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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Alberto Gonçalves roçando a abjecção

Na sua mais recente crónica semanal, no Observador, Alberto Gonçalves, "o meu fascista de estimação", caracteriza o que acontecera na América dias antes

«[...]
um episódio como o de quarta-feira, em Washington, quando manifestantes favoráveis a Trump e incitados por este invadiram o Capitólio
[...]
uma grotesca tentativa de assalto ao Capitólio que se resolveu em poucas horas, infelizmente com vítimas, felizmente sem grandes danos materiais.
[...]
É evidente que a actuação de Trump foi vergonhosa. Mas vergonha maior, caso a tivessem, é a dos que alertaram para a gravidade do recente esboço de golpe
[...]»

O mais do texto é comparação com a selvajaria e violência avulsa do lado oposto — democratas, blmantifas e esquerdistas em geral — que AG estriba, para resumida ilustração, num punhado de acções de rua ocorridas nos cinco anos da presidência republicano-trumpista, desmascarando e insurgindo-se contra o modo como o jornalismo enviesado, das causas correctas, as veio, ou não, noticiando.

Sou um fã antigo [há coisas de prolação mais fácil e agradável do que «um fã antigo»...] da graça, da ironia, da argúcia e da redacção esmerada de AG. Revejo-me não raro no seu ponto de vista como, de resto, em parte considerável da crónica em apreço.
Mas, para caracterizar o acontecimento no Capitólio, e a envolvente política que o determinou, não ter, numa crónica de 10 parágrafos senão as quatro frases moles, quase condescendentes, que acima reproduzo, desculpe lá, Alberto, isso parece-me indigno de quem tanto ama a América. E eu sei como a ama.

Por via de dúvidas considero relevante o «Mas» que evidenciei.

domingo, 29 de novembro de 2020

Não é?

«Nós temos tanto para oferecer ao mundo, não é?, que não é sequer a questão do discurso que está aqui em disputa. O que está mais em disputa, não é?, é a nossa capacidade, em termos da autonomia da nossa voz, não é? É sairmos um bocado do acantonamento do lugar só da refutação. Nós para além da refutação temos proposta, não é? Essa é a parte mais essencial. Evidentemente que a refutação faz parte da capacidade propositiva, mas o que mais importa para combater o discurso de ódio é propor uma nova narrativa, um novo discurso, uma nova forma de olhar e de inventar a humanidade e reclamar a ideia de que não há humanidade, não é?, a partir desta ideia enganosa, para não usar um palavrão, não é?, de que o alfa e o omega do mundo partem desta eurocentralidade, não é?, do pensamento de que tudo parte a partir daí, como dizia o Glissantnão é?, nós temos é que matar o homem branco, como nos sugeria o Fanon. O homem branco que nos trouxe até aqui tem que ser morto, ele tem que ser morto. E essa morte, para nós evitarmos — o que dizia o Orlando Patterson — a morte social do sujeito político negro, é preciso matar o homem branco assassino, colonial e racistanão é? E, então, reconstruir uma narrativa é a partir da nossa condição de sujeito. Eu acho que sobretudo nós aqui na Europa temos muito a aprender com o Brasil, não é? Eu nunca tinha ido ao Brasil. A primeira vez que estive no Brasil foi há dois anos e tive o privilégio e a honra de ter a Sueli Carneiro a mediar a minha mesa. Foi um momento enorme para mim. Desatei a chorar sem perceber porquê. Claro que o que estava a falar era a minha memória genética ali, não era só o facto da interacção em si. E eu na altura propus um desafio à assistência: dizer que se nós queremos combater o mundo temos que (?)...izar(?) a humanidade, não é? Porque as nossas pautas não se balizam a partir de uma dimensão cromática do nosso ser e da nossa condição, não é? Elas são muito mais ontológicas, elas resgatam aquilo que a Europa e a branquitude não nos concede, não é? Nós somos inteiros, intrínsecos, e eu costumo dizer* que a consciência negra é muito mais do que só uma efeméridenão é? Porque é uma consciência de si, é a consciência da sua humanidade, da sua inviolabilidade e da sua intemporalidade, não é? E é a consciência de que a nossa humanidade, ela é constitutiva do que é a humanidade em si. Sem nós não havia humanidade**não é? Sem a nossa história — aliás, o afro(?)...cismo(?) é isso mesmo: para que os outros se pensem humanos ou humanas*** eles têm que nos pensar como não humanos, não é? E então um dos nossos esforços no combate ao discurso de ódio é exactamente recentrar a disputa sobre o significado do humano, hoje, não é?, e da sua relação com toda a matéria viva do universo, não é? Ou seja, essa democracia do vivo, não é?, ou seja, a democracia da vida, porque a nossa vida foi sempre — na Europa, então, muito mais ainda, não é? —, ela está sempre a partir da bitola, não é?, da não essencialidade, não é? É por isso que eles ficam absolutamente em psicose colectiva quando reclamamos a nossa identidade. Porque identidade significa ter algo, não é?, a oferecer, algo a partilhar, não é?****»

//


Enquanto isso, adivinha-se entre a matilha de jornalistas da visão correcta do mundo — nenhum, que eu tenha notado, aludiu à intervenção do doutor Mamadou — íntima anuência. O fervor concordante de, só por exemplo, dois assanhados plumitivos das causas certas: a activista Joana Gorjão Henriques que adora MB e o totalitário Daniel Oliveira, seu ex-cunhado, que o venera.
E não venham engrolar com o "contexto metafórico". Como me contava a dona Odete, ...
____________________________________________________

** Na humana parte que me toca, muito obrigado, meu irmão Ba, e saudações à tia Lúcia.
Perante discurso de dissolução do ódio como este, que caucasiano «inteiro e intrínseco» não fica com vontade irreprimível de abraçar e beijar Mamadou? Só mesmo o abominável SARS-Cov-2 no-lo impede. 

