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sexta-feira, 26 de maio de 2023

Nada como políticos sinceros

Sinceramente, acho que  [0:01]  
Sinceramente, do meu ponto de vista  [0:36]  
Sinceramente, eu não vejo  [1:08]
Sinceramente, eu julgo  [1:45]  
Sinceramente, se há um escândalo  [2:21]   

Quando um sujeito como Paulo Rangel fala sinceramente a cada 28 segundos, é de ficarmos a pensar no grau de confiabilidade das suas afirmações não sinceramente certificadas.

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domingo, 30 de abril de 2023

Quatro mortes no Bairro da Boavista

Decorridas cinco horas sobre os factos, a jornalista/repórter Sofia Garcia veio relatar, no sítio, em directo e sem teleponto, o que se passara. Em três minutos fez prova de que, afinal, é possível saber contar, ser-se claro e pormenorizado acerca de uma tragédia complexa, exprimindo-se num português fluido de boa qualidade sem bengaladas de «então».

Parabéns, Sofia!
Aprendam, miudagem.

Para que não digam que o Plúvio só diz mal das pessoas.

terça-feira, 11 de abril de 2023

Rol de fatalidades

Experimente preencher o que falta nos seguintes ditos.

A manobra não surtiu ______.

Envidámos todos os ______.

Para o apanhar tive de estugar o ______.

Fizemos tudo o que estava ao nosso ______.

Cadáver encontrado em ______ estado de decomposição.

O fogo não deu ______ aos bombeiros.

Morreu de cancro no pulmão, era um ______ inveterado.

Foi apanhado em ______ delito.

Magríssimo, parecia uma ______  paralítica.

Não ganhou, apesar da enorme falange de ______.

Tive um rebate de ______.

Passo o tempo a ler, sou um leitor ______.

Luís Filipe Vieira foi ______ arguido.

Vou já, dá-me só um compasso de ______.

No cômputo ______, pode dizer-se que esteve bem.

Falhou uma oportunidade ______ de golo.

Sabes que nutro ______ admiração por ti.

Morreram no mesmo dia, ironia do ______.

Fui acusado mas durmo de ______ tranquila.

Deixa-te de ______ esfarrapadas.

Aproximou-se do elefante com a ______ cautela.

Todos erraram, com a ______ excepção do Eduardo.

Veio a Portugal para ______ saudades da família.

Aposto em como adivinho pelo menos 100% das respostas que você deu.
Isto raramente falha; fatal como o destino, ... cá está!  
Vai para 25 anos que colijo, de ouvido e por diversão, este género de fatalidades.
Merecem-me apreço crescente os profissionais da comunicação — raros como trufa branca — que se exprimem, na fala e na escrita, evitando-as.
A preguiça vocabular decepciona-me, que posso fazer? Mau feitio, bem sei.

Escrutínio acuradíssimo permite-me eleger, neste momento civilizacional, as três fatalidades mais fatais, tão fatalmente fatais que, não fossem os 'esforços', o 'passo' e o 'efeito', os verbos 'envidar', 'estugar' e 'surtir' estariam banidos há muito do Português europeu.  

Noto que o inventário atingiu um tamanho jeitoso. Não sei mesmo se não será o melhor e mais exaustivo "Rol de fatalidades1) algum dia elaborado na Bobadela.
Hoje sinto-me pródigo, não é tarde nem cedo: aqui o tem! Para uso e proveito irrestrito, incluindo o de limpar o cu com ele quando voltar a pandemia e o papel higiénico escassear.

1) Em actualização constante. Sugestões e reparos serão bem-vindos, o que não significa que os acolha — o Chove não é propriamente um foro de democracia.

