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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Morreram 64?

«Isso* é muito grave. Olhe, eu cá por mim já fiz a minha escolha da companhia que utilizo.»

António Costa não olha a meios.
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Continuo sem um pingo de admiração pelo pinículo Pedro Passos Coelho. O pobre diabo não enxerga que a persistência ridícula do broche pátrio na lapela é motivo directo do seu estertor público.

* «houve algumas [operadoras] que conseguiram manter sempre as comunicações e houve outra que teve [sicmuito tempo sem conseguir manter comunicações nenhumas.»

sábado, 3 de outubro de 2015

Reflectindo …

... até que a fome torne as coisas mais nítidas.

Como poderia votar num partido cujo cabeça de lista pelo Porto, um velho paneleiro, cientista emérito, mandou logo dizer — DN, 09.Ago.2015 — que em primeiro lugar está o marido e, mal a vida no parlamento interfira na vida do casamento, a inovação e o conhecimento do Costa que se fodam? — Eu e o Richard decidimos: se a política começar a afectar a nossa relação, paro logo.
Como poderia votar num partido cujo jovem cabeça de lista por Viana do Castelo abandona pela política caseirinha a única ocupação em que continuaria a ter algum préstimo para a humanidade?
Como poderia votar num partido apontado a um futuro diferente que apresenta o medonho Ferro Rodrigues em segundo lugar por Lisboa seguido da alucinada Helena Roseta, numa lista, de resto, exemplar do mais bafiento déjà vu?

É certo que até o pai de um veterano ministro do PSD vem apoiar o disléxico Costa [coCosta? Deus me perdoe.] que, claro, não deixa de se ufanar disso mas que, mais claro ainda, não poderá louvar-se no manifesto apreço do filho de Jaime Gama, seu totémico e respeitadíssimo camarada de partido, pela presente governação pinícula, e que veio ontem — "Aqueles gajos", João Taborda da Gama | DN, 02.Out.2015 — justificar assim o voto na coligação "Portugal à Frente":
«À minha volta é só gente de esquerda, não tanta como a minha mãe gostaria, é certo, mas claramente a maioria da família, colegas e amigos. E vivo muito bem com isso, boas companhias, mesmo nas campanhas.
[…]
Como é que consigo apoiar aqueles gajos? Assim de repente:
.  foram os gajos que fizeram a lei dos compromissos
.  reduziram os tempos de pagamento do Estado e dos municípios às empresas
.  criaram um mecanismo para evitar a falência de municípios
.  criaram as condições para que os municípios reduzissem a sua dívida
.  não se meteram no BES, não que eu concorde com todas as decisões, mas não se meteram e isso é uma escolha que os distingue de outros gajos
.  reformaram o arrendamento, depois de tantas falsas partidas
.  puseram ordem nas fundações privadas (para o que havia de dar a esses perigosos liberais...)
.  fomentaram o turismo, com campanhas inteligentes, que regularam o alojamento local
.  estimularam um bom empreendedorismo (que devia ser ainda menos dependente do Estado)
.  baixaram o preço do gás natural
.  modernizaram o regime eléctrico português com as regras do autoconsumo e da pequena produção, passos pouco visíveis mas que abrem o caminho à revolução que aí vem da produção distribuída.
Claro que aqueles gajos não fizeram tudo bem, das confusões na justiça ao empurrar com a barriga do problema da dívida do sector empresarial do Estado. Mas já alguns gajos fizeram tudo bem?
Ah, e já me esquecia,
.  foram aqueles gajos que cumpriram o programa da troika
.  não precisaram de segundo resgate nem de programa cautelar.
.  E foram aqueles gajos que, depois de tudo isto, puseram o país a crescer e a confiança das pessoas e das empresas a subir.
Como se diz no futebol, metade do trabalho está feito. Na segunda parte vai ser preciso fazer o dinheiro chegar ao bolso das famílias. A segunda parte vai ser menos dura, mas muito difícil. Que gajos queremos ver em campo, aqueles ou outros?»

