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quinta-feira, 25 de maio de 2023

Advogado e suas causas

Mantenho grande e admirativa consideração por Rogério Alves.
Quando ontem ao serão se pronunciou exuberante e convictamente, durante seis minutos e meio na TV, acerca do desaparecimento em 03.Mai.2007 de Madeleine McCann, filha de Kate e de Gerry McCann de quem foi advogado e é amigo, a minha consideração não aumentou.
Já que o advogado não se iria inibir de falar do caso, caberia à jornalista Cristina Reyna não lhe ter pedido que falasse.



Bem sei, Ricardo Sá Fernandes é mil vezes pior.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Camarate - 40 anos depois, que se pode ainda contra a legião dominante de crédulos e intrujões?

Pouco.
A fé move montanhas, a fé dissolve a verdade.*

«A avioneta caiu em Camarate por falta de gasolina no motor esquerdo e por precipitação do piloto. Os aviões obedecem às leis da física e da mecânica, não escolhem quem vai lá dentro para cair ou não cair.
O Presidente da República, valendo-se da vasta experiência do professor Marcelo, resolveu criar um novo “facto político” ao comunicar aos portugueses a sua “convicção pessoal” no que respeita à tragédia de Camarate. Foi sabotagem!
É claro que esta revelação é um acto de fé. Respeitável, como qualquer outra crença ou convicção. Mas é apenas isso mesmo, uma convicção. Porque nem o Presidente nem o professor Marcelo são capazes de apontar uma prova, uma só que seja, de que houve sabotagem em Camarate. Não cabe aqui voltar à farsa que foram as dez comissões parlamentares de inquérito a Camarate e aos 33 anos durante os quais elas se arrastaram.
[...]
Quanto ao presente, o cidadão comum, como eu, tem duas opções. De um lado estão mais de duas centenas de testemunhas, uma centena de peritos e de organismos especializados, independentes e oficiais, portugueses e estrangeiros, e as deliberações de 32 magistrados e juízes de tribunais portugueses e europeus. Isto é, estão as provas: não foram encontrados indícios de sabotagem. Do outro lado, temos um “facto político” novo baseado na “íntima convicção” do cidadão Marcelo Rebelo de Sousa que, acessoriamente, é também Presidente da República, primeiro magistrado da Nação, professor catedrático de Direito e ex-representante da família de uma das vítimas.
No que me diz respeito, opto por ficar do lado da seriedade e das instituições democráticas e independentes que nasceram no meu país quando ele reencontrou a liberdade.
[...]»

Em tempo
Reacção de Ricardo Sá Fernandes,  com o habitual ardil de aranha religiosa materialmente interessada.  -  "Camarate, resposta a Cunha Rodrigues e a Barata-Feyo" | Público, 13.Dez.2020
 
Depoimento exaustivo e siderante, sem política nem sentimentos, do coronel piloto aviador (reformado), Victor João Lopes de Brito  -  "Acidente de Camarate", 08.Dez.2020
____________________________________________
* «Os espíritos mais puros inquietam-se, perturbam-se, não sabem como orientar-se e repetem angustiadamente a pergunta de Pilatos ao próprio Cristo: O que é a verdade?
[...]
A verdade é por essência imutável e a adesão do espírito à verdade, ou seja as certezas do espírito são essenciais ao progresso das sociedades humanas.»

sábado, 5 de dezembro de 2020

Desminto e esclareço Pedro Santana Lopes

Bernardo Ferrão [SIC/Expresso]:
Pedro, como é que ouviu estas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa? 
Pedro Santana Lopes:
É um assunto muito melindroso. Pessoalmente — obviamente que quem decide são os tribunais, quem investiga é a polícia —, nunca tive dúvida, pessoalmente, de que tenha sido atentado. Foi um atentado. Só quero sublinhar isto, que não é um dado de sabedoria popular mas básica: até hoje, no aeroporto da Portela*, graças a Deus** não caiu nenhum outro, nem antes nem depois. A questão se era dirigido a Sá Carneiro ou a Amaro da Costa é outra matéria.

Repare nesta campa, doutor Pedro Santana Lopes. 
Pelas 11h10 de terça-feira, 12 de Julho de 1988, Pelagia Teresa Majewska, cidadã polaca de 55 anos, piloto de aeronaves, morria em Lisboa ao comando de um Dromader, monomotor de fabrico polaco, que se despenhou instantes depois da descolagem, a exemplo do que no mesmo local sucedera sete anos e meio antes ao Cessna da fábula camaratiana.


Nada consta quanto a possível sabotagem ou atentado, mas nunca é de fiar: o papa polaco da altura, Karol Józef Wojtyla, também tinha os seus inimigos...
Ainda assim, para sossego da Polónia e do planeta, nem Augusto Cid se empenhou na busca da verdade nem Ricardo Sá Fernandes foi procurado por nenhum familiar da vítima.

Enfim, Pedro Santana Lopes nunca primou por credibilidade evidente. Por manifesta credulidade, lá isso, decerto.
__________________________________
** Os desígnios de Deus são insondáveis.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

4 de Dezembro, defuntos e fiéis

«O tempo foge. Passaram já quatro décadas sobre a morte de Sá Carneiro, naquela viela escura e fria de Camarate. O então primeiro-ministro teria hoje 86 anos. Isto é o que sabemos. Mas este texto é sobre incógnitas.
Noite cerrada, Dezembro frio. Tinha chegado da Faculdade de Direito. O telefone toca.
Francisco Brás de Oliveira, na altura accionista maioritário do jornal O Dia, que privava bastante com as cúpulas da área da AD, com voz cava: Nuno, aconteceu uma tragédia. O Francisco e o Adelino acabam de morrer num desastre de avião, aqui na Portela. Foi há minutos.
"Nacionalista revolucionário", eu não era nem um jovem de partidos, nem militava na área doutrinal de Sá Carneiro.
Mas tinha lá muitos amigos, muitas discussões, muitas noites à procura da luz.
[...]
Não tenho nenhuma certeza absoluta sobre o assunto, depois de ter visto e revisto tudo, publicado e por publicar. O Cessna parece não ter caído nem por falta de combustível, nem por problemas de motor, nem por excesso de peso, nem por qualquer falha dos seus sistemas, devido à idade do aparelho, ou à sua manutenção. Tudo indica que um qualquer engenho (ou série de engenhos) tenha eclodido a bordo.
[...]»