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«[…]
Glossário de lugares-comuns
Bardadrac organiza-se de A a Z como um dicionário, ao longo de 463 páginas. A meio do volume, na letra M, surge o pequeno glossário intitulado "Medialecto", que preenche 54 páginas, entendendo-se por este neologismo o dialecto próprio dos meios de comunicação social em sentido alargado (jornais, rádio, televisão, Internet...). Estão em causa frases feitas, "bordões" ou lapsos que decorrem de tentativas de substituir palavras ou enunciados correntes por outros que soam moderno, fino e, porventura, tecnocrático aos ouvidos do profissional (apresentador ou jornalista) ou de diversos "actores" do palco da comunicação : políticos, escritores, juristas, entre outros.
O 'medialecto' impõe-se, de certa maneira, como espelho e modelo da nossa subcultura dominante. "Amnistia. Sempre ampla"; "Banalidade. Sempre aflitiva"; "Carreira. Dizer sempre "Eu não gosto desta palavra" (...)"; "Calor. Sempre comunicativo"; "Carismático. Equivalente mediático de fotogénico"; "Despotismo. Sempre esclarecido (no início)"; "Figura. Sempre emblemática"; "Geometria. Sempre variável"; "Imagem. Sempre de marca"; "Isolamento. Sempre esplêndido"; "Jovens. São de dois tipos: os jovens propriamente ditos, e os "menos jovens", que antigamente eram velhos": "Lapso. Sempre revelador; sublinhá-lo com tanto mais força quanto se desconhece o que revela"; "Necessidade. Sempre imperiosa"; "Oposição. Sempre estéril"; "Perdão. Equivalente mediático do "acto de pedir perdão": "O perdão do Papa às vítimas da Inquisição" (...). Essas vítimas já não estão infelizmente em estado de lhe conceder o perdão"; "Pragmático. Equivalente mediático de oportunista"; "Sedutor. Antigamente era sempre vil, hoje é sempre grande"; "Tema. Sempre recorrente"; "Vindicta. Sempre popular"...
Esta pequena perspectiva do glossário dos lugares-comuns da comunicação social, identificados por Genette, destina-se apenas a interessar o leitor. Com uma pequena ressalva: não tentem aplicá-lo aos meus próprios artigos. Corro o risco de encontrarem exemplos válidos para corroborá-lo. Afinal, quem escapa à tal "subcultura dominante", em que, a gosto ou contragosto, participamos?
[…]»

//
«[...]
Se chove muito, chove torrencialmente*. Se aconselhamos ou recomendamos com ênfase, aconselhamos e recomendamos vivamente. Se rejeitamos ou recusamos, rejeitamos e recusamos liminarmente. Mas se afirmamos, afirmamos categoricamente ou peremptoriamente. Quando acreditamos, acreditamos piamente; mas quando confiamos, já confiamos cegamente. Se nos enganamos, enganamo-nos redondamente; mas se falhamos, já falhamos rotundamente. E quando alguém mente, não raro, há uma rima: mente descaradamente. Sendo preciso reduzir algo, é preciso reduzi-lo drasticamente e trabalhar arduamente ou afincadamente para o conseguir. Aquilo que lamentamos… lamentamos profundamente… a ponto de, em algumas circunstâncias, chorarmos convulsivamente. Com fome e sede, comemos avidamente e sofregamente. E quando alguém pede… pede encarecidamente.
[...]»

* Então não chove!?...

domingo, 2 de abril de 2023

Todos e os outros, independentemente


A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:
Capítulo I - Objecto, âmbito e princípios gerais
Artigo 1.º - Objecto
A presente lei estabelece as bases do direito à habitação e as incumbências e tarefas fundamentais do Estado na efetiva garantia desse direito a todos os cidadãos, nos termos da Constituição.

Artigo 2.º - Âmbito
1- Todos têm direito à habitação, para si e para a sua família, independentemente da ascendência ou origem étnica, sexo, língua, território de origem, nacionalidade, religião, crença, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, género, orientação sexual, idade, deficiência ou condição de saúde. *
2- A presente lei aplica-se a todo o território nacional.

