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quarta-feira, 26 de maio de 2021

Mexer na tropa

Continuo a achar que a farda militar não é a roupa mais bonita com que o homo sapiens sapiens se pode apresentar; continuo a repudiar exércitos; continuo a encarar a necessidade de tropa entre os factos menos nobilitantes da civilização

Na inviabilidade de, por ora, se extinguirem as Forças Armadas, não tenho nada contra a reforma por que João Gomes Cravinho está a dar a cara. Venho acompanhando a controvérsia.
Não dou para o peditório da canonização de Ramalho Eanes nem de militar nenhum.
Detesto Cavaco Silva.  
Pese os interesses político-partidários que protagoniza e serve há muitos anos, confesso admiração bissexta por Ângelo Correia. Assim é que, salvo na parte em que enaltece o bronco de Boliqueime e sobretudo na parte boçal do onteontem*, aprecio a razoabilidade do que, contra as hostes instaladas castrenses, AC disse a Ana Sofia Cardoso, fez ontem uma semana, a respeito da reforma em causa.  
________________________________
* «[...]
Eu tenho muito respeito por Cavaco Silva. Grande primeiro-ministro, presidente da República. Nós todos temos o dever** de lhe dar respeito e prestar respeito. Olhe, numa entrevista que dei ao Público, onteontem, disse o melhor possível dele. Mas assim como nós temos a obrigação de respeitar o professor Cavaco e de o estimar, ele também tem de fazer um pequeno esforço para se ajudar a ele próprio, que é estar calado quando não sabe do que está a falar. E portanto, neste caso, não tem qualquer sentido táctico, nem técnico, nem político; palavras de uma pessoa que nesta área não sabe nada.
[...]»

** A propósito, ó Amílcar, já cumpriste ...?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Rescaldo dum serão eleitoral

um lustro certo depois deste.

Domingo, 24.Jan.2021 - Eleições presidenciais 

«Agradeço, do coração, a militantes do Volt e a tantos e tantos cidadãos e cidadãs independentes que trabalharam para eu estar hoje aqui. A minha candidatura fez-se, desde a primeira hora, do empenhamento de milhares de socialistashomens e mulheres, mais velhos e jovens, que de norte a sul, da beira às regiões autónomas dos Açores e da Madeira me apoiaram e ajudaram decisivamente a aqui chegar hoje. A todas e todos, eles e elas, o meu fraternal reconhecimento, com especial destaque para os membros do governo, os deputados e deputadas, os autarcas que deram a cara e estiveram ao meu lado.»
Mandariam a congruência linguística e as melhores práticas que tivesse dito «tantas e tantos», «socialistas e socialistos»,  «membras e membros», «as autarcas e os autarcos», «a cara e o focinho».

A glória inoxidável da derrota
«Estou convencido de que Ana Gomes fica 2% à frente de André Ventura quando encerrarmos as votações.»

«O resultado não é o que eu desejava. Não é o que mereciam as pessoas que me acompanharam, que me deram força e que estiveram comigo. Este resultado não é também uma falta de comparência. Hoje como ontem, amanhã como hoje cá estarei para todas as lutas, para ganhar e para perder como fiz sempre e como faz toda a minha gente.»

«A Marisa Matias foi a candidata que fez o discurso claro contra o racismo e a xenofobia. Foi a candidata que fez o discurso claro em nome da igualdade e contra a violência contra as mulheres num país onde tristemente as mulheres são assassinadas quase uma por semana em tantos dos anos*. Essa coragem da Marisa Matias inspira muita gente, inspira-me a mim seguramente e estou-lhe muito grata. As noites eleitorais, umas são melhores, outras são piores, mas há uma coisa que nós sabemos: é a firmeza daquilo em que acreditamos e a justeza daquilo em que acreditamos que abre caminhos para o dia seguinte. E é isso que faz a Marisa, abrir caminhos, fazer pontes** muito para lá de qualquer resultado. A Marisa estava cá antes do dia antes das eleições a fazer a luta dos cuidadores informais, a fazer a luta do Serviço Nacional de Saúde, a fazer a luta pelos direitos de quem trabalha, a fazer a luta pelo bem-estar animal***, a fazer a luta pela igualdade por inteiro sem pôr nenhuma luta em lista de espera. A Marisa é essa força grande pela dignidade e por um país melhor e eu tenho o enorme privilégio de saber que vamos continuar a lutar as duas juntas já amanhã.»
[Olh'o Luís Oriola! Pensava que só trabalhasse para o Estado. Afinal, é geringôncico.]
Aqui chegado, convido o paciente freguês do Chove a deter-se por segundos nestes dois instantâneos da ágape coimbrã do Bloco de Esquerda festejando e agradecendo à pastorinha do bonzo de Coimbra a vantagem heróica de 1,01% sobre os 2,94% obtidos pelo probo calceteiro de Rans em quem repeti o meu voto de 2016. É da minha vista, perdão, é do meu ouvido ou vai por ali  uma desavença insanável entre os intérpretes de língua gestual? Quando uma aponta para cima a outra aponta para baixo, quando o Oriola ergue a mão ela baixa-a... Em que ficamos? Que dizem, afinal, Marisa e Catarina? Não nos baralhem a surdez, porra, entendam-se!  

