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sexta-feira, 21 de maio de 2021

Mistérios do organismo?

Aurélio Gomes- «Pedro Marques Lopes*, voltamos a  Rui Moreira*...»
PML- «[...] O caso parece-me absurdo, sempre me pareceu. Estou perfeitamente convicto de que isto — pronunciamento, há três dias, de RM pelo Tribunal de Instrução Criminal do Porto — não tem ponta por onde se pegue [...] Eu gostaria de saber se estas pessoas querem que o Ministério Público, o Ministério Público seja quem define quem deve concorrer a eleições ou não concorrer a eleições. [...]»

Subsistem para mim dois mistérios densos.
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* Amigos dilectos, parceiros no Conselho Superior do Futebol Clube do Porto.

Foi em tal entendimento que fiquei na expectativa de ouvir no Eixo do Mal de quinta-feira, 29.Abr.2021, uma qualquer observação, nota simples que fosse, alusiva à agressão em Moreira de Cónegos — nos quatro dias anteriores não se falava de outra coisa —, tanto mais que PML estivera no cenário e, pelo menos ele, alguma explicação teria para dar.
O silêncio estrondoso com que ignoraram o assunto doía nos tímpanos; o serão abeirava-se do fim e já me era impossível evitar a metáfora napolitana em torno do sujeito que na segunda-feira do jogo, 26.Abr.2021, dera boleia a Pedro Pinho:  omertà.
A solidariedade entre cinco membros dum painel televisivo pode ser isso. A humanidade é assim. Mas... «venha quem vier»?, «doa a quem doer»? Por favor, não nos insultem.
   
*** De resto, nos últimos tempos parece ter-se tornado entretenimento do Eixo do Mal vituperar, semana sim, semana sim, o maquiavélico Ministério Público. Lá terão suas razões.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Miscelânea caleidoscópica

«Há uma miscelândia de gente que foi caçada por diversos pontos da agenda múltipla e caladeiscópica de Ventura.»

Assim fala um veterano e consagrado jornalista-colunista-escritor português.
Contudo, filho de professora.
Faria não fosse.

domingo, 22 de novembro de 2020

«Cócigas»!?

«Em cada cinco crianças duas têm cócigas na barriga.»


cócegas, chiça!

Insisto: o perigo é a eventualidade de crianças por perto.
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*  Campanha (de novo) em curso por estes dias ante-natalícios nas televisões portuguesas.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Luís Pedro Nunes, contudo eis que senão

Um passarinho contou-me que nem tudo é influência; às vezes é só coincidência:
Compare os textos, freguês paciente, e ache: influência ou casual coincidência?

No serão de domingo, 04.Jun.2017, o jornalista Daniel Oliveira, dos espíritos mais totalitários que conheço, proclamou acerca do jornalista-escritor contudo eis que senão Luís Pedro Nunes, a publicitar uma selecção de crónicas deste com o pretensioso e desconchavado título "Suficientemente bom, desprezivelmente mau", com prefácio de Clara Ferreira Alves e posfácio de Pedro Marques Lopes, colegas de LPN no "Eixo do Mal", tertúlia de compadres amesendados por Nuno Artur Silva que dura há 16 anos, em manifesta e acentuada putrefacção endogâmica consensual e de que, numa perseverança esquizóide sem cura, creio não ter perdido nenhuma sessão:
«Luís Pedro Nunes é dos jornalistas portugueses que melhor escreve.*» minuto 49:20
No serão de quinta-feira, 02.Mai.2019, Pedro Marques Lopes haveria de recertificar à mesma mesa, desta vez na promoção de “Em busca da praia perfeita", de Luís Pedro Nunes e Tiago Froufe:
«O animal [LPN] escreve melhor do que ninguém.» 
* escrevem, s.f.f. 


