terça-feira, 16 de abril de 2013

A nação, a Constituição, o acórdão

«[…] Infelizmente, os três símbolos da nação foram capturados e impostos pelo mau gosto tribunício da Primeira República: a bandeira é a mais feia do mundo, o hino é ridículo e patético, e a Constituição, filha dos filhos da Primeira República, é um texto irresponsável, abusivo e tão grandiloquente quanto pretensioso.

[…]
não percebo e nunca percebi a necessidade e a utilidade de um Tribunal Constitucional
[…]
Quase tudo me afasta das estratégias e das políticas que o actual Governo tem seguido para combater a crise e contra as quais escrevo praticamente desde o início. Mas, neste caso, acho que o Governo tem 20% de razão […]»

domingo, 14 de abril de 2013

Tu quoque, Fernanda

«[…] afinal, parece que só há duas narrativas possíveis: ou Cavaco está, como aliado e garante do Governo, a reduzir o País a cinzas, ou, como cúmplice do TC, a levá-lo à ruína. Só ele para conseguir conciliar ambas.»

Nem a atenta e arguta Fernanda Câncio, que escreve lindamente, escapa à filoxera narrativante.
Quem contaminou o eng. Sócrates?

sábado, 13 de abril de 2013

Crise / Catástrofe

«[...] A catástrofe, bem o sabemos, provoca muito medo, já que se refere habitualmente a algo demasiado grande, devastador e incontrolável. Mas novos horizontes se abririam se ela fosse integrada no vocabulário político, tal como foi integrada na Matemática por René Thom, o autor da teoria das catástrofes, que elaborou um modelo para a análise das transições bruscas, das descontinuidades e das súbitas mudanças qualitativas. Assim, em vez de sermos incitados, pela “catástrofe”, a começar algo de novo, continuamos, pela “crise”, estupidamente imobilizados a olhar para o que nos é imposto como “horizonte inultrapassável do nosso tempo” (foi assim que Sartre designou o comunismo). 
É claro que precisamos da catástrofe e que andamos a perder tempo com a música pimba da crise.» 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

30 segundos de Opel Insignia

Gostei de quando, às 22:22 de hoje, a excelente Ana Lourenço informou na SIC Notícias:
Fazemos uma pausa para intervalo. Até já.
30 segundos depois, Ana Lourenço voltou. E assim se fez uma pausa para intervalo, com um já do tamanho dum já e um carro à venda lá dentro.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Alberto Gonçalves

na Sábado.

28.Fev.2013
- “A minoria ruidosa
[Música de intervenção]
- “O farmacêutico
[José Sócrates na Octapharma]
- “Abe por Steven
[Lincoln, de Steven Spielberg]

07.Mar.2013
- “A rua portuguesa
[Que se Lixe a Troika – Manifestações de 2 de Março]
- “Remédios santos
[Octapharma esclarece]

14.Mar.2013
- “Chávez é uma lição
[Dicas a Passos Coelho sobre a maneira de comunicar]
- “Portugal Lorosae

[Portugal, Portugueses, vídeo do Turismo de Portugal]

- “200 por todos” 
[Casa da Música] 
- “E o povo, pá?” 
[Referendo nas Falkland] 
- “O problema do X” 
[Pronúncia do s inicial]

- “Uma fábrica de tolos” 
[Regresso de José Sócrates à TV] 
- “A aldeia nacional” 
[Os nossos visitantes ilustres]

