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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Rescaldo dum serão eleitoral

um lustro certo depois deste.

Domingo, 24.Jan.2021 - Eleições presidenciais 

«Agradeço, do coração, a militantes do Volt e a tantos e tantos cidadãos e cidadãs independentes que trabalharam para eu estar hoje aqui. A minha candidatura fez-se, desde a primeira hora, do empenhamento de milhares de socialistashomens e mulheres, mais velhos e jovens, que de norte a sul, da beira às regiões autónomas dos Açores e da Madeira me apoiaram e ajudaram decisivamente a aqui chegar hoje. A todas e todos, eles e elas, o meu fraternal reconhecimento, com especial destaque para os membros do governo, os deputados e deputadas, os autarcas que deram a cara e estiveram ao meu lado.»
Mandariam a congruência linguística e as melhores práticas que tivesse dito «tantas e tantos», «socialistas e socialistos»,  «membras e membros», «as autarcas e os autarcos», «a cara e o focinho».

A glória inoxidável da derrota
«Estou convencido de que Ana Gomes fica 2% à frente de André Ventura quando encerrarmos as votações.»

«O resultado não é o que eu desejava. Não é o que mereciam as pessoas que me acompanharam, que me deram força e que estiveram comigo. Este resultado não é também uma falta de comparência. Hoje como ontem, amanhã como hoje cá estarei para todas as lutas, para ganhar e para perder como fiz sempre e como faz toda a minha gente.»

«A Marisa Matias foi a candidata que fez o discurso claro contra o racismo e a xenofobia. Foi a candidata que fez o discurso claro em nome da igualdade e contra a violência contra as mulheres num país onde tristemente as mulheres são assassinadas quase uma por semana em tantos dos anos*. Essa coragem da Marisa Matias inspira muita gente, inspira-me a mim seguramente e estou-lhe muito grata. As noites eleitorais, umas são melhores, outras são piores, mas há uma coisa que nós sabemos: é a firmeza daquilo em que acreditamos e a justeza daquilo em que acreditamos que abre caminhos para o dia seguinte. E é isso que faz a Marisa, abrir caminhos, fazer pontes** muito para lá de qualquer resultado. A Marisa estava cá antes do dia antes das eleições a fazer a luta dos cuidadores informais, a fazer a luta do Serviço Nacional de Saúde, a fazer a luta pelos direitos de quem trabalha, a fazer a luta pelo bem-estar animal***, a fazer a luta pela igualdade por inteiro sem pôr nenhuma luta em lista de espera. A Marisa é essa força grande pela dignidade e por um país melhor e eu tenho o enorme privilégio de saber que vamos continuar a lutar as duas juntas já amanhã.»
[Olh'o Luís Oriola! Pensava que só trabalhasse para o Estado. Afinal, é geringôncico.]
Aqui chegado, convido o paciente freguês do Chove a deter-se por segundos nestes dois instantâneos da ágape coimbrã do Bloco de Esquerda festejando e agradecendo à pastorinha do bonzo de Coimbra a vantagem heróica de 1,01% sobre os 2,94% obtidos pelo probo calceteiro de Rans em quem repeti o meu voto de 2016. É da minha vista, perdão, é do meu ouvido ou vai por ali  uma desavença insanável entre os intérpretes de língua gestual? Quando uma aponta para cima a outra aponta para baixo, quando o Oriola ergue a mão ela baixa-a... Em que ficamos? Que dizem, afinal, Marisa e Catarina? Não nos baralhem a surdez, porra, entendam-se!  

* Catarina a esticar-se, fervor em manobras. A própria Marisa não vai tão longe:
«[...] A eurodeputada lembrou os números: a cada semana uma mulher é assassinada ou vítima de tentativa de homicídio [...] Um a um, Marisa Matias leu o nome das mulheres assassinadas em Portugal em 2020. Leu 27 nomes [...]»
Ora bem. Nos últimos 17 anos, de 2004 a 2020, foram assassinadas 561 mulheres em Portugal, em contexto familiar violento. Como recomendava o outro, é fazer a conta.
Esta gente não poupa esforços, raiando a manipulação e a mentira, para ajustar os factos ao seu evangelho.
Não precisaria de o dizer: um assassínio que fosse seria demais. 

** E consertar autoclismos? Estou a precisar. 

*** Estava a ver que não, béu-béu, miau.

Minhas adoradas filhas, que tencionavam votar em Marisa Matias — quem sai aos seus... — e à última hora se inclinaram para Ana Gomes, não fosse o «fascista-racista-xenófobo» ficar em 2.º:
- Pai, porque dizes tão mal do Bloco de Esquerda?
Porque o Bloco de Esquerda não presta, filhas. E ai de nós quando prestar ou precisarmos de que preste antes de, como determina a ordem natural das coisas, se extinguir. O BE dá-me ares de confraria religiosa de meninos-bem, arrogante, perigosa e meio tonta.
Senão, vejam:

Quinta-feira, 29.Out.2015
No quadro, citando Eduardo Cabrita, da derrota de António Costa nas legislativas de 04.Out.2015 e da urdidura, por esses dias em curso, do entendimento PS-PCP-BE que Paulo Portas, adaptando metáfora de Vasco Pulido Valente no Público de 31.Ago.2014, crismaria de «geringonça», Mariana Mortágua, a deputada-estrela que deve a BEatificação a Ricardo Salgado, veio à Bobadela para «falar das nossas vidas» pós-PàF e do paraíso celeste [não é redundante, Plúvio?] que se adivinhava.
Fui assistir para tomar o pulso à coisa.  
MM chegou num carro velho conduzido por uma rapariga que se pôs tão perto de mim que me foi impossível não reparar no "wallpaper" da ardósia que ia consultando e manteve aberta durante toda a sessão: o carão intimidante deste teólogo prussiano. Mulher de muita fé, a chofer de Mariana.
MM entrou e disse «Boa noite a todas e a todos» num momento em que ainda só havia uma mulher na audiência. Se o ridículo matasse...
No meio da conversa, um camarada, decerto dos ingénuos e puros que há sempre nestes núcleos locais, sensível ao inchaço populoso do parlamento, interpelou:
- Ó Mariana, o Bloco tem alguma proposta no sentido de reduzir o número de deputados na Assembleia da República, como prevê a Constituição 
Mariana Mortágua ia fuzilando o rapaz com o olhar:
- De todo, não! Há estudos acerca da eficiência dos parlamentos europeus que mostram que... 
Como a entendo, parva é que esta Mortágua não é. À saída troquei com ela um aceno. Tem um sorriso bonito. 
Por mim, fiquei faladoconversado.    

