domingo, 28 de fevereiro de 2021

Cronologia breve da desonestidade suprema

"Anos de Guerra - Guiné 1963-1974" é um documentário produzido em 2000 por Pedro Efe, da Acetato, em associação com a RTP, realizado por José Barahona que o disponibilizou no YouTube em 14.Fev.2021. «[...] Recolha de depoimentos de ex-combatentes ainda vivos e de imagens de arquivo possíveis.»

Ao início da madrugada de 19.Fev.2021, o inefável Mamadou Ba tuitou um excerto de 22 segundos cirurgicamente delimitado, com o ex-combatente português Marcelino da Mata, falecido aos 80 anos em 11.Fev.2021, a contar:
«Íamos fazer uma operação, entrámos na mata, encontrámos o gajo. Estava lá com o camuflado do rapaz, o relógio do rapaz, a bússola que o rapaz tinha na mão, tudo, os sapatos do rapaz, tudo vestido conforme o rapaz estava. Apanhámos o gajo, despimos-lhe a farda e fizemos-lhe a mesma coisa que ele fez ao outro: cortámos-lhe a  piça e metemos-lha na boca.»
Comentário de Mamadou Ba:
É por este tipo de gente que há tanto chinfrim? Isto diz muito de nós, enquanto comunidade.

A meio da tarde do mesmo 19.Fev.2021, o sociólogo Fabian Figueiredo, dirigente do Bloco de Esquerda, apaniguado e idólatra de carniceiros vários com destaque para o sanguinário Che Guevara, que se comprazia em fuzilar pessoalmente os inimigos, postou o mesmo cirúrgico excerto de 22 segundos, aduzindo-lhe a seguinte legenda:
Marcelino da Mata foi um criminoso de guerra e orgulhava-se disso. No vídeo podem ouvi-lo da boca do próprio.

Ao início da madrugada de 20.Fev.2021, Fernanda Câncio, jornalista e suma-sacerdotisa da religião Lux Frágil, retuitou a poia de Fabian Figueiredo com o mesmo cirúrgico excerto de 22 segundos, acrescentando:
então era isto o militar mais condecorado e tal. estou certa de q quem o louvou estava a par de tamanha franqueza. qual convenção de genebra qual quê.

Sem perder embalagem e engrenada no entusiasmo usual das suas causas muito particulares, eis a grande repórter no Diário de Notícias de 23.Fev.2021:  
«[...]
Sim, o mau gosto não tem mesmo limites*: pôr, lado a lado, umas quantas notícias a dar conta de textos antigos do actual juiz conselheiro em que este dizia o acima exposto e uma petição** para expulsar uma pessoa pertencente a mais uma minoria historicamente perseguida e silenciada - a dos negros - por ter apelidado de criminoso de guerra um ex-comando muito condecorado pela ditadura que por exemplo se gabou de ter, nos seus feitos de combate, cortado o pénis de um inimigo, metendo-lho na boca.
[...]»
Atentei nos depoimentos militares de Marcelino da Mata. Como consegue alguém encontrar-lhe ponta de vanglória ou gabarolice?
Movido pela profunda repugnância que a suprema, arrogante e concertada desonestidade dos doutores Mamadou Ba, Fabian Figueiredo e Fernanda Câncio me causou, também eu não resisto a um excerto. Mas não consigo torná-lo honesto se não usar pelo menos o triplo de segundos, 65 ao todo.  
O ex-combatente português fala de dois portugueses aprisionados por guerrilheiros do PAIGC:
«E então, não sei como é que fizeram, raptaram-nos aqueles dois soldados da companhia quatro oitenta e sete. Levaram um homem para o mato. Despiram-no. Agarraram num pau, espetaram-lho no cu até sair pela boca e puseram-no de pé. O outro amarram-no a uma palmeira, cortaram-lhe a piça e meteram-lha na boca. [...] Um dia íamos fazer uma operação, entrámos na mata,  encontrámos o gajo. Estava lá com o camuflado do rapaz, o relógio do rapaz, a bússola que o rapaz tinha na mão, tudo, os sapatos do rapaz, tudo vestido conforme o rapaz estava. Apanhámos o gajo, despimos-lhe a farda e fizemos-lhe a mesma coisa que ele fez ao outro: cortámos-lhe a  piça e metemos-lha na boca. A mesma coisa que ele fez ao tal soldado branco fizemos-lhe a ele. E fomos embora.»
 