Artigo 3.º - Princípios gerais
[...]»
__________________________________________
* Caracterizemos, pela mesma ordem tipológica, um exemplo de indivíduo abrangido inequivocamente por tal formulação:
ascendência e etnia berbere, dotado de próstata, pila e testículos, esperantofalante originário da Transnístria, de nacionalidade portuguesa e de credo copta, seguidor de dona Dolores Aveiro e crente nos benefícios dos banhos de luar no aumento da longevidade, anarco-iluminista doutorado em exobiologia, economicamente solvente, multigénero orientado sexualmente para anões, 48 anos, diabético manco. 

Mas, e os outros, que impediu de indiscriminá-los explicitamente? Porque não também independentemente do clube, das preferências musicais, da cor dos olhos, do regime alimentar, das convicções animalistas, competências profissionais ou do tamanho que calce?
Caso para recear que a um sportinguista, fanático de "hip hop", olhos verdes, vegetariano, amante de tourada, sem carta de condução, que calça 53, se depare alguma restrição no direito à habitação, nos termos e ao abrigo do artigo 2.º supra...

Enfim, «1- Todos têm direito à habitação.» não bastava?

Já agora e complementarmente, muito estranho que numa lei destas, confeccionada em legislatura geringôncica, não se tenha desdobrado o quantificador universal «todos», como manda Isabel Moreira e exige o código inclusivo.
Não espantará, pois, que em revisão próxima fique «Todos, todas, todes, todxs e tod@s têm direito à habitação [...]»

domingo, 8 de janeiro de 2023

Enxurrada de então

«[...] A Rua Mouzinho da Silveira acaba de ser ENTÃO reaberta ao trânsito nos dois sentidos. Esta que foi uma das ruas mais prejudicadas no dia de ontem pela forte tempestade que se abateu ENTÃO pela cidade do Porto depois de esta rua ENTÃO ter sido completamente devastada. Recordo que os paralelos do pavimento da rua foram completamente arrancados pela força da água. A rua foi ENTÃO há instantes mesmo reaberta nos dois sentidos. Falta apenas acabar de compor uma pequena parte das três vias da rua. É isso mesmo que estão a fazer ENTÃO os trabalhadores da Câmara Municipal do Porto que têm ENTÃO trabalhado afincadamente ao longo deste dia. Também desde esta manhã que aqui se encontram ENTÃO para reverter esta situação mas a Protecção Civil ENTÃO há instantes decidiu ENTÃO reabrir a rua nos dois sentidos. São boas notícias para ENTÃO quem precisa ENTÃO de usar esta rua para as mais variadas actividades. [...]
Por isso ENTÃO uma rua que ontem sofreu muitos danos não só também no pavimento. [...] Vários comércios que foram afectados também ENTÃO aqui pelo mau tempo na cidade do Porto mas ENTÃO esta boa notícia, a verificar-se ENTÃO há instantes aqui na cidade. Por outro lado também as pessoas tentam ENTÃO voltar à normalidade, tentam ENTÃO voltar a tudo que são as tarefas normais. Os turistas ENTÃO a ir para a esplanadas também, esplanadas essas que ontem foram muito afectadas e que agora ENTÃO se tentam recompor ENTÃO da forte enxurrada que se abateu ontem aqui pela cidade do Porto.
Fica ENTÃO o registo, há instantes, da reabertura da Rua Mouzinho da Silveira.»

Nada de surpreendente. É da escola.

sábado, 10 de dezembro de 2022

Hinódia no mundial do Catar

A introdução instrumental do hino do Uruguai é a mais longa dos 32 hinos nacionais na competição futebolística: 43 segundos exasperantes, quase tanto como a parte coral que dura 47.

Igualmente desmesurada mas não tanto é a introdução do hino do Brasil que dura 28 segundos antes dos 78 segundos em que se proferem sintagmas como margens plácidas | brado retumbanteraios fúlgidos | penhor dessa igualdade | raio vívido | impávido colosso | fulguras, ó Brasil, florão da América | o lábaro que ostentas estrelado | da justiça a clava forte.
Quero imaginar, por exemplo Raphinha, ou qualquer outro jogador, a explicar palavra por palavra o que acabara de cantar.
Quais egrégios avós, quais quê. Vendo melhor, a linguagem d' A Portuguesa é para pessoas simples.

