quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Loja dos 300

Com a mesma, se não mais, serena e inoxidável convicção com que afirmaria Os pássaros voam., o teólogo Octávio Teixeira, do PCP, abriu a sua arenga de hoje no Conselho Superior da Antena 1 a dizer:

Quando à CGTP e ao PCP, passe a redundância, sobe o paroxismo à pensadura, não há lei da Física que resista:
Mais de 300 mil … A maior manifestação das útimas décadas – Contra Sócrates, 29 de Maio de 2010

Mas os comunistas também aldrabam nos números, tal como as pessoas desonestas, para endrominar o pagode?
Infelizmente, também; felizmente, se calhar não tanto nem com tanta frequência, pelo menos os comunistas portugueses...

Pelo andar que o país leva – desde que o PCP e o BE ajudaram a correr com os socialistas, a vida dos portugueses não tem parado de melhorar… - e pelo jorrante e apressado entusiasmo com que o Arménio Carlos parece querer provar que existe,  a Intersindical irá, não tarda, ter de pedir emprestado o recinto de Fátima que, aposto, há-de transbordar com mais de 50 milhões de cidadãos trabalhadores na maior manifestação de sempre dos últimos 15 dias.
Pois bem, eu também estive no Terreiro do Paço, sábado que passou. E contei: éramos exactamente cerca de 63 457 até ao momento em que, tendo de sair dali aflito para mijar, ficaram exactamente cerca de 63 456, incluindo o senhor bispo Louçã.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Acordo Ortográfico [44]

«O Acordo Ortográfico, cuja aplicação forçada e nada consensual vai revelando cada vez mais as suas muitas fragilidades e incongruências, apela a que, de uma vez por todas, se olhe para o amontoado de erros que ele contém e se decida o seu destino, a bem da língua portuguesa, onde quer que ela se fale e escreva. E é em nome do futuro e não do passado que falamos, ao renovar tal apelo.»

Namorado distraído

Comprou flores e meteu-se num táxi; talvez chegue a tempo. Ontem não fica assim tão longe.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Gravidade

Passou a andar sempre com pedras nos sapatos desde que o preveniram de que fezes flutuantes são mau sintoma.

O que é a verdade?

Um gaseiforme permanentemente ajustável. Talvez.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Acordo Ortográfico [43]

«Com o Acordo Ortográfico (AO), Portugal, acometido de um juridicizante voluntarismo excessivo, tristemente capitulou perante um patente abastardamento da língua portuguesa, coonestando, à guisa de autoflagelação, uma arremetida contra importante vertente do seu riquíssimo - velho, de quase nove séculos - património histórico e cultural.
Surpreendentemente, contudo, não é apenas a dimensão imaterial das coisas que está em jogo: também do ponto de vista jurídico, a enrolada "entrada em vigor" do AO deixa a descoberto um perturbante descaso.
[...]
em vigor, mas como?»
- José de Faria Costa e Francisco Ferreira de Almeida, professores da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, "O chamado 'novo acordo ortográfico': um descaso político e jurídico" | DN, 13.Fev.2012

Duas fotos

«Uma foto de 1936 marcou a semana. Um operário de um estaleiro de Hamburgo, no meio de uma multidão que fazia saudação nazi, é o único de braços cruzados. August Landmesser, de 26 anos, tinha boas razões para não ser nazi, era casado com uma judia alemã, mas também tinha prudentes razões para não chamar a atenção com gesto tão rebelde.
[...]
Em 30 de janeiro de 1938, no Portugal-Espanha, no estádio das Salésias, a seleção portuguesa perfilou-se ao hino nacional e estendeu o braço em saudação fascista, como era norma. Mas três jogadores - Artur Quaresma, José Simões e Mariano Amaro, todos do Belenenses - não fizeram o gesto fascista. Há foto. Resultado final do jogo: lembro-me do nome dos três, dos outros oito não.»

E este comentário de António Castro:
«O (não-)gesto do alemão, verdadeiramente heróico, pouco tem a ver com o (não-)gesto dos três jogadores portugueses, certamente corajoso mas sem a mesma força nem o mesmo risco. Comparar o incomparável é sempre tarefa dispensável, mesmo se a vontade do cronista em querer dessa forma levantar a auto-estima de algum eventual seu leitor em tempo de continuadas contrariedades e sacrifícios seja meritória. Comparar-se o terror germânico com o ambiente da ditadura portuguesa de então é, no entanto e sempre, ou fruto da ignorância - hipótese muito pouco verosímil - ou uma leitura viciada da História. De qualquer forma, é verdade que em tempo de consenso mole tipo facebook,é mais difícil encontrar heróis, pelo que é útil recordar esses actos únicos.» 