* Sim, dona Fernanda, e a manipulação também não tem mesmo limites.
Para Fernanda Câncio a «convenção de genebra» não se aplicaria a guerrilheiros guineenses. Decerto porque esses eram criminosos bonzinhos...

Por falar em guerra, apetece-me autobiografia.
Fui incorporado no serviço militar obrigatório em 02.Out.1972, passei à peluda em 07.Mar.1975. Vinte e nove meses na patente de soldado raso. Nos primeiros seis meses estive em infantaria, especialidade de atirador. Aprendi, com muita relutância e pouco jeito, a manusear a metralhadora HK21 e a espingarda G3 no campo de tiro da Serra da Carregueira e na Amadora.
Num bambúrrio de sorte, o maestro capitão Sílvio Pleno requisitou-me em Abril de 1973 para a Banda do Batalhão de Caçadores n.º 5. Por exemplo, no histórico Primeiro de Maio de 1974 — nunca tanta e tão alegre gente andou nas ruas de Lisboa —, eu estava aqui.
Destarte me livrei da guerra e de bater com os costados em África. Sem heroísmo nem glória, sou, literalmente, um antigo «soldado de Abril». Nada que me suscite especial orgulho; apenas um tudo-nada de vaidade.

Mas de guerra mesmo, da que dói e ensandece, e de criminalidade cometida nela, quem sabe a sério é o queque leninista-trotskista-guevarista Fabian.
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«Viemos de muito longe e iremos até ao fim no combate contra a opressão, custe o que custar.»

Deixem-me fantasiar.
MB nasceu no Senegal em 1974, veio para Portugal em 1997. Porque veio, para que veio, o que o prende cá, lá com ele.
África combateu-nos, aos europeus, colonizadores ou colonos, por anos e anos até à libertação e autodeterminação. Escorraçaram-nos de sítios que não eram nossos. África está e continuará, sabem os deuses com que esforço e a que custo, a erguer-se de séculos de usurpação de território, escravatura e exploração às mãos do cristão branco bem-falante e bem armado. Mas perguntar-me-ei sempre: O que atrai tantos africanos, coetâneos ou filhos da subjugação colonial que combateram heroicamente a preferirem vir viver em casa dos que os subjugaram?  
MB, por razões de absoluta liberdade que a República Portuguesa promove e respeita, achará que faz mais falta à nova terra que escolheu e o acolheu do que à sua antiga terra, à grei a que actualmente pertence do que ao povo de que provém. Aparentemente o Senegal não precisa tanto de MB como Portugal.
Imaginemos agora que aos portugueses brancos de cepa caucasiana, incluindo Joana Gorjão Henriques, Fernanda Câncio, Joana Cabral, Daniel Oliveira ou Pedro Marques Lopes, nos dava a todos em conjunto e de uma só vez, por qualquer veneta cósmica determinada pelo livre arbítrio da individualidade digna — quem sabe se impelidos pelo velho e inelutável instinto de mostrar novos mundos ao mundo — para desertarmos daqui e irmos montar residência e nacionalidade, sei lá, numa tundra siberiana ou numa planície tasmaniana...
Antevejo Mamadou Ba a correr atrás dos nove milhões de branquelas transumantes, deixando a despovoada lezíria lusitana ao cuidado do Comité Joacine; sim, porque sem a ajuda iluminada de Mamadou o homem branco jamais se livrará do vício de oprimir, aqui e em Marte.

«ao contrário dos que me vilipendiam, o que me move é o amor» - MB, 22.Fev.2021
Ai Portugal, Portugal, que seria de nós se Mamadou Ba não te amasse tanto!?

** Esta Petição não passa de protérvia imbecil.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Colaboradores, os tomates!

ÚLTIMA HORA

«Já depois da aprovação dos acordos de emergência pelos pilotos e pelos tripulantes, a TAP vai aderir ao regime de "lay-off" já a partir de segunda-feira, que passará por uma redução dos períodos normais de trabalho ou suspensão de contratos. Pode-se prolongar por um ano. Num comunicado* que foi enviado esta noite às redacções — aos trabalhadores, também —, o Conselho de Administração assegura que o "lay-off" não prevê a redução dos salários além do que já estava previsto nos acordos de emergência, que foram hoje aprovados. Todos os colaboradores vão ser informados de forma individual sobre a modalidade que lhes será aplicada.»