 
**** Por favor, alguém responda à criatura se é.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Ouvi, lede e ride

... e dizei-me se estes seis minutos e meio — Alberto Gonçalves, "O presidente, o comendador e o atraso de vida" | podcast "Ideias Feitas", Observador, 02.Jan.2020 — não vão lindamente com a partitura magistral [a alegria, essa é visível de ver], mais uma, de

No caso de RC, confesso, casquinei. Salvou-me o sábado.
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Mais sabei, se o não souberdes já, que João Taborda da Gama, ainda que (ainda) não afamado por isso, escreve muito bem e tem graça. Atentai, por exemplo, no balanço soft-core desta carruagem:
«[...]
E quando disse que se despia toda logo que entrava no comboio voltou a cruzar o olhar com o meu, ... talvez por isso, e porque já tinha falado em se despir, e tinha mostrado a roupa interior, sentiu necessidade de trazer respeito à coisa e contou do marido, um chato [...]»

Não tendes de agradecer. É um gosto. Pago as assinaturas.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Leák e os órfãos e veterodevotos de Francisco Sá Carneiro

Já que me pedem, informo que ninguém em Portugal escreve com tanta graça e tanto talento engrenados como Rogério Casanova. Deixa a anos-luz a prosa piadética de Ricardo Araújo Pereira que, por sua vez e no que à escrita com graça concerne respeita*, fica notoriamente aquém de José Diogo Quintela, seu amigo de banzé.
Em quarto lugar, talvez Joana Marques.
- Sou da patafísica, Eremita, lamento decepcionar.

«Já que perguntam: vários folclores locais do Sudeste Asiático incluem uma figura mitológica que é uma espécie de mistura entre bruxa, vampira e monstro, associada à magia negra e ao canibalismo. 
[...]
Por outras palavras, as eleições directas para escolher o próximo líder do PSD vão realizar-se daqui a um mês e a RTP1 transmitiu nesta semana um debate entre os três candidatos: o doutor Rui Rio, o doutor Luís Montenegro e o Miguel (por mim, podem tratar-me por Miguel).
[...]
preocupado com o facto de a sua namorada ocidental ser agora uma cabeça canibal, Lionel Richie consulta um tio perito em magia branca. "É possível resolver isto?", pergunta, no mesmo tom de voz com que perguntaria a um colega de trabalho se o pode ajudar a fazer uma macro no Excel. O tio acede e reúne um grupo de trabalho. A feiticeira, já que perguntam, é derrotada, num duelo de bolas de fogo, a cabeça da antropóloga regressa ao seu lugar devido e toda a gente aprende uma lição valiosa: nem sempre é boa ideia aprender aquilo que os mortos têm para ensinar.»

Genial, desconcertante. Muito obrigado, Rogério Casanova.
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* Hoje, 11.Dez.2019, concerne lido em voz alta também me causou desagrado: não tanto o argg do risco na ardósia mas mais, no céu da boca, a sensação de uma mistura de açúcar com água que se deixa cozer lentamente até formar uma calda espessa e dourada.
Já agora, amigo caramelo, por favor!, não amalgame [e esta que efeito lhe provoca?] a maestria do Quintela na escrita, que é bastante, com a do «Outro Gato» do Observador que, está na cara, não nasceu para a prosa; uma dor de alma.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A comissão dos arquitetos e o clarinete

Entre os 1060 comissários de honra de Medina2017, de que conheço 360, avultam com maior representação por mester
72 arquitetos, nenhum arquitecto,
55 empresários,
45 advogados,
33 jornalistas,
28 atrizes, nenhuma actriz,
26 actores e um ator [Hélder Gamboa],
26 músicos, dos propriamente ditos,
19 fadistas,
18 deputados e ex-deputados, nenhum ministro,
12 cozinheiros.

Ademais,
nenhum padre ou bispo, mas dois abades [Agostinho e Tiago],
um enrabador notório, no T,   
um ladrão rasca, sim, rasca, no T,
nenhum jovem da Cova da Moura, talvez para desgosto de Joana Gorjão Henriques, Valentina Marcelino e Fernanda Câncio [tenho quase aprontado um exaustivo e explosivo estudo, ahahah, que logo publicarei].

Vai para 40 anos que me entretenho a perscrutar listas de "comissões de honra" nos processos eleitorais.
Por exemplo, é todo um tratado de hermenêutica antropológica adivinhar e distinguir os que apoiam Fernando Medina para que ganhe dos que apoiam Fernando Medina porque vai ganhar. Alguns destes, parasitas e oportunistas de turno, fedem que tresandam.

Exercício divertido, salutar e edificante é igualmente o de, mais um exemplo, reconhecer os comissários de honra comuns à presente campanha de Medina e, seis anos atrás, à campanha de recandidatura de Cavaco Silva, a começar, significativamente, pelo primeiro nome da ordem alfabética...

Por exemplo ainda, sendo óbvio que não causa nem poderá causar a menor estranheza a não comparência de Alberto Gonçalves entre os apoiantes de Medina, confesso que ainda hoje me desconcerta revisitar o seu nome na Comissão de Honra de um bronco de Boliqueime.