BEm-vinda, BEm-vindo, BEm-vindas, BEm-vindos
Se esta gente, a minha gente de Marisa, um dia mandasse — por enquanto não manda em nada, felizmente; nem uma, uminha, das 3092 freguesias do país se deixa governar por esta gente; **** sim, sei de Salvaterra de Magos —, imagine-se a desgraça nas tesourarias e a perturbação da paz social de todos estes rudes e retrógrados sítios e entidades, a remodelar placas e a reconformar a linguagem para os pôr consonantes com o asseio da "ideologia de género".  
Lembro-me sempre da solução picaresca e ridícula que o PS engendrou — et voilà, «género» — para sossego canónico das Isabéis Moreiras,  Catarinas Marcelinos, Tiagos Barbosas Ribeiros, Elzas Pais, Joões Galambas, Edites Estrelas, Pedros Nunos Santos, Sónias Fertuzinhos,  Pedros Delgados Alves, Marias Antónias de Almeidas Santos, Marias Begonhas e Duartes Cordeiros desta vida, no XXI Congresso, em Junho de 2016: Bem-Vindo por uma porta, Bem-Vinda por outra.


Não desgostei do discurso do presidente
No da eleição, em 24.Jan.2016, Marcelo falou durante 16 minutos. Começou por «Portuguesas e portugueses ...» e foi por aí fora, cedendo sempre ao código ridículo do politicamente correcto. Terminou com palmas e hino nacional.
No da reeleição, em 24.Jan.2021, falou durante 17 minutos. Começou por escorreito «Portugueses ...», cedendo aqui e ali, mas pouco, à novilíngua dos devotos. Esteve sério. Terminou sem aplauso nem hino. Muito bem.
«[...] Portugal que, como escrevia o saudoso Eduardo Lourençoé uma nação piquena que foi maior do que os deuses em geral permitem. Tenho a exacta consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco. [...]»
foi onde borrou a escrita. Mas alguém tem exacta consciência? Como pode ser exacta a coisa menos exacta do mundo? Forte, firme, convicta, enraizada, vá que não vá. Mas exacta? Livrem-nos os deuses de consciências que tais, sem esquecer nunca as consciências tranquilas.
Já o «piquena», nada de muito grave, é da filogénese de Cascais, cercado das tias e dondocas de que nunca se livrará.

A propósito de Cascais, onde Marcelo Rebelo de Sousa mora há séculos, sempre me pareceu palhaçada e afronta grosseira da morigeração cívica que continue recenseado numa vilória minhota aonde se desloca para votar, sob pretexto de ali ter sido autarca [autarca volante e volátil...] e dali serem naturais familiares antigos que muito prezava e quer homenagear. Olha se o exemplo pega... Até eu tenho ancestrais na Etiópia a quem devo muitíssimo.
Li isto no Nascer do Sol, li isto e depois isto no blogue do professor Vital Moreira, mas continuo a achar que faz falta um jornalista de voz grossa, testículos negros ou ovários valentes, que frente às câmaras em horário nobre convoque nos olhos o nosso arlequim
- Senhor presidente, não lhe parece insolência ou insulto aos cidadãos, que fazemos por cumprir as regras, essa farsa de, residindo em Cascais, votar em Celorico de Basto?

A despropósito, mas apetece-me,
«A resposta certa é Marcelo Rebelo de Sousa. [...] O Marcelo é em geral uma boa fonte [...] Eu não estava à espera, no caso de Marcelo Rebelo de Sousa, de uma espécie qualquer de lealdade porque não é o forte dele. Eu costumo dizer que ele é filho de Deus e do Diabo. Deus deu-lhe a inteligência, o Diabo deu-lhe a maldade. [...]»

Coda
De eleição para eleição recorre o mito de que, por falta de limpeza nos cadernos de recenseamento, há mortos que votam. Se calhar há.
___________________________________
**** «[...] Sabemos que temos muito a aprender ainda no trabalho autárquico, e muito a fazer. [...]
Mais eleitos e eleitas em todo o país [...] O Bloco de Esquerda tem acrescidas responsabilidades depois destas eleições autárquicas. [...] Há alguns indicadores dessa crescente responsabilidade. Aproveito para vos dizer — soube mesmo antes de vir para aqui — que o Bloco de Esquerda ganhou uma freguesia em Braga e portanto as responsabilidades do Bloco de Esquerda vão sendo crescentes em mais sítios do país.» - Catarina Martins, 01.Out.2017
Ejaculação precoce, não ganhou freguesia nenhuma. Como digo e redigo, fervor em manobras.

