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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Li | Na *

Rui Tavares sabe-a toda.
É bom em quase tudo:

Química - Contra o lítio, pelo sódio.

Dança - Contra o precedente, pela afro-saliência.

"O estranho caso do Livre (e de Rui Tavares)"

RT parece possuído, desde a adolescência, por um projecto messiânico pessoal, enfatuado, de redenção da humanidade. Ouço por todo o lado, nesta campanha, Uma voz como a de Rui Tavares faz falta e merece estar  no parlamento.
Talvez faça. [Até eu, ingénuo, fui no engodo de, sem sucesso, o empurrar para Estrasburgo]. Mas então porque não se inscreve Rui Tavares no PS? Não é esse actualmente o redil político onde caberia e poderia exprimir sem risco de dissenso, e com proveito tribunício, o seu luminoso pensamento? Não seria muito mais simples, eficaz e barato? Acaso não se coligou ele recentemente com Medina?
Pois, o Livre é rasca mas o bicho é muito vaidoso. E a cagança fode tudo.
Como, com pertinência feliz, sugere Luís Aguiar-Conraria, Rui Tavares é uma metempsicose 2.0 de Carmelinda Pereira que só deixará de nos azucrinar com o seu ideário salvífico quando a lei natural do tempo lhe entorpecer a vivacidade do pio.
Enquanto isso, não lhe faltará colo de toda a comunicação social progressista que desjejua nas tascas de Campo de Ourique e arredores.   

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- Se for eleito(a), qual vai ser a sua primeira iniciativa legislativa?
Jorge Nuno Sá- Descongelar a carreira dos enfermeiros.
Maria Cidália Guerreiro- Revogar o Código do Trabalho fascista.
José Pinto-Coelho- Mudar a lei da nacionalidade.
Bruno Fialho- Decretar o fim da pandemia.
Amândio Madaleno- Salário mínimo de 1000 euros.
Renata Cambra- Prisão e confisco dos bens de quem roubou o país.
Poesia, pois,

E não se fala mais no assunto.
Viva Portugal!

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Cronologia breve da desonestidade suprema

"Anos de Guerra - Guiné 1963-1974" é um documentário produzido em 2000 por Pedro Efe, da Acetato, em associação com a RTP, realizado por José Barahona que o disponibilizou no YouTube em 14.Fev.2021. «[...] Recolha de depoimentos de ex-combatentes ainda vivos e de imagens de arquivo possíveis.»

Ao início da madrugada de 19.Fev.2021, o inefável Mamadou Ba tuitou um excerto de 22 segundos cirurgicamente delimitado, com o ex-combatente português Marcelino da Mata, falecido aos 80 anos em 11.Fev.2021, a contar:
«Íamos fazer uma operação, entrámos na mata, encontrámos o gajo. Estava lá com o camuflado do rapaz, o relógio do rapaz, a bússola que o rapaz tinha na mão, tudo, os sapatos do rapaz, tudo vestido conforme o rapaz estava. Apanhámos o gajo, despimos-lhe a farda e fizemos-lhe a mesma coisa que ele fez ao outro: cortámos-lhe a  piça e metemos-lha na boca.»
Comentário de Mamadou Ba:
É por este tipo de gente que há tanto chinfrim? Isto diz muito de nós, enquanto comunidade.

A meio da tarde do mesmo 19.Fev.2021, o sociólogo Fabian Figueiredo, dirigente do Bloco de Esquerda, apaniguado e idólatra de carniceiros vários com destaque para o sanguinário Che Guevara, que se comprazia em fuzilar pessoalmente os inimigos, postou o mesmo cirúrgico excerto de 22 segundos, aduzindo-lhe a seguinte legenda:
Marcelino da Mata foi um criminoso de guerra e orgulhava-se disso. No vídeo podem ouvi-lo da boca do próprio.

Ao início da madrugada de 20.Fev.2021, Fernanda Câncio, jornalista e suma-sacerdotisa da religião Lux Frágil, retuitou a poia de Fabian Figueiredo com o mesmo cirúrgico excerto de 22 segundos, acrescentando:
então era isto o militar mais condecorado e tal. estou certa de q quem o louvou estava a par de tamanha franqueza. qual convenção de genebra qual quê.

Sem perder embalagem e engrenada no entusiasmo usual das suas causas muito particulares, eis a grande repórter no Diário de Notícias de 23.Fev.2021:  
«[...]
Sim, o mau gosto não tem mesmo limites*: pôr, lado a lado, umas quantas notícias a dar conta de textos antigos do actual juiz conselheiro em que este dizia o acima exposto e uma petição** para expulsar uma pessoa pertencente a mais uma minoria historicamente perseguida e silenciada - a dos negros - por ter apelidado de criminoso de guerra um ex-comando muito condecorado pela ditadura que por exemplo se gabou de ter, nos seus feitos de combate, cortado o pénis de um inimigo, metendo-lho na boca.
[...]»
Atentei nos depoimentos militares de Marcelino da Mata. Como consegue alguém encontrar-lhe ponta de vanglória ou gabarolice?
Movido pela profunda repugnância que a suprema, arrogante e concertada desonestidade dos doutores Mamadou Ba, Fabian Figueiredo e Fernanda Câncio me causou, também eu não resisto a um excerto. Mas não consigo torná-lo honesto se não usar pelo menos o triplo de segundos, 65 ao todo.  
O ex-combatente português fala de dois portugueses aprisionados por guerrilheiros do PAIGC:
«E então, não sei como é que fizeram, raptaram-nos aqueles dois soldados da companhia quatro oitenta e sete. Levaram um homem para o mato. Despiram-no. Agarraram num pau, espetaram-lho no cu até sair pela boca e puseram-no de pé. O outro amarram-no a uma palmeira, cortaram-lhe a piça e meteram-lha na boca. [...] Um dia íamos fazer uma operação, entrámos na mata,  encontrámos o gajo. Estava lá com o camuflado do rapaz, o relógio do rapaz, a bússola que o rapaz tinha na mão, tudo, os sapatos do rapaz, tudo vestido conforme o rapaz estava. Apanhámos o gajo, despimos-lhe a farda e fizemos-lhe a mesma coisa que ele fez ao outro: cortámos-lhe a  piça e metemos-lha na boca. A mesma coisa que ele fez ao tal soldado branco fizemos-lhe a ele. E fomos embora.»
 
