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domingo, 28 de fevereiro de 2021

Cronologia breve da desonestidade suprema

"Anos de Guerra - Guiné 1963-1974" é um documentário produzido em 2000 por Pedro Efe, da Acetato, em associação com a RTP, realizado por José Barahona que o disponibilizou no YouTube em 14.Fev.2021. «[...] Recolha de depoimentos de ex-combatentes ainda vivos e de imagens de arquivo possíveis.»

Ao início da madrugada de 19.Fev.2021, o inefável Mamadou Ba tuitou um excerto de 22 segundos cirurgicamente delimitado, com o ex-combatente português Marcelino da Mata, falecido aos 80 anos em 11.Fev.2021, a contar:
«Íamos fazer uma operação, entrámos na mata, encontrámos o gajo. Estava lá com o camuflado do rapaz, o relógio do rapaz, a bússola que o rapaz tinha na mão, tudo, os sapatos do rapaz, tudo vestido conforme o rapaz estava. Apanhámos o gajo, despimos-lhe a farda e fizemos-lhe a mesma coisa que ele fez ao outro: cortámos-lhe a  piça e metemos-lha na boca.»
Comentário de Mamadou Ba:
É por este tipo de gente que há tanto chinfrim? Isto diz muito de nós, enquanto comunidade.

A meio da tarde do mesmo 19.Fev.2021, o sociólogo Fabian Figueiredo, dirigente do Bloco de Esquerda, apaniguado e idólatra de carniceiros vários com destaque para o sanguinário Che Guevara, que se comprazia em fuzilar pessoalmente os inimigos, postou o mesmo cirúrgico excerto de 22 segundos, aduzindo-lhe a seguinte legenda:
Marcelino da Mata foi um criminoso de guerra e orgulhava-se disso. No vídeo podem ouvi-lo da boca do próprio.

Ao início da madrugada de 20.Fev.2021, Fernanda Câncio, jornalista e suma-sacerdotisa da religião Lux Frágil, retuitou a poia de Fabian Figueiredo com o mesmo cirúrgico excerto de 22 segundos, acrescentando:
então era isto o militar mais condecorado e tal. estou certa de q quem o louvou estava a par de tamanha franqueza. qual convenção de genebra qual quê.

Sem perder embalagem e engrenada no entusiasmo usual das suas causas muito particulares, eis a grande repórter no Diário de Notícias de 23.Fev.2021:  
«[...]
Sim, o mau gosto não tem mesmo limites*: pôr, lado a lado, umas quantas notícias a dar conta de textos antigos do actual juiz conselheiro em que este dizia o acima exposto e uma petição** para expulsar uma pessoa pertencente a mais uma minoria historicamente perseguida e silenciada - a dos negros - por ter apelidado de criminoso de guerra um ex-comando muito condecorado pela ditadura que por exemplo se gabou de ter, nos seus feitos de combate, cortado o pénis de um inimigo, metendo-lho na boca.
[...]»
Atentei nos depoimentos militares de Marcelino da Mata. Como consegue alguém encontrar-lhe ponta de vanglória ou gabarolice?
Movido pela profunda repugnância que a suprema, arrogante e concertada desonestidade dos doutores Mamadou Ba, Fabian Figueiredo e Fernanda Câncio me causou, também eu não resisto a um excerto. Mas não consigo torná-lo honesto se não usar pelo menos o triplo de segundos, 65 ao todo.  
O ex-combatente português fala de dois portugueses aprisionados por guerrilheiros do PAIGC:
«E então, não sei como é que fizeram, raptaram-nos aqueles dois soldados da companhia quatro oitenta e sete. Levaram um homem para o mato. Despiram-no. Agarraram num pau, espetaram-lho no cu até sair pela boca e puseram-no de pé. O outro amarram-no a uma palmeira, cortaram-lhe a piça e meteram-lha na boca. [...] Um dia íamos fazer uma operação, entrámos na mata,  encontrámos o gajo. Estava lá com o camuflado do rapaz, o relógio do rapaz, a bússola que o rapaz tinha na mão, tudo, os sapatos do rapaz, tudo vestido conforme o rapaz estava. Apanhámos o gajo, despimos-lhe a farda e fizemos-lhe a mesma coisa que ele fez ao outro: cortámos-lhe a  piça e metemos-lha na boca. A mesma coisa que ele fez ao tal soldado branco fizemos-lhe a ele. E fomos embora.»
 
* Sim, dona Fernanda, e a manipulação também não tem mesmo limites.
Para Fernanda Câncio a «convenção de genebra» não se aplicaria a guerrilheiros guineenses. Decerto porque esses eram criminosos bonzinhos...

Por falar em guerra, apetece-me autobiografia.
Fui incorporado no serviço militar obrigatório em 02.Out.1972, passei à peluda em 07.Mar.1975. Vinte e nove meses na patente de soldado raso. Nos primeiros seis meses estive em infantaria, especialidade de atirador. Aprendi, com muita relutância e pouco jeito, a manusear a metralhadora HK21 e a espingarda G3 no campo de tiro da Serra da Carregueira e na Amadora.
Num bambúrrio de sorte, o maestro capitão Sílvio Pleno requisitou-me em Abril de 1973 para a Banda do Batalhão de Caçadores n.º 5. Por exemplo, no histórico Primeiro de Maio de 1974 — nunca tanta e tão alegre gente andou nas ruas de Lisboa —, eu estava aqui.
Destarte me livrei da guerra e de bater com os costados em África. Sem heroísmo nem glória, sou, literalmente, um antigo «soldado de Abril». Nada que me suscite especial orgulho; apenas um tudo-nada de vaidade.