Ia Patrícia Carvalho tão correcta com os acôrdos [como diz o senhor demarco Masculino de Portugal] e com o comunicado* enviado aos trabalhadores, logo havia de borrar a escrita com a pestilência pandémica dos «colaboradores».
Estragou-me as tranchas de garoupa à algarvia do jantar.
Deus lhe perdoe.

* Em tempo
Ao início da manhã de sábado, 27, li o original do referido comunicado do Conselho de Administração da TAP divulgado às 22h03 de ontem. Começa por Caros colaboradores, dizendo lá pelo meio Todos os colaboradores serão informados individualmente sobre a modalidade que lhes será aplicada.

Assim, impõe-se-me refazer a prosa:
«Já depois da aprovação dos acordos [...]
Ia Patrícia Carvalho tão correcta com os acôrdos [como diz o senhor demarco Masculino de Portugal] e com o comunicado enviado aos trabalhadores, logo havia de me estragar as tranchas de garoupa à algarvia do jantar com a citação verbatim empestada de colaboradores.
Deus lhe perdoe.» 

Por isso, excelentíssimos senhores administradores da TAP, «Caros colaboradores», o caralho!, «Todos os colaboradores», os tomates!

«Colaborador»  |  «Colaborador»  |  «Colaborador»
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

João Pedro Caupers não presta. E a jornalista Fernanda Câncio?

17.Mai.2010- O professor João Caupers afixou estas considerações sobre paneleiragem e fufaria na secção digital "Direito na Nova - Pontos de vista". Revejo-me genericamente nelas; não só as achava assisadas e oportunas ao tempo da sua publicação como as leio com pertinência reforçada 11 anos depois.

16.Fev.2021- Aparentando, no dia em que fez 57 anos [Fernanda Maria Câncio da Silva Pereira, Vila Franca de Xira, 16.Fev.1964], mimar-se a si mesma e à confraria LGBTQIA+ de que é porta-voz iracunda, e premiada, no jornalismo dito de "referência", com preciosa prenda de aniversário, a grande repórter do Diário de Notícias atirou a matar sobre Caupers, agora Presidente do Tribunal Constitucional, com esta peça em que recupera, remonta e coreografa, com requinte editorial em que é exímia, o referido texto de 2010. O eixo religioso Lux Frágil-Bloco de Esquerda e limítrofes entrou em frenesim histérico [por falar em eixo, ou me engano muito ou logo à noite na SIC N teremos bródio de gala de Dupond e Dupont, com fuzilamento sumário do juiz homofóbico e entronização pública da plumitiva denunciante]. *

16.Fev.2021- João Pedro Caupers, borrado de temor respeitoso pelos aiatolas da linguagem e do entendimento correctos da vida e do mundo, justificou-se cobarde e miseravelmente ao Expresso, relativizando e distanciando-se do texto que assinara, só por um triz o não atribuindo a inimputável heterónimo seu...

João Caupers é, afinal, um cona de sabão, irremediavelmente sem préstimo que desde já recambio para capitão-mor do ramo lombricóide nas fileiras da cartilagineidade
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* Filada a presa, Fernanda Câncio — como tenho opinado, uma das jornalistas mais sectárias e desonestas que conheço, nos 50 anos que levo de consumo intenso e continuado de jornais, designadamente aquele em que trabalha desde 1997 —  não se sacia com pouco. Ei-la ontem, 17 de Fevereiro, de novo nos escombros de Caupers, recuperando, remontando e coreografando para propaganda do orgulho homossexual o, quanto a mim, igualmente mui judicioso ponto de vista do professor de Direito, dessa vez acerca do assassínio sórdido de Carlos Castro por Renato Seabra em Nova Iorque, 07.Jan.2011.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Parlamento dividido e um ministro no quadro

«O avanço na vacinação é, aliás, um dos elementos mais relevantes para que os portugueses possam encarar o futuro com maior confiança. O que vai o governo fazer face à falta de vacinas por incapacidade de produção e recusa de suspensão de patentes por parte das farmacêuticas com quem a União Europeia fez os contratos que neste momento amarram o nosso país? Vai ou não o governo avançar com medidas para a diversificação da aquisição de vacinas garantindo a sua disponibilidade em condições de segurança e eficácia de forma a que se cumpram os objectivos definidos no plano de vacinação?»

