo Mãe. Aliás, o prefácio do Valter Hugo Mãe é extraordinário»*
...
«Recebi aqui uma mensagem que, de todas, das milhares, é a que eu acho que melhor define»
dos milhares, senhora doutora, dos milhares.
...
«Eu de repente estou à mercê de 10 milhões de pessoas que podem utilizar as redes sociais para comentar o meu trabalho»
Que comedida, doutora Cristina! Tão poucas?
...
«Convidei uma série de especialistas das mais diferentes áreas para darem a sua opinião e para iniciarmos aqui este debate, desde a filósofa à procuradora-geral da República, ao sociólogo... Porque é que isto acontece?»
A própria PGR? Ná, não me cheira, não estou a ver Lucília Gago a envolver-se directamente na causa particular de uma regateira ofendida. CF a esticar-se, a armar-se em assunto sério da nação.
Ficamos sem saber quem será a insigne filósofa e o sumo sociólogo. Hannah Arendt? Alain Touraine?...
CF não se enxerga. 
...
JAC:
«Deixa-me retomar aqui o prefácio do Valter Hugo Mãe*, assinado orgulhosamente nas Caxinas em Outubro de 2020»

JAC, num triste e deplorável papel de jogral de CF, em pleno "jornal nacional" das 8.
...
CF:
«Eu vou-te dizer uma coisa: isto que está aqui não me toca, nada do que está aqui me toca»
...
JAC:
«Mas estás revoltada, percebe-se que estás revoltada.»
CF:
«Estou revoltada e tenho uma coisa para te dizer ... estou aqui aflita, e estou aflita por uma coisa [CF esboça duas lágrimas]: a mim não me dói mas tenho muito medo de que doa a muitas outras pessoas»
Afinal, aquilo toca-a ou não toca? Dói-lhe ou não dói? **
...
«Saiu uma capa recentemente da revista Sábado, de um grupo que me tem atacado constantemente nos últimos tempos. O que é que lá está? Um ataque vil à minha moral, à pessoa que eu sou pessoalmente [sic], com invasões da minha vida pessoal e profissional. Eu mando aquilo para o advogado e digo O que é que se pode fazer com isto? E ele diz Cristina, infelizmente, nada. Há muitas fontes próximas.» ***
...   
«Imagina que dentro desta casa há uma pessoa que não gosta de mim»
Que exagero, doutora! Tantas?
...
«A Dulce Rocha, a procuradora-geral da República, diz isso mesmo»
Bem me pareceu que «procuradora-geral da República» lá em cima só podia ser afectação de cagança. Cristina Ferreira desgasta-se a impressionar-nos com a eminência da sua pessoa. Sucede, azar dela, que a magistrada do Ministério Público, Dulce Rocha, com currículo estimável, nem procuradora-geral adjunta chegou a ser. Aposentou-se em Fevereiro de 2018, na posição de simples procuradora da República
...
«Se eu posso usar a minha imagem pública, o passo que se segue é uma petição pública para que esta discussão possa existir»
Gente poderosa faz coisas em grande.


E agora, os inacreditáveis finais 25 segundos de abjecção.
Eram 21h14 quando de indicador esquerdo, depois o direito, em riste, fixando a câmara, em plano fechado sobre o seu rosto circunspecto, e fulminando-nos de moralidade, Cristina Ferreira encerrou o sórdido entremez de propaganda de si, num momento de manipulação e chantagem da audiência do mais reles que a habilidade humana pode lograr:
«Eu lembro aqui uma menina de 13 anos, Marion****, francesa, que se suicidou porque escreveram coisas na internet deste género. E essa menina de 13 anos pode ser a sua filha, pode ser o seu filho. Um dia destes pode ser ele a não aguentar aquilo que lhe dizem e a suicidar-se a seguir. E este livro [CF exibe a capa em grande plano] não é meu; este livro é de todos.»
Só faltou mesmo 761 200 900ligue agora! Não desperdice a oportunidade única de levar para casa 10 mil exemplares de "Pra cima de Puta" pelo custo simbólico de 1 euro + o IVA da chamada. Ligue!  
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* Como se a caução de um dos mais pífios e melosos escritores da nossa contemporaneidade garantisse a excelência seja do que for. Não bastando, VHM escreve com deficiências sérias de sintaxe. Retorquir-me-á o amável visitante: Mas se até a Inês Meneses escolhe VHM para a prefaciar, alguma qualidade o romancista de Caxinas terá.
Ahahah, ora aí está! Além de que a editora do "Pra cima de Puta", decerto não por acaso, é a mesma do "Caderno de encargos sentimentais". Contraponto, lembra-se?
 