Visto o que e depois de acurada reflexão até que o jantar se me soprepôs [21:00 de sábado, 03.Out.2015], votarei amanhã nulo. Nítido.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

António Costa vai eliminar o conjundajue

Votei no PS em quase todos os actos eleitorais desde 1975. Só não votei no partido de Mário Soares, criatura que não estimo, nas três eleições autárquicas em que pus a cruzinha na CDU. Os comunistas são imbatíveis e fascinantes na arrumação dos tarecos...
Confesso que desta vez andava indeciso. Padeço de incompatibilidade genética com a piniculagem e, caramba!, votar de novo em Ferro Rodrigues raiaria o pesadelo. Até que na manhã de quinta-feira passada, 17 de Setembro, pelo minuto 49:00 do debate na telefonia,  se me deu o eureka!:

António Costa- A informação que é necessária ter* para desenhar com correcção os escalões implica um grau de informação que só quem tem o domínio da máquina fiscal o pode ter. E eu não gostaria de ser atrevido agora a propor uma reposição de oito escalões, nove escalões, dez escalões, e depois ser apanhado daqui a uns anos na situação do doutor Pêd Passos Coelho que promete tudo na campanha eleitoral e depois tem que rever em baixa aquilo que faz na campanha eleitoral. 
Maria Flor Pedroso- Certo. Mas com que ideia geral? Pode comprometer-se com uma baixa de impostos para a classe média?
António Costa [minuto 49:50]- Com certeza!, é esse o objectivo. E é por isso que nós nos propomos:
- a eliminação da sobretaxa,
- a reposição do vencimento dos funcionários públicos
- e a eliminação do conjundajue. **

Decidi: desta vez, vou votar no TÊDFGO.
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* A informação que é necessário ter.
** Como é possível a comunicação social não ter falado disto?

terça-feira, 14 de julho de 2015

Português atropelado à porta do ISCTE

«Depois de tantos contributos negativos que deu, de tantos entraves que colocou para que houvessem os acordos, se à vigésima quinta hora deu alguma ajuda, mais vale tarde do que nunca.»
António Costa, esta tarde, em Lisboa, à saída de uma homenagem ao antigo ministro da Ciência, José Mariano Gago, falecido em 17.Abr.2015.

oportunidade país . esperança futuro . novo impulso convergência . e pá'ver um novo impulso convergência . pá'ver melhores condições . na raiz da sua fundação . mas tamém na compreensão . olhar Grécia . infelicidade pá'lguém . pás eleições legislativas . aquilo que (sic) os portugueses podem tar certos

Quis ainda ter dito o nosso aspirante a primeiro-ministro, licenciado em Direito, mas não disse porque só muito defeituosamente se consegue aproximar dos seguintes vocábulos:
personalidade  .  percepção  .  modernização  .  mobilização  .  construção  .   elaboração

«A percepção [garanto que António Costa não disse, nem de perto, percepção] de que o conhecimento é a chave desenvolvimento do país e que se Portugal quer voltar a crescer, voltar a criar emprego, tem que investir nas várias fileiras da política do conhecimento. Tem que investir na educação, tem que investir na formação, tem que investir na ciência, tem que investir na modernização tecnológica [garanto que António Costa não disse modernização], tem que investir na inovação. E essa é a chave nosso desenvolvimento.»
Idem, ibidem

E a fileira da língua portuguesa que se foda. As investidas públicas do doutor António Costa contra a língua começam, sem demérito das estimáveis (algumas) causas e razões que nela veicula, a tornar-se um perigo sério para a saúde pública.
Em comparação, o pinículo Passos Coelho, do sejemos e do estejemos, parece exprimir-se num português de lei.
Tamos condenados. Insisto: o pior é que pode haver crianças a ouvir.