Mas de guerra mesmo, da que dói e ensandece, e de criminalidade cometida nela, quem sabe a sério é o queque leninista-trotskista-guevarista Fabian.
______________________________________    
«Viemos de muito longe e iremos até ao fim no combate contra a opressão, custe o que custar.»

Deixem-me fantasiar.
MB nasceu no Senegal em 1974, veio para Portugal em 1997. Porque veio, para que veio, o que o prende cá, lá com ele.
África combateu-nos, aos europeus, colonizadores ou colonos, por anos e anos até à libertação e autodeterminação. Escorraçaram-nos de sítios que não eram nossos. África está e continuará, sabem os deuses com que esforço e a que custo, a erguer-se de séculos de usurpação de território, escravatura e exploração às mãos do cristão branco bem-falante e bem armado. Mas perguntar-me-ei sempre: O que atrai tantos africanos, coetâneos ou filhos da subjugação colonial que combateram heroicamente a preferirem vir viver em casa dos que os subjugaram?  
MB, por razões de absoluta liberdade que a República Portuguesa promove e respeita, achará que faz mais falta à nova terra que escolheu e o acolheu do que à sua antiga terra, à grei a que actualmente pertence do que ao povo de que provém. Aparentemente o Senegal não precisa tanto de MB como Portugal.
Imaginemos agora que aos portugueses brancos de cepa caucasiana, incluindo Joana Gorjão Henriques, Fernanda Câncio, Joana Cabral, Daniel Oliveira ou Pedro Marques Lopes, nos dava a todos em conjunto e de uma só vez, por qualquer veneta cósmica determinada pelo livre arbítrio da individualidade digna — quem sabe se impelidos pelo velho e inelutável instinto de mostrar novos mundos ao mundo — para desertarmos daqui e irmos montar residência e nacionalidade, sei lá, numa tundra siberiana ou numa planície tasmaniana...
Antevejo Mamadou Ba a correr atrás dos nove milhões de branquelas transumantes, deixando a despovoada lezíria lusitana ao cuidado do Comité Joacine; sim, porque sem a ajuda iluminada de Mamadou o homem branco jamais se livrará do vício de oprimir, aqui e em Marte.

«ao contrário dos que me vilipendiam, o que me move é o amor» - MB, 22.Fev.2021
Ai Portugal, Portugal, que seria de nós se Mamadou Ba não te amasse tanto!?

** Esta Petição não passa de protérvia imbecil.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

O efeito «jovem» no jornalismo de manipulação e engodo

Sem negar malfeitorias, abusos ou crimes praticados por polícias — sim, infelizmente acontece —, sujeitos a devido julgamento, nem ignorar o direito a ressarcimento das agressões e ofensas várias sofridas às mãos daqueles por cidadãos da Cova da Moura, não consigo deixar de me enojar e sentir insultado como cliente de notícias com o fanatismo ideológico de certo jornalismo de agenda, designadamente o praticado por Joana Gorjão Henriques, Fernanda Câncio e Valentina Marcelino, em torno dos incidentes de Fevereiro de 2015 na esquadra de Alfragide/Amadora. Em cada peça que assinam não escondem, ou escondem muito mal, o que manifestamente as anima: desde logo e sempre, atacar a Polícia, diabolizando-a, ocultando ou branqueando em paralelo idiossincrasias e eventual conduta violenta ou delituosa das vítimas, angelificando-as; tratá-las maternal e sistematicamente por «jovens» faz parte da táctica de atracção do leitor, indignado ou comovido, para a causa.
Volvidos seis anos sobre os factos, transitados em julgado os veredictos, lá veio Valentina Marcelino, jamais saciada na fome de punição da Polícia, prenhe do ódio descabelado que devota a "agentes da autoridade", tomar no Diário de Notícias de ontem as dores dos eternos «seis jovens da Cova da Moura» que agora «[...] apresentaram uma queixa à Provedora de Justiça contra a inspectora-geral da Administração Interna e o director nacional da PSP, por não agirem disciplinarmente contra os oito polícias condenados, que continuam em funções. [...]»

Recordemos os «seis jovens»:  
Flávio [rapper LBC Soldjah], 38 anos; Celso [rapper Kromo di Gheto], 38 anos; Bruno [rapper Timor Young Smoke], 30 anos; Rui, 29 anos; Paulo, 26 anos; Miguel, 25 anos. 