* Catarina a esticar-se, fervor em manobras. A própria Marisa não vai tão longe:
«[...] A eurodeputada lembrou os números: a cada semana uma mulher é assassinada ou vítima de tentativa de homicídio [...] Um a um, Marisa Matias leu o nome das mulheres assassinadas em Portugal em 2020. Leu 27 nomes [...]»
Ora bem. Nos últimos 17 anos, de 2004 a 2020, foram assassinadas 561 mulheres em Portugal, em contexto familiar violento. Como recomendava o outro, é fazer a conta.
Esta gente não poupa esforços, raiando a manipulação e a mentira, para ajustar os factos ao seu evangelho.
Não precisaria de o dizer: um assassínio que fosse seria demais. 

** E consertar autoclismos? Estou a precisar. 

*** Estava a ver que não, béu-béu, miau.

Minhas adoradas filhas, que tencionavam votar em Marisa Matias — quem sai aos seus... — e à última hora se inclinaram para Ana Gomes, não fosse o «fascista-racista-xenófobo» ficar em 2.º:
- Pai, porque dizes tão mal do Bloco de Esquerda?
Porque o Bloco de Esquerda não presta, filhas. E ai de nós quando prestar ou precisarmos de que preste antes de, como determina a ordem natural das coisas, se extinguir. O BE dá-me ares de confraria religiosa de meninos-bem, arrogante, perigosa e meio tonta.
Senão, vejam:

Quinta-feira, 29.Out.2015
No quadro, citando Eduardo Cabrita, da derrota de António Costa nas legislativas de 04.Out.2015 e da urdidura, por esses dias em curso, do entendimento PS-PCP-BE que Paulo Portas, adaptando metáfora de Vasco Pulido Valente no Público de 31.Ago.2014, crismaria de «geringonça», Mariana Mortágua, a deputada-estrela que deve a BEatificação a Ricardo Salgado, veio à Bobadela para «falar das nossas vidas» pós-PàF e do paraíso celeste [não é redundante, Plúvio?] que se adivinhava.
Fui assistir para tomar o pulso à coisa.  
MM chegou num carro velho conduzido por uma rapariga que se pôs tão perto de mim que me foi impossível não reparar no "wallpaper" da ardósia que ia consultando e manteve aberta durante toda a sessão: o carão intimidante deste teólogo prussiano. Mulher de muita fé, a chofer de Mariana.
MM entrou e disse «Boa noite a todas e a todos» num momento em que ainda só havia uma mulher na audiência. Se o ridículo matasse...
No meio da conversa, um camarada, decerto dos ingénuos e puros que há sempre nestes núcleos locais, sensível ao inchaço populoso do parlamento, interpelou:
- Ó Mariana, o Bloco tem alguma proposta no sentido de reduzir o número de deputados na Assembleia da República, como prevê a Constituição 
Mariana Mortágua ia fuzilando o rapaz com o olhar:
- De todo, não! Há estudos acerca da eficiência dos parlamentos europeus que mostram que... 
Como a entendo, parva é que esta Mortágua não é. À saída troquei com ela um aceno. Tem um sorriso bonito. 
Por mim, fiquei faladoconversado.    

BEm-vinda, BEm-vindo, BEm-vindas, BEm-vindos
Se esta gente, a minha gente de Marisa, um dia mandasse — por enquanto não manda em nada, felizmente; nem uma, uminha, das 3092 freguesias do país se deixa governar por esta gente; **** sim, sei de Salvaterra de Magos —, imagine-se a desgraça nas tesourarias e a perturbação da paz social de todos estes rudes e retrógrados sítios e entidades, a remodelar placas e a reconformar a linguagem para os pôr consonantes com o asseio da "ideologia de género".  
Lembro-me sempre da solução picaresca e ridícula que o PS engendrou — et voilà, «género» — para sossego canónico das Isabéis Moreiras,  Catarinas Marcelinos, Tiagos Barbosas Ribeiros, Elzas Pais, Joões Galambas, Edites Estrelas, Pedros Nunos Santos, Sónias Fertuzinhos,  Pedros Delgados Alves, Marias Antónias de Almeidas Santos, Marias Begonhas e Duartes Cordeiros desta vida, no XXI Congresso, em Junho de 2016: Bem-Vindo por uma porta, Bem-Vinda por outra.


