terça-feira, 11 de março de 2014

Apetece-me maledicência:

dizer de quem diz mal e a quem mal se perdoa que mal diga.
Viva a língua portuguesa!

.  Clara Ferreira Alves, licenciada em Direito, jornalista, escritora
[Nada como começar pelas estrelas. Em artigo de há dois meses, bastante recomendável, de que ninguém falou e a que talvez volte por causa de uma tralha que trago a levedar, diz Francisco Pinto Balsemão de Clara Ferreira Alves, sua dilecta assalariada no Expresso:
«(…) A própria Clara Ferreira Alves é uma marca/estrela que muito valoriza a constelação jornalística do Grupo Impresa. (…)»
Clara Ferreira Alves está envelhecida (eu, que nasci três anos antes, acompanho e aprecio a sua prestação escrita e televisiva desde que ela trabalha em público, vivo ciente de que cada segundo na idade dela representa um segundo a mais na minha), prenhe de si, tem-se em himalaica conta e exprime-se infestada de tiques — e portanto, dito isto, etc.— e de meneios de sobranceria*. Ninguém a contrarie, que ela grita mais.
Mas, tirando os defeitos de expressão, alguns rombos no rigor**, e não obstante a idolatria cega por Mário Soares e o alinhamento fascinado por Ricardo Sá Fernandes, apóstolo de Camarate e da inocência de Carlos Cruz***, tenho CFA por muito boa; é, sem ironia, das melhores. Tanto me encanita quanto a admiro, concordando com ela a maioria das vezes, na maioria dos casos.]
Mas vejamos três ou quatro amostras do eloquente falar de CFA, que é isso que aqui me traz.
Eu andei em Coimbra, a inventora desta obnóchia tradição., referindo-se às praxes académicas.
A doutora de Coimbra que me desculpe mas, na frequência instruída em que gosta de emitir, obnóchia soa a enormidade ridícula numa boca culta. 
A licenciada em Direito e comunicadora de TV Clara Ferreira Alves diz recorrentemente, e sempre mal,  acòrdos, pèrda, èconoclastia, pzeudo-alèrgias, pâtético.
["O Eixo do Mal", "O que fica do que passa", mas oiça-se em particular a conversa com Aurélio Gomes no programa "Baseado numa história verídica", Canal Q, 01.Dez.2012]

Não diferencia "melhor" de "mais bem". Exemplo: Acho que estou melhor preparada.

Atente-se no solecismo que assenta particularmente mal numa auto-reclamada queirosófila: Vão começar a haver na Europa movimentos destes., referindo-se ao Tea Party.

Etc., como, e portanto, ela diz.

.  Vítor Ramalho, licenciado em Direito
Vão haver agora eleições para o Parlamento Europeu.

. Aníbal Cavaco Silva, doutorado em Economia, professor universitário, Presidente da República
Vamos ver aqui este belo trofeu...
Palácio de Belém, 20.Jan.2014
Acho que só por caridade com o falante e consideração pela língua portuguesa é que A Bola TV não legendou exactamente como o Presidente falou. Ouvi bem: o professor doutor disse por cinco vezes trofeu, a rimar com Bartolomeu, meu, deu, eu e o sr. Tadeu.
[Em tempo: Canal Q, Altos & Baixos, 28.Mar.2014

.  Maria João Avillez, tia, jornalista, escritora
Ó Mário, quando é criada uma situação que tem que ser debelada, o remédio é amarguérrimo, o remédio foi amarguérrimo.
Não admira que quem diz verosímel, inverosímel ou idiossincracia não conheça o superlativo de amargo.

.  Henrique Cayatte, professor universitário, designer
plàtaforma, gèração, gèracional
Gosto de Henrique Cayatte.

.  Luís Represas, músico
Gravou e anda a cantar há 30 anos um enorme dislate gramatical e um desrespeito menor ao original de Carlos de Oliveira [poema "Xácara das bruxas dançando", do livro "Mãe Pobre", publicado em 1945]:
«[…]
Ó castelos moiros, armas e tesoiros  /  Quem vos escondeu?
Ó laranjas de oiro que ventos de agoiro  /  vos apodreceu?
Há choros, ganidos,  /  à luz das cavernas  / onde as bruxas moram, 
onde as bruxas dançam  /  quando os mochos amam  /  e as pedras choram.
[…]»
«[…]
Ó castelos moiros, / armas e tesoiros, quem vos escondeu?
Ó laranjas de oiro, / que vento de agoiro / vos apodreceu?
Há choros, ganidos, / à luz da caverna / onde as bruxas moram, 
onde as bruxas dançam  / quando os mochos amam / e as pedras choram.
[…]»
Para rimar com escondeu teria de ser vento o que apodreceu as laranjas. Por outro lado, as bruxas do poeta moravam todas na mesma caverna. Luís Represas dispersou-as.
Interpretação [Rock in Rio, 2010] e letra, com os perpetuados "erros Trovante".
- Declamação de Maria Barroso. Ela diz bem, "vento", ainda que a letra aqui apresentada contenha os "ventos" espúrios. O que a doutora diz mal, inventa, é «as unhas podres de nojo». Carlos de Oliveira escrevera «podres de tojo».
- Mas quem, apesar dos "ventos", afinal virais na transcrição do poema, recita "Xácara das bruxas dançando" esmerada e impecavelmente é João Grosso
  