Escreverá Luís Pedro Nunes assim tão bem?
Pequeno punhado, ao acaso, de erros sérios, entre inúmeros e recorrentes, recolhidos na prosa que assina no Expresso:

«sou dos que me safei» 
sou dos que se safaram

«nem falo do “síndrome do macho alfa”» 

«de um entorse passei a um estado de inactividade» 

«capaz de explicar porque raio é que são aceitáveis» 

«os livros são das coisas que valem a pena guardar na vida» 

«tratam-se das festas de despedida» 

«crise humanitária» 
«as milhares de instituições» 

«a sensação que algo se está a passar» 
«síndrome obsessivo» 
sensação de que algo

«uma família de alegados habitantes locais agradecem felizes» 
família ... agradece feliz

«e esse é um dos fatos que talvez merecessem ser enaltecidos» 
Maldição do Acordo Ortográfico ou lapso de alfaiataria freudiana?
factos 

«há que dizer que as alterações comportamentais … nos deve fazer aceitar» 
«aceito o postulado que alguns têm tendência grave para o ser» 
«parece que não há dúvidas que a razão está do lado de quem quer controlar os homens escarranchados nos transportes públicos» 
nos devem fazer aceitar 
postulado de que alguns têm tendência 
dúvidas de que a razão 

«os síndromes» 

«porque diabo é que eu não faço uma coisa deste tipo?» 

«a perguntar-se porque diabo» 
«a questionar-se, porque raio» 
«vender a ideia que há um» 
por que diabo
por que raio
a ideia de que há um

«não andamos por aí a masturbarmo-nos para vasos de plantas» 

«gosta de dar a ideia que pertence aos SEALS» 
a ideia de que pertence

«e pensa que assim se pode furtar a questões sobre raça, racismo e a desigualdade de oportunidades que a cor da pele muitas vezes implicam. E do qual o seu império é um sintoma» 
que a cor da pele muitas vezes implica
do que

«umas boas gramas de efeito placebo» 
«a Netflix já começou a ser relacionado com problemas sérios de distúrbios de sono» 
«questões ligadas ao peso, higiene mental falta de lucidez e de concentração 
«grandes chatos que passam o tempo a falar séries» 
«muita gente, quando começa a ver a Netflix fá-lo convencido de que vai ver um ou dois episódios» 
a Netflix já começou a ser relacionada
higiene mental, falta de lucidez
a falar de séries
muita gente, quando começa a ver a Netflix, fá-lo convencida

«vale a pena dizer a quem jantamos que a piza de trufas é uma piza de cogumelos» 
Antropofagia?
dizer a com quem jantamos

«as minhas "capacidades de ler os outros" será necessariamente diferente das de um elemento da geração Z» 
serão necessariamente diferentes

«a realidade hoje é que se tratam de parceiros de negócios» 

«umas 120 mil milhões anuais» 
«Donald Trump tem conseguido regredir muitas das políticas ambientalistas» 
uns 120 mil milhões
tem conseguido fazer regredir

«híperdesaconselhados» 
hiperdesaconselhados

«criará um interface cérebro-máquina» 
«se tem um interface» 
«de toda maneira» 
de toda a maneira 

«a pandemia e o confinamento provocou a implosão» 
«as milhares de mensagens»
a pandemia e o confinamento provocaram
//

E que tal fala o jornalista-escritor-comentador Luís Pedro Nunes? 
Desastre público antididáctico e perigoso para aprendizes da língua ou do conhecimento.
Amostras ao acaso, indiciárias de iliteracia muito grave num jornalista a quem, quando conversa, nem a ajuda da revisão do Expresso pode valer:

«dizem que a alma pesa vinte e uma gramas» 
«contudo!, eis que senão»
vinte e um gramas

«naquelas frases perfeitamente abnóchias, que as pessoas querem aquilo» 
Deveria ter dito abnóxias (cs); mas obnóxias era o que talvez quisesse dizer.
«Vítor Constâncio vai analisar a idoniedade e a competência de alguns elementos»

«a coisa mais obnóchia»

«(opiniões) que depois pespassam para os mídia tradicionais»
perpassam

«um vídeo que começou por ser uma coisa engraçada transformou-se num líbelo acusatório que nos cria culpa»

«faca de hariquiri»

«está a estragar a árvore geneológica»

«contudo, contudo ... contudo, eis que senão»

«neste momento, em Espanha…, os transportes públicos têm uma sinaléfila nova …»

«mostra à sociedade»
à saciedade

«eis que senão, vem um terceira vaga»

«vai ver se não retira a idoniedade a alguns destes senhores»

«está-se aqui a criar uma ideia, um tontem para fazer aqui um exorcismo»

«eis que senão ... eis que senão»

«eis que senão»

«mostrou a vunelabiridade»
vulnerabilidade

«há pessoas que se absteram convictamente»

«aquilo é à grama, à grama»

«já não tem oito quilos novecentas e noventa; tem apenas oito quilos e novecentas»
novecentos

«estão sobre a alçada»

«ergo te absolvo»

«(Alfredo Cunha) … a comemorar 50 anos de fotografia … há 50 anos a fotografar … vivo e de saúde … chato e irrascível» 
está

Como venho repetindo, o grande perigo são as crianças por perto.

