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domingo, 13 de março de 2022

Ucrânia - Abrunhosa em combate

Embirro desde sempre com o sujeito, o que facilita não dizer bem dele.

Na conversa longa publicada em 10 páginas da defunta NS' de 18.Dez.2010, fazia Pedro Abrunhosa [Porto,  20.Dez.1960] 50 anos, a jornalista extasiada, Sónia Morais Santos, apresentava-o assim:
«Pedro Abrunhosa é culto, cultíssimo. Tão depressa cita Borges ou Faulkner, como recorda Rembrandt ou Leonardo da Vinci. Tão depressa compara o panorama político actual com outros períodos da História, que conhece bem e com rigor, como indica as teorias de sociólogos, antropólogos, escritores ou músicos que estudou com minúcia e que lhe enriquecem o discurso. Fá-lo naturalmente, sem pretensiosismos bacocos.» a)
Quanto a «bacocos», concedo; já quanto a «pretensiosismos», duvido. Mas que é «cultíssimo», se calhar é:
Há um epifenómeno sociológico de consentaneidade da identidade nacional política com a identidade sociológica. - id., ibid.

Industrial pró$p€ro do entretenimento, continuo a achar PA um cabotino esperto, pretensioso, exibicionista; compositor e executante medíocre.
A criador com este arcaboiço curricular exigir-se-ia criação mais rica e variada do que a linha isoeléctrica de coração parado donde parecem brotar, com raríssimos fogachos de estro, os sucessivos sucessos dos últimos 30 anos — sucessivos sucessos, Plúvio?!    
É certo que António Carlos Jobim fez "Samba de uma nota só"  ou "Águas de Março", mas só é linear como Jobim quem pode. ACJ podia, PA não.

a) Se Abrunhosa já era tudo isto em 2010, imagine-se 12 anos depois. A cada intervenção sua o firmamento rutila.
Não? Ora vejam.
Guerra na Ucrânia. Pega-se num verso de São João da Cruz, noutro de Dylan Thomas; embrulham-se numa capa de António Lobo Antunes, e vai disto.

"Que O Amor Te Salve Nesta Noite Escura"
Que o amor te salve nesta noite escura,
E que a luz* te abrace na hora marcada,
Amor que se acende na manhã mais dura, 
Quem há-de chorar quando a voz se apaga?

Ainda há fogo dentro!
Ainda há frutos sem veneno!
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
E há uma luz* que chama,
Outra luz* que cala,
E uma luz* que é nossa.

Que a manhã levante a rosa dos ventos
E um cerco apertado à palavra guerra, 
Ninguém nesta terra é dono do tempo,
Não é deste tempo o chão que te espera.

Ainda há fogo dentro!
Ainda há frutos sem veneno!
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo, 
Que o amor nos salve.
E há uma luz* que chama
E outra luz* que cala
E há uma luz* que é nossa.
 
O princípio do mundo começou agora,
A semente será fruto pela vida fora.
Esta porta aberta nunca foi selada
Para deixar entrar a última hora.

Ainda há fogo dentro! 
Ainda há frutos sem veneno! 
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
Porque há uma luz* que chama
E outra luz* que é nossa
E há uma luz* que cala.

Ainda há fogo dentro! 
Ainda há frutos sem veneno! 
Ainda há luz* na estrada!
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos salve.
Porque há uma luz* que chama
E outra luz* que é nossa
E há uma luz* que se acende.
PA só sabe fazer assim, clone múltiplo de si mesmo, embora aqui levemente menos genial.
«[...] a forma que encontrei para me salvar, porque me sinto incapaz para ir agir no terreno, é escrevendo canções [...] canção despida para tempos difíceis [...] foi escrita em apenas duas horas [...]»

Não sei se os amáveis leitores conseguem imaginar um sexagenário tripeiro, de óculos escuros e fisga assestada a desbastar russos na noite escura duma pradaria ucraniana...
Eu consigo. Não só consigo como garanto que sou capaz de em menos de duas horas fazer uma cagada com maior qualidade e menor pretensão.

Morte a Putin!

Meu rico Jorge Palma!
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* A propósito, quem mais senão um comerciante talentosíssimo como PA conseguiria com tão esplendoroso brilho pôr à venda de olhos vendados — venda de olhos vendados, Plúvio?! —  a própria Luz?
Até o arlequim compareceu. Isto anda tudo ligado.