Recupero de 25.Ago.2019 "Os pretinhos bons, os polícias maus e a palavra jovem":
«[...]
Fernanda Câncio [6 peças aqui - ou isto aqui], irmanada com Valentina Marcelino [14 peças aqui], ambas no Diário de Notícias, e Joana Gorjão Henriques no Público [18 peças aqui], a reboque do Bloco de Esquerda/SOS Racismo/Mamadou Ba e com inevitável unção do bonzo de Coimbra [minuto 01:45, eis São Boaventura imprecando São Bento em 12.Fev.2015] lá foram urdindo e fazendo vingar desde 2015, com persistente e manipulada rotulagem etária propícia à comoção das almas sensíveis, a saga dos sempre, sempre, mas sempre tratados por "seis jovens da Cova da Moura"; jamais "indivíduos", "pessoas", "cidadãos", "moradores", ou simplesmente "homens". Para que conste: Flávio, nascido em 1983; Celso, em 1983; Bruno, em 1991; Rui, em 1992; Paulo, em 1995; Miguel, em 1996. Referindo-se a Flávio Almada, senhor de 36 anos, comenta Fernanda Câncio com desvelo pedomaternal: «A brutalidade deste relato de um dos miúdos do caso Cova da Moura é impressionante» - Twitter, 22.Set.2018. Repare-se na candura antropológica [mães, grávidas, crianças a brincar...; de homens ou rapazolas façanhudos, nem uma sombra. Afinal, Cova da Moura é um idílio de inocência, remanso e doçura feminil] das sete ilustrações, escolhidas adrede para enfeitiçar leitores incautos, com que a jornalista Câncio documenta a reportagem de quatro páginas no DN de 15.Jul.2017Sabidona.
De resto, em nenhuma passagem dos quilómetros de prosa jornalística das três inefáveis plumitivas — Fernanda, Valentina, Joana — me lembro de ter encontrado qualquer alusão ao facto, que dou por adquirido, de o jovem Bruno Lopes, o que desencadeou o caso da esquadra de Alfragide, levar no currículo sete condenações transitadas em julgado de 2008 a 2016 e ter a correr, em Setembro de 2017, 36 inquéritos-crime  [a partir do minuto 23:00]; vendo bem, um anjinho. Também "gostei" da cena, narrada por Joana Gorjão Henriques  no Público de 14.Jul.2017, em que três jovens foram detidos por agentes quando estavam a fazer música num estúdio. «Um dos jovens contou que tinha vindo à porta e depois de um curto diálogo foi agredido com uma bastonada, algemado e atirado para o chão e colocado na carrinha.» Deixem-me imaginar o "curto diálogo":
JovemBoa tarde, senhor agente. Como vai a vida? Muito trabalho?
Agente- Faz-se o que se deve e se pode. Uns dias mais tranquilos, outros nem tanto.
JovemOssos do ofício, senhor agente. Temos de enfrentar as coisas com optimismo e calma.
Nisto e sem dúvida por isto, o agente saca do bastão, pumba no jovem
etc., etc.
Escreve Fernanda Câncio no lide da tal reportagem, sem aspas nem atribuição de autoria (Sérgio Godinho): «A sede de uma espera só se estanca na torrente.» Anoto a coincidência de, quando necessita de exibir alguma erudição literária, ser ao mesmo mantra  conhecerá outro?  que recorre António Costa, secretário-geral do Partido Socialista, primeiro-ministro. Já aqui falei disso.
Sem favor, considero Fernanda Câncio entre os jornalistas que mais bem redigem em Portugal, pese não saber como se escreve retaguarda [ela pensa que é rectaguarda, coisa que nem antes do teratológico AO1990 era]. Mas, depois da extensa e — santa ingenuidade minha! — tardia compreensão do conúbio com José Sócrates numa altura (2001-2011) em que eu apesar de tudo admirava Sócrates e votava no PS, partido que hoje tomo por caldeirão de incestuosa imundície, e acreditava na isenção/desinteresse pessoal do que a jornalista escrevia no DN, não posso deixar de achá-la, também, uma das personagens mais desonestas que conheço e sigo na comunicação social portuguesa. Não lhe perdoo aquilo com que me fez amiúde concordar e vez por outra entusiasmar [e não, não falo de figos]. A esta distância, torna-se-me até desafiante especular acerca da muito presumível influência desta codiciosa e esperta paladina das "causas fracturantes" no ideário e na materialização de políticas por parte da criatura horrenda e mendaz — repartiam o coração sem que isso lhe toldasse a deontologia ao defender-lhe o nome (veja-se, entre múltiplos exemplos, este desavergonhado "J'accuse") e a gabar-lhe dia sim, dia sim, a governação — que certo dia recomendou aos portugueses que não deixassem de ir ver «o filme que se chama Milkpresumo, e fala da biografia de um dos primeiros políticos assumidamente homossexuais».
Câncio, desonesta ... e nem sempre fiável. ****

