domingo, 11 de junho de 2017

Superlativo absoluto simples de Manuel Alegre: 100 000,00 €

Em três edições do Expresso do ano de 2005, o socialista emérito Manuel Alegre, deputado na altura, escrevia e assinava "Um par de Purdeys", pregão pornográfico ao Banco Privado Português, de nefanda memória:
«Fui às compras com o Dinheiro, porque esse, ao menos, sabe fazer contas. Passei por uma espingardaria, vi um par de Purdeys muito bonitas, essas armas que há muito são o meu sonho. Outros querem carros e jipes de grandes marcas, casas de campo e de praia, mais isto e mais aquilo, eu só queria um par de espingardas Purdey. Olhámos o preço, o Dinheiro torceu o nariz.
- O vencimento de deputado é uma pelintrice, se não dava para os charutos do outro, como é que queres que dê para as Purdeys?
E fazendo contas de cabeça, acrescentou: Nem sequer com os direitos de autor.
[…]
fiquei na dúvida se o Dinheiro não estaria ele próprio contaminado, quer pela doutrina social da Igreja, quer por algumas reminiscências de Marx, se não do "Capital", que só o Louçã deve ter lido até ao fim, talvez, quem sabe, dos "Manuscritos de 1844", que falam também da alienação do capitalista.
Tretas. O velho enganou-se. Qual alienação qual carapuça. Abre os olhos, rapaz, olha para o mundo à tua volta, o capitalismo ganhou, quem é e quem pode é quem tem.
[…]
- … a poesia não dá para o que tu sabes.
E apontou, o filho da mãe, as duas Purdeys, que mais uma vez ficaram no tinteiro.
Manuel Alegre»


Informação circunstanciada. - Público online, 07.Jan.2011.

Com voto favorável dos quatro jurados não portugueses do "Prémio Camões 2017", Paula Morão, presidente do júri, e Maria João Reynaud atribuíram a Manuel Alegre os 50 mil euros correspondentes à contribuição de Portugal.

Entre os 29 ungidos, desde 1989, não consigo lobrigar nenhum, incluindo Hélia Correia, tão fraco e desmerecedor como o tonitruante poeta sofrível e intratável cagão de Águeda que, a despeito de não ter mais do que 11 anos oficiais de escolaridade — nenhuma desonra ou menoscabo nisso, porém! —, a doutora Clara Ferreira Alves, reverencial e embevecida, tratava por doutor Manuel Alegre no Falatório da RTP 2, em 1996. Não era nem é a única; e ele não desgosta nem corrige.  

Não gosto de Manuel Alegre. Conheço-lhe os escritos quase todos; acompanho-lhe desde 1974 o trajecto público, caprichoso, errático, truculento, mas permanentemente amesendado, com a família*, à República. Não sei de que coisa assim tão extraordinária cultural e civicamente Portugal lhe deva, mas consigo especular sem vesânia nem má-fé sobre quanto, no seu rol doméstico privado, ele "deve" aos contribuintes portugueses. Desde quinta-feira passada, mais 50 000,00 €.

«É natural que me atribuam este prémio. Até podia ter sido mais cedo.» – Manuel Alegre, DN, 09.Jun.2017.

Pode, finalmente, tirar as Purdeys do tinteiro. 

Professora Paula Morão: vitória justíssima.
Presidente-arlequim: homenagem justíssima.

Siga o baile.
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* Manuel Alegre de Melo Duarte,
- casado com Mafalda Maria de Campos Durão Ferreira, antiga subdirectora dos Assuntos Consulares;
- pai de Francisco Durão Ferreira Alegre Duarte, diplomata, e de Joana Durão Ferreira Alegre Duarte, assessora da vereação PS no município de Lisboa;
- irmão de Maria Teresa Alegre de Melo Duarte Portugal, ex-deputada do PS, viúva do célebre guitarrista e antigo deputado do PS António Jorge Moreira Portugal [1931–1994], mãe de Manuel Alegre Portugal, jornalista da RTP, e de João Raul Henriques Sousa Moura Portugal, recente ex-deputado do PS e actual vereador pelo PS na Câmara Municipal da Figueira da Foz, o que me remeteria inevitavelmente para "Tavares & Tavares e o incenso dos Joões", pois, como avisa Ana Cristina Leonardo, «Isto anda tudo ligado», mas estou sem tempo e sem pachorra e ai de mim se quero sugerir seja o que for.
Etc.