** «Essas, agressivas, ... em mim não têm nenhum impacto. Em mim não têm nenhum, nunca, zero! ... As pessoas podem não acreditar, mas em mim têm efeito zero! Qualquer notícia, qualquer crítica, o que quer que seja.»
É por isso queao contrário do que consta"Pra cima de Puta", efeito de eflúvio celeste, foi escrito por um arcanjo anónimo inspirado por Deus.
Cristina Ferreira não existe. É puro ectoplasma.

*** Não me tomem por néscio. Sei bem, de conhecimento robusto, que na presente refrega em torno da Media Capital/TVI, a Cofina de Paulo Fernandes não fala de Cristina Ferreira sem propósito contaminado de interesse.
Mas não posso dispensar nenhuma pedrinha para melhor compreensão do mosaico do universo. E que pedrinhas falantes vão nestas 10 páginas — "Cristina, Guerras, Poder e a Queda" | revista Sábado, 25.Nov.2020  — assinadas pelas jornalistas Raquel Lito, Sónia Bento e Lucília Galha... Por muito que custe a CF, quase tudo aquilo se passa em estúdio ou vem de fontes do seu aquário profissional. Qual moral? Qual pessoal?

**** Cristina Ferreira, madura sabidona de 43 anos, oportunística, obscena e despudoradamente coteja o seu caso com o de Marion Fraisse que se enforcou em Fevereiro de 2013, aos 13 anos, num quadro de "bullying" escolar. Parasita sem escrúpulo nem asseio.
Já em 2018, quando migrou da TVI para a SIC, CF charrara alarvemente no cadáver de Lady Di.
Apesar dos laivos de ignorância grosseira, CF não é inocente nem ingénua. Recolhe do que semeia. De que e porque se queixa?

Não é?