Já agora, salvo nos casos de explicação fotossensível e de outra índole sanitária, ou por circunstanciais e estimáveis caprichos de imagem [imagem de marca®  é outra coisa], acho o uso de óculos escuros não só pindérico como má educação não se tirarem quando falamos com interlocutores próximos.
É por isso que me apetece concordar com a proclamação de Joel Neto, sportinguista excelente, em 23.Abr.2011: «Declaro que os óculos escuros são a maior pinderiquice dos séculos XX e XXI

terça-feira, 18 de maio de 2021

Bem-vindos ao país cristino [9]

Quando a protagonista é a morte, acho a pornografia uma coisa especialmente indecorosa, repugnante.
Estes 45 minutos de ontem, em Portugal, souberam-me a pornografia da pior.
Que leva um pai enlutado a tal exibição?
Bem sei, ou julgo saber: share, um milhão e setecentos mil espectadores. Incluo-me; ainda tenho bom estômago.

Mas nada como socorrer-me de quem sabe mesmo disto:
«Eu conheço o jogo ... sei o que é preciso fazer, isto é um negócio.»

E não, aquele não foi o momento mais decente na carreira do oficiante comovido, de resto um dos melhores profissionais na indústria televisiva do entretenimento.
Quanto ao Carreira-artista nacional propriamente dito — não, como é evidente, o pai Carreira —, a minha admiração é nenhuma. Ratoneiro de cantigas.

Chamem-me insensível.

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Luto de arlequim

«Marcelo Rebelo de Sousa apresentou condolências à Família de Sara Carreira
Neste momento de dor, luto e choque, apresentei as minhas sentidas e amigas condolências à família Carreira pela terrível perda.
Marcelo Rebelo de Sousa»

Ignorante e perplexo, prostro-me ante a morte e o sofrimento da morte.
O que não me coarcta a análise crítica e epistemológica, em perspectiva e correlação, de certas e determinadas coisas, considerando, talvez sobretudo, as incertas e as indeterminadas.
Em Março último, Lhor Homeniuk morreu no aeroporto de Lisboa às mãos da República Portuguesa e do presidente desta nem um pio de pesar ou desculpa.
Um destes dias morreu um estimável e popular profissional do futebol [Vítor Oliveira, 17.Nov.1953-28.Nov.2020e de Belém nem um sussurro.
Na outra semana morreu a querida e bondosa tia Alice, irmã da minha mãe, e do arlequim silêncio sepulcral.
O que terá impelido Marcelo a tornar públicas e tão conspícuas as suas «amigas condolências»?
Deixem-me adivinhar: 
Portugal gaiteiro e bimbo, país cristino...

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ladroagem, honra, orgulho

«Ministério Público acusa Tony Carreira de plagiar 11 músicas
...
Os arguidos aproveitam a matriz de obras alheias, utilizando a mesma estrutura, melodia, harmonia, ritmo e orquestração e, por vezes, a própria letra de obras estrangeiras que traduzem, obtendo um trabalho que não é mais do que uma reprodução parcial do original, não obstante a introdução de modificações”, explica a acusação.
...
Tony Carreira está acusado de 11 crimes de usurpação e de outros tantos de contrafacção

António Costa, primeiro-ministro, rejubila e aplaude de pé.
«Foi uma sorte esta coincidênciaEu quis transmitir de forma clara e inequívoca o grande respeito e consideração que o Estado português tem pelo trabalho que ele faz e o orgulho que temos por ter visto o seu trabalho reconhecido pela França.»
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quinta-feira, 16 de março de 2017

António Lobo Antunes

Não sei se é o melhor. Ele tem-se como tal.
Aprecio o escritor António Lobo Antunes. É o mestre da metáfora e um artista sinfónico.
Guardo desde 1979 as entrevistas mais significativas na imprensa portuguesa. Julgo ter assistido a todas as que concedeu às rádios e televisões de cá, incluindo as conversas fraternas com Mário Crespo ou aquelas em que vem repetidamente professando funda admiração por Tony Carreira
Acompanho-o nos romances e na Visão
A entrevista longa mais recente deu-a a Cristina Margato no Expresso de 11.Fev.2017.
Diz sempre o mesmo, conta sempre as mesmas anedotas. Todavia, desta vez disse um pouco mais. Perpassa por ali um Lobo Antunes estagiado e amadurecido em pelo menos 35 anos de vigorosas barricas de caralho português e aviso já que não me responsabilizo por letras despencadas da árvore.