sábado, 23 de janeiro de 2021

Voto em V

  • Ana Maria Rosa Martins Gomes [do Partido Socialista]- Demagoga, arrivista, populista, espalha-brasas instalada. Pelas minhas sofisticadas e auditadas contas facturará mil votos por cada minuto em que o seu director de campanha não apareceu diante das câmaras. Nisso foi sábia e prudente, convenhamos. Já com Pedro Silva Pereira, n.º 3 da lista do PS nas eleições de 2019 para o Parlamento Europeu, fora o mesmo. O delfim perpétuo de José Sócrates mal se deixou ver. Esta gente será tudo menos estúpida e percebe bem quando há míldio na vinha. 
  • André Claro Amaral Ventura [do Chega]- Demagogo, oportunista, populista. O menos recomendável, a par de Marisa Matias. Não menos alucinado do que quem o apupa de fascista. Convém algum tento na língua, na história e nos conceitos.
  • João Manuel Peixoto Ferreira [do Partido Comunista Português]- Totalitário. Marxista-Leninista-Estalinista. Arqueologia ideológica.
    JF em Alverca do Ribatejo, 22.Jan.2021: «[...] aquilo que tem reconhecidamente sido uma marca desta campanha, que é a Constituição da República Portuguesa. Conhecer a Constituição é a melhor vacina contra aqueles que querem subverter a Constituição e com ela (sic) subverter o regime democrático. [...] Não pode haver maior consenso do que a lei fundamental do país. [...]»
    Importa ter presente que sendo certo que o PCP votou favoravelmente, em 01.Abr.1976, a 1.ª versão da CRP que apontava Portugal ao radioso e redentor sol do socialismo comunista, nas sete revisões — 1982, 1989, 1992, 1997, 2001, 2004 e 2005 — da sua tão acarinhada e consensual «lei fundamental» o partido de João Ferreira votou contra nas primeiras seis, abstendo-se na de 2005. Enfim, JF, sex-symbol sedutor dos crédulos e das alminhas desmemoriadas, mal informadas ou desprevenidas que não sabem, nem JF lhes diz, que parte substantiva do livrinho/texto com que esgrimiu na campanha não é benquista pelo partido a que pertence. Oportunismo e hipocrisia.   
  • Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa [PSD/CDS]- Tudo e o seu inverso; o arlequim a quem Posaconazol Metenamitoso Latanoprostático presta adulação ditirâmbica. Não sei de pior abono.
  • Marisa Isabel dos Santos Matias [do Bloco de Esquerda]- Marx, Trotsky, 4.ª Internacional, Mao, Enver Hoxha, etc., contra a Europa, contra o Euro, contra a Nato, contra a América, contra Israel, contra a Banca, contra o Privado. Pastorinha do bonzo de Coimbra. A pior candidata, a par de André Ventura. Não menos alucinada do que aqueles que acusa de fascistas. Convém algum tento na língua, na história e nos conceitos. 
  • Tiago Pedro de Sousa Mayan Gonçalves [da Iniciativa Liberal]- Inexistência incorpórea e abstracta de morfologia levemente gaseiforme.
  • Vitorino Francisco da Rocha e Silva [do Reagir, Incluir e Reciclar]- Chamam-lhe cromo, simplório, sem estaleca, sem cultura e línguas para a função. A intelligentsia urbanóide lisboeta arrogante e sobranceira de que, entre tantos, Miguel Pinheiro, director executivo do Observador, demonstrou no acompanhamento jornalístico da campanha ser o expoente, desclassifica-o, ridiculariza-o, despreza-o, ignora-o. Cidadão de segunda? Pergunto-me, por exemplo, que têm os cromos institucionais de Arraiolos, a que podemos juntar a rainha de Inglaterra e o monarca sueco, especialmente de virtuoso ou qualificador que Vitorino Silva não possa ter? Confesso que nada anteciparia de aberrante numa República, a portuguesa, eventualmente chefiada por este decente, simpático e respeitável compatriota*. Para o ajudar na função não faltariam decerto pessoas capazes, sem vergonha para Portugal. Tenho em mente uma que lhe proporcionaria óptima assessoria jurídica ou de relações públicas: Marcelo Rebelo de Sousa; além do mais, com experiência de cinco anuidades no cargo.
É assim que, convicta e inconsequentemente, votarei amanhã, domingo, 24.Jan.2021, no mesmo V e com a mesma esferográfica com que votei em 24.Jan.2016, domingo.   
________________________________________
* Dias atrás, na investidura da nova presidência, Amanda Gorman declamou na tribuna da América o poema, sofrível, "The Hill We Climb" que compôs expressamente para o acto, de que extraio, em tradução de Agostinho Pereira de Miranda no Público, esta passagem: 
 
«[...] Nós, os herdeiros de um país e de um tempo
em que uma pequena rapariga negra descendente de escravos
e criada por uma mãe solteira pode sonhar ser presidente
e logo ver-se a declamar para um. [...]»

De imediato, nunca falha, o fervor em manobras da leitura correcta do tempo e do mundo determinou que o que quer que ali se dissesse, dado o sexo do poeta, a suas circunstâncias biográficas mas, quero crer, sobretudo a cor da pele, haveria de soar por cá a, no mínimo, arrebatador e sublime. E de tal modo soou que até Posaconazol, o próprio, lacrimejou de emoção: Prontus, já chorei a minha lagriminha
Por isso, sonhe Amanda com o que sonhar — ser astronauta, coleccionadora de algas ou campeã universal de xadrez — quem se atreverá a objectar-lhe a mínima implausibilidade? No caso, calhou vir-lhe ao devaneio a possibilidade real, efectiva, facultada por uma democracia igualitária, de um dia ser presidente dos EUA. E porque não? Aplauda-se. Oxalá nenhuma razão espúria a cerceie apesar de ser um bocadinho mais escura do que Obama.
Mas isso é quando sonha uma mulher-negra-descendente-de-escravos-filha-de-mãe-solteira [para santo graal da perfeição antropológica só lhe falta, que eu saiba, ser fufa e mãe em regime de esperma comprado].
Já se for um simples e honrado calceteiro branco de Rans a sonhar, e a insistir no sonho, a discriminação da cidade, como talvez descrevesse Valupi, estala como sal no lume, Ó Tino, és um gajo porreiro e engraçado, está bem que voltaste a arranjar as 7500 assinaturas legais mas enxerga-te, pá, cada macaco no seu galho, presidente da junta de freguesia não é o mesmo que da República, não tens aquela classe, falta-te condição, trapioFaltam-lhe auctoritas e gravitas, explicariam os exegetas do "perfil adequado". 
Fosse Vitorino, por exemplo, muçulmano, preto, paneleiro ou habitante da Cova da Moura e imagino o chinfrim de entusiasmo no eixo culto progressista Lux Frágil-Campo de Ourique, nos tuítes das Câncios desta vida, nas redacções do Público, do Diário de Notícias ou mesmo do Observador, no comentariado televisivo. Nem precisava da bela parábola das pedras ou de ter proferido a mais certeira, engraçada e lúcida afirmação na campanha presidencial dos sete candidatos, a respeito de um deles.
Merece reflexão que em Portugal nenhuma figura pública da cultura, da socialite, da política, do desporto ou do entretenimento surja em seu apoio. Pois se até João Ferreira tem um Toy e um João Malheiro... Para Tino de Rans nunca haverá lágrimas de Posaconazol ou êxtases da mulher do brinco: «Agora vou ter o meu momento de elevação, quero falar da América. [...] E portanto vivi o dia da tomada de posse do presidente Biden com uma grande emoção [...] E claro que volto à poeta Amanda Gorman. Foi um momento..., tem havido poucos momentos de felicidade e daquilo que eu prezo mais que é o poder das palavras, e aquela rapariguinha que tem 22 ou 23 anos a dizer o seu poema com aquela elegância, parecia um pássaro a esvoaçar [...]» - CFA, 21.Jan.2021.
//
Obtive de Alexandre Homem Cristo, criatura de encadernação esmerada e com este aparato académico-profissional, a seguinte apreciação das perspectivas eleitorais de André Ventura, V, diga-se de passagem, em que jamais votaria: 
«[...] Se nós tentássemos extrapolar a percentagem para umas legislativas, estaríamos a cometer um erro porque de facto para obter os 10% numas legislativas [...] serão necessários muitos mais votos do que aqueles que André Ventura potencialmente teria se, por exemplo, obtesse 10% nas próximas eleições.»