Nenhum dos candidatos a Lisboa me suscita a menor simpatia e detesto especialmente o esfíngico e videirinho alMedina.
É também por isso que no próximo domingo vou votar com redobrado gosto na projecção do concelho em que resido «como Capital do Clarinete». Na CDU, pois então.

sábado, 22 de julho de 2017

Alberto Gonçalves, um regalo


Alberto Gonçalves — que Paulo Baldaia escorraçou no início do ano do definhante DN em papel de Proença de Carvalho, José Sócrates, Pedro Marques Lopes e do genro de Aníbal Cavaco Silva, entre outros e com salvaguarda de uma dúzia de jornalistas e colunistas recomendáveis — escreve muito bem, tem muita graça e, não raro, carradas de pertinência.
É decerto isso que faz inveja, acirra e exaspera a arrogância bacteriologicamente pura e imunizada contra a dúvida, a incerteza, o talvez e o ponto de interrogação, designadamente nas capelas de socratolatria.

Sem prejuízo do que aqui escrevi faz sete semanas,  aqui,  aqui,  aqui  ou  aqui, e do que tenho dito da piniculagem ou do PSD.

sábado, 3 de junho de 2017

Alberto Gonçalves, mal, muito mal,

e talvez pior o Observador ao puxar para lide da crónica um excerto recolhido neste parágrafo, negritos meus: 
«[...]
A quarta diferença é o comentário sobre Pedro Passos Coelho. Dada a doença da mulher deste, o estadista sisudo de um país convencional evitaria alusões desagradáveis. O dr. Costa, rosto da felicidade que nos caiu em cima, não evitou – ou por distracção, o que atesta o seu discernimento, ou de propósito, o que demonstra o seu repugn…, perdão, impecável carácter. A alegria não quer saber de maleitas.
[...]»

Repórter da SIC- Senhor Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho dizia ontem que o governo se estava a aproveitar das obras do anterior governo para...
António Costa- É um homem menos alegre. Adeus.

A interpretação do comentário de António Costa extrapolada para a doença de Laura Ferreira soa-me a delírio oportunista e, indo até ao fim do adjectivo inacabado de Alberto Gonçalves, repugnante.
Não, não é este Alberto Gonçalves que aprecio. De todo!

Já agora, parece-me, a mim que levo 35 anos de assembleias de condóminos, leviana, redutora e infeliz, se não gratuita, a jocosa "Nota de rodapé" do colunista acerca da governação democrática da "casa comum" dos milhões de portugueses que, citando-o e ao contrário dele, «por isto ou por aquilo» habitam em apartamentos contíguos sob o mesmo telhado. O envolvimento activo e cúmplice na harmonia e na saúde do condomínio sempre me pareceu coisa necessária, importante e digna, um indicador de civilização. Mas, claro, e finalizando desta vez com palavras sábias do doutor António Vitorino, «não é um processo fácil nem isento de dificuldades.»  
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* Obviamente na parte inteligível do "catrapilo" prosódico que António Costa costuma ser.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Ascenso Simões,

transmontano cagão, crente em Deus mas mais piedosamente em José Sócrates, afirma em entrevista à Sábado de 10.Mai.2017 que o Papa Francisco «Não é um mariano convicto».  
Ora essa, senhor deputado!? Quem lho disse? Onde leu? 
Entre outras proclamações de exuberante e ardorosa marianofilia — ó p'ra ele, faz três dias, a acenar à boneca —, bastaria ao socratodevoto Ascenso ter presente as conclusões de dois documentos nucleares do enaltecido pontificado de Francisco:
- Carta encíclica "Lumen fidei" ["Luz da fé"], de 29.Jun.2013, capítulo IV, pontos 58. a 60., "Feliz daquela que acreditou";
- Exortação apostólica "Evangelii gaudium" ["Alegria do evangelho"], de 24.Nov.2013, * capítulo V, parte II, pontos 284. a 288., "Maria, a Mãe da evangelização".
Se Jorge Mario Bergoglio «não é um mariano convicto», convoque-se de imediato, para dissipação da heresia ascênsica, o sinédrio dos morcegos da Biblioteca Joanina

Apontamentos do 13 de Maio

Saudação fogosa na paz de Cristo da filha do primeiro-ministro ao presidente-arlequim.

Mãos de António Costa atrapalhadas no pai-nosso. Ali, só o pio Marcelo e a intérprete de língua gestual sabiam como e onde pô-las.

Segurança do Santo Padre. Pelos vistos, o Deus a que se confia não é guarda em que confie. 

António Marto, bispo de Leiria-Fátima, dirige-se ao Papa: Peço-vos permissão para em vosso nome enviar uma carícia aos pequeninos.
Permissão dada, diz o viscoso Marto: Caros amiguitos e amiguitas, o Papa Francisco envia-vos uma carícia cheia de ternura.
Confesso que me repugnou a saturação pleonástica da «carícia cheia de ternura».
"Seis por Meia Dúzia: à sombra duma azinheira" - TVI, 14.Mai.2017
Obrigado, Victor Moura-Pinto, por estes deliciosos seis minutos de fervor.

Merecem ponderação os comentários de Cipião Numantino, Carlos Quartel, Joaquim Moreira, Pedro Varela, Ribeiro Pinto, Maria Machado, Jorge Madeira Mendes, Aónio Lourenço, Diogo Mendes, Rui Franco, José C. Aguiar, João Magalhães, Vítor Costa Lima.
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* Relembre-se que é nesta Exortação que o bonzinho do Papa Francisco diz que «o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência.». Não sei se patético se apatetado. Mas eu sei pouco, cerca de nada.