**** Fernanda Câncio: «Tenho a mania do rigor. Não me passa.» - Twitter, 16.Dez.2017
«foi criada, em 1996, na sequência do horrível caso da decapitação no posto da GNR de Sacavém, a Inspecção-Geral da Administração Interna, para investigar casos de ilegalidade e de violência nas forças de segurança» - Fernanda Câncio, DN, 22.Jul.2018
Já agora,
Inês Pedrosa: «Houve um caso em 95 de um polícia que decapitou um cidadão numa esquadra, em Sacavém» - "O último apaga a luz", RTP 3, 25.Jan.2019
Há, portanto, que agregar as amiguinhas Fernanda e Inês [CCB, Lisboa, 08.Jun.2010], na contrafacção fervorosa da realidade, à desonestidade insigne de José Saramago Clara Ferreira Alves.
Já em 31.Mar.2018 Ricardo Araújo Pereira molhara na fantasia o bico desonesto, trocando dessa vez Sacavém por Santarém: «Lembro-me de uma vez, numa esquadra em Santarém... Uma vez, numa esquadra de Santarém, eles serraram a cabeça de um desgraçado.» Lembra-se mesmo?  ***** 

«Comecemos por exemplo, já que falamos da esquerda, com uma frase célebre atribuída a Lenine: 'Proletários de todo o mundo, uni-vos.' Ser proletário, parece, é uma identidade, certo? E uma identidade que deve levar, de acordo com o apelo de Lenine, a que todos os que assim se identificam se unam para, claro, lutar pelos seus direitos.» - Fernanda Câncio, DN, 27.Jul.2019
Azar, doutora. A frase é do Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, e nem é bem assim. «Proletários de todos os países, uni-vos!» CertoClaro.

***** Sacavém, terça-feira, 07.Mai.1996 - «[...] Carlos Rosa, 25 anos, roubava para alimentar o vício da droga. Acabou apanhado pela GNR e levado ao comandante que lhe encostou o cano da arma à cabeça e lhe berrou mais uma vez ao ouvido para o intimidar. A pistola de José Santos fez fogo no calor do interrogatório e, enquanto Samuel omitiu o crime, Castelo Branco ajudou a esconder o cadáver – embrulhado num cobertor e levado de carro para um descampado na Quinta da Apelação. O sargento Santos usou uma faca de mato para cortar o magro pescoço de Carlos Rosa, até o decapitar. Deixou o cadáver coberto com ramos e levou a cabeça de volta para o posto onde, com uma chave de fendas, tentou tirar a bala comprometedora. Não reparou que a munição atravessou o crânio da vítima e se foi alojar numa porta de madeira. Horas depois, o sargento abandonou a cabeça em Chelas, Lisboa, atirou a faca ao rio Trancão e deitou o cobertor ao Tejo. O esforço foi em vão: a 16 de Maio, dez dias depois, um pastor encontrou o cadáver. [...]».
Insista-se, para desencanto do contrabando noticioso activista: ninguém decapitou um cidadão dentro da esquadra.
Apre!
[...]»

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Fernanda Câncio em manobras

«[...]
Sobre o desempenho da jornalista Fernanda Câncio, os antigos directores são unânimes: é uma profissional de excepção. Miguel Sousa Tavares, que a dirigiu na "Grande Reportagem", afirma que sempre teve "a melhor impressão de Fernanda como jornalista"
[...]
Miguel Coutinho, director do "Diário de Notícias" entre 2004 e 2005, revela que os trabalhos que fez com a redactora são "intocáveis".
António José Teixeira, director do mesmo jornal entre 2005 e 2007, diz que Fernanda é dedicada ao trabalho. João Morgado Fernandes, membro da mesma direcção e director interino antes da chegada de António José Teixeira, descreve-a como uma jornalista minuciosa, que "fala com 500 pessoas antes de escrever".
[...]
No Twitter, na blogoesfera (onde escreve sem letras maiúsculas), ou no Diário de Notícias, Fernanda Câncio tem-se dedicado a escrever sobre o processo Freeport.
[...]»

Até por alturas de 2012/2013, quando comecei a dar mais atenção, menos preconceituosa, a todas as torneiras de informação em vez de apenas ao jornalismo dito "de referência", tinha boa impressão genérica da veterana jornalista Fernanda Câncio [16.Fev.1964], grande repórter no Diário de Notícias, de Lisboa. Além do mais, FC sempre redigiu bem, tirando o modismo afectado, ridículo, do "tudo em minúsculas" que pratica nas redes.
Hoje em dia, tenho da jornalista Fernanda Câncio a pior impressão possível. Considero-a jornalista de agenda, sectária e tendencialmente desonesta — já o era, porventura mais no tempo de José Sócrates, em que eu, enfeitiçado por entusiasmos político-partidários pueris, andava de olhos meio fechados — e, quem diria?, nem sempre devidamente informada.
Dois apontamentos.
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A gravata ...
«É uma mania minha, de tantas: aversão não negociável às gravatas.[...] pedaço de seda garrida que passa por certificado de respeitabilidade e masculinidade. [...] naquele nó ridículo, debatendo-se para todo o sempre com as particularidades da combinação entre riscas, bolinhas, cornucópias ou cores lisas com a camisa e “o fato” [...] Encontrei muito pouca gente que assumisse gostar de gravatas; não vislumbrei um único que achasse fantástico “ter de” as usar. [...] Reparem: nada existe no vestuário feminino ocidental que se equipare, em simbolismo e carácter compulsivo, à gravata. E nada, como a gravata, transporta a ideia de “reduto masculino”. Uma mulher vestida de calça, casaco e camisa não está “vestida de homem”; mas acrescente-lhe uma gravata e ei-la travestida. O que é tanto mais estranho quanto a ideia de adereço inútil e de enfeite está muito mais associada ao vestuário feminino e ao universo das mulheres que dos homens, geralmente descritos como seres de elevado sentido prático que não se interessam por futilidades nem sequer se preocupam com a imagem – a não ser, bem entendido, que tenham uma orientação sexual não maioritária. [...] a gravata viria a transformar-se num dogma de “seriedade e masculinidade” [...]»