Diz ele que viu e reviu tudo.
Ó Nuno Rogeiro, por favor, respeite os leitores, não engode os incautos! Ao que o proselitismo, a devoção e a orfandade podem levar um homem geralmente bem informado e culturalmente bem apetrechado...
Leia e releia devagarinho, Nuno Rogeiro. Deixe-se de delírios. Ou então, nenhum acidente é acidente; proscreva-se o vocábulo e o conceito dos dicionários.
//
«O pesar, que não me abandona enquanto cidadão, de a nossa democracia nunca ter podido, no plano jurisdicional, carrear dados probatórios bastantes para se provar se camarote, se Camarate foi acidente ou foi crime. Em Camarate pereceram, além de Francisco Sá Carneiro, Snu Abecassis, Adelino Amaro da Costa, Maria Manuela Amaro da Costa, António Patrício Gouveia, Alfredo de Sousa e Jorge Albuquerque. A derradeira decisão judicial elenca razões para não poder ser provado que tenha havido crime, mas também considera não haver prova bastante para concluir que tenha havido acidente
Para quem acompanhou sucessivas comissões parlamentares de inquérito como representante da família de António Patrício Gouveia, lembrando sempre o corajoso Augusto Cid, e nessa qualidade concordou [ele, MRS] com as conclusões das últimas comissões no sentido de ter havido atentado, mesmo se não dirigido especificamente contra Francisco Sá Carneiro, é muito frustrante ter de admitir que o tempo acabou por não facilitar uma decisão jurisdicional com mais sedimentada base probatória. Qualquer que ela fosse, ter-me-ia aquietado mais como cidadão.»
«Uma última nota, sobre a sua morte. Acompanhei, representando a família de António Patrício Gouveia, várias comissões parlamentares de inquérito a Camarate. Formei uma convicção como cidadão, que mantenho, de que não se tratou de um acidente mas sim de um atentado, embora não dirigido necessariamente a Francisco Sá Carneiro. Tenho pena, como cidadão, de que a última decisão da justiça não tenha podido contar, por causa do tempo, com mais dados probatórios e, assim, essa última decisão tenha dito que não havia provas suficientes para apontar para o atentado mas não havia provas suficientes, também, para apontar para o acidente. Ficou por definir a verdade em termos jurisdicionais acerca da morte de Francisco Sá Carneiro e de todos aqueles que o acompanhavam.»

Por outras e mais directas palavras: Bem desejava, bem tentei, fizemos e inventámos ao longo de mais de 30 anos o que era ideológica, política e religiosamente possível para que Sá Carneiro e comitiva não tivessem simplesmente morrido por causa da obstinação, inconsciência e neglicência temerária dos pilotos, mas os factos e o caralho do Cessna [MRS chama-lhes «o tempo»], mancomunados com os tribunais, não facilitaram.
// 
Três páginas de fezada delirante, sem uma linha acerca da saúde prévia da aeronave despenhada.
José Manuel Barata-Feyoautor de "O grande embuste | Camarate - Factos e Conveniências" [2013], que rotula de «dogma político» a tese de atentado, agora provedor do leitor do Público bem que ajudaria à sanidade da história se persuadisse o seu jornal a contrapor a devaneios tão estapafúrdios, como o de que hoje dá conta, um trabalho jornalístico sério acerca de aviação e sinistralidade aeronáutica.

Aquilo de Camarate
[1]   [2]
Etc.

sábado, 13 de maio de 2017

Três ou quatro dias na vida alucinante e devotada de um presidente-arlequim

17 de Abril, segunda-feira
Órfão e devoto de Camarate-atentado, Marcelo chega a Tires antes de quase todos; ainda assim com ligeiríssimo atraso: a avioneta já se tinha despenhado.
Ia decerto para se certificar das provas de sabotagem. Receio é que sem a assessoria iluminada de Helena Roseta, especialista em aviões que marram no chão, não vá longe no desenvolvimento e sustentação da tese conspiratória.

18 de Abril, terça-feira
Devoto de Cristina Ferreira, Marcelo reúne com os bruxos em casa de Leonor Beleza. «[…] fez várias incursões bem humoradas pela política interna, em ritmo rápido e cuidando não ter jornalistas na sala, deu um exemplo concreto: a queda da avioneta em Tires. "O poder político tem de estar pronto a responder a situações como esta." […]» - Público, 18.Abr.2017

12/13 de Maio, sexta/sábado
Devoto de Fátima, com uma estranha e fechada anomalia no primeiro ó:

Entretanto, meteu no saco o bandolim do Acordo Ortográfico.
___________________________________
* Plúvio, devoto.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

«Completamente»

Luís Marques Mendes, ontem, no "Jornal da Noite" da SIC, afiançou que o Partido Socialista convidara Júlio Magalhães.
Reacção do Partido Socialista: «completamente falso».

Faz-me lembrar de um homem «completamente inocente» condenado por crimes de abuso sexual de crianças.