Luís Pedro Nunes é, segundo nos tem informado, filho de professora. Confio em que não seja de Português.
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Escutemos Luís Pedro Nunes, com quem aprendo coisas e me tenho divertido nos cerca de 25 anos que levo de o acompanhar, em dois minutos decerto dos mais desastrados e infelizes da sua carreira de jornalista, descrevendo e comentando [de que fontes bebeu?] as circunstâncias da evacuação de emergência, do aeroporto de Faro para o hospital local, do músico russo Andrey Suchilin [28.Jul.1959-25.Jun.2018], a fechar o programa "Irritações" de 08.Jun.2018: Ele anda por aí, o holandês fedorento!... 
Andrey Suchilin haveria de morrer [gangrena de Fournier] 20 dias depois da intervenção televisiva de LPN mas não me consta que o azougado plumitivo tenha vindo pedir desculpa pela irritação que coreografou tão grotesca, boçal e levianamente [minuto 47:30]. 
«Músico retirado de avião em Faro devido a odor corporal morre de necrose
Andrey Suchilin, músico russo, foi internado nos cuidados intensivos no final de Maio, depois de ter sido retirado de um avião que voava de Espanha para a Holanda e que aterrou de emergência em Faro.
O passageiro que há cerca de um mês levou a companhia aérea holandesa Transavia a fazer uma aterragem de emergência em Faro devido ao seu mau odor corporal, morreu na segunda-feira, confirmou uma amiga próxima. “O Andrey morreu”, escreveu Lydia Tikhonovich no Facebook. [...]»

Quem é, afinal, a personagem mediática Luís Pedro Nunes [Ferreira do Alentejo, 26.Dez.1967], sósia chapado de Kadhafi?

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Morte tira-nódoas?

Sou dos que, nos decénios de 70, 80 e 90 do século passado seguíamos com emoção as transmissões dominicais na RTP das corridas de automóveis de Fórmula 1. Pelo que eu mais aguava, como qualquer espírito bondoso que se preze, eram as ultrapassagens, os encostos, os despistes e as broncas. E, claro, também tinha os meus preferidos: Carlos Reutman, Emerson Fittipaldi, Ronnie Peterson, Jochen Rindt, Niki Lauda, Jody Schekter, Gilles Villeneuve, Keke Rosberg, Alain Prost [quase toda a gente dizia Álan Prost com Álan paroxítono em vez de Alã agudo, coisa que me encanitava substancialmente], Michael Schumacher... E não, nunca gostei de Ayrton Senna e simpatizava menos ainda com Nelson Piquet; que se há-de fazer?, é das hormonas.
Os comentadores titulares eram Adriano Cerqueira [1938-2005], que sabia pouco, Hélder de Sousa, que sabia mais e José Pinto [1947-2018], que não sabia nada, mas quem sabia tudo, tratava os pilotos e os carros por tu, morava no mundo e falava alemão era Domingos Piedade que nasceu em 1944 e morreu, faz uma semana e meia, em 30 de Novembro de 2019, pessoa que muito admirava e fui admirando até admirar menos ao saber disto e ao saber disto.
Li o que disse a imprensa na morte de Domingos Piedade. Afigurando-se pacífico que ninguém esperaria, nem se justificariam, títulos como, sei lá, "Morreu um benfiquista vígaro", de resto soez, certo é que quem não saiba do falecido senão o que Diário de Notícias, Jornal de Notícias, i, Correio da Manhã, Jornal de Negócios, A Bola, Sol, Observador, Sábado e Visão [no caso desta, pela mão do editor Manuel Barros Moura, com uma ligeira e quase envergonhada nota menos radiosa: «... acabando por se ver envolvido em vários processos judiciais.»] escreveram agora sobre ele, há-de ter pensado que Portugal perdeu um santo. Mas quem deveras se alambazou na unção de DP foi a jornalista Rita Bertrand que assinou na Sábado de 05.Dez.2019 um obituário que mais parece memorando de beatificação. Desta vez os deuses deverão ter enlouquecido já que até o Correio da Manhã, que viceja no escândalo, deixou imaculada a biografia do morto.
É em tal contexto de consenso jornalístico acocorado que não posso deixar de aplaudir a jornalista Filipa Almeida Mendes que no Público de 01.Dez.2019 "Morreu um dos rostos da F1 em Portugal" — contou o que tinha de ser contado. Ninguém mais o fez.
Muito estranhamente, ou talvez não, o Expresso ignorou a morte de Domingos Piedade