Não desgostei do discurso do presidente
No da eleição, em 24.Jan.2016, Marcelo falou durante 16 minutos. Começou por «Portuguesas e portugueses ...» e foi por aí fora, cedendo sempre ao código ridículo do politicamente correcto. Terminou com palmas e hino nacional.
No da reeleição, em 24.Jan.2021, falou durante 17 minutos. Começou por escorreito «Portugueses ...», cedendo aqui e ali, mas pouco, à novilíngua dos devotos. Esteve sério. Terminou sem aplauso nem hino. Muito bem.
«[...] Portugal que, como escrevia o saudoso Eduardo Lourençoé uma nação piquena que foi maior do que os deuses em geral permitem. Tenho a exacta consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco. [...]»
foi onde borrou a escrita. Mas alguém tem exacta consciência? Como pode ser exacta a coisa menos exacta do mundo? Forte, firme, convicta, enraizada, vá que não vá. Mas exacta? Livrem-nos os deuses de consciências que tais, sem esquecer nunca as consciências tranquilas.
Já o «piquena», nada de muito grave, é da filogénese de Cascais, cercado das tias e dondocas de que nunca se livrará.

A propósito de Cascais, onde Marcelo Rebelo de Sousa mora há séculos, sempre me pareceu palhaçada e afronta grosseira da morigeração cívica que continue recenseado numa vilória minhota aonde se desloca para votar, sob pretexto de ali ter sido autarca [autarca volante e volátil...] e dali serem naturais familiares antigos que muito prezava e quer homenagear. Olha se o exemplo pega... Até eu tenho ancestrais na Etiópia a quem devo muitíssimo.
Li isto no Nascer do Sol, li isto e depois isto no blogue do professor Vital Moreira, mas continuo a achar que faz falta um jornalista de voz grossa, testículos negros ou ovários valentes, que frente às câmaras em horário nobre convoque nos olhos o nosso arlequim
- Senhor presidente, não lhe parece insolência ou insulto aos cidadãos, que fazemos por cumprir as regras, essa farsa de, residindo em Cascais, votar em Celorico de Basto?

A despropósito, mas apetece-me,
«A resposta certa é Marcelo Rebelo de Sousa. [...] O Marcelo é em geral uma boa fonte [...] Eu não estava à espera, no caso de Marcelo Rebelo de Sousa, de uma espécie qualquer de lealdade porque não é o forte dele. Eu costumo dizer que ele é filho de Deus e do Diabo. Deus deu-lhe a inteligência, o Diabo deu-lhe a maldade. [...]»

Coda
De eleição para eleição recorre o mito de que, por falta de limpeza nos cadernos de recenseamento, há mortos que votam. Se calhar há.
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**** «[...] Sabemos que temos muito a aprender ainda no trabalho autárquico, e muito a fazer. [...]
Mais eleitos e eleitas em todo o país [...] O Bloco de Esquerda tem acrescidas responsabilidades depois destas eleições autárquicas. [...] Há alguns indicadores dessa crescente responsabilidade. Aproveito para vos dizer — soube mesmo antes de vir para aqui — que o Bloco de Esquerda ganhou uma freguesia em Braga e portanto as responsabilidades do Bloco de Esquerda vão sendo crescentes em mais sítios do país.» - Catarina Martins, 01.Out.2017
Ejaculação precoce, não ganhou freguesia nenhuma. Como digo e redigo, fervor em manobras.

sábado, 26 de outubro de 2019

Não confundam o futuro, bolas!

António Costa, Primeiro-Ministro, pelo meio dia de hoje, no Palácio da Ajuda:
«O futuro não começa amanhã. O futuro é já agora, é já hoje.»

Então o futuro não tinha começado em 25 de Abril de 2008 no Palácio de São Bento, foda-se?
«O futuro começa agora.»
Aníbal Cavaco Silva

Em que ficamos, afinal?
«A hora ainda muda este domingo. No futuro logo se vê.»
JN, 26.Out.2019

Enfim.
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Mãos à obra.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A comissão dos arquitetos e o clarinete

Entre os 1060 comissários de honra de Medina2017, de que conheço 360, avultam com maior representação por mester
72 arquitetos, nenhum arquitecto,
55 empresários,
45 advogados,
33 jornalistas,
28 atrizes, nenhuma actriz,
26 actores e um ator [Hélder Gamboa],
26 músicos, dos propriamente ditos,
19 fadistas,
18 deputados e ex-deputados, nenhum ministro,
12 cozinheiros.

Ademais,
nenhum padre ou bispo, mas dois abades [Agostinho e Tiago],
um enrabador notório, no T,   
um ladrão rasca, sim, rasca, no T,
nenhum jovem da Cova da Moura, talvez para desgosto de Joana Gorjão Henriques, Valentina Marcelino e Fernanda Câncio [tenho quase aprontado um exaustivo e explosivo estudo, ahahah, que logo publicarei].

Vai para 40 anos que me entretenho a perscrutar listas de "comissões de honra" nos processos eleitorais.
Por exemplo, é todo um tratado de hermenêutica antropológica adivinhar e distinguir os que apoiam Fernando Medina para que ganhe dos que apoiam Fernando Medina porque vai ganhar. Alguns destes, parasitas e oportunistas de turno, fedem que tresandam.

Exercício divertido, salutar e edificante é igualmente o de, mais um exemplo, reconhecer os comissários de honra comuns à presente campanha de Medina e, seis anos atrás, à campanha de recandidatura de Cavaco Silva, a começar, significativamente, pelo primeiro nome da ordem alfabética...

