terça-feira, 22 de julho de 2014

Clara Ferreira Alves, perigo tóxico [1]

A jornalista Clara Ferreira Alves [CFA] não merece apenas que se lhe preste atenção. Precisa de que mantenhamos olho nela.
Quando CFA aprontou e entregou a abjecta, ignominiosa e miserável crónica, a que nem uns laivos de racismo faltam, contra a TAP Portugal — admitamos que, avareza minha, ao fim de terça-feira, 15.Jul.2014, para ir a tempo da sua "pluma caprichosa" no Expresso/Revista de sábado, 19.Jul.2014 —,  tinha mais do que obrigação de conhecer o essencial técnico da ocorrência com o voo TP85 na manhã do sábado anterior, 12.Jul.2014, tal era já a informação idónea e autorizada disponível.
Por maioria de razão, não se lhe desculpa o descalabro assanhado e a confissão involuntária de autodesleixo jornalístico com que interveio em "O que fica do que passa" gravado no Canal Q na manhã de 18.Jul.2014 e emitido [1.ª de várias sucessivas emissões ao longo do fim-de-semana] às 23:05 dessa mesma sexta-feira*:
Luís Gouveia Monteiro-  O que é que fica da semana que passou, Clara?
CFA, depois de comentar o "caso BES"- Para terminar e muito brevemente, só em Portugal é que um quase acidente mortal da TAP em que primeiro a PSP diz que explodiu um reactor, depois a TAP diz que não explodiu um reactor, não sabemos exactamente o que é que se passou, foi aberto um inquérito, houve um grande silêncio da administração na primeira fase – a TAP com grandes problemas mas isto é encarado como um fait-divers em Portugal, sabendo nós que temos um aeroporto no centro da cidade! Qualquer coisa que aconteça aqui, mesmo que seja uma peça que cai!... – foram só danos em viaturas, mas podiam ter morto pessoas. Mas isto praticamente foi ignorado nos telejornais, na imprensa, como se fosse uma coisa normal.
Curiosamente, os primeiros três minutos e vinte segundos desta edição, a 91, de "O que fica do que passa" não constam do vídeo disponibilizado pelo Canal Q a meio da tarde de hoje, 22 de Julho, no YouTube e no SAPO. Foi justamente nesse tempo, amputado no vídeo, que CFA bolçou a supratranscrita dose de sapiência aeronáutica e aeroportuária e nos fez saber que a jornalista, que ela é, afinal não vira nada, não ouvira nada, não lera nada da copiosa informação, esclarecimentos e comentários sobre o incidente vertidos nos seis dias precedentes nas televisões, rádios, jornais e redes sociais. Tivesse, por exemplo, dado atenção ao pedido de desculpa e às explicações pormenorizadas que o competente e bem-educado Fernando Pinto, com proverbial bonomia e uma paciência de Job, formulara e dispensara entretanto à comunicação social, quem sabe não asneasse tanto.        

Pelo que deduzo e decorre do seu vómito no Expresso, CFA está incapaz de distinguir a guitarra da palheta, um borborigmo de uma explosão ou — mas isso seria demasiada areia para a camioneta da jornalista — um reactor de uma turbina.
CFA sabe quase nada de aviação mas dá a entender, a leigos e a incautos, que sabe muito. E, ai de nós!, o que ela sabe é sempre com certeza absoluta [Não tenho qualquer dúvida; devo dizer; e portanto; etc.], arrogância de cátedra.
Esta sua crónica é um chorrilho de asneiras, sobranceria e subtexto, incluindo uma contradição patética.
CFA sabe pouco de aviões. CFA baralha A330 com A340, não obstante este ter o dobro de motores daquele.
CFA não sabe o que é desligar um motor e voar em segurança com o outro. Faz lá ela ideia do que seja ETOPS!?
CFA não sabe nada de segurança aeronáutica. CFA desconhece o excelente e invejável perfil de segurança, histórico e actual, da nossa companhia que voa ininterruptamente desde 1945, vai para 70 anos. Anoto: um único sinistro com mortes — Funchal, 19.Nov.1977 —, causado pela obstinação humana e pelo mau-feitio conjunto e sincronizado de Éolo, Thor e Tlaloc.
CFA não sabe nada da idade média da frota da TAP e muito menos da idade de cada avião, nomeadamente do A330-202, matrícula CS-TOO, de seu nome próprio "Fernão de Magalhães", protagonista do incidente,  que leva pouco mais de seis anos a voar na TAP desde que a Airbus lho entregou e cuja manutenção de motores, para provável azar de CFA, é assegurada pelo fabricante, General Electric. Temos pena, doutora CFA, de que o avião de que se soltou uma palheta da turbina de alta, sendo um avião inequivocamente jovem, não dê grande jeito ao reles guião de desastre que improvisou para o "grand finale" [aquele «extraordinaire», que ainda me faz cócegas, estava a pedi-las...] da sua biliosa e bacoca diatribe: «a TAP… deve adquirir aviões novos que voem em condições e não deixem cair peças de reactores a arder sobre a cidade de Lisboa», mas não temos culpa.