Quem, como sempre, não ficou mudo foi o frenético professor Marcelo, ainda o cadáver estava morno. 
Surpreendente seria se não tivesse exarado qualquer coisa. Por isso é que me espanta muito, e mal compreendo, que nem um pio do presidente-arlequim tenha soado pela morte de figura tão unânime e universalmente apreciada como a de Mahfuzur Rahman Khan [19.Mai.1949-06.Dez.2019]. Incompreensível e inaceitável silêncio!
Pois bem, para vexame do inquilino de Belém, até o Correio da Manhã, tablóide proscrito pelas mentes asseadas [é por isso que também o assino], não deixou de dar, não obstante o erro duplicado na data de nascimento, devido e tempestivo destaque à morte do senhor Mahfuzur, perda irreparável para a humanidade.
Ora, como sabemos e convém não esquecer, o Bangladesh sempre que o dólar sobe.
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Já que estou com a mão na massa, pergunto se conhecem na língua portuguesa melhores obituários do que os urdidos pelo magnífico José Cutileiro. Eu não conheço.
Assim, por que esperam os prelos para parir ppppp uma colectânea das fantásticas peças literárias que JC vem publicando, "In Memoriam", no Expresso desde 2004?
Se temos crónicas em livro de José Tolentino Mendonça, se as temos de Pedro Mexia, de Clara Ferreira Alves, de José Gameiro, de Luís Pedro Nunes [com um dos títulos mais pretensiosos, pífios e desconchavados algum dia vistos, que apetece equiparar ao pernóstico "Joan Miró: Materialidade e Metamorfose" com que crismaram pomposamente por cá uma exposição de 80 e tal obras, que visitei, de qualidade e coerência muito discutíveis, do catalão de que só em Barcelona há 14 mil para ver..., e os pategos tugas vaidosíssimos de também termos mirós], todos colunistas do Expresso, por que quebranto, com tanta merda à venda nos escaparates deste país [12 mil títulos por ano], ainda não houve lugar para um livro de obituários — como este, por exemplo, sobre o mirabolante Scotty Bowers [1923-2019], no Expresso de 09.Nov.2019 — escolhidos entre os cerca de 800 que José Cutileiro redigiu até hoje? Escrita magistral, informação copiosa, ironia jorrante.
Que objecto mais guloso tal livro seria... 

sábado, 28 de setembro de 2019

Expresso - Incompetência e desleixo

Amostras, entre outras, da edição da semana passada. Informando acerca de "podcasts" da casa [SIC/Expresso]:
- dizem «IRRITAÇÕES. José de Pina, Domingos Amaral, Luís Pedro Nunes e Carla Quevedo debatem com Pedro Boucherie Mendes sobre aquilo que os irrita [...]»
Pois a mim o que irrita é que Domingos Amaral* não debate coisa nenhuma desde Julho de 2018, estando há um ano e picos substituído por Joana Marques;
- dizem «EIXO DO MAL [...] Um episódio novo todas as sextas-feiras»
Sucede que, faz oito meses, desde 31 de Janeiro de 2019, o programa é apresentado todas as quintas-feiras, no lugar do "Quadratura do Círculo" que então migrou para a TVI com o nome desconchavado de "Circulatura do Quadrado".
Houvesse por ali um assomo de vigilância,
- não teriam deixado que o jornalista Diogo Pombo escrevesse «as cerca de 4,2 milhões de pessoas que lá vivem» nem sujeitariam o espalha-brasas Luís Pedro Nunes a debitar em público «seja como for os americanos usam hoje 329 milhões de palhinhas por dia. Umas 120 mil milhões anuais.», já que milhões é masculino; ou «Donald Trump tem conseguido regredir muitas das políticas» em vez de «tem conseguido fazer regredir ...»;
- teriam obrigado o psiquiatra-aviador José Gameiro a pôr acento na «divulgação cientifica» e na «forma critica».
Etc. Fiam-se no corrector automático e é no que dá.