Vaidade de vaidades...
«eu era bonito que me fartava, bolas!
[...]
Comecei por perceber que estas folhinhas [onde escreve] valiam muita massa quando estava na Transilvânia. Havia uma feira do livro, e apareceu-me uma senhora com uma destas folhas. Perguntei-lhe: “Mas onde é que a senhora arranjou isto?” “Num leilão.” Como é que aquilo foi parar à Roménia? Eu dava capítulos inteiros a amigos. É como dar um quadro a amigo e ele ir vendê-lo.
[...]
Eu fui muito precoce e, segundo a minha mãe conta, aos dois anos falava espanhol.
[...]
- O que pensa sobre o Nobel da Literatura deste ano?
«Nem penso nisso. Pensava que o prémio fosse muito mais dinheiro.*
[...]
Acho a lista do Prémio Jerusalém muito melhor.**
[...]
O Prémio Jerusalém, que tem uma lista excelente**, começa com o Bertrand Russell. Tem Borges, de que não sou grande fã, mas ele é bom.
[...]
Havia uma cadeira de psicologia na faculdade e o professor fez-me os testes. Eu tinha 187 [QI]. Mas isto não quer dizer nada.
[...]
sou muito cagão.»***

Será que não sabe que se repete desde sempre?
«E depois se me começo a repetir? Se calhar já me repito agora e não me dou conta.
[...]
Tenho muito medo de começar a repetir-me.»

Todos? Que falácia! Se quiser faculto-lhe um rol de grandes físicos e matemáticos do século XX todos profundamente descrentes.
«Grandes físicos e matemáticos do século XX são todos profundamente crentes e falam sobre Deus.»

Sobre José Saramago. Desprezo, inveja, dor de cotovelo?
«O Saramago achava-se mesmo um grande escritor. Eu sempre achei aquilo uma merda, ainda não o conhecia. Sempre teve mulheres de direita enquanto se afirmava comunista. Nunca correu riscos. Nunca foi preso. Nunca tive uma conversa com ele sobre livros.
- Nunca houve uma conversa?
«Como havia de ter? Não há tertúlias. Não nos encontrávamos muito. Nunca tive uma conversa com ele mas também não me interessava muito.»

António Lobo Antunes, por favor, não finja, não se menoscabe. As suas crónicas são pequenas pérolas, você sabe-o bem, investe nelas quanto pode e retira delas rico provento. Por favor!
«Espanta-me que as pessoas gostem das crónicas.»

Tendo para concordar.
«Os políticos são repugnantes, de uma maneira geral.»****

Que sobranceria, céus!
- Usa dicionários?
«Não, não tenho. Para quê?»*****
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* Quem pensa António Lobo Antunes que endromina?
«Mas porque é que se há-de estar a dar importância a uma coisa que é só um prémio? […] Descanse que ele vai vir! […] É inevitável. Neste momento, com tudo isto que se passa à minha volta, acerca de mim, é inevitável. Nos próximos três anos, um destes anos vem. Não me dá uma alegria especial.
De qualquer maneira, se der alegria aos portugueses já fico contente.
»
Conversa com Fátima Campos Ferreira, "O meu tempo é hoje", gravada em sua casa na penúltima semana de Novembro de 2014; transmitida na RTP Informação em 23.Jan.2015.

** António Lobo Antunes ganhou o Prémio Jerusalém em 2005. Quando receber o Nobel veremos como se lhe referirá na cerimónia de entrega e entrevistas seguintes.

*** Nota-se.

**** Vendo melhor, talvez uns menos do que outros.

***** Para quê?, senhor doutor e escritor António Lobo Antunes? Olhe, para por exemplo não passar pela vergonha de, aos 74 anos e com obra do tamanho da sua, aviar em público «cinco quilos e quatrocentas gramas» de costeletas e miudezas. Ainda ontem...
Os dicionários costumam ser bom antídoto da ignorância.