.  Pedro Vieira, licenciado em Publicidade e Marketing, ilustrador, apresentador de TV, blogger
drògados
Canal Q, "Inferno" 

.  O patusco Fernando Seara, licenciado em Direito, benfiquista
Há passeios em Lisboa cheios de buracos. … As pessoas caem, magoam-se, trocem o pé.

as consequências resultantes daquilo que eu chamo os swaps
Eu diria mais: as consequentes, decorrentes e advindas consequências resultantes e supervenientes

.  Pedro Passos Coelho, licenciado em Economia, Primeiro-Ministro, pinículo
«Hoje, na Assembleia da República, o primeiro-ministro disse claramente estejemos. Esperemos que tenha dúvidas e que procure rapidamente saber como é.»
Mas não procurou:
Isso não significa que estejemos alheados das muitíssimas dificuldades que estamos a viver.
Desde que nós tenhamos os pés assentes na terra e sejemos realistas
Registe-se a supressão cirúrgica da frase com o sejemos no vídeo disponibilizado pelo Governo de Portugal. Ad usum delphini... 

.  Assunção Cristas, licenciada em Direito, ministra, pinícula
Isto não quer dizer que sejemos fracos com os fortes.

.  João Perry, actor, declamador, encenador
Levávamos pacotes de papel pardo com feijão, grão e outras virtualhas.

.  Jorge Barreto Xavier, licenciado em Direito, Secretário de Estado da Cultura, pinículo
Isso foi uma enfabulação de uma circunstância., ...
… quem sabe se sob influência remota da cultivadíssima
.  Maria Filomena Mónica, licenciada em Filosofia, doutorada em Sociologia,  investigadora,
que se fartara de enfabular com Paula Moura Pinheiro na RTP 2, "Câmara Clara", 27.Out.2006    

.  Mário Crespo, nessa zona, jornalista
Eu vou começar por citar um filósofo norte-americano, John Dewey, que diz que a arte é uma experiência de vida que combina espontaniedade com um sentido de forma.,
à conversa com
.  Miguel Arruda, licenciado em Arquitectura, escultor, designer,
que do outro lado explicava:
aquilo que nós hoje, à distância, chamamos de 25 de Abril, tinha de facto uma certa áurea … E isso perspassou a toda a gente.
O nome exacto daquilo, "25 de Abril", esqueceu-se Arruda de explicar e Crespo, aqui fica, de lhe perguntar.

.  Mário David, licenciado em Medicina, eurodeputado pelo PSD
Vitali Klitcshko, do partido Udar, ex-campeão mundial de boxe, e esse, sim, com toda a áurea de um herói nacional.

. Catarina Martins, sempre em iminente asfixia, licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, mestre em Linguística, actriz, dirigente e deputada do BE, que não só está preocupada com os ucranianos como também está preocupada com as ucranianas [SIC Notícias, "Jornal das 9", 18.Fev.2014, minuto 02:35] 
O estado ficou com as imparidades que têm a ver com o lixo chico.

.  Helena Sacadura Cabral, licenciada em Economia, jornalista, escritora
Havia na borda da estrada o cabo coachial

.  Paulo Portas, homem, licenciado em Direito, jornalista, Vice-Primeiro-Ministro, pinículo
Obrigadíssima!

.  Adriano Moreira, doutorado em Direito, professor catedrático
Espero que a democracia cristã se revigore em Portugal, quanto muito com a intervenção do actual patriarca de Lisboa, que é um sujeito muito inteligente, muito informado, muito devotado e com grande fé.

.  Eduardo Paz Ferreira, doutorado em Direito, professor catedrático
filhos de dignatários do regime

.  Pedro Marques Lopes, e com isto termino, licenciado em Direito, empresário,
Não podem haver debates, nas televisões nem nas rádios, não podem!

a maneira como o euro foi incorporado nas nossas economias, de uma maneira que eu acho abesolutamente nigligente … foi abesolutamente nigligente nós impormos uma moeda.

A procissão dos swaps ainda vai no adro. Era capaz de apostar singelo contra dobrado que durante os próximos tempos mais casos surgirão.
Era capaz de apostar singelo contra dobrado que o acordo com o PSD era total.
Apostar nesta modalidade, até eu, que nasci pobre e hei-de morrer miserável.

