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quinta-feira, 4 de maio de 2023

Na verdade

«Na verdade, não existiu nenhuma mentíura [sic) por parte do ministro João Galamba.»

Se me perguntarem pelo que entendo ser um cagalhoto na política sem outro préstimo que o de lamber os testículos do dono a qualquer preço, João Torres, caricato secretário-geral adjunto do PS, parece-me o arquétipo.

domingo, 21 de agosto de 2022

Patrícia Gaspar, uma espécie de dispositivo

Bát€gas de milhõ€s no combate. Negócios multimilionários em meios, os mitificados aéreos e os, menos conspícuos, terrestres. Legiões de operacionais, espectáculo, pornografia no terreno, emoção ao rubro [literalmente], auditórios salivantes do teatro de operações — não saia do seu lugar, anunciam-se novas e fulgurantes projecções. Tudo isto enquanto o bicho lavra.
Na prevenção e na detecção precoce quanto gasta ou investe o doutor Costa?
Pois, não é grande negócio, visibilidade nula, espectáculo nenhum. 

Ao serão de anteontem, 19, com Portugal a arder mais do que nunca, a secretária de Estado Patrícia Gaspar respondeu durante 18 minutos a Rodrigo Pratas, mui codicioso jornalista que aprecio.
Falou muito, sem explicar grande coisa - «esse momento vai chegar». 
Ontem, Augusto Madureira apresentou um resumo da conversa. Respigo:
«[...] Se considerarmos aquilo que é a severidade meteorológica, os dados, os algoritmos e as contas feitas dizem que a área ardida que deveríamos ter devia ser 30% superior, ou seja, ardeu 70% daquilo que era suposto arder face às condições de severidade meteorológica que temos. Isto significa que, apesar da complexidade, o dispositivo tem estado a responder bem e tem estado a conseguir debelar grande parte das ocorrências, mais de 90% das ocorrências nos primeiros 90 minutos. Este reforço o que vai permitir é garantir que temos mais pessoas no dispositivo [...] Estas novas 100 equipas aquilo que nos garantem é uma primeira linha de confiança porque estas vão garantidamente estar 24 horas disponíveis.» 

Oiça-se — e aprendamos — como Patrícia Gaspar informa a população de que a vegetação está muito seca e que não se deve fazer lume perto de arbustos ou de árvores:  
«temos ainda níveis de secura dos combustíveis que poderão em caso de ignição dar origem a ocorrências mais complexas de incêndios florestais e portanto convém e importa manter a adequação dos comportamentos junto aos espaços florestais»

E se um Verão mais frio e húmido do que o costume está menos propício a ignições?
Patrícia Gaspar responde na esteira de Jorge Coelho; a escola é a mesma. Caprichos de São Pedro? Mérito da governação: 
PG- «há aqui uma dimensão de tempo [...] felizmente nós estamos com resultados este ano, eu diria, simpáticos...
Rosa Pinto, jornalista- O tempo também tem ajudado.
PG- O tempo tem ajudado mas o dispositivo também, e não é este ano, estamos a falar ao longo dos últimos 10 anos.»

Pergunto-me amiúde se esta prolixa criatura consegue agir com outro propósito que não o de propaganda.  

- Confessa aqui, Plúvio, um fraquinho pela Patrícia...
- Bom, não diria tanto, até porque a resposta aqui é bicéfala. - 29.Ago.2019

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Geração +

ÚLTIMA HORA
António Costa:
«O nosso desígnio, repetirei para que ninguém duvide, é muito claro: garantir que a geração mais preparada de sempre será também, aqui no nosso país, a geração mais realizada de sempre.»
[Aplauso vibrante e longo. Muito irá aquela bancada de 120 ter de aplaudir nos próximos quatro anos e seis meses... Não sei se não seria de encomendarem um avantajado stock de luvas, não vá ficarem de mãos a sangrar.]

É, desde Outubro de 2015, a ducentésima quarta vez que António Costa nos lembra de que a geração actual é a mais preparada/qualificada de sempre.
Desde que brandiu o mantra pela nonagésima oitava vez já não consigo ouvi-lo sem me apetecer sacar da pistola, parafraseando o que sucedia à personagem de Hanns Johst quando ouvia a palavra "cultura".
Mas como não tenho pistola, fico na expectativa de que na próxima vez — a quingentésima sexta —  em que o primeiro-ministro repetir a frase lhe estoire uma granada* na língua. Vai ser lindo de ver e quem sabe AC passe, por efeito colateral, a pronunciar inteiras as palavras "constitucional" e "institucional".
Quem quer, afinal, António Costa hipnotizar?
Não lhe bastou sacudir o país em Outubro de 2019 para a novidade de que «o futuro é já agora»?
_____________________________________
* de açúcar, vá.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

XXIII Governo Constitucional - Biodiversidade e idiossincrasias

Aos trinta dias do mês de Março de 2022 

«Eu, abaixo assinado, afirmo solenemente* pela minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas.»

Dez [João Gomes Cravinho, Helena Carreiras, Fernando Medina, Duarte Cordeiro, Pedro Nuno Santos, Ana Abrunhosa, Sofia Batalha, Rita Baptista Marques, Ana Sofia Antunes, João Galamba] serviram-se da "Parker" disponibilizada pelo protocolo, só por isso merecendo um tudo-nada mais do meu apreço; os restantes 45 levaram caneta de casa, receando decerto que a da simpática Ana Cristina Baptista ficasse sem bateria ... ou sem rede.
  
