quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Morrer na operação [1]

Os senhores militares da GNR do trânsito têm um fraquinho por operar:
- enfim, operação “Carnaval 2012”, 8 mortos

Os 50 segundos de refinada epistemologia em que Lourenço da Silva ensinava esta manhã que há estradas que não perdoam e estradas que garantem outros desfechos merecem bem, e justificam, a máxima atenção dos portugueses, ainda que só por um circunstancial triz entre vírgulas tenhamos ficado a saber que morreram oito, e sem que tenhamos ficado a saber, nem entre parêntesis, quantos acidentes, quantos feridos graves e quantos feridos leves houve.
A palavra, então, ao senhor tenente-coronel:
«Em termos de registo da sinistralidade, a guarda registou menos acidentes embora mais uma vítima mortal do que em igual período do ano passado. O número de feridos graves, também maior – mais cinco –, e menos 53 feridos leves. Isto significa que o número global dos acidentes, sendo menor, registámos mais uma vítima mortal e mais cinco feridos graves, o que indicia que os acidentes tiveram maior índice de gravidade. Deixaria aqui a referência ao facto de terem, oito mortos, resultado de cinco despistes e um atropelamento. Portanto, não há aqui nenhuma colisão entre veículos e portanto isto indicia também prática de velocidades pouco adequadas. Acidentes que ocorreram em estradas que não perdoam estes erros, porque uma autoestrada eventualmente poderá garantir outros desfechos de acidentes com alguma gravidade; uma estrada nacional ou uma estrada municipal não têm os equipamentos de segurança que tem uma autoestrada, portanto, as consequências também mais gravosas necessariamente.»

Eu se mandasse, a partir de agora seria assim:
- uma operação por dia: 22 de Fevereiro, operação “Cadeira de São Pedro, Apóstolo”; 23 de Fevereiro, operação “São Policarpo, Bispo”; 24 de Fevereiro, operação “São Sérgio, Mártir”; 25 de Fevereiro, operação “São Cesário, Mártir”; 26 de Fevereiro, operação “São Porfírio, Bispo de Gaza”; […] 31 de Dezembro, operação “São Silvestre, Papa”;
- acabar de vez com depoimentos e aparições de autopropaganda da GNR na comunicação social.
Por um lado, satisfar-se-ia na máxima plenitude a compulsão operatória dos senhores militares; por outro e apesar dos mártires, morreria muito menos gente em cada operação; por outro ainda, resguardava-se o povo em geral da exposição tóxica à vaidade e necessidade de protagonismo da guarda*. Não que a guarda não seja necessária. É-o infelizmente cada vez mais. Mas não se importam de fazer o que têm de fazer sem tanto alarde? À comunidade basta saber que existem e que estão a trabalhar – como é que se diz?... -, no terreno. Pois.
Mas como quem manda é a Troika, não sei.
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* Resguardar da guarda não me parece mal de todo.