04.Abr.2013
- “A direita portuguesa não existe” 
[Relvas, Sócrates, Soares, Cavaco…] 
- “Sebastianismos” 
[Sócrates]
Não sonegando a parte da minha existência entretida na prosa exímia do dr. Alberto Gonçalves que usa divertir-me e com quem amiúde concordo, começa a raiar o ridículo o lausperene de animadversão anti-socrática, passe o oximoro, em que o dr. Alberto Gonçalves parece vidrado, como se a inexistência do eng. Sócrates retirasse sentido à existência do dr. Alberto Gonçalves. Por outro lado, em enxurradas de ódio descabelado como a de 04.Abr.2013, choca-me, por parte do sociólogo presumivelmente lúcido, a condescendência para com um videirinho pateta como Relvas ou um bronco despeitado como Cavaco em cujo séquito de fâmulos e bajuladores medrou, nos seus longos consulados, o maior banditismo deste país. [Relvas abusou um bocadinho das equivalências universitárias  … uma história esquisita de espionagem … Que candura, dr. Alberto Gonçalves.]
Quanto à incolumidade de Soares e adjacências, check.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Rogério Casanova

na LER de Abril de 2013:

1.  “Pastoral Portuguesa
- História paquidermicamente incorrecta da literatura universal
- ‘Consultório literário’ – 500 chimpanzés

domingo, 7 de abril de 2013

... e do espírito

santo. Ámen.

Ler para se ser livre

«Na semana passada, graças a um ex-primeiro-ministro que regressou para contar as suas fábulas, com as quais tentou relativizar ou destituir de verosimilhança as fábulas engendradas na sua ausência, até os mais ingénuos perceberam que vivemos sob o domínio do imperialismo narrativo […]»

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Instrução de instrutores

Às 22:28 de ontem, no programa "Política Mesmo" da TVI 24, a dra. Helena Matos, historiadora, jornalista e antiga professora, disse, referindo-se ao CDS bailarino,
«sem qualquer sentido prejorativo».
Às 23:14 e às 23:16 de ontem, na "Edição da Noite" da SIC Notícias, o Professor Doutor Nuno Crato, ministro pinículo da Educação e Ciência disse, respectivamente, a propósito das relvíneas habilitações académicas e da lei de Bolonha,
«caixa de Pandôrra» [ôrra]. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Acordo Ortográfico [79]

Vasco Graça Moura, “Os donos da língua” | Expresso, 29.Mar.2013,

reage a

Margarita Correia, “O português na encruzilhada” | Expresso, 02.Mar.2013.

domingo, 31 de março de 2013

Rigor, isenção.

Não se vê qualquer incompatibilidade, bem pelo contrário, entre o ódio visceral e alucinado que Alberto Gonçalves [AG] - que assina, na Sábado todas as quintas e no Diário de Notícias todos os domingos, das mais hílares, azeiradas e bem redigidas prosas na imprensa portuguesa - devota perseverantemente a José Sócrates [JS] e o apreço que tem por Cavaco Silva, não tanto, é certo, quanto o que nutre por Manuela Ferreira Leite mas, ainda assim, o suficiente para ter integrado a Comissão de Honra da candidatura do, a meu ver, maior e mais extenso pesadelo da democracia portuguesa, na sua recondução à presidência da República em 2011.
Por isso, não surpreende o erro grosseiro de AG ao no DN de hoje informar, alardeando especioso rigor, que na entrevista de quarta-feira passada, 27, à RTP 1, JS «repetiu em 57 ocasiões a palavra "narrativa"» nem a diligente dúvida [capitis diminutio? - quem tenha comissariado publicamente Cavaco a algum zelo público na preservação da sua imagem se há-de achar compelido...] no uso do adjectivo “discutível” e uma bondade franciscana no substantivo “trapalhadas” quando, 5 linhas adiante, escreve «Não importa que, com a discutível excepção do ataque às trapalhadas do PR, a prestação do eng. Sócrates roçasse o patético.» 