Brâmanes - 1
  
Pretos - 0

Canhotos [um de "piercing"] - 4 

Irmãos - 2  

Um governante, o único, pronunciou o próprio nome no compromisso de honra — Eu, Ana Abrunhosa [a "costureira"] —, não fosse o «abaixo assinado» usurpar-lho. 

O que mais prometeu cumprir: Cumprirei, cumprirei...
A Cultura está garantida. 


À margem, realce-se o trabalho de Luísa Bastos, da RTP, jornalista com quem simpatizo, na apresentação individual de cada um dos 55 investidos, que só não classifico de magnífico por ter posto António Costa a «governar sobre o signo da incerteza.»
Ai, menina Luísa, menina Luísa! Sob o signo, se não se importa.

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* Por mais que esprema a sintaxe, não consigo entender que caralho de ónus acrescentado faz aqui o «solenemente».

** Ei-la.

Disk-lei-mâr
Sendo João Miguel Marques da Costa,  coxo canhoto, além de escuteiro***, o nome do agora empossado ministro da Educação, e chamando-se Deniz Marques da Costa o cibernauta que aqui rabisca sob**** o signo do Plúvio, não descarto nem deixo de encartar, antes pelo contrário, a eventualidade de termos sido paridos pela mesma mãe.


**** Tá a ver, Luísa? 

A democracia é linda e a liberdade não lhe fica atrás.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Edite Estrela? Oh, não! [1/2]

«Esta perseguição à Edite, feita por João Miguel Tavares, é das coisas mais absolutamente repugnantes que já vi. Não quererá pô-la a ela e à família toda na roda?»

Quero entrar na roda.
Mas, antes de mais, um discleima para que se não julgue que venho movido por ímpeto malsão ad feminam: detesto Edite Estrela, desde que, finais do decénio de '80 do século XX, lhe acompanho o protagonismo público. Voz desagradável, dicção horrível, gramática coxa, pese a fama granjeada na matéria. Jamais lhe perdoarei a mancebia oportunista e irresponsável com o nefando Acordo Ortográfico de 1990. 

Nasceu em Carrazeda de Ansiães há 72 anos, vive no Partido Socialista há 40.
De 1973 a 1986- Professora de Português
De 1987 a 1995- Deputada nas V e VI Legislaturas
De 1993 a 2001- Presidente da Câmara Municipal de Sintra
De 2002 a 2005- Deputada na IX Legislatura
De 2004 a 2014- Deputada no Parlamento Europeu
De 2015 a 2022- Deputada nas XIII e XIV Legislaturas
De 2022 [a 2026?]- Deputada na XV Legislatura 

Acho divertido quando na Wikipédia de pessoas com a densidade biográfica de Edite Estrela não consta qualquer apontamento de família. Parecem ectoplasmas. Faz-me lembrar Assunção Esteves, antiga Presidente da Assembleia da República: «[...] colocou um membro do gabinete a alterar constantemente a sua página na Wikipédia de modo a eliminar dados que ela não gosta que sejam públicos [...]»
Lá com elas, estão no seu direito.

10.Dez.2003- «Ministério Público pede apenas multa para Edite Estrela»

12.Fev.2005- «Ministério Público aceita reduzir pena a Edite Estrela»

2007- Edite Estrela, eurodeputada, contrata enteada e genro. 

25.Set.2009- «[...]  No almoço do PS, Sócrates voltou a ter o apoio da família socialista. Ao seu lado, na mesa de honra, estiveram ... Edite Estrela, António Costa e Luís Filipe Vieira, presidente do Sport Lisboa e Benfica, que quis ir dar o seu apoio a “um amigo”. [...]»

14.Nov.2010- Não sabendo que estava a ser escutada, Edite Estrela, em conversa telefónica com o seu dilecto Armando Vara, insulta camaradas socialistas: Ana Gomes, Elisa Ferreira, Vital Moreira... 

03.Jan.2013- Edite Estrela arrepende-se e apaga o 'tuíte' em que anunciava um almoço e convidava pessoas, sob sugestão e aval do afilhado, para mais um ágape socratólatra.

06.Jan.2015- Na companhia de Mário Lino, ex-ministro de José Sócrates, e de Carlos Martins, vice-presidente da Câmara da Covilhã, Edite Estrela cumpre a sua jornada na romaria a Évora. Mário Soares cumpriu por sete vezes... *

05.Mai.2018- «Edite Estrela» ocorre por oito vezes nesta história de dominação contada por duas Ritas.

20.Jul.2021-  Como conseguiu uma abécula destas chegar onde chegou? Edite Estrela não presta.
Parabéns, Ascenso Simões; parabéns, Jorge Lacão; parabéns, Sérgio Sousa Pinto; parabéns, Marcos Perestrello. 

18.Dez.2021 - «[...] Edite Estrela não tem quaisquer condições para ser eleita segunda figura do Estado português. [...]»
- João Miguel Tavares.
Concordo.

16.Jan.2022- Nem por não achar ponta de graça a este saloio deixo de comungar da sua rejeição de Edite Estrela.  

