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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Guterres, por Baptista-Bastos

«António Guterres foi oficialmente confirmado como secretário-geral das Nações Unidas. Cristiano Ronaldo conquistou, pela quarta vez, a Bola de Ouro. Dois importantes acontecimentos que premeiam a qualidade excepcional de dois portugueses obstinados em escapar à trilha imposta pelas circunstâncias dominantes e colocar-se no plano em que estão algumas das grandes figuras que marcaram os destinos comuns.
[...] Sou daqueles para quem as vitórias dos que conheço ou prezo constituem alentos pessoais. Tenho passado a vida nisto: a bem-dizer os que, pelas virtudes próprias ou pelos méritos pessoais, amarinharam pelas rudes escadas que lhes eram apresentadas.
[...] Segui, à distância, a desenvolta carreira do homem. E acho que ele merece o que conquistou. Nunca fez ondas demasiado altas, e, de palavra, foi sempre cuidadoso e prudente, movendo-se com destreza e extrema habilidade. Que Deus Nosso Senhor o proteja e continue a iluminá-lo.»
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«[...] Está-lhe no sangue este tipo de indecisões e evasivas.
[...] Deu provas suficientes de ser um espírito hesitante, temeroso, com escassa coragem para enfrentar contrariedades, as mais minguadas, e sempre predisposto a escapulir-se, sem pudor nem dignidade, como o fez quando se demitiu do Governo. Conheço o homem há anos, das conspirações no gabinete de Soares Louro, na Cinevoz.
[...] fez-se à vidinha e andou por aí, com o rosto compungido, a fazer ninguém sabe o quê, diz que a favor dos expatriados.
[...] António Guterres detesta problemas. Deseja é mel e leite e o exercício de funções pacíficas, bem remuneradas e sem atritos de maior. [...]»
"O candidato que não é" | Correio da Manhã, 15.Abr.2015
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«[...] É um burocrata sempre cheio de medo, que possui do socialismo um conceito difuso de água-benta. [...]»
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«[...] À menor contrariedade foge espavorido, como se viu quando perdeu as eleições municipais, e refugiou-se num chamado Alto Comissariado para os... Refugiados.
[...] Guterres está longe de ser o homem que o momento exige. Carece de carácter, é um espírito flébil, pouco consistente e indeciso. 
[...] demonstrou ser ressentido, rancoroso e vingativo, quando saneou Vasco Graça Moura das funções de comissário para as Comemorações dos Descobrimentos, porque o escritor criticava, publicamente, a política do Governo.
[...] acabei por votar nele, fui enganado, fiz o que tinha a fazer, não oculto um certo desdém que por ele embalo, e não encontro nenhuma virtude que o recomende à Presidência. [...]»
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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Gamártica

e uma coisa que me enerva.
«[...]
Assunção Esteves foi outra das demonstrações desse medo, lamentavelmente expresso por uma mulher que parecia "disagionata" desta irracionalidade que nos está a dizimar.
[...]»
Quantos leitores entenderão este disagionata do veterano plumitivo, confesso perfeccionista?
Talvez nenhum.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Grunho em alta definição

«[...] É a criatura que há, o Presidente que se arranja, irremissível e sombrio. Medíocre, ressentido, mau-carácter [...]» 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Pedro Passos Coelho

«Passos Coelho tem nas mãos um brinquedo chamado Portugal. Não foi tocado pelos benefícios da imaginação, nem pela graça do talento: é um político medíocre, infenso a escutar os apelos da razão e os impulsos da sensibilidade. Em seu amparo, talvez, a voz de tenor; mais nada. O vazio desta triste mas perigosa existência poderia, possivelmente, constituir motivo bastante para comentários demolidores, porém pedagógicos. Nada disso acontece. O País está pobre porque ele assim o quis e proporcionou pelo sofrimento e pela prepotência. Com perdão da palavra, Pedro Passos Coelho não é uma questão política. É um problema moral.»

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Passos Coelho | Cavaco Silva

«[...]
Falam-nos como se fôssemos matóides e animam essa vasta murmuração que considera a política uma estrebaria e os políticos um sinédrio de malandros. Pedro Passos Coelho ganhou a simpatia de muita gente como paladino da "transparência" e da "verdade". Acentuou, com a voz treinada e uma simpatia de subúrbio, a dubiedade de carácter de José Sócrates. Afinal...
Como assinalou um amigo meu, está a imitá-lo em grande, e veste-se pior. A protegê-lo e a apoiá-lo, pelo silêncio e pela lacuna, lá está o dr. Cavaco. Em condições normais, com um Presidente rigoroso e elevado, Passos já teria sido demitido. Mentir assim é o excesso dos excessos. Mas o dr. Cavaco é o dr. Cavaco que há. E a tenaz ideológica que nos esmaga tem, nele, a analogia perfeita. Adicione-se-lhe a ausência de coragem, o possidonismo intelectual, e a interpretação de infantário que faz das suas funções e ficamos com a dimensão do senhor.
[...]»