* Sim, dona Fernanda, e a manipulação também não tem mesmo limites.
Para Fernanda Câncio a «convenção de genebra» não se aplicaria a guerrilheiros guineenses. Decerto porque esses eram criminosos bonzinhos...

Por falar em guerra, apetece-me autobiografia.
Fui incorporado no serviço militar obrigatório em 02.Out.1972, passei à peluda em 07.Mar.1975. Vinte e nove meses na patente de soldado raso. Nos primeiros seis meses estive em infantaria, especialidade de atirador. Aprendi, com muita relutância e pouco jeito, a manusear a metralhadora HK21 e a espingarda G3 no campo de tiro da Serra da Carregueira e na Amadora.
Num bambúrrio de sorte, o maestro capitão Sílvio Pleno requisitou-me em Abril de 1973 para a Banda do Batalhão de Caçadores n.º 5. Por exemplo, no histórico Primeiro de Maio de 1974 — nunca tanta e tão alegre gente andou nas ruas de Lisboa —, eu estava aqui.
Destarte me livrei da guerra e de bater com os costados em África. Sem heroísmo nem glória, sou, literalmente, um antigo «soldado de Abril». Nada que me suscite especial orgulho; apenas um tudo-nada de vaidade.

Mas de guerra mesmo, da que dói e ensandece, e de criminalidade cometida nela, quem sabe a sério é o queque leninista-trotskista-guevarista Fabian.
______________________________________    
«Viemos de muito longe e iremos até ao fim no combate contra a opressão, custe o que custar.»

Deixem-me fantasiar.
MB nasceu no Senegal em 1974, veio para Portugal em 1997. Porque veio, para que veio, o que o prende cá, lá com ele.
África combateu-nos, aos europeus, colonizadores ou colonos, por anos e anos até à libertação e autodeterminação. Escorraçaram-nos de sítios que não eram nossos. África está e continuará, sabem os deuses com que esforço e a que custo, a erguer-se de séculos de usurpação de território, escravatura e exploração às mãos do cristão branco bem-falante e bem armado. Mas perguntar-me-ei sempre: O que atrai tantos africanos, coetâneos ou filhos da subjugação colonial que combateram heroicamente a preferirem vir viver em casa dos que os subjugaram?  
MB, por razões de absoluta liberdade que a República Portuguesa promove e respeita, achará que faz mais falta à nova terra que escolheu e o acolheu do que à sua antiga terra, à grei a que actualmente pertence do que ao povo de que provém. Aparentemente o Senegal não precisa tanto de MB como Portugal.
Imaginemos agora que aos portugueses brancos de cepa caucasiana, incluindo Joana Gorjão Henriques, Fernanda Câncio, Joana Cabral, Daniel Oliveira ou Pedro Marques Lopes, nos dava a todos em conjunto e de uma só vez, por qualquer veneta cósmica determinada pelo livre arbítrio da individualidade digna — quem sabe se impelidos pelo velho e inelutável instinto de mostrar novos mundos ao mundo — para desertarmos daqui e irmos montar residência e nacionalidade, sei lá, numa tundra siberiana ou numa planície tasmaniana...
Antevejo Mamadou Ba a correr atrás dos nove milhões de branquelas transumantes, deixando a despovoada lezíria lusitana ao cuidado do Comité Joacine; sim, porque sem a ajuda iluminada de Mamadou o homem branco jamais se livrará do vício de oprimir, aqui e em Marte.

«ao contrário dos que me vilipendiam, o que me move é o amor» - MB, 22.Fev.2021
Ai Portugal, Portugal, que seria de nós se Mamadou Ba não te amasse tanto!?

** Esta Petição não passa de protérvia imbecil.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Aeroplanos da TAP

  • Saída de dois mil trabalhadores
  • Corte de 20% da massa salarial
  • Redução de 20 aviões*
* - Senhor ministro, quais destes 108 vão embora e já agora com que critério?
- Perguntem ao Plúvio.

Pois que perguntam, cá vai. Escolha especiosa especificamente falando.
Desde logo e por razões soberanas de asseio pátrio e universal, vai fora o "Zé Pedro".
Depois e por motivos avulsos de escrúpulo social, qualidade intrínseca e proporção relativa [três nem portugueses são],
o "Florbela Espanca", o "John dos Passos", o "Grão Vasco", o "Manoel de Oliveira", o "José Saramago", o "Malangatana", o "Eugénio de Andrade", o "Calouste Gulbenkian", o "Miguel Torga", o "Aristides de Sousa Mendes",

- Que se saiba, Katar Moreira influi em muita porcaria incluindo na cabeça desta gente, mas na tttTApppppppppP ainda não risca.   