07.Fev.2022- «O problema é Edite Estrela»

08.Fev.2022- «[...] Edite Estrela foi madrinha de Sócrates no PS e na vida real. O seu marido fundou empresas com Sócrates nos anos 80. Passaram férias juntos. Foram unha com carne ao longo de 30 anos. Edite Estrela conhecia a sua vida política e pessoal de trás para a frente. Foi uma das vozes mais activas do PS a defender Sócrates após a sua detenção. E certo dia, quando as suspeitas e os indícios começaram a acumular-se muito para lá do razoável, calou-se sobre o tema Sócrates, como todos se calaram. [...]
Sócrates é hoje tratado como um ET caído das estrelas que assaltou o país de forma solitária e com um plano unipessoal. Espantoso, de facto. Só que esse silenciamento, essa suspensão da capacidade crítica, essa denegação das responsabilidades políticas, foi terrível para o país, e continua a ser terrível – como se vê pela ideia abstrusa de ter Edite Estrela como segunda figura do Estado, ou Pedro Silva Pereira, cuja esposa andou a receber dinheiro do universo de Carlos Santos Silva, como vice-presidente do Parlamento Europeu. [...]»
- João Miguel Tavares

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14.Mar.2021Rui do Nascimento Rabaça Vieira, marido de Edite Estrela.

Brasil, Dez.2006- Rui Vieira, o primeiro a contar da esquerda. Já agora e a despropósito, o segundo a contar da direita, entre Carlos Santos Silva e José Sócrates, Jaime Silva, sogro de Fernando Medina. Mundo, um penico.

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Manifestações públicas de ternura e cumplicidade derretem-me sempre a obtusidade córnea.
Vamos a elas:

02.Mai.2012
    - Depois da boa análise da Fernanda Câncio, desejo-lhes uma boa noite 😊
    - Beijos, Edite. Obrigada.
27.Mai.2012
    - Bom dia, Edite, está boa?
02.Jun.2012
    - Beijos, Edite. Aqui já se trabalha (eheh)
13.Jun.2012
    - Estou um bocadinho derreada pela noite de Sto. António. E a Edite?
24.Ago.2012
    - Boa noite, vou dormir. A temperatura baixou e a lua cresceu.
    - Boa noite, Edite, beijos.
26.Nov.2012
    - Estou óptima. E a Edite, muito trabalho?
11.Dez.2012
    - Olá, Edite. Gostava de saber a sua opinião sobre uma coisa. Pode ser?
    - Claro que sim. Quer tratar por email?
24.Dez.2012
    - Um feliz Natal para todos.
    - E para si, Edite. Beijos.
02.Jan.2013
    - Já jantaram?
    - Ahahahahahah. Muito bem, Edite.
22.Jan.2013
    - Que bom, Edite. Parabéns.
13.Fev.2013
    - Boa noite, Edite. Beijos e boa viagem.
09.Abr.2013
    - Edite, é ‘lembro-me que’ ou ‘lembro-me de que’? (Acabei de ver o anúncio de uma reportagem, ‘lembro-me que morri’) e fiquei na dúvida.
    - Lembro-me de que... Lembro-me de alguém ou de alguma coisa.
    - Bem me parecia que aquilo não estava bem. Obrigada.
10.Jul.2013
    - Vou dormir. Hoje já não há mais desenvolvimentos. Boa noite.
    - Beijos, Edite. Bons sonhos.
08.Set.2013
    - Muito bom, Fernanda.
    - Obrigada, querida Edite.
30.Set.2013
    - Boa noite, vou dormir e ter bons sonhos. Eheheh.
    - Boa noite, querida Edite. O Rui foi eleito?
    - Olá, Fernanda. Não ganhámos Foz Côa, mas ganhámos a junta de Cedovim, com uma mulher. Pela primeira vez.
    - Ah, que pena.
12.Out.2013
    - Obrigada, Edite, Beijo.
20.Abr.2014
    - Quem és tu e que fizeste com a Edite? Campeões. Campeões. Campeões. Somos campeões. Benfica!!!!!!!
15.Mai.2015
    - Ora, não tem de quê, Edite. Beijos.
    - É a perspectiva de muita gente. Mas muito bem escrito. O inigualável estilo da “Câncio” :)
20.Mar.2020
    - Durma bem, querida Edite.
05.Abr.2021
    - Obrigada, Edite. Beijo.
    - Outro, Fernanda.
19.Jun.2021
    - Muito obrigada, Edite. Mas ainda falta muito para acabar, certo?
06.Ago.2021
    - Que bom, Edite querida. saudades.💗
    - Imensas, Fernanda.

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Dos 14 Presidentes da Assembleia da República, desde 1976, começando por Vasco da Gama Fernandes — ambos assinávamos A Batalha —,  Eduardo Ferro Rodrigues foi o pior.

10.Fev.2022- «Ferro, solidário com Edite Estrela»
Um pesadelo caucionado por outro.
Qualquer coisa me diz, perdão, muitas coisas me dizem que a eventual indigitação de Edite Estrela para PAR comprometerá seriamente a posição de FR na minha tabela.

Agora, que tem Augusto Santos Silva confirmado no parlamento, menos ainda se perdoará a António Costa a afronta ao asseio da República se escolher para segunda figura dela uma videirinha rasca que parafraseia com o maior desplante um Fernando Pessoa inventado na candonga fajuta das citações apócrifas.**
Haja decoro, caralho!
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* A propósito de «Mário Soares cumpriu»,
- Não me digas, Amílcar..., não me diga, dona Teresa, que ainda não cumpriu hoje... Olhem que chamo o doutor Costa!
 
