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quinta-feira, 4 de setembro de 2014
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
J. M. Coetzee | Ana Cristina Leonardo
Esta manhã, no 329, cheguei à página 72 da desgraça:
Lucy, filha de David Lurie, o protagonista, disserta sobre os cachorros da Katy, uma buldogue abandonada: Eles dão-nos a honra de nos tratarem como deuses e nós respondemos-lhes tratando-os como coisas.
David Lurie redargúi: As Autoridades da Igreja tiveram um longo debate acerca deles e decidiram que eles não têm almas propriamente ditas […] As suas almas estão presas ao corpo e morrem com ele. […]
Vem ainda à baila a senhora Bev Shaw, uma espécie de agente desta coisa lá no sítio.
Lembrei-me logo da meditação, publicada no Expresso, que no sábado passado me entreteve no metro dos Anjos ao Cais do Sodré.
Dinis Janeiro, um menino de 18 meses, morreu faz hoje 15 dias e é por isso e por ele, acho, que a humanidade deveria arreliar-se e fazer luto. Dizer o pitbull responsável pela morte também me parece um ligeiro exagero semântico; mas tenham lá paciência: pôr a vida do menino e a vida do cão no mesmo plano, e a decretada morte do bicho em plano publicamente mais comovido, soa-me a gigantesco desconhavo sanitário.
Ou seja, isto anda tudo ligado* e assim sucessivamente.
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* Os deuses sabem que só reparei no "marcador" com que a ACL etiquetou o seu post na Pastelaria ao relê-lo depois de ter afixado o meu. Enfim, alcatruzes da mesma nora, isto anda tudo ligado.
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Ana Cristina Leonardo,
Morte
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
O Alberto Gonçalves, não lhe bastando a hipocondria e a ultraliberalalia, é um misantropo cómico que escreve muito bem,
o que, no tempo que escorre, configura um não-defeito raro para não dizer apreciável e infrequente virtude.
«Para o meu gosto, os transportes públicos sofrem de um grave problema: são públicos.
[…]
Percebo, e aplaudo, a serventia dos abrigos caritativos e dos lares de idosos, mas enquanto os rendimentos e a idade me deixarem pretendo continuar a ver os episódios de The Office sem ter de ceder o lugar no sofá da sala a uma senhora grávida (com a eventual excepção da minha mulher, caso haja um imprevisto). E pretendo continuar a usufruir do quarto de dormir sem o partilhar com dois escriturários, um advogado preocupado com o “aquecimento global”, a velhinha que vende fruta no mercado e sete adolescentes agarrados ao telemóvel (a minha mulher, que me mata se eu não fizer a ressalva, é novamente a excepção).»
Lido, como todas as quintas-feiras a abrir a manhã, a bordo do 329 da Rede Azul da Rodoviária de Lisboa. E escriturário me confesso.
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Alberto Gonçalves
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Esta manhã, no 329,
duas passageiras discorrendo sobre o amor:
A apenas letrada, A Sentinela à altura das mamas – Pois eu se não fosse a fé não aguentava tantos desgostos.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Educação sem ministério
Não se ‘faz alta’ ao avião, ao comboio, ao barco ou ao metro, para que parem, mas faz-se, ainda se faz, ao táxi, ao eléctrico e ao autocarro.
O gesto universal de ‘fazer alta’ acho-o dos mais bonitos, simples e eficazes que uma pessoa tem à mão – isso mesmo – para exercer um direito que é cumulativamente um pedido e vice-versa ao contrário e reciprocamente.
Esta tarde, na paragem do Prior Velho, uma preta com um pirralho dos seus 5 anos pela mão fez alta ao 329 [Campo Grande – Quinta da Piedade. Deus, na sua infinita, sábia e caprichosa parcimónia, sendo certo que não me contemplou com o jeito para a escrita que a Ana Cássia Rebelo tem, privilegiou-me ainda assim com uma geografia comum, o que me faz ficar-Lhe eternamente grato].
O autocarro parou, a porta abriu-se, a preta entrou e o pirralho disse «Obrigado, senhor motorista!». O motorista sorriu ao pirralho «De nada, ora essa!», charrou a sua dose diária de felicidade, fechou a porta e aliviou suavemente a embraiagem no mesmo tempo suave de carregar no acelerador.
Mãe abençoada e bonita.
Próxima paragem: Sacavém de cima.
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Ana Cássia Rebelo
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