... o "Eusébio", o "João XXI", o "D. Fuas Roupinho", o "José Carlos Ary dos Santos", o "Agostinho da Silva", o "Padre Américo", o "D. Maria I" e o "Nicolau Breyner".

- Mas, ó Plúvio, se bem contamos falta um pròs 20.
- Bem observado. Bruxelas que tire à sorte entre os três "Bartolomeu"s.
- Quer dizer que o "Fernando Pessoa" fica?
- Obviamente.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Para lamentar [2] *

«Não se pode banalizar a restrição dos direitos, liberdades e garantias e o decretar relaxado do estado de emergência. [...]
Não se pode igualmente concentrar o combate à Covid-19 olhando unicamente para o aumento das infecções. Nós precisamos de garantir o absoluto fortalecimento do SNS, o absoluto fortalecimento dos rendimentos dos profissionais de saúde mas igualmente todos aqueles que o estado considerar trabalhadores essenciais. [...] 
Só o reforço da democracia é que efectivamente nos pode garantir a eficácia no combate à Covid-19. E era só.»
No parlamento português, 06.Nov.2020
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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Xária ó *


«(...) Eu me encarregarei de lançar o terror no coração dos infiéis e vós batei-lhes nas nucas e nas juntas dos dedos.» - Sura VIII,12
«Ó Profeta, excita os crentes ao combate. Vinte homens firmes dos seus esmagarão duzentos infiéis. Cem porão mil em fuga, porque os infiéis nada compreendem.» - Sura VIII, 66
«(...) matai os idólatras onde os encontrardes, aprisionai-os, cercai-os e armai-lhes emboscadas para os prender. (...)» - Sura IX, 5
«Matai os que não crêem em Deus [Alá], nem no Dia derradeiro, que não considerem proibido o que Deus e o seu Profeta proibiram (...)» - Sura IX, 29
«Deus não dirigiria os que não crêem nos seus versículos. Esses terão um tormento cruel.» - Sura XVI,106    
«Na verdade os que ofendem Deus e o Seu Profeta serão amaldiçoados por Deus neste mundo. Ele preparou-lhes um suplício ignominioso.» - Sura XXXIII,57
«E quando vós encontrardes os que não crêem, devereis bater-lhes nas nucas, até chaciná-los, e apertai fortemente os laços!» - Sura XLVII, 4
«Na verdade, os que não crêem, de entre o povo do Livro, e os idólatras ficarão no fogo do Inferno; lá viverão para sempre. Esses são os piores dos seres criados!» - Sura XCVIII, 5
«Tais são os preceitos de Deus. Os que obedecem a Deus e ao seu Profeta irão para os jardins por onde os regatos correm. Aí morrerão eternamente e isto será a maior felicidade.» - Sura IV,17 
«O que desobedecer a Deus e ao seu Profeta e transgredir os preceitos de Deus será precipitado no fogo, onde viverá eternamente, entregue a castigo ignominioso.» - Sura IV, 18

Acordei hoje com a telefonia a falar de mais umas manobras do «radicalismo islâmico» [sic], desta vez em Viena.**
É sempre assim, obrigatoriamente assim: «radicalismo islâmico», «fundamentalismo islâmico», «extremismo islâmico», «terrorismo islâmico» ..., como se o Islão não fosse, per se, radicalismo, fundamentalismo, extremismo, terrorismo. Até quando continuaremos no ocidente de matriz intercultural educada, bondosa, igualitária, convivial, inclusiva, ecuménica, a edulcorar com um qualificativo pleonástico, açaimados pela inquisição do pensamento autorizado, a essência do mal para explicar os factos?
Ai de nós, pobres de nós!

Como se não bastasse, vem o Papa Francisco tentar persuadir a gentinha ignara de que «o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência. […]» - "Evangelii gaudium
Ainda agora, na "Fratelli tutti", Carta encíclica de 03.Out.2020 que fez vir-se de entusiasmo — orgasmo 1,  orgasmo 2 — o insigne hermeneuta Pedro Marques Lopes, aprecie-se o tom ternurento e reverencial com que Francisco refere o Grande Imã que visitou em Fevereiro de 2019, nos pontos 5, 29, 136, 192 e 285. Ponto 285: «Naquele encontro fraterno, que recordo jubilosamente, com o Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb, declaramos – firmemente – que as religiões nunca incitam à guerra e não solicitam sentimentos de ódio, hostilidade, extremismo nem convidam à violência ou ao derramamento de sangue.(...)»
Interrogo-me se estes santíssimos cavalheiros não estão mesmo a tomar-nos por imbecis distraídos.

Entretanto e cumprindo o guião da bovinidade política universal, presidente-arlequim, António Costa e Ferro Rodrigues não poderiam deixar de vir, lestos, repudiar e condenar veementemente o ataque*** 

Islamófobo me confesso. 
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** Altura em que o Boavista dava 3 secos ao Benfica, o que me fez quase crer, Alá me perdoe, que Deus é (mesmo) grande!...