Cheira-me a advérbio de água no bico, completamente desnecessário à verdade. A verdade usa ser despida; o fingimento, não tanto

A consciência limpa ou tranquila não andará longe.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Rui Tavares, os foguetes e as canas

«[…]
O Livre/Tempo de Avançar (L/TDA) mantém a esperança de construir uma bancada parlamentar. […] Rui Tavares não tem dúvidas: "O Livre será a grande surpresa da noite de domingo."
[…]»

Sem subvenção da porca, quero adivinhar o jeito que lhes daria agora o apoio dum marceneiro; dum operário, vá. Na construção da bancada.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Camarate – Verdade a reboque da fé e da insânia

Paulo Portas, demagogo brilhante e narcisista facundo, ontem à noite em Lisboa, ao ar livre:
«[CDS], partido fundador do arco da governabilidade, sempre procurando dar testemunho daquela que era a virtude mais recomendada por Aristóteles aos homens de Estado: a moderação. Sim, o CDS é, foi e será sempre um partido moderado. […] Sabemos que Adelino Amaro da Costa não perdeu a vida por acidente. […] Acreditamos no que sucessivas – creio que cinco – comissões de inquérito foram capazes de determinar: Camarate não foi um acidente.»

Olha se não fossem moderados!…, já o recente sismo de Cascais teria sido parlamentarmente imputado a uma conspiração de toupeiras.

//

«A terminar, José Matos Rosa [PSD] deixou uma sentida palavra de solidariedade às famílias das vítimas, na convicção de que as conclusões desta X Comissão Parlamentar de Inquérito à Tragédia de Camarate possam permitir que desta vez se tenha ido mais além na descoberta da verdade do que a Justiça alguma vez foi. “Porque a verdade não pode e não irá prescrever”, concluiu.»
Assembleia da República, sexta-feira, 03.Jul.2015 


Ao longo de 34 anos e meio, desde a noite daquela quinta-feira, 04.Dez.1980, fiz por ler e ver tudo, escutar e confrontar tudo sobre o despenhamento de um Cessna em estado miserável de manutenção. Acompanhei os trabalhos das dez Comissões Parlamentares de Inquérito; consultei ou assisti aos depoimentos franqueados ao público.
Pandilhas, mitómanos e alucinados como Fernando Farinha Simões, José Esteves ou João Múrias compuseram uma historieta rasca a contento e a soldo da Política, órfã de totens e ávida de causas, que, por sua vez, se afanou a levedá-la e a acrescentá-la de fé e de delírio, perpetuando-a como verdade histórica espera-se que, desta vez, definitiva e irrecorrível.
Mantenho que naquilo de Camarate  o único depoimento plausível e fiável é o da avioneta. Mas os senhores deputados adoram conversa…
Esta gente mete-me dó; país miserável e ensandecido.

Insisto: oiça-se José Manuel Barata-Feyo, leia-se "O grande embuste".

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Este é o dia em que Ferreira Fernandes

chama — quem diria!? — mentiroso a José Sócrates:
«O que levou à detenção de José Sócrates há seis meses não é conhecido. A nossa justiça é demasiado lenta. De novo, sabemos, porque o próprio Sócrates o disse, que ele pediu dinheiro a um amigo. Muito dinheiro. Como esse amigo teve vários negócios com o Estado quando Sócrates era governante, é legítimo que a justiça investigue.
[…]
um dirigente político tem, além de honesto, de parecer. Não é frase batida, Sócrates sabe-o, por isso mentia quando dizia que vivia só dum empréstimo bancário. Com este "caso Sócrates", temos até agora, patenteadas, duas situações graves: a lentidão da justiça e Sócrates ter mentido.
[…]»

Falta Pedro Marques Lopes chamar nas páginas do Diário de Notícias qualquer coisa menos recomendável a Sócrates, que Fernanda Câncio, essa, está fora de questão. [Sei que exagero. Olhem-me aqui, anteontem, Sérgio Figueiredo. Para não falar do correspondente de L'Osservatore Romano.

Independentemente da responsabilidade criminal que venha a ser apurada, se algum dia se chegar lá, este excepcional artífice da patranha basta para que me sinta profunda e irrecuperavelmente enganado acerca de um político que, apesar da persona, admirava e em que pus a cruzinha nas duas vezes a que foi a votos, por achá-lo, como primeiro-ministro, o indivíduo com mais pinta para o cargo entre os 17 chefes de governo que conheci até hoje.

Ferreira Fernandes fala na explicação, omissa do essencial, que Sócrates deu em 27.Mar.2013 para o financiamento dos seus gastos. [Até dói rever hoje como José Sócrates — aqui, a partir do minuto 80:00 — se esquiva, esconde e mente]. 
Há, no entanto e mais recente, uma mentira que nem por se falar menos dela acho menos relevante: a com que procurou iludir e aldrabar a RTP, e a nós, na "declaração" de 29.Nov.2014 em que esclarecia a venda «por um preço total de 100.000 euros» — dizia, perdão, declarava Sócrates — dos apartamentos do Cacém. Foi pelo preço total de 175.000 euros. Está nas escrituras

Sendo certo que nada disto dê ou mereça prisão, por mim não precisaria de mais, se muito mais não houvesse, para a abominação do antigo primeiro-ministro que tanto defendi e por quem pugnei entre amigos e conhecidos.
Os porfiados asseclas socratistas, socratófilos e socratómanos, que os há bons e muitos, talvez vejam, os que conseguem ver, nestes ludíbrios meras e toleráveis insignificâncias na essência do seu adorado e destemido animal. Por mim, vou vendo montanhosos indícios de monstro. 