Kamala Harris, vice-presidente dos Estados Unidos da América empossada ontem, tem uma enteada, Ella Emhoff, filha do marido, Doug Emhoff, e da antiga mulher deste, Kerstin Emhoff. Nasceu em 29.Mai.1999, estuda design. Horas antes da cerimónia da investidura presidencial, Ella Emhoff surgiu nalgumas fotografias na companhia do irmão, Cole, e da mãe, junto ao Lincoln Memorial, em Washington, D.C. Esta, em particular, pôs a fricalhada em êxtase e suscitou a Fernanda Câncio o seguinte comentário no Twitter, destaque meu:
«uau. só acho a carteira hedionda ali mas se calhar não tinha nada apropriado. adoro a gravata» 

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... e a religião
Correm nas redes religiosas de esquerda falsos pronunciamentos, ilustrados, dos mais altos dignitários do corpo eclesiástico português, como José Tolentino Mendonça, Manuel Clemente ou António Marto, prevenindo fiéis e cidadãos incautos contra o que a pandilha e a retórica de André Ventura representam de ofensa e desvio do "verdadeiro" cristianismo e da doutrina social da Igreja. Até pode ser que representem. Sucede que nenhum dos ilustres prelados disse o que quer que fosse daquilo que os crédulos de Marisa Matias, Ana Gomes e afins, incluindo naturalmente Mamadou Ba e Fernanda Câncio, espalham que eles disseram. Leia-se o desmentido da Conferência Episcopal Portuguesa. Daí não me surpreender que MB e FC, falsários como nunca, se agarrem e invoquem contra André Ventura, demónio que os atormenta, o testemunho apócrifo do bispo de Leiria.

Por fim, André Ventura em campanha eleitoral passou na terça-feira, 19, por Coimbra onde, com a trupe chegada, representou a sua pantomima: entrou na Igreja de Santa Cruz pela missa das 17h30 adentro, rezou, comungou, prostrou-se perante o Fundador e cá fora ouviu das boas, conforme aqui bem narrado.  
Fernanda Câncio ficou indignadíssima — vejam lá, logo a Câncio iconoclasta ateia belicosa, suma-sacerdotisa da igreja Lux Frágil — com o desrespeitoso topete do candidato católico. Mal sabia ela que estava tudo acertado com o senhor prior.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Bons e maus

Neste início de semana sondei uma dúzia de familiares e amigos acerca de dois atentados sanitários recentes, apetece-me dizer crimes, perpetrados por cá em plena pandemia:
Todos os meus inquiridos, criaturas medianamente informadas, sabiam, mais ou menos horripilados, do banquete ventúrico; apenas um estava ao corrente do protesto «antifascista», sem reparo sanitário digno de apreço.

Acabo de guglar: o arraial da Praça de Luís de Camões devolveu-me 920 resultados, sem nenhuma ou com residual indignação anticovidiana à mistura; a comezaina no "Solar do Paço", 9850 resultados recheados de imprecação e censura veemente.  

A comunicação noticiosa portuguesa merece-me, em geral, pouco respeito.  Fede a selectividade tácita; da isenção faz não mais do que ideia vaga; rege-se por cartilha e agenda doutrinárias; presta favores aos governos de turno; induz no indivíduo necessitado de informação a percepção dos factos à luz da trend ideologicamente correcta ou da conveniência circunstancial do patrão. Enfim, fervor em manobras.

Levemente a despropósito, ocorre-me, não é?, voltar a Mamadou Ba, igualmente presente na Praça de Luís de Camões
Referindo-se a André Ventura e citando apocrifamente o bispo de Leiria, o pesporrente e amabilíssimo doutor tuitou no passado dia 15,
'Será que o charlatão vai enxergar. Noutro dia foi o Marcelo a tirar-lhe Sá Carneiro e João Paulo II, agora é o bispo de Leiria a tirar-lhe a máscara. Mas como não tem vergonha na cara vai seguramente continuar a borregar berros de ódio!',
provando de uma assentada que desconhece o ponto de interrogação [não sei se na gramática senegalesa há, mas admira pouco em falantes que afirmam muito e raramente perguntam] e, sobretudo, que se está borrifando para a autenticidade das fontes, desde que lhe forneçam ladainha ajustada à causa, já que o cardeal António Marto nunca proferiu as palavras, sequer semelhantes, que Mamadou Ba lhe atribui.
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* Assista-se, no quarteirão de vídeos do acontecimento disponibilizados pelo Arquivo Ephemera, de José Pacheco Pereira, à inanidade inflamada de que aquela gente é capaz e à incapacidade liminar daqueles tontos de entoarem razoavelmente afinados o "Grândola, Vila Morena". Metem dó quando tentam a polifonia e tornam-se assustadores na vociferação de putatitvos aerossóis de SARS-CoV-2 na parte em que 'o povo é quem mais ordena'. Bem sei que o "parabéns a você" é muito mais fácilmas o hino nacional é bem mais complicado.