*** Resta saber se, quanto a António Costa, o fez antes ou depois do dever diário de homenagear Mário Soares. Os despachos da Lusa são omissos quanto a isso. issozisso.
E você, visitante paciente, já cumpriu hoje o seu dever diário

PS
Como estou bem disposto, não me vou sem uns miminhos para certas feministas que conheço. Usam votar no BE, na Joacine, no PCP e na esquerda do PS, mas quanto à consideração em que o islamismo tem a mulher nem um pio. 
«Os homens são superiores às mulheres pelas qualidades com que Deus [Alá] os elevou acima delas (...)» - Sura IV, 38
«Dize às crentes que baixem os olhos e que observem a continência, que só deixem ver os ornamentos exteriores, que cubram os seus com véus, que só mostrem os ornamentos a seus maridos ou a seus pais, ou aos pais dos seus maridos, a seus filhos ou aos filhos de seus maridos, a seus irmãos ou aos escravos ou servos varões sem desejos carnais, ou às crianças que ainda não distingam os órgãos sexuais da mulher. Que elas não agitem os pés de maneira a revelarem os ornamentos que trazem ocultos. (...)» - Sura XXIV, 31
«Ó Profeta, dize às tuas esposas e às tuas filhas e às mulheres dos crentes que deixem cair até abaixo os véus exteriores. Será mais fácil assim não as reconhecer e não as ofender. (...)» - Sura XXXIII,59 
«As vossas mulheres são para vós campo cultivado; percorrei o vosso campo como quiserdes (...)» - Sura II, 223
«Aos que juram afastar-se das mulheres impõe-se um período de espera de quatro meses (...)» - Sura II, 226
«As repudiadas aguardarão que decorram três períodos de regras antes de voltarem a casar (...)» - Sura II, 228
«Conservareis a mulher com humanidade e repudiá-la-eis com generosidade. (...)» - Sura II, 229
«Se alguém repudia a sua esposa não a poderá retomar depois sem que ela tenha casado com outro marido, e este por sua vez a tenha também repudiado (...)» - Sura II, 230
«Quando repudiardes mulheres e chegar o momento de as mandar embora, devereis tratá-las com humanidade e com humanidade as despedir. (...)» -  Sura II, 231

Finalmente, um "Protocolo de higiene" para a 35.ª vaga da covid: 
«(...) lavai a cara e as mãos até aos cotovelos; esfregai as cabeças e os pés até aos calcanhares.» - Sura V, 8
«(...) se um de vós vier de lugar escuso ou se acabar de ter relações com mulheres, se não se encontrar água, tomareis areia fina e limpa e com ela esfregareis o rosto e as mãos. (...)» - Sura V, 9

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O doutor Eduardo Ferro Rodrigues não tem categoria

Cinco anos volvidos, insisto, Eduardo Ferro Rodrigues não presta.
Veja-se a cara de desdém nauseado e prepotente do presidente da Assembleia da República, dirigindo-se a um deputado, quando diz
«Defesa da honra?! Tão fachvor, diga lá o que tem a dizer.»
[...]
Tem a palavra a senhora deputada Joceline, Joceline Katar Moreira ... E vamos continuar o debate, tem a palavra a senhora deputada Joacir Katar Moreira.»*
O aplauso longo e vibrante da bancada do PS diz muito da miséria moral daquela gente.** 
A propósito desta bravata, concordo com José Pacheco Pereira. Como, aliás, já com ele concordara em assunto semelhante

Falta ao insolente Eduardo Ferro Rodrigues, além de cultura democrática e educação cívica, aquilo que os portugueses designam por categoria. [Tou-me cagando para o segredo de justiça  ...  Há que salientar uma pessoa, um nome: José Sócrates!]
Aproveito para reconhecer que em Junho de 2015 me enganei nas contas. A repulsa mantém-se. Aumentada.

Ainda na sessão de ontem, deu-se o incidente entre Telmo Correia e Joacine Katar Moreira, por causa dos tratos de polé infligidos, com a bandeira do arco-íris em fundo, à bandeira portuguesa — não morro de amores por ela, confessei-o aqui —, na manifestação de solidariedade para com a deputada do Livre, em 21.Out.2019 junto ao Palácio de S. Bento.
Fui espreitar. Teve um orador que em 15 minutos de microfone em punho vociferou «na verdade» por 255 vezes, ou perto disso.
A coisa ia ponderada e serena — na parte da bandeira consegui perceber: linda, linda, linda de morrer!, e internacionalista, é esta — até que pelo 13.º minuto o meu entendimento analítico dos sortilégios do destino aleatório da problemática claudicou: «Na verdade, o Código do Trabalho tem que ser mudado ... porque tem consequências ainda mais nefastas para nós!»
Desculpem-me, mas o que é que este alucinado quer mesmo mudar na lei laboral?
Na verdade, a jornalista Fernanda Câncio denota adorar esta malta.
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* Ó doutor Ferro Rodrigues, aprenda o hino, porra!

** A miséria moral desce-se a galope.
João Bénard da Costa, "Fechar a casa", última das crónicas publicadas em 1989-1990 no semanário O Independente, reunidas em "Muito lá de casa" | Assírio & Alvim, 1993.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Fina flor - pressão, interferência

Ontem, 03.Dez.2019, acompanhei com atenção miudinha as audições de gente da RTP, na Comissão Parlamentar de Cultura e Comunicação, acerca do adiamento forçado, de antes para depois das eleições legislativas de 06.Out.2019, do programa "Sexta às 9", transmitido em 18.Out.2019, em que se apuravam umas merdas com governantes e compinchas de governantes em torno do negócio do lítio transmontano.