Estamos nisto.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Fernanda Câncio em manobras

«[...]
Sobre o desempenho da jornalista Fernanda Câncio, os antigos directores são unânimes: é uma profissional de excepção. Miguel Sousa Tavares, que a dirigiu na "Grande Reportagem", afirma que sempre teve "a melhor impressão de Fernanda como jornalista"
[...]
Miguel Coutinho, director do "Diário de Notícias" entre 2004 e 2005, revela que os trabalhos que fez com a redactora são "intocáveis".
António José Teixeira, director do mesmo jornal entre 2005 e 2007, diz que Fernanda é dedicada ao trabalho. João Morgado Fernandes, membro da mesma direcção e director interino antes da chegada de António José Teixeira, descreve-a como uma jornalista minuciosa, que "fala com 500 pessoas antes de escrever".
[...]
No Twitter, na blogoesfera (onde escreve sem letras maiúsculas), ou no Diário de Notícias, Fernanda Câncio tem-se dedicado a escrever sobre o processo Freeport.
[...]»

Até por alturas de 2012/2013, quando comecei a dar mais atenção, menos preconceituosa, a todas as torneiras de informação em vez de apenas ao jornalismo dito "de referência", tinha boa impressão genérica da veterana jornalista Fernanda Câncio [16.Fev.1964], grande repórter no Diário de Notícias, de Lisboa. Além do mais, FC sempre redigiu bem, tirando o modismo afectado, ridículo, do "tudo em minúsculas" que pratica nas redes.
Hoje em dia, tenho da jornalista Fernanda Câncio a pior impressão possível. Considero-a jornalista de agenda, sectária e tendencialmente desonesta — já o era, porventura mais no tempo de José Sócrates, em que eu, enfeitiçado por entusiasmos político-partidários pueris, andava de olhos meio fechados — e, quem diria?, nem sempre devidamente informada.
Dois apontamentos.
//
A gravata ...
«É uma mania minha, de tantas: aversão não negociável às gravatas.[...] pedaço de seda garrida que passa por certificado de respeitabilidade e masculinidade. [...] naquele nó ridículo, debatendo-se para todo o sempre com as particularidades da combinação entre riscas, bolinhas, cornucópias ou cores lisas com a camisa e “o fato” [...] Encontrei muito pouca gente que assumisse gostar de gravatas; não vislumbrei um único que achasse fantástico “ter de” as usar. [...] Reparem: nada existe no vestuário feminino ocidental que se equipare, em simbolismo e carácter compulsivo, à gravata. E nada, como a gravata, transporta a ideia de “reduto masculino”. Uma mulher vestida de calça, casaco e camisa não está “vestida de homem”; mas acrescente-lhe uma gravata e ei-la travestida. O que é tanto mais estranho quanto a ideia de adereço inútil e de enfeite está muito mais associada ao vestuário feminino e ao universo das mulheres que dos homens, geralmente descritos como seres de elevado sentido prático que não se interessam por futilidades nem sequer se preocupam com a imagem – a não ser, bem entendido, que tenham uma orientação sexual não maioritária. [...] a gravata viria a transformar-se num dogma de “seriedade e masculinidade” [...]»

Kamala Harris, vice-presidente dos Estados Unidos da América empossada ontem, tem uma enteada, Ella Emhoff, filha do marido, Doug Emhoff, e da antiga mulher deste, Kerstin Emhoff. Nasceu em 29.Mai.1999, estuda design. Horas antes da cerimónia da investidura presidencial, Ella Emhoff surgiu nalgumas fotografias na companhia do irmão, Cole, e da mãe, junto ao Lincoln Memorial, em Washington, D.C. Esta, em particular, pôs a fricalhada em êxtase e suscitou a Fernanda Câncio o seguinte comentário no Twitter, destaque meu:
«uau. só acho a carteira hedionda ali mas se calhar não tinha nada apropriado. adoro a gravata» 

//
... e a religião
Correm nas redes religiosas de esquerda falsos pronunciamentos, ilustrados, dos mais altos dignitários do corpo eclesiástico português, como José Tolentino Mendonça, Manuel Clemente ou António Marto, prevenindo fiéis e cidadãos incautos contra o que a pandilha e a retórica de André Ventura representam de ofensa e desvio do "verdadeiro" cristianismo e da doutrina social da Igreja. Até pode ser que representem. Sucede que nenhum dos ilustres prelados disse o que quer que fosse daquilo que os crédulos de Marisa Matias, Ana Gomes e afins, incluindo naturalmente Mamadou Ba e Fernanda Câncio, espalham que eles disseram. Leia-se o desmentido da Conferência Episcopal Portuguesa. Daí não me surpreender que MB e FC, falsários como nunca, se agarrem e invoquem contra André Ventura, demónio que os atormenta, o testemunho apócrifo do bispo de Leiria.

Por fim, André Ventura em campanha eleitoral passou na terça-feira, 19, por Coimbra onde, com a trupe chegada, representou a sua pantomima: entrou na Igreja de Santa Cruz pela missa das 17h30 adentro, rezou, comungou, prostrou-se perante o Fundador e cá fora ouviu das boas, conforme aqui bem narrado.  
Fernanda Câncio ficou indignadíssima — vejam lá, logo a Câncio iconoclasta ateia belicosa, suma-sacerdotisa da igreja Lux Frágil — com o desrespeitoso topete do candidato católico. Mal sabia ela que estava tudo acertado com o senhor prior.

sábado, 9 de março de 2019

Jean Wyllys, o bonzo de Coimbra e a palavra "ditador"

Aguentei, estóico, os 84 minutos da conversa de sedução e bajulação mútuas havida na cidade do Mondego — adoro chapinhar em lugares comuns... — em 26 de Fevereiro de 2019 entre Boaventura de Sousa Santos e Jean Wyllys, figurante ganhador do "Big Brother" brasileiro, devoto de Iemanjá, que vem cavalgando a sobrevivência e a celebridade por conta de ser e se afirmar destemidamente rabeta alinhado à esquerda. «Eu quero articular de alguma maneira as esquerdas no mundo.», previne-nos, sério, acerca do projecto em que pretende ocupar-se no exílio europeu. O mundo que se cuide, pois.