Comprador leitor, desde 06 de Janeiro de 1973, de todas e de cada uma das 2447 do jornal, o melhor do país, estou em condições de afirmar que nunca o Expresso passou por tempos de tão desastrada revisão que se vai degradando semana a semana. Faz pena.
______________________________________
* O dr. Domingos Amaral, escritor, professor universitário, com esta folha de serviços e de prestígio, profere solecismos como:
«primeiro, com a questão da idoniedade […] e à última da hora tudo se descontrolou.» [Sobre o BES / Ricardo Salgado]

«Tu fostes? Fostes?»

«Tu não quisestes»

«O número de visitantes quadriplicou», secundado pela dra. Carla Hilário Quevedo: «Quadriplicou».

«tragédias humanitárias»

A academia e a comunicação social estão bem entregues.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro

«Cristiano Ronaldo é um homem simples e que parece bem formado.»

«Ponho as mãos no fogo pelo carácter e pela idoneidade do senhor Cristiano, quer enquanto homem quer enquanto atleta. [...] Portanto, aqui fica o meu registo claro e inequívoco: ponho as mãos no fogo pelo seu carácter e pela sua idoniedade, quer enquanto atleta quer enquanto homem.»*

quer enquanto homem quer enquanto atleta
quer enquanto atleta quer enquanto homem

O que é «homem simples»? O que é «bem formado»?
O que é «carácter»? O que é «idoneidade»?
O que parece que não seja? O que é que não pareça?
Aguardam-se notícias do engenheiro Fernando Santos na unidade de queimados?
«quer ... quer ...» leva vírgula? 

E tu, Plúvio, quem és? Que fazes aqui? Que sabes?

Elevador encravado na subcave do discernimento?
Talvez.

Ia tão bem na idoneidade... Porque se espalhou na idoniedade? Deslumbramento?
Deixe lá, ó engenheiro, que não fica só. Aqui lhe trago a companhia de um gabado jornalista escritor.
«O Luís Pedro Nunes é dos jornalistas que eu conheço que melhor escreve.»
Daniel Oliveira — "Eixo do Mal", 04.Jun.2017 [minuto 49:20] — que, falasse ele bem, teria dito «que mais bem escrevem». 
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É quase sempre assim: só dou o verbete por próximo de pronto quatro dias depois, no mínimo; no máximo, nunca.
Livro de estilo

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Aqueles cujos nomes não podem ser pronunciados [1]

Marcelo, Francisco.

Pelas 00h06 de hoje deu-se na SIC Notícias* — "Eixo do mal" — a conversa que se segue na qual Luís Pedro Nunes, sublinhe-se-lhe o tino, ficou mudo.

Daniel Oliveira [DO]- Reles e ordinária? Eu acho mesmo que Passos… — como é que dizia o Presidente…? [virando-se para Pedro Marques Lopes, PML] —  Tu é que és especialista… Está lelé da cuca, Passos está lelé da cuca!
PML- Isso era o que o meu presidente dizia do presidente desta estação. Vamos pôr as coisas nos seus lugares.
DO- Estou é a citar a frase, não...
Aurélio Gomes [AG]- E o teu presidente, para que se perceba, estás a falar de quem?
DO- Do, do, do… É o presidente aqui da casa.
Clara Ferreira Alves [CFA]- Sendo que o presidente não era Presidente e a estação também não era estação.
PML- O meu presidente chama-se Jorge Nuno Pinto da Costa.
DO- É pá, não digas isso!
AG- Pronto, era só isso que eu queria dizer, para ficar claro.
DO- E o meu é o Bruno de Carvalho.
AG- O teu é o Bruno de Carvalho?
DO- É o Bruno de Carvalho.
CFA- Vocês não querem começar a discutir futebol?
DO- Se calhar dava um bom programa...
CFA- ... e permitia-me a mim ausentar-me imediatamente.