Respeitosamente.

domingo, 16 de abril de 2017

Domingo de paz coaxante*

A religião cristã matou muitíssimo, durante muito tempo; deixou de matar tanto; hoje em dia, mata pouco, quase nada. Não era terror, era fé. Entretanto, amansou, adoçou, civilizou-se.
Várias outras religiões ainda matam muito, matam menos, deixaram de matar.
Algumas religiões não matam nada, só entretêm.
A fé muçulmana — sou um ourives do rigor terminológico — é que, desde o primeiro instante, desde a Hégira, vá, nunca parou de dar porrada e matar desalmadamente, mais bem dito, com toda a alma. De há 40 anos para cá deram em chamar-lhe terrorismo islâmico**, extremismo, radicalismo, fanatismo e não sei o quê.

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* Ia para dar à presente mensagem o título "Domingo de pás coalescentes" quando premi sem querer a "Síndrome de Estocolmo" da guerreira ateia Câncio. Tudo mudou de figura. Afinal, o Baygon também mata que farta. 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Equinócio soalheiro

Às 11h00 de hoje, Daniel Belo, formado em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, veio ao microfone da emissora nacional noticiar o equinócio de minutos antes, às 10h29, aproveitando para saudar a «manhã solarenga» com que a Primavera estava a brindar os indígenas.

Ainda há tempos o meu fascista de estimação, dos mais cuidadosos na gramática, incorria no disparate: «[...] havia para aí uns patifes que adquiriam casa em área solarenga e julgavam que podiam escapar impunes, a bronzear-se no terraço e a gozar com os pobres. [...]»
"Pelos caminhos de Portugal" | DN, 07.Ago.2016

Erro recorrente, o emprego de solarengo por soalheiro ou ensolarado, agravadamente inadmissível na fala ou na escrita dos que têm dever de ofício.*
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* Não o meu caso, que pago para os escutar, lê-los e aprender com eles.

sábado, 18 de março de 2017

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Aqueles cujos nomes não podem ser pronunciados [2]

Paulo, Alberto.

«[…] Bem sabemos que o povo, de uma forma geral, está farto do folhetim Centeno-Domingues e que, por isso, de pouco valerá à direita uma nova comissão parlamentar de inquérito. [...]
A história, por muito que custe a quem nela se viu envolvida, merecia ser contada e foi contada. Mais trica, menos trica, está contada[...]»

«[…] É por exemplo engraçado ler o director de um diário decretar que "o povo de uma forma geral está farto do folhetim Centeno-Domingues". E que "a história (…) Mais trica, menos trica, está contada". Há quase quatro mil anos que os homens estudam anatomia, mas ainda nenhum conseguiu explicar como certas colunas dobram tanto e não partem. […]»

«E a notícia do “Público” sobre os 10 mil milhões em “offshores”? Uma ignomínia (cito uma pessoa preocupada)? Uma bomba (cito duas pessoas preocupadas)? Ou apenas a reprodução quase exacta da notícia do “Público” em Abril de 2016, agora ressuscitada para desviar as atenções da CGD, que pelos vistos não vale a pena investigar, para as transferências de capitais, que pelos vistos devem ser investigadas até às últimas consequências? […]»

«[…] Aprendizes de Trump apressaram-se a ver uma notícia plantada, não pondo a hipótese de haver jornalistas a trabalhar e à procura da verdade. Não a verdade alternativa que lhes dá jeito, na pergunta de um comentador, sobre "a reprodução quase exacta da notícia do Público de Abril, agora ressuscitada para desviar as atenções da CGD". É o desplante total insinuar que o Público estaria dolosamente a repetir uma notícia própria para servir interesses da esquerda. […]»
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De Abril de 2007 a Dezembro de 2016 Alberto Gonçalves colaborou com o Diário de Notícias [DN] onde, a par de intervenções avulsas, assinava a coluna dominical "Dias contados". Mantém-se na Sábado desde Junho de 2006 e assina ao sábado no Observador desde 04.Fev.2017.
Paulo Baldaia, antigo director da TSF, dirige o DN desde 01.Set.2016. Sem explicação aos leitores nem agradecimento do jornal, em 01.Jan.2017, domingo, o nome de Alberto Gonçalves sumira-se da página do costume e da ficha técnica.
Em 16.Jan.2017 Paulo Baldaia avocava no Facebook o despedimento de Alberto Gonçalves:
«[…] AG deixou o DN porque o Paulo Baldaia, director do DN, não se revê no estilo de crónica do Alberto Gonçalves.
É uma decisão editorial. A liberdade de AG não é superior à liberdade de qualquer outra pessoa. AG tem muitos leitores e isso demonstra, de forma evidente, que a sua escrita tem mérito, mas não me peçam para pactuar com o que não concordo. Ele escreve no estilo que entende, com uma agressividade que lhe dá notoriedade mas que, manifestamente, não é a que a desejo para o jornal que dirijo. Tão simples como isto. […]»

Infere-se dos amarelos — os negritos também são meus — que o apreço de Paulo por Alberto é, sem se entrenomearem, recíproco. E promete.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Diário de Notícias do Pedro Marques Lopes, "o comunitário"

Para o que aqui me traz hoje puxo de uma autoridade particular que detenho sobre o Diário de Notícias, de Lisboa. Poucos conhecerão tão bem o DN visto de fora. Compro-o e leio-o diariamente desde 1970. Sei-lhe, de saber estudado e apontado, a evolução nos últimos 46 anos: sucessivos contextos de propriedade, directores, organogramas, estatutos e critérios editoriais, organização gráfica, jornalistas, colunistas, idiossincrasias, tendências, engajamentos, gostos, qualidade da revisão, fraquinha; acompanho-lhe, enfim, as tiragens, hoje em dia definhantes.