Para não cansar muito, realço
as cortesias de entrada, com o anfitrião armado em porta-voz de Portugal a garantir que «é realmente muito bem-vindo pela esmagadora maioria dos portugueses, jovens e público em geral». Ena, Boaventura! «Esmaga!», diria Conan Osíris;
e a parte final, a partir da hora e dez de gravação, em que o foragido da homofobia canarinha se atreveu a rotular Nicolás Maduro de ditador, acusando-o inclusive, gabe-se-lhe a ousadia, de violação dos direitos dos humanos venezuelanos. Sabendo o Boaventura apóstolo de sátrapas bolivarianos e comunistas em geral, receei ver o caldo entornar-se, mas o bonzo de Coimbra, messias da Marisa,  lá se conteve e adoçou o escarmento:  «Aí temos uma pequena diferença, realmente, porque a palavra "ditador" é uma palavra muito forte, não é?...»
É.

Sirva-se, paciente leitor, e sofra.

Nada como realmente.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A política e o mantra da decepção

O DN traz hoje uma entrevista de Fernanda Câncio, a quem me liga uma antiga e imarcescível sicofilia, à secretária de Estado da Modernização Administrativa, Graça Fonseca, como Marisa Matias mas na sombra doutra pernada da azinheira, pastorinha do indigesto bonzo de Coimbra. *
A entrevista diz muito de Fernanda Câncio e do actual DN. Graça Fufasseca — trocadilho, perdão, torcadilho soez e gratuito que muito dirá do Plúvio — não diz praticamente nada.
Fernanda Câncio introduz a entrevistada, negritos meus:
«Em Julho, quando três colegas de governo apresentaram a demissão devido ao caso das viagens da Galp, citou o filósofo Daniel Innerarity no Facebook: "A política, especialmente quando queremos distingui-la de outras atividades, exige duas coisas: ter-se dado conta de que o seu terreno próprio é o da contingência; uma especial habilidade para conviver com a decepção."
[...]
Do CES e do estudo da Justiça passou à acção, no respectivo ministério, então — em 2000 — liderado por António Costa. Foi aí que o conheceu e desde então o actual PM levou-a consigo para todo o lado: para o Ministério da Administração Interna em 2006, para a Câmara de Lisboa em 2007, para a lista de deputados por Lisboa nas legislativas de 2015. E para o seu governo, claro.
[...]»

Na parte do Daniel Innerarity repicaram-me sinos na cornadura; mais intensos ainda decerto porque o Big Ben amuou.
Permitam, pois, que repristine uma pequena cronologia.
«[...]
Da política
26.Mai.2001- Daniel Innerarity [Bilbau,1959], político, filósofo e professor basco, publica no El País um artigo de opinião, “Hacer política”,
"A mi juicio, la política, especialmente cuando queremos diferenciarla de otras actividades, exige fundamentalmente dos cosas: primera, haber caído en la cuenta de que su terreno propio es el de la contingencia, y segunda, una especial habilidad para convivir con la decepción. Habrá, sin duda, otras definiciones más exactas, pero seguro que ninguna de ellas deja de recoger, en alguna medida, estas dos propiedades.
[…]
En algún momento hay que recoger el veredicto y hacer con ello la política que se pueda. De ahí que la política sea fundamentalmente un aprendizaje de la decepción. Está incapacitado para la política quien no haya aprendido a gestionar el fracaso o el éxito parcial, porque el éxito absoluto no existe. […]."
2002- Daniel Innerarity publica o livro “La transformación de la política”, no qual plasma, com levíssimas adaptações, o dito artigo.
2005- 1.ª edição portuguesa do livro de Daniel Innerarity, “A Transformação da Política”.
28.Fev.2007- "A seguir ao debate mensal na Assembleia da República, José Sócrates, primeiro-ministro e secretário-geral do PS, juntou-se aos deputados socialistas num colóquio sobre a 'transformação da política na era da globalização', com o filósofo espanhol Daniel Innerarity. […]
Da obra de Daniel Innerarity, que contou ter conhecido quando António Costa lhe ofereceu um livro pelo Natal, Sócrates disse ter retido que 'a política é a aprendizagem permanente do convívio com a decepção', uma frase que o impressionou e iluminou". - Lusa, 01.Mar.2007
13.Mar.2008- Na reportagem da SIC, Sócrates como nunca o viu” [minuto 30:10], José Sócrates flana com Raquel Alexandra: "Sabe, um filósofo espanhol que conheci aliás recentemente — eu leio filósofos espanhóis; eu não conhecia este, é um basco, um homem que conheci aliás pessoalmente —, escreveu um livro que comprei, ou melhor, perdão, que me foi oferecido, aliás, pelo António Costa no Natal de 2005, e que dizia uma coisa muito interessante. Dizia ele que a actividade política é a eterna aprendizagem do convívio com a decepção.
30.Abr.2010- Intervenção de José Sócrates na cerimónia de doutoramento 'Honoris Causa' atribuído pela Universidade da Beira Interior a António Guterres: "Um grande filósofo europeu disse que a política é a eterna aprendizagem do convívio com a decepção. Não posso estar mais de acordo."
18.Out.2010, página 23, folha 115-  "No Salão Nobre do Edifício dos Antigos Paços do Concelho de Lagos, ... a Sra. Vice-Presidente da Câmara Municipal, Maria Joaquina Matos — viria a ser eleita presidente, na lista do PS, em 29.Set.2013 —, parafraseando um filósofo político disse que 'a actividade política é a eterna aprendizagem do convívio com a decepção'."
[...]»

Não é por nada, mas desde a prenda de Costa ao seu dilecto líder Sócrates, cheira-me a que esta gente desatou a ficar levemente ridícula. Mimetismo parolo.

No clímax — quando a entrevistada acaba de assumir que é com mulheres que a atrai foder, nisso não me distinguindo dela; já o velho Alçada Baptista, aristocrata naftalínico, se proclamava fogosamente lésbico — da peça organizada para propaganda das suas causas [que jornalismo, Fernanda Câncio, que jornalismo!...], a entrevistadora injecta o seguinte considerando à guisa de pergunta:
«Harvey Milk, o político americano dos anos 1970 que é uma referência do movimento pelos direitos dos homossexuais, disse, no início da luta, "a privacidade é a nossa pior inimiga". No sentido em que era preciso dizer "eu sou homossexual" como afirmação política.»