sábado, 16 de maio de 2015

"Fátima: a enganar pessoas desde 1917™" *


No dia 13 de Maio de 1967, sábado, chuviscou o dia todo. Paulo VI veio à Cova da Iria [vá, leitor, são só 45 minutos de História] rezar e fazer as representações do costume ante uma boneca descalça de cedro brasileiro e outros ícones. Eu estava no coro [o que nós ensaiámos naquela semana, com trinta milheiros!], ali ao lado do Papa, da irmã Lúcia, de Américo Tomás e de Salazar, honrados e desvanecidos pela presença tão próxima do Plúvio. Na altura ainda acreditava religiosamente naquilo tudo. Difícil era não acreditar, pois se nascera, em 1953, a quatro quilómetros dali, fora intensamente caldeado desde a infância naquela realidade e estudava num seminário de missionários italianos em Fátima de que sairia em 1970, sem vocação e com a fé já a dar de si: outra música [se Júlia não é o nome mais bonito de mulher, qual é ele?] e, sobretudo, a mini-saia da Maria do Céu, que vendia bugigangas religiosas no hotel Pax, faziam muito mais pela minha saúde e pelo meu entusiasmo de viver do que um terabaite de pai-nossos. Sim, a entoação e o timbre igníferos de Ornela Vanoni também ajudaram. Oh adolescência indefesa!
Pelos 17 anos, o ar do tempo fez-me entrar num processo de reflexão crítica — de mim, da vida, do mundo, das coisas, de tudo e de nada — que me tomou conta das vísceras e do metabolismo e não mais parou, sem nunca me arrimar a um emblema [vejo sempre mais o indivíduo pregado nele do que o contrário] ou me conformar a alguma certeza certa, como a de que azeitonas em excesso fazem mal ou a de que o mal-falante, funâmbulo e colérico António Costa será melhor primeiro-ministro do que Passos Coelho, nossa pinícula provação. Uma infelicidade, em suma.
Voltando às aparições na charneca, vi e ouvi muito, conversei com variadas pessoas do sítio, coetâneas e testemunhas do fenómeno [1917] ou próximas; li tudo — continuo a ler —, de João De Marchi a João Ilharco, de Fina d'Armada e Joaquim Fernandes a Mário de Oliveira**, etc.
E no que deu tanta indagação?
Não digo que a experiência e o conhecimento de Fátima, apesar de relativamente extensos, me confiram qualquer autoridade para validar o ponto de vista de Hugo Gonçalves, mas que me animam o pressentimento de que Hugo Gonçalves está certo, ai isso animam. Concordo vivamente com ele e felicito o Diário de Notícias pela publicação do título arrojado. Arrojado, num país enraizadamente mariano, crente e catolicozinho da treta que elegeu por cinco vezes Cavaco Silva, se inebria nas gordas do Correio da Manhã, segue, babado, Cristina Ferreira, idolatra o gatuno de cantigas Tony Carreira, põe Eusébio no Panteão [o meu cadáver podem depositá-lo no contentor verde-escuro, o do lixo orgânico, e levá-lo para a Valorsul - base rítmica empolgante] e venera com unção o discurso e o pensamento de Jorge de Jesus que conferencia trinta minutos por semana em directo para cinco canais de TV que depois repetem trinta vezes até à conferência seguinte.
Acho Fátima uma aldrabice megagaláctica. De um gajo ficar gago ... com tanta fé e tanto dinheiro que jorram por ali. A galinha é de ovos d'oiro e a bispalhada não é burra.
Enfim, 'Marias do céu', as minhas são outras, e 'mães Maria', mádar méri ... létit bi.
Com todo o respeito. Deus me perdoe.
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* Certo azeite — aqui não se mencionam marcas, mas não, não é o "Oliveira da Serra" — começou a cantar dois anos depois.

** Mário de Oliveira não se cala; faz bem. Certo que, desacreditando Fátima, crê, todavia, em Jesus Cristo, filho de Deus e da tal senhora mais brilhante que o Sol que o, ups!, O teve por partenogénese, e acredita em Deus, pai de Jesus e parente de não sei quem. É lá consigo, padre Mário.
"Fátima, $.A.", pois.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Luís Marques Guedes, doutor

Curiosidade antiga e persistente é a que me suscita a licenciatura em Direito do ministro pinículo em epígrafe:
- Em que universidade a obteve?
- Em que ano?
- Com que classificação?
‘bora, jornalismo de pesquisa! Esta nem será difícil. Mas, adianto já, googlar não ajudará grande coisa: além deste rumor algo suspicaz, de 2007, um silêncio tumular.

Boa sorte e obrigado pelo esclarecimento. Há que tranquilizar o povo.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Miséria moral de Pedro Passos Coelho. Evidentemente.

«Apesar de ter servido em governos do Partido Socialista […]
e endossar evidentemente as minhas mais sentidas condolências […]»
Pedro Passos Coelho, ao jantar de 18.Abr.2015, em Torres Vedras.

Muito bem, Nuno Saraiva DN, 19.Abr.2015.
Muito bem, Ferreira Fernandes DN, 20.Abr.2015.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Observatório de imprensa

- O ministro e a lavra
Não, não é sobre Paulo Portas.
Como foi possível duas gralhas de tal porte terem poisado no artigo de hoje, "Os imortais, os imorais", do magnífico Pedro Santos Guerreiro?
Sei: a revisão nos jornais, a que ainda há, está uma desgraça. No Expresso, então, tende para a calamidade.

- Ó Catarina Carvalho, decida-se, chiça!
Portugal acordou hoje [é assim que se diz, não é?] com uma nova publicação, em rigor, uma antiga publicação ressuscitada: Evasões, distribuída com o DN e o JN, sem aumento de preço [é assim que se diz, não é?].
Mas, foda-secaralhomerdaconadamãetomatesdopadrinácio!, sai às sextas ou, afinal, é dominical?