PML, belo e trauliteiro espécime-produto do excelente ensino da Católica, continua a ir de encontro a quando quer ir ao encontro de [SIC/Eixo do Mal, DN]. Mas não deprima, caro doutor Pedro, que não está só:
.  Marcelo Rebelo de Sousa, professor catedrático de Direito,
quando quer ir ao encontro também vai de encontro:
Quanto à ideia de que quem paga impostos é beneficiado, eu não sei o que é que ele [Vítor Gaspar] tem na cabeça, se é fazer aquilo que Portas Pediu, ir de encontro ao que Portas pediu, ou se é uma coisa mais modesta, tipo as facturas.,
TVI, 30.Jun.2013, minuto 21:20
tal como, de resto, outro ilustre e opinativo professor universitário,
.  Rui Ramos, licenciado em História, doutorado em Ciência Política,
porque o historiador procura audiência para aquilo que escreve e, nesse sentido, estuda o que vai de encontro àquilo que são as preocupações do seu tempo.
DN/Q, 07.Dez.2013  

.  Luís Pedro Nunes, licenciado em Comunicação Social, jornalista
E há tipos que são um pouco irrascíveis, como eu e outros.

LPN também diz cócigas [Canal Q, "Inferno", 09.Out.2013, gravação indisponível].

Pedro Mexia, que muito admiro, observa em "Erros de pronúncia" — recensão a Pnin, de Vladimir Nabokov —, no Expresso/Atual de 07.Dez.2013, que o narrador dedica uma atenção maníaca aos detalhes.
Só não estou inteiramente certo de ser também esse o meu mal porque a minha atenção é mais aos pormenores. Onde mora o diabo.

- O sr. demarco dizobnóxio  .  acordos  .  perda  .  iconoclastia  .  pseudo-    alergia  .  patético  .  troféu  .  verosímil, inverosímil  .  idiossincrasia  .  plataforma  .  geração  .  geracional  .  drogado  .  torcer  .  estejamos  .  sejamos .  vitualhas  .  efabulação  .  espontaneidade  .  aura  .  perpassar  .  tóxico  .  coaxial  .  dignitário  .  absolutamente  .  negligente  .  irascível  .  cócegas 
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* Clara Ferreira Alves no Canal Q, "O que fica do que passa", 07.Mar.2014 – minuto 10:18 [quando disponibilizarem o vídeo, conecto], comentando a manifestação dos polícias de 05.Mar.2014 frente a S. Bento:
Os polícias não são arruaceiros e portanto não tapam a cara. … Uma coisa é reivindicar e negociar, outra coisa invadir as escadarias e meter um, um, um, um, um, um passe-partoute lançar petardos.
Luís Gouveia Monteiro- Um passa-montanhas
Movida pelo seu idiossincrático empertigamento cultural, a doutora Clara em vez de, agradecida, pegar com simplicidade no passa-montanhas com que o excelente LGM veio acudir ao seu engasgue, não resiste, antes de prosseguir, a uma explicação errática e bacoca de má perdedora:
É isso, um passa-montanhas. Há quem lhe chame passe-partout. Aqui nós chamamos passe-partout às molduras, incluindo as montanhas. Dá para passar por todo o lado porque ninguém sabe quem lá está dentro. 

** Escrevi em tempos que Clara Ferreira Alves nem sempre é de fiar  calúnias dos blogues de direita, explicará ela
Nova ilustração:
«Estava sentada numa cadeira ao sol, à beira de uma piscina pública de Coimbra. Sol de Junho. Nos altifalantes, a voz do Sérgio Godinho: 'Este é o primeiro dia do resto da tua vida'. […] Um dia quente de um Verão quente, estávamos em 75.»

No fim da primavera de 1978, Sérgio Godinho lançou o seu 5.º LP, "pano-cru", de que constava – lado A, faixa 2 – "O primeiro dia", inédito. 
Três anos antes, em 1975, e a fiarmo-nos no jornalismo sério escoado pelo Expresso, a promissora e jovem caloira de Direito, Clara Ferreira Alves, «sentada numa cadeira ao sol, à beira de uma piscina pública de Coimbra», escutava Sérgio Godinho a cantar "Este é o primeiro dia do resto da tua vida", decerto acometida por prodigioso transe proléptico e quem sabe se trauteando a letra ela própria também.
Investigação mais cuidadosa do episódio permitiu-me detectar uma pequeníssima e irrelevante inconformidade tudo indicando que devida a deficiência técnica dos altifalantes da piscina: de facto, Sérgio Godinho sempre cantou e tem cantado "Hoje é o primeiro dia" e não "Este é o primeiro dia". Não será, contudo, de tal minudência que o jornalismo sério sai infirmado. 