O sesquicentenário Diário de Notícias [29.Dez.1864], referência nacional, terminou de modo inquietante o ano de 2016. Pôs a subdirectora Joana Petiz a pagar o almoço a uma tal de Eunice, Maya por antonomásia:
«[…] Diz que não faz astrologia porque a considera "uma coisa muito mais vaga, enquanto o tarô dá respostas objectivas, pragmáticas, ou é ou não é; ou dá ou não dá". Mas sublinha que "não é uma ciência, é uma arte esotérica". E implica que haja alguma disposição para fazer "uma concessão àquilo que é material e imaterial", a reconhecer-lhe validade "ainda que não haja aqui um nexo causal". […]»


Sobre objectividade e pragmatismo estamos conversados.

O tricinquentenário Diário de Notícias começou estúpida, ofensiva e desgraçadamente o ano de 2017: enxotou Alberto Gonçalves que é, de quantos prosam no colunismo genérico dos media convencionais deste país, o melhor.
[E António Guerreiro, Plúvio?, e João Lopes?, e Ferreira Fernandes?, e António Lobo Antunes?, e Pedro Mexia?, e Paulo Tunhas?, e Pedro Santos Guerreiro?, e Viriato Soromenho Marques?, e Diogo Vaz Pinto?, e Henrique Monteiro?, e Vasco Pulido Valente?, e Ana Cristina Leonardo, Plúvio?, e Miguel Tamen?, e Ricardo Araújo Pereira?, e Miguel Sousa Tavares?, e Henrique Raposo?, e Miguel Esteves Cardoso?, e João Miguel Tavares?, e…?, e…? Pois sim, cada um deles o melhor.]
Ninguém escreve com tão esmerada gramática, ninguém escreve com tanto talento e graça, ninguém dispara ironia tão estupenda, ninguém retrata com tanto apuro e sarcasmo tão salutar a fauna sociopolítica. Aprecie-se, por exemplo, este primoroso "Ensaio sobre a mudez", na Sábado de 05.Jan.2017.  

Daniel Proença de Carvalho e Paulo Baldaia depauperaram levianamente o jornal deles e cometeram uma afronta à inteligência dos leitores. Adivinho que mais cedo do que tarde perceberão na caixa registadora a estupidez e o desastre desta purga mesquinha. Eles lá sabem — também julgo saber — porque preferem o serviçal comunitário* Pedro Marques Lopes [PML] que saliva invariavelmente alinhado no eixo Ferreira Fernandes  -  Fernanda Câncio. [Em tempo: Francisco Proença de Carvalho,  o advogado de PML, é filho de Daniel Proença de Carvalho. O mundo é uma ervilha]. 
No primeiro domingo, 01.Jan.2017, em que nos faltou a ambrosia irreverente de Alberto Gonçalves [só por isso, o jornal deveria ter baixado dos 1,70 € mas não baixou], veja-se como Pedro Marques Lopes, pomposo e bacoco como é seu timbre, dava o mote mais parecendo voz do dono do que cronista avençado: 
«[...] O fim do jornalismo como guardião da verdade, da busca dos factos, liberto das amarras do poder político ou económico** será o fim da democracia. Somos nós que temos de decidir que informação e que mediação.
[...]
Hoje, é o primeiro dia do resto da vida do Diário de Notícias. Mais do que os profissionais deste jornal que falharão e acertarão, mas que são gente com um compromisso com o verdadeiro jornalismo. É você, caro leitor, que decidirá o nosso futuro. Mas não se esqueça, estamos juntos neste caminho.»
"O primeiro dia do resto da vida do DN" | 01.Jan.2017   [Previno: tem duas comunidades.]

Este apaniguado do PPD de Sá Carneiro, do Futebol Clube do Porto, do golfe e do Bica do Sapato, pândego de ideologia compósita, propagandista à outrance do «Estado de direito democrático liberal», tinha obrigação, com o perfil escolar que ostenta***, de não tratar tão mal a língua portuguesa, que redige com deficiência aflitiva e fala em constante iminência de desgraça. Além de que se lhe exigiria, a avaliar pelos múltiplos poleiros donde perora, cultura minimamente convincente.****

Deixo a seguir algumas amostras, ao acaso, da escrita e da conversa de PML, a acrescentar às aqui aduzidas em 23.Set.2012, 07.Out.2012, 11.Mar.2014, 13.Mai.2014 e 03.Nov.2015.

Como escreve Pedro Marques Lopes
Vejam-se estes grosseiros dislates no DN. Não há no jornal quem lhe zele pela literacia?
Atrapalha-se na concordância. Baralha-se na conjugação. Troca afirmativas por negativas. Escreve 'com' em vez de 'sem'. Não distingue 'porque' de 'por que'. Escapa-lhe a diferença entre 'senão' e 'se não'. Não percebe quando 'melhor' está mal no lugar de 'mais bem'.

Como fala Pedro Marques Lopes
«Eu acho que era necessário ter dado um ênfase muito maior a esse momento fundador.» — uma 
O Eixo do Mal, 26.Abr.2015

«É como se houvessem bons só de um lado» — houvesse 
O Eixo do Mal, 19.Jul.2015

«Em todos os discursos, tanto do Bloco de Esquerda como do PS, perspassa uma espécie de ameaça constante.» — perpassa

«Há seis meses não havia quem não prevesse um triste fim a esta solução» — previsse

«eu suspeito quese houvessem mais referendos em muitos países provavelmente aconteceria a mesma coisa.» — houvesse

«o que eu digo é que a niglegência, a niglegência e a incompetência — eu não posso pôr o problema doutra maneira — nós temos de chamar às pessoas que estiveram no Banco de Portugal incompetentes» — negligência
Falou e disse o ultracompetente, licenciado pela Católica e mestre pela Nova, senhor doutor Pedro Marques Lopes.

