Mostrar mensagens com a etiqueta José Mário Silva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Mário Silva. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de março de 2019

Putedo

  • «prosa luminosa e fulgurante»
  • «11 admiráveis narrativas»
  • «magnífico livro»
  • «inteligência narrativa»
  • «dimensão erudita»
  • «alta cultura»
  • «estrutura fragmentária a fazer lembrar o filme "Citizen Kane"»
  • «provavelmente o melhor conto que o autor destas linhas leu nos últimos anos (em qualquer língua)»
  • «genial ensaio sobre a transparência, o controlo e a vigilância»
  • «A escrita de Alexandre Andrade é sempre imaculada, mas aqui ergue-se a alturas estratosféricas. Sem risco de exagerar*, consideramo-lo um texto perfeito.»
    José Mário Silva, "Variações cromáticas" | Expresso/E, 02.Mar.2019
    5 estrelas em 5.
Ante tal orgia ditirâmbica anotei logo, para comprar, "Todos nós temos medo do vermelho, amarelo e azul", de Alexandre Andrade.

Nisto, calhou ler Vasco Barreto:
«[...] por que motivo o José não deixa explícito na sua crítica que é amigo de longa data do Alexandre? Eis uma omissão que me encanita.»

Fiquei com nojo do José Mário Silva e tão cedo não despenderei um cêntimo no livro.
Obrigado, Vasco.
________________________________
* Olha se exagerasse...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Perder-se dos pais e vice-versa. Dor, cinza.

«Encenador de ópera, Michel Rostain enfrentou, em Outubro de 2003, o mais inconcebível dos sofrimentos: a morte do filho único, Lion. Aos 21 anos, o jovem sucumbiu em poucas horas a uma meningite fulminante. O filhoé o relato detalhado de como um casal atravessou o caos da dor e o longo processo do luto, encontrando no fim do caminho motivos para dar sentido à vida e para gritar, como o pai em lágrimas à saída da morgue, “Viva o sol! Viva o sol, apesar de tudo!” […] O narrador não é o pai destroçado; é antes o filho, o morto [as cinzas foram enterradas no flanco do Eyjafjallajökull] uma espécie de fantasma que o texto inventa e reclama.

[…]

Em certos dias, os meus pais inspiram fundo as minúsculas partículas de cinza  que descem do Grande Norte até ao sul da Europa, como se elas viessem de propósito carregadas de mim.*»

José Mário Silva, “Sobreviver ao luto| Expresso/Atual, 11.Jan.2014

________________________

* Dizem que pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose é uma palavra fictícia. Nunca fiando, recomenda-se moderação nas inalações. Há tosses que matam.

PS - Sorrir no vulcão da dor é sabedoria rara a que não raro aspiro. Ignorante e frágil, o mais que consigo é quase sempre chorar. E tossir.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

***** **** *** ** *

«[…]
há algum tempo (não digo quando*), as três estrelas que dei na recensão de um livro (não digo qual*), por erro ou negligência inocentes, passaram a cinco estrelas. Não pretendo corrigir o erro porque seria errar duas vezes: o efeito instantâneo que uma classificação produz — e não há outro — não pode ser revogado, só pode ser repetido. Percebi isso quando, ainda inexperiente nesta matéria, vi as quatro estrelas que tinha dado a um livro de poesia de Luís Quintais (agora, sim, já posso citar nomes) passar a cinco estrelas. Na edição do jornal, na semana seguinte, escrevi uma errata e, desde então, o poeta Luís Quintais passou a ser, para mim, um dos nomes da má consciência e do irreparável.**
[…]
As estrelas são o exemplo mais eloquente do declínio da crítica literária. Não vou aqui defender a sua extinção porque seria ingenuidade não reconhecer que a crítica, tal como existe, precisa delas. Defender a extinção das estrelas sem defender um outro tipo de discurso crítico não serve de nada. Em primeiro lugar, seria necessário reconhecer que há uma diferença fundamental entre crítica e divulgação. E qualquer suplemento literário não pode prescindir de uma e de outra. Tal como não há ninguém que escreva nos suplementos literários que não pratique ora uma ora outra.
[…]
As estrelas são o instrumento do discurso do histérico.
[…]»

António Guerreiro, “Brincar com as estrelas| Público/Ípsilon, 20.Dez.2013

______________________________________ 

* Digo eu, que sei tudo e ando a pé: foi em 06 de Dezembro corrente, na recensão de Cinza, de Rosa Oliveira. 