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O PS vai *

«[…] Estamos, sobretudo, a subverter o próprio conceito de identidade, e obrigados a desfazer-nos da narrativa** que nos diferenciou.
O PS, por seu turno, ainda não encontrou o enquadramento ideológico que forneça ao debate público um interesse sobrelevante de questões insignificantes. Seguro entrou na questiúncula provocada pelo Marcelo, que teceu, na TVI, uma teia reticular de intriga, tão ao seu gosto e estilo. E o secretário-geral socialista, em vez de resolver o berbicacho com um displicente: "Não comento o que dizem os comentadores", embrenhou-se em explicações desnecessárias. Logo o Marcelo ameaçou responder, no próximo domingo.
Que interesse tem isto para as pessoas?»

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«[…]
o dr. Seguro precisa de um milagre, os saudosistas do eng. Sócrates precisam de uma esperança, nós precisamos de paciência e o País precisa de um PS com juízo [não esquecerei tão cedo o que o Alberto Gonçalves acaba de dizer que o País precisa], por oposição a um bando de histéricos cuja abstinência aguda de poder os convenceu de que as causas da crise são o remédio da crise. Caso contrário, espera-nos o destino dos alienígenas de que descendemos.»

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«António José Seguro está reduzido a uma espécie de Mário Castrim: como não consegue lutar contra o programa da troika, dedica-se a lutar contra um programa de televisão.»
No editorial da Sábado de hoje.
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Votar como tenho, em quase todos os sufrágios desde 1975, votado no Partido Socialista [os outros, mas sobretudo o PPD/PSD, o BE, o CDS/PP e o PCP são muito piores] não me inibe de ver que, por exemplo, o Tozé Seguro é uma coisa tão má que nem pesadelo chega a ser; que o Carlos Zorrinho não presta ou que a diáfana tagarela, perdão, tagarêla, Maria de Belém Roseira não presta, perdão, prêsta. E assim sucessivamente.

Quanto ao Marcelo Rebelo de Sousa, diria que continua o rico e jorrante palhaço talentoso de sempre, em moto perpétuo, invariavelmente próximo da invertebrabilidade e do seu quase contrário.
Mas, lá está, nada nos próximos séculos podendo vir a ser pior do que o Cavaco, não hesitaria na cruzinha se tivesse de votar no pândego professor Marcelo para evitar o funesto dr. da Silva.
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* Ia para pôr “O PS vai seguro e não formoso” quando me ocorreu a alta eventualidade de que outros tivessem já glosado, por hipérbato, o clássico e célebre mote. De modos que googlei – o Google é um motor de prudência –, encontrando 6 ocorrências de vai seguro e não formoso, ainda assim bem menos do que seria de esperar. Três delas aludem ao soturno Tozé:
- em 05.Out.2009, uma tal bulimunda em comentário no blogue “A Educação do meu Umbigo”;
- em 17.Jul.2011, Alberto Gonçalves, voilà!, intitulando "Vai Seguro e não formoso" um naco da sua sumarenta prosa dominical no DN;
- em 09.Nov.2011, José António Abreu comentando comentários no “Delito de opinião”.

** Não que Baptista-Bastos não escreva bem, amiúde muito bem, e até que não diga, como na presente lauda, coisas assisadas; mas, por amor da santa, narrativa?
Ainda hoje o Nuno Azinheira, Vitórias e esperanças”, ibidem, «[…] Ao fim de duas semanas de exibição, Ídolos mantém as características que fizeram dele um grande programa de televisão. Do ponto devista técnico, é irrepreensível: muitíssimo bem montado, segue uma narrativa bem construída […]»

Atrelam o pensamento ao psitacismo gárrulo da preguiça e depois querem que os levemos a sério. Porra que é demais! Não se importam de mudar um bocadinho a narrativa do discurso? Só para desenjoar.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Aquilo de Camarate, atentado à inteligência

Passos Coelho admite reabertura de comissão de inquérito.

Às 20:17 de quinta-feira, 04 de Dezembro de 1980, um minuto depois de muito, muito a custo se ter erguido a uns 40 metros do chão, uma avioneta de matrícula venezuelana, podre de desmazelo e maus tratos, despenhou-se em Camarate, com sete pessoas a bordo que tiveram morte imediata por falência múltipla e convergente de órgãos, no cumprimento natural de determinações elementares de ordem física, bioquímica, metabólica e estocástica; quiçá, até, divinas.
Se se tiver devido a sabotagem ou a atentado o despenhamento desta caranguejola podre, então não haverá trambolhão de trotineta que não resulte de urdidura do Olimpo, qualquer escorregadela no duche só pode acontecer por mancomunação dos astros e nenhuma amora, por mais madura, se desprenderá sozinha da sarça sem conluio dos pinguins.
Se aquilo foi sabotagem, passe-se à categoria de sabotagem toda e qualquer queda de aeródino que não tenha resultado ou resulte de bomba ou de fisga, desde o dia em que Ícaro voou até ao dia da eleição da Carmelinda Pereira para a Presidência da República Portuguesa.
caso de Camarate constitui a saga mais demencial - momentaneamente interrompida no tomo IX, 31.º ano - de que há registo ou memória nos 870 anos mais recentes de Portugal.
A reboque da orfandade serôdia, da beatice contumaz e do proselitismo alucinado de meia dúzia de doentinhos, açulados pelos Cides e Sás Fernandes desta vida, um país ensandecido – do Freitas do Amaral ao Bloco de Esquerda, do Mário Soares ao Marcelo Rebelo de Sousa, do Baptista-Bastos ao Daniel Oliveira – continuará a malbaratar, sabe-se lá até quando*dinheiro a rodos e energia pensante na confabulação e no fabrico à força de explicações ridículas, patéticas, sem pés nem cabeça, ante a indiferença bovina do povo em geral e a conformidade invertebrada de praticamente toda a comunicação social.

