Mostrar mensagens com a etiqueta Patrícia Gaspar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Patrícia Gaspar. Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de agosto de 2022

Patrícia Gaspar, uma espécie de dispositivo

Bát€gas de milhõ€s no combate. Negócios multimilionários em meios, os mitificados aéreos e os, menos conspícuos, terrestres. Legiões de operacionais, espectáculo, pornografia no terreno, emoção ao rubro [literalmente], auditórios salivantes do teatro de operações — não saia do seu lugar, anunciam-se novas e fulgurantes projecções. Tudo isto enquanto o bicho lavra.
Na prevenção e na detecção precoce quanto gasta ou investe o doutor Costa?
Pois, não é grande negócio, visibilidade nula, espectáculo nenhum. 

Ao serão de anteontem, 19, com Portugal a arder mais do que nunca, a secretária de Estado Patrícia Gaspar respondeu durante 18 minutos a Rodrigo Pratas, mui codicioso jornalista que aprecio.
Falou muito, sem explicar grande coisa - «esse momento vai chegar». 
Ontem, Augusto Madureira apresentou um resumo da conversa. Respigo:
«[...] Se considerarmos aquilo que é a severidade meteorológica, os dados, os algoritmos e as contas feitas dizem que a área ardida que deveríamos ter devia ser 30% superior, ou seja, ardeu 70% daquilo que era suposto arder face às condições de severidade meteorológica que temos. Isto significa que, apesar da complexidade, o dispositivo tem estado a responder bem e tem estado a conseguir debelar grande parte das ocorrências, mais de 90% das ocorrências nos primeiros 90 minutos. Este reforço o que vai permitir é garantir que temos mais pessoas no dispositivo [...] Estas novas 100 equipas aquilo que nos garantem é uma primeira linha de confiança porque estas vão garantidamente estar 24 horas disponíveis.» 

Oiça-se — e aprendamos — como Patrícia Gaspar informa a população de que a vegetação está muito seca e que não se deve fazer lume perto de arbustos ou de árvores:  
«temos ainda níveis de secura dos combustíveis que poderão em caso de ignição dar origem a ocorrências mais complexas de incêndios florestais e portanto convém e importa manter a adequação dos comportamentos junto aos espaços florestais»

E se um Verão mais frio e húmido do que o costume está menos propício a ignições?
Patrícia Gaspar responde na esteira de Jorge Coelho; a escola é a mesma. Caprichos de São Pedro? Mérito da governação: 
PG- «há aqui uma dimensão de tempo [...] felizmente nós estamos com resultados este ano, eu diria, simpáticos...
Rosa Pinto, jornalista- O tempo também tem ajudado.
PG- O tempo tem ajudado mas o dispositivo também, e não é este ano, estamos a falar ao longo dos últimos 10 anos.»

Pergunto-me amiúde se esta prolixa criatura consegue agir com outro propósito que não o de propaganda.  

- Confessa aqui, Plúvio, um fraquinho pela Patrícia...
- Bom, não diria tanto, até porque a resposta aqui é bicéfala. - 29.Ago.2019

sábado, 26 de agosto de 2017

O bispo das grandes causas e o tempo quente

Oleiros, ontem à noite
«Ainda no outro dia, e muito bem, um senhor bispo, o bispo de Viana do Castelo, dizia: Esta é uma grande causa nacional e o Presidente da República está certamente atento a ela. E eu telefonei ao senhor bispo de Viana do Castelo a dizer: Olhe, senhor bispo, ainda bem que percebeu, ainda bem que apoia aquilo que é fundamental.»

Uns espalham brasas no «teatro de operações», o presidente-arlequim pulula fogoso de teatro em teatro.

Livre-nos a Senhora d'Agonia, que dom Anacleto trata por tu, de que o bispo de Viana se lembre de falar na Xylella fastidiosa*. Ainda haveríamos de perder o amado professor no imenso olivedo...
____________________________________________
* Não confundir  com Patriccya gasparosa
Carnaxide, sábado, 26.Ago.2017, 9 da manhã
PG1- «Então muito bom dia a todos. Agradecer desde já a vossa presença em mais um brífingue operacional sobre a situação do país em matéria de incêndios florestais.»
Hoje em dia todos os políticos e preopinantes de pacotilha gorjeiam como Patrícia Gaspar. A retórica enfunada fá-los incapazes de coisas simples como «Agradeço», «Quero agradecer» ou «Muito obrigado».