Pois bem: JS pronunciou a palavra "narrativa", bordão insuportável dos tempos que correm, 31 vezes, duas no plural; nem mais nem menos. Onde foi AG, senão à gula do ódio, inventar 26 narrativas? Nem com os 13 "embuste(s)" que o entrevistado proferiu [por favor, caro leitor, confie no meu rigor e noutras coisas em or, que ver e rever os 92 minutos da entrevista a contar as palavras todas* deu-me um trabalheira do camandro] a fazer de narrativa, as narrativas montariam a 57. Portanto, AG enganou os incautos legentes [dão-se-me amiúde umas metempsicoses de Llansol de que não consigo despossuir-me] do DN em 84% de narrativa não narrada. Engano doloso é uma hipótese. 

Quanto ao grunho de Belém, subscrevo Ferreira Fernandes, Sócrates, os outros e ele próprio, no DN de anteontem

«[…] Sócrates foi moderado, criticou no PR falhas de solidariedade institucional. Ora com Cavaco um animal feroz levantaria outra coisa: aquele que é hoje o Presidente de Portugal ganhou de um banco, num ano, mais do dobro do que lá tinha depositado - e, depois de ter sido provado que o banco era de bandidos, não devolveu as mais-valias. […]» 

No seu lençol de vesânia anti-socrática – “A entrevista” -, diz AG: «[…] a que se resume afinal o eng. Sócrates? A pouquito, uma mediocridade arrogante e uma calamidade política que subiu na carreira à custa de manha, sorte e atraso de vida. […]» 
Eu não diria melhor, ipsis verbis, mutatis mutandis, com cabimento sextuplicado - e estou a ser injusto com JS -, a respeito do dr. Cavaco Silva. 

À medida em que fui repassando o vídeo foi-me curiosamente ficando mais nítida a percepção de que entre os 50 preopinantes encartados que entretanto li e escutei acerca da entrevista, muito mais tolhidos no discernimento ficaram, desta feita, os execradores de Sócrates, que não conseguem vislumbrar nele um resquício de virtude do que os seus sequazes, que não lhe conseguem descortinar uma pontinha de defeito. 
Por mim, não morrendo de amores pelo homem, continuo a achar que o Portugal pós-“25 de Abril” ainda não teve primeiro-ministro melhor. Outras coisas boas não se lhe devessem, e devem-se-lhe muitas, a par de alguns desvarios, bastaria o que fez pelo tratamento do nosso lixo. 
Há vários traços de personalidade que me desgostam em JS que não vêm agora ao caso. Vem no entanto uma qualidade política que lhe vejo raramente reconhecida e que creio não lhe faltar: José Sócrates é um genuíno patriota. 

Um momento da conversa: 
JS- O discurso político vale muito […] 
Vítor Gonçalves [VG], entrevistador- Não está a sugerir, engenheiro Sócrates, que o governo deve vender ilusões ao país?... 
JS- O que está a reproduzir é a crítica que me faziam […] diziam que eu estava a vender ilusões; essa era a crítica que me faziam. Pois eu digo-lhe uma coisa: um político que desiste da confiança, de puxar pelas energias do seu país, que desiste do futuro, é um governante que não está à altura das suas responsabilidades. 
VG- Não pondo em causa a verdade… 
JS- Com certeza! Mas a política faz-se com construção. 
[…] 
Um dos problemas deste governo é ter matado qualquer expectativa. Eu percebo que o governo quando chegou não quisesse ter as mesmas prioridades do governo anterior. O governo disse que não gostava do investimento nas escolas nem das energias renováveis nem das novas oportunidades nem das barragens nem do Magalhães nem de nada. O governo tem o direito de dizer isso, mas tem de responder a uma pergunta: afinal de que é que gosta? E não há país que possa ser governado sem uma esperança, sem vontade, sem ambição. O dever da política, o dever dos governantes é traçar um rumo. Sabe o que me faz lembrar o governo ao longo deste dois anos? Faz-me vir ao espírito a frase da Divina Comédia, do Dante; quando se entra no Inferno, quando o personagem entra no Inferno, “Vós que entrais, abandonai toda a esperança”. Este governo foi o que fez. […] O que parece o discurso deste governo é um discurso de expiação, de punição; isso é um erro. 