Lembrei-me logo daquele Fevereiro de 2009: «Milk, presumo...»
Isto anda tudo ligado.
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* Vá, Plúvio, confessa agora aqui o valente murro no estômago que levaste anteontem do João Taborda da Gama:
«[...] Law against Law é a tese de doutoramento de Boaventura de Sousa Santos. Boaventura, ao contrário do que acha alguma da direita acéfala, e do que deseja alguma da esquerda invejosa que nunca saiu de Portugal, mesmo tendo saído de Portugal, é dos mais interessantes e sólidos pensadores do direito que nasceu em Portugal e dos poucos reconhecidos na academia global (sem dúvida único na sua geração, hoje acompanhado de nomes como Nuno Garoupa e Poiares Maduro). Fui educado numa academia jurídica onde os seus textos não eram sequer referidos e, com certeza por culpa minha, só descobri o Boaventura jurídico há poucos anos, nos Estados Unidos, ultrapassando o preconceito e lendo de rajada o que pude. Pouco importa que não concorde com muito do que diz, e sobretudo com a linha onde se insere (que aliás não esconde), mas são daqueles textos que nos fazem mais espertos e onde se sente o gozo que teve quem os fez, pensou, escreveu. [...]»
"O morro e o asfalto" | DN, 20.Ago.2017

Muito certamente eu estava a pedi-las. Mas não sei se o João me convence com o «Boaventura jurídico».

Peça interessante de Catarina Homem Marques sobre a menstruação. A diferença de género é uma chatice? A igualdade seria.

Nota final quase a destempo.
Francisco Seixas da Costa rotula de Dignidade — sideral, sem um nome, sem um linque — o que, a meu ver, não passa de mero efeito conjuntural oportunista do anticiclone dos Açores. Nada de surpreendente, os apparatchiks, aparato-chiques e prosélitos, precisam regularmente de se comover uns aos outros. Por exemplo, Eduardo Pitta: mal se entra, o monitor lacrimeja.
Ai de nós, simples e imperfeitos normais.

sábado, 27 de maio de 2017

Marisa foi ao cabeleireiro

Ontem ao serão, a pastorinha do bonzo de Coimbra esteve, amiúde de mãos postas, na "21.ª hora" da TVI 24.
Gosta menos de cristãos do que de muçulmanos, não usou a palavra "Alcorão", muito menos "Maomé", e nos quase 19 minutos de cavaqueira com José Alberto Carvalho ajeitou o cabelo por 48 vezes numa infrene e libidinosa compulsão tricomaníaca que acabou por ser ao que dei mais atenção. De resto, pareceu-me ouvir-lhe coisas acertadas sobre a hipocrisia no negócio das armas e sobre os 20% de contributo dos EUA para o orçamento da NATO, de que Trump se lamuria, até serem «pouco para quem define a política toda».

No canal ao lado, eram 22h12 quando o bispo Louçã disse, juro, que «foi publicada uma carta de órfãos, filhos dos mortos e das mortas, há 40 anos atrás, naquele 27 de Maio de 1977».
- "O tabu de Francisco Louçã", SIC Notícias,  minuto 10:25 
«há 40 anos atrás» ainda é o menos. Inadmissível é que se tenha esquecido das órfãs e das filhas.

terça-feira, 22 de março de 2016

Maomerda em Bruxelas

Com a infinita e omnipresente ternura de Deus do Papa Francisco e uma leitura correcta do Alcorão, o afecto do presidente-arlequim e a clarividência de todos os BEatos do planeta, mal é que a coisa não se resolva.

Terça-feira santa, 22 de Março de 2016
. 10h35, António Costa, nos Açores, reagindo, com pensamento estagiado em longos e acarvalhados séculos de ponderação, ao assassínio de César por Bruto e ao seu próprio não envenenamento cada vez que engole sílabas da 'constituição' e das 'instituições':
«Não podemos estar sempre a responder por impulso cada vez que há um atentado. […] Por cada atentado que ocorre há dezenas de atentados que não ocorreram.»
Ai de nós se o doutor António Costa fosse impulsivo.

«Eu vinha hoje para o estúdio acompanhada do meu filho de oito anos a pensar que quando eu tinha a idade dele ninguém me falava de terrorismo, eu não ouvia falar de terrorismo. Quando ouvia falar de terrorismo, estava associado a uns grupos de guerrilheiros algures na América latina e até havia uma espécie de áurea, quase nobre, passe a expressão, nesses grupos.»
Isabel Estrada Carvalhais nasceu em 1973. Se por alturas de 1981, aos oito anos, não ouvia senão aquilo acerca do terrorismo, é porque não lhe permitiram saber o que o terrorismo já vinha sendo, o que, convenhamos, tratando-se de criança de oito anos, não era grave nem importante.
Grave e deveras penoso é que Isabel tenha chegado a professora doutora, escritora, colunista e comentadora especializada, sem ter ouvido falar no erro tosco da troca do substantivo 'aura' pelo adjectivo 'áurea'.

«Tive oportunidade, já, de transmitir a Sua Majestade o Rei dos belgas — ena! — o pesar, o repúdio e a solidariedade do povo português e estou a acompanhar atentamente a situação, incluindo no que respeita à nossa compatriota ferida num desses ataques.»

. 12h47, Sónia Ferrador, enfermeira em Bruxelas, parceira de quarto da 'nossa compatriota ferida':
«Ela não está ferida, não tem qualquer ferimento.» *

«Aprofundando um pouco a análise…, a radicalização e o radicalismo nunca vão desaparecer no espaço europeu, no espaço das sociedades democráticas, nas sociedades ocidentais. Porquê? Há-de haver sempre o choque entre a expectativa e a dimensão factual. Ora bem, no choque entre a expectativa e a dimensão factual, nem sempre a dimensão factual permite que a expectativa seja cumprida […] Essa mesma radicalização tornou-se permeável a uma outra narrativa […] Neste caso, é uma narrativa puramente identitária.»
Pum!!!

«Não se pode continuar a cultivar isto como se fosse uma guerra de civilizações e uma questão identitária.»
Ai pode, pode, senhora doutora! De civilizações é que estas merdas, maomerdas, são também, se não principalmente.
Quem passou a juventude, com o esqueleto ainda em consolidação, a charrar Boaventura de Sousa Santos é inevitável que desemboque nesta clarividência.

Todas as televisões 'acompanharam em permanência'. Foi o que lhes valeu. Estas merdas rendem; maomerdas destas, então, nem se fala.

