quinta-feira, 2 de abril de 2015

Gatos à quinta-feira

Miados da semana.

Herberto Helder

no JL de 01.Abr.2015 [amostra]
- Seis cartas inéditas a Gastão Cruz.
«para mim a prosa é uma espécie de resignação.» [HH]
A letra de Herberto Helder é bonita e asseada.

- Depoimento do editor Manuel Alberto Valente, "Alguns passos em volta".
«Quando eu morrer ninguém mais se lembrará de mim. A única que ficará é a Sophia.» [HH]

Teologia aplicada

Com "A Páscoa é o Natal dos carteiristas em Lisboa", o Diário de Notícias habilita-se hoje, com elevadíssima probabilidade de vencer, ao título mais desconchavado e mais mal explicado do ano.
Parabéns, Rute.

Como se o céu dos justos fosse o paraíso, ou coisa do género.

Uma coisa que o doutor Vital Moreira sabe e eu desminto

O académico prestigiado, trágico cabeça de lista, inculcado por José Sócrates, que na eleição  para o Parlamento Europeu de 2009 fez perder ao PS cinco dos 12 deputados que tinha, marido de Maria Manuel Leitão Marques,  secretária de Estado da Modernização Administrativa [Simplex e outras coisas louváveis] de 2005 a 2011, nos governos de José Sócrates,  vem admitir —  blogue Causa Nossa, "Há limites para a infâmia", 27.Mar.2015 — que ajudou a escrever, capítulo a capítulo, "A Confiança no Mundo", informando a dado momento, negritos meus:
«Sei também, por me ter sido dito por ele, que submetia o seu trabalho a outras pessoas, que igualmente contribuíam com críticas e observações, a quem agradeceu depois no prefácio do livro, como é de regra.»
Pois bem. Comprei e li. O prefácio é de Luiz Inácio Lula da Silva que, nem sob procuração, agradece o que quer que seja a quem quer que seja. Depois e ao longo do livro todo — dedicado «A minha Mãe, À Sofia [Fava?], À Fernanda [Câncio?], Ao José Miguel e ao Eduardo [filhos]» —, nada de agradecimentos nem ao próprio Vital, co-autor de dois dos 76 itens de bibliografia e citado por quatro vezes na obra.
Estas coisas enervam-me.

Para desanuviar, que tal uma voltinha de táxi com Sócrates? Vão ver como é.
"Os Objectos Chamam-nos", de Juan José Millás, cascata de inteligência, graça e maravilhamento.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Gosto de Herberto Helder

Pela meia-noite e 50 de domingo passado, 29 de Março, n' O Eixo do Mal, acabara o patético Pedro Marques Lopes, que por efeito feromónico da vizinhança prolongada vem menstruando cada vez mais sincronizado com Clara Ferreira Alves, de confessar que Herberto Hélder é o poeta da minha vida, julgando nós que fosse Maradona, dizia Daniel Oliveira:
«Eu nunca falei do meu pai [Herberto Helder, 23.Nov.1930-23.Mar.2015], e isso não vai mudar, nunca falei em público do meu pai; não vai mudar. Vou fazer aqui um curtíssimo, um curtíssimo intervalo. Não sou nem vou ser nem quero ser o guardião da memória de ninguém. No entanto, faço, não é um pedido, é um apelo: que não dêem o nome dele a nenhuma rua, a nenhuma praça, que não façam nenhuma estátua, que não o incluam no protocolo literário, ou seja, que não façam ao meu pai o que ele nunca quis que lhe fizessem em vida. Não lhe façam agora.»
Faltou-lhe acrescentar «Esqueçam-no.», mas é de crer que o merchandising glutão e às vezes pouco escrupuloso da Porto Editora não o consinta: antevejo, na 85.ª Feira do Livro de Lisboa que aí vem, uma frenética barraquinha "Herberto Helder" e a procissão ao sol dos habituais beatos — os da Poesia difícil e, em maior número, os de gosto requintado na estante da sala — para a caixa registadora dos "Poemas canhotos" a, porque desta vez é um ano especial, no máximo de três exemplares por cliente.
Enfim, num respeitoso momento de perda e de dor, soou-me a presunção e a soberba da parte de um órfão que, determinado em não ser guardião da memória, acabou por, sem querer, fazer de polícia e executor testamentário dela.
Talvez
Daniel Oliveira tenha perdido a melhor oportunidade de continuar publicamente calado acerca do seu admirável pai.

Helena Roseta e qualquer coisa mais do voo 4U9525

«Ó Zé Matos Correia, gostava de lhe dizer o seguinte: eu acho que sobre este preciso caso talvez a gente ainda não saiba tudo, talvez a gente ainda não saiba tudo. O que nós vimos foi um acidente horrível que perturba imenso as pessoas e depois de repente vimos chefes de Estado, o rei de Espanha, o primeiro-ministro, o chefe de Estado francês, o presidente, a chanceler Merkel, a acorrerem ali. Eu isto deixou-me perturbada, quer dizer, há aqui qualquer coisa mais, há aqui qualquer coisa mais.»
- Helena Roseta, na Edição da Noite da SIC Notícias, pelas 21:40 de 26.Mar.2015 [minuto 05:00], quinta-feira passada, quando já se sabia o essencial da tragédia ocorrida na manhã de 24.