PS
A apregoada vindicta de magistrados e a presumível incompetência com que a Justiça está a tratar Sócrates não me suscitarão um grama de revolta enquanto Pedro Marques Lopes e todos os outros, incluindo Clara Ferreira Alves, não se incomodarem nos seus púlpitos com a qualidade da Justiça que, por exemplo, condenou Afonso Dias pelo rapto do menino Rui Pedro. Não se calam e indignam-se com a "ressonância da verdade" que ajudou a condenar Carlos Cruz, defendido por Ricardo Sá Fernandes, por dois crimes de abuso sexual de menores, mas continuam caladinhos que nem ratos com a "ressonância" que meteu nos calabouços o desgraçado motorista. Ai de mim se me passa pela cabeça que o facto de, no caso de Lousada, Ricardo Sá Fernandes ter estado do lado do menor lhes pudesse, a Pedro Marques Lopes e a Clara Ferreira Alves, dificultar um bocadinho a veemência da pregação… Mas tenho bom ouvido e julgo saber em que julgamento a verdade ressoou muito menos.

domingo, 5 de abril de 2015

Camarate X

«A X Comissão Parlamentar de Inquérito à tragédia de Camarate reúne-se na terça-feira, estando em condições de apresentar conclusões até ao final do mês. […] A comissão de inquérito ao caso Camarate visa averiguar as 'causas e circunstâncias em que, no dia 4 de Dezembro de 1980, ocorreu a morte do primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, o ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, e dos seus acompanhantes', devido a um acidente de avião.»

Conclusões? Nada que saber: Jorge Albuquerque matou-se aos comandos de um Cessna podre, arrastando para o brasido os outros seis. O resto é questão de fé, se não for de psiquiatria; mas mais provavelmente de ambas.
Ainda assim e para explicação especializada, nada como a clarividência da arquitecta Helena Roseta em sinistros aeronáuticos, ou a indispensável perspectiva das coisas da doutora Clara Ferreira Alves, não menos clarividente, et pour cause, que sabe tudo de aviões desde certo dia em que viajou de Nova Iorque para Lisboa ao lado de indeterminado «cavalheiro americano com quem falei num voo da TAP» [aqui e aqui], nunca perdendo de vista que a Lufthansa é que é uma «companhia séria»..., Clara dixit.

Por favor, oiçam José Manuel Barata-Feyo, leiam "O grande embuste".
Estas merdas enervam-me.

sábado, 5 de julho de 2014

Clara Ferreira Alves, porta-voz de Carlos Cruz

… e está no seu direito.
A jornalista Clara Ferreira Alves [CFA], que admiro moderadamente e em cuja opinião não raro me revejo, foi à cadeia conversar com um condenado por abuso sexual de menores: "Carlos Cruz - Eu perdi a cidadania| Expresso/Revista, 28.Jun.2014.

CFA faz questão em informar, talvez para sossego do leitor, que não conhecia pessoalmente o indivíduo. E só não nos recorda de que é amiga próxima de Ricardo Sá Fernandes, advogado de Carlos Cruz [CC]*, por muito provavelmente isso não ter nem jamais ter tido a mínima interferência no que ela acha desde sempre deste processo que e sobre que, como eu, leu pormenorizada e exaustivamente.
O 'caso Casa Pia' tira-a do sério; a mim também.

CFA pergunta, comenta, esclarece, delibera; CC anui, corrobora, reitera. E não se sai disto ao longo de 5 páginas de palratório em que, não fosse o negrito a distinguir entrevistadora de entrevistado, mal se perceberia quando fala ela e quando fala ele.

Um pormenor.
Diz CC, ou fá-lo CFA ter dito: «Tenho a consciência tranquila. Estou condenado por um crime de abuso sexual de menores e não por pedofilia […]»
Algum rigor, já agora: CC está condenado por dois crimes de abuso sexual de menores. Não é por nada, mas dois é o dobro de um.

Enfim,
«Uma entrevista que pretende demonstrar a visão da entrevistadora sobre determinado assunto (no caso, coincidente com a do entrevistado) não é bem uma entrevista: é um embuste.» - Ilídio Martins, jornalista, 03.Jul.2014
Concordo. 
_________________________________________
CC- «Os meus advogados são espectaculares. O Ricardo Sá Fernandes, que não conhecia, é hoje um amigo. E é um homem de causas.» CFA há-de sentir consolo - quem não sente? -  em que lhe falem assim dos amigos. 
CC- «Quando ele [Ricardo Sá Fernandes] teve a certeza absoluta da minha inocência […], viu a monstruosidade disto tudo.»
Ricardo Sá Fernandes não é apenas de causas. É também de certezas absolutas. Por exemplo, Camarate foi – ele tem a certeza absoluta – atentado.
_________________________________________
CFA- «Estou convencida, pela leitura do processo e do acórdão, de que não devia ter sido condenado.» - Expresso, 28.Jun.2014
Antes de chegar a esta convicção declarada, que não questiono, é curioso verificar como a jornalista veio nos últimos 4 anos, apesar de tudo e ainda que com mal dissimulada prudência, usando "ses" na retórica do seu ponto de vista:
CFA, excitadíssima- Sobre a Casa Pia, queria dizer que, retomando tudo o que já foi dito, que é um processo que assenta em prova testemunhal [cara de enjoo] numa falabilidade [sic] absoluta e que, sem querer de maneira nenhuma minorar o sofrimento das vítimas … As vítimas e as alegadas vítimas também se enganam às vezes nessa prova testemunhal; e repito apenas aquilo que o Daniel disse: "e se estiverem inocentes?" Há um princípio básico no Direito Penal; chama-se “in dubio, pro reo” [batendo, furiosa, com a mão na mesa]Se houver dúvida!, temos que absolver. Se houver dúvida, temos que absolver. E eu tenho muitas dúvidas neste 'caso Casa Pia', muitas dúvidas.