Seria parcial e injusto se fechasse o verbete sem um considerando às práticas artístico-musicais entre as hostes tenebrosas de André Ventura: horror sem nome nem comiseração.

sábado, 12 de dezembro de 2020

Mamadou Ba

«[...]
Falta insistir na pergunta, que a dignidade e a inteligência impõem, a que o racista MB tem de responder: porque veio, porque pediu e continua a viver nesta pátria que odeia com um povo que detesta?
Missão? Ou simples negócio?»* 

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* Aposto em que a branca deste quinteto tem uma resposta qualquer.

domingo, 29 de novembro de 2020

Não é?

«Nós temos tanto para oferecer ao mundo, não é?, que não é sequer a questão do discurso que está aqui em disputa. O que está mais em disputa, não é?, é a nossa capacidade, em termos da autonomia da nossa voz, não é? É sairmos um bocado do acantonamento do lugar só da refutação. Nós para além da refutação temos proposta, não é? Essa é a parte mais essencial. Evidentemente que a refutação faz parte da capacidade propositiva, mas o que mais importa para combater o discurso de ódio é propor uma nova narrativa, um novo discurso, uma nova forma de olhar e de inventar a humanidade e reclamar a ideia de que não há humanidade, não é?, a partir desta ideia enganosa, para não usar um palavrão, não é?, de que o alfa e o omega do mundo partem desta eurocentralidade, não é?, do pensamento de que tudo parte a partir daí, como dizia o Glissantnão é?, nós temos é que matar o homem branco, como nos sugeria o Fanon. O homem branco que nos trouxe até aqui tem que ser morto, ele tem que ser morto. E essa morte, para nós evitarmos — o que dizia o Orlando Patterson — a morte social do sujeito político negro, é preciso matar o homem branco assassino, colonial e racistanão é? E, então, reconstruir uma narrativa é a partir da nossa condição de sujeito. Eu acho que sobretudo nós aqui na Europa temos muito a aprender com o Brasil, não é? Eu nunca tinha ido ao Brasil. A primeira vez que estive no Brasil foi há dois anos e tive o privilégio e a honra de ter a Sueli Carneiro a mediar a minha mesa. Foi um momento enorme para mim. Desatei a chorar sem perceber porquê. Claro que o que estava a falar era a minha memória genética ali, não era só o facto da interacção em si. E eu na altura propus um desafio à assistência: dizer que se nós queremos combater o mundo temos que (?)...izar(?) a humanidade, não é? Porque as nossas pautas não se balizam a partir de uma dimensão cromática do nosso ser e da nossa condição, não é? Elas são muito mais ontológicas, elas resgatam aquilo que a Europa e a branquitude não nos concede, não é? Nós somos inteiros, intrínsecos, e eu costumo dizer* que a consciência negra é muito mais do que só uma efeméridenão é? Porque é uma consciência de si, é a consciência da sua humanidade, da sua inviolabilidade e da sua intemporalidade, não é? E é a consciência de que a nossa humanidade, ela é constitutiva do que é a humanidade em si. Sem nós não havia humanidade**não é? Sem a nossa história — aliás, o afro(?)...cismo(?) é isso mesmo: para que os outros se pensem humanos ou humanas*** eles têm que nos pensar como não humanos, não é? E então um dos nossos esforços no combate ao discurso de ódio é exactamente recentrar a disputa sobre o significado do humano, hoje, não é?, e da sua relação com toda a matéria viva do universo, não é? Ou seja, essa democracia do vivo, não é?, ou seja, a democracia da vida, porque a nossa vida foi sempre — na Europa, então, muito mais ainda, não é? —, ela está sempre a partir da bitola, não é?, da não essencialidade, não é? É por isso que eles ficam absolutamente em psicose colectiva quando reclamamos a nossa identidade. Porque identidade significa ter algo, não é?, a oferecer, algo a partilhar, não é?****»

//


Enquanto isso, adivinha-se entre a matilha de jornalistas da visão correcta do mundo — nenhum, que eu tenha notado, aludiu à intervenção do doutor Mamadou — íntima anuência. O fervor concordante de, só por exemplo, dois assanhados plumitivos das causas certas: a activista Joana Gorjão Henriques que adora MB e o totalitário Daniel Oliveira, seu ex-cunhado, que o venera.
E não venham engrolar com o "contexto metafórico". Como me contava a dona Odete, ...
____________________________________________________

** Na humana parte que me toca, muito obrigado, meu irmão Ba, e saudações à tia Lúcia.
Perante discurso de dissolução do ódio como este, que caucasiano «inteiro e intrínseco» não fica com vontade irreprimível de abraçar e beijar Mamadou? Só mesmo o abominável SARS-Cov-2 no-lo impede. 