«haviam indícios arrasadores …» — havia

«O que vem ao casoalguém que está sobre investigação há 4 anos, teve preso quase um ano» - sobesteve

Relembro: Pedro Marques Lopes é licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa e tem o grau de "Master of Business Administration" da Universidade Nova de Lisboa. 


Enfim, o comentador Pedro Marques Lopes não presta. O colunista Pedro Marques Lopes é uma fraude trauliteira.
Mas a direcção do DN não é burra por manter PML; nisso será tão-só pimba e relaxada. A direcção do DN foi olimpicamente asinina em ter prescindido de Alberto Gonçalves. 
Há-de ter sido enorme a quantidade de tarecos e tralha que a empresa de logística teve de levar para a Tomás da Fonseca na recente reinstalação do jornal
Nada de indispensável à «guarda da verdade e à busca dos factos, liberto das amarras do poder político ou económico» ficou esquecido na Avenida da Liberdade. Consigo até imaginar a caravana: no camião da frente o fantasma intimidante de José Sócrates, na carrinha de trás a barbicha mefistofélica de Proença de Carvalho… 
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* Texto de PML sem «comunidade» é trevo de cinco folhas. Desde que em 03.Nov.2015 escrevi isto, a enxurrada comunitária não abrandou. Como se a explicação que ele dera a Anabela Mota Ribeiro em 29.Set.2014, no Jornal de Negócios, lhe redimisse a idiotia do tique.

** É preciso não saber o que PML, pregoeiro de Carlos Cruz, paladino e testemunha de José Sócrates, acha da justiça — sempre a desacreditá-la e à generalidade dos seus agentes, sempre acagaçado com ela, «Eu tenho medo, eu tenho medo, fiquei com medo. Já tinha.», … Da vergonha e do medo”, DN, 15.Fev.2015 —  para levar a sério o seu apelo de agora ao jornalismo da verdade e da busca dos factos. Por favor, Pedro Marques Lopes, não nos faça rir.
16.Nov.2014, O Eixo do Mal, acabara de eclodir a notícia da Operação Labirinto / Vistos Gold [corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência, peculato], eis Pedro Marques Lopes impante:
«Eu não me lembro em nenhuma altura da minha vida e provavelmente na vida deste país [ena!] em que fosse tão importante desconfiar do que está a acontecer, de todos estes megaprocessos.  Eu tenho neste momento, neste tipo de processos, nas condições, na condução destes processos, eu fico completamente de pé atrás.  Eu tenho muitas dúvidas como tenho em relação a todos os processos, em relação a estes gigantescos processos, que metem guerras muitas vezes políticas internas e portanto eu vou esperar calmamente para saber se de facto estes senhores foram corruptos, se existe essa possibilidade de corrupção ou não. Pelo menos, por mim neste momento essas pessoas estão absolutamente inocentes.»
Para não falar da sanha com que arremete contra qualquer esboço legiferante do enriquecimento ilícito. A gente sabe: "inversão do ónus da prova", era o que faltava! 

*** PML deve achar que a malta acha muita graça a ele ser, como se apresenta por toda a net, ex-gasolineiro, ex-merceeiro, ex-cauteleiro. Arrisco que ele sabe e receia que se usar palavras como «patrão», «proprietário do negócio» ou «comerciante» lá se esfuma a aura paraproletária que lhe vale acolhimento fofinho junto do auditório urbano-progressista-fracturante. Começou por ser adoptado em 2008 pelas meninas façanhudas do Jugular. Uma vez mais, absolutamente [como ele gosta] ridículo. 

**** Pedro Marques Lopes, erudita sumidade das letras e das artes, 18.Set.2016: «Quem é que lhe vai lavar a roupa, como dizia o Almada…»
Como dizia quem? Dizia o quê? Quando? Onde?

sábado, 14 de janeiro de 2017

Em resumo

- Benze-te, Plúvio, e respeitinho, OK?
- OK. Em nome do pai e dos filhos  e do do Espírito Santo

Sábado, 07.Jan.2017
De manhãzinha, na ficha técnica do DN lá continua, como sempre, o nome de Mário Soares na "Opinião", cuja peça mais recente no jornal, em 29.Set.2015, consistia de um breve "Apelo" ao voto em António Costa nas eleições legislativas daí a uma semana, e que publicara a última crónica regular em 23.Jun.2015.

15h28, o coração pifa.
15h30, o hospital da Cruz Vermelha comunica ao mundo.
Das televisões, a RTP foi a primeira a informar, eram 15h40, com Cristiano Ronaldo; a TVI, a última, 15h48, por Ana Sofia Cardoso.
15h56, sms da minha namorada: «Mário Soares morreu.»