CFA, como eu, não gosta deste governo, de Miguel Relvas, de José Luís Arnaut [CFA, rigorosa e perfeccionista, trata-o por "António Arnaut", assim metendo e submetendo o inocente, desprevenido e indefeso pai do nosso precioso Serviço Nacional de Saúde ao barulho atroador de aeronaves podres a despenharem-se…], não gosta da Goldman-Sachs nem do BES; e, evidentemente,  não simpatiza com o «abutre» Efromovich [CFA, rigorosa e perfeccionista, grafa sempre «Efromovitch»]. Lá com ela, mas é, no mínimo, leviano e desconchavado estribar nos seus desamores, na pontual escassez de aviões ou nos atrasos de horário e em dois ou três incidentes operacionais de que nada compreendeu porque não quis ou se calhar não atinge, o perigo de viajar na companhia de bandeira portuguesa, razão da sua lauda miserável cujo garrafal título, "lead" e primeiro parágrafo me recuso a reproduzir aqui por asseio e profilaxia do contágio público.
CFA acha — perdão, ela não acha, ela tem sempre a certeza — que «estrategicamente mais interessantes» do que África ou o Brasil são os «destinos asiáticos». "Eureka"!, temos a receita para a prosperidade da TAP. Os segredos e as coisas que CFA sabe, céus! «Não se trata de um palpite.», diria, perdão, asseveraria ela.

CFA odeia a TAP. Nada, pois, obsta à sua venda, antes pelo contrário, «privatização desejável se feita em condições de transparência e competência». Que tal vendê-la — avanço eu imaginando-me a perguntar por ela ­— ao «cavalheiro americano com quem falei num voo da TAP de Nova Iorque para Lisboa, especialista de aeronáutica e dono de empresas internacionais do sector»?
[Como CFA acabara de proclamar categoricamete — tudo em CFA é categórico —, dois parágrafos antes, «Para voar de um continente para outro, há muito que deixei de usar a TAP», presume-se que a conversa tenha ocorrido, no mínimo, no milénio passado… A menos que Lisboa fique na América, Nova York na Europa e vice-versa reciprocamente ao contrário…]
Vendendo-se a companhia ao tal cavalheiro empresário, para este seria apenas mais uma em carteira e para a TAP o ensejo de integrar finalmente a companhia de «companhias sérias como a Emirates, a Lufthansa e outras», para orgulho de Portugal. Vamos até que o tal «cavalheiro americano» ronda por aqui?… E não, não é insinuação ou suspeição; é minha mera suposição.

Talvez importe dizer que, faz um ano e picos, comecei a desconfiar da pouca exigência, agora abundantemente revelada, de CFA no que toca a aviação comercial.
Então não é que esta distinta plumitiva — «uma marca/estrela que muito valoriza a constelação jornalística do Grupo Impresa», segundo Francisco Pinto Balsemão em "O futuro do jornalismo e o jornalismo do futuro", no Expresso/Revista de 04.Jan.2014 — assinou uma página, por sinal interessante e engraçada, mas nisso é ela competente, na revista de bordo de uma companhia aérea do «Terceiro Mundo», mais precisamente «uma companhia africana com aviões em segunda mão», «na penúria», em «decadência», onde voar se torna cada vez mais perigoso, conhecida por sucessivas «avarias técnicas», «aterragens de emergência», que vem continuadamente perdendo, em «hemorragia», «pilotos, pessoal de bordo e técnicos para companhias melhores e mais ricas»; que enfrenta prolongados «problemas de manutenção técnica e de escassez de aviões» — «aviões pequenos e poucos e preços ridículos» — e por isso tenta remediar-se com aviões «obsoletos» alugados a companhias mais manhosas ainda!?...
É certo que se tratava de um texto pago, mas isso não desculpa a cumplicidade com indigentes. E não é certo que o doutor Balsemão tenha tido conhecimento, senão bem que se arriscaria a um valente puxão de orelhas do patrão amigo: A menina Clara não vê que ao assinar coisas assim, com fotografia e tudo, para uma companhia merdosa e decadente como essa, está a afectar o bom-nome e a idoneidade das minhas publicações?
Dá-se o caso de a revista em que Clara Ferreira Alves assinou em Junho de 2013 a dita página, "O lisboeta bem temperado", ser a melhor revista de bordo do mundo. Mas isso é um daqueles irónicos paradoxos de que o mundo está cheio...
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Os deuses sabem da indignação, do custo e da mágoa com que escrevo isto, não só porque conheço bem e gosto da TAP, que servi durante 33 anos, mas também porque nas três décadas há que acompanho a intervenção jornalística de CFA não raro me tenho revisto na sua opinião e é grande o meu apreço por tantas prosas que assinou, tantas coisas que lhe tenho ouvido, tantas outras que lhe tenho escutado e visto fazer na sociedade e na comunicação pública.
Desculpe, senhora doutora, mas com peças como a que agora redigiu contra a TAP Portugal, você só pode ter-se tornado numa jornalista repulsiva e pouco recomendável.
Ficava-lhe tão bem, cara doutora Clara Ferreira Alves, pedir perdão à TAP e aos muitíssimos milhares de leitores que a estimam e se habituaram a confiar no jornalismo que a senhora pratica; ficava-lhe tão bem, Clara!

Mas então ó Plúvio, corre tudo bem na grande e magnífica companhia que a TAP é?
Não, em várias coisas — ainda, às vezes — não. É da vida.
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* Na indústria de entretenimento de Nuno Artur Silva [Produções Fictícias: Canal Q, “Eixo do Mal, "Inimigo Público", etc., citando CFA], amor à camisola parece não ser simples retórica. CFA comprova-o.

PS
É sempre interessante rever a doutora Clara Ferreira Alves a falar de si, mais ainda por ser coisa que raramente acontece.