Acordo Ortográfico [42]

«[...]
DN- Não vê aí nenhuma possibilidade de deixar o Governo numa posição incómoda, ou, como diz o líder do PS, que esteja a desautorizar o Governo?
VGM- Não. Admito que o Governo tenha ficado, pelo curso de circunstâncias, numa posição incómoda, que lamento profundamente, de resto. Mas não foi, de todo, essa a minha intenção. A minha intenção foi partir do princípio de que não existindo um elemento que é absolutamente fundamental para a aplicação do Acordo - que é o vocabulário ortográfico comum preparado com a intervenção dos sete países signatários através dos seus organismos e instituições, como se diz lá no Acordo -, não há maneira nenhuma de o aplicar!
- É contra este Acordo Ortográfico ou é contra qualquer acordo que mude as regras que existem?
- Não, não! Acho que este acordo tem aspetos* profundamente errados. Não sou contra qualquer acordo em absoluto, nem de perto nem de longe, embora eu ache que em 1945 se atingiu o ponto limite do aceitável de alterações. Em todo o caso, não sou contra. Há é questões técnicas que têm de ser revistas
[...]»
Da minha vista, ou o Vasco Graça Moura está um tudo-nada amansado?
_________________________
* Ironia das ironias é o acordista DN ter posto os seus leitores a ver na boca de um dos mais estrénuos e qualificados militantes anti-acordistas coisas como a adoção do Acordo Ortográfico ... continuarei a adotar a grafia que entender ... este acordo tem aspetos ...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Bombeiros

O estagiário e o sénior.
Ontem, puta de coincidência.

Excedentários?

«Tal como a medicina moderna declarou que qualquer pessoa é um doente que se ignora enquanto tal, o poder político actual caminha para a declaração de que todo o indivíduo, mesmo o mais honesto, é um criminoso gastador de tempo (roubado ao tempo de trabalho) e de dinheiro público.»

World Press Photo 2012

Sou da opinião dos que acham que esta é que deveria ter ganho. O Damir Sagolj conseguiu uma fotografia do outro mundo, caramba.
Não estamos todos um bocadinho cansados de pietás?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Relatório preliminar de interdiência

Devemos interdir* a passagem a viaturas e a peões.
_________________________
* Variante edílica sofisticada de interditar/interdizer.

Acordo Ortográfico [41]

«Vasco Graça Moura (que a intelectualidade oficiosa viu com desconfiança ser nomeado presidente do CCB), teve a coerência, a coragem e a dignidade de repor em uso no CCB o português que falamos e escrevemos e não aquele a que o Acordo Ortográfico nos quer à força converter. António José Seguro – a quem jamais se conheceu uma causa que fosse – resolveu fazer deste acto de resistência cívica um desafio à autoridade do Governo e do Estado. Se, porém, se desse ao trabalho de pensar para lá da baba política, Seguro poderia meditar sobre a validade jurídica de um tratado que apenas algumas partes ratificaram e poderia questionar-se sobre as razões que levaram Moçambique e Angola a recusarem o tratado que, supostamente, lhes era destinado, antes de mais. E poderia ainda reflectir sobre o teor do editorial do oficioso “Jornal de Angola”, desta quarta-feira, quando se justifica a recusa da aceitação do AO dizendo que “não queremos destruir essa preciosidade (a língua portuguesa) que herdámos inteira e sem mácula” e que “se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes de mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras. Há coisas na vida que não podem ser submetidas a negócios”. Veja, António José Seguro: são as nossas ex-colónias que recusam abandonar a língua que nós lhes levámos e que agora traímos. Quererá você também dar uma lição aos angolanos, nesta matéria?»

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Isso e o contrário

Onda de assaltos > Insegurança
Assaltos de onda > Tsunamis

América

«Nas semanas que se seguiram à eleição de Obama, muitos adeptos de "The West Wing" ("Os Homens do Presidente" na versão portuguesa) notaram as semelhanças entre a campanha eleitoral de 2008 e a última temporada da série: um não-caucasiano com nome invulgar supera todas as expectativas e vence as primárias democratas contra um óbvio favorito, disputando depois a Presidência com um republicano atípico, de apelo centrista e reputação de "maverick", mas incapaz de consolidar a base religiosa do partido.
[...]
Órfão dos seus mártires caídos (Martin Luther King e, sobretudo, os dois Kennedy assassinados), o liberalismo tende a sublimar as suas aspirações colectivas, convertendo-as num culto messiânico, perpetuamente à procura do próximo candidato a redentor. "Os Homens do Presidente" parte da premissa de que o que une todos aqueles intelectos colossais e instintos políticos de primeira classe é um conjunto de princípios partilhados e um sentido de dever cívico, mas o que acaba por ilustrar é a devoção cega a um monarca benevolente; não alguém que é dignificado pelo cargo que ocupa, mas alguém cujos carisma e autoridade moral exigem ser tratados como infalibilidade.
[...]
Se pretendermos voltar a ler a série como profecia, devemos ignorar a falência hiperbólica dos últimos anos e regressar à quarta e última temporada de Sorkin: um líder carismático, cuja retórica inspiradora criou expectativas impossíveis de cumprir, termina um frustrante primeiro mandato, no qual viu repetidamente as suas melhores iniciativas serem diluídas por cedências e compromissos, até ao ponto em que até as pequenas vitórias têm um sabor amargo, mas que recupera alguma da sua popularidade e acaba por garantir a reeleição, em grande parte porque os seus adversários políticos não conseguiram produzir um candidato capaz de articular duas frases seguidas sem revelar a sua mediocridade. É provável que, daqui a alguns meses, tudo isto pareça novamente uma história familiar.»