«Um, dois, experiência; um, dois, experiência ... Chama-se Deus à cabina de som, repito, chama-se Deus com urgência à cabina de som. Obrigado.» 
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* Parece haver frustração noticiosa sempre que não há portugueses, um luso-descendente de 4.ª geração que seja, relacionados com a estas merdas e maomerdas. Force-se pois a imaginação: enfermeira de Coimbra ferida de susto em Bruxelas; trolha da Covilhã vítima de enxurrada no Sri Lanka, no seguimento de rotura de um autoclismo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Rescaldo dum serão — Todos, todas, tudo e o mais

Fervorosas e extraordinárias coisas se disseram e gritaram.
O Bloco de Esquerda anda alucinado e tentou atirar-nos poeira aos olhos.
Marcelo cantou.
António Costa, feliz, proferiu um dislate afrontoso.
Maria de Belém sem lepra nem lepro. 

20h06 [José Gusmão, direcção da campanha de Marisa Matias, inebriado]— Um resultado que será de longe certamente o maior resultado alguma vez obtido em eleições presidenciais de uma candidatura desta área política.* […] A candidatura da Marisa foi a candidatura que mais espaço político conquistou durante este processo eleitoral. Foi uma candidatura que conquistou dezenas de milhares de eleitores à abstenção.

20h13 [Correia de Campos, mandatário nacional de Sampaio da Nóvoa]— Os primeiros resultados que foram divulgados com base em sondagens à boca da urna manifestam que existe ainda uma grande incerteza sobre o resultado final.
Homem de fé.

20h41 [Maria de Belém, candidata vencida]— Boa noite a todos. […] Saúdo todos os portugueses, designadamente os cidadãos eleitores.
Felicite-se, desta vez, a candidata libelinha videirinha que poupou o auditório à lepra do gargarejo "politicamente correcto".

- Doutor Manuel Alegre, ficou desiludido?
- Doutor Manuel Alegre, como é que fica o Partido Socialista?
- Esperava uma vitória à primeira volta do professor Marcelo Rebelo de Sousa, senhor doutor?
- Quem é que fez essa campanha [Manuel Alegre acusara indeterminados de "uma campanha ignóbil" contra Maria de Belém], senhor doutor?
Esperar-se-ia que o barítono de Águeda, cuja habilitação escolar completa é o antigo 3.º ciclo liceal, pedisse ao repórter da SIC qualquer coisa como Por favor, não me trate por doutor!, mas o mais perto que andou disso foi Não me empurrem, por favor! - 00:12

21h16 [Marisa Matias, candidata vencida, levitante] Em democracia, o mais precioso que temos é mesmo a decisão dos portugueses e das portuguesas

21h31 [Edgar Silva, candidato vencido]— É meu dever agradecer a cada um dos portugueses e a cada uma das portuguesas […] Saúdo cada um dos portugueses e cada uma das portuguesas.

21h46 [Sampaio da Nóvoa, candidato vencido]— Boa noite e obrigado a todos e a todas. [...] Nesta noite, tenho apenas duas mensagens para os portugueses e para as portuguesas. [...] A segunda palavra é para me dirigir a todos e a todas que fizeram esta campanha extraordinária. [...] Peço a todos e a todas que apoiaram esta candidatura [...] A todos e a todas, muito e muito obrigado.

21h53 [Catarina Martins, porta-voz do BE, em evidente estado de alucinação]— É o maior resultado numas presidenciais à esquerda*. O maior de sempre da área política do Bloco de Esquerda*. A Marisa Matias mobilizou da esquerda à direita, mobilizou na abstenção, mobilizou todas as pessoas que mesmo sofrendo tanto não desistem do país. Mobilizou quem nunca soube o que era um contrato de trabalho mas luta por um futuro com dignidade no nosso país.
Se o ridículo matasse... [...] Parabéns, Marisa Matias, que grande campanha!
Se a pastorinha do venerando Boaventura mobilizou tanto e em tanto lado, como conseguiu perder mais de 80 000 votos dos que o Bloco de Esquerda obtivera em 04.Out.2015? Nas 10 presidenciais desde 1976, só numa 2011, reeleição de Cavaco Silva , a abstenção, 53.48%, foi superior à desta eleição, 51.16%. Isto é que foi mobilizar, doutora Marisa!

22h11 [Marcelo Rebelo de Sousa, candidato vencedor, presidente eleito, num discurso razoavelzinho], a abrir— Portuguesas e portugueses […] Não há portugueses vencedores ou vencidos. Não há vencidos nestas eleições. [...]portuguesas e portugueses sem excepções nem discriminações.
Lérias, conversa de sempre; claro que há vencedores e vencidos. Neste caso, uma candidatura e os seus eleitores venceram, nove foram vencidas.
[...] Serei a partir de agora o presidente de todas as portuguesas e de todos os portugueses. [...] Saúdo igualmente os meus oponentes** nesta eleição, que nunca foram meus adversários.
Foram adversários, ai isso é que foram! 
[...] Portuguesas e portugueses, [...] não deixarei de ser em termos sociais empenhado e actuante olhando preferencialmente para […] os que vivem nas periferias da sociedade, de que fala o Papa Francisco.
Gritou-se na Faculdade de Direito de Lisboa «Viva o Papa!». Receei que o professor puxasse do terço. O doutor Mário Soares há-de ter gostado.
[...] Confio nas portuguesas e nos portugueses.


22h34 [António Costa, primeiro-ministro, não disfarçando o regozijo pela eleição de Marcelo]— Quero formular votos sinceros — Nunca António Costa terá sido tão sincero. — dos maiores sucessos no exercício do mandato que hoje lhe foi conferido pelas portuguesas e pelos portugueses. [...] Ao Presidente da República ora eleito quero reafirmar o compromisso da máxima lealdade e plena cooperação inchtucional.
22h35 [O doutor António Costa, num desconchavo grave e insultuoso]— Quero congratular-me muito em especial pelo facto de, ao contrário do que vem acontecendo em outros países europeus, os portugueses terem rejeitado claramente as candidaturas populistas e que se apresentavam como sendo anti-sistema, o que revela uma saudável confiança de que é no quadro democrático e só no quadro democrático que encontramos respostas para as ansiedades, os desgostos e os problemas que temos pela frente [...]
'candidaturas populistas' ainda é o menos; no fundo, todas têm disso. Agora, 'anti-sistema', fora do quadro democrático?! A quais, destas 10 pessoas, se referia? Que candidaturas, das 10, se «apresentavam» em tais preparos? A República Portuguesa deverá exigir à presuntiva limpidez e frontalidade democráticas deste primeiro-ministro que diga de quem falava.  
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* Mentira, mentira. É consultar a história. Desde o bambúrrio de 4 de Outubro, que fica a dever a Ricardo Salgado [deixem-me imaginar como estaria hoje o BE, não fosse a tranquibérnia do BES], o Bloco de Esquerda anda numa BEbedeira pegada. Nem para administrar um pequeno condomínio confiaria nesta BEatífica, arrogante e alucinada gente. 