As explicações desassombradas de Sandra Felgueiras, autora do programa, cimentaram a minha convicção de que
- quem ditou o adiamento sem razão expressa plausível foi a direcção de Maria Flor Pedroso, de resto no uso inquestionável do seu poder;
- o que ditou o adiamento foi a inconveniência política, com adivinháveis estragos nas ambições eleitorais do PS se o programa fosse transmitido em altura pré-eleitoral.

Depois de Sandra Felgueiras foi a vez de Maria Flor Pedroso:
«[...] Eu trabalho no jornalismo político há 26 anos. [...] O jornalismo político é um jornalismo em que nós somos pressionados constantemente por fontes várias. Interferência?! Seria coisa que eu jamais toleraria. [...] Interferência? acho que é quase insultuoso para mim ouvir essa pergunta.* [...]»

Nos últimos 25 anos, em que venho seguindo na rádio e na televisão o trabalho jornalístico de Maria Flor Pedroso, mantive apreço por ela. Até ontem, em que insultou a inteligência de quem a escutava. Vá ver se chove. Aqui é sempre.

Maria Antónia Palla, mãe de António Costa, nascido em 1961, casou em 1974, em terceiras núpcias, com o coronel do Exército Manuel Pedroso Marques, irmão do tenente da Marinha Victor Marques Pedroso — temos os nomes trocados —, falecido em 1969, pai de Maria Flor Pedroso. Não faltam motivos para que a sobrinha do padrasto de António Costa, nascida em 1964, directora de Informação da RTP desde Outubro de 2018, se dê afectuosamente com o primeiro-ministro; e não é pecado.
Já São José Almeida, redactora principal no Público, contara em 24.Nov.2014, na ramalhuda "Árvore de António Costa", que foi Maria Flor Pedroso quem chamou a atenção de António Costa para o repelente Pedro Silva Pereira que haveria de ser apresentado por AC ao grão-trafulha José Sócrates.
Nada de mal, tudo natural, o mundo é uma ervilha. Todavia, confesso que quando as audições de ontem terminaram tive de pôr as janelas em corrente de ar tais eram os eflúvios do «caldeirão de incestuosa imundície» de que aqui falei.  **

Entretanto, o Eremita lança-me repto jocoso: "Deus, Ventura e a gramática".
Caro Eremita, eu é mais gamártica. De qualquer modo, a prosa soa indigesta, com maiúsculas a mais e uma exclamação estapafúrdia. Quanto à concordância nas enumerações de géneros diferenciados — acho piada e cabimento aos 201 gatos incluindo o cão, de Edite Prada —, pedisse o doutor Ventura ajuda à doutora Joacine e ela, mulher de amor, decerto o livraria do embaraço: «o discernimento, a lucidez e a força necessári@s» e não se falava mais nisso. No mais, quero que o Chega se foda.
Abraço retribuído.
___________________________________________
* Afinal, até no papel de singelo e eterno aprendiz que o acaso me atribuiu também eu vivo sujeito a pressão permanente, desde logo a arterial, e, sendo certo que não tomo nenhuma decisão sem que o meu pensamento e o meu sangue interfiram, jamais toleraria que, por exemplo, o querido primo Franquelim interferisse de fora no presente que lhe vou dar no Natal. Nem ele precisa de interferir nem eu preciso de que ele interfira: sei do que ele gosta, sei o que o pode desgostar, o coração não se engana e o pensamento ... concorda.

**
Amigo Plúvio, como é que sabe tantas coisas da vida das pessoas?
Passo o tempo a revolver ecopontos e homo sum, humani nihil a me alienum puto. Mas não fui eu, não pense, que encontrei o filho da Sara. Não quero complicações com o Marcelo e até se me arrepiava o timo se me pusessem um microfone da CMTV à frente...
Cuscar sobre a vida das pessoas tem algum interesse?
Depende. Por exemplo, estive para contar que Maria Flor Pedroso é casada com o grandíssimo artista Henrique Cayatte — tenho falado dele —, mas isso não interessava nada.
Concordo.
Concorda com quê?
Com Henrique Cayatte ser um dos melhores designers portugueses e com pouco interessar que viva com Maria Flor Pedroso. Mas já agora, amigo Plúvio, porque se esconde tanto, porque conta tão pouco de si?
Começo a ficar careca de me contar.
Fogo, amigo Plúvio, também não era preciso tanto.
Falta o telemóvel. Para isso vá ao 1820.

sábado, 16 de novembro de 2019

Incluindo o casamento pela Igreja e o rezar escorreito, tudo em Joacine soa a contrabando ideológico recauchutado

Declaração prévia
Eu, Plúvio, incapaz de me pensar, bem como à sociedade a que pertenço, fora do paternalismo colonialista em que o Estado Novo me formatou a história, o quotidiano, a imaginação e o desejo, declaro-me farto até ao vómito de tanta «responsabilidade cidadã» e de tanta «linguagem do ódio».
Vamos a isto.

Um dos textos em que nos últimos tempos me pareceu, linha a linha, exemplo a exemplo, ressumar maior e mais objectiva desonestidade foi o da prosélita professora Susana Peralta,  "A gaguez de Joacine e a pequenez do nosso espaço público", no Público de 08.Nov.2019.
No Público de ontem, 15.Nov.2019, Bárbara Reis, não deixando de me surpreender, vem estribar com argumentação poderosa a minha repulsa de uma semana atrás: "Churchill e Joe Biden são gagos? A ideologia pode cegar".
Ai cega, cega!