CFA- É evidente que seria muito bom que todos nós pudéssemos pensar que ele [Carlos Cruznão é a vítima de um monstruoso erro judiciário e que é culpado porque isso sossegaria as nossas consciências. Acontece que a minha consciência não está sossegada com a condenação de Carlos Cruz. E porquê? […] Eu fui ao site de Carlos Cruz e fui ver inconsistências. E estão lá as inconsistências para quem as quiser ler. Aquelas inconsistências preocupam-me. A fundamentação da acusação vem aí – atrasada, mas vem – e eu vou lê-la [o ar de CFA é o de quem ameaça que vai lê-la!]. Porque se Carlos Cruz de facto está inocente, então a seguir ao grandioso crime que foi esta rede pedófila que se aproveitou e abusou destes miúdos durante anos […], então há um segundo e monstruoso crime que é termos colectivamente condenado um inocente. É bom que o país pense sobre isto veramente em vez de fazer linchamentos apressados baseados em sentimentos, impressões e emoções. É evidente que estamos todos revoltados com o 'caso Casa Pia' e todos nos sentimos vagamente cúmplices […] de coisas que toda a gente sabia que se passavam e ninguém fez nada.

CFA- Como não é possível dar voz às centenas, milhares [esgar enfático] de pessoas provavelmente injusticiadas [sic]vítimas de erros judiciários, etc., de facto não é possível nem nunca vai ser possível… É bom que haja um caso que lance luz sobre as iniquidades no sistema. E se Carlos Cruz estiver a ser vítima de um erro judiciário e puder através disso ajudar a melhorar o sistema, ele será o porta-voz de todos aqueles que não podem, não puderam, não poderão fazer... […] Temos que ter algum equilíbrio no modo como analisamos as coisas. [Olha quem fala.]

. «O que aconteceu ao Carlos Cruz, se ele estiver inocente, é uma violação de direitos humanos. Acho admirável que ele não se tenha suicidado.»
A propósito,
CC- «Eu já tive uma grande depressão, já me zanguei com a vida. Carreguei a pistola, e não aconteceu porque um amigo evitou. […] Tinha 50 anos. Recuperei.» - Expresso, 28.Jun.2014

CFA, assanhada e ululante, expondo à câmara o livro "Inocente para além de qualquer dúvida", brandindo-o e propagandeando-o com veemência de megafone dos feirantes de banha-da-cobra- Queria falar deste livro, do Carlos Cruz, cujo julgamento está neste momento em recurso e a ser avaliado pelos tribunais, e é impossível — o livro tem o prefácio do Miguel Esteves Cardoso —, é impossível ler este livro sem ficar com enormes dúvidas, não sobre a inocência de Carlos Cruz, que essa tem sido a base de tudo isto, mas sobre a culpabilidade de Carlos Cruz. Este processo [CFA com ar de troça] não deixa qualquer dúvidas [sic] de que há dúvida sobre a culpabilidade de Carlos Cruz e há um princípio-base no Direito Penal: chama-se “in dubio, pro reo” —em caso de dúvida, absolve-se; em caso de dúvida, absolve-se. Não é um juízo subjectivo, é um juízo objectivo, é a base de todo o Direito Penal [CFA gesticula, sentenciosa]. Além de que, como dizia um amigo meu, não é só da liberdade de Carlos Cruz que estamos a tratar; é da nossa própria liberdade. Este processo é terrível. É dreyfusiano e deixa-me assustada. Que ele tenha sido conduzido, investigado e tenha chegado a este ponto deixa-me muito assustada sobre a democracia portuguesa e sobre as instituições de defesa em Portugal.

. «A ideia de que o Carlos Cruz possa estar inocente – aquela prova testemunhal não tem nenhuma fiabilidade – e foi sujeito a isto é repugnante e assustadora. A liberdade está acima da propriedade. Tem outras implicações filosóficas, ontológicas, éticas. Não estamos a falar de um pequeno negócio entre amigos, mas de valores fundamentais.»
- CFA à conversa com Anabela Mota Ribeiro, no Jornal de Negócios de 07.Dez.2012, disponibilizada na página de AMR em 11.Set.2013

terça-feira, 11 de março de 2014

Apetece-me maledicência

Dizer de quem diz mal e a quem mal se perdoa que mal diga.
Viva a língua portuguesa!

.  Clara Ferreira Alves, licenciada em Direito, jornalista, escritora
[Nada como começar pelas estrelas. Em artigo de há dois meses, bastante recomendável, de que ninguém falou e a que talvez volte por causa de uma tralha que trago a levedar, diz Francisco Pinto Balsemão de Clara Ferreira Alves, sua dilecta assalariada no Expresso:
«(…) A própria Clara Ferreira Alves é uma marca/estrela que muito valoriza a constelação jornalística do Grupo Impresa. (…)»
Clara Ferreira Alves está envelhecida (eu, que nasci três anos antes, acompanho e aprecio a sua prestação escrita e televisiva desde que ela trabalha em público, vivo ciente de que cada segundo na idade dela representa um segundo a mais na minha), prenhe de si, tem-se em himalaica conta e exprime-se infestada de tiques — e portanto, dito isto, etc.— e de meneios de sobranceria*. Ninguém a contrarie, que ela grita mais.
Mas, tirando os defeitos de expressão, alguns rombos no rigor**, e não obstante a idolatria cega por Mário Soares e o alinhamento fascinado por Ricardo Sá Fernandes, apóstolo de Camarate e da inocência de Carlos Cruz***, tenho CFA por boa de pena; sem ironia, das melhores. Tanto me encanita quanto a admiro, concordando frequentemente com ela.
Mas vejamos três ou quatro amostras do eloquente falar de CFA, que é isso que aqui me traz.
Eu andei em Coimbra, a inventora desta obnóchia tradição., referindo-se às praxes académicas.
A doutora de Coimbra que me desculpe mas, na frequência instruída em que gosta de emitir, obnóchia soa a enormidade ridícula numa boca culta. 
A licenciada em Direito e comunicadora de TV Clara Ferreira Alves diz recorrentemente, e sempre mal,  acòrdos, pèrda, èconoclastia, pzeudo-alèrgias, pâtético.
["O Eixo do Mal", "O que fica do que passa", mas oiça-se em particular a conversa com Aurélio Gomes no programa "Baseado numa história verídica", Canal Q, 01.Dez.2012]

Não diferencia "melhor" de "mais bem". Exemplo: Acho que estou melhor preparada.