 
**** Por favor, alguém responda à criatura se é.

domingo, 7 de junho de 2020

Bloco de Esquerda, calamidade pública

Com promoção e envolvimento regozijante do Bloco de Esquerda, entre outros, ontem, sábado, aconteceu isto em Portugal. Com cumplicidade festiva do Bloco de Esquerda exibiram-se rimas destas em Portugal.
Ante o silêncio acocorado do presidente da República e do primeiro-ministro, afixou-se isto e isto nas maiores cidades de Portugal.

Prorroga a declaração da situação de calamidade, no âmbito da pandemia da doença COVID-19.
«[...]
Nos termos dos artigos [...], o Conselho de Ministros resolve:
1- Declarar, na sequência da situação epidemiológica da COVID-19, a situação de calamidade em todo o território nacional até às 23h59 do dia 14 de Junho de 2020, sem prejuízo de prorrogação ou modificação na medida em que a evolução da situação epidemiológica o justificar.
[...]
Presidência do Conselho de Ministros, 29 de Maio de 2020. - O Primeiro-Ministro, António Luís Santos da Costa

Anexo à RCM n.º 40-A/2020, de 29 de Maio de 2020
«[...]
Artigo 5.º- Limitações especiais aplicáveis à Área Metropolitana de Lisboa
1- Na Área Metropolitana de Lisboa o acesso, circulação ou permanência de pessoas em espaços frequentados pelo público, bem como as concentrações de pessoas na via pública encontram-se limitadas a 10 pessoas, salvo se pertencerem ao mesmo agregado familiar*.
[...]»

Hoje nos Açores [o homem não pára quedo. Ontem foi Ericeira. Ninguém fala das contas de gasóleo, tripulação e comitiva?], pelas 14h25, uma jornalista da TVI interpelou com oportunidade e pertinência Marcelo Rebelo de Sousa:
- Manifestações como as que vimos ontem em Lisboa e no Porto são desaconselhadas. Ainda para mais no caso de Lisboa que tem a situação que tem. Como é que encarou aquelas imagens?
Gastando um minuto e meio da sua insuperável e gelatinosa cartilagineidade a não dizer frontalmente como encarara estas imagens, o presidente-arlequim rematou:  
- (...) Portanto, há aqui um equilíbrio, como costumo dizer, nem facilitar, que se paga caro, nem alarmar. As autoridades sanitárias aí têm um papel fundamental, porque elas sabem aquilo que os políticos não têm de saber necessariamente. Têm de saber o que é preciso decidir politicamente mas tentam ouvir as autoridades sanitárias.
Mais esquivo e cobarde seria difícil. 

A esta hora desconheço se alguém interpelou António Costa acerca da insolente, sobranceira e ofensiva violação por parte do Bloco de Esquerda da resolução assinada por ele. Como não espero nada de muito corajoso ou digno de um primeiro-ministro, o mais esperto dos ratos espertos, subserviente e condicionado pelas Catarinas e Mortáguas desta vida, resta-me inquirir o Plúvio:
- E vós, Plúvio, que achais do comportamento do Bloco de Esquerda, ontem em Lisboa, à luz da RCM n.º 40-A/2020?
- Nada que me surpreenda numa das organizações mais insanes, irresponsáveis e perigosas, roçando crime contra a saúde pública na iniciativa de ontem, no ordenamento democrático português. E já agora aproveito para me borrifar nas lições e exemplos de democracia e de anti-racismo do doutor Mamadou Ba e para dizer que a comparência da doutora Ana Gomes, putativa candidata a presidente da República, que precisa de se dar a ver nos arraiais, me soou a oportunismo e demagogia. 
______________________________________________ 

Catarina Martins:
E quem julga a BEata doutora Catarina ser?

Nota-se.

Pena o crescimento notório de Catarina Martins não ter sido acompanhado de aprendizagem básica da língua portuguesa.

Mariana Mortágua, 01.Mai.2019:
Suspeito de que o senegalês Mamadou Ba ficou multifodido por o Bloco o ter trocado por assessoria argentina... Daí tão tonitruante divórcio.

* Manda a prudência que não exclua liminarmente a possibilidade de a turba que marchou e rugiu — com inglês abundante, coisa que até à devota e entusiasta Câncio desgostou  —, da Alameda à Praça do Comércio, pertencer ao "mesmo agregado familiar". Afinal, não foi a própria Catarina Martins que em 11.Nov.2018 proclamou que todos esses São a nossa gente, a nossa gente!? Foi.
A ter sido o caso, e oxalá o corona não dizime entretanto tão prolífera e prestimosa família, aqui voltarei para pedir desculpa ao Bloco.   

sábado, 16 de novembro de 2019

Incluindo o casamento pela Igreja e o rezar escorreito, tudo em Joacine soa a contrabando ideológico recauchutado

Declaração prévia
Eu, Plúvio, incapaz de me pensar, bem como à sociedade a que pertenço, fora do paternalismo colonialista em que o Estado Novo me formatou a história, o quotidiano, a imaginação e o desejo, declaro-me farto até ao vómito de tanta «responsabilidade cidadã» e de tanta «linguagem do ódio».
Vamos a isto.