Não separe o homem o que Deus uniu... Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco... 
«[...] Joacine é divorciada e tem uma filha de três anos, Anaís Leonor. Primeiro, casou-se na conservatória com o ex-marido. Depois casou pela Igreja. 'Para irritação das minhas amigas feministas, digo que preciso de alguma incoerência na minha vida' [...] Ainda hoje, se rezar uma ave-maria, como fez à nossa frente, as palavras saem-lhe escorreitas sem qualquer tipo de hesitações. Não sabe explicar porquê mas não gagueja quando reza.»
- Octávio Lousada Oliveira/Sílvia Caneco, "A mulher que até os colegas de partido irrita" | Visão, 14.Nov.2019
Caso para sugerir que, em vez de falar, ó mulher, reze no hemiciclo! 

Joacine e o ódio
«[...] Nunca respondi com ódio a comentários de ódio, nem com ansiedade, nem com raiva, às vezes até sou irónica. O que verdadeiramente me incomoda são estes artigos mascarados de análises. Houve um ordinário que até meteu a minha gaguez no artigo, e era um indivíduo que eu respeitava*. Isto é incitamento ao ódio. É abrir a torneira da intolerância, do racismo, da xenofobia, da discriminação. A ironia é que muitas destas pessoas são antifascistas. [...]»
- Joacine Katar Moreira entrevistada por Carolina Reis, "Há intelectuais a legitimar o ódio" | Expresso, 09.Nov.2019 
Sorte a de Ferreira Fernandes em não ser mimoseado com «um fascista ordinário». Esteve por um triz.

Joacine e o amor
«[...] Eu iniciaria** ... Eu iria iniciar** ...  Política sem amor é comércio. [...]»
Apetece informar a amorosa doutora Joacine de que «O amor é de outras leis». Desde logo, na lei fundamental da República Portuguesa não ocorre senão uma muito sumida vez, a quatro artigos do fim [alínea b) do n.º 1 do artigo 293.º], na «amortização da dívida pública».  

«[...] os insultos que se sucedem, desde então, mostram que muitos são incapazes de se pensar e à sua sociedade fora do paternalismo colonialista em que o Estado Novo formatou história e quotidiano, imaginação e desejo. [...]
Xs signatárixs***, de vários quadrantes da vida cultural, social, académica e política, declaram solidariedade com a deputada Joacine Katar Moreira e apelam ao sentido de responsabilidade cidadã dos portugueses e das instituições públicas, para que não deixem impor-se a linguagem do ódio e da desconfiança onde deve apenas haver lugar para a vigilância crítica, o debate aberto e a vontade de ir mais longe na construção de um futuro melhor para todxs***
No momento desta publicação, ia em 314 signatários, arcanjos do costume mobilizados contra o Mal, entre os quais, mais do que previsivelmente, "Susana Peralta - professora de economia" e, obrigatoriamente, Boaventura de Sousa Santos, Mamadou Ba e Flávio Almada, um dos seis gentis «jovens da Cova da Moura»

Quase a despropósito,
«[...] O que acontece é que se tornou uma obrigação comercial, e de marketing, que todos os cantores, escritores, misses, influencers e demais figuras públicas, tenham de fazer uma declaração sobre o apocalipse e a maneira de nos salvarmos todos e sermos boas pessoas.
Daqui a um ano não há cantor, actriz, ou parvinho, que não seja vegetariano, devoto de Santa Greta, apaixonado pela "sustentabilidade", a favor da mudança de género, especialista em ozono, devorador de tofu, praticante de biodança e amigo das iguanas.
A banalização do mal é um dos horrores da nossa história – mas a "banalização do bem" desvaloriza-nos a todos.»
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* Ferreira Fernandes, "À espera de Joacine, a deputada" | DN, 02.Nov.2019

** Apesar de novato nestas lides, o duende político de Joacine Katar Moreira pede meças à retórica gelatinosa, como a de Marcelo Rebelo de Sousa ou de Luís Marques Mendes. Imbatíveis no modo condicional, enunciam como quem pega de cernelha: nunca dizem, diriam; nunca vão, iriam. [A propósito, Victor Bandarra, "A epidemia dos narizes de cera" | CM, 10.Nov.2019] No mais — e tenho procurado escalpelizar as intervenções públicas (textos, entrevistas, discursos) da lusoguineense —, Joacine Katar Moreira não passa de uma actriz política de pacotilha, não menos demagoga nem mais respeitável do que o doutor André Ventura, replicadora de bovinidades ultragastas e, pior, gárgula escorrente de repertório autoritário, arrogante e moralista. Por exemplo, reparo que nunca gagueja em «obviamente», advérbio que lhe é muito caro.

*** Sic. Se o ridículo matasse...

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Para lamentar [1]

«Parlamento - Do francês parlement, de parler, falar, originário do latim parabolare, falar. Origem etimológica da expressão (dizia-se da conversa dos monges nos claustros depois das refeições principais; diz-se do discurso que se faz em público numa assembleia) [...]»
- "Repertório Português de Ciência Política", de José Adelino Maltez

Assim, se este modo de intervir no parlamento não é uma aberração, é o quê?
Como se não bastasse a sintaxe defeituosa; constando, no entanto, que a deputada se doutorou no ISCTE

Apetece pensar que ao Rui Tavares, que ultimamente se revelou, para minha já aqui admitida decepção, um político oportunista do piorio, é bem capaz de lhe morar lá no fundo um refinado e alternado sadomasoquista. Com efeito, RT e o seu partido parecem comprazer-se no espectáculo grotesco e penoso a que sujeitam a rapariga.
Afinal e como diria o insigne conceptualista português Toy, «nada substitui aquilo que somos enquanto âmago de essência.» 