«Nós temos tanto para oferecer ao mundo, não é?, que não é sequer a questão do discurso que está aqui em disputa. O que está mais em disputa, não é?, é a nossa capacidade, em termos da autonomia da nossa voz, não é? É sairmos um bocado do acantonamento do lugar só da refutação. Nós para além da refutação temos proposta, não é? Essa é a parte mais essencial. Evidentemente que a refutação faz parte da capacidade propositiva, mas o que mais importa para combater o discurso de ódio é propor uma nova narrativa, um novo discurso, uma nova forma de olhar e de inventar a humanidade e reclamar a ideia de que não há humanidade, não é?, a partir desta ideia enganosa, para não usar um palavrão, não é?, de que o alfa e o omega do mundo partem desta eurocentralidade, não é?, do pensamento de que tudo parte a partir daí, como dizia o Glissantnão é?, nós temos é que matar o homem branco, como nos sugeria o Fanon. O homem branco que nos trouxe até aqui tem que ser morto, ele tem que ser morto. E essa morte, para nós evitarmos — o que dizia o Orlando Patterson — a morte social do sujeito político negro, é preciso matar o homem branco assassino, colonial e racistanão é? E, então, reconstruir uma narrativa é a partir da nossa condição de sujeito. Eu acho que sobretudo nós aqui na Europa temos muito a aprender com o Brasil, não é? Eu nunca tinha ido ao Brasil. A primeira vez que estive no Brasil foi há dois anos e tive o privilégio e a honra de ter a Sueli Carneiro a mediar a minha mesa. Foi um momento enorme para mim. Desatei a chorar sem perceber porquê. Claro que o que estava a falar era a minha memória genética ali, não era só o facto da interacção em si. E eu na altura propus um desafio à assistência: dizer que se nós queremos combater o mundo temos que (?)...izar(?) a humanidade, não é? Porque as nossas pautas não se balizam a partir de uma dimensão cromática do nosso ser e da nossa condição, não é? Elas são muito mais ontológicas, elas resgatam aquilo que a Europa e a branquitude não nos concede, não é? Nós somos inteiros, intrínsecos, e eu costumo dizer* que a consciência negra é muito mais do que só uma efeméridenão é? Porque é uma consciência de si, é a consciência da sua humanidade, da sua inviolabilidade e da sua intemporalidade, não é? E é a consciência de que a nossa humanidade, ela é constitutiva do que é a humanidade em si. Sem nós não havia humanidade**não é? Sem a nossa história — aliás, o afro(?)...cismo(?) é isso mesmo: para que os outros se pensem humanos ou humanas*** eles têm que nos pensar como não humanos, não é? E então um dos nossos esforços no combate ao discurso de ódio é exactamente recentrar a disputa sobre o significado do humano, hoje, não é?, e da sua relação com toda a matéria viva do universo, não é? Ou seja, essa democracia do vivo, não é?, ou seja, a democracia da vida, porque a nossa vida foi sempre — na Europa, então, muito mais ainda, não é? —, ela está sempre a partir da bitola, não é?, da não essencialidade, não é? É por isso que eles ficam absolutamente em psicose colectiva quando reclamamos a nossa identidade. Porque identidade significa ter algo, não é?, a oferecer, algo a partilhar, não é?****»

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Enquanto isso, adivinha-se entre a matilha de jornalistas da visão correcta do mundo — nenhum, que eu tenha notado, aludiu à intervenção do doutor Mamadou — íntima anuência. O fervor concordante de, só por exemplo, dois assanhados plumitivos das causas certas: a activista Joana Gorjão Henriques que adora MB e o totalitário Daniel Oliveira, seu ex-cunhado, que o venera.
E não venham engrolar com o "contexto metafórico". Como me contava a dona Odete, ...
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** Na humana parte que me toca, muito obrigado, meu irmão Ba, e saudações à tia Lúcia.
Ante gramática como esta para dissolver o ódio, que caucasiano «inteiro e intrínseco» não fica com vontade irreprimível de abraçar e beijar Mamadou? Só mesmo o abominável SARS-Cov-2 no-lo impede. 

 
**** Por favor, alguém responda à criatura se é.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

O efeito «jovem» em homens da Cova da Moura

«Manteve-se ainda a condenação dos agentes para pagarem indemnizações aos seis jovens da Cova da Moura»
«num segundo momento, amigos deste jovem»
«uma das advogadas dos seis jovens»
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«processo que partiu de uma acusação histórica que imputava também, a um total de 18 agentes da autoridade, a motivação racista e tortura contra seis jovens da Cova da Moura»
«Os seis jovens, que tinham o estatuto de assistentes no processo, exigiram penas mais duras para os polícia
«o Tribunal de Relação de Lisboa considerou "discutível" a "legitimidade" e o "interesse" dos seis jovens»
«O Tribunal da Relação de Lisboa questionou o direito dos jovens em requerer penas mais pesadas»
«crime de ofensa à integridade física qualificada na pessoa de Rui Moniz, um jovem com paralisia numa das mãos»
«Na audiência de julgamento, o jovem voltou a confirmar que tinha sido ele o autor das agressões»

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Para surdas e para surdos de ambos os sexos

«Você esforça-se para ouvir as conversas nos seus encontros e festas? [...] Compre magniEar por apenas 4 euros e 99. Os adaptadores ajustam-se a ambos os ouvidos, para homens e mulheres.[...]»