Lembro-me, a propósito, de como a minha tia Emília, devota de missa diária que recitava o Credo de cor, ficava encalacrada quando lhe pedia que me explicasse o significado de «filho unigénito de Deus» ou o de «consubstancial ao Pai»...

Tudo isto para não falar, mas falo, do hino de Espanha, contido e austero, que vai por ali fora e se finda aos 49 segundos sem que os jogadores tenham oportunidade de abrir o bico. a)  Pois que não tem letra, o que o torna porventura no hino mais asseado do mundo.
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a) Terça-feira, 06.Jul.2021, 20h55. No estádio de Wembley vai começar a primeira meia-final do Euro 2020, procrastinado para o ano seguinte por causa da pandemia, entre a Itália e a Espanha.
Na altura dos hinos, começando pelo de Espanha, o jornalista Óscar Cordeiro, da TVI, diz que os hinos «arrepiam sempre» e passa a palavra a Nuno Gomes, antigo craque da bola, hinologista nas horas vagas:
«Sem dúvida que é um momento arrepiante e para os jogadores com certeza com muito orgulho a cantar os seus hinos. É um momento de grande concentração.»

Pude confirmar o orgulho e a concentração dos jogadores espanhóis. Não sei o que Nuno Gomes achou do momento; por mim, não me lembro de ter ouvido um hino nacional cantado com tanta afinação e dicção tão irrepreensível... 
Viva España!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Dicionário e catecismo

Idiossincrasia linguística menos preocupada com o dicionário do que com o catecismo?
Nada de novo.

«Por último, deixar a) ficar uma mensagem de pedido de responsabilidade a todas e a todos b). Nas próximas horas são expectáveis condições climatéricas c) equivalentes e é por isso muito importante que todas as cidadãs e que todos os cidadãos b) cumpram as recomendações das autoridades procurando também constituírem elementos activos da protecção civil que somos todos nós.»
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c) Helder Guégués não é tão fundamentalista como o Plúvio, que dirá sempre «climáticas», parece ser.

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Foi então que o camião perdeu os sentidos


José Carlos Castro- «Francisca, consegues explicar o que é que realmente aconteceu?»

Francisca Laranjo, verbatim- «Boa tarde. É aqui, junto à EB 2-3 Paulo da Gama que tudo aconteceu. Falamos ENTÃO de um camião que acabou por perder os sentidos. Foi exactamente nêsta passadeira que este camião perde os sentidos e acaba por se despistar primeiramente contra um veículo ligeiro. Acaba depois ENTÃO por a-a-a-balroar cerca de sete veículos. São pelo menos sete a) veículos ligeiros e também carrinhas que ficaram ENTÃO afectados. Os moradores contam um cenário de muito barulho. Foi por volta das duas da manhã deste sábado que se deu este estrondo e o barulho nêsta rua nesta zona foi realmente muito. São muitos os vidros ainda no chão. Há pouco tempo foi ENTÃO retirado um dos carros mas conseguimos ver ainda pelo menos quatro destes carros, conseguimos ver pelo menos destes quatro carros ainda estão no local. A verdade é que as autoridades já estiveram aqui, a PSP e também os bombeiros, e foram transportados dois feridos ligeiros.»

José Carlos Castro- «A reportagem em directo neste local onde houve um acidente esta manhã. Sete carros foram abalroados. Eles estavam estacionados. Um motorista desmaiou e perdeu o controlo do seu veículo.»


Saudades de Ana Barros.
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a) Se são pelo menos sete, eu diria «cerca de oito, oito e meio.»
Oh rigor!

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

«A questão dos meios aéreos»

Rita Rodrigues- Miguel Cabral, boa tarde. O fogo está activo...
Miguel Cabral- Boa tarde. O fogo permanece activo há mais de 24 horas.