** «[…]

Desta vez, porém, eu estava no centro da arena. Uns dias antes, publicara uma recensão a um livro de poemas e o autor, Luís Quintais, furioso com a minha abordagem, que considerou indigna da obra em causa, decidiu-se por uma resposta em bom vernáculo: Dá-me quatro estrelas. Melhor seria que não desse nenhuma. Que as metesse pelo (sic) acima!

[…]

gostava de me deter um pouco no problema das estrelas (um problema que felizmente nunca existiu na LER). De uma forma geral, as vítimas deste sistema, tanto as que se indignam por receberem apenas duas como as que barafustam quando recebem quatro, partem do princípio de que atribuir estrelas é uma escolha do crítico. Não é. Trata-se de uma imposição. O grafismo uniformizado nos suplementos culturais criou esta situação aberrante […] Mais: se os critérios para dar cinco ou três estrelas variam de crítico para crítico (e até no mesmo crítico, ao longo do tempo), então as estrelas não valem nada. São inúteis.

[…]»

José Mário Silva, “Malditas estrelas| LER,Dez.2013  

 

«[…] Dir-se-ia que JMS andou a ler António Guerreiro com algum proveito, e descobriu que vivemos em tempos pós-literários em que os críticos são simulacros e se limitam a escrever 'recensões, notas de leitura, chamadas de atenção' […]».

Luís Quintais, “Agudíssimo acento”, 03.Dez.2013

 

Apetece rematar que Luís Quintais não escreve um cu, mas isso não é verdade e seria tremendamente redutor de um antropossujeito de Coimbra que fala assim.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Rogério Casanova

na LER de Outubro de 2013 e a revista LER segundo Clara Ferreira Alves*:

Pastoral Portuguesa
- “Room 237 – O quarto escuro da interpretação” [Teorias estrambólicas  sobre “The Shining”, de Stanley Kubrick]
«[…]
Ver alguém partir de premissas erradas para aplicar as técnicas erradas ao objecto errado e assim chegar a conclusões tão distantes da realidade que nem sequer se podem classificar como “erradas” é quase sempre divertido, desde que não resulte em fatalidades.
[…]»
- ‘Consultório literário’
«[…] gostaria de o convidar a especular sobre uma possível correlação entre a evolução das práticas clínicas e as doenças de que personagens literárias foram padecendo ao longo dos tempos […]»

Lolita – Estado de graça”, sobre Lolita, de Vladimir Nabokov, Relógio d’Água/Julho de 2013Uma nota estupefacta para a presente tradução**, que representa um avanço estratosférico sobre a anterior versão portuguesa***, e que, no esforço que exerceu para verter uma prosa cuja eufonia funciona quase exclusivamente à base de aliterações, é um trabalho de quase inacreditável competência e criatividade.»]
________________________________________ 
* «Subvalorização é coisa que não existe na “novíssima” literatura portuguesa. São todos sobrevalorizados: os que publicaram, os que publicarão, e mesmo os que nunca pensaram publicar e um destes dias, sem querer, ganham um prémio. A inexistência de massa crítica e de discórdia, o facto de a única revista literária portuguesa, “Ler”, ser um produto de lobby (o de Francisco José Viegas, com o seu índex de inimigos e desagrados), e um “meio” pequeníssimo inquinado pela recusa da polémica (toda a gente se conhece e todos dependem uns dos outros) faz com que os autores nunca sejam sujeitos a um juízo literário liberto de constrangimentos e cumplicidades. Que alguns mereciam. A “Ler” instituiu uma ditadura do gosto e do marketing e exerce um poder de canibalização  que ninguém ousa contrariar. No corredor, pratica-se o escárnio e maldizer. E lá vamos andando.»

Ao mesmo tempo que se aprecia o desassombro com que Clara Ferreira Alves, que não trabalha para a LER e a quem o Francisco que paga é o Pinto Balsemão, escreve estas coisas no Expresso sem precisar de tomates, espera-se que, apetrechados com dois pares deles, os canibais José Mário Silva e Pedro Mexia, plumitivos residentes na LER e com bancada crítica permanente no Expresso, não demorem a vir contrariar publicamente – no corredor não vale - a sua façanhuda e plumitiva colega. De preferência, libertos de constrangimentos e cumplicidades

** De Margarida Vale de Gato. Parabéns, Margarida!

*** Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues para as Publicações Europa-América, 1974; depois, para a Editorial Teorema, Círculo de Leitores, etc.