- Cabalística
O Diário de Notícias de hoje saiu com data de seis dígitos diferentes, de 0 a 5. Sendo certo que sucedera o mesmo há um mês — 4.3.2015 —, deixo um desafio aos abelhudos da numerologia, pinículo Nuno Crato incluído: em que data voltará a acontecer?
Com a tiragem média diária a cair de 28 963 exemplares, em Fevereiro passado, para 27 812, em Março último, prevejo que nem vivendo o triplo de Manoel de Oliveira viverei o bastante para voltar a ver semelhante conjugação numérica em edições do DN que leio sem uma falha desde Setembro de 1970, tinha o Diário de Notícias 105 anos, Manoel de Oliveira 61 e o menino Plúvio 17.

PS
Alguém sabe do padre Inácio de tão famosos tomates? Debalde googlei...

domingo, 6 de julho de 2014

Nocivo para cidadãos em idade escolar

Às 18 horas e 16 minutos de quarta-feira, 02.Jul.2014, Paulo Portas, Vice-Primeiro-Ministro pinículo, brilhante demagogo formado na excelente Universidade Católica*, lia, naquela voz escandida de chapa ressonante que só ele tem, o discurso de fecho do "Debate do estado da Nação":
Quer isto dizer que a situação económica é ideal ou sequer boa? Não. Quer apenas dizer, e já não é pouco reconhecer, que a economia portuguesa beneficiou das reformas feitas, reaveu confiança e caminhou para melhor.
No que, foi interrompido por aplauso caloroso dos deputados da Nação.
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* Insisto, persisto, não desisto:

«Bobadela, tantos do tal

Reverendo padre Tolentino, lídimo poeta, prosador fecundo, sensível e decerto justa pessoa,

Venho interpelá-lo na sua qualidade de vice-reitor da excelentíssima Universidade Católica que tantas fornadas de altos-quadros tem posto a gerir,  a governar e a aconselhar Portugal e parte importante das suas instituições e empresas, para que, por favor, nos elucide, nos informe, nos diga que merda de orientação se inculca, se é que alguma, nas cabecinhas dos seus alunos, designada e principalmente dos cursos de Gestão, Economia e Direito, acerca das duas seguintes singelas coisas: escrúpulo e ganância.

Grato e com os cumprimentos da praxe,

Plúvio.»

quinta-feira, 17 de abril de 2014

José Alberto Carvalho, jornalismo de trampa

«[...]
não posso ocultar a perturbação que me invade quando vejo as imagens dos filhos de Manuel Forjaz a conversar sobre o seu falecido pai num programa da TVI, com José Alberto Carvalho. *
[...]
quatro décadas passadas sobre a herança humanista do 25 de Abril, que aconteceu para que, não apenas estes dois jovens, mas muitos cidadãos, assumam a sua vida privada como um facto necessariamente "social"? E em "rede"? Seja como for, no contexto breve destas linhas, o que tento focar é outra dimensão do problema. A saber: que aconteceu no jornalismo - sobretudo no jornalismo do espaço televisivo - para que até a própria morte seja invadida pela banalidade filosófica que, todos os dias, sustenta e promove o imaginário da imprensa "cor-de-rosa"?
[...]
Que faz que haja jornalistas como José Alberto Carvalho a renegar todos os dias a necessidade de respeitar a complexidade do real? Que faz que já quase não existam seres vivos na informação televisiva, mas apenas "símbolos" drasticamente redutores? No contexto da linguagem do pequeno ecrã, empurrar Manuel Forjaz para a condição de bandeira da "luta contra o cancro" é tão simplista como promover os concorrentes de A Casa dos Segredos a cruzados da "libertação sexual". 
[...]»
João Lopes, "A morte que está na televisão" | DN, 15.Abr.2014