Nos últimos dois segundos [leu bem, caro visitante: dois segundos cronometrados] do reclamo, depois de o pregoeiro se calar, depara-se-nos um texto de 90 palavras, entre as quais amplificador x 4, dispositivo, discernir, conversação, diagnosticada e reembolso; dois números, um de 9 e outro de 2 dígitos; um endereço de internet.
Quem senão surdas e surdos de ambos os ouvidos e de ambos os sexos alcançaria tão prodigiosa velocidade de leitura e assimilação?

Pois é, não é surdo — ou surda, claro! — quem quer...

Ditoso e magnífico país este, de preços em 9.
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* A despropósito, já cumpriu o seu dever diário de hoje?
Aiaiaiai, temos a burra nas couves.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Caso patético de cartilha corporativa?

«Já são conhecidos os últimos números da Covid-19 em Portugal. Há 4044 novos casos mais 74 mortos. Ou seja, lamentamos, lamentamos hoje mais 74 mortos.»

Quem lamenta, afinal? Lamenta ela, Teresa? Ela e o marido, Rodrigo? Teresa Dimas lamenta em nome de quem? Dos colegas, do Ricardo Costa, do Dr. Balsemão?... Em nome da Graça Freitas, da Temido, do governo inteiro, do presidente-arlequim, de Portugal, do Papa Francisco?... Por que capricho insondável a SIC lamenta apenas os mortos da pandemia? Hoje morreram em Portugal outras cerca de 300 pessoas. Não merecem lamento? Como explica Teresa Dimas e os demais pivôs tamanha discriminação? 


Bem que espingardo mas aparentemente só o Plúvio é que nota.

Não me canso de admirar

este casal, Elodie Bouny e Yamandu Costa, que, relembro, mora em Lisboa. Não sendo obviamente por isso.

domingo, 22 de novembro de 2020

«Cócigas»!?

«Em cada cinco crianças duas têm cócigas na barriga.»


cócegas, chiça!

Insisto: o perigo é a eventualidade de crianças por perto.
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*  Campanha (de novo) em curso por estes dias ante-natalícios nas televisões portuguesas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Dizer*

Olá a todas e a todos.**
Dizerem primeiro lugar que os legumes e a fruta que o senhor Serafim Garcia — toda a gente o conhece aqui por "o Garcia da horta" — vende na praça é ele quem os cultiva na sua courela. Mas em tempo de pandemia isso será pouco relevante.
Dizer* ainda que a um licenciado em Medicina, com prática clínica pública e privada em Leiria, deputado da nação, hoje em altas funções governativas,  deveriam exigir-se, no mínimo, conhecimentos básicos da história da medicina caseira
- «dizer* que ... nenhum doente que entre ou esteja no hospital Garcia da Horta ficará sem lugar para onde ir»
- «lembro-me da transferência de doentes do Garcia da Horta para o médio Tejo.»

Dizer* em suma: por um secretário de Estado da Saúde que além da sintaxe tosca ignora e trata desleixadamente o epónimo do maior hospital da margem sul do Tejo, sem prejuízo de ser bom ortopedista, só pode ter-se consideração diminuída.

Lembremo-nos de Abel Salazar...
Pois bem, o médico Lacerda Sales nem das próprias coisas médicas parece saber assim tanto.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Contre fectos não há ergumantos. Tá?

«todos os dias somos confrontados com esses númaros [...] Ou seja, o crescimento a ser mais lento [...] tempo em que esses númaros duplicam [...] númaro muito animador relativamente ao combate que se a fazer à covid-19.»

Não consegui perceber se Luís Oriola disse «número» ou «númaro», mas tenho a certeza de que disse «está».