«Outro dia era um senhor, que já não é ministro, a dizer na televisão 'nunca tinha visto nem ouvisto'. Isto é um ministro? Falam assim, 'nunca tinha visto nem ouvisto'.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Tony Carreira, criação e a honra do cavaleiro

«[…]
A cerimónia de atribuição do grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras a Tony Carreira, em Paris, na sexta-feira, ficou marcada pelas críticas do artista ao Governo português e ao embaixador naquele país, Moraes Cabral, que não autorizou que a cerimónia se realizasse na representação diplomática portuguesa em Paris.
[…]
A Ordem das Artes e Letras (Ordre des Arts et des Lettres, em francês) é uma condecoração concedida pelo Ministério da Cultura da França para recompensar "as pessoas que se distinguem pela sua criação no domínio artístico ou literário ou pela sua contribuição ao desenvolvimento das artes e das letras na França e no mundo".»
DN,19.Jan.2016

Avivo: «pessoas que se distinguem pela sua criação no domínio artístico ou literário». Criação.
- Insinuais, Plúvio, que o tuga Tony não cria?
- Cria, pois, ó se cria!
Vejamos, por amostra, sete estrondosos sucessos de venda de que Tony Carreira se fez registar como autor/compositor na Sociedade Portuguesa de Autores [informação recolhida na página da SPA em 07.Nov.2009], facturando, imagina-se que não pouco, os correspondentes direitos de execução, difusão, reprodução.
.  Sonhos de menino     *
Compare-se: L’idiot, por Hervé Vilard [1981]; composição de Hervé Vilard

Compare-se: Zingarella, por Ajda Pekkan; composição de Enrico Macias [1988]

Compare-se: Uno Tranquilo, por Riccardo Del Turco [1967]; composição de Daniele Pace, Mario Panzeri e Lorenzo Pilat

Compare-se: Toi qui manques a ma vie, por Natasha St-Pier; composição de Julie D’Aimé e Calogero Bros [2002]

Compare-se: Después de ti, qué?, por Cristian Castro; composição de Rudy Peréz [1997]

Compare-se: Cloud number nine, por Bryan Adams [1999]; composição de Bryan Adams, Max Martin e Gretchen Peters

Compare-se: Écris-moi, por Pierre Bachelet; composição de Pierre Bachelet [1982]

Isto é, reclamação a haver, essa mais do que pertinente e que eu saiba não houve, seria junto da República Francesa: que raio de prévia avaliação fizeram da genuinidade criativa deste português espertalhão e bem-sucedido?
Parece-me, assim, judicioso que a embaixada em Paris não se tenha franqueado a esta mal enjorcada e desprestigiante manobra de cavalaria, coonestando-a.

Opinião de José Cid, que não tenho por despeitado, impostor ou incompetente.

A França, que de certo ponto de vista agraciou um larápio, que se precate não vá A Marselhesa aparecer atribuída a Tony Carreira numa qualquer chafarica de registo e cobrança de direitos de … criação.
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* A propósito...