Por exemplo ainda, sendo óbvio que não causa nem poderá causar a menor estranheza a não comparência de Alberto Gonçalves entre os apoiantes de Medina, confesso que ainda hoje me desconcerta revisitar o seu nome na Comissão de Honra de um bronco de Boliqueime.

Nenhum dos candidatos a Lisboa me suscita a menor simpatia e detesto especialmente o esfíngico e videirinho alMedina.
É também por isso que no próximo domingo vou votar com redobrado gosto na projecção do concelho em que resido «como Capital do Clarinete». Na CDU, pois então.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Em família, no reino dos justos

Manuel Dias Loureiro comove pedregulhos:
«[...]
Hoje se puder ainda vou dar festinhas e beijinhos aos meus netos. Amanhã se puder farei o mesmo. Hoje ainda terei oportunidade de dar atenção e carinho à minha mãe, à minha mulher, às minhas filhas, aos meus irmãos e a alguns amigos. Amanhã farei o mesmo.
[...]»

Daniel Proença de Carvalho, advogado pessoal do doutor Dias Loureiro, é presidente do conselho de administração do "Global Media Group", dono do Diário de Notícias; Paulo Tavares, director-adjunto do Diário de Notícias.
Manuel Dias Loureiro, apaniguado de José Sócrates, é afinal um santo; os companheiros de Dias Loureiro, uma confraria de bondade.

Mundo malvado e sádico! O diabo tomou conta dos tribunais. Quem nos livra da Justiça?
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quinta-feira, 9 de março de 2017

A imagem do presidente-arlequim, todos + as mulheres, Deus-pátria-família

«Não me preocupa minimamente como é que os portugueses vão pensar em mim nem estou preocupado em querer à força trabalhar para uma imagem minha a seguir ao fim do mandato.»

Só distraídos ou estultos podem levar à letra este sujeito inteligente, talentoso, esperto, azougado e pantomineiro que aos portugueses, portuguesas incluídas, adregou terem por presidente a seguir a um bronco algarvio.
Quem disse aquilo em Braga ainda não tinha um ano de presidente, que se completa hoje, e já estava a celebrar-se no que porventura mais o move: a própria imagem
Álbum catita, "Um ano depois", 149 fotografias de estalo. Quantos álbuns até ao fim do mandato?... 
Marcelo tem dois fotógrafos ao serviço, pagos pela nação, a fixar-lhe a imagem a cada minuto em que respira, a cada minuto em que se mexe. E como ele se mexe!
Tenho acompanhado e chega a fazer-me rir, mais bem dito e com respeito-cidadão, comover o corrupio em que o amigo Rui Ochôa  se esfalfa a registar a andança frenética do presidente. Corre, Ochôa, corre!
Marcelo vai a tudo, está em todas; este, não tarda, perderá o estatuto. Um presidente, por assim dizer, mimético e total. Presidente tão totalmente voraz que não lhe bastando sê-lo dos 10 milhões de portugueses adoptou a escola oratória do Bloco de Esquerda para sê-lo em acréscimo dos 5 milhões de portuguesas:
«O Presidente da República aqui está para vos dizer em nome de todas e todos os portugueses da nossa homenagem, do nosso respeito, da nossa gratidão.» - Em Castelo de Paiva, 04.Mar.2017
Um módico de gramática e uma aritmética de ouvido sobram para perceber que «todos e todas» é um disparate ridículo
Sim, eu sei — não é essa, Plúvio! — que o despotismo do género excitado é mais custoso de contrariar do que a órbita de Plutão.

Também me propunha falar de Deus-pátria-família na terra do presidente-arlequim, mas tenho de ir à famácia antes de que feche. Ademais, seria muito feio rir-me na comemoração da desgraça.

Viver em Portugal continua um privilégio manso. Sorte a minha.

quarta-feira, 1 de março de 2017

A grandeza áscia de Aníbal António Cavaco Silva e os colhões ectópicos de João Pedro Matos Fernandes