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

À beira do vómito

Atente-se nestas 10 páginas do Público assinadas entre Maio de 2019 e hoje por José António Cerejo, porventura o melhor jornalista de investigação português da actualidade, ainda que reformado, em torno de vigarices e trapalhadas várias que envolvem fortemente a veterana deputada do PS, Hortense Martins.

Como é que a sua chefe, presidente do grupo parlamentar socialista, convive e (não) actua — enfim, pactua — ante tal pestilência de costumes duma camarada de bancada?
Ana Catarina Mendes, capturada por embaraço indisfarçável: Para mim, a presunção de inocência é absolutamente essencial.

Não sei que resposta mais esquiva e civicamente repulsiva pudesse ACM dar. 

De que riem, de quem riem, para quem riem, o que faz sorrir, afinal, estas senhoras? A vida corres-lhes bem, decerto.
Para mim, a senhora deputada Ana Catarina Mendes é emético. Já aqui me deixara nauseado.  
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terça-feira, 17 de novembro de 2020

Luís Pedro Nunes, contudo eis que senão

Um passarinho contou-me que nem tudo é influência; às vezes é só coincidência:
Compare os textos, freguês paciente, e ache: influência ou casual coincidência?

No serão de domingo, 04.Jun.2017, o jornalista Daniel Oliveira, dos espíritos mais totalitários que conheço, proclamou acerca do jornalista-escritor contudo eis que senão Luís Pedro Nunes, a publicitar uma selecção de crónicas deste com o pretensioso e desconchavado título "Suficientemente bom, desprezivelmente mau", com prefácio de Clara Ferreira Alves e posfácio de Pedro Marques Lopes, colegas de LPN no "Eixo do Mal", tertúlia de compadres amesendados por Nuno Artur Silva que dura há 16 anos, em manifesta e acentuada putrefacção endogâmica consensual e de que, numa perseverança esquizóide sem cura, creio não ter perdido nenhuma sessão:
«Luís Pedro Nunes é dos jornalistas portugueses que melhor escreve.*» minuto 49:20
No serão de quinta-feira, 02.Mai.2019, Pedro Marques Lopes haveria de recertificar à mesma mesa, desta vez na promoção de “Em busca da praia perfeita", de Luís Pedro Nunes e Tiago Froufe:
«O animal [LPN] escreve melhor do que ninguém.» 
* escrevem, s.f.f. 


Escreverá Luís Pedro Nunes assim tão bem?
Pequeno punhado, ao acaso, de erros sérios, entre inúmeros e recorrentes, recolhidos na prosa que assina no Expresso:

«sou dos que me safei» 
sou dos que se safaram

«nem falo do “síndrome do macho alfa”» 

«de um entorse passei a um estado de inactividade» 

«capaz de explicar porque raio é que são aceitáveis» 

«os livros são das coisas que valem a pena guardar na vida» 

«tratam-se das festas de despedida» 

«crise humanitária» 
«as milhares de instituições» 

«a sensação que algo se está a passar» 
«síndrome obsessivo» 
sensação de que algo

«uma família de alegados habitantes locais agradecem felizes» 
família ... agradece feliz

«e esse é um dos fatos que talvez merecessem ser enaltecidos» 
Maldição do Acordo Ortográfico ou lapso de alfaiataria freudiana?
factos 

«há que dizer que as alterações comportamentais … nos deve fazer aceitar» 
«aceito o postulado que alguns têm tendência grave para o ser» 
«parece que não há dúvidas que a razão está do lado de quem quer controlar os homens escarranchados nos transportes públicos» 
nos devem fazer aceitar 
postulado de que alguns têm tendência 
dúvidas de que a razão 

«os síndromes» 

«porque diabo é que eu não faço uma coisa deste tipo?» 