Domingo, 08.Jan.2017
Pelas 00h10, no "Eixo do Mal", o pândego Pedro Marques Lopes:
[...]
não há político que eu mais admire nunca houve, pelo menos no último século, um português a que tantos devessem tanto É a maior figura, o maior político, provavelmente dos últimos cem anos, e a sensação que eu tenho é que daqui a uns mil anos, quando se fizer outra vez a história de Portugal ele é das poucas pessoas que ficará desta altura Morreu o melhor de nós todos [...]»
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Na ficha técnica do DN desaparece o nome de Mário Soares, o que não era bom sinal para ele, [o nome de Alberto Gonçalves fora apagado logo no dia 1, novidade triste e derrota da inteligência], mas continua Pedro Marques Lopes, mediocridade acarinhada.
«[Mário Soares] é um dos nossos grandes, um homem que marca os séculos XX e XXI portugueses e que nenhum compêndio sobre a nossa história nos próximos mil anos pode deixar de ter em lugar cimeiro.» * 

Terça-feira, 10.Jan.2017
15h19, Lisboa, Rua de São Bento.
O deputado e dirigente do PAN, André Silva, a também ter estado ali, aposto em como, mais do que o armão, aplaudia com veemente e magoada solidariedade os garbosos e sacrificados cavalos, cansadíssimos, 'inda a subida ia a meio

«Em resultado da sua actividade política contra a ditadura foi 12 vezes preso ...»
16h30, Lisboa, cemitério dos Prazeres.
Engavetado pela 13.ª e decerto penúltima vez. 
A 14.ª, e tudo indica que última, está prevista para 2037.

Pelo que um corpo passa, bolas!
Com que direito o meu cérebro se intitula dono de mim?
Palavras com que mais embirrei: "legado", "homenagem".
Miguel Tamen, DOC:
«a ninguém ocorreria mostrar menor respeito pelos descendentes de um algarvio ou de um autarca; já não é preciso explicar aos gálatas que a diferença entre um escravo e um homem livre não é clara; e só a certas antepassadas ocorre ainda perguntar de quem alguém será filho. Os nossos modos menos esclarecidos de tratar pessoas sobrevivem muitas vezes nas nossas relações com as coisas: e o que não diríamos de uma pessoa dizemos convictamente de uma égua, de um herói, ou de um presunto.»

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* Não tendo simpatizado nunca com a pessoa de Mário Soares, confesso que votei nele ou no partido por que se candidatou [PS] 9 das 10 vezes em que, de 1975 a 2006, ele foi a votos
Mas isso sou eu, eleitor esquizofrénico, nascido em 1953.
Será de crer que PML — nascido em 1966 e que há-de ter sempre votado nos melhores a seu ver — nunca votou em Mário Soares, em 1986 [2 vezes], em 1991, em 1999 e em 2006, decerto porque aos 20 anos, aos 25, aos 33 e aos 40, para Pedro Marques Lopes os melhores políticos do século e do próximo milénio estavam no CDS ou no PPD/PSD. Mário Soares, nascido em 1924, só depois dos 82 anos terá começado a ficar melhor político do que todos os outros.
Quem não conheça este opinante oportunista, patareco ideológico, que lhe compre a lábia, a lata e o vezo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Fados e guterradas

De quem vai render um sul-coreano imune espera-se que tenha todas as vacinas em dia. 

Próximos passos:
- Dom Manuel a Papa. Pela ordem natural das coisas, será Clemente XV.
- Dona Maria a santa. Quando partiu já ia beatificada.

Desígnios do Quinto Império?...
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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Francisco Seixas da Costa | Alberto Gonçalves | Educação

«A ideia não será popular, mas não seria esta a ocasião para se introduzir uma transparência total nas redes sociais acabando com o anonimato?»

«[...]
A nova ordem está na fresquíssima secretária de Estado da Igualdade ou da Fraternidade, que em tempos explicou no Facebook: Como sabem eu [sic] não tenho por hábito fazer sensura [sic], mas não tulero [sic] insultos (...). E está no sensor, perdão, censor que saltitou da ERC para a tropa, com escala pedagógica a norte. E está na sugestão do Sr. Seixas da Costa, personalidade conhecida por zelar pela educação parisiense do Eng. Sócrates e por se indignar com a falta de "estrelas" Michelin em Portugal: A ideia não será popular, mas não seria a ocasião para se introduzir uma transparência total nas redes sociais acabando com o anonimato? E está no assombroso Dr. Ferro. E no nobilíssimo Dr. César dos Açores. E em sujeitos que passeiam títulos e pêlos nas orelhas em simultâneo. Quem é essa gente, Deus do céu?
[...]»

«[...]
ao ler na net um jornal lisboeta de hoje, verifico que, finalmente, um certo cromo, dos que me faltavana minha galeria de adversários políticos, finalmente me arremessa uma farpa, num seu artigo semanal. Já tinha quase todos na minha "colecção" particular (se o leitor detecta algum gozo no que ora escrevo, tem alguma razão para isso) mas este nunca mais aparecia. Pronto, quebrou-se hoje o enguiço, ufh!
Por que fui atacado? Aparentemente por eu ter lançado, noutro espaço informático, a ideia (pelos vistos tenebrosa e atentatória das liberdades) de que deveria acabar-se em absoluto com o anonimato na internet. Essa proposta "radical" de propor que quem faz uma afirmação ponha o seu nome real por baixo, sem refúgio em pseudónimos ou iniciais equívocas, é, pelos vistos, altamente sinistra. Cá para mim, quem não deve não teme - embora imagine que seja muito "corajoso" e cómodo insultar e caluniar os outros, sem mostrar a cara.
Vá lá que o cromo assina todos os artigos, o que só lhe fica bem.»