Já agora, não me inibo de achar que Joacine Katar Moreira está para a cidadania como Nelson Évora ou Pedro Pichardo estão para o triplo-salto lusitano.
Portugal (ainda) é uma terra de oportunidades. Bem hajam os forasteiros que com honradez as almejam e granjeiam.

E não, nada me anima contra a deficiência. Respeito-a. Eu mesmo sou filho de um deficiente, nada garantindo sequer a minha sanidade.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Tavares, Ventura, Saraiva, Tolentino e o mais

Faz três semanas, penitenciei-me por em Maio passado ter votado no doutor Rui Tavares para Estrasburgo. Lembrar isso ainda me envergonha. 
O historiador Rui Tavares, que por também tocar trombone e a mulher flauta e saxofone me suscitava vaga simpatia, revelou-se-me na recente campanha das legislativas, com Joacine Katar Moreira no andor, um pantomineiro tão cínico, oportunista e demagogo como qualquer pantomineiro cínico, oportunista e demagogo usa ser. O topete eleiçoeiro de RT culminou no "Acabou-se a sorte", em que no Público de 09.Out.2019 se queixa, calimero sem dinheiro para outdoors, e esperneia e dispara contra o dr. Pedro Passos Coelho, presuntivo pai político do professor doutor André Claro Amaral Ventura, sem nunca lhe mencionar o nome — isso não lhe fica bem, ó Rui Tavares —, que ao ser eleito, tão democraticamente como a sua criatura Joacine, já agora com mais 10654 votos globais do que o Livre obteve, vai encharcar de peçonha o Palácio de S. Bento e trazer o apocalipse à República Portuguesa. 
Pego nestes nacos:
«[...] Mas agora apareceu um fala-barato um bocadinho mais organizado — ou, nas palavras de um dos seus antecessores mais azarados e azedos*, “um oportunista levado ao colo pela comunicação social, cheio de dinheiro, com outdoors em todo o país”, e eis que a extrema-direita entra no parlamento português. [...]
Chama-se Pedro Passos Coelho. Foi primeiro-ministro do nosso país e presidente do PSD. Foi ele quem chamou um então advogado e comentador desportivo para ser candidato do seu partido à Câmara de Loures nas últimas autárquicas. [...]»
Será da minha presbiopia mas não me lembro de nenhum outro partido como o Livre, para não falar da própria pessoa de RT, com os sucessivos resultados pífios nas eleições em que se envolveu, que no último lustro, desde a fundação, tenha tido e continue a ter tanto colo na comunicação social (RTP, SIC, TVI, Canal Q, Público, Diário de Notícias, Expresso...), não falando da matilha urbanoesquerdóide de plumitivos invariavelmente baptizados no Lux Frágil que em todas as redes o apaparicam e promovem. Pelo amor da santa, senhor doutor! Tenha decoro.
E para que conste, ilustre historiador, «então advogado» coisa nenhuma: André Ventura, jurista mas não, sequer «então» (2017), advogado. Limitou-se a um estágio em advocacia, em 2006/2007, sem seguimento profissional.**

É em tal entendimento que subscrevo, palavra por palavra, o que José António Saraiva escreve no Sol de ontem, 19.Out.2019, "A gaguês como arma política", acerca de Rui Tavares e da candidatura da doutora Joacine Katar Moreira.
De resto, quero que o doutor Rui Tavares se foda. E continuarei, como sempre, atento ao que ele, e todos os outros, fazem, escrevem, dizem.

Por falar em Joacine, dei-me ao exercício estóico de escutar os 27 minutos sem gaguejos — aleluia! — do chorrilho de banalidades com que, em 4 de Outubro corrente, no Auditório Camões, em Lisboa, ela encerrou a campanha, «unidos e unidas naquilo que nos une, todos e todas», rematado com a quinta-essência da hinologia contemporânea, "O sem precedente", pelo Fado Bicha
André e. Teodósio, paneleiro estimável de que falei "Na morte de um taberneiro bem sucedido", chamou aos tais 27 minutos, com ponto de exclamação e sem pagar multa,
Ó Teodósio, pá, que conheces tu de discursos, de história, ou de política em Portugal? Que sabes tu de Portugal?
Ora coteja aí a Joacine com, por exemplo, um ao calhas, Jorge de Sena na Guarda, no "10 de Junho" de 1977. Que tal?
Lê, pá, sai do palco e vai ler, que no «século XXII» — em que a tua Joacine, foi ela que o proclamou, vai ser deputada — ainda não há nada que se aprenda.***
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* Outro de que Rui Tavares, arrogante e mal-criado, também não diz o nome:

** Não gosto nem gasto de André Ventura, conto tê-lo dado a entender aqui. Conheço-o razoavelmente pelas publicações na imprensa; cruzámo-nos uma vez, nas autárquicas de 2017, numa tarde em que andou na Bobadela-Loures a apregoar-se. Ripostei o passou-bem que, simpático e delicado, pediu autorização para me dar — «Posso cumprimentá-lo?» —, e disse-lhe «Obrigado.» pelas duas esferográficas de caca que me ofereceu com a inscrição «primeiro Loures». Votei CDU, relembro. Pelo clarinete. Mas não vá o prestígio do Plúvio ter acabado de cair na desonra, declaro já por minha honra que não senti necessidade de lavar as mãos a seguir.
Enfim, conviria conhecer um pouco melhor, começando talvez pelas competências, currículo escolar e profissional, o agora deputado André Ventura antes de excretar, com a voz iluminada pela ignorância, os lugares-comuns e os estereótipos do susto fascista.
Quero crer em que a alguns desses não ou mal informados [ocorrem-me, além de Rui Tavares, Ricardo Araújo Pereira***, Daniel Oliveira, Isabel Moreira, Joana Gorjão Henriques, Vasco M. Barreto, Pedro Marques Lopes, Inês Pedrosa, Carmo Afonso, Ana Matos Pires...] causará surpresa, por exemplo, a ligação de André Ventura ao inefável, escorregadio e ubíquo José Tolentino Mendonça**** ou certos aspectos pouco conhecidos da sua vida e do seu pensamento.

