quinta-feira, 31 de julho de 2014

Na morte do pai

Quando Rui Tovar [Lourinhã, 16.Fev.1948-Lisboa, 03.Jul.2014] morreu, o filho Rui Miguel encontrava-se no Brasil, em serviço.
Não sei porquê, o texto de Rui Miguel Tovar no i de 26.Jul.2014, "Uma família de projeccionistas", comoveu-me.
«Chove dentro do Aeroporto Viracopos, em Campinas. Chove muito. Não há maneira de isto parar. Por muito que os olhos se fechem, a torneira continua aberta
— como a ferida do golpe. Só me vem à cabeça a terceira cena do "Cinema Paraíso", a da chegada do Totó a casa, em Roma. A namorada já está embrulhada nos braços de Morfeu, mas ainda consegue transmitir o recado da mãe: Alfredo [o projeccionista] è morto."
Inicia-se um flash-back.
[...]
Há pais comprometidos, ausentes, realistas, desnaturados, airosos, perigosos, tranquilos, inconsequentes. O meu é amigo. Cúmplice. Verdadeiro.
[...]»

Ao acaso, lembro-me de também me ter comovido com o que Rita Ferro escreveu — "Este português que eu conheci...", no Semanário de 03.Abr.1993 — na morte de António Quadros [14.Jul.1923-21.Mar.1993], seu pai, e de como o malandro do Miguel Esteves Cardoso me comoveu — "Pai", n' O Independente de 29.Jul.1994 — na morte do seu, Joaquim Carlos Esteves Cardoso [?1920-04.Jul.1994].

Não sei porquê? Claro que sei.