Importa pôr os não-ditos e a risota em perspectiva:
1- o actual Presidente da República chama-se Marcelo Rebelo de Sousa;
2- o presidente e dono da SIC, fundada em 1992, chama-se Francisco Pinto Balsemão;
3- Francisco Pinto Balsemão é fundador e dono do Expresso; 
4- na secção "Gente" do Expresso de sábado, 05.Ago.1978, Marcelo Rebelo de Sousa, subdirector do semanário, escrevera «O Balsemão é lelé da cuca». Balsemão ficou piurso e Marcelo desculpou-se;
5- na revista do Expresso de sábado, 18.Out.1997, João Carreira Bom [jornalista, co-fundador do Ciberdúvidas, falecido em 2002] assina o texto "O patriota", ilustrado por António, em que, referindo-se a Francisco Pinto Balsemão, escreve, entre outras meiguices, «O presidente da SIC fornece aos telespectadores portugueses os produtos abjectos de que eles necessitam». João Carreira Bom... que não o era de assoar, e o patrão decerto menos, foi corrido do Expresso;
6- Pedro Marques Lopes votou em Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais de 2016;
7- Clara Ferreira Alves — «marca/estrela que muito valoriza a constelação jornalística do Grupo Impresa», segundo Balsemão, seu patrão no Expresso/Revista de 04.Jan.2014 —, Daniel de Oliveira e Luís Pedro Nunes escrevem no Expresso e falam na SIC;
8- o dono paga, o dono manda; não se apoquente o dono. Para quê nomeá-lo, ou nomear o Presidente?

Sucedeu ainda neste programa que o doutor Pedro, o comunitário**, voltou a irradiar o esplendor com que articula a língua portuguesa:
00h23 - «Tudo isto parece demasiado descarado para ser vigarice. E por outro lado parece demasiada niglegência para ser distracção.»
00h25 - «Mas então há aqui duas coisas. Foi culpa dele, foi esquecimento. O homem era niglegente. É estranho, é estranho.»
De facto, é estranho na boca de licenciado em Direito pela prestigiante Universidade Católica. Não contando a pós-graduação.

Já antes ficáramos boquiabertos ao saber que a doutora e portanto** Clara tem uma amiga dela:
00h10 - «Às vezes até há equívocos. Eu, por exemplo, tenho uma amiga minha que equivocadamente foi-lhe pedido que pagasse não sei o quê e aquilo deu um embrulho tremendo e era uma quantia ridícula. E portanto** acho estranho…»
Também acho estranho. Desta vez, na boca de licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra

Nota final
Agora que o "Eixo do mal" é patrocinado pela TAP, talvez seja altura de a consagrada especialista em aeronáutica vir actualizar com argumentação refrescada a tese de que Fernando Pinto, a dirigir a companhia vai para 17 anos, é um risco aterrador para a aviação portuguesa. Ela que já achava 14 anos seguidos de administração uma calamidade.
Vá lá, doutora Clara, atreva-se ... e cague no patrocínio.
_______________________________________________
* A propósito, merece atenção o erro tosco, antigo e recidivo com que a SIC Notícias anuncia a ementa de «hoje». Às 00h00 é quando a estação fica manifestamente desorientada. Ó Ricardo, ó Paula, ó Aristides, ó Daniel, porra, vejam se põem a programação a acertar no fuso de uma vez por todas! Se precisarem, o Expresso do tio Balsemão ensina.
** Tiques

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Este é o tempo, este é o mundo

«[…] Este é o tempo para nos levantarmos em defesa do que acreditamos, diz o antigo primeiro-ministro […]»
Caríssima Ana*, olhe que vai certa diferença entre acreditação e fé, credencial e credo. Por via da dúvida, eu escreveria «em defesa daquilo em que acreditamos»; daquilo em que aquerditamos, dito por um intelectual como Jorge Jesus.