*** Mas deixem-me, por 22 segundos, imaginar o século XXII de Rui Tavares e de Joacine Katar Moreira. Uma sociedade 100% inclusiva em que os anósmicos fabricarão perfumes, os disgeusíacos chefiarão as cozinhas e escolherão os vinhos, só a bicheza e o fufedo procriarão, todos os amblíopes serão neurocirurgiões, os amputados tocarão guitarra e praticarão pentatlo moderno...; e, claro, um parlamento 100% inclusivo: 230 deputados exclusivamente afrodescendentes, boémios, sino-ameríndios, esquimós, monhés e algarvios. Nessa altura o hino nacional será "O-SEM-PRECEDENTE". Isto, se entretanto os netos de Cristina Ferreira não tiverem revogado a Constituição e reconfigurado as fronteiras.   

**** Então não é que o Ricardo esteve com a Joacine no matrimónio da Bárbara, catequista dela***** [vê-se no que deu a catequese: activista radical, feminista radical, antifascista radical, anti-racista radical, pró-LGBTuvwxyz radical, preta radical, ruitavarista radical, gaga radical] ... celebrado por quem, por quem? O Tolentino, tinha de ser. Isto anda tudo ligado:
«[...]
- Ó mãe, como é que nunca nos disseste que a Joacine é gaga?
Joacine Katar Moreira: uma activista negra a caminho do Parlamento?
- Como é que vocês sabem?
- Esteve no Ricardo.
“No Ricardo” é o programa Gente Que não Sabe Estar, por onde passaram tantos candidatos e políticos nos últimos tempos para conversar com Ricardo Araújo Pereira, na TVI.
- Que engraçado! A Joacine e o Ricardo nem sabem que já se tinham cruzado antes na vida, foi no nosso casamento... Sabiam que o padre Tolentino vai ser ordenado cardeal? 
- Ó mãe, isso agora não interessa nada! Como é que nunca nos disseste que é gaga?
A pergunta intriga-me. O que lhes terei dito sobre a então candidata do Livre, hoje deputada eleita à Assembleia da República? Conheci-a há mais de 20 anos, era ela adolescente e dei-lhe catequese. Quando a vi nos cartazes, comentei-o com os meus filhos e disse-lhes que então Joacine tinha longas tranças e que já era alta e bonita como é agora. Mantém os mesmos olhos curiosos, mas também desafiadores.
[...]»
O Tolentino tem cá uns groupies — Assunção Cristas,  Laurinda Alves,  Maria João Avillez,  André Ventura ... —  que não sei se diga, se conte. 

***** [Cinco asteriscos, caralho!******]  Com esta é que a Fernanda Câncio, laica e ateia radical militante, se passa; logo ela que ama com efusão a Joacine. Mas como também adora o Conan, a coisa pode ser que se componha.

****** Isto é, apre!

Foi assim.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Tolentino, o gato que rosna e outras inquietações

"Desassossego" é um programa da RTP 2 em que Maria João Seixas [MJS], que gagueja mil vezes melhor do que a dra. Joacine — heroína de «O sem precedente», coisa inenarravelmente pretensiosa, desconchavada, oportunista e mal escrita* — conversa aos serões de domingo com um convidado.
No primeiro episódio, em 22.Set.2019, compareceu o arcebispo de Suava, José Tolentino Mendonça [JTM], que receberá em Roma a púrpura cardinalícia** no próximo sábado, 5 de Outubro
Conversa de crentes.
MJS- Eu gostava de ser imortal.
JTM- Mas a Maria João é imortal.
MJS- Ó meu amigo!...
...
JTM- Eu lembro-me ... quando morreu o meu pai ... e lembro-me de um gato ter vindo rosnar*** aos meus pés e aquietar-se ali.

Morte por morte, interrogação por interrogação, gostei mais da conversa com José Pedro Serra [JPS]:
JPS- Mortes para as diversas ilusões ... Aprendizagem de um despojamento interior ... Mas este discurso sobre o despojamento pode ainda ser uma máscara de grande vaidade ... A ressonância autêntica de tudo isto dá-se interiormente ... Há aqui uma aprendizagem difícil ... Isso é magnífico para mim, faz parte da tal glória. 
MJS- Eu é mais Glória a Deus nas alturas...
...
JPS- Quem somos? ... Quem é Deus? ... O que morre, quem morre, quando morremos? ... Quem, afinal, eu sou? Eu não sei.

Nem eu.
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* Ao ver a linda figura que Rui Tavares faz neste bordel inclusivo receio bem que os deuses me não desculpem de em 26 de Maio último ter votado nele para o Parlamento Europeu. Debalde, aliás.

** Mais um panasca na Cúria?

*** Na minha terra rosnam os cães e os felinos ronronam.