«a perguntar-se porque diabo» 
«a questionar-se, porque raio» 
«vender a ideia que há um» 
por que diabo
por que raio
a ideia de que há um

«não andamos por aí a masturbarmo-nos para vasos de plantas» 

«gosta de dar a ideia que pertence aos SEALS» 
a ideia de que pertence

«e pensa que assim se pode furtar a questões sobre raça, racismo e a desigualdade de oportunidades que a cor da pele muitas vezes implicam. E do qual o seu império é um sintoma» 
que a cor da pele muitas vezes implica
do que

«umas boas gramas de efeito placebo» 
«a Netflix já começou a ser relacionado com problemas sérios de distúrbios de sono» 
«questões ligadas ao peso, higiene mental falta de lucidez e de concentração 
«grandes chatos que passam o tempo a falar séries» 
«muita gente, quando começa a ver a Netflix fá-lo convencido de que vai ver um ou dois episódios» 
a Netflix já começou a ser relacionada
higiene mental, falta de lucidez
a falar de séries
muita gente, quando começa a ver a Netflix, fá-lo convencida

«vale a pena dizer a quem jantamos que a piza de trufas é uma piza de cogumelos» 
Antropofagia?
dizer a com quem jantamos

«as minhas "capacidades de ler os outros" será necessariamente diferente das de um elemento da geração Z» 
serão necessariamente diferentes

«a realidade hoje é que se tratam de parceiros de negócios» 

«umas 120 mil milhões anuais» 
«Donald Trump tem conseguido regredir muitas das políticas ambientalistas» 
uns 120 mil milhões
tem conseguido fazer regredir

«híperdesaconselhados» 
hiperdesaconselhados

«criará um interface cérebro-máquina» 
«se tem um interface» 
«de toda maneira» 
de toda a maneira 

«a pandemia e o confinamento provocou a implosão» 
«as milhares de mensagens»
a pandemia e o confinamento provocaram
//

E que tal fala o jornalista-escritor-comentador Luís Pedro Nunes? 
Desastre público antididáctico e perigoso para aprendizes da língua ou do conhecimento.
Amostras ao acaso, indiciárias de iliteracia muito grave num jornalista a quem, quando conversa, nem a ajuda da revisão do Expresso pode valer:

«dizem que a alma pesa vinte e uma gramas» 
«contudo!, eis que senão»
vinte e um gramas

«naquelas frases perfeitamente abnóchias, que as pessoas querem aquilo» 
Deveria ter dito abnóxias (cs); mas obnóxias era o que talvez quisesse dizer.
«Vítor Constâncio vai analisar a idoniedade e a competência de alguns elementos»

«a coisa mais obnóchia»

«(opiniões) que depois pespassam para os mídia tradicionais»
perpassam

«um vídeo que começou por ser uma coisa engraçada transformou-se num líbelo acusatório que nos cria culpa»

«faca de hariquiri»

«está a estragar a árvore geneológica»

«contudo, contudo ... contudo, eis que senão»

«neste momento, em Espanha…, os transportes públicos têm uma sinaléfila nova …»

«mostra à sociedade»
à saciedade

«vai ver se não retira a idoniedade a alguns destes senhores»

«está-se aqui a criar uma ideia, um tontem para fazer aqui um exorcismo»

«eis que senão ... eis que senão»

«eis que senão»

«mostrou a vunelabiridade»
vulnerabilidade

«há pessoas que se absteram convictamente»

«aquilo é à grama, à grama»

«já não tem oito quilos novecentas e noventa; tem apenas oito quilos e novecentas»
novecentos

«estão sobre a alçada»

«ergo te absolvo»

«(Alfredo Cunha) … a comemorar 50 anos de fotografia … há 50 anos a fotografar … vivo e de saúde … chato e irrascível» 
está

Como venho repetindo, o grande perigo são as crianças por perto.