«[...]
Mas não foi isso o que verdadeiramente me arrepiou nas notícias e imagens do lançamento do livro do Professor. Outra coisa eu não esperava dele nem do seu livro. O que me impressionou e arrepiou foi uma visão que diz tudo sobre quem foi e quem é este homem. Após mais de vinte anos na vida política e nos mais altos postos dela, tendo fatalmente conhecido não só vários grandes do mundo mas também toda uma geração de portugueses da política, da cultura, do empresariado, das universidades, etc., quem é que Cavaco Silva tinha a escutá-lo no seu lançamento? A sua corte de sempre, tirando os que estão a contas com a Justiça. Os mesmos de sempre — Leonor Beleza e o que resta da sua facção fiel no PSD. Mais ninguém. Nem um socialista, nem um comunista, nem um escritor, um actor, um arquitecto, um músico reconhecido. Nada poderia ilustrar melhor o que foi e é o pequeno mundo de Cavaco Silva. Ele que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá.
[…]
Foi assim, por exemplo, que nasceu uma cidade clandestina, com igreja e tudo, no Portinho da Arrábida. Mas, felizmente para nós todos, que somos donos do domínio público, havia então um ministro do Ambiente (Carlos Pimenta)que, ao contrário do actual, os tinha no sítio** e fez a única coisa que um Estado de direito pode fazer quando ocupam a sua propriedade e a propriedade de todos: mandou aquilo abaixo.
[…]»
___________________________________________
Na terceira república portuguesa, não contando com os seis governos provisórios de 1974 a 1976, o ambiente só ganhou dignidade ministerial no XI Governo Constitucional [Ago.1987-Out.1991], de Aníbal Cavaco Silva, na altura ainda com designação, e missão alargada, de Ministério do Ambiente e Recursos Naturais, de que foi primeiro titular Fernando Real que por acaso de berço nascera onde Francisco Sá Carneiro houve de, 58 anos depois, morrer por acidente de avioneta
O primeiro Ministério do Ambiente, sem mais, chefiado por Elisa Ferreira, surgiria no XIII Governo Constitucional [1995-1999], de António Guterres. 
Carlos Pimenta assumiu funções governativas no IX Governo Constitucional [Jun.1983-Nov.1985], dito «do bloco central», de Mário Soares/Mota Pinto/Rui Machete, em que foi Secretário de Estado do Ambiente, de Jun.1983 a Fev.1985, na dependência do Ministro da Qualidade de Vida, António Capucho, e Secretário de Estado das Pescas, de Fev.1985 a Nov.1985, na dependência do Ministro do Mar, José de Almeida Serra.
No X Governo Constitucional [Nov.1985-Ago.1987], de Aníbal Cavaco Silva, Carlos Pimenta foi Secretário de Estado do Ambiente e Recursos Naturais, na dependência do Ministro do Plano e Administração do Território, Luís Valente de Oliveira.
Para que não me tributem a memória, declaro que todos estes pluviosos saberes me chovem daqui.

** Donde, ao contrário do ministro João Pedro Matos Fernandes, Carlos Pimenta foi um governante de tomates. Como diz o povo, um verdadeiro macho ortorquíaco. [Do grego orthós + órkhis]

Ainda Miguel Sousa Tavares [MST]:
«[…] Isso permite que os ocupantes venham agora invocar o “usucapião” *** da ilegalidade e o que o notável António Pina, presidente da Câmara de Olhão e um dos felizes “proprietários” de uma casa de férias no domínio público da Ria Formosa, tenha o supremo desplante de declarar que as ocupações são “uma conquista do 25 de Abril”! Ah, pobre 25 de Abril: de facto, tu serves para tudo! […]»
*** Eu digo e defendo a usucapião não ignorando os dicionariastas mais acomodadiços que caucionam o masculino.

Com a razia de revisores na imprensa e nos media em geral, quem nos protege da asneira e da degenerescência da língua?
Já que estou com a mão na massa, apetecem-me uns quinaus ao Miguel Sousa Tavares, jurista, escritor, entre os bons analistas da política, que tem voz grossa, costas largas e especiais deveres de ofício, mas também ele um desprotegido, por poupança na revisão, no jornal do avaro doutor Pinto Balsemão.
MST usa escrever rentabilizar, um sms ou preferir antes (uma coisa a outra). Lá com ele
Inaceitáveis e enxovalhantes são dislates como os que passo a ilustrar em oito amostras da sua coluna semanal no Expresso na qual, sei, MST se aplica com redobrados cuidados de rigor nos factos e esmero na língua:

11.Abr.2015, "O que vai passando" - «basta atentar no caso que despoletou  este assunto». [espoletou este assunto]

09.Jan.2016, "Marcelo e os outros" - «A grande notícia destas presidenciais é a de que vamos finalmente vermo-nos livres do casal Aníbal/Maria Cavaco Silva.» [vamos ... ver-nos]

19.Mar.2016, "A política contada aos adultos" - «Podemos sempre consolarmo-nos com isto». [Podemos ... consolar-nos]  

04.Jun.2016, "Porque é que as 35 horas são uma provocação" - «Porém e sobre pressão dos seus parceiros de malabarismo e dos sindicatos da Função Pública». [sob pressão]

24.Set.2016, "Várias mentiras e um imposto" - «Trata-se de pura e simples ideologia, fundada na célebre frase de Engels ("toda a propriedade é um roubo"), pela qual passaram mais de cem anos, dezenas de nações arruinadas e milhões de seres humanos condenados à fome e à miséria.»
"O que é a propriedade?", Proudhon - Editorial Estampa, 2.ª edição, 1975, página 11:
A propriedade é um roubo. Original em francês, publicado em 1840, pelo que MST poderia dizer, com acrescida propriedade, «pela qual passaram 176 anos». 
Engels, doutor Sousa Tavares!? Essa é de cabo de esquadra. O Expresso não veio corrigir na semana seguinte e assim se dissemina o disparate pelos séculos fora.