Clara Ferreira Alves, excitadíssima- Sobre a Casa Pia, queria dizer que, retomando tudo o que já foi dito, que é um processo que assenta em prova testemunhal [cara de enjoo] numa falabilidade [sic] absoluta e que, sem querer de maneira nenhuma minorar o sofrimento das vítimas … As vítimas e as alegadas vítimas também se enganam às vezes nessa prova testemunhal; e repito apenas aquilo que o Daniel disse: "e se estiverem inocentes?" Há um princípio básico no Direito Penal; chama-se “in dubio, pro reo” [batendo, furiosa, com a mão na mesa]. Se houver dúvida!, temos que absolver. Se houver dúvida, temos que absolver. E eu tenho muitas dúvidas neste 'caso Casa Pia', muitas dúvidas.

Clara Ferreira Alves, assanhada e gritante, expondo à câmara o livro "Inocente para além de qualquer dúvida", brandindo-o e propagandeando-o com veemência de megafone típica dos feirantes de banha-da-cobra- Queria falar deste livro, do Carlos Cruz, cujo julgamento está neste momento em recurso e a ser avaliado pelos tribunais, e é impossível  o livro tem o prefácio do Miguel Esteves Cardoso , é impossível ler este livro sem ficar com enormes dúvidas, não sobre a inocência de Carlos Cruz, que essa tem sido a base de tudo isto, mas sobre a culpabilidade de Carlos Cruz. Este processo [CFA com ar de troça] não deixa qualquer dúvidas [sic] de que há dúvida sobre a culpabilidade de Carlos Cruz e há um princípio-base no Direito Penal: chama-se “in dubio, pro reo” —  em caso de dúvida, absolve-se; em caso de dúvida, absolve-se. Não é um juízo subjectivo, é um juízo objectivo, é a base de todo o Direito Penal  [CFA gesticula, sentenciosa]. Além de que, como dizia um amigo meu, não é só da liberdade de Carlos Cruz que estamos a tratar; é da nossa própria liberdade. Este processo é terrível. É dreyfusiano e deixa-me assustada. Que ele tenha sido conduzido, investigado e tenha chegado a este ponto deixa-me muito assustada sobre a democracia portuguesa e sobre as instituições de defesa em Portugal.
Pedro Marques Lopes- … quanto a Carlos Cruz e em relação àquele livro que eu li É assustador ler aquele livro.  Eu não precisava de ter lido o livro  sou muito franco  para saber ou julgar saber o que se passou dentro deste processo. Foi um processo que eu acompanhei de perto, por muitas razões. É… eu senti-me, não houve página que eu não tivesse passado em que eu não me sentisse arrepiado, como já me tinha sentido ao conhecer os procedimentos. E, antes do “in dubio, pro reo”, se me permites, há uma coisa vital, que é a presunção da inocência. E o que se passou neste processo, aquilo que está naquele livro; muitas das coisas que estão ali naquele livro, que são baseadas em peças processuais, os testemunhos, são de nós nos assustarmos porque … eu faço minhas as palavras, salvo erro, do Miguel Esteves Cardoso, no prefácio, que diz Isto podia-nos acontecer a cada um de nós”. E este processo vai ser um processo de que daqui a 20 anos ainda vamos falar mas que me faz ter muito medo, muito medo de sair à rua.
Aparte de CFA– É o nosso caso Dreyfus, é o nosso caso Dreyfus!
Daniel Oliveira-  Eu quando falo com alguém sobre o 'caso Casa Pia', que deve ser o caso que mais insultos me mereceu até hoje 
Nuno Artur Silva- A todos 
DO- … a todos, provavelmente, as pessoas têm convicções  "Mas tu achas que ele é culpado?" […] Muitas pessoas não têm claro para que é que serve a justiça. A questão não é  para mim nunca foi  se Carlos Cruz é culpado ou inocente; não sei. Para mim, a questão é simples. Eu comecei a ler este livro, acompanhei bastante o processo, comecei a ler este livro, ainda não acabei, e o que digo é que há uma convicção que eu tenho: o 'processo casa Pia', como foi julgado e feito, é assustador.
PML, corroborando- Assustador!
DO - … e isso é o que me interessa e independentemente e para lá de Carlos Cruz.

Com Carlos Cruz e os outros entretanto na cadeia, condenados e recondenados — crimes de abuso sexual de menores — por uma legião de profissionais da Justiça incompetentes e mancomunados em obscuro propósito mefistofélico, nunca mais Clara Ferreira Alves, Pedro Marques Lopes e Daniel Oliveira, borrados de medo, terão saído à rua sem escolta, mas parece que o livro foi um sucesso editorial.