Sucede que...
Pontificando entre os três ou quatro melhores colunistas da comunicação social portuguesa, Alberto Gonçalves, sem que precisemos de aderir ao que defende ou alinhar no que zurze [não raro discordo dele], serve-nos ao domingo e à quinta-feira, no Diário de Notícias e na Sábado, prosa de urdidura gramatical irrepreensível, bênção nos tempos que correm,  impregnada de tal comicidade e ironia que nem Ricardo Araújo Pereira, o melhor dos sardónicos mais novos, nem Vasco Pulido Valente  (mansuetude dos 70?), o melhor dos senadores cáusticos — revejo "de ouvido", sem pensar muito, os ases do género — logram com tão abundante e depurado alcance. A escrita de Alberto Gonçalves é um requinte de gozo.
Já o nosso bem instalado e próspero antigo embaixador, de multímodos mesteres, escreve, ainda que escorreito, apenas sofrivelmente. Discurso atilado demais para o meu gosto, que lhe frequento regularmente os vários estaminés onde oficia. Neste concreto acto de desprezo por Alberto Gonçalves, soa sobranceiro e feio que Seixas da Costa, paladino da lisura e da transparência, não tenha identificado o "cromo" nem o "jornal lisboeta"; além de que * bom português é «dos que me faltavam» e não «dos que me faltava». O que só lhe fica mal.

Mas estou de acordo com o que, por exemplo, diz hoje Francisco Seixas da Costa do exame do quarto ano e da prova de avaliação dos professores.
Acompanhei, através da televisão da AR, o debate de 27 de Novembro sobre a matéria.
Que Partido Socialista é este, cujo secretário-geral, agora Primeiro-Ministro, empanturra a conversa de Ciência e Conhecimento, Ciência e Conhecimento, Ciência e Conhecimento, que sucumbe à chantagem trauliteira do pulmão leninista por que o Governo sobrevive no Parlamento, diabolizando pateticamente uma boa ideia sua consubstanciada na lei em 2007 e 2008 e participando sem um pingo de vergonha e com lastimoso masoquismo na opereta rasca dirigida pelo real e perene ministro da tutela, Mário Nogueira, cuja bigoduda batuta ali se pressentiu do primeiro ao último minuto da argumentação dos que não se incomodam com que os candidatos a ensinar os nossos filhos asneiem na aritmética rudimentar ou não consigam, no Português, distinguir "levastes" de "levaste", "levaste" de "levas-te"?
Algo me diz que a este cambrídgico moço, de quem não se conhece uma ideia sobre instrução pública, faltarão os tomates com que Maria de Lurdes Rodrigues, honra lhe seja, enfrentou o senhor professor Mário Nogueira durante quatro anos. Por isso, para acalmar a FENPROF e não perder tantos votos, Sócrates a rendeu em 2009 por uma alçada libelinha...
Com nem 24 horas de um tempo novo, a sessão parlamentar a que assisti na sexta-feira assemelhou-se a exéquias comiserativas da decência. A questão "técnica" da inconstitucionalidade não passa de poeira para olhos ingénuos.
O sindicato recrudesce, o ensino deliquesce.

Plúvio, e se fosses rimar para outro lado?

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Livre-arbítrio dos matrecos

«[...]
Por definição, um parlamentar comunista possui tanta independência quanto os centro-campistas dos matraquilhos.
[...]»

Não conheço nenhum colunista de esquerda [seja de esquerda o que for] — conheço e leio-os a todos até ao fim, incluindo Ferreira Fernandes, o melhor — que escreva tão bem e com tanta graça como Alberto Gonçalves.
Mesmo entre os de direita [seja de direita o que for] — conheço e leio-os a todos até ao fim, incluindo Vasco Pulido Valente, dos melhores — não me está neste momento a ocorrer nenhum tão bom como AG, e há-os excelentes, Miguel Tamen por exemplo.
_______________________________
Então, Plúvio, e Pedro Mexia, hã?

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Acordo Ortográfico [93]

«[…]
Devia haver um referendo sobre o Acordo, mas os homens do "vota no castelo", os apátridas da língua, têm medo de o perder. Mas há muito que se pode fazer. Muita gente já o está a fazer, sob a forma de uma desobediência cívica exemplar: recusar-se a escrever segundo as suas normas e assim proclamar que "o meu amor à língua portuguesa não pára. Com acento.»

- x -
«[…]
nunca fui entusiasta do Acordo; encarei-o com desagrado e adoptei-o com relutância, mas sem drama. O que fiz, sim, foi escrever vários textos no blogue Jugular, não sobre o AO90 mas acerca do bruaá irracional e insensato que rodeia o tema e, sobretudo, a cegueira e a falta de informação — mas também a má-fé, que é real — dos que rejeitam o AO90 por mero preconceito, ignorância, temor, preguiça, seguidismo ou ligeireza. Isto, por si só, nem seria muito grave; pior é quando lhe está associado um inegável teor de arrogância, nacionalismo básico e provincianismo serôdio.
[…]
Assim se chega à fase do roer as muletas, quando já não há pés para alvejar nem balas a disparar. O texto de M.F.M. é uma boa demonstração do delírio enviesado para onde frequentemente resvalam os autoproclamados paladinos da língua portuguesa.»
reagindo ao artigo da filósofa e ensaísta Maria Filomena Molder, "O direito de ser atropelado", no Público de 04.Mai.2015.

- x -

«[…]
Por cá, a prevenção manda e mandou consagrar aquilo que, na alma navegante de cada lusófono, constituía uma necessidade gritante: um acordo ortográfico (AO) para o português. A ideia, inicialmente mastigada por duas dúzias de génios nos seus imensos tempos livres, tornou-se oficiosa em 1991, mereceu a aprovação do prof. Cavaco em 2008, subiu a regra nos documentos de Estado em 2012 e fez-se obrigatória há dias.
Não imagino que sanções se aplicarão aos prevaricadores daqui em diante (sugiro açoites na praça ou a digestão dos discursos da dra. Edite Estrela).
[…]»
A brincadeira de AG com facto/fato é capaz de ser exagero, dada a alínea c) do n.º 1 da Base IV do AO.