«Neste momento são perto de 450 operacionais no terreno auxiliados por diversas viaturas e há também a questão dos meios aéreos; são sete meios aéreos no terreno, aliás, andam pelo ar — ahahahah — e está agora a sentir-se a presença, a chegada de um meio aéreo precisamente aqui ao teatro de operações. A vinda para o terreno demora algum tempo.»

Nenhum jornalista terá alguma vez condensado tão certeira e completamente a retórica dos incêndios em tão poucas palavras. Felicite-se, pois, Miguel Cabral, carteira profissional n.º 3893A.  
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sábado, 20 de agosto de 2022

Pedir desculpa

«Na edição da semana passada [...] o Expresso publicou um artigo de opinião de Rita Carvalho como se defendendo a resposta "não" à pergunta se a hierarquia da Igreja estava a reagir bem às denúncias de abusos entre o clero. Como se lia no texto, Rita Carvalho respondia positivamente à pergunta. Pelo erro, O Expresso penitencia-se... e deixa as devidas desculpas à autora e aos leitores.»

Vamos cá ver, deixa desculpas ou pede desculpas? 
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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Aquilo que é

Ao início da tarde de ontem, naquele que é o dia anterior ao dia de hoje, André Filipe Gomes Ramos Macedo Fernandes, formado em Geografia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,  comandante nacional daquilo que é a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, leu o seguinte aranzel que por estar escrito agravou a gravidade daquilo que são as coisas enquanto a serra arde:

«O que está a ser feito e planeado para os próximos dias, a começar também já neste dia de hoje, é priorizar a zona de Seixo Amarelo até Gonçalo, garantindo aquilo que é uma consolidação eficaz e um rescaldo eficaz nesta frente que está virada àquilo que é o concelho da Guarda. Em simultâneo também, já no município da Covilhã, e portanto consolidado tudo aquilo que é a zona desde a Atalaia à Quinta da Mourata, portanto estamos a falar da estrada nacional n.º 18, e aquilo que é a colocação e o garante da manutenção dos meios de vigilância activa na estrada municipal 501 que liga Teixoso a Verdelhos, de forma a impedir que aquilo que é um ponto quente, que é o que está identificado e que causa também mais preocupação, caso durante a tarde o vento vá rodar agora para o quadrante Nordeste, portanto Este, e é possível, há aqui um potencial de poder haver aquilo que é um reavivar, uma reactivação do incêndio e portanto garantir aquilo que é a vigilância activa neste sector e sobretudo garantir que qualquer reactivação que haja seja prontamente combatida pelos meios que estão neste sector.»


Doutor André, aquilo que é.
 
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segunda-feira, 18 de abril de 2022

Inexcedíveis

Sporting, 0 - Benfica, 2

«Correu bem. Mais uma vez dar os parabéns aos jogadores porque tiveram inexcedíveis, aqueles que jogaram e os que não jogaram.»

"Treinador de futebol" é um sujeito pago para ir vendendo batatas fritas, agências de viagens, operadores de telecomunicações, seguros, água, cerveja e refrigerantes, casas de apostas, vestuário desportivo, etc., enquanto diz não importa o quê nas conferências e entrevistas de antevisão, flachinterviús e pós-jogo, a quente; mais as de preparação do que lá vem e as de rescaldo do que passou, com frieza racional, a meio da semana.

A indústria de imbecilização dos povos vai próspera, muito obrigado.
- Vero?