05.Nov.2016, "A loucura dos povos" - «salvo-conduto para os mandatos de captura internacional pendentes sobre a sua lusa pessoa.» [mandados de captura]

07.Jan.2017, "Um novo ano. Apenas isso" - «é difícil, senão impossível, virar os números do avesso». [se não impossível]

04.Fev.2017, "Justiça à portuguesa" -  «lá se abriram dois processos: um, disciplinar, e outro, a pedido do próprio José Sócrates, criminal. O primeiro, a cargo do Conselho Superior do Ministério Público, terminou com a inevitável absolvição do seu par, com o fundamento de que as suas declarações tinham sido proferidas “num contexto de tensão verbal muito excessiva”.» [tensão verbal muito expressiva].

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Acordo Ortográfico [107]

«[...] Nada obrigava o Presidente Cavaco Silva (que, não há dúvida, morre de amores pelo AO/90, que mandou negociar) a aplicá-lo nos Serviços presidenciais [...]»

«[...] Se alguns consideram que a vigência do Acordo em Portugal é inconstitucional (no Brasil esta questão não se coloca), cabe aos defensores dessa tese provocar o exame da matéria nas instâncias. [...]»


«[...] Artur Anselmo acha que há “coisas incompreensíveis e inaceitáveis” no Acordo Ortográfico e lembra a um presidente de “afectos” que não “não há afecto mais forte do que o da língua”. [...]»

«[...] Para vigorar (de jure), impunha a unanimidade de aprovações finais dos sete Países signatários. [...]»

«[...] Chamem-lhe poligrafia, multigrafia, plurigrafia, arbitriografia, o que quiserem. Ortografia é que não. [...]»


«[...] Alterem lá o que vem na capa: em vez de “sétima revisão”, como foi impresso, ponham “oitava revisão”. Clandestina, como o Alien. [...]»


Este constitucionalista, presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal, afirma-se não linguista nem especialista da língua portuguesa.
Nota-se. 
«[…]
Aquilo que sempre me pareceu óbvio, a despeito de poucos o referirem, é o facto de com o Acordo Ortográfico de 1990 o alfabeto português passar a ter 26 letras, e não apenas 23: o k, o w e o y, estas letras até agora tecnicamente não pertencendo ao português (e só excecionalmente admitidas em nomes estrangeiros) e que só por causa deste acordo lograram ter esse reconhecimento.
[…]
com a mediatização e a globalização do discurso tudo mudou, com o progressivo domínio do código oral sobre o código escrito: por isso, é muito boa ideia não escrever letras que não se pronunciam, até por uma razão de economia de esforços…
[…]»
É de supor que, por economia de esforços, Jorge Bacelar Gouveia só sinta o que palpa e não espantará que apareça um destes dias a liderar a Fundaçãw para o Progressivo Domínyo do Kódigo Grunhido sobre os demais códigos, abrangendo, por economia de esforços e para libertação das prateleiras, todos os de Direito em que, diversamente de na língua portuguesa, se mostra mestre e especialista.
 

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* O Expresso fez ao Faustino a maldade de o pôr a escrever em novortografês: adotado, atuais. Não se faz, é muito feio.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Não se brinca com a tropa nem se acirra o lóbi guei

Depois de em apenas 35 dias de consulado ter intervindo em todos os azimutes, do Vaticano ao Barreiro, ter estado em todos os velórios, patrocinado todos os acontecimentos políticos, económico-financeiros, culturais, sociais, religiosos, desportivos, recreativos — talvez falte uma corrida de toiros… —, ter sentenciado e botado faladura sobre tudo e mais um par de botas [botado botas?], eis que o nosso presidente-arlequim aos costumes diz nada.
Pudera! Sabido, cartilagíneo e flutuante como ninguém, ia lá Marcelo alguma vez opinar publicamente contra ou tão-só desalinhado dos que verdadeiramente determinam a engrenagem e timonam a opinião e a comunicação de massas? Marcelo tudo fez e fará para ganhar e se manter nas boas graças do futebol, da religião, de Cristina Ferreira, da maçonaria, do jugular, dos prosélitos e sequazes de todas as confrarias do politicamente correcto, da paneleiragem e do fufedo, que são quem condiciona o episódio  em causa, organizados com perpétuo «orgulho» — assim falam, assim se proclamam — sob o diktat incontrariável [banido da sanidade social quem se atreva] de presuntiva superioridade antropológica ó Plúvio e se te calasses já que o presidente se calou?
Marcelo Rebelo de Sousa é um incontinente frenético estonteante; tonto, jamais. Mas, não tarda, terá O Eixo do Mal a pedir-lhe gravitas
Não, não tenho saudades de Cavaco; muito menos de Mário Soares.
Ai de mim.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Jerónimo responde correspondentemente a Cavaco

«[...]
esta nova tentativa de Cavaco Silva para procurar subverter a Constituição da República terá da parte dos trabalhadores e do povo a resposta democrática que lhe corresponda.
[...]»