Um dos textos em que nos últimos tempos me pareceu, linha a linha, exemplo a exemplo, ressumar maior e mais objectiva desonestidade foi o da prosélita professora Susana Peralta,  "A gaguez de Joacine e a pequenez do nosso espaço público", no Público de 08.Nov.2019.
No Público de ontem, 15.Nov.2019, Bárbara Reis, não deixando de me surpreender, vem estribar com argumentação poderosa a minha repulsa de uma semana atrás: "Churchill e Joe Biden são gagos? A ideologia pode cegar".
Ai cega, cega!

Não separe o homem o que Deus uniu... Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco... 
«[...] Joacine é divorciada e tem uma filha de três anos, Anaís Leonor. Primeiro, casou-se na conservatória com o ex-marido. Depois casou pela Igreja. 'Para irritação das minhas amigas feministas, digo que preciso de alguma incoerência na minha vida' [...] Ainda hoje, se rezar uma ave-maria, como fez à nossa frente, as palavras saem-lhe escorreitas sem qualquer tipo de hesitações. Não sabe explicar porquê mas não gagueja quando reza.»
- Octávio Lousada Oliveira/Sílvia Caneco, "A mulher que até os colegas de partido irrita" | Visão, 14.Nov.2019
Caso para sugerir que, em vez de falar, ó mulher, reze no hemiciclo! 

Joacine e o ódio
«[...] Nunca respondi com ódio a comentários de ódio, nem com ansiedade, nem com raiva, às vezes até sou irónica. O que verdadeiramente me incomoda são estes artigos mascarados de análises. Houve um ordinário que até meteu a minha gaguez no artigo, e era um indivíduo que eu respeitava*. Isto é incitamento ao ódio. É abrir a torneira da intolerância, do racismo, da xenofobia, da discriminação. A ironia é que muitas destas pessoas são antifascistas. [...]»
- Joacine Katar Moreira entrevistada por Carolina Reis, "Há intelectuais a legitimar o ódio" | Expresso, 09.Nov.2019 
Sorte a de Ferreira Fernandes em não ser mimoseado com «um fascista ordinário». Esteve por um triz.

Joacine e o amor
«[...] Eu iniciaria** ... Eu iria iniciar** ...  Política sem amor é comércio. [...]»
Apetece informar a amorosa doutora Joacine de que «O amor é de outras leis». Desde logo, na lei fundamental da República Portuguesa não ocorre senão uma muito sumida vez, a quatro artigos do fim [alínea b) do n.º 1 do artigo 293.º], na «amortização da dívida pública».  

«[...] os insultos que se sucedem, desde então, mostram que muitos são incapazes de se pensar e à sua sociedade fora do paternalismo colonialista em que o Estado Novo formatou história e quotidiano, imaginação e desejo. [...]
Xs signatárixs***, de vários quadrantes da vida cultural, social, académica e política, declaram solidariedade com a deputada Joacine Katar Moreira e apelam ao sentido de responsabilidade cidadã dos portugueses e das instituições públicas, para que não deixem impor-se a linguagem do ódio e da desconfiança onde deve apenas haver lugar para a vigilância crítica, o debate aberto e a vontade de ir mais longe na construção de um futuro melhor para todxs***
No momento desta publicação, ia em 314 signatários, arcanjos do costume mobilizados contra o Mal, entre os quais, mais do que previsivelmente, "Susana Peralta - professora de economia" e, obrigatoriamente, Boaventura de Sousa Santos, Mamadou Ba e Flávio Almada, um dos seis gentis «jovens da Cova da Moura»

Quase a despropósito,
«[...] O que acontece é que se tornou uma obrigação comercial, e de marketing, que todos os cantores, escritores, misses, influencers e demais figuras públicas, tenham de fazer uma declaração sobre o apocalipse e a maneira de nos salvarmos todos e sermos boas pessoas.
Daqui a um ano não há cantor, actriz, ou parvinho, que não seja vegetariano, devoto de Santa Greta, apaixonado pela "sustentabilidade", a favor da mudança de género, especialista em ozono, devorador de tofu, praticante de biodança e amigo das iguanas.
A banalização do mal é um dos horrores da nossa história – mas a "banalização do bem" desvaloriza-nos a todos.»
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* Ferreira Fernandes, "À espera de Joacine, a deputada" | DN, 02.Nov.2019

** Apesar de novato nestas lides, o duende político de Joacine Katar Moreira pede meças à retórica gelatinosa, como a de Marcelo Rebelo de Sousa ou de Luís Marques Mendes. Imbatíveis no modo condicional, enunciam como quem pega de cernelha: nunca dizem, diriam; nunca vão, iriam. [A propósito, Victor Bandarra, "A epidemia dos narizes de cera" | CM, 10.Nov.2019] No mais — e tenho procurado escalpelizar as intervenções públicas (textos, entrevistas, discursos) da lusoguineense —, Joacine Katar Moreira não passa de uma actriz política de pacotilha, não menos demagoga nem mais respeitável do que o doutor André Ventura, replicadora de bovinidades ultragastas e, pior, gárgula escorrente de repertório autoritário, arrogante e moralista. Por exemplo, reparo que nunca gagueja em «obviamente», advérbio que lhe é muito caro.

*** Sic. Se o ridículo matasse...