Atente-se no solecismo que assenta particularmente mal numa auto-reclamada queirosófila: Vão começar a haver na Europa movimentos destes., referindo-se ao Tea Party.

Etc., como, e portanto, ela diz.

.  Vítor Ramalho, licenciado em Direito
Vão haver agora eleições para o Parlamento Europeu.

. Aníbal Cavaco Silva, doutorado em Economia, professor universitário, Presidente da República
Vamos ver aqui este belo trofeu...
Palácio de Belém, 20.Jan.2014
Acho que só por caridade com o falante e consideração pela língua portuguesa é que A Bola TV não legendou exactamente como o Presidente falou. Ouvi bem: o professor doutor disse por cinco vezes trofeu, a rimar com Bartolomeu, meu, deu, eu e o sr. Tadeu.
[Em tempo: Canal Q, Altos & Baixos, 28.Mar.2014

.  Maria João Avillez, tia, jornalista, escritora
Ó Mário, quando é criada uma situação que tem que ser debelada, o remédio é amarguérrimo, o remédio foi amarguérrimo.
Não admira que quem diz verosímel, inverosímel ou idiossincracia não conheça o superlativo de amargo.

.  Henrique Cayatte, professor universitário, designer
plàtaforma, gèração, gèracional
Gosto de Henrique Cayatte.

.  Luís Represas, músico
Gravou e anda a cantar há 30 anos um enorme dislate gramatical e um desrespeito menor ao original de Carlos de Oliveira [poema "Xácara das bruxas dançando", do livro "Mãe Pobre", publicado em 1945]:
«[…]
Ó castelos moiros, armas e tesoiros  /  Quem vos escondeu?
Ó laranjas de oiro que ventos de agoiro  /  vos apodreceu?
Há choros, ganidos,  /  à luz das cavernas  / onde as bruxas moram, 
onde as bruxas dançam  /  quando os mochos amam  /  e as pedras choram.
[…]»
«[…]
Ó castelos moiros, / armas e tesoiros, quem vos escondeu?
Ó laranjas de oiro, / que vento de agoiro / vos apodreceu?
Há choros, ganidos, / à luz da caverna / onde as bruxas moram, 
onde as bruxas dançam  / quando os mochos amam / e as pedras choram.
[…]»
Para rimar com escondeu teria de ser vento o que apodreceu as laranjas. Por outro lado, as bruxas do poeta moravam todas na mesma caverna. Luís Represas dispersou-as.
Interpretação [Rock in Rio, 2010] e letra, com os perpetuados "erros Trovante".
- Declamação de Maria Barroso. Ela diz bem, "vento", ainda que a letra aqui apresentada contenha os "ventos" espúrios. O que a doutora diz mal, inventa, é «as unhas podres de nojo». Carlos de Oliveira escrevera «podres de tojo».
- Mas quem, apesar dos "ventos", afinal virais na transcrição do poema, recita "Xácara das bruxas dançando" esmerada e impecavelmente é João Grosso
  
.  Pedro Vieira, licenciado em Publicidade e Marketing, ilustrador, apresentador de TV, blogger
drògados
Canal Q, "Inferno" 

.  O patusco Fernando Seara, licenciado em Direito, benfiquista
Há passeios em Lisboa cheios de buracos. … As pessoas caem, magoam-se, trocem o pé.

as consequências resultantes daquilo que eu chamo os swaps
Eu diria mais: as consequentes, decorrentes e advindas consequências resultantes e supervenientes

.  Pedro Passos Coelho, licenciado em Economia, Primeiro-Ministro, pinículo
«Hoje, na Assembleia da República, o primeiro-ministro disse claramente estejemos. Esperemos que tenha dúvidas e que procure rapidamente saber como é.»
Mas não procurou:
Isso não significa que estejemos alheados das muitíssimas dificuldades que estamos a viver.
Desde que nós tenhamos os pés assentes na terra e sejemos realistas
Registe-se a supressão cirúrgica da frase com o sejemos no vídeo disponibilizado pelo Governo de Portugal. Ad usum delphini... 

.  Assunção Cristas, licenciada em Direito, ministra, pinícula
Isto não quer dizer que sejemos fracos com os fortes.

.  João Perry, actor, declamador, encenador
Levávamos pacotes de papel pardo com feijão, grão e outras virtualhas.

.  Jorge Barreto Xavier, licenciado em Direito, Secretário de Estado da Cultura, pinículo
Isso foi uma enfabulação de uma circunstância., ...
… quem sabe se sob influência remota da cultivadíssima
.  Maria Filomena Mónica, licenciada em Filosofia, doutorada em Sociologia,  investigadora,
que se fartara de enfabular com Paula Moura Pinheiro na RTP 2, "Câmara Clara", 27.Out.2006    

.  Mário Crespo, nessa zona, jornalista
Eu vou começar por citar um filósofo norte-americano, John Dewey, que diz que a arte é uma experiência de vida que combina espontaniedade com um sentido de forma.,
à conversa com
.  Miguel Arruda, licenciado em Arquitectura, escultor, designer,
que do outro lado explicava:
aquilo que nós hoje, à distância, chamamos de 25 de Abril, tinha de facto uma certa áurea … E isso perspassou a toda a gente.
O nome exacto daquilo, "25 de Abril", esqueceu-se Arruda de explicar e Crespo, aqui fica, de lhe perguntar.