Tirando a bazófia no cancro e a ostentação na morte**, Manuel Forjaz [13.Ago.1963-06.Abr.2014], pessoa de muita Fé, era – como se vê - um anjo. Imagino-o, na etérea hierarquia dos eleitos, de asinhas brancas a tocar harpa à direita do CEO do Céu. Mais dia menos dia, teremos reportagem. Na TVI, obviamente.
Não sei se sabe que o doutor Manuel Forjaz em Portugal, o ciiou da Ideiateca, é o detentor da marca Cliente-Mistério, entre outras coisas;  é um economista graduado pela Universidade Católica*** e o criador do TEDxOporto; é uma pessoa que financiou e construiu vários projectos de solidariedade social, entre eles os Pais Protectores, em Moçambique. - Rita Gonçalves da Rocha, advogada, SIC, 07.Nov.2012  
__________________________________ 
O jornalismo contemporâneo atinge o paroxismo da epifania sórdida quando, ao minuto 29:13 e cuidando nós que nada sobrasse já para acrescentar à glorificação patética do defunto nas orelhas de três sofás, o director de informação da TVI revela ao país e ao mundo, de dedo espetado no espanto dos dois órfãos de lencinho: Uma última coisa, António e Zé Maria, algo que só soube ontem [O que vem a seguir é um algo obsceno, não trasladável para aqui.]

** É certo que as pernas de Carolina Deslandes  Don't stop Believing, minuto 01:10 — comovem qualquer pedregulho, mas temos muito que pedalar em Portugal até alcançarmos funerais com, por exemplo, esta estaleca [estastaleca, Plúvio?]. Nem com a igreja da Encarnação a abarrotar de empreendedorismo abonado presencialmente pelo ministro Pires de Lima, pinículo da Católica, aquilo quanto à música e à coreografia deixou de ter um ar aflitivamente pífio.
Deus sabe que, entre as coisas por que tenho maior respeito, só ponho a arte beleza antes da morte por determinação alfabética. Aliás, não fosse a morte, que valor teria o resto?

*** Persisto:

«Bobadela, tantos do tal

Reverendo padre Tolentino, lídimo poeta, prosador fecundo, sensível e decerto justa pessoa,

Venho interpelá-lo na sua qualidade de vice-reitor da excelentíssima Universidade Católica que tantas fornadas de altos-quadros tem posto a gerir,  a governar e a aconselhar Portugal e parte importante das suas instituições e empresas, para que, por favor, nos elucide, nos informe, nos diga que merda de orientação se inculca, se é que alguma, nas cabecinhas dos seus alunos, designada e principalmente dos cursos de Gestão, Economia e Direito, acerca das duas seguintes singelas coisas: escrúpulo e ganância.

Grato e com os cumprimentos da praxe,

Plúvio.»

quinta-feira, 27 de março de 2014

No que me entretinha às treze e sete, e outros tês.

Como se por ser pinículo lhe devêssemos tolerar a burrice,
o ministro disse:
«[...]
Acho bastante negativo, de resto, que alguns partidos da oposição, tanto quanto sei ao longo da manhã de hoje, entreteram-se já a cavalgar essas notícias [...]»

Já eu, de resto, acho bastante negativo que o Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, doutor Luís Marques Guedes, senhor de verbo garboso, tanto quanto sei [do currículo escolar conhece-se infinitamente pouco] e conforme oficialmente apenas consta, «licenciado em Direito, jurista de profissão»*, se estatele com tamanha ignorância no pretérito perfeito de entreter. Além de que «Acho bastante negativo … que alguns partidos da oposição … se tivessem entretido …» era como o doutor deveria ter dito.
_________________________________________
* Merece prémio quem, em menos de três minutos, lobrigar na internet a universidade em que Marques Guedes se formou. Demorei bastante mais e não sei se me fie no sítio, aliás único, onde vem que Luís Marques Guedes é licenciado em Direito pela universidade de … **
Porquê tanto mistério? Discrição e humildade, decerto.

** A pedido de um leitor exasperado, aqui vai: foi na, tarantantan!,  universidade de Verão  ...  ... ...  ...  ... que li em que universidade o senhor doutor se licenciou.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Vendo bem as coisas,

o facto altamente provável de termos quase todos sido feitos de noite haveria de ter consequências para a Humanidade.
Incluindo o papel de Miguel Relvas na felicidade dos portugueses.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Toda a piniculagem

Álbum actualizado.
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Dois indiscipinilados. Havia de ser na Coreia do Norte...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O ministro Nuno Crato e a avaliação

«Do enunciado da prova de avaliação dos professores dir-se-á que é estúpido, humilhante, testemunho de infantilização; dir-se-á ainda que não se consegue perceber o que tal prova pretende avaliar. São críticas justas, mas não chegam ao fundo da questão. É preciso perceber o que está no princípio, isto é, o regime de verdade da avaliação – esse novo dispositivo que mostra que a verdadeira arte política do Estado é a estatística. […] Fazendo da avaliação o seu significante-mestre, Nuno Crato é o maior sofista deste governo. A sua simples presença já passou a ter o efeito de avaliação de todos os seus colegas: uma equipa de amadores.
[…]»