Mas OK, arranquem lá, depressa e em força, com a 10.ª Comissão Parlamentar de Inquérito – sempre se distrairá o pagode da crise. Nem será difícil encontrar pelo menos dois novos maluquinhos inimputáveis, Fui eu que fiz a bomba. / Fui eu que a pus a bordo., desta vez para tratar do sarampo ao Amaro da Costa por causa de umas merdas incómodas em que andava a mexer. E depois, porque a investigação pericial e a inquirição judicial, a soldo de mefistofélicos desígnios, ainda não se persuadiram do atentado, avance-se para a 11.ª CPI e para a 12.ª e para a 13.ª e para a 14.ª e para a 15.ª.
E se sobrevier uma sombra de dúvida quanto ao alvo Amaro da Costa, prossiga-se para a tese de atentado contra a Snu por parte de um amante desconhecido com dor-de-corno do Sá Carneiro. Aí abrirá, por consenso universal, a 16.ª CPI, com mais um maluquinho que fabricou a bomba e outro que a meteu na avioneta, e depois a 17.ª e depois a 18.ª, havendo que aproveitar o balanço, a experiência e o prodigioso saber entretanto adquirido para, com a eterna cooperação sempre desinteressada do omnímodo e ubíquo Ricardo Sá Fernandes e através de quantas comissões de inquérito forem necessárias, esclarecer finalmente o desaparecimento de Dom Sebastião, o sumiço do Nessie e o paradeiro do ponto G; com punição severa de todos os culpados, a começar pelos tribunais, pelos peritos em aeronáutica e pelos cães pisteiros.

E assim sucessivamente, até à transferência do caso para este departamento.
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* Até, talvez, conforme sugeriu em tempos Miguel Sousa Tavares, à publicação de uma lei de dois artigos:
Artigo 1.º - Camarate foi atentado.
Artigo 2.º - Quem desdisser ou não acreditar vai preso.

domingo, 30 de outubro de 2011

O adjectivo palpável *

Ouvi hoje - Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama - alguém dizer na telefonia:
«O combate ao cancro da mama regista um sucesso palpável.»
Remataria o Crespo: Aqui fica esse registo, tão pertinente ele é.

Declaração de interesses: também tenho um em casa. Um cancro de mama; pequenino, ainda bebé, felizmente.
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* «[...] O adjectivo é a prosa a tomar partido. Foi-nos ensinado pelo maior de todos nós, Fernão Lopes, e encaminhado por António Vieira, Camilo, Eça, Ramalho, Fialho e outros mais. O adjectivo não distorce a realidade: evoca-a e convoca-a no colorido que a realidade detém. O texto apenas substantivado é indolor, incolor, afasta-se da verdade imediata, faz derivar a visão para o território frígido onde o calor humano não existe. Uma certeza impositiva: não há texto sem adjectivo. [...]»
- Baptista-Bastos, Nov.2006

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Da grandeza dos homens | David Mourão-Ferreira

«A última vez que o vi foi na Casa do Alentejo, num jantar de apoio à candidatura de Jorge Sampaio à Presidência da República. Não o reconheci, de imediato: o cancro devorava-o, era uma sombra do que fora. Ao lado, sua mulher, Pilar, e os dois mantinham o porte sereno e digno. Conversou, fumou cachimbo, bebeu uísque, no ritual cortês e delicado que o caracterizava. Um homem a sorrir à morte, e embora dilacerado pelo escândalo de saber do seu próprio fim, mantinha a discrição e o pudor. David Mourão-Ferreira, digo.
Lembrei-me do episódio, agora, que li, na revista dominical do Público, uma entrevista a seu filho. O grande poeta percorreu a vida com a elegância antiga que marca o destino dos que são modernos sem nunca deixar de ser clássicos. Há poucos desta estirpe. O filho, também David, como o pai e o avô, fornece comovente perfil de um homem complexo, solitário mas também povoado pela força de um querer no qual o amor procura o seu particular infinito.
[...]
Revisitei os seus poemas, lidos, tanta vez, em voz alta, e reencontrei-me com um artista invulgar, para quem os valores da diversidade eram a questão central da existência num mundo cada vez mais flutuante e ausente na compostura.»

«O meu pai sempre manteve um tom de assombramento.»

* Pena o triplicado erro ortográfico em “neorealista(s)”, pouco compreensível no B-B.