.  Mário David, licenciado em Medicina, eurodeputado pelo PSD
Vitali Klitcshko, do partido Udar, ex-campeão mundial de boxe, e esse, sim, com toda a áurea de um herói nacional.

. Catarina Martins, sempre em iminente asfixia, licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, mestre em Linguística, actriz, dirigente e deputada do BE, que não só está preocupada com os ucranianos como também está preocupada com as ucranianas [SIC Notícias, "Jornal das 9", 18.Fev.2014, minuto 02:35] 
O Estado ficou com as imparidades que têm a ver com o lixo chico.

.  Helena Sacadura Cabral, licenciada em Economia, jornalista, escritora
Havia na borda da estrada o cabo coachial

.  Paulo Portas, homem, licenciado em Direito, jornalista, Vice-Primeiro-Ministro, pinículo
Obrigadíssima!

.  Adriano Moreira, doutorado em Direito, professor catedrático
Espero que a democracia cristã se revigore em Portugal, quanto muito com a intervenção do actual patriarca de Lisboa, que é um sujeito muito inteligente, muito informado, muito devotado e com grande fé.

.  Eduardo Paz Ferreira, doutorado em Direito, professor catedrático
filhos de dignatários do regime

.  Pedro Marques Lopes, e com isto termino, licenciado em Direito, empresário,
Não podem haver debates, nas televisões nem nas rádios, não podem!

a maneira como o euro foi incorporado nas nossas economias, de uma maneira que eu acho abesolutamente nigligente … foi abesolutamente nigligente nós impormos uma moeda.

A procissão dos swaps ainda vai no adro. Era capaz de apostar singelo contra dobrado que durante os próximos tempos mais casos surgirão.
Era capaz de apostar singelo contra dobrado que o acordo com o PSD era total.
Apostar nesta modalidade, até eu, que nasci pobre e hei-de morrer miserável.

PML, belo e trauliteiro espécime-produto do excelente ensino da Católica, continua a ir de encontro a quando quer ir ao encontro de [SIC/Eixo do Mal, DN]. Mas não deprima, caro doutor Pedro, que não está só:
.  Marcelo Rebelo de Sousa, professor catedrático de Direito,
quando quer ir ao encontro também vai de encontro:
Quanto à ideia de que quem paga impostos é beneficiado, eu não sei o que é que ele [Vítor Gaspar] tem na cabeça, se é fazer aquilo que Portas Pediu, ir de encontro ao que Portas pediu, ou se é uma coisa mais modesta, tipo as facturas.,
TVI, 30.Jun.2013, minuto 21:20
tal como, de resto, outro ilustre e opinativo professor universitário,
.  Rui Ramos, licenciado em História, doutorado em Ciência Política,
porque o historiador procura audiência para aquilo que escreve e, nesse sentido, estuda o que vai de encontro àquilo que são as preocupações do seu tempo.
DN/Q, 07.Dez.2013  

.  Luís Pedro Nunes, licenciado em Comunicação Social, jornalista
E há tipos que são um pouco irrascíveis, como eu e outros.

LPN também diz cócigas [Este (massajador) é para fazer cócigas. - "Inferno", Canal Q, 09.Out.2013].

Pedro Mexia, que muito admiro, observa em "Erros de pronúncia" — recensão a Pnin, de Vladimir Nabokov —, no Expresso/Atual de 07.Dez.2013, que o narrador dedica uma atenção maníaca aos detalhes.
Só não estou inteiramente certo de ser também esse o meu mal porque a minha atenção é mais aos pormenores. Onde mora o diabo.

- O sr. demarco dizobnóxio  .  acordos  .  perda  .  iconoclastia  .  pseudo-    alergia  .  patético  .  troféu  .  verosímil, inverosímil  .  idiossincrasia  .  plataforma  .  geração  .  geracional  .  drogado  .  torcer  .  estejamos  .  sejamos .  vitualhas  .  efabulação  .  espontaneidade  .  aura  .  perpassar  .  tóxico  .  coaxial  .  dignitário  .  absolutamente  .  negligente  .  irascível  .  cócegas 
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* Clara Ferreira Alves no Canal Q, "O que fica do que passa", 07.Mar.2014 – minuto 10:18 [quando disponibilizarem o vídeo, conecto], comentando a manifestação dos polícias de 05.Mar.2014 frente a S. Bento:
Os polícias não são arruaceiros e portanto não tapam a cara. … Uma coisa é reivindicar e negociar, outra coisa invadir as escadarias e meter um, um, um, um, um, um passe-partoute lançar petardos.
Luís Gouveia Monteiro- Um passa-montanhas
Movida pelo seu idiossincrático empertigamento cultural, a doutora Clara em vez de, agradecida, pegar com simplicidade no passa-montanhas com que o excelente LGM veio acudir ao seu engasgue, não resiste, antes de prosseguir, a uma explicação errática e bacoca de má perdedora:
É isso, um passa-montanhas. Há quem lhe chame passe-partout. Aqui nós chamamos passe-partout às molduras, incluindo as montanhas. Dá para passar por todo o lado porque ninguém sabe quem lá está dentro. 

** Escrevi em tempos que Clara Ferreira Alves nem sempre é de fiar  calúnias dos blogues de direita, explicará ela
Nova ilustração:
«Estava sentada numa cadeira ao sol, à beira de uma piscina pública de Coimbra. Sol de Junho. Nos altifalantes, a voz do Sérgio Godinho: 'Este é o primeiro dia do resto da tua vida'. […] Um dia quente de um Verão quente, estávamos em 75.»