Que resposta democrática correspondente será?
Vamos que o povo responde e os trabalhadores não?
E se forem só os trabalhadores a responder? Temos a burra nas couves.
Enfim, isto sou eu a delirar porque natural é que os trabalhadores não façam nada sem que, por ordem do PCP, o povo se lhes junte. E vice-versa reciprocamente ao contrário, mutatis mutandis.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sejamos claros

Citando Clara Ferreira Alves apenas na parte em que não tenho qualquer dúvida, não tenho qualquer dúvida de que
dois! [idem]- Ferro Rodrigues deve a Cavaco Silva a eleição à primeira volta para a presidência da Assembleia da República.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Acordo Ortográfico [94]

O "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa" foi assinado em Lisboa a 16 de Dezembro de 1990, domingo,  dia de Santa Adelaide, por representantes dos, na altura, sete países de língua oficial portuguesa. Em nome de Portugal, rubricou Pedro Santana Lopes, secretário de Estado da Cultura do 2.º governo de Cavaco Silva:
Enquadramento jurídico subsequente:

- Afinal, Plúvio, que achais do AO?
- Desnecessário e estúpido; uma bela merda.
- E já agora, Plúvio, que achais dos que com determinação, cúmplices ou por omissão foram impondo ou deixando que se impusesse o mostrengo na ordem jurídica nacional?
- Nhurros, malfeitores da língua e da cultura, passe a redundância. A saber, os principais,

. Deputados da V [1987] à XII [2011] legislaturas . Ei-los em acto de apreço e amor pela língua portuguesa.

. Mário Soares, Presidente da República [PS]
. Jorge Sampaio, Presidente da República [PS]
. Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República [PSD]

. Aníbal Cavaco Silva, Primeiro-Ministro [PSD]
. António Guterres, Primeiro-Ministro [PS]
. Durão Barroso, Primeiro-Ministro [PSD]
. Pedro Santana Lopes, Primeiro-Ministro [PSD]
. José Sócrates, Primeiro-Ministro [PS]
. Pedro Passos Coelho, Primeiro-Ministro [PSD]

Ministros e secretários de Estado da Cultura:
. Pedro Santana Lopes [PSD]
. Manuel Frexes [PSD]
. Manuel Maria Carrilho e Catarina Vaz Pinto [PS]
. José Sasportes [PS]
. Augusto Santos Silva e José Manuel Conde Rodrigues [PS]
. Pedro Roseta e José Amaral Lopes [PSD]
. Maria João Bustorff [PSD]
. Isabel Pires de Lima e Mário Vieira de Carvalho [PS]
. José Pinto Ribeiro e  Paula Fernandes dos Santos [PS]
. Gabriela Canavilhas e Elísio Summavielle [PS]
. Francisco José Viegas [PSD]
. Jorge Barreto Xavier [PSD]

... bem podem limpar as mãos à parede. 
- E agora, Plúvio?
- Danem-se.

sábado, 16 de maio de 2015

"Fátima: a enganar pessoas desde 1917™" *


No dia 13 de Maio de 1967, sábado, chuviscou o dia todo. Paulo VI veio à Cova da Iria [vá, leitor, são só 45 minutos de História] rezar e fazer as representações do costume ante uma boneca descalça de cedro brasileiro e outros ícones. Eu estava no coro [o que nós ensaiámos naquela semana, com trinta milheiros!], ali ao lado do Papa, da irmã Lúcia, de Américo Tomás e de Salazar, honrados e desvanecidos pela presença tão próxima do Plúvio. Na altura ainda acreditava religiosamente naquilo tudo. Difícil era não acreditar, pois se nascera, em 1953, a quatro quilómetros dali, fora intensamente caldeado desde a infância naquela realidade e estudava num seminário de missionários italianos em Fátima de que sairia em 1970, sem vocação e com a fé já a dar de si: outra música [se Júlia não é o nome mais bonito de mulher, qual é ele?] e, sobretudo, a mini-saia da Maria do Céu, que vendia bugigangas religiosas no hotel Pax, faziam muito mais pela minha saúde e pelo meu entusiasmo de viver do que um terabaite de pai-nossos. Sim, a entoação e o timbre igníferos de Ornela Vanoni também ajudaram. Oh adolescência indefesa!
Pelos 17 anos, o ar do tempo fez-me entrar num processo de reflexão crítica — de mim, da vida, do mundo, das coisas, de tudo e de nada — que me tomou conta das vísceras e do metabolismo e não mais parou, sem nunca me arrimar a um emblema [vejo sempre mais o indivíduo pregado nele do que o contrário] ou me conformar a alguma certeza certa, como a de que azeitonas em excesso fazem mal ou a de que o mal-falante, funâmbulo e colérico António Costa será melhor primeiro-ministro do que Passos Coelho, nossa pinícula provação. Uma infelicidade, em suma.
Voltando às aparições na charneca, vi e ouvi muito, conversei com variadas pessoas do sítio, coetâneas e testemunhas do fenómeno [1917] ou próximas; li tudo — continuo a ler —, de João De Marchi a João Ilharco, de Fina d'Armada e Joaquim Fernandes a Mário de Oliveira**, etc.
E no que deu tanta indagação?
Não digo que a experiência e o conhecimento de Fátima, apesar de relativamente extensos, me confiram qualquer autoridade para validar o ponto de vista de Hugo Gonçalves, mas que me animam o pressentimento de que Hugo Gonçalves está certo, ai isso animam. Concordo vivamente com ele e felicito o Diário de Notícias pela publicação do título arrojado. Arrojado, num país enraizadamente mariano, crente e catolicozinho da treta que elegeu por cinco vezes Cavaco Silva, se inebria nas gordas do Correio da Manhã, segue, babado, Cristina Ferreira, idolatra o gatuno de cantigas Tony Carreira, põe Eusébio no Panteão [o meu cadáver podem depositá-lo no contentor verde-escuro, o do lixo orgânico, e levá-lo para a Valorsul - base rítmica empolgante] e venera com unção o discurso e o pensamento de Jorge de Jesus que conferencia trinta minutos por semana em directo para cinco canais de TV que depois repetem trinta vezes até à conferência seguinte.
Acho Fátima uma aldrabice megagaláctica. De um gajo ficar gago ... com tanta fé e tanto dinheiro que jorram por ali. A galinha é de ovos d'oiro e a bispalhada não é burra.
Enfim, 'Marias do céu', as minhas são outras, e 'mães Maria', mádar méri ... létit bi.
Com todo o respeito. Deus me perdoe.
____________________________________
* Certo azeite — aqui não se mencionam marcas, mas não, não é o "Oliveira da Serra" — começou a cantar dois anos depois.