«A confiança dos portugueses por causa da vahcinação aumentou. Mas as doses já pagas teimam em não chegar. Aumentou a confiança dos portugueses na vahcina, mas para o cumprimento exemplar do plano de vahcinação é necessário que todas as doses de vahcinas já pagas cheguem ao país. Que as condições para a aplicação da vahcina aos portugueses sejam planeadas região a região envolvendo se preciso for as autarquias para o contacto com as populações. E é preciso ainda mais que Portugal avalie a possibilidade de comprar mais vahcinas e a outros fornecedores e deixe de estar dependente apenas das decisões e das opções políticas de Bruxelas.»

Não me lembro de ter ouvido o PEV, organização de representatividade democrática artificial — veríamos o que vale se alguma vez fosse sozinho a votos... —, demarcar-se tão audivelmente da barriga de aluguer, PCP, em que sobrevive.
Quem sabe se para, uma vez sem exemplo, fazer jus à causa ecológica em que alicerça o nome, o PEV profira «vahcina» e «vahcinação» com respeito prístino pela proveniência vacum das ditas cujas. 

Entretanto, oiça-se como demarco, Plúvio por antonomásia, leiriense não comunista nascido 240 km a sul da vimaranense Mariana, diz «vacina» e diz «vacinação» à maneira do PCP.

Nisto da vaca, ia-me esquecendo do Cabrita: 
«E temos vindo aqui desde o início de Novembro a apreciar sucessivas declarações do estado de emergência que têm vindo a ser prorrogadas no quadro daquilo que é* a maior pandemia global, no quadro daquilo que é* uma epidemia que marca hoje no quadro europeu já mais de 20 milhões de pessoas, já cerca de meio milhão de cidadãos só dos países da União Europeia e dos estados associados. É por isso que neste momento, quando verificamos a adequação das medidas tomadas no quadro da resposta ao mês mais difícil desta pandemia em Portugal ...»

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sábado, 6 de fevereiro de 2021

Dar cara aos números

Gostei de como falou anteontem o virologista camaronês John Nkengasong, director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana [Africa CDC]:

«Às 9 da manhã, hora de África ocidental, o mundo tinha registado 103 milhões de casos de Covid-19, tendo 2,2 milhões de pessoas morrido infelizmente. [...] Quando esta pandemia começou no ano passado, dizer que mil pessoas tinham morrido era muito perturbador. Hoje temo que com o grande número de mortes que está a ocorrer, isto comece a tratar-se de números e não de pessoas. Temos de continuar a recordar que se trata de indivíduos, entes queridos, irmãos, mães, irmãs, tios. Há que dar cara a estes números para que não sejam apenas estatísticas. Seria uma tragédia começarmos a normalizar estas mortes.*»

Não gostei do «recordar que se tratam de indivíduos» perpetrado na RTP pelos apedeutas do costume.

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* «Uma única morte é uma tragédia, um milhão de mortes é uma estatística.»
Muito provavelmente apócrifa, a afirmação atribuída ao Zé dos bigodes ilustra bem a vileza do nosso estado civilizacional. Estamos ainda muito assim.

O efeito «jovem» no jornalismo de manipulação e engodo

Sem negar malfeitorias, abusos ou crimes praticados por polícias — sim, infelizmente acontece —, sujeitos a devido julgamento, nem ignorar o direito a ressarcimento das agressões e ofensas várias sofridas às mãos daqueles por cidadãos da Cova da Moura, não consigo deixar de me enojar e sentir insultado como cliente de notícias com o fanatismo ideológico de certo jornalismo de agenda, designadamente o praticado por Joana Gorjão Henriques, Fernanda Câncio e Valentina Marcelino, em torno dos incidentes de Fevereiro de 2015 na esquadra de Alfragide/Amadora. Em cada peça que assinam não escondem, ou escondem muito mal, o que manifestamente as anima: desde logo e sempre, atacar a Polícia, diabolizando-a, ocultando ou branqueando em paralelo idiossincrasias e eventual conduta violenta ou delituosa das vítimas, angelificando-as; tratá-las maternal e sistematicamente por «jovens» faz parte da táctica de atracção do leitor, indignado ou comovido, para a causa.
Volvidos seis anos sobre os factos, transitados em julgado os veredictos, lá veio Valentina Marcelino, jamais saciada na fome de punição da Polícia, prenhe do ódio descabelado que devota a "agentes da autoridade", tomar no Diário de Notícias de ontem as dores dos eternos «seis jovens da Cova da Moura» que agora «[...] apresentaram uma queixa à Provedora de Justiça contra a inspectora-geral da Administração Interna e o director nacional da PSP, por não agirem disciplinarmente contra os oito polícias condenados, que continuam em funções. [...]»