No fim da primavera de 1978, Sérgio Godinho lançou o seu 5.º LP, "pano-cru", de que constava – lado A, faixa 2 – "O primeiro dia", inédito. 
Três anos antes, em 1975, e a fiarmo-nos no jornalismo sério escoado pelo Expresso, a promissora e jovem caloira de Direito, Clara Ferreira Alves, «sentada numa cadeira ao sol, à beira de uma piscina pública de Coimbra», escutava Sérgio Godinho a cantar "Este é o primeiro dia do resto da tua vida", decerto acometida por prodigioso transe proléptico e quem sabe se trauteando a letra ela própria também.
Investigação mais cuidadosa do episódio permitiu-me detectar uma pequeníssima e irrelevante inconformidade tudo indicando que devida a deficiência técnica dos altifalantes da piscina: de facto, Sérgio Godinho sempre cantou e tem cantado "Hoje é o primeiro dia" e não "Este é o primeiro dia". Não será, contudo, de tal minudência que o jornalismo sério sai infirmado. 

Clara Ferreira Alves, excitadíssima- Sobre a Casa Pia, queria dizer que, retomando tudo o que já foi dito, que é um processo que assenta em prova testemunhal [cara de enjoo] numa falabilidade [sic] absoluta e que, sem querer de maneira nenhuma minorar o sofrimento das vítimas … As vítimas e as alegadas vítimas também se enganam às vezes nessa prova testemunhal; e repito apenas aquilo que o Daniel disse: "e se estiverem inocentes?" Há um princípio básico no Direito Penal; chama-se “in dubio, pro reo” [batendo, furiosa, com a mão na mesa]. Se houver dúvida!, temos que absolver. Se houver dúvida, temos que absolver. E eu tenho muitas dúvidas neste 'caso Casa Pia', muitas dúvidas.

Clara Ferreira Alves, assanhada e gritante, expondo à câmara o livro "Inocente para além de qualquer dúvida", brandindo-o e propagandeando-o com veemência de megafone típica dos feirantes de banha-da-cobra- Queria falar deste livro, do Carlos Cruz, cujo julgamento está neste momento em recurso e a ser avaliado pelos tribunais, e é impossível  o livro tem o prefácio do Miguel Esteves Cardoso , é impossível ler este livro sem ficar com enormes dúvidas, não sobre a inocência de Carlos Cruz, que essa tem sido a base de tudo isto, mas sobre a culpabilidade de Carlos Cruz. Este processo [CFA com ar de troça] não deixa qualquer dúvidas [sic] de que há dúvida sobre a culpabilidade de Carlos Cruz e há um princípio-base no Direito Penal: chama-se “in dubio, pro reo” —  em caso de dúvida, absolve-se; em caso de dúvida, absolve-se. Não é um juízo subjectivo, é um juízo objectivo, é a base de todo o Direito Penal  [CFA gesticula, sentenciosa]. Além de que, como dizia um amigo meu, não é só da liberdade de Carlos Cruz que estamos a tratar; é da nossa própria liberdade. Este processo é terrível. É dreyfusiano e deixa-me assustada. Que ele tenha sido conduzido, investigado e tenha chegado a este ponto deixa-me muito assustada sobre a democracia portuguesa e sobre as instituições de defesa em Portugal.
Pedro Marques Lopes- … quanto a Carlos Cruz e em relação àquele livro que eu li É assustador ler aquele livro.  Eu não precisava de ter lido o livro  sou muito franco  para saber ou julgar saber o que se passou dentro deste processo. Foi um processo que eu acompanhei de perto, por muitas razões. É… eu senti-me, não houve página que eu não tivesse passado em que eu não me sentisse arrepiado, como já me tinha sentido ao conhecer os procedimentos. E, antes do “in dubio, pro reo”, se me permites, há uma coisa vital, que é a presunção da inocência. E o que se passou neste processo, aquilo que está naquele livro; muitas das coisas que estão ali naquele livro, que são baseadas em peças processuais, os testemunhos, são de nós nos assustarmos porque … eu faço minhas as palavras, salvo erro, do Miguel Esteves Cardoso, no prefácio, que diz Isto podia-nos acontecer a cada um de nós”. E este processo vai ser um processo de que daqui a 20 anos ainda vamos falar mas que me faz ter muito medo, muito medo de sair à rua.
Aparte de CFAÉ o nosso caso Dreyfus, é o nosso caso Dreyfus!
Daniel OliveiraEu quando falo com alguém sobre o 'caso Casa Pia', que deve ser o caso que mais insultos me mereceu até hoje 
Nuno Artur Silva- A todos 
DO- … a todos, provavelmente, as pessoas têm convicções  "Mas tu achas que ele é culpado?" […] Muitas pessoas não têm claro para que é que serve a justiça. A questão não é  para mim nunca foi  se Carlos Cruz é culpado ou inocente; não sei. Para mim, a questão é simples. Eu comecei a ler este livro, acompanhei bastante o processo, comecei a ler este livro, ainda não acabei, e o que digo é que há uma convicção que eu tenho: o 'processo casa Pia', como foi julgado e feito, é assustador.
PML, corroborando- Assustador!
DO - … e isso é o que me interessa e independentemente e para lá de Carlos Cruz.

Com Carlos Cruz e os outros entretanto na cadeia, condenados e recondenados — crimes de abuso sexual de menores — por uma legião de profissionais da Justiça incompetentes e mancomunados em obscuro propósito mefistofélico, nunca mais Clara Ferreira Alves, Pedro Marques Lopes, Daniel Oliveira e Nuno Artur Silva, borrados de medo, terão saído à rua sem escolta, mas parece que o livro foi um sucesso editorial.