Luís Pedro Nunes é, segundo nos tem informado, filho de professora. Confio em que não seja de Português.
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Escutemos Luís Pedro Nunes, com quem aprendo coisas e me tenho divertido nos cerca de 25 anos que levo de o acompanhar, em dois minutos decerto dos mais desastrados e infelizes da sua carreira de jornalista, descrevendo e comentando [de que fontes bebeu?] as circunstâncias da evacuação de emergência, do aeroporto de Faro para o hospital local, do músico russo Andrey Suchilin [28.Jul.1959-25.Jun.2018], a fechar o programa "Irritações" de 08.Jun.2018: Ele anda por aí, o holandês fedorento!... 
Andrey Suchilin haveria de morrer [gangrena de Fournier] 20 dias depois da intervenção televisiva de LPN mas não me consta que o azougado plumitivo tenha vindo pedir desculpa pela irritação que coreografou tão grotesca, boçal e levianamente [minuto 47:30]. 
«Músico retirado de avião em Faro devido a odor corporal morre de necrose
Andrey Suchilin, músico russo, foi internado nos cuidados intensivos no final de Maio, depois de ter sido retirado de um avião que voava de Espanha para a Holanda e que aterrou de emergência em Faro.
O passageiro que há cerca de um mês levou a companhia aérea holandesa Transavia a fazer uma aterragem de emergência em Faro devido ao seu mau odor corporal, morreu na segunda-feira, confirmou uma amiga próxima. “O Andrey morreu”, escreveu Lydia Tikhonovich no Facebook. [...]»

Quem é, afinal, a personagem mediática Luís Pedro Nunes [Ferreira do Alentejo, 26.Dez.1967], sósia chapado de Kadhafi?

sábado, 14 de novembro de 2020

Bem-vindos ao país cristino [5] *

Missa pelas vítimas da pandemia na Basílica da Santíssima Trindade.
 
Envolvido no esplendor do cantochãosenti qualquer coisa de irónico, paradoxal e burlesco em ir lendo que Cristina Ferreira** dirige o entertenimento e a ficção num grande canal televisivo português, no meio de uma calamidade ortográfica.
Pobre país de pão e circo de rebotalho...


«Abençoe-vos, ilumine-vos e conduza-vos sempre o Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia*** ...
Vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe...»

Convenhamos que o preto, incluindo o da máscara, assenta lindamente na doutora Fernanda.
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** Protegido pelo adiantado da hora, um naco de pornografia pesada.
Dúvida metafísica: putéfia é para baixo ou pra cima de puta?

*** Nota-se.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Arestas de cone esquinudo

- Quantos vértices tem um cone?

Licenciatura em Gestão Comercial e Marketing - Instituto Politécnico de Portalegre
Pós-graduação em Marketing Internacional - Universidade Católica Portuguesa
Curso avançado para executivos - Instituto Português de Administração e Marketing


Ensino português de olhos em bico.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Teresa Dimas | "Lamento de pássaro"

Proclamo, urbi et orbi, campeoníssima da lamentação noticiosa covidiana a jornalista Teresa Dimas.
Terça-feira, 10.Nov.2020:

Para as 250 mortes de outras etiologias nas últimas 24 horas nem um ai, um suspiro, um soluço, uma lágrima.
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Sol menor, 26 minutos de hipnose.
Quem pode resistir às irrupções majestosas daquele Ré ultragrave [D2] do saxofone baixo soprado por William Gregory?
A humanidade não está inteiramente perdida.

domingo, 8 de novembro de 2020

Homo sum, humani nihil a me… [2] *

e não me chamo Terêncio.
Causa-me uma ligeiríssima repugnância, leve tristeza e alguma estupefacção a evidência de que os humanos devoram os frangos todos. Mas não só os frangos: ele são praticamente todos os porcos, cabritos, vacas, carapaus, perus. A criação, enfim.
Não nos bastando, dizimamos quase todos os repolhos.
E não fica por comer quase nenhuma melancia, fruto que, em o abrindo, me lembra o lado de dentro de certa ideia - tenho outras - da complexidade dissoluta.
Há direito ou a vida tem de ser mesmo assim?
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