António Guerreiro, “Avaliar e punir| Público/Ípsilon, 27.Dez.2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A manta de retalhos de Vânia Carvalho Dias da Silva *

«[…] Uma boa surpresa, muito acima do mínimo que sempre constituiria. Trata-se de um documento com princípio, meio e fim. Escrito num português claro. Frequentemente assertivo. Convido todos os portugueses a lerem-no […] Estamos de regresso à política no seu melhor. […]»

Daniel Bessa, “Guião da Reforma do Estado| Expresso/Economia, 02.Nov.2013


«[…] talvez dos textos mais pobres, mais medíocres, mais vazios que eu vi produzido por algum governo em Portugal. […] um borrão de notas que um político toma para fazer um comício. Acontece que este comício foi feito na Presidência do Conselho de Ministros. […] texto cheio de clichés, cheio de slogans e cheio de trocadilhos que, aliás, é a especialidade do doutor Paulo Portas. […] a instrumentalização do Estado ao serviço da mais vulgar politiquice. […] vulgaridades, banalidades, slogans. […] Nunca o Estado português produziu um papel destes, que me lembre. […]»

"A opinião de José Sócrates" | RTP1, 03.Nov.2013

 

Aceitei o convite do doutor Daniel e, atento principalmente  ao essencial acessório, li o coiso.

Cento e doze páginas de Arial Narrow, corpo 16, espaçamento de linhas duplo, com apresentação paleolítica. «Autor: vania.silva».

O padrão ortográfico tem a coerência e segue o preceito dos esgotos e dos aterros sanitários pré-ecológicos. Consoante as gárgulas - as “fontes” da página 112? -, aplicam-se indistintamente e a esmo as três ortografias em uso na actual esquizofrenia linguística portuguesa a que, aposto, Fernando Pessoa jamais ousaria chamar Minha pátriaa boa, de 1945, que, estranhamente contra o consuetudinário governamental, predomina neste coiso; a de 1990, do Malaca, que pintalguei de amarelo,  e, aqui e ali, enxertos teratológicos das duas. Depois, incorrecções básicas - também as assinalei -, sem patrocínio ortográfico ou gramatical que lhes acuda, como: rúbrica por 'rubrica', inclusivé por 'inclusive', industria por 'indústria', incluíu-se por 'incluiu-se', interfaces intuitivos e seguros por 'interfaces intuitivas e seguras', melhor enquadrados por 'mais bem enquadrados'; concordâncias e regências defeituosas; vírgula inadmissível entre sujeito e predicado repetida até à exaustão; etc.

Que dizer, por exemplo, do desleixo de Código de Trabalho por 'Código do Trabalho'?

Finalmente, imagino quantos de «todos os portugueses» convidados por Daniel Bessa a ler o coiso estarão em condições de decifrar total e correctamente, sem recurso a criptólogos e arúspices encartados, o chorrilho de siglas não explicitadas com que o texto nos massacra: DCI, ENVC, CRESAP, ESPAP, APA, SII, MCDT…        

 

Três ou quatro passagens do coiso:

«em nome do interesse nacional que é de todos» – página 2 [Ao invés do interesse particular que é só de alguns. Este governo é um fofo.]

«A demagogia é, portanto, incompatível com as regras de pertença de Portugal ao euro.» - página 17 [E sobretudo vice-versa, diria eu. Confesso que a  palavra “demagogia” na boca de Paulo Portas me soa sempre a girândola garrida.]

«a redução gradual do efectivo das Forças Armadas para 30 a 32 mil militares» - página 56 [Ora bolas, pensava eu que reforma do Estado que se preze não haveria de fazer a coisa por menos de uma redução para zero militares... Essa é que seria, ó se seria!]

«Ao lançar estas orientações, o Governo actua com humildade democrática.» - página 3

«É conhecido, ainda, que as experiências de simplificação e de desmaterialização administrativas dos últimos anos já mudaram em muitos domínios a relação directa do Estado com os cidadãos e agentes económicos» – página 109 [Mandaria a decência que em vez de «conhecido» fosse «reconhecido». Nisto da simplificação e desmaterialização administrativas, ao menos quanto a isto, disporia o governo de Passos Coelho de oportunidade excelente para, com a «humildade democrática» aqui proclamada, reconhecer ao governo anterior alguma benfeitoria. Mas tá quietinho, macaco: se nem decente, quanto mais humilde...]