Sem sair do Público de hoje, deste mundo e deste tempo, pior está José Pacheco Pereira:
«[…] Este é o mundo de Trump, irrascível e agressivo […]»
Mas JPP não anda a falar sozinho. Ouve-se malfadamente muita irrascibilidade por aí. Dois casos, ao acaso, de falantes encartados: Luís Pedro Nunes, por exemplo nesta conversa; Júlio Isidro, por exemplo nesta.
Nada como a voz de quem sabe

Enfim, somos tempo, somos mundo...
Voltando e acabando no facundo Pacheco,
_________________________________________
* Quantos avôs paternos tem a simpática Ana Pereira é que não deixa de me intrigar.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

«A inércia é preta», Deus uma treta

«[…]
João Magueijo [JM]- Quando se diz “caralho” é mesmo caralho, é a sério. Eu gosto do Pacheco [Luiz] e do Bocage.
[…]
A inércia é preta.
[…]
Clara Ferreira Alves [CFA]- Vamos falar do Large Hadron Collider.
JM- Foda-se!
CFA- Aquela alegoria da partícula de Deus deixa as pessoas intimidadas, como se a física tocasse em Deus.
JM- Eu chamo-lhe a partícula da Nossa Senhora da Agrela. Essa relação com Deus é uma estupidez. Eu sou ateu por razões que não têm nada a ver com física. E vice-versa. Usar a ciência para acreditar? O que o (Richard) Dawkins faz e o que os criacionistas fazem é a mesma coisa. Uns usam a ciência para justificar a crença e outros usam-na para justificar a não-crença. É igualmente estúpido. Mesmo que fosse provado cientificamente que Deus existe eu não acreditava em Deus. É uma ideia má, faz mal à saúde.
CFA- Isso é Dawkins. Já reparou no que a arte tinha perdido sem a religião? Não teríamos a pintura sacra, não teríamos a “Pietà” do Michelangelo, não teríamos...
JM- Não! É o contrário do Dawkins. Eles faziam isso, arte, e lá por trás estava um cão a foder. Pintavam os anjinhos porque era o que lhes pagavam. Nada a ver com os anjinhos.
CFA- Até o Bacon precisou de um Papa.
JM- Eu não falo contra a religião nesse sentido.
CFA- Falo da iconografia e não da fé. Esse é outro problema. A iconografia é esplêndida.
JM- Então e os requiens? O Lopes-Graça, um ateu total, fez um requiem às vítimas do fascismo! Nesse sentido, concordo plenamente. Não sou dogmático. Sei que isso abre as portas à arte. Eu sou ateu.
CFA- Foi sempre ateu? Teve catequese?
JM- Não. Houve fases. Tive e berrava à catequista. Mas o que digo tem a ver com a interacção entre crença e ciência. Uma não pode provar ou não provar a outra. Se se provasse que Deus existia eu continuava ateu porque Deus não resolve o problema ético do modo como nos relacionamos uns com os outros. Prefiro saber que no dia em que morrer é o fim, não há mais nada.
[…]
Eu quando digo que sou antiteísta quero dizer que se Deus existe é um grande filho da puta.
[…]»
Entrevista de Clara Ferreira Alves a João Magueijo, "João Magueijo – A Física é um mundo de doidos" | Expresso/Revista, 26.Jul.2014
- x -
«A entrevista de Clara Ferreira Alves a João Magueijo, na Revista do Expresso de sábado passado, não é bem uma entrevista.
Quando se chega ao fim, percebe-se que aquilo não passa duma batalha verbal entre dois cabotinos.
Ela exibe-se formulando perguntas, que mais parecem orações de sapiência, em que consegue introduzir termos e nomes que todos os leitores do Expresso usam quando vão ao mercado comprar sardinhas. Por exemplo, Margate, englishness, understatement, Hawking (é uma obsessão), D. Afonso da Maia, stasis. E ainda encontra espaço para dizer que tem um aluno de doutoramento que é muçulmano*.
Ele vai respondendo com merda, caralho, foda-se ou cu, q.b.
A dado passo, abandonando fugazmente a ciência e o vernáculo, Clara pergunta − “o que lê quando está triste?”. Logo ali me pareceu que a pergunta estava quase, quase, ao nível da mais famosa pergunta da televisão portuguesa – “o que dizem os seus olhos?”, mas para melhor, claro.
Abreviando, e para quem não teve oportunidade de ler a entrevista, transcrevo uma pergunta/afirmação, e respectiva resposta, que resumem magistralmente o tom e conteúdo deste trabalho jornalístico:
- Vamos falar de Hadron Collider. (diz ela)
- Foda-se! (responde ele)
Um pouco de understatement até nem calhava aqui mal, pois não?!
Melhor calharia ainda sermos poupados a seis páginas de pornográfico exibicionismo de dois egos que se julgam a encarnação única da própria partícula de Deus.»
Maria de Jesus Lourinho, "Clara e João, combate de galácticos" | Blogue "1 Dia Atrás do Outro", 29.Jul.2014