** Mário de Oliveira não se cala; faz bem. Certo que, desacreditando Fátima, crê, todavia, em Jesus Cristo, filho de Deus e da tal senhora mais brilhante que o Sol que o, ups!, O teve por partenogénese, e acredita em Deus, pai de Jesus e parente de não sei quem. É lá consigo, padre Mário.
"Fátima, $.A.", pois.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O melhor candidato e a nóvoa dinâmica de mudança

«[…]
Por mim não tenho dúvidas. Sampaio da Nóvoa não vai cruzar os braços e vai ser o nosso futuro presidente da República. A minha mulher diria "Deus o proteja", mas eu, que não sou religioso, limito-me a pensar que vai ser eleito, como é tão necessário para Portugal.»

Desde a conversa com António José Teixeira na SIC Notícias, em 25.Jun.2011, passando pelo notável discurso no Centro Cultural de Belém, em 10.Jun.2012 [entre os três ou quatro melhores dos últimos 40 "discursos do 10 de Junho", a par — não o esquecerei — do de Jorge de Sena em 1977, na Guarda], que ando de olho no doutor António Sampaio da Nóvoa.

Tudo ouvido, tudo visto, que acho hoje de Sampaio da Nóvoa, na sua eterna barba de cinco dias?
Custa-me dizê-lo, tanto mais que se perfila para suceder, eleito pelo discernimento popular, ao insuperável penoso bípede que temos no palácio desde 2006: Sampaio da Nóvoa afigura-se-me um prolixo cagão culto, com um pensamento helicoidal aparentemente blindado à dúvida e à incerteza humanas.
Ná..., não me convence a aceleração com que afirma tudo.

Ainda há dias [i de 02.Mai.2015], Ana Sá Lopes quis saber:
«- É católico?»
Esperar-se-ia, para uma pergunta simples de duas palavras, uma resposta simples de no máximo, vá lá, até quatro palavras considerando a pontuação, do tipo «Não.», «Sim, sou.», «Não sou.», etc.  
Pois que respondeu o adivinhável futuro presidente de Portugal, país eminentemente católico, e decerto tendo isso em conta?
«Eu tinha uma relação profundíssima com a minha mãe. Já uma vez respondi assim: “Não sei responder a essa pergunta, mas a minha mãe é capaz de responder por mim.” Se ela estivesse cá para responder, seria capaz de responder melhor do que eu sou capaz. Tenho uma dimensão espiritual, religiosa, muito forte na minha vida, mas, como muitos de nós, sou-o à minha maneira. Ainda ontem, depois do anúncio da candidatura, a primeira pessoa a quem falei foi ao prior de Oeiras, que é uma pessoa por quem tenho uma consideração enorme, uma amizade enorme.»
95 palavras, pontuação excluída.*

«- Mas não consegue dizer que é católico?
- Não, não consigo dizer.»

Temos assim que a nóvoa dinâmica de mudança propugnada pelo brilhante académico nos 43 minutos [SIC Notícias, 30.Abr.2015] de conversa com a óptima Ana Lourenço, no dia seguinte ao da apresentação da sua candidatura**, não autoriza a quem se propõe imprimi-la respostas singelas e limpas a perguntas como:
- Prefere Super Bock?
- É contra o Acordo Ortográfico?
- Come a pele da alheira?

Já os religiosos dois, por ora, clips oficiais de candidatura têm uma música de fundo que mais soa a névoa merdíflua do que propriamente a incitamento. Antes o Rão Kyao... 
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* O quê?, foi verificar a minha contagem, leitor desconfiado!? OK, são 96; em rigor, cerca de 94.
** Aqui, o texto na íntegra, com itálicos em pose, para quem prefira ler ou não entenda língua gestual.