Recordemos os «seis jovens»:  
Flávio [rapper LBC Soldjah], 38 anos; Celso [rapper Kromo di Gheto], 38 anos; Bruno [rapper Timor Young Smoke], 30 anos; Rui, 29 anos; Paulo, 26 anos; Miguel, 25 anos. 


Recupero de 25.Ago.2019 "Os pretinhos bons, os polícias maus e a palavra jovem":
«[...]
Fernanda Câncio [6 peças aqui - ou isto aqui], irmanada com Valentina Marcelino [14 peças aqui], ambas no Diário de Notícias, e Joana Gorjão Henriques no Público [18 peças aqui], a reboque do Bloco de Esquerda/SOS Racismo/Mamadou Ba e com inevitável unção do bonzo de Coimbra [minuto 01:45, eis São Boaventura imprecando São Bento em 12.Fev.2015] lá foram urdindo e fazendo vingar desde 2015, com persistente e manipulada rotulagem etária propícia à comoção das almas sensíveis, a saga dos sempre, sempre, mas sempre tratados por "seis jovens da Cova da Moura"; jamais "indivíduos", "pessoas", "cidadãos", "moradores", ou simplesmente "homens". Para que conste: Flávio, nascido em 1983; Celso, em 1983; Bruno, em 1991; Rui, em 1992; Paulo, em 1995; Miguel, em 1996. Referindo-se a Flávio Almada, senhor de 36 anos, comenta Fernanda Câncio com desvelo pedomaternal: «A brutalidade deste relato de um dos miúdos do caso Cova da Moura é impressionante» - Twitter, 22.Set.2018. Repare-se na candura antropológica [mães, grávidas, crianças a brincar...; de homens ou rapazolas façanhudos, nem uma sombra. Afinal, Cova da Moura é um idílio de inocência, remanso e doçura feminil] das sete ilustrações, escolhidas adrede para enfeitiçar leitores incautos, com que a jornalista Câncio documenta a reportagem de quatro páginas no DN de 15.Jul.2017Sabidona.
De resto, em nenhuma passagem dos quilómetros de prosa jornalística das três inefáveis plumitivas — Fernanda, Valentina, Joana — me lembro de ter encontrado qualquer alusão ao facto, que dou por adquirido, de o jovem Bruno Lopes, o que desencadeou o caso da esquadra de Alfragide, levar no currículo sete condenações transitadas em julgado de 2008 a 2016 e ter a correr, em Setembro de 2017, 36 inquéritos-crime  [a partir do minuto 23:00]; vendo bem, um anjinho. Também "gostei" da cena, narrada por Joana Gorjão Henriques  no Público de 14.Jul.2017, em que três jovens foram detidos por agentes quando estavam a fazer música num estúdio. «Um dos jovens contou que tinha vindo à porta e depois de um curto diálogo foi agredido com uma bastonada, algemado e atirado para o chão e colocado na carrinha.» Deixem-me imaginar o "curto diálogo":
JovemBoa tarde, senhor agente. Como vai a vida? Muito trabalho?
Agente- Faz-se o que se deve e se pode. Uns dias mais tranquilos, outros nem tanto.
JovemOssos do ofício, senhor agente. Temos de enfrentar as coisas com optimismo e calma.
Nisto e sem dúvida por isto, o agente saca do bastão, pumba no jovem
etc., etc.
Escreve Fernanda Câncio no lide da tal reportagem, sem aspas nem atribuição de autoria (Sérgio Godinho): «A sede de uma espera só se estanca na torrente.» Anoto a coincidência de, quando necessita de exibir alguma erudição literária, ser ao mesmo mantra  conhecerá outro?  que recorre António Costa, secretário-geral do Partido Socialista, primeiro-ministro. Já aqui falei disso.
Sem favor, considero Fernanda Câncio entre os jornalistas que mais bem redigem em Portugal, pese não saber como se escreve retaguarda [ela pensa que é rectaguarda, coisa que nem antes do teratológico AO1990 era]. Mas, depois da extensa e — santa ingenuidade minha! — tardia compreensão do conúbio com José Sócrates numa altura (2001-2011) em que eu apesar de tudo admirava Sócrates e votava no PS, partido que hoje tomo por caldeirão de incestuosa imundície, e acreditava na isenção/desinteresse pessoal do que a jornalista escrevia no DN, não posso deixar de achá-la, também, uma das personagens mais desonestas que conheço e sigo na comunicação social portuguesa. Não lhe perdoo aquilo com que me fez amiúde concordar e vez por outra entusiasmar [e não, não falo de figos]. A esta distância, torna-se-me até desafiante especular acerca da muito presumível influência desta codiciosa e esperta paladina das "causas fracturantes" no ideário e na materialização de políticas por parte da criatura horrenda e mendaz — repartiam o coração sem que isso lhe toldasse a deontologia ao defender-lhe o nome (veja-se, entre múltiplos exemplos, este desavergonhado "J'accuse") e a gabar-lhe dia sim, dia sim, a governação — que certo dia recomendou aos portugueses que não deixassem de ir ver «o filme que se chama Milkpresumo, e fala da biografia de um dos primeiros políticos assumidamente homossexuais».
Câncio, desonesta ... e nem sempre fiável. ****