- Essa embirraçãozinha pelo "mister", Plúvio...
- Embirração nenhuma; gosto é muito de pensamento especulativo. E confesso que a inexcedibilidade dos futebolistas sentados não cessa de me empolgar.

domingo, 17 de abril de 2022

O galo* do Anselmo

16.Abr.2022, 22h55
Tem que ser rápido, meu!
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sábado, 16 de abril de 2022

Trava-línguas

Experimente dizer em voz alta «A Rússia vai redireccionar».
Parabéns.

terça-feira, 12 de abril de 2022

66 segundos de escorrência fétida

«Foram hoje apresentadasa) as memórias de Daniel Proença de Carvalho. Chamam-se "Memórias do Advogado - Justiça, Política e Comunicação Social".b) O Daniel Proença de Carvalho, há quem goste, há quem não goste dele, é um personagem marcante e como se costuma agora dizer incontornável da democracia portuguesa. Esteve em todos os momentos do nosso regime, até esteve noutros anteriores, particularmente no célebre "caso Sommeronde houve aí uma grande guerra também de regimes, contra o regime, aliás. E portanto, é uma vida, esta aqui, a vida de um homem; é também a vida de muito da nossa história recente. Ele fala sobretudo de justiça, dos problemas da justiça em Portugal. Mas fala também de política e de comunicação social. É um livro que se começa a ler e depois não se consegue parar. É um livro notável de um homem a quem o senhor Presidente da República hoje disse que o país deve muito e eu tenho que concordar inteiramente com o Presidente da República, é um homem a quem eu acho que o país deve muito.»c)
66 segundos de Pedro Marques Lopes, lambecusista-mor do reino, 07.Abr.2022d)
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a) Pressente-se nesta poderosa sala — «veja as imagens» —, ou aqui, um suave, mefítico e sofisticado cheirete a compadres...


c) Talvez PML devesse aduzir, para melhor compreensão pública do acto de propaganda, que o seu advogado, e doutros dignos constituintes como Ricardo Salgado, é o Francisco Proença de Carvalho, filho do Daniel que, já agora, entre multiplicados mesteres de que se incumbiu ao longo de uma existência vivida nos peristilos de poderes vários, foi defensor de José Sócrates e patrão do jornal onde PML publicou semanalmente de 2009 a 2020.e)
 
d) Posaconazol não pára de desconcertar.
«Gosto pelo menos de pensar que tenho um bocadinho de cuidado com as palavras». - 23h05
Nota-se. Palavras não eram ditas,
«O Partido Social Democrata continua a não conseguir ter um discurso que de encontro a este eleitorado moderado». - 23h26
Praticante penoso da língua, há-de reformar-se do comentariado sem que ninguém o elucide de que com o 'ir de encontro', que profere insistentemente, diz o contrário do que quer dizer.
de encontro    ao encontro

e) Tempo de salivante e mal disfarçado contentamento aquele — 2017-2019, num Diário de Notícias ainda animado de socratofilia palpável —, de hossanas ao na altura novel presidente do PSD com Daniel Proença de Carvalho, chefe da trupe, Fernanda Câncio e seu serviçal Pedro Marques Lopes, irmanados no desiderato comum de domesticação do Ministério Público e açaime do juiz Carlos Alexandre que a reforma da Justiça propalada e exigida por Rui Rio — um dos cavalos de batalha no seu programa político — haveria de lograr, assim lhe dessem ouvidos ou o poder necessário.

//
Mas para informação substancial acerca da figura incontornável e do livro em apreço, apresentados por Miguel Sousa Tavares, dos mais antigos e persistentes gladiadores-odiadores do Ministério Público, vá lá adivinharmos porquê, nada supera a generosa, suculenta e bem documentada peça, elaborada por  quem sabe e conhece, José, que dá uma ideia do país que muito deve a Daniel Proença de Carvalho, já que nem o frenético arlequim nem o pândego Posaconazol tiveram a gentileza de explicar que gente concreta deve assim tanto a este músico medíocre e que especificada dívida está por cobrar.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Geração +

ÚLTIMA HORA
António Costa:
«O nosso desígnio, repetirei para que ninguém duvide, é muito claro: garantir que a geração mais preparada de sempre será também, aqui no nosso país, a geração mais realizada de sempre.»
[Aplauso vibrante e longo. Muito irá aquela bancada de 120 ter de aplaudir nos próximos quatro anos e seis meses... Não sei se não seria de encomendarem um avantajado stock de luvas, não vá ficarem de mãos a sangrar.]

