sexta-feira, 22 de março de 2013

Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Jorge Coelho, José Sócrates...

«[…]
Segundo um novo hábito em expansão, quem saiu de cena como político reentra e recicla-se como comentador.
[…]
Mas o que é, afinal, essa "ciência" do comentário político, tal como ela é praticada? Trata-se de um discurso parasitário que reduz a política a mera gestão (isto é, que a confirma e conforta naquilo em que ela de facto se tornou), onde se fazem análises e profecias que não saem do jogo das tácticas e das estratégias. É tudo um jogo, no qual os comentadores falam de um lugar em que se representam como detentores do monopólio da objectivação pública. A resposta a dar-lhes deve consistir em tornar a lógica deles reversível, isto é, em objectivar os detentores do monopólio da objectivação. Devemos então começar por verificar que aquilo a que eles se dedicam e a que chamamos comentário tem o alcance de uma estereotipada fraseologia.
[…]»

sábado, 16 de março de 2013

António Guerreiro na Estação Meteorológica,

às sextas, no Ípsilon do Público.

«[…] o que é curioso verificar é que esta visão que a Igreja tem da homossexualidade é reproduzida nos media muito modernos, muito desinibidos, que até preferem dizer “gay” a “homossexual”, mas assim que vêem alguns homossexuais juntos acham que eles não podem estar a fazer outra coisa senão a fornicar ou a reivindicar a consciência de classe. […]»
- x -
«[…] porque não é fácil recuperar ou aprender os gestos, os manifestantes apoderaram-se novamente da Grândola. É uma citação evidente, através da qual uma imagem do passado entra em constelação com o presente. Mas saberá, quem entoa a canção, apreender o que é absolutamente inédito na actual situação, ou estará o seu gesto, como parece, preso a um encanto mítico, a uma cegueira que impede de estar à altura das exigências do nosso tempo? […]»
- x - 
«[…] Assim se cumpre o desígnio da musealização do mundo, ou seja, da exposição sub specie aesthetica de tudo o que já fez parte da vida. Eis a estética como factor de anestesia. Eis o museu a elevar o kitsch à máxima potência e a retirar à arte e à cultura todo o efeito. […]»

Paulo Varela Gomes entrevistado por António Guerreiro

Retrato do escritor enquanto reaccionário e comunista utópico

quarta-feira, 13 de março de 2013

Messi, perdão, meço

a vida em jogos olímpicos e em Papas. Nestes, vou, desde 1953, no sétimo e em mais iria não fosse João Paulo II [1978-2005] ter-me consumido grande parte da biografia. Com sorte e em Deus querendo, se Ele existir, ainda sobreviverei ao septuagenário Francisco — com quem, por enquanto, eleito minutos atrás,  simpatizo —, pelo que é bem provável que morra, saciado de papas, ao oitavo.
Em olimpíadas é que estou a ficar velho com'ó caralho: já cá moram 14.
Tempus edax rerum e não se fala mais nisso até que se volte a falar.

terça-feira, 12 de março de 2013

Rodrigo Leão

Estive, das 21:30 até perto da meia-noite de sexta-feira passada, 8, a referendar o meu impiedoso e leviano juízo acerca de Rodrigo Leão a 10 metros do palco onde ele actuava. Impõe-se-me rectificar o sal e pedir perdão: vendo e escutando com maior disponibilidade, Rodrigo Leão é muito menos mau do que fiz aqui constar.
Por outro lado e apesar daquele maneirismo todo dos 5/4 e dos 7/4, entremeados de 6/8, de quebrar os rins, e da enxurrada de tonalidades menores dissonantes em que a incursão bissexta de acordes maiores perfeitos soa a nenúfares na inquietude, Rodrigo Leão não é mau de todo.
Como previra, a quem saí rendido do CCB foi à Celina da Piedade. Bravo, Celina!
Muito esperneia a humanidade, senhores!

"Conclave"

Genial.

«Rectaguarda europeia» | «América protecionista»

O sempre magnífico Manuel S. Fonseca escreve «de acordo com a antiga ortografia»; e faz ele bem. Por isso, achei graça ao facto de na exaltação calipígia de há dias ter usado tantos cês na retaguarda, que sempre se escreveu sem c, que não lhe sobrou nenhum para usar onde a antiga ortografia manda que se use.

segunda-feira, 11 de março de 2013

O bispo de Bragança que se cuide

Consta que Clio se queixou do senhor bispo ao pai.
Com um assédio desta brutalidade, eu não queria estar na pele do Cordeiro.
A justiça divina é terrível.

Olhos adentro

Está visto que os anúncios começados por a são os que primeiro chamam a atenção.
Eles têm tudo estudado.

«O futebol

ainda pode ensinar fascismo ao fascismo.»

sexta-feira, 8 de março de 2013

Para que olha e que segura

a mulher enquanto mija?

quinta-feira, 7 de março de 2013

Capas

Em 25 anos de publicação, apenas oito das 122 capas da LER trouxeram caras de mulher; em rigor, de seis mulheres: Lídia Jorge em 1988 e em 2011; Agustina Bessa-Luís em 1990 e em 2009; Margarida Rebelo Pinto em 2008; Inês Pedrosa [só os olhos] em 2010; Hélia Correia e Sophia de Mello Breyner Andresen em 2012. Curiosamente, nenhuma destas capas é do período de 2000 a 2006, em que a LER foi dirigida pela única mulher que a dirigiu, Mafalda Lopes da Costa.
Aparente, estranha, pertinaz e bisonha misoginia - de que o Francisco José Viegas pessoalmente decerto não padece, já lhe e nos bastando dele a cavacofilia hórrida... - talvez o explique. 
Para variar, este mês, mais um descolhoante macho.
Já o JL prima por variar, quase sempre em regime de excelência, coisa que a capa da presente quinzena, com esta senhora linda, não desmente.

Rogério Casanova

na LER de Março de 2013:
 
- "Balas sobre o globo", sobre Neal Stephenson e o seu livro mais recente, Readme
«[…] A tentativa de aliar sabedoria e compressão resulta muitas vezes em algo difícil de distinguir da arbitrariedade. […]» - RC
- ‘Consultório literário’ – Grandes contos
«[…] Parece-me preguiçosamente fácil regurgitar aqui uma lista devastadora de alguns dos melhores exemplos da forma, portanto é exactamente isso que vou fazer. […]» - RC
 
«Berlim! O simples nome da metrópole ainda desconhecida, o peso surdo da sua primeira sílaba e a ligeira ressonância da segunda, bastava para o excitar da mesma maneira que o faziam os nomes românticos dos vinhos bons e das mulheres más*.» - Vladimir Nabokov, traduzido por Miguel Serras Pereira, citado por RC.
_______________________________
* Como Tatiana.

quarta-feira, 6 de março de 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Viva o Público!

«[…] um alambique de alquimista, uma égua com dois potros, um mancebo enrabado mai-los seus dois alcaiotes
[…]
algumas sombras e alguns fantasmas, alguns noivos com os respectivos convivas, doze peidos envergonhados, outras tantas bufas sem cheiro […]»
_______________________________
Não tendo, desde 05.Mar.1990, perdido nenhuma das 8364 edições do Público, sinto-me apto a considerar que, no seu 23.º aniversário, o diário do Belmiro traz o melhor editorial de sempre.