Enquanto não acham a 2.ª "caixa negra" cor-de-laranja, espera-se nos Alpes pela nossa perturbada arquitecta que também acorrerá ali. Para depor junto da investigação e dizer o seguinte: eu acho que. E assim sucessivamente.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Um anónimo chamado Jorge

«[...]
Ainda antes de conhecida a decisão que rejeitou o primeiro habeas corpus, à secretaria do Supremo Tribunal de Justiça já chegava um segundo pedido de libertação imediata. Agora a providência é de um homem chamado Jorge Domingos Andrade, outro anónimo que também não terá qualquer ligação ao processo. O novo habeas corpus já foi distribuído à 5.ª Secção e vai ser analisado nos próximos dias para ser decidido na próxima semana. Jorge Domingos Andrade esteve esta manhã no Supremo Tribunal mas passou despercebido apesar da presença dos jornalistas. Assistiu, de resto, à audiência que discutiu o pedido de libertação imediata apresentado na semana passada por Miguel Mota Cardoso, um pedido que fracassou por manifesta falta de fundamento legal.
[...]»
- Locutora não identificada, por detrás de imagens recolhidas nas instalações do STJ em Lisboa, ao 2.º minuto do "Jornal da Noite" da SIC e ao 4.º minuto da "Edição da Noite" da SIC Notícias, de hoje.

domingo, 30 de novembro de 2014

Falar português

«[...]
Saímos daqui com uma estratégia assente na importância da qualificação, na valorização dos nossos recursos: as pessoas, o território, a língua, as comunidades portuguesas no mundo, a posição geográfica de Portugal no mundo.
[...]»
- António Costa, hoje pelas 13:20, no discurso de encerramento do XX congresso do PS.
António Costa diz invariavelmente 'aco(ó)rdos'. Fica-lhe mal; é 'aco(ô)rdos'. 

sábado, 29 de novembro de 2014

Clara Ferreira Alves almoçou com Mário Soares

Ela, garoupa; ele, costeleta.
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PS
Omissão grave de Clara Ferreira Alves, que é católica: não ter interpelado Mário Soares, sem fé, acerca do Papa Francisco. Haveria de escutar coisas extraordinárias. Qual Obama, qual quê!?

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

FC/FC e mais tricas entre camaradas

A jornalista Fernanda Câncio - "Aproximadamente", DN, 28.Nov.2014 - não chama nada à jornalista Felícia Cabrita.

O jornalista Ferreira Fernandes - "Debica indícios, cronista, debica, e bolça certezas", DN, 28.Nov.2014 - chama pedaço de asno ao jornalista João Miguel Tavares - "A presumível inocência de Sócrates", Público, 27.Nov.2014.

Manoel de Oliveira

Fazendo justiça ao tempo e ao homem, há muito se imporia corrigir a desactualizadíssima expressão para «o mais antigo realizador mais velho do mundo em exercício».
Até que os exercícios do cineasta determinem nova actualização.

José Tolentino Mendonça no ovo da serpente

Não se vê jeito de o omnímodo, ubíquo, consensual e incensado padre Tolentino nos dizer o que andam a ensinar acerca do Dinheiro, do Sucesso, da Ganância e do Escrúpulo, na Universidade Católica de que é vice-reitor e que tantas luminárias tem posto nos comandos deste país.
Vá lá, senhor magnífico padre-poeta, tire-se de comodidades, use, por exemplo, o seu púlpito na Revista do Expresso, "que coisa são as nuvens" e, por três minutos que seja, deixe de ser nefelibata. Faça como o George da legionella, explique-nos, sossegue-nos, que os ares começam a ficar podres demais. A Política não está proibida aos poetas. Situe-se, homem!
«[...]
Para José Tolentino Mendonça, Ser padre é (...) aceitar a pobreza como condição. E a pobreza é uma coisa chata de viver. É achar que isso pode ser uma forma de dizer alguma coisa ao seu tempo". (...) o autor, para quem A poesia é a arte de resistir ao seu tempo,
[...]» - Infopédia
Pobreza, os tomates; resistir, o tanas.

A camisa de Matt Taylor

«[…]
Como se sabe, as pessoas do género do Matt [Matt Taylor, missão Rosetta] dividem-se em seis categorias: homens que gostam de mulheres, homens que gostam de homens, homens que gostam de mulheres e de homens, homens que gostam de ornitorrincos (e/ou outras espécies) e homens que não gostam, ponto.* O gosto do nosso físico Matt Taylor surpreendeu talvez por ser raro, gosta de mulheres. Sabemos desde o professor Tournesol, os cientistas são uma raça de originais. Matt Taylor gosta de mulheres. Proclamou-o na camisa. Vai daí, deita pedra na Geni!
[…]
Os cientistas devem ser postos na linha. Matt Taylor foi. Dois dias depois do Matt da camisa, ele apareceu de cinzento, pediu desculpa aos ofendidos e chorou. Foi um pequeno choro para um cientista mas um grande salto para a tolice. Os criadores bem podem chegar aos cometas, mas cá em baixo quem ainda manda são os eunucos.»
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* Conto cinco categorias. De que abstrusos homens se terá esquecido Ferreira Fernandes no tinteiro? Os que gostam da Geninha Melo e Castro? Nunca se sabe.