Em resumo e finalmente, a conversa começou assim: 
VG- Porque é que José Sócrates, que esteve os últimos dois anos em Paris, decidiu regressar à política através do comentário político? 
JS- Em primeiro lugar, há um tempo para tudo na vida. […] Este é o tempo para tomar a palavra. É isto que desejo fazer. […] Tomar a palavra. 
Por outro lado, entendi também que era o momento de falar. 

Falou e disse. 
____________________________ 
* Acusam Sócrates de ter estado, como sempre, arrogante, desabrido, mal-educado. Foi? 
É certo que disse 16 vezes repare, escaparam-lhe quatro Eh pá, um chocarreiro O que lhe posso dizer é o seguinte, pá… e até um Oh homem!, para Paulo Ferreira. Mas, e as 76 vezes em que pediu desculpa [desculpe(m)-me, desculpar-me-á(ão)…]? E as 68 em que pediu licença ou permissão [se me dá(ão) licença, se me permite(m)deixe(m)-me dizer-lhe(s)…]?

sábado, 30 de março de 2013

Acordo Ortográfico [78]

«[...] as pessoas sentem como intolerável que o poder político se ocupe de questões que não lhe dizem respeito e que não podem ser submetidas ao arbítrio de quem detém o monopólio da violência legal. O Governo legisla hoje sobre a norma ortográfica como legisla sobre a nossa saúde, o nosso corpo e a nossa vida. É a isto que se chama biopolítica. Mas as razões de indignação surgem agravadas por um outro factor: o Governo arroga-se o direito não apenas de exercer essa violência legal, mas de o fazer em relação a uma matéria da qual manifestamente não percebe nada. À violência junta-se a ignorância. E, a somar à violência e à ignorância, há ainda uma razão estratégica absurda e anedótica: a de fazer da unificação ortográfica (que, afinal, é uma miragem e, por agora, já resultou num desacordo mais fundo do que aquele que tínhamos antes) um instrumento de conquista de poder e de influência da língua portuguesa no mundo. Por último, a coroar todas estas razões, há a desordem ortográfica a que afinal ficámos submetidos [...]»
António Guerreiro, "O Acordo Ortográfico e os seus trolhas" | Público/Ípsilon, 29.Mar.2013

sexta-feira, 22 de março de 2013

Acordo Ortográfico [77]

«Escritores, jornalistas, professores e alunos reuniram-se na quarta-feira para debater o Acordo Ortográfico, no fórum "Onde Pára e Para Onde Vai a Língua Portuguesa?", Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. João Bosco Mota Amaral, Miguel Sousa Tavares, Nuno Pacheco e Maria Alzira Seixo pronunciaram-se contra o diploma, na qualidade de “cidadãos da língua portuguesa” - palavras de Miguel Sousa Tavares.
[…]»

Cidadãos da língua portuguesa” sentem-se assaltados pelo Acordo Ortográfico

Público online [jornalista Ana Freitas], 22.Mar.2013


- x -  
«[…]
defendendo em teoria os benefícios de um AO, devo reconhecer que este AO a que se chegou, após o longo e sinuoso processo negocial que escusado será aqui recordar, tem causado muitos danos à lusofonia que tanto defendo.
Não vou aqui entrar na argumentação mais técnica – sendo certo que sou particularmente sensível, por formação (filosófica) à questão da filologia (“sem filologia não há filosofia”), não é menos certo que a língua portuguesa, antes deste AO, já estava, em muitos casos, longe da raiz filológica. Para mais, tenho, até por razões académicas, uma visão histórica da língua: leio frequentemente textos antigos e constato que a língua já mudou (muito) mais antes do que agora com este AO. Dito isto, não posso deixar de reconhecer que este AO tem recomendações que a mim me causam as maiores reservas.
[…]»

Tamanho

- Quanto calças?
- 41
- E em erecção?

















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Está bem:
- Não tanto.