No que havia o mefistofélico Portas de meter a sua queriducha e pinícula Vânia de Azurém

_______________________________
* ... e o português claro de Daniel Bessa Fernandes Coelho

sábado, 19 de outubro de 2013

Acção

«[…]

Não gosto de radicalismo, da atitude de sim ou sopas! Os que dizem que metade de um prazer não é um prazer não sabem que metade de um prazer ainda é um prazer. E que o caminho do reformismo é o caminho.

[…]

É preciso medir as consequências da boa acção. O exemplo clássico é o de Kant, na ‘Metafísica dos Costumes’. Já o li umas dez vezes. O deontologismo filiado em Kant diz: age de modo a que da tua boa acção resulte uma lei universal. E portanto, diz Kant, nunca mentir. E lá vem o exemplo clássico do judeu escondido na nossa casa. Devemos mentir para o salvar? Como Kant, concluiríamos que não, nunca. Dizer a verdade é a lei universal. E quem pratica a má acção não somos nós, é quem prende o judeu. Ora, a isto eu digo não, é uma cobardia moral. Sempre me filiei nas correntes do consequencialismo e do utilitarismo, o utilitarismo de Bentham e de Stuart Mill. A boa acção é aquela de que resulta mais felicidade e menos sofrimento. É um cálculo. […] Toda a minha vida foi passada a calcular o mal menor; na merda da política, é isso sujar as mãos. Torno-me um deontologista na questão da vida e do sofrimento. Mas, digo na tese, esta discussão entre deontologismo e consequencialismo não leva a lado nenhum, temos de discutir as consequências da acção à luz de uma moral individual e de uma moral pública. Uma ética da responsabilidade que é parte do político. E afirmo que os cálculos que se fazem entre o sofrimento causado e as vidas que se salvam por causa dele estão mal feitos.

[…]

Só sei viver em determinação, em contingência. Não sou um filósofo, não olho para uma situação com a ideia de a entender mas de a alterar.

[…]»

José Sócrates, entrevistado por Clara Ferreira Alves [11 páginas]

Fotografias de Tiago Miranda na arquitectura magnífica da torre de controlo do porto de Lisboa

Expresso/Revista, 19.Out.2013

- x -


«Este governo, o de Pedro Passos Coelho, nasceu de uma infâmia.

[…]

Um governo que começa com uma mentira e uma fraqueza em cima de uma chantagem não acaba bem. Houve eleições, esse momento de vindicação do pequeno espaço político que resta aos cidadãos, e o PSD ganhou, proclamando a sua pureza ideológica e os benefícios da anunciada purga de Portugal. Os cidadãos, zangados com o despesismo de Sócrates e do PS, embar­caram nesta variação saloia do mito sebástico. O homem providencial. Os danos e o sofrimento que esta estupidez tem provocado a Portugal são impossí­veis de calcular. 
Consumada a infâmia, a campanha contra José Sócrates continuou dentro de momentos. Todos os dias aparecia uma noticiazinha que espalhava pingos de lama ou o Freeport, ou a Face Oculta, ou a TVI, ou todas as grandes infâmias de que Sócrates era acusado.

[…]»

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Lomba cronista, Lomba pinículo*

«[…]
De repente, e de maneira inesperada, Pedro Lomba tinha emergido como uma figura muito parecida com as figuras literárias da história da bêtise, tais como o Simplicius Simplicissimus e o Schlemiel. Estava a imagem em processo de reparação, eis que Pedro Lomba publica, enquanto secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, um artigo no PÚBLICO do passado domingo intitulado Uma agenda para a imigração.
[…]
Temos aqui um sinal eloquente da idiotia, essa “coisa” da qual Rilke, no seu Lied des Idioten (canção do idiota), diz: “Como é bom/ Nada se pode passar”.
[…]
Será mesmo inevitável que o intelecto se subordine sem reserva ao idioma e ao idiotismo da profissão política e da organização de grupo?
[…]»
______________________________
*

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O prestígio da Universidade Católica e a consciência tranquila