** «[...]
Tal como Marisa Matias, (Marcelo Rebelo de Sousa) elogiou a democracia e os “oponentes” (substantivo deselegante) que o elegeram.
[...]»
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Insisto: o resultado destas presidenciais só poderá ser tomado por correcto e definitivo depois de dilucidado o escrutínio da mirabolante secção de voto n.º 27 da União das Freguesias de Santa Iria de Azóia, São João da Talha e Bobadela.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Mesa 27

Votaram 529 das 1044 pessoas inscritas*; 9 em branco, 7 de modo nulo.

Queira por favor observar o quadro de que antecipo três factos surpreendentes:
- a vitória estratosférica de Maria de Belém, com 45,9% dos votos;
- o retumbante 3.º lugar de Vitorino Silva, 13,0%;
- o resultado ultravexatório de Marcelo, 1,7%.

Levei cinco minutos a encontrar uma explicação tecnicamente razoável para o sucedido, que me dispenso de revelar aqui.
Ao fim de outros cinco, descobri a razão antropológica que, a meu ver, explica tudo:
secretariada por uma "Parola", com um escrutinador que tem "Dias" e outro que não bastando ser "Calhas" permanece "Calado", tudo seria de esperar da mirabolante Secção de voto n.º 27 da União das Freguesias de Santa Iria de Azóia, São João da Talha e Bobadela.

Ou seja, o escrutínio das presidenciais está falseado. Eu, se mandasse, determinaria imediatamente a repetição do acto eleitoral e previno desde já que, se forem repetidas, voltarei, consciente e inconsequente, a pôr a cruzinha na letra V.
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* Marisa Matias diria pessoas e pessoos...

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Se a gente já não se vir

Urge que o governo Costa & Centeno, com que embarcámos em 26.Nov.2015 no "tempo novo" e nos restituiu agora os quatro dias de festa confiscados, diligencie quanto antes o dispositivo legal — conchtucional por ora não pode porque precisaria de dois terços e nem o que Marcelo reza ajudaria — que dissipe de vez a seguinte questão social fracturante: 
A partir de quando não é demasiado cedo — se já não nos virmos — e até quando não é demasiado tarde — ainda não nos vimos — para desejar bom ano?
A partir de 15 de Dezembro e até 10 de Janeiro?
A partir de 1 de Outubro, que é quando o Natal está à porta, e até 31 de Março?
A partir de 1 de Julho, que é quando falta pouco para o Natal estar à porta, e até 30 de Junho?
Mal é que a joint venture Catarina & Jerónimo não aprove, ela em nome da alegria e da felicidade, ele dos trabalhadores e do povo.
Isto, sem prejuízo do que o doutor Miguel Tamen não tardará a ensinar sobre "a tempestiva pertinência dos cumprimentos, saudações, desejos e votos".

É pois com a supra-enunciada incerteza metafísica, que me dilacera a cidadania, que venho desejar ao paciente leitor, se ainda nos não vimos, um excelente 2015 e anteriores, e, se já não nos virmos, um óptimo 2017 e seguintes.
E um feliz Natal para todos, todas e tudo.
__________________________________    
O quê? Esqueci-me de 2016 e da pacienta leitora?
Tenham paciência mas o departamento de bissextos não é aqui e não me chamo Marisa Matias.

Leituras de fim-de-semana

«[…]
É tempo de completar o bem-sucedido quadro de cooperação política e económica da CPLP com a afirmação de um pilar de cidadania, essencial para consolidar este espaço em percursos de vida, partilha de letras e de sonoridades, que uma comunidade de língua veicula. 
[…]
Em 1974, Sérgio Godinho, cantou que "a sede de uma espera só se estanca na torrente". Depois destes brutais anos de austeridade, temos de gerir com inteligência a torrente, transformando a sua força em energia e progressivamente ir alargando as margens, aplacando a velocidade a que corre o caudal, permitindo navegação tranquila e com rumo certo.»

bem-sucedido? pilar? cidadania? pilar de cidadania? consolidação do espaço em percursos de vida? partilha de letras letras? — e de sonoridades? [e o jindungo, pá?] E a Guiné Equatorial? De que fala exactamente Costa?
O verso de Sérgio Godinho é da cantiga "Liberdade", do álbum "À queima roupa" gravado no seguimento do 25 de Abril.
De que concreto tempo antigo, com que extensão e discriminados tormentos, pretende António Costa libertar Portugal? Que ideia faz António Costa de uma torrente? gerir a torrente? alargando as margens? Que margens? Pode elucidar-nos sobre a navegabilidade das torrentes? Mais ainda, sobre a navegação tranquila numa torrente? Está na cara que o doutor Costa confunde corrente com torrente. Nisso, no charivari silábico, ele é, façamos-lhe justiça, insuperável.
A gente sabe: fica sempre bem trazer um Zeca ou um Sérgio ao discurso político esquerdalho ... nem que para salvar o efeito se force a fazer de rio a enxurrada .  
Enfim, conversa de chacha, tontice, demagogia. 

- x -
«[...]
Desejo a tod@s um feliz e suculento ano de 2016.»
A doutora — Marta Crawford, "O suco da essência", Notícias Magazine, 03.Jan.2016 — a chapinhar no ridículo do fervor em manobras politicamente correctas, aprendidas no sistema educativo em que, por exemplo e entre milhões de psitacídeos do género, a pastorinha do venerando Boaventura também aprendeu. A propósito,

«[…] 
Expresso- Há pela primeira vez duas candidatas a Belém. É a evolução da sociedade portuguesa? 
Marisa Matias- Não é evolução: é um enorme reflexo do nosso atraso. Em 40 anos de democracia só tivemos uma candidata — maravilhosa candidata, Maria de Lourdes Pintasilgo. 
[…]» 

Relampejam de esplendor as celestiais cintilâncias sempre que uma BEata chama maravilhosa a uma beata, ainda que a candidata Pintasilgo se tenha extinguido com 7,38%  no dia 26 de Janeiro de 1986, vivia a maravilhada pastorinha em alcouce, peço perdão, em Alcouce e ia fazer 10 anos...  

- x -

«[...]
AT-T—  Em 2016, vai editar algum disco?
MJV—  Desde há dois anos, tenho composto, por razões pessoais, canções românticas e apetece-me mesmo fazer um interregno. Será um disco de canções sentimentais, para descansar do labiríntico zigurate caralhiforme que erigi.
[...]»
Assim é que é falar.