Pelo que vou conhecendo de JM, não me atrevo, por enquanto, a chamar-lhe cabotino. O professor Magueijo integra a trupe de alentejanos sabidos, instruídos e bem-humorados, levemente caóticos, a que pertecem o óptimo Rui Cardoso Martins e o ferrabrás Luís Pedro Nunes, coetâneos. No caso de JM, acho-o, pobre de mim, bem mais do que sabido instruído.
Especialmente para Maria de Jesus Lourinho, ei-lo em 19 minutos sem palavrões, à conversa com Luís Gouveia Monteiro, jornalista nos antípodas do cabotinismo, em "O que fica do que passa", no Canal Q, 11.Jan.2013.

Cosmologicamente, toda esta boa gente, incluindo a cristã CFA, reverbera na galáxia das Produções Fictícias. Podia ser pior.
Mas sobrará sempre a possibilidade de não sabermos nada.
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* Também fui levado a pensar num muçulmano, aluno de doutoramento de CFA, ideia estapafúrdia [fosse um cristão, aluno pós-doc em aeronáutica, ainda vá que não vá…]. Há ali 3 linhas de negrito indevido — «Pode acreditar numa religião» —, a fazerem supor que é CFA que fala quando, na dita passagem, ainda é João Magueijo no uso da palavra. Analisando a conversa com mais cuidado, julgo que desde «É um mito.», na coluna à direita da página 6 da entrevista, até «dentro do Islão.», no topo esquerdo da página 7, é sempre o entrevistado a falar.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O crepitante Luís Pedro Nunes e o idiolecto do ódio

Luís Pedro Nunes, licenciado em Comunicação Social, com todos estes predicados e atribuições, um norte-alentejano vivido e vivaço, relativamente bem informado e com graça, que amiúde me diverte, chega a merecer dó quando, possesso de ódio congénito e descabelado a José Sócrates, se pronuncia sobre a governação socialista. A dicção, habitualmente límpida, atrapalha-se-lhe; o verbo, que ele é capaz de usar certeiro [O desconchavo do eis que senão, a par do irrascível e das cócigas, é talvez excepção; ou se calhar não.], transvia-se-lhe por penosas errâncias lexicais sem que ninguém, pela deferência intimidada que deve gerar à sua volta, lhe abra na fuça a caridade de um dicionário.
Dois exemplos recentes.

Eixo do Mal, 16.Mar.2014, minuto 48:30quando, não fazendo ideia do que «prelado» seja, deverá ter querido dizer "no seu consulado":
Luís Pedro Nunes– Quero aqui saudar com a alegria costumeira o doutor Vítor Constâncio porque tudo isto se passou no seu prelado, BPN, BPP, BCP…
Daniel Oliveira- Não só, não só…
LPN- Foi essencialmente no seu prelado
DO- Também apanhou Carlos Costa.
LPN- ... foi, foi, foi essencialmente no seu prelado, foi um bonito espectáculo que ele deu e um case study que ficará digno de ser analisado.

Eixo do Mal, 06.Abr.2014, minuto 05:20,  quando, ateado por socratofobia recidiva que Daniel Oliveira e Clara Ferreira Alves tentaram moderar, improvisou e soletrou uma «surrafa» tonta e inexistente para decerto dizer "à sorrelfa" ou "à socapa":
Foi Teixeira dos Santos que à surrafa pediu ajuda, à surrafa pediu ajuda, porque caso contrário era a perdição.

O ódio quase sempre nos faz perder. O discernimento, o vocabulário e a razão.