É, desde Outubro de 2015, a ducentésima quarta vez que António Costa nos lembra de que a geração actual é a mais preparada/qualificada de sempre.
Desde que brandiu o mantra pela nonagésima oitava vez já não consigo ouvi-lo sem me apetecer sacar da pistola, parafraseando o que sucedia à personagem de Hanns Johst quando ouvia a palavra "cultura".
Mas como não tenho pistola, fico na expectativa de que na próxima vez — a quingentésima sexta —  em que o primeiro-ministro repetir a frase lhe estoire uma granada* na língua. Vai ser lindo de ver e quem sabe AC passe, por efeito colateral, a pronunciar inteiras as palavras "constitucional" e "institucional".
Quem quer, afinal, António Costa hipnotizar?
Não lhe bastou sacudir o país em Outubro de 2019 para a novidade de que «o futuro é já agora»?
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* de açúcar, vá.

Da língua e do pensamento

Na sua primeira arenga como Presidente da Assembleia da República [PAR], Augusto Santos Silva discorreu acerca da peçonha nacionalista em contraponto da virtude patriótica, alongando-se depois na glorificação da língua portuguesa e no zelo do seu uso:
«Gostaria que a liberdade de quem fica assim investido do poder da palavra fosse adornada com o cuidado pela língua em que a palavra se exprime».
Bonito e louvável. Dói é que este amor [hoje soa-me a hipocrisia] ao Português venha de um protagonista na governação — PS/Sócrates — que mais lhe maltratou a escrita através do desnecessário e nefando Acordo Ortográfico de 1990.      

«O sinal de pontuação de que a democracia mais precisa é o ponto de interrogação. O sinal que mais dispensa é o ponto de exclamação que, ao contrário do que acontece com os fanatismos de toda a sorte, como bem mostrou Amós Oz, a democracia deve usar com grande parcimónia. Deixemos as certezas aos néscios. E cultivemos sem temor a nossa capacidade de questionar e inquirir. A interrogação sacode os preconceitos, abre caminhos, convida a ouvir várias respostas, trava o passo ao dogmatismo e à intolerância.»
Revejo-me nisto.

Lá pelo meio, Augusto Santos Silva sacou de Ludwig Wittgenstein:
«Os limites da linguagem são os limites do pensamentocomo é geralmente sabido
Ora aqui é que a porca torce o rabo!
Tenha o novo PAR paciência — ao filósofo austríaco já não adianta, desde Abril de 1951, tê-la —, mas não me conformo.
Defendo e quero veemente crer em que o pensamento não é limitável pela porra de linguagem nenhuma, muito menos por qualquer língua.
- Podes argumentar e desenvolver a ideia, Plúvio?
- Epá, não sei, não consigo. É uma intuição para que não tenho palavras.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

"Carta aberta de 20 personalidades",

encantadoras e inefáveis, como Boaventura Sousa Santos, Carmo Afonso, Isabel do Carmo*, dois oficiais da tropa, Constança Cunha e Sá ou Dino Santiago.

Não que discorde de coisas como
Não escolhemos o tempo em que vivemos, ...
tal como hoje acontece, ...
opinião que se arvora, ...
personagens para todo o serviço, ...
Pensar não é uma tarefa fácil., ...
professores e maestros, ...
desejo patológico, ...
forma acéfala, ...
pensar diferente
ou mesmo de
A solução não é
.

O pior é que separam sujeitos de predicados por vírgula, não conseguem acentuar as esdrúxulas, nem a ortografia do mostrengo AO90, de que são sequazes, praticam competentemente. E muito pior, a roçar iliteracia, é que digam 'vincular' em vez de 'veicular' [ambiente tóxico, em muitos casos vinculado e estimulado por meios de comunicação social || meios que vinculassem informações contrárias].
Face ao que me interrogo sobre quem terá sido o beócio da confraria protomoscovita que redigiu a carta ou o revisor dorminhoco do Expresso que a conferiu.