** Tudo o que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível - Fernando Pessoa, céus?! 
Faça-nos, doutora Edite, a bondade de informar  quando e em que página escreveu Fernando Pessoa tão merdíflua coisa. Se não encontrar no arquivo, peça ajuda à «querida Fernanda», graduada em afectos e em repugnâncias [absolutamente repugnantes, proclama a jornalista isenta...], sumidade em citações fidedignas de Pessoa: Rodeia-te de rosas, ama, bebe, dança e cala...  E de Lenine.
A obtusidade córnea lá atrás aprendi-a aos 17 anos, tenho a certeza, com Eça de Queiroz, aqui.

sábado, 29 de janeiro de 2022

'onça

Soam-me feias as palavras em 'onça.

Atraem-me e gosto dos significados primordiais que geringonça tinha nos dicionários da língua portuguesa até 2015.
Todavia, Geringonça, para consagrar o arranjo político de 2015, sempre se me afigurou denominação desagradável.
Mas quem sabe se por ironia histórica acabou em devir na palavra mais adequada ao retrato do carácter político de António Costa: pessoa de valores volúveis, princípios adaptáveis e escrúpulo difuso. Quem sabe...  


Parafraseando um ser admirável, se não gosta destas, tenho outras.
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* Em actualização constante.

Acordo Ortográfico - Catarina Martins inventa e aldraba

Para que conste.

A fechar o "Debate da Rádio", de 20.Jan.2022, Judith Menezes e Sousa, da TSF, inquiriu os sete líderes partidários intervenientes — PSD e CHEGA não compareceram — acerca do AO1990, para uma resposta simples, "sim" ou "não" [protesto e acho mal que havendo simples não haja nãoples]. 

Judith- Revisão do Acordo Ortográfico, sim ou não?

Inês Sousa Real, PAN- Sim. Ou seja, acho que tem havido um grande desacordo em relação ao Acordo. E portanto, sim, acho que esse debate deve ser reaberto.

Francisco Rodrigues dos Santos, CDS-PP- Sim, está no nosso compromisso eleitoral rever o Acordo, claro.
Verdade.
«Compromisso Eleitoral do CDS-PP - Legislativas/2022
[...]
COMPROMISSO CULTURA E PATRIMÓNIO
[...]
MEDIDAS:
Reverter o Acordo Ortográfico de 1990;
[...]»

João Cotrim Figueiredo, Iniciativa Liberal- Sim, rever o Acordo.

Rui Tavares, LIVRE- Bem, é um tratado internacional. Pode sempre ser revisto, pode ser melhorado, mas acho que Portugal e o Brasil, e os outros países de língua portuguesa devem preocupar-se com a promoção da nossa língua no estrangeiro e o facto de por exemplo nos leitorados poder haver..., não haver professores que ensinem uma ortografia e outra ortografia é importante para a divulgação da língua portuguesa no exterior.
Rui Tavares raramente desperdiça uma oportunidade de pesporrência. Apreciem-se os quilómetros de lixo que usou para dizer «Não». 

João Oliveira, PCP: Por nós, há 16 anos que estava revisto, não só o tratado mas o conteúdo do Acordo que é sobretudo isso que interessa.

Catarina Martins, BE- Há questões de sim ou não que na verdade…, a resposta de sim ou não pode enganar. O Acordo prevê ele próprio que haja estudos e revisões ao longo do tempo e, portanto, se algum de nós estiver a dizer que não quer essa revisão está a dizer que não quer o próprio Acordo [!?!?!?]. Ou seja, se calhar estamos a enganar-nos uns aos outros. O Acordo prevê que se perceba como é que ele foi implementado, que seja estudado e que seja melhorado.
O caso da BEata Catarina é mais sério. A coordenadora do Bloco de Esquerda não sabe o que diz. Inventa e aldraba.
Explique-nos por favor em que passagem do mostrengo se prevêem estudos e revisões; explique-nos sobretudo em que ponto da aberração criminosa se prevê que se perceba como foi implementada, que se estude ou que se melhore.
Fico à espera.
Não se admire se Deus — sim, esse, o do Papa Francisco — lhe der amanhã uma valente coça...  

António Costa, PS: Acho que o Acordo deve fazer o seu caminho.
Judith- Portanto, quando for altura de o rever, deve ser revisto…
António Costa: Como todos os acòrdos.
Pronúncia correcta de «acordos».
Mimetizando o narcisista messiânico do LIVRE, o Primeiro-Ministro aproveita todos os ensejos de falar ao país para reforçar o prestígio, aliás robustamente consolidado, de torcionário da língua portuguesa. António Costa não desilude.
__________________________________________________
Já que estou com a mão na massa,
«Programa Eleitoral do PSD - Legislativas/2022 [redigido em acordês] 
[...]
A língua
O Português é a expressão da nossa identidade coletiva e da presença de Portugal à escala global, sendo que as diferenças no uso da língua portuguesa não a empobrecem, mas antes revelam as diferentes dinâmicas culturais de cada país na sua apropriação. A tentativa da uniformização ortográfica não constituiu qualquer vantagem face ao mundo globalizado, pelo que o PSD defende a avaliação do real impacto do novo Acordo Ortográfico.
[...]»