**** Fernanda Câncio: «Tenho a mania do rigor. Não me passa.» - Twitter, 16.Dez.2017
«foi criada, em 1996, na sequência do horrível caso da decapitação no posto da GNR de Sacavém, a Inspecção-Geral da Administração Interna, para investigar casos de ilegalidade e de violência nas forças de segurança» - Fernanda Câncio, DN, 22.Jul.2018
Já agora,
Inês Pedrosa: «Houve um caso em 95 de um polícia que decapitou um cidadão numa esquadra, em Sacavém» - "O último apaga a luz", RTP 3, 25.Jan.2019
Há, portanto, que agregar as amiguinhas Fernanda e Inês [CCB, Lisboa, 08.Jun.2010], na contrafacção fervorosa da realidade, à desonestidade insigne de José Saramago Clara Ferreira Alves.
Já em 31.Mar.2018 Ricardo Araújo Pereira molhara na fantasia o bico desonesto, trocando dessa vez Sacavém por Santarém: «Lembro-me de uma vez, numa esquadra em Santarém... Uma vez, numa esquadra de Santarém, eles serraram a cabeça de um desgraçado.» Lembra-se mesmo?  ***** 

«Comecemos por exemplo, já que falamos da esquerda, com uma frase célebre atribuída a Lenine: 'Proletários de todo o mundo, uni-vos.' Ser proletário, parece, é uma identidade, certo? E uma identidade que deve levar, de acordo com o apelo de Lenine, a que todos os que assim se identificam se unam para, claro, lutar pelos seus direitos.» - Fernanda Câncio, DN, 27.Jul.2019
Azar, doutora. A frase é do Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, e nem é bem assim. «Proletários de todos os países, uni-vos!» CertoClaro.

***** Sacavém, terça-feira, 07.Mai.1996 - «[...] Carlos Rosa, 25 anos, roubava para alimentar o vício da droga. Acabou apanhado pela GNR e levado ao comandante que lhe encostou o cano da arma à cabeça e lhe berrou mais uma vez ao ouvido para o intimidar. A pistola de José Santos fez fogo no calor do interrogatório e, enquanto Samuel omitiu o crime, Castelo Branco ajudou a esconder o cadáver – embrulhado num cobertor e levado de carro para um descampado na Quinta da Apelação. O sargento Santos usou uma faca de mato para cortar o magro pescoço de Carlos Rosa, até o decapitar. Deixou o cadáver coberto com ramos e levou a cabeça de volta para o posto onde, com uma chave de fendas, tentou tirar a bala comprometedora. Não reparou que a munição atravessou o crânio da vítima e se foi alojar numa porta de madeira. Horas depois, o sargento abandonou a cabeça em Chelas, Lisboa, atirou a faca ao rio Trancão e deitou o cobertor ao Tejo. O esforço foi em vão: a 16 de Maio, dez dias depois, um pastor encontrou o cadáver. [...]».
Insista-se, para desencanto do contrabando noticioso activista: ninguém decapitou um cidadão dentro da esquadra.
Apre!
[...]»