Quanto ao mais e atendendo ao Portugal em que hoje vivemos, acho que se esticaram um bocadinho

1- na «criminalização» do título "Pela paz contra a criminalização do pensamento".
E reiteram «criminalização» no corpo do texto, mas não consta que algum dos subscritores — ou qualquer outro putinista/russófilo [classificação a mor das vezes redutora, simplista e injusta] entre os vários tresmalhados que no Ocidente sentimental ousam não pintar a cara e a alma de amarelo e azul  — tenha sido demandado por órgãos criminais ou constituído arguido;

2- na acusação de que «O poder político se sente proprietário das formas de pensar».
Apesar da maioria absoluta, a verdade é que ainda não sinto que António Costa seja, sequer se sinta, dono do meu modus cogitandi.

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* O jeito que me daria a doutora Isabel ser Trindade...

sexta-feira, 1 de abril de 2022

XXIII Governo Constitucional - Biodiversidade e idiossincrasias

Aos trinta dias do mês de Março de 2022 

«Eu, abaixo assinado, afirmo solenemente* pela minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas.»

Dez [João Gomes Cravinho, Helena Carreiras, Fernando Medina, Duarte Cordeiro, Pedro Nuno Santos, Ana Abrunhosa, Sofia Batalha, Rita Baptista Marques, Ana Sofia Antunes, João Galamba] serviram-se da "Parker" disponibilizada pelo protocolo, só por isso merecendo um tudo-nada mais do meu apreço; os restantes 45 levaram caneta de casa, receando decerto que a da simpática Ana Cristina Baptista ficasse sem bateria ... ou sem rede.
  
Brâmanes - 1
  
Pretos - 0

Canhotos [um de "piercing"] - 4 

Irmãos - 2  

Um governante, o único, pronunciou o próprio nome no compromisso de honra — Eu, Ana Abrunhosa [a "costureira"] —, não fosse o «abaixo assinado» usurpar-lho. 

O que mais prometeu cumprir: Cumprirei, cumprirei...
A Cultura está garantida. 


À margem, realce-se o trabalho de Luísa Bastos, da RTP, jornalista com quem simpatizo, na apresentação individual de cada um dos 55 investidos, que só não classifico de magnífico por ter posto António Costa a «governar sobre o signo da incerteza.»
Ai, menina Luísa, menina Luísa! Sob o signo, se não se importa.

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* Por mais que esprema a sintaxe, não consigo entender que caralho de ónus acrescentado faz aqui o «solenemente».

** Ei-la.

Disk-lei-mâr
Sendo João Miguel Marques da Costa,  coxo canhoto, além de escuteiro***, o nome do agora empossado ministro da Educação, e chamando-se Deniz Marques da Costa o cibernauta que aqui rabisca sob**** o signo do Plúvio, não descarto nem deixo de encartar, antes pelo contrário, a eventualidade de termos sido paridos pela mesma mãe.


**** Tá a ver, Luísa? 

A democracia é linda e a liberdade não lhe fica atrás.

domingo, 6 de março de 2022

Sem tino

«Eles só falam nesta pessoa que eles consideram que é maluca, que não tem tino.*»

* Verdade. Falta-lhe uma letra.
//
«Vou-te mostrar aqui algumas multinacionais americanas que abandonaram o mercado russo nos últimos dias [...] não encontras ali uma empresa que era considerada no marxismo-leninismo a água suja do capitalismo, que é a Coca-Cola. A Coca-Cola continua a vender aos russos. Sem comentários.**»

** Comentário:
Em que ficamos, dr. Nuno?
//
Não é intrigante que Volodymyr Zelensky, presto no agradecimento a Marcelo, continue sem pedir ajuda a quem sabe derrotar a Rússia?
Bora lá, dr. Jorge?
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Deus me perdoe.