sábado, 16 de maio de 2015

"Fátima: a enganar pessoas desde 1917™" *


No dia 13 de Maio de 1967, sábado, chuviscou o dia todo. Paulo VI veio à Cova da Iria [vá, leitor, são só 45 minutos de História] rezar e fazer as representações do costume ante uma boneca descalça de cedro brasileiro e outros ícones. Eu estava no coro [o que nós ensaiámos naquela semana, com trinta milheiros!], ali ao lado do Papa, da irmã Lúcia, de Américo Tomás e de Salazar, honrados e desvanecidos pela presença tão próxima do Plúvio. Na altura ainda acreditava religiosamente naquilo tudo. Difícil era não acreditar, pois se nascera, em 1953, a quatro quilómetros dali, fora intensamente caldeado desde a infância naquela realidade e estudava num seminário de missionários italianos em Fátima de que sairia em 1970, sem vocação e com a fé já a dar de si: outra música [se Júlia não é o nome mais bonito de mulher, qual é ele?] e, sobretudo, a mini-saia da Maria do Céu, que vendia bugigangas religiosas no hotel Pax, faziam muito mais pela minha saúde e pelo meu entusiasmo de viver do que um terabaite de pai-nossos. Sim, a entoação e o timbre igníferos de Ornela Vanoni também ajudaram. Oh adolescência indefesa!
Pelos 17 anos, o ar do tempo fez-me entrar num processo de reflexão crítica — de mim, da vida, do mundo, das coisas, de tudo e de nada — que me tomou conta das vísceras e do metabolismo e não mais parou, sem nunca me arrimar a um emblema [vejo sempre mais o indivíduo pregado nele do que o contrário] ou me conformar a alguma certeza certa, como a de que azeitonas em excesso fazem mal ou a de que o mal-falante, funâmbulo e colérico António Costa será melhor primeiro-ministro do que Passos Coelho, nossa pinícula provação. Uma infelicidade, em suma.
Voltando às aparições na charneca, vi e ouvi muito, conversei com variadas pessoas do sítio, coetâneas e testemunhas do fenómeno [1917] ou próximas; li tudo — continuo a ler —, de João De Marchi a João Ilharco, de Fina d'Armada e Joaquim Fernandes a Mário de Oliveira**, etc.
E no que deu tanta indagação?
Não digo que a experiência e o conhecimento de Fátima, apesar de relativamente extensos, me confiram qualquer autoridade para validar o ponto de vista de Hugo Gonçalves, mas que me animam o pressentimento de que Hugo Gonçalves está certo, ai isso animam. Concordo vivamente com ele e felicito o Diário de Notícias pela publicação do título arrojado. Arrojado, num país enraizadamente mariano, crente e catolicozinho da treta que elegeu por cinco vezes Cavaco Silva, se inebria nas gordas do Correio da Manhã, segue, babado, Cristina Ferreira, idolatra o gatuno de cantigas Tony Carreira, põe Eusébio no Panteão [o meu cadáver podem depositá-lo no contentor verde-escuro, o do lixo orgânico, e levá-lo para a Valorsul - base rítmica empolgante] e venera com unção o discurso e o pensamento de Jorge de Jesus que conferencia trinta minutos por semana em directo para cinco canais de TV que depois repetem trinta vezes até à conferência seguinte.
Acho Fátima uma aldrabice megagaláctica. De um gajo ficar gago ... com tanta fé e tanto dinheiro que jorram por ali. A galinha é de ovos d'oiro e a bispalhada não é burra.
Enfim, 'Marias do céu', as minhas são outras, e 'mães Maria', mádar méri ... létit bi.
Com todo o respeito. Deus me perdoe.
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* Certo azeite — aqui não se mencionam marcas, mas não, não é o "Oliveira da Serra" — começou a cantar dois anos depois.

** Mário de Oliveira não se cala; faz bem. Certo que, desacreditando Fátima, crê, todavia, em Jesus Cristo, filho de Deus e da tal senhora mais brilhante que o Sol que o, ups!, O teve por partenogénese, e acredita em Deus, pai de Jesus e parente de não sei quem. É lá consigo, padre Mário.
"Fátima, $.A.", pois.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Não ganho emenda: a música do Rodrigo Leão é uma merda.

Se, com esta proclamação de lesa-gosto da pátria culta incorro nalguma coima, que se foda; como diz o outro, estou-me marimbando, não pago.
Mas o que não falta ao rodrigoleonismo, que nem minimal-repetitivismo alcança ser, tomara ele, é aparato e boa imprensa. E, sim, produção excelente.
Por exemplo, o João Gobern, sujeito simpático, muito sabido e de gosto geralmente recomendável, não será propriamente o melhor paradigma de êxtase acrítico. Bem pelo contrário, tenho-o por ponderado e exigente. Mas com o Rodrigo Leão o sentido crítico parece deslassar-se-lhe. Ainda anteontem, na 2.ª hora do Hotel Babilónia, chegou a afligir a bajulação prostrada, quase religiosa, do Gobern e do Pedro Rolo Duarte, ao convidado RL. E no Correio da Manhã do mesmo sábado escrevia JG acerca do Leão: … um melodista intuitivo e feliz'A Montanha Mágica' é outro capítulo sublime
Melodista, o Rodrigo Leão? Sublime? O João Gobern não faz a coisa por menos?
Se o músico Leão é isso, que qualificações usar para, por exemplo, Tom Jobim?
Se a música que o RL cria é sublime - tenhamos tento -, então o Rão Kyao é o Bach dos pífaros.

A influência da tribo continua impressionante…

Cá para mim, que arranho uns acordes, valem mais em melodismo e em sublimidade quaisquer quatro compassos seguidos do José Mário Branco, por exemplo, do que todas as partituras do Rodrigo Leão.   
Já a densidade discursiva e filosófica do homem – que, para piorar as coisas, dá todo o ar de se levar a sério - faz do Tony Carreira um exegeta.