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Conversa com Vítor Gaspar

Manhã cedo, Posaconazol* tuitou:
«Vítor Gaspar é um tipo muito interessante e foi parte fundamental de um período que marcou Portugal. Daria uma grande entrevista, mas a entrevistadora conseguiu não a fazer.»

Não integrando o entorno cúmplice ["inner circle", em português contemporâneo] de Posaconazol — Deus me livre —, tive de deslindar por conta própria quem entrevistou Vítor Gaspar, onde e quando.
Cheguei lá rápido:

Posaconazol acha que a entrevistadora falhou. Eu acho que Posaconazol não terá gasto o tempo mínimo necessário para ler a conversa inteira. Toda a gente sabe que Posaconazol lê pouco. Quando muito, passou pela entrevista uma oblíqua rápida, preconceituosa e displicente.
Pois eu, que embirro com Maria João Avillez e não morro de amores por Vítor Gaspar**, gostei.
Dentre outras passagens, respigo:
«[...]
No centro da “Alegoria” de Lorenzetti podemos ver 21 cidadãos que passam uma corda entre eles. Se olharmos mais de perto, percebemos que a corda une dois fios e que cada um deles parte de um dos pratos da balança da Justiça. E se seguirmos a corda no sentido oposto vemos que está solidamente atada ao pulso do governante. Este é, de resto, a figura dominante do quadro. Mas, não obstante o seu poder e majestade, o governante está limitado pelo primado do direito e pelo interesse comum. Em 2020, os governos em todo o mundo agiram rápida e decisivamente. Nas reuniões da Primavera, o Fundo Monetário Internacional afirmou que era imperativo fazer tudo o que fosse necessário para controlar a covid-19. Mas, ao mesmo tempo, era crucial guardar os recibos. À extensão da intervenção pública deve corresponder um acréscimo de exigência, escrutínio e prestação de contas.***
[...]»

Fico mesmo em crer que tivesse esta mesma entrevista a assinatura de, por exemplo, Fernanda Câncio, sua adulada madrinha, e veríamos como Posaconazol se viria em público.
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- Afinal, em que ficamos, Plúvio?
- Mas, leitor impiedoso, quem disse que este verbete é dedicado a Posaconazol? Dedicação é outra coisa, doutro fôlego e esse gastei-o em 9 de Janeiro passado.

** Não gosto de MJA nem morro de amores por VG, sendo certo que em Dezembro de 2012 embirrava e simpatizava com criaturas que 10 anos corridos me não suscitam tanta embirração nem tanta simpatia. No caso vertente, a minha antipatia por Vítor Gaspar adoçou, a embirração por MJA mantém-se. Só não acontece a calhaus coerentes. Nem, de resto, a coerência é qualidade a que atribua grande primazia; à honestidade, sim.

*** Em tempo, 06.Fev.2021
Ali, negrito meu, uma coisa que, se bem conheço o pensamento e as trincheiras em que espingarda o comunitário, ultimamente travestido de pregoeiro da boa governação socialista, para Posaconazol não será nunca das mais importantes...
O antigo ministro das Finanças estava decerto a falar daquilo que o padre António Vieira — faz hoje 413 anos que nasceu — designaria por "accountability".

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Angela Merkel, de novo

- A que político daria sempre o seu voto?
Pedro Bidarra responde na edição n.º 158 da LER, à venda desde a semana passada:

Reavivo inevitavelmente o escrito de 13.Dez.2020
e, já agora,

Não me diga, senhor Almerindo, nem parece seu! Estas lindas horas e ainda não cumpriu o seu dever diário de hoje?
Olhe que assim não sei se o vão chamar para a vacina, não sei, não...

Procuradora, reapreciação, silenciar

«O líder do Chega já reagiu. André Ventura espera que a 👅 repudie a acção apresentada por Ana Gomes. A ex-candidata a Belém pediu a 👅 do processo. André Ventura acusa Ana Gomes de querer 👅 o partido e fazer o país voltar aos tempos do PREC.»
04.Fev.2021

Todos os profissionais têm direito aos seus momentos de infelicidade.
Se calhar Vânia Pereira Correia abusa um bocadinho.