PG2- «Temos pequenas ocorrências em curso sem qualquer, para já, expressão de preocupação, designadamente quatro incêndios em despacho operacional de meios.»
Praticante de língua campanuda, Patrícia Gaspar tem um expressivo fraquinho pela expressão.
Nos mais recentes cerca de 97 brífingues, Patrícia perpetrou, que eu tenha contabilizado, 300 ocorrências de "expressão"/"expressivo".

PG3- «Relativamente à meteorologia, mantém-se a previsão, para já, ... uma alteração que se começa já a fazer sentir hoje mas com maior expressão a partir de amanhã e nos dias de segunda e de terça-feira caso não haja nenhuma evolução em contrário.»
Nem Raul Solnado, na sua mítica previsão meteorológica na RTP — «Amanhã talvez chova, talvez não chova; talvez esteja frio, talvez faça calor.» — acertara tão certeiramente.

«... muito fogo para um homem só ...»

domingo, 20 de agosto de 2017

Patrícia certa no lugar errado

Que faz esta mulher no estúdio?
Ponham-na nas «frentes activas» e verão se o lume não recua.
Só com «homens no terreno» e «meios aéreos» não vão lá. Disso é que os lavradores gostam. 

Por que espera, ministra Constança, arre!?
_____________________________________________
Patrícia Gaspar, da Autoridade Nacional de Protecção Civil:
Hoje, 1 - Acompanhamos com particular destaque as ocorrências activas e os incêndios dominados.
Hoje, 2 - Vento muito forte e três «frentes activas» no «teatro de operações».

Isto é espectáculo, senhores, isto é propaganda, isto é cagança, isto é pornografia.

Para o que der e vier mantenho o manómetro no verde.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Rebranding* do incêndio

Patrícia Gaspar, da Autoridade Nacional de Protecção Civil [ANPC], é incapaz de abandalhar a conversa. Conforme anotei, esmera-se no rigor neurocirúrgico das quantidades. Assim, não espanta que, seguidora das melhores doutrinas, também contabilize feridos em vez de simplesmente os contar. Ainda ontem de manhã, dada a «dimensão mais expressiva das ocorrências, a contabilidade estava a ser feita».
Não se bastando na alta precisão aritmética, a façanhuda Adjunta de Operações Nacional da ANPC emprega tal sofisticação na linguagem que, de um tiro, pôs o país de António Costa, que não quer bombeiros a confundir o povo, nos píncaros do progresso comunicacional. Cada ponto da situação — briefing, diria Sá de Miranda — costurado pela doutora Patrícia é um banho de elegância estilística. Por exemplo, e é só um exemplo, atente-se no lavrador de Louriçal do Campo que «ao final da tarde ganhou contornos de maior complexidade» e «onde temos não só combate mas também as defesas perimétricas dos aglomerados populacionais».
Eia! Que vai ser de nós quando os lavradores chegarem à vizinhança das casas?

Confesso, no entanto, um estranho fenómeno psicossensorial, um aflitivo receio recorrente sempre que, duas vezes ao dia, Patrícia Gaspar vem brifar os fogos: a qualquer momento vão irromper detrás dos estandartes, dos logótipos, das siglas e de todo aquele intimidante aparato heráldico o bigode de Pinochet num canto, o bigode de Estaline noutro, o bigode de Kadhafi noutro e o bigode de Maduro noutro. O que, convenhamos, com crianças ou humanos mais sensíveis na sala assumiria proporção suficientemente avassaladora para, sei lá, obrigar o presidente-arlequim a montar-se de novo no falcão.

Patrícia Gaspar, ontem, no justo instante em que um acto terrorista na SIC lhe dava cabo da protecção.
________________________________

terça-feira, 25 de julho de 2017

Cerca de 882

«Nós temos neste momento cerca de 882 operacionais no terreno distribuídos pelas três frentes.*»
Autoridade Nacional de Protecção Civil
25.Jul.2017

Entontecem-nos de exactidão.
_________________________________
* Ou seja, cerca de 293 por frente; com maior rigor, aproximadamente 295. Uf!

PS
Falta resolver cerca de quantos mortos houve em Pedrógão Grande.
E não se pense que a  empresária Isabel Monteiro é a única a contabilizá-los.
Não faltam por aí craques na matéria.