Joaquim Pais Jorge - muito provavelmente ninguém lhe arrebatará o recorde de “o pinículo de mais curto consulado”, 37 dias de 02.Jul a 07.Ago.2013 – é apenas um, mais um, ainda que desajeitado como nenhum, entre os multiplicados figurantes do capitalismo ultraliberalóide que pouco parecem dever ao desinteressado rigor da verdade e praticamente nada à ética cristã, formados e ungidos pela Universidade Católica Portuguesa.
Pressinto – uma muito estudiosa intuição, enfim - que os cursos de Direito e de Gestão/Economia/Ciências Sociais da Católica, com a devida resssalva das, muitas boas e algumas santas, almas que de lá saem, vêm crescentemente constituindo o útero da mais reputada e refinada sabidice arrangista na classe dirigente deste tão maltratado país. É vê-los por aí, em enxame, nos pelouros da governação [perco o fôlego a contar as lapelas pinículas do Governo de Passos Coelho  moldadas na Católica ou que nela tenham tirocinado…] e das empresas, possessos de bom nome e de êxito profissional, sem prejuízo, claro, da presumida exigência didáctica do ensino superior concordatário.
Apetece perguntar, por exemplo ao excelentíssimo poeta Tolentino, padre lúcido e Vice-Reitor da Universidade Católica Portuguesa, que merda de catolicismo se anda por lá a inculcar nas cabecinhas brilhantes e crismadas dos alunos da burguesia que depois dão nisto. Onde está o sentido de serviço, missão, dádiva, despojamento, entrega, escrúpulo, verdade? Que faz esta gente ter, por exemplo, alergia à bela e nobre palavra trabalhador, como se fosse léxico do demo, usando e mandando usar na sua vez um dos mais repugnantes e mal-intencionados eufemismos do nosso tempo – colaborador?

Já agora, e só de passagem, estará alguém com saber e em condição, e com coragem, de revelar aos contribuintes exangues quanto confiou a Igreja Católica portuguesa, em toda a sua extensão e desdobramento institucional, vascular e capilar [paróquias, dioceses, congregações, conventos, seminários...], no e ao BPN, o mais mastodôntico e incomparável crime perpetrado na democracia portuguesa? De génese cavaquista, há que relembrá-lo sempre.
A padralhada será tudo menos ingénua.

O pinículo Pais Jorge é também mais um, como todos, que sai de consciência limpa - Saio sem qualquer arrependimento e de consciência limpa; ainda que a maioria use dizer, em situações de tal vezo, estou/saio de consciência tranquila. Como se a limpeza ou a tranquilidade da consciência do tratante nos pudesse tranquilizar. A mim desconforta-me muito mais a consciência sossegada de um bandido do que o seu eventual desassossego.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Herberto Helder

«Mal tinha saído, já Servidões (numa edição de cinco mil exemplares e com reedição interdita pelo autor, informou a editora) estava esgotado na maior parte das livrarias. Estranho fenómeno este, de precipitação e multiplicação de leitores e compradores de um livro de poesia - o único medium de massa em que o número de produtores ultrapassa o dos consumidores, como escreveu uma vez o poeta e ensaísta Hans Magnus Enzensberger.
[…]
o enigma da poesia de Herberto Helder reside aqui: sem deixar de ser profundamente do nosso tempo, ela parece recuperar uma voz antiga e fazer com que o leitor sinta que a eternidade assedia o presente de todos os lados e há qualquer coisa que ela reactiva com uma força poderosa, diabólica: algo que não é da ordem do aqui e agora, que tem a dimensão das anacronias, mas que o curso da História, como quer que ele seja entendido, não consegue suprimir.
[…]»
- António Guerreiro, “Herberto Helder, poeta da aura” | Público/Ípsilon, 14.Jun.2013
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«[…]
os poemas de Servidões tanto traduzem a intenção do hino sob a forma da elegia, como têm uma intenção elegíaca sob a forma de hino. Tanto é palavra que canta ("ofício cantante") como palavra que recorda.
[…]
Os parâmetros da beleza, nesta poesia, não têm nada a ver com a aparência da totalidade, com uma poética representativa e apolínea. A beleza herbertiana é trágica, é sempre uma composição a partir do caos e não traz consigo nenhuma salvação. Apresenta-se sob a forma demoníaca da imaginação alegórica: anti-representativa, anti-humanista, anti-mimética. Esta poesia interrompe o curso do mundo. É uma catástrofe.»
- António Guerreiro, “Poesia e terror” | Público/Ípsilon, 14.Jun.2013

A propósito de Servidões*, o Público de hoje dedica oito sumarentas páginas do Ípsilon [António Guerreiro, Luís Miguel Queirós, Rosa Maria Martelo; secundariamente, Manuel Gusmão, Diogo Vaz Pinto, Manuel de Freitas] a Herberto Helder, que comprei e franqueio com prazer.
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* Consegui um exemplar emprestado. É tanta e tão rara a preciosidade que pondero perder um amigo e pisgar-me para o Brasil.
De resto, não sugeriu o capataz PINículo que emigrássemos?