Nos outros programas eleitorais, incluindo o de João Cotrim Figueiredo [redigido em acordês], nem uma linha acerca de ortografia.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

«Geração mais qualificada de sempre»

Já não há pachorra para o mantra da «geração mais qualificada de sempre» com que os feirantes do costume insistem em enfeitiçar o povoléu, como se de inaudita novidade se tratasse.
 
«As novas gerações, que são as gerações mais qualificadas de que o país alguma vez dispôs [...]»

Pelo amor da santa, doutor António Costa!
Am-lá-ver... Afinal, que há de novo ou de diferente em a geração dos jovens de hoje ser a mais qualificada de sempre? Então, as novas gerações do século XII, as novas gerações do século XVI, as novas gerações do século XIX, a geração de 1921, a geração de 1974, a geração de 2000, não eram no seu tempo, pela lei natural das coisas, igualmente as gerações mais qualificadas de sempre?
E ai de nós, andariam os planetas ao contrário — em sentido retrógado, diria a doutora Ana Gomes — se a nova geração de 2047 e a novíssima geração de 2088 não forem, cada qual na sua vez, as mais qualificadas de sempre.

Pelo amor da santa, poupem-nos a tanta demagogia!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Bom dia. O Pedro Marques Lopes é um indigente *

No tópico "Justiça" do confronto de ontem à noite com Rui Rio, António Costa, primeiro-ministro incumbente, disse:
«É entendimento em todas as instâncias internacionais, desde o Conselho da Europa à Comissão Europeia, todos, de que não controlar os órgãos de gestão da magistratura é fundamental garantia da sua independência para garantir a independência dos magistrados [...] A magistratura do Ministério Público é uma magistratura hierarquizada [...] O que não existe no Conselho Superior do Ministério Público é uma maioria de representantes do poder político. E porque é que é perigoso que exista? Porque a autonomia do Ministério Público é a melhor garantia que os cidadãos têm de que, se houver alguma suspeita sobre mim, sobre o doutor Rui Rio, sobre quem quer que seja, o Ministério Público usa de toda a sua autonomia, ninguém está acima da lei, é assim que os cidadãos podem ter a garantia de que a lei é igual para todos e também é assim que eu posso andar de cabeça levantada na rua porque os portugueses sabem que se eu não estou a ser investigado não é porque eu controlo a magistratura, é porque a magistratura independente não tem nenhum facto que leve à investigação.»
«O programa do PSD, se me permitem, é um programa muito perigoso, relativamente à justiça. E eu escolho bem a palavra quando digo 'perigoso'. Porque a maior garantia que nós podemos ter de que a justiça é igual para todos é a garantia de que a justiça não é sujeita ao controlo do poder político. [...] Dar força à Polícia Judiciária e respeitar a autonomia do Ministério Público são duas condições fundamentais para fortalecer o Estado de direito, designadamente no combate à corrupção.»

António Costa, factualmente correcto e bastante razoável, não sendo de excluir algum fariseísmo de oportunidade eleitoral — o povo vai gostar de me ouvir falar contra a corrupção... — com que atacou Rui Rio num dos seus desideratos governamentais mais arreigados e tenebrosos, com aroma a vindicta pessoal: a subjugação dos procuradores da República.   

Constituição da República Portuguesa
«[...]
Ministério Público - Funções e Estatuto
[...]
2. O Ministério Público goza de estatuto próprio e de autonomia, nos termos da lei.
[...]
4. Os agentes do Ministério Público são magistrados responsáveis, hierarquicamente subordinados, e não podem ser transferidos, suspensos, aposentados ou demitidos senão nos casos previstos na lei.
[...]»

Estatuto do Ministério Público
«[...]
Artigo 3.º - Autonomia
1 - O Ministério Público goza de autonomia em relação aos demais órgãos do poder central, regional e local, nos termos da presente lei.
2 - A autonomia do Ministério Público caracteriza-se pela sua vinculação a critérios de legalidade e objetividade e pela exclusiva sujeição dos magistrados do Ministério Público às diretivas, ordens e instruções previstas na presente lei.
[...]
Artigo 97.º - Estatuto
1 - Com respeito pelo princípio da autonomia do Ministério Público, os seus magistrados são responsáveis e hierarquicamente subordinados, nos termos da Constituição e do presente Estatuto.
2 - A responsabilidade consiste em responderem, nos termos da lei, pelo cumprimento dos seus deveres e pela observância das diretivas, ordens e instruções que receberem.
3 - A hierarquia é de natureza funcional e consiste na subordinação dos magistrados aos seus superiores hierárquicos, nos termos definidos no presente Estatuto, e na consequente obrigação de acatamento por aqueles das diretivas, ordens e instruções recebidas [...]
[...]»

Hora e meia depois, Pedro Marques Lopes este fabuloso e ubíquo sujeito [11 páginas de biografia], sim, este escuteirinho sempre em boas companhias, Pedro Marques Lopes, um pândego mentiroso, como, fez agora um ano, aqui procurei provar ["Posaconazol...", ver parágrafo "Vamos a coisas doutra densidade"], que em todos os "25 de Abril", desde 1976, desce a Avenida da Liberdade — comentou o debate:
«Algo que me incomoda,
António Costa disse coisas muito graves em relação à justiça. Muito graves. Fez lembrar o Chega, aliás. Mentiu, ou enganou-se, vou dizer, enganou-se. Disse que o Ministério Público tinha uma estrutura hierarquizada. É falso. Tem que ler melhor a Constituição. Isso não é verdade. E depois pintou uma manta incrível sobre a maioria de políticos no Conselho Superior do Ministério Público. Aquilo é para enganar, porque há imensos conselhos superiores do Ministério Público por esta Europa fora, em democracias em que os designados pelo poder político estão em maioria. [...]
Isso é grave, porque a justiça é um tema muito importante para a nossa comunidade e um primeiro-ministro dizer este tipo de coisas e fazer um apelo demagogo e populista à questão da justiça, eu acho perigoso. Acho isto insustentável.»

Nada de surpreendente em Pedro Marques Lopes. Ainda assim, terá atingido ontem o limite da indigência. Na TSF, na Visão e sobretudo na SIC ainda acharão Pedro Marques Lopes um opinador respeitável? Insistindo em PML, Domingos Andrade, Mafalda Anjos e Ricardo Costa continuam a vender uma fraude aos seus clientes.
Quanto não tem valido a Pedro Marques Lopes o matrocínio de Fernanda Câncio e a protecção salvífica de Nuno Artur...

Pelo lastimoso e inacreditável comentário acima reproduzido, Pedro Marques Lopes nunca deverá ter aberto a Constituição, muito menos a legislação enquadradora da natureza e funcionamento do Ministério Público. Como tenho reiteradamente tentado mostrar, PML é um falante pesporrente que sabe pouco e não lê muito.  
Já o incómodo vem-lhe de longe. Um pouco ao acaso, ataques e ofensas descabeladas [sim, falo de couro cabeludo] de PML ao Ministério Público, a propósito de arcanjos de bondade e escrúpulo como José Sócrates, Ricardo Salgado, Joe Berardo, António Mexia, Manuel Pinho, Luís Filipe Vieira ou Rui Moreira:







terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Bem-vindos ao país cristino [10]

O primeiro-ministro voltou ao pro$tíbulo do sete-seis-um-duzentos-novecentos.
A três semanas das urnas tudo serve, nada de novo.
Lá que é um bocadinho degenerescente, é.

... Ah!, tava-me a esquecer ... tenho um grande beijo pra si dum grande admirador seu.

De quem houvera de ser? Do arlequim, pois.

Portugal está nisto.
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domingo, 9 de janeiro de 2022

António Costa e os sacramentos da Santa Madre Igreja

No frente-a-frente eleitoral com Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS, António Costa, secretário-geral do PS e primeiro-ministro incumbente, procurou enaltecer como grande passo em frente civilizacional o acolhimento na ordem jurídica portuguesa [Código Civil] do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Exprimiu-se assim:
«Fez ontem 12 anos que passou a ser possível que pessoas do mesmo sexo pudessem contrair o matrimónio.»

Alguém explique ao trapalhão que Matrimónio é um sacramento da Igreja e que o Código de Direito Canónico não aceita outro que não seja o matrimónio entre um homem e uma mulher.

Acho lamentável e decepcionante que um primeiro-ministro tripudie o credo de 81% do povo que governa, ignorando ou confundindo alarvemente elementos basilares do catolicismo.

Mas tratando-se de um «eminente jurista», é muito possível que o trapalhão seja eu.

domingo, 21 de novembro de 2021

Se não for a equivalência mais estapafúrdia do século, avisem-me.

21.Nov.2021, "Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trânsito"
✈ «Todos os anos morrem nas estradas portuguesas um conjunto de pessoas equivalente a três aviões que caíssem em Portugal.» - Rui Ribeiro

✈ «E vale [vale, sim, Andreia Vale] a pena lembrarmos números há pouco também avançados pelo presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária: os mortos nas estradas em Portugal equivalem à queda de três aviões todos os anos.» - Andreia Vale 

Ora bem. Que três aviões poderão cair em Portugal?
Jumbos? Cessnas? Antonovs? F-16? Embraers? Cargueiros? Citations? Tupolevs? A380? Illyushins? DC-10? De combate aos incêndios?...
Com que lotação? Cheios? Com metade dos assentos vazios?...

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Ante tal absurdidade, promovam-se desde já à categoria de 'equivalência razoável' os míticos 16 estádios de futebol da Colina de Santana  explicados na televisão por Helena Roseta, sempre com o fervor a resvalar para o delíquio, pelas 21h35 daquela inolvidável segunda-feira, 09.Dez.2013:
«Isto são 16 hectares e, para quem nos está a ouvir, 16 hectares são 16 estádios de futebol. Portanto, estamos a falar de uma área equivalente a 16 estádios de futebol.» - Jornal das 9, pelo minuto 00:50 

E quanto mede um campo de futebol?, suplica o meu leitor à beira de colapso ansioso. Nada que saber: mede um campo de futebol, um campo de futebol é do tamanho de um campo de futebol.
Na versão leiga, menos rigorosa e particularmente usada por gajas que de bola não pescam grande coisa, campo de futebol é o mesmo que estádio de futebol.
Qualquer macho que se preze diz campo de futebol.
Dando de barato que o campo (relvado e envoltura directa) são 10.000 m2*  e que um estádio médio ande pelos 30.000 m2 [por exemplo, a catedral da Luz tem 45.000 m2], imagine-se a imensidão da Colina de Santana na métrica destrambelhada de Helena Roseta...
Se calhar andamos todos enganados e Lisboa é muitíssimo maior do que julgamos. É possível que só Helena Roseta conheça o real tamanho da cidade. 

Mal comparando, nas medidas de superfície "campo de futebol" estará para "estádio de futebol" como, nas medidas de comprimento, "milha terrestre" para "milha marítima".
Apesar de arquitecta, Helena Roseta baralha-se nisto. É gaja, a malta entende.

Mais anunciou Helena Roseta: «Esses hospitais — São José, Santa Marta, Capuchos — supostamente vão sair todos dali para irem para o novo hospital, caso se vier a construir, não se sabe bem quando, em Chelas
Oito anos volvidos, continuam os três hospitais na Colina e em Chelas nenhum, o que decerto atesta o consabido jeito para a ficção da arquitecta dilecta** de António Costa.
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10.000 m2 x 16 = 160.000 m2, os tais 16 hectares.

** Olha a rima, Plúvio...

sábado, 8 de maio de 2021

Como diz que disse?

«O trabalho digno e com direitos não tem APENAS a ver com a dignidade da pessoa humana, como repetidas vezes tem sublinhado o Papa Francisco. O trabalho digno e com direitos é TAMBÉM uma questão de resiliência e de sustentabilidade das nossas sociedades. Uma sociedade precária não é uma sociedade resiliente.»
Vam-lá-ver: onde, quando, disse o Papa Francisco, repetidas vezes, que o trabalho digno e com direitos não tem apenas a ver com a dignidade da pessoa humana? Como pode o representante de Cristo na Terra ter proferido semelhante republicanice?
Será António Costa a complementar o Papa, acrescentando ao discurso pontifício o mantra da resiliência e a praga da sustentabilidade?
Mas se calhar o que António Costa quis mesmo dizer foi que o Papa Francisco tem dito repetidas vezes que o trabalho digno e com direitos não tem apenas a ver com a dignidade da pessoa humana — como se não bastasse — mas também com a resiliência e a sustentabilidade das nossas sociedades.
Gastei um tempão a mondar proclamações do Papa Francisco em italiano, em espanhol, em inglês, em francês e em português e não achei, nem esperava achar, nada a jusante da dignidade da pessoa humana.
A menos que o Papa tenha falado da resiliência e da sustentabilidade em sânscrito ou em volapük. Nunca se sabe.
O que sei é que a invocação de qualquer dito ou de qualquer bufa do Papa argentino é uma espécie de canivete-suíço para uso ornamental dos jacobinos deste tempo. Lembremo-nos de Mário Soares.*
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* A propósito, confesso envergonhado que, quase meia-noite, ainda não cumpri o meu dever diário de hoje.
Deus me perdoe.

sábado, 17 de abril de 2021

Maria Antónia Palla e Sócrates-Savimbi, ainda

Nunca tive boa impressão da jornalista Maria Antónia Palla. Acho-a, o Olimpo me perdoe, tonta.

"Sócrates: porquê tanto ódio?" continua a suscitar gáudio nas capelas de socratolaria. O homo sapiens é, sabemo-lo, animal naturalmente religioso. Nada de novo.

No seguimento do postal de ontem, ocorrem-me duas peças de um jornalista enorme, Ferreira Fernandes.

 Maria Antónia Palla deu uma entrevista ao Expresso de 01.Abr.2017, em que lá pelo meio se declarava solidária com José Sócrates, principal arguido do processo da "Operação Marquês", agora pronunciado por seis crimes. Ferreira Fernandes — o último suspeito de odiar Sócrates — comentou o que a mãe do primeiro-ministro, António Costa, disse acerca da sua paixão por Jonas Savimbi e por Angola. Ora, se alguém conhece e sabe de Angola é FF
«[...] quanto me irrita quem escreve sobre o que o sabe. [...]
tudo o que ela poderia saber era de ouvido e longe [...]
Voltando à entrevista de Maria Antónia Palla: Portugal devia cortar relações com Angola, não se admite que um país que teve 50 anos de ditadura, tenha relações com outro que é uma ditadura, disse ela. E é esta frase extraordinária a que o Expresso dá destaque e refere na primeira página. E disse ela, ainda: Portugal devia esquecer, completamente, Angola.
Eis o outro patamar de ignorância confirmado. Já não é a forasteira que fala dos outros. Agora, Maria Antónia Palla fala de Portugal e não o conhece. Não o conhece, não o conhece, não o conhece. Não Portugal completamente, mas de parte que sem ela Portugal seria outro. E eu, afinal, fico a conhecê-lo bem melhor: andava-me a faltar este Portugal tão bem explicitado por Maria Antónia Palla.»
Ferreira Fernandes, "Ok, esqueçam. Completamente? Isso!" | DN, 07.Abr.2017

Que diria, por exemplo, Valupi, que adora Sócrates e venera Ferreira Fernandes? Alguém para descer das muralhas da cidade?...

➭ A outra não é uma peça qualquer. Tenho-a por jóia do jornalismo português, que conservo. Trata-se da reportagem fabulosa, magistral [17 páginas; texto e fotografias de FF], feita há 33 anos nos terrenos da UNITA/Jonas Savimbi.

Enfim,
dona Palla,
sabe pouco
do que
fala.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Bem-vindos ao país cristino [8]

N'
a mais bonita das histórias,
a Cristina de sempre está de volta. *

Quem nos vale?

Em tempo
Cristina Ferreira para Manuel Luís Goucha- Eu sei que esta conversa [ao fim da tarde de 26.Mar.2021 - de 52:35 a 1:36:00] está a ser vista por muitas pessoas que só querem apanhar uma frase minha para escrever o que quer que seja. E acredita que não é a frase mais bonita.

Sou dos que viram, vamos a isso.
CF- o termo "saloia", no qual me orgulho muito, foi usado dezenas e dezenas de vezes ...
MLG- ... com outro sentido, pejorativo.
CF- ... de uma forma prejorativa

Aprenda com o Goucha, senhora, que sempre é um pouco mais instruído
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* Locução melosa de — de quem haveria de ser? — Inês Meneses, o Pedro Chagas Freitas de saias da literatura portuguesa contemporânea.
De resto, nada que espante, pois se até a editora de ambas, CF e IM, é a mesma...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Angela Merkel, de novo

- A que político daria sempre o seu voto?
Pedro Bidarra responde na edição n.º 158 da LER, à venda desde a semana passada:

Reavivo inevitavelmente o escrito de 13.Dez.2020
e, já agora,

Não me diga, senhor Almerindo, nem parece seu! Estas lindas horas e ainda não cumpriu o seu dever diário de hoje?
Olhe que assim não sei se o vão chamar para a vacina, não sei, não...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

António Costa, incorrigível trapalhão da língua

«[...] Finalmente, há uma dimensão que é fundamental. Esta crise do covid reforçou-nos ainda mais a convicção que a Europa tem que recuperar a sua autonomia estratégica. Mas queremos uma Europa que seja mais autónoma mas que continue a aberta ó mundo e por isso reforce as suas parcerias com as suas vizinhanças ó leste e no sul ... relançar as relações transatlânticas com os nossos velhos aliados americanos ó com os nossos novos parceiros, que é, que são, que é o Reino Unido»

da covid
convicção de que
aberta ao mundo
ao leste e no sul [do leste e do sul]
ou com
como é 

Causa-me vergonha que o nosso primeiro-ministro continue a destratar a língua de modo tão soez.
Não me canso: o pior é que pode haver crianças por perto a ouvi-lo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Desejo-lhe votos sinceros

«[...]
A RTP exibiu o tuíte em que António Costa diz «desejo-lhe votos sinceros de rápida e completa recuperação».
«desejo»/«votos»/«sinceros», todo um mundo semiológico que, além de pura gamártica, remete directamente para a "retórica dos melros" de que falei em tempos.
[...]».

«[...]
Além disso, António Costa também deixou votos sinceros de rápida e completa recuperação. O único desejo que se apresenta é o do primeiro-ministro, o que acaba por ser contraproducente. Quando temos necessidade de dizer que estamos a ser sinceros, parece que poderia haver suspeitas de que a nossa sinceridade fosse, de algum modo, falsa. No que respeita às melhoras quase todos desejam que sejam rápidas mas quanto à recuperação há divergências ideológicas importantes, que se reflectem no adjectivo escolhido.
[...]»

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

«Última hora» quanto dura?

Pelas 10 da noite de ontem, segunda, recebi uma sms a informar que o arlequim tinha «testado positivo», formulação discursiva horrível; «positivou» não seria melhor.

Quando Portugal atingia 489.293 casos de infecção desde o início da contagem (em português hodierno, “contabilização”) em Março de 2020, o de Marcelo Rebelo de Sousa haveria de ser suficientemente extraordinário e singular — tudo à volta de um arlequim é "féerie" — para merecer uma irrupção de «Última hora» nas televisões; na CMTV chamam-lhe «Alerta CM!»
Fiquei curioso em avaliar qual das quatro grandes tê-vês teria sido a primeira a dar a notícia e durante quanto tempo a manteriam classificada como de «última hora». 

Fui à box e apurei.
A primeira foi a TVI, às 22h02. Manteve o oráculo de «última hora» até às 00h07 de hoje.
A segunda foi a RTP, às 22h04. Manteve o oráculo de «última hora» até às 00h03 de hoje.
A terceira e a quarta, ex aequo,  foram  a SIC e a CMTV, às 22h07. A SIC manteve o oráculo de «última hora» até às 00h47 de hoje.
A CMTV, que se gaba permanentemente de ser a «melhor» e a «primeira!»  desta vez chegou cinco minutos depois da primeira; em contrapartida, às 01h30 de hoje mantinha a notícia em «alerta» e sei lá por quantos séculos a manterá. Julgo até que só por falta de espaço na pantalha não estão a dar ainda como «Alerta CM!» a notícia do nascimento do primeiro tiranossauro.

O mais interessante para mim foi confirmar a porfia, em nome da fixação e cloroformização da audiência, com que as televisões esticam até ao limite da insensatez o tamanho de um contexto temporal — «última hora» — que uma hora que durasse já seria demais. A RTP, que costuma ser a mais sóbria das quatro, fez render o peixe durante duas horas (!); a SIC, duas horas e 40 (!).
Precisamos de que McLuhan volte cá.

A RTP exibiu o tuíte em que António Costa diz «desejo-lhe votos sinceros de rápida e completa recuperação».
«desejo»/«votos»/«sinceros», todo um mundo semiológico que, além de pura gamártica, remete directamente para a "retórica dos melros" de que falei em tempos.