sábado, 11 de janeiro de 2020

Miguel Sousa Tavares conta mal e não fala melhor

Tenho presente uma conversa na telefonia, há meia dúzia de anos, em que Miguel Sousa Tavares, jornalista veterano e escritor, falava do empenho máximo — cuidado com erros de português, verificação atenta dos factos — com que prepara a página que desde Janeiro de 2006 assina todos os sábados no Expresso. 
Pois bem:
«[...]
Quando a minha avó morreu, em 1967, ... havia dois canais de TV em Portugal: um passava o telejornal e o "Bonanza", o outro a missa e a "TV Rural".
[...]»

Da avó nada sei, mas lembro-me da RTP em 1967, tinha ele 15 anos e eu 14.
Missa, Bonanza e TV Rural, todas as semanas; Telejornal, diariamente. E continuariam no mesmo canal — RTP 1 —  após 25.Dez.1968 quando já havia dois; eucaristia, farueste e «despeço-me com amizade» sempre ao domingo.

Ainda Miguel Sousa Tavares, jornalista e escritor:
«E a Pedro Santana Lopes aplica-se como uma luva os versos do fado de Amália»
aplicam-se

«De resto, além de coleccionarem "apoios" para que o país se está nas tintas e de caciquarem as bases, confundindo-as com o país, nenhum deles avançou até agora com a mais pequena, insignificante, modesta ideia de como servirem Portugal.»
Arrebicarem, de arrebique; alambicarem, de alambique; clicarem, de clique; repicarem, de repique; despicarem, de despique…
Caciquarem, de cacique, valha-nos Santa Carameca!? Ó doutor Miguel Sousa Tavares, que javardice de gramática é essa?

«Os portugueses têm à partida uma desconfiança de quaisqueres políticos, de quaisqueres políticos! Isso faz parte do bota-abaixo de café.»
quaisquer  ... quaisquer, chiça!

«E portanto, quando ele [presidente da Coreia da Norte] agora oferece aos amaricanos o desmantelamento das instalações nucleares, ele está a oferecer uma coisa que já existe.»
americanos

«Sérgio Moro interviu directamente a favor da campanha do Bolsonaro como já tinha intervido a favor do impeachment da Dilma.»
interveio  ...  intervindo, foda-se!

É isto um escritor esmerado? É isto um jornalista escrupuloso?
O pior, insisto, é o perigo de crianças por perto