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sábado, 19 de agosto de 2017

Graduação da sinceridade

Cardápio:
condolências insinceras, condolências pouco sinceras, condolências assim-assim, condolências sinceras, condolências muito sinceras, condolências mais sinceras ainda, condolências retóricas, condolências cínicas, condolências fingidas, condolências festivas, condolências sentidas, condolências hiperbólicas, condolências sem sentido, condolências profundas, condolências minhas, condolências da minha mulher, condolências nossas, condolências da família, condolências à família, condolências de sua majestade, condolências do país, condolências do governo, condolências de coveiro, condolências de palhaço, condolências de papas franciscos, condolências do coração, condolências expressas, condolências apresentadas, condolências enviadas, condolências no livro, condolensias mal escritas, condolências.

«Relativamente à vítima portuguesa eu queria* exprimir, antes do mais, as minhas mais sinceras condolências à sua família.»


E assim sucessivamente.
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* Inesperado imperfeito pretérito indicativo de delicadeza, já que do professor se espera sempre o canónico condicional presente de cartilagineidade: quereria, pois. 

** lo lo al cil le

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Cartilagíneos

O cartilagíneo reina no habitat psicanalítico e psicológico* e abunda no mundo político e da politicologia, eclesiástico, comunicacional e artístico.
O cartilagíneo funciona no óbvio previsível. O cartilagíneo não surpreende.
O cartilagíneo não afronta. O cartilagíneo só excepcionalmente confronta. O cartilagíneo não arrisca o prestígio. O cartilagíneo não tem esquinas. O cartilagíneo opina em círculo. O cartilagíneo discorda suavemente. O cartilagíneo tende para o consenso dos contrários. O cartilagíneo e a volubilidade não constituem contradição. O cartilagíneo é mestre no pino e no surf.
O cartilagíneo preza quem lhe paga.
O cartilagíneo ri com facilidade e é publicamente cordato.
Enfim, o cartilagíneo respira e sobrevive eloquentemente no condicional: raramente diz, quase sempre diria; não faz, habitualmente faria; não vai, iria.

Amostra aleatória, falível e subjectiva, de notórios cartilagíneos portugueses que reúnem um mínimo de cerca de seis dos critérios ontogénicos atrás inventariados e definidos pela escala pluvioponderada em muitos anos de observação distraída e atenta:
Não considerei espécimes da área psi, subsumida por cartilagineidade matricial. Psicanalista cartilagíneo, psiquiatra cartilagíneo, psicólogo cartilagíneo, tautologias. Tome-se para exemplo o xarope Júlio Machado Vaz.  

Marcelo Rebelo de Sousa, presidente-arlequim, Cartilaginius rex**. Indestronável. Observemo-lo:
«Ora bom, eu diria só duas coisas: a primeira é a de que — sic, à Pinto da Costa e à Marques Lopes  foi muito útil e importante […]. A segunda observação que eu faria é esta: [...]» 
Marcelo foi sempre assim.

Já a biruta lombricóide*** pertence a um subgrupo dos cartilagíneos, muito populoso, para que agora não tenho tempo.

Com todo o respeito. 
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** Agradeço ao Eremita a formulação taxonómica.

*** Sei de uma lombriga condenada a pena efectiva de três meses de prisão de ventre. 

sábado, 3 de junho de 2017

Alberto Gonçalves, mal, muito mal,

e talvez pior o Observador ao puxar para lide da crónica um excerto recolhido neste parágrafo, negritos meus: 
«[...]
A quarta diferença é o comentário sobre Pedro Passos Coelho. Dada a doença da mulher deste, o estadista sisudo de um país convencional evitaria alusões desagradáveis. O dr. Costa, rosto da felicidade que nos caiu em cima, não evitou – ou por distracção, o que atesta o seu discernimento, ou de propósito, o que demonstra o seu repugn…, perdão, impecável carácter. A alegria não quer saber de maleitas.
[...]»

Repórter da SIC- Senhor Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho dizia ontem que o governo se estava a aproveitar das obras do anterior governo para...
António Costa- É um homem menos alegre. Adeus.

A interpretação do comentário de António Costa extrapolada para a doença de Laura Ferreira soa-me a delírio oportunista e, indo até ao fim do adjectivo inacabado de Alberto Gonçalves, repugnante.
Não, não é este Alberto Gonçalves que aprecio. De todo!

Já agora, parece-me, a mim que levo 35 anos de assembleias de condóminos, leviana, redutora e infeliz, se não gratuita, a jocosa "Nota de rodapé" do colunista acerca da governação democrática da "casa comum" dos milhões de portugueses que, citando-o e ao contrário dele, «por isto ou por aquilo» habitam em apartamentos contíguos sob o mesmo telhado. O envolvimento activo e cúmplice na harmonia e na saúde do condomínio sempre me pareceu coisa necessária, importante e digna, um indicador de civilização. Mas, claro, e finalizando desta vez com palavras sábias do doutor António Vitorino, «não é um processo fácil nem isento de dificuldades.»  
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* Obviamente na parte inteligível do "catrapilo" prosódico que António Costa costuma ser.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Retórica dos melros

Na SIC Notícias, ontem à noite:

Pedro Santana Lopes- Com toda a franqueza,


Ainda bem que previnem quando vão ser francos e verdadeiros; de preferência, totalmente.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Sabedoria e eloquência

O doutor António Vitorino, do PS, é muito inteligente, muito esperto, muito bem sucedido, muito bem-falante.
Acerca dos contratos de associação com colégios privados:
Acerca da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos:
SIC Notícias, 07.Jun.2016. 

Já o doutor António Costa, ao